Ruth Bader Ginsburg

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Ruth Bader Ginsburg
Ruth Bader Ginsburg
Juíza Associada da Suprema Corte dos Estados Unidos
Mandato: 5 de agosto de 1993
até a atualidade
Nomeação por: Bill Clinton
Antecessor(a): Byron White
Juíza do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia
Mandato: 30 de junho de 1980
até 10 de agosto de 1993
Nomeação por: Jimmy Carter
Antecessor(a): Harold Leventhal
Sucessor(a): David S. Tatel
Dados pessoais
Nascimento: 15 de março de 1933 (85 anos)
Brooklyn, Cidade de Nova Iorque, Estados Unidos
Esposo: Martin Ginsburg (1954 - 2010)
Alma mater: Universidade Cornell (BA)
Universidade Harvard
Universidade Columbia (LLB)
Assinatura: Ruth Bader Ginsburg signature.svg

Ruth Bader Ginsburg (nascida Joan Ruth Bader; Cidade de Nova Iorque, 15 de março de 1933) é uma Juíza Associada da Suprema Corte dos Estados Unidos. Ginsburg foi indicada para o cargo pelo Presidente Bill Clinton e foi empossada em 10 de agosto de 1993. Depois de Sandra Day O'Connor, foi a segunda mulher a ser confirmada pelo Senado para servir na Suprema Corte. Após a aposentadoria de O'Connor em 2006, e antes da Juíza Sonia Sotomayor se juntar ao tribunal em 2009, Ginsburg era a única mulher a atuar como Juíza Associada. Durante este período, tornou-se mais contundente em suas opiniões dissidentes. Ginsburg geralmente é vista como pertencente à ala liberal da Corte.

Ginsburg nasceu no Brooklyn, sendo filha de imigrantes judeus russos. Quando era bebê, sua irmã mais velha morreu, e pouco antes de se formar no ensino médio, sua mãe morreu. Ginsburg tornou-se esposa e mãe antes de começar a estudar em Harvard, onde era uma das poucas mulheres de sua turma. Transferiu-se para Columbia, graduando-se em 1959.

Depois da faculdade de direito, Ginsburg voltou-se para a academia. Foi professora da Faculdade de Direito de Rutgers e da Faculdade de Direito de Columbia, ensinando processos civis; era uma das poucas mulheres que trabalhavam neste campo. Ginsburg gastou uma parte considerável de sua carreira jurídica defendendo o avanço da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres, ganhando múltiplas vitórias argumentando diante da Suprema Corte. Advogou voluntariamente para a União Americana pelas Liberdades Civis e integrou seu conselho de administração e um dos seus conselhos gerais na década de 1970. Em 1980, o Presidente Jimmy Carter indicou-a para o Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia, onde permaneceu até sua ascensão para a Suprema Corte.

Primeiros anos e educação[editar | editar código-fonte]

Joan Ruth Bader nasceu no Brooklyn, em Nova Iorque, sendo a segunda filha de Nathan e Celia (née Amster) Bader, imigrantes judeus russos que viviam no bairro de Flatbush.[1][2] A filha mais velha dos Bader, Marylin, morreu de meningite aos seis anos da idade, quando Ruth tinha catorze meses.[2][3][4] A família chamava Joan Ruth de "Kiki", um apelido que Marylin lhe dera por ser "uma bebê chorona."[5][6] Quando "Kiki" começou a estudar, Celia descobriu que a turma de sua filha tinha várias outras meninas chamadas Joan e então, para evitar confusão, sugeriu que a professora chamasse-a de "Ruth".[6] Embora não devota, a família Bader pertencia ao Centro Judaico do Leste de Midwood, uma sinagoga conservadora, onde Ruth aprendeu os princípios da fé judaica e ganhou familiaridade com a língua hebraica.[6][5]

Celia teve um papel ativo na educação de sua filha, levando-a para bibliotecas muitas vezes.[5] Celia havia sido uma boa aluna em sua juventude, concluindo o colegial aos quinze anos, mas não pôde continuar seus estudos pois sua família preferiu enviar seu irmão para a faculdade. Celia queria que sua filha recebesse maior escolaridade, tendo pensado que Ruth poderia se tornar professora de história do ensino médio.[7] Ruth estudou na Escola de Ensino Médio James Madison e, durante seu ensino médio, Celia lutou contra o câncer, morrendo na véspera da formatura de sua filha.[5]

Bader estudou na Universidade Cornell em Ithaca, Nova Iorque, onde integrou a fraternidade Alpha Epsilon Phi.[8] Enquanto estava em Cornell, Bader, aos dezessete anos, conheceu Martin D. Ginsburg.[7] Em 23 de junho de 1954, graduou-se em Cornell com um diploma de Bacharelado em Artes em governo. Bader era membro da fraternidade Phi Beta Kappa e a mulher com as maiores notas de sua turma de formados.[9][10] Bader casou-se com Ginsburg um mês depois de se formar em Cornell. Ela acompanhou seu novo marido para Fort Sill, Oklahoma, onde ele foi empregado como oficial do Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva (ROTC) na Reserva do Exército após sua convocação para o serviço ativo.[7][10][11] Aos vinte e um anos, Ginsburg trabalhou para o escritório da Administração de Segurança Social em Oklahoma, onde foi rebaixada depois de engravidar de sua primeira filha, nascida em 1955.[2]

No outono de 1956, Ginsburg matriculou-se na Faculdade de Direito de Harvard, onde era uma das nove mulheres em uma classe de cerca de quinhentos homens.[12][13] O reitor de Harvard supostamente perguntou às alunas de direito, incluindo Ginsburg: "Como você justifica tomar uma vaga de um homem qualificado?"[7] Quando o marido foi contratado para um emprego em Nova Iorque, Ginsburg transferiu-se para a Faculdade de Direito de Columbia e tornou-se a primeira mulher a participar de duas importantes revistas de direito: a Harvard Law Review e a Columbia Law Review. Em 1959, Ginsburg recebeu seu Bacharelado em Direito de Columbia.[5][14]

Referências

  1. «Ruth Bader Ginsburg Fast Facts». CNN. 21 de fevereiro de 2018. Consultado em 22 de março de 2018. 
  2. a b c David Margolick (25 de junho de 1993). «Trial by Adversity Shapes Jurist's Outlook». The New York Times. Consultado em 22 de março de 2018. 
  3. Danielle Burton (1º de outubro de 2007). «10 Things You Didn't Know About Ruth Bader Ginsburg». U.S. News. Consultado em 22 de março de 2018. 
  4. Jamera Sirmans (2016). «The "Liberal Lioness": Associate Justice Ruth Bader Ginsburg and Her Understanding of Equal Protection Under the Constitution». Seton Hall University. Consultado em 22 de março de 2018. 
  5. a b c d e «Ruth Bader Ginsburg». Oyez. Consultado em 22 de março de 2018. 
  6. a b c Bader Ginsburg, Ruth; W. Williams, Wendy (2016). My Own Words. Nova Iorque: Simon & Schuster. ISBN 978-1-5011-4524-7 
  7. a b c d Philip Galanes (14 de novembro de 2015). «Ruth Bader Ginsburg and Gloria Steinem on the Unending Fight for Women's Rights». The New York Times. Consultado em 22 de março de 2018. 
  8. Fran Becque (11 de agosto de 2014). «Celebrating Justice Ruth Bader Ginsburg, ΑΕΦ, and Mary Knight Wells Ashcroft, ΓΦΒ!». Fraternity History & More. Consultado em 22 de março de 2018. 
  9. «Phi Beta Kappa». Cornell College. Consultado em 22 de março de 2018. 
  10. a b Hensley, Thomas R.; Hale, Kathleen; Snook, Carl (2006). The Rehnquist Court: Justices, Rulings, and Legacy. Santa Barbara, Califórnia: ABC-CLIO. ISBN 1576072002 
  11. «A conversation with Ruth Bader Ginsburg at HLS». Harvard Law School. YouTube. 7 de fevereiro de 2013. Consultado em 22 de março de 2018. 
  12. Ruth Bader Ginsburg (2004). «The Changing Complexion of Harvard Law School» (PDF). Harvard Women's Law Journal. Consultado em 22 de março de 2018. 
  13. Phil Schatz. «Hon. Ruth Bader Ginsburg Associate Justice, Supreme Court of the United States». Federal Bar Association. Consultado em 22 de março de 2018. 
  14. Jeffrey, Toobin (2007). The Nine: Inside the Secret World of the Supreme Court. Nova Iorque: Doubleday. ISBN 978-0385516402