Machismo

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Masculinismo.
O conceito de machismo também pode ser atribuído à masculinidade,[1] além da representação negativa por conta de uma alegada "superioridade masculina".[2]

Machismo ou chauvinismo masculino [nota 1] [7] é o conceito que baseia-se na supervalorização das características físicas e culturais associadas com o sexo masculino, em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. Em um termo mais amplo, o machismo, por ser um conceito filosófico e social que crê na inferioridade da mulher, é a ideia de que o homem, em uma relação, é o líder superior, na qual protege e é a autoridade em uma família.[8] [9]

Em suma, é qualquer "atitude ou comportamento de quem não admite a igualdade entre homens e mulheres, sendo, pois, contrário ao femismo".[nota 2] [13] [14] [6] Na América Latina, há autores que identificam o machismo com a "outra face do marianismo".[15]

Introdução histórica[editar | editar código-fonte]

Representação da deusa da fertilidade no sexto milênio a.C., demonstrando que as mulheres foram cultuadas e valorizadas na pré-história.

Nas sociedades pré-históricas, o papel social da mulher era bastante valorizado, sendo muito cultuado na forma de deidades relacionadas à fertilidade, abundância e fartura, visto em obras pré-históricas como a Vênus de Willendorf.[16] Em 2006, análises na Caverna de Cosquer constataram que a grande maioria das impressões de mãos pré-históricas nas paredes da gruta eram de mãos femininas. Segundo os especialistas Jean Michel Chazine e Arnaud Noury, percebe-se que não havia distinção hierárquica entre as atividades desempenhadas pelos homens (como a caça) e pelas mulheres (como a agricultura), tendo ambas a mesma valoração. Também não se percebia no Paleolítico qualquer diferenciação entre os ritos funerários entre homens e mulheres.[17]

Entretanto, já a partir das sociedades consideradas basilares da civilização ocidental, como as da Grécia e Roma, o papel da mulher na sociedade já havia sido fortemente reduzido frente ao do homem, de forma que o indivíduo do sexo feminino tivera sua esfera de atuação limitada ao campo doméstico e familiar, jamais alcançando pleno exercício de direitos sociais e políticos permitidos ao sexo masculino, que assumiam as responsabilidades ligadas ao trabalho e chefia.[18] [19] Na Roma Antiga a mulher vivia sob tutela perpétua, jamais gozando de autonomia patrimonial ou política, ficando sob o gerenciamento do pater familias (termo que significa o mais elevado estatuto familiar na época: o marido ou um tutor; homens que, em seu papel familiar, tinha poder absoluto sob sua mulher, como um chefe).[20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Notas

  1. A palavra chauvinista foi originalmente usada para descrever alguém fanaticamente leal ao seu país,[3] mas a partir do movimento de libertação da mulher, nos anos 60, passou a ser usada para descrever os homens que mantém a crença na inferioridade da mulher, especialmente nos países de língua inglesa. A expressão, "chauvinista masculino", é proveniente do nome de Nicolas Chauvin, soldado francês que foi considerado o melhor exemplo de como um homem deve ser, era corajoso, honrado e perseverante.[1] No espaço lusófono, o termo chauvinista é utilizado, mas “machista” é muito mais comum.[4] [5] [6]
  2. É importante ressaltar que, o Feminismo é contrário ao Machismo por este conceito ser a favor da igualdade de gênero, e o Machismo ser a favor de direitos exclusivos ao Homem,[10] [11] caso pense na crença de que mulheres são superiores aos homens, se deve ao termo Femismo.[12]

Referências

  1. a b Puymège, Gérard de (1993). Chauvin, le soldat-laboureur (pdf). Contribution à l'étude des nationalismes (em francês) (Paris: Gallimard). p. 294. ISBN 2070727424. 
  2. Minayo, Maria C. de Souza. (2005). "Laços perigosos entre machismo e violência" (em português): 4 págs. Visitado em 27 de junho de 2015.
  3. «Chauvinismo». Porto Editora. Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico - Infopédia. 2003-2015. Consultado em 12 de março de 2015. 
  4. Gutmann, Matthew C.; Deborah Cohen. (1996). "The Meaning of Macho: Being a Man in Mexico City" (pdf) (em Inglês): 330 pp. Visitado em 12 de março de 2015.
  5. Rodrigues, Nanda (10 de agosto de 2011). «Machismo ou Chauvinismo Masculino». Laifi. Consultado em 11 de março de 2015. 
  6. a b Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Maria Helena Pires (1998). Temas de Filosofia (PDF) (São Paulo: Editora Moderna). pp. 213–214. ISBN 85-16-00690-5. Consultado em 13 de maio de 2015. 
  7. Fantini, João Angelo (2014). Raízes da Intolerância (PDF) 1 ed. EdUFSCar [S.l.] p. 146. ISBN 978-85-7600-382-3. 
  8. Caplan, Paula. (1990). "Delusional Dominating Personality Disorder" (em inglês). Activist Men's Journal (Volume 17) (Número 1): 171-174. DOI:10.1177/0959353591011020.
  9. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. Michaelis Editora Melhoramentos [S.l.] p. 992. ISBN 9780586054970. 
  10. Humm, Maggie (1992). Modern feminisms: Political, Literary, Cultural (New York: Columbia University Press). ISBN 0-231-08072-7. 
  11. Agnes, Michael (2007). Webster's New World College Dictionary John Wiley & Sons [S.l.] ISBN 0-7645-7125-7. 
  12. Rossi, Celina F. (10 de julho de 2011). «Feminismo ou Femismo? São coisas completamente diferentes». Feminismo Sempre. Arquivado desde o original em 17 de junho de 2013. 
  13. Morales, Edward. S (Junho de 1996). Joan Laird; Robert Green, : . Lesbians and gays in couples and families: A handbook for therapists (em inglês) (São Francisco: Jossey-Bass). p. 272-297. ISBN 978-0-7879-0222-3. 
  14. Fantini, João Angelo. . "Aquarela da intolerância: racialização e políticas de igualdade no Brasil". Revista Leitura Flutuante. Visitado em 15 de junho de 2015.
  15. Ary, Zaira. (2000). "Masculino y femenino en el imaginario católico: de la Acción Católica a la Teología de la Liberación" (em espanhol). São Paulo: Annablume Editora.
  16. «As belas Vênus pre-históricas». Redação. Metamorfose Digital. 1 de outubro de 2009. Arquivado desde o original em 13 de julho de 2015. Consultado em 12 de julho de 2015. 
  17. Belnet, Frédéric. «A mulher na pré-história». História Viva. Arquivado desde o original em 4 de dezembro de 2013. Consultado em 21 de julho de 2014. 
  18. Sousa, Rainer. «O mundo sempre foi machista?». Equipe Brasil Escola. Arquivado desde o original em 6 de agosto de 2014. Consultado em 29 de julho de 2015. 
  19. Atheniense, Aristoteles. . "O machismo ao longo da história" (pdf) (em português): 2 páginas. Visitado em 29 de julho de 2015.
  20. Pinho, Leda de. (2002). "A mulher no Direito Romano: Noções históricas acerca de seu papel na constituição da entidade familiar" (pdf) (em português). Revista Jurídica Cesumar (Volume 2) (nº 1): 270-291 páginas.