Ku Klux Klan

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Ku Klux Klan
KKK.svg
Existência
1º Klan 1865–1870
2º Klan 1915–1944
3º Klan Desde 1946
Membros
1º Klan Desconhecido
2º Klan 3 000 000–6 000 000[1] (pico no período de 1920–1925)
3º Klan 5 000–8 000
Características
Origem  Estados Unidos
Ideologia política 1º Klan:
Supremacia branca
Justiceiros
Terrorismo cristão[2][3]
2º Klan:
Nacionalismo branco
Nativismo[4]
Anticatolicismo
Antissemitismo
3º Klan:
Anticomunismo
Homofobia
Neonazismo
Miscigenação
Posição política 3º Klan: Extrema-direita
Religião Protestantismo

Ku Klux Klan (também conhecida como KKK ou simplesmente "o Klan") é o nome de três movimentos distintos, passados e atuais, dos Estados Unidos que defendem correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração e, especialmente em iterações posteriores, o nordicismo,[5][6] o anticatolicismo[7][8] e o antissemitismo,[8] historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem.[9] Todos os três movimentos têm clamado pela "purificação" da sociedade estadunidense e todos são considerados organizações de extrema-direita.[10][11][12][13]

O primeiro Klan surgiu no sul dos Estados Unidos no final dos anos 1860 e deixou de existir no início da década de 1870. Ele tentou derrubar os governos estaduais republicanos no sul durante a Era da Reconstrução, especialmente através uso da violência contra os líderes afro-americanos. Com inúmeros ataques em todo o Sul, o grupo foi suprimido por volta de 1871, através da aplicação da lei federal. Seus membros faziam seus próprios trajes, muitas vezes coloridos: roupões, máscaras e chapéus cônicos, projetado para serem aterrorizantes e para esconder suas identidades.[14][15]

O segundo grupo foi fundado em 1915 e começou a atuar em todo o país em meados da década de 1920, especialmente nas áreas urbanas do Centro-Oeste e Oeste. Ele se opunha aos católicos e judeus, especialmente os imigrantes mais recentes e ressaltavam sua profunda oposição à Igreja Católica.[16] Esta segunda organização adotou um traje branco padrão e usava palavras de código semelhantes como as do primeiro Klan, além de ter adicionado os rituais de queima de cruzes e de desfiles em massa.

A terceira e atual manifestação da KKK surgiu depois de 1950, sob a forma de grupos pequenos, locais e desconexos que fazem uso do nome KKK. Eles se concentraram na oposição ao movimento dos direitos civis, muitas vezes usando violência e assassinatos para reprimir ativistas. É classificado como um grupo de ódio pela Liga Antidifamação e pelo Southern Poverty Law Center.[17] Estima-se ter entre 5.000 e 8.000 membros em 2012. O segundo e terceiro encarnações do Ku Klux Klan faziam referências frequentes ao sangue "anglo-saxão" dos Estados Unidos, que remete ao nativismo do século XIX.[18] Embora os membros da KKK jurem para defender a moralidade cristã, praticamente todas as denominações cristãs oficialmente denunciaram as práticas e ideologias da KKK.[19]

História

Capa do filme O Nascimento de uma Nação (1915)

A primeira Ku Klux Klan na verdade foi fundada pelo general Nathan Bedford Forrest da cidade de Pulaski, Tennessee, em 1865 após o final da Guerra Civil Americana. Seu objetivo era impedir a integração social dos negros recém-libertados, como por exemplo, adquirir terras e ter direitos concedidos aos outros cidadãos, como votar. O nome, cujo registro mais antigo é de 1867, parece derivar da palavra grega kýklos(do grego κύκλος), que significa "círculo", "anel", e da palavra inglesa clan (clã) escrita com k. Devido aos métodos violentos da KKK, há a hipótese de o nome ter-se inspirado no som feito quando se coloca um rifle pronto para atirar. provavelmente o nome também pode ter origem no nome de um templo maia, chamado kukulcán. onde segundo os maias, "kukul" significa sagrado ou divino e "can" significa serpente, mas não existem dados que comprovem isso.[carece de fontes?]

Em 1872 o grupo foi reconhecido como uma entidade terrorista e foi banida dos Estados Unidos. O segundo grupo que utilizou o mesmo nome foi fundado em 1915 (alguns dizem que foi em função do lançamento do filme O Nascimento de uma Nação, naquele mesmo ano) em Atlanta por William J. Simmons. Este grupo foi criado como uma organização fraternal e lutou pelo domínio dos brancos protestantes sobre os negros, católicos, judeus e asiáticos, assim como outros imigrantes. Este grupo ficou famoso pelos linchamentos e outras atividades violentas contra seus "inimigos". Chegou a ter quatro milhões de membros (outros dizem serem cinco milhões) na década de 1920[20], incluindo muitos políticos. A popularidade do grupo caiu durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, já que os Estados Unidos se posicionaram ao lado dos aliados, que eram contrários à ideias totalitárias, extremistas e racistas, como as nazistas.[carece de fontes?]

Decadência

A perda de respeitabilidade da Ku Klux Klan devido aos métodos brutais, ilegais ou meramente arbitrários e as execuções sumárias de inocentes, unidas as divisões internas, levou à degradação de seu prestígio, apesar de a organização continuar a realizar expedições punitivas, desempenhando, por exemplo, o papel de supervisora de uma agremiação de patrões contra os sindicalistas, cuja cota estava em alta depois da crise de 1929.[carece de fontes?]

Na década de 1930, o nazismo exerceu uma certa atração sobre a Ku Klux Klan. Não passou disso, porém. A aproximação com os alemães foi bruscamente encerrada na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base estadunidense de Pearl Harbor, quando muitos membros se alistaram no exército para lutar contra o "perigo amarelo". Só faltava o tiro de misericórdia ao império invisível. Em 1944, o serviço de contribuições diretas cobrou uma dívida da Klan, pendente desde 1920. Incapaz de honrar o compromisso, a organização morreu pela segunda vez.

Apesar de diversas tentativas de ressurreição (num âmbito mais local que nacional), a Ku Klux Klan não obteve mais o sucesso de antes da guerra. Finalmente, o Stetson Kennedy contribuiu para desmistificar a organização, liberando todos os seus segredos no livro "Eu fiz parte da Ku Klux Klan". Alguns klanistas ainda insistiram e suscitaram, temporariamente, uma retomada de interesse entre os WASP (sigla em inglês para protestantes brancos anglo-saxões) frustrados, que não compunham mais a maioria da população estadunidense.[carece de fontes?]

Marcha de integrantes da KKK em Washington, DC em 1928

Na década de 1950, a promulgação da lei contra a segregação racial nas escolas públicas despertou novamente algumas paixões, e cruzes se acenderam. Seguiram-se batalhas, casas dinamitadas e novos crimes (29 mortos de 1956 a 1963, entre eles 11 brancos, durante protestos raciais). Os klanistas tentaram se reciclar no anticomunismo, combatendo os índios ou atenuando seu anticatolicismo fanático.[21]

As quimeras de Garvey tinham quebrado a solidariedade dos negros num tempo das mais pesadas ameaças; num tempo em que a Ku Klux Klan depois de 50 anos de pausa retomava a sua atividade, e quem sabe se não preparava ainda comoções mais terríveis do que aquelas a que tinha recorrido meio século antes. Os métodos da Ku Klux Klan não se haviam modificado de maneira sensível; agora, como antes, se balanceava (processo pelo qual se fazia deslizar uma vítima manietada por uma estreita barra de aço, dolorosamente, para cima e para baixo, a toda velocidade para criar atrito), espancava, extorquia, boicotava, exilava, linchava e assassinava.[carece de fontes?]

Mas nada surtiu grande efeito e o declínio da Klan já tinha começado desde o fim da década de 1960, época em que só contava com algumas dezenas de milhares de membros. Depois, podia-se tentar distinguir os "Imperial Klans of America" dos "Knights of the Ku Klux Klan", ou ainda dos "Knights of the White Camelia", alguns dos vários nomes das tentativas de ressurgimento. Mas os klanistas não eram mais uma organização de massa. Apesar das proclamações tonitruantes e de provocações episódicas, as "Klans" não reuniam mais do que alguns milhares de membros, comparáveis assim com outros grupelhos neonazistas com os quais às vezes mantinham relações. A organização não parece estar perto de renascer uma segunda vez.[carece de fontes?]

Cruz sendo queimada, atividade introduzida por William J. Simmonk, o fundador da segunda Klan em 1915

Os infernos passaram a chamar-se cavernas e as reuniões passaram a realizar-se em grandes locais muitas vezes sob o céu aberto. Não raro milhares de autos vinham reforçar, guardas a cavalo e a pé cercavam o local e estavam presentes os utensílios com que se entusiasma qualquer estadunidense: a bandeira estrelada, a Bíblia aberta e o punhal desembainhado a fazer pano de fundo, uma cruz em fogo, à noite, que projetava uma luz estranhamente tranquilizadora sobre as filas dos agora uniformizados homens dos capuzes brancos.[carece de fontes?]

De início a Klan só admitia como membros aquelas pessoas oriundas de pais brancos estadunidenses, nascidas nos Estados Unidos; além disso, os pais não podiam comungar na religião católica nem pertencer à raça judaica. Mais tarde deixou-se caducar a exigência de que os pais já deviam ser de nacionalidade estadunidense pois este ponto prejudicara em muito a solícita procura de membros para a Klan e a afluência de meios de contribuição de sócios. O candidato a aceitação era submetido a interrogatórios e em seguida instruído de que a Klan exigia de todos os seus membros obediência cega.[carece de fontes?]

Seguia-se o juramento, batismo, ordenação e apostasia, com a leitura dos parágrafos da fé da Klan em que muito se tratava da raça branca e da religião cristã. Os crimes que a nova Ku Klux Klan até a sua recente proibição cometeu, sobretudo nos estados do Sul dos Estados Unidos, são tão variados e numerosos, tão cuidadosamente velados e tão intimamente amalgamados com as singularidades da vida pública naqueles estados, que nunca seria possível abrangê-los a todos. A simples crônica ou mesmo pequena revista, como nós aqui tentamos oferecer, nunca seria capaz de exprimir como o que aconteceu foi caprichoso e horrível. O mundo teve conhecimento aqui e ali de um registro especialmente alusivo nos jornais, mas depressa ele caiu no esquecimento da consciência mundial, ainda que esta fatalidade passe à posteridade, pois que não houve nenhum dos grandes escritores estadunidenses que alguma vez deixasse passar em branco atuação tão vergonhosa. Atualmente, a Ku Klux Klan conta apenas com um efetivo de 3 000 homens em todos os antigos estados confederados, apesar do baixo número de associados, muitos não associados apoiam a organização.[carece de fontes?]

Ver também

Referências

  1. McVeigh, Rory. "Structural Incentives for Conservative Mobilization: Power Devaluation and the Rise of the Ku Klux Klan, 1915–1925". Social Forces, Vol. 77, No. 4 (junho de 1999), p. 1463.
  2. Al-Khattar, Aref M. (2003). Religion and terrorism: an interfaith perspective (Westport, CT: Praeger). pp. 21, 30, 55. 
  3. Michael, Robert, and Philip Rosen. Dictionary of antisemitism from the earliest times to the present. Lanham, Maryland, USA: Scarecrow Press, 1997 p. 267.
  4. Thomas R. Pegram, One Hundred Percent American: The Rebirth and Decline of the Ku Klux Klan in the 1920s (2011), pp. 47-88.
  5. Petersen, William. Against the Stream: Reflections of an Unconventional Demographer Transaction Publishers [S.l.] p. 89. Consultado em 8 de maio de 2016. 
  6. Pratt Guterl, Matthew (2009). The Color of Race in America, 1900-1940 Harvard University Press [S.l.] p. 42. 
  7. Pitsula, James M. (2013). Keeping Canada British: The Ku Klux Klan in 1920s Saskatchewan UBC Press [S.l.] 
  8. a b Brooks, Michael E. (2014). The Ku Klux Klan in Wood County, Ohio The History Press [S.l.] 
  9. O'Donnell, Patrick (Editor), 2006. Ku Klux Klan America's First Terrorists Exposed, p. 210. ISBN 1-4196-4978-7.
  10. Rory McVeigh, The Rise of the Ku Klux Klan: Right-Wing Movements and National Politics (2009).
  11. Matthew N. Lyons, Right-Wing Populism in America (2000), ch. 3, 5, 13.
  12. Chalmers, David Mark, 2003. Backfire: How the Ku Klux Klan Helped the Civil Rights Movement, p. 163. ISBN 978-0-7425-2311-1.
  13. Charles Quarles, 1999. The Ku Klux Klan and Related American Racialist and Antisemitic Organizations: A History and Analysis, p. 100. McFarland.
  14. Ver, e.g., Klanwatch Project (2011), ilustrações, pg. 9–10.
  15. Elaine Frantz Parsons, "Midnight Rangers: Costume and Performance in the Reconstruction-Era Ku Klux Klan". Journal of American History 92.3 (2005): 811–36.
  16. Wyn Craig Wade, The Fiery Cross: The Ku Klux Klan in America (Oxford University Press, 1998)
  17. Both the Anti-Defamation League and the Southern Poverty Law Center include it in their lists of hate groups. See also Brian Levin, "Cyberhate: A Legal and Historical Analysis of Extremists' Use of Computer Networks in America", in Perry, Barbara (ed.), Hate and Bias Crime: A Reader, Routledge, 2003, p. 112.
  18. Michael Newton, The Invisible Empire: The Ku Klux Klan in Florida.
  19. Perlmutter, Philip (1 de janeiro de 1999). Legacy of Hate: A Short History of Ethnic, Religious, and Racial Prejudice in America M.E. Sharpe [S.l.] p. 170. ISBN 978-0-7656-0406-4. «Kenneth T. Jackson, in his The Ku Klux Klan in the City 1915-1930, reminds us that "virtually every" Protestant denomination denounced the KKK, but that most KKK members were not "innately depraved or anxious to subvert American institutions," but rather saw their membership in keeping with "one-hundred percent Americanism" and Christianity morality.» 
  20. Brasil Escola. «Klu Klux Klan». Consultado em 6 de junho de 2012. 
  21. Artigo: Ku Klux Klan: passado e presente do terror

Ligações externas

  • Conteúdo relacionado com Ku Klux Klan no Wikimedia Commons