Ação afirmativa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde janeiro de 2016). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Lang-pt.gifGnome-globe.svg
Esta página ou seção está redigida sob uma perspectiva principalmente lusófona e pode não representar uma visão mundial do assunto.
Por favor aperfeiçoe este artigo ou discuta este caso na página de discussão.
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde janeiro de 2016).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.

Ações afirmativas[1] são atos ou medidas especiais e temporárias, tomadas ou determinadas pelo estado, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento, bem como de compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros. Portanto, as ações afirmativas visam combater os efeitos acumulados em virtude das discriminações ocorridas no passado. No Brasil, por exemplo, os 358 anos de escravidão (1530-1888) perpetuaram um racismo contra os afro-descendentes que implicam ainda hoje na marginalização de mulheres e homens negros do mercado de trabalho, das universidades e em outros âmbitos socais, em geral.

Na prática, ações afirmativas são medidas tomadas que visam atribuir direitos iguais a grupos da sociedade que são oprimidos ou sofrem com as sequelas do passado de opressão. Ainda que o Brasil possua todos os direitos legais de igualdade para todos os cidadãos brasileiros, tais direitos não são cumpridos efetivamente em todas as camadas sociais [argumentação sem fundamentação confiável, partindo de uma suposição]. E devido ao não cumprimento dos direitos iguais a todos igualmente, as ações afirmativas são reconhecidas como necessárias. Portanto, as ações afirmativas, como os sistemas de cotas sociais e raciais nos vestibulares e concursos públicos, buscam equiparar a desigualdade social que, consequentemente, gera a desigualdade econômica.

A cota para pessoas com deficiência, por exemplo, é o artigo 93 da lei 8.213/91.

Existem ainda ações afirmativas que são desenvolvidas fora do Estado por instituições da sociedade civil com autonomia suficiente para decidir a respeito de seus procedimentos internos, tais como partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais, escolas, igrejas, instituições privadas etc. As ações afirmativas, neste sentido podem ser temporárias ou não, dependendo das normas que as criaram.

É importante notar que as ações afirmativas não se confundem com a discriminação positiva. As primeiras são ações de incentivo e suporte para os grupos de pessoas a que se destinam, tais como a criação de cursinhos pré-vestibulares para afro-descendentes e pessoas oriundas de escolas públicas, ou a criação de horários de reuniões (em partidos políticos, sindicatos, etc.) que permitam a participação de mulheres com filhos.

Discriminação positiva é um tipo de discriminação que tem como finalidade selecionar pessoas que estejam em situação de desvantagem tratando-as desigualmente e favorecendo-as com alguma medida que as tornem menos desiguais. É um processo que tem como objetivo tornar a sociedade mais igualitária diminuindo os  desequilíbrios que existem em certos grupos sociais. Por exemplo, a reserva de vagas de cargos públicos para deficientes físicos determinada pela Constituição Brasileira de 1988, ou ainda a reserva de uma determinada quantidade de vagas nas universidades públicas para alunos afro-descendentes ou da rede pública.

Alguns doutrinadores do Direito consideram que tais medidas nada mais são do que a implementação da igualdade material.

Quanto à origem do termo,''ações afirmativas'' nasceu na década de 1960, nos Estados Unidos da América, com o Presidente John F. Kennedy, como forma de se referir à atos que promovem a igualdade entre os negros e brancos norte-americanos.

França[editar | editar código-fonte]

O Ministério de Defesa francês tentou uma política de discriminação positiva, em 1990, que consistia no ganho de bônus em classificações e maior facilidade de tirar carta de condução para soldados jovens de origem árabe.

Depois de um forte protesto, por um jovem tenente francês no jornal do Ministério da Defesa ("Armées d'aujourd'hui"), a medida foi cancelada. (Artigo: Jean-Pierre Steinhofer: "Beur uo ordinaire").

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • FERNANDES, Florestan; BASTIDE, Roger. Brancos e Negros em São Paulo. São Paulo: Ed. Global, 2008.
  • ABREU, Sérgio. Os Descaminhos da Tolerância: o Afro-brasileiro e o Princípio da Igualdade e da Isonomia no Direito Constitucional. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1999.
  • FANTINI, J.A. Raízes da Intolerância. Ed. Edufscar, 2014
  • IKAWA, Daniela. Acoes Afirmativas em Universidades. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.
  • MENEZES, Paulo Lucena de. A Ação Afirmativa (Affirmative ActionI) no Direito Norte-Americano. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
  • MONTEBELLO, Mariana. As Políticas de Ação Afirmativa sob a Perspectiva do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Interesse Público, Ano VI, n 29. 2005, Ed. Notadez.
  • VILAS-BÔAS, Renata Malta. Ações Afirmativas e o Princípio da Igualdade. Rio de Janeiro: América Jurídica, 2003.
  • VILAS-BÔAS, Renata Malta. Ações Afirmativas. Revista Jurídica Consulex, Ano VII, n 163, 31 de outubro de 2003.
  • KAUFMANN, Roberta Fragoso Menezes. Ações Afirmativas à brasileira: necessidade ou mito? Uma análise histórico-jurídico-comparativa do negro nos Estados Unidos da América e no Brasil". Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora, 2007.
  • SANTOS, Renato Emerson dos e Fátima Lobato (orgs.) Ações Afirmativas: políticas públicas contra as desigualdades raciais Rio de Janeiro:DP&A, 2003.
  • SELL, Sandro Cesar. "Ação afirmativa e democracia racial: uma introdução ao debate no Brasil". Florianópolis: Fundação Boiteux, 2002.
  • WALDMAN, Maurício; SERRANO, Carlos. Memória D'África - A Temática Africana em Sala de Aula. 1ª. ed. São Paulo, SP: Cortez Editora, 2007. v. 01. 327 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre direito é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
  1. Fantini, João Angelo. . "Aquarela da intolerância: racialização e políticas de igualdade no Brasil". Revista Leitura Flutuante. Visitado em 23/04/2014.