Governo de Ocupação Sionista

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Governo de Ocupação Sionista (em inglês: Zionist Occupation GovernmentZOG) é uma teoria da conspiração antissemita que defende que os judeus controlam secretamente um determinado país, enquanto o governo oficial é apenas um regime fantoche.[1]

A expressão é usada por grupos antissemitas, como os supremacistas brancos nos Estados Unidos[2][3][4][5][6][7] e na Europa,[8] os ultranacionalistas na Rússia e na Polônia e diversos outros grupos de extrema-direita.

A palavra "sionista" na expressão deriva da ideologia do sionismo, o movimento dentro do grupo judaico que apoia a criação de um Estado nacional judeu na Terra de Israel. O termo ZOG é utilizado para definir os países fora da área de controle de Israel e tem a intenção de mostrar os judeus como conspiradores que têm como aspiração o controle do mundo,[2] assim como no famoso texto Os Protocolos dos Sábios de Sião, forjado pela polícia secreta russa durante o reinado do czar Nicolau II.[9]

História[editar | editar código-fonte]

Uma das primeiras aparições do termo ocorreu no artigo de 1976 "Welcome to ZOG-World", atribuído ao neo-nazista estadunidense Eric Thomson.[nota 1] O termo foi extensamente divulgado em 27 de dezembro de 1984 em um artigo publicado pelo The New York Times sobre roubos cometidos pelo grupo supremacista The Order nos estados da Califórnia e de Washington. Conforme o jornal, os crimes "foram cometidos para angariar dinheiro para uma guerra contra o governo dos Estados Unidos, que o grupo chama de 'ZOG', ou Governo de Ocupação Sionista".[11]

The Order é um desdobramento do Aryan Nations, uma organização fundada no início da década de 1970 por Richard G. Butler, que havia sido associado a outro grupo antissemita, denominado Church of Jesus Christ–Christian, desde a década de 1950. Ambos os grupos têm origem em ativistas antissemitas como Gerald L. K. Smith e têm interagido com a Ku Klux Klan.

O termo foi amplamente divulgado na literatura do Aryan Nations. Em dezembro de 1984, a revista Newsweek informou que o Aryan Nations havia montado um sistema de quadro de avisos denominado "Rede da Liberdade da Nação Ariana" no qual oferecia informações como a localização dos escritórios do Partido Comunista e dos "informantes do ZOG".

Em 1985, o grupo radical Posse Comitatus, com sede em Oregon, anunciou: "Nossa nação está agora completamente sob o controle do governo internacional invisível dos judeus".[12] Em 1988, o filme Atraiçoados, sobre uma agente do FBI que se apaixona por um supremacista, ajudou a publicizar o termo.

No ano de 1996, o Aryan Nations publicou em seu sítio oficial na internet uma "Declaração de Independência Ariana", onde afirma que "a história do atual Governo de Ocupação Sionista dos Estados Unidos da América é uma história de repetidas injúrias e usurpações". Desde então, o uso do termo se espalhou para todo o mundo. Os neo-nazistas suecos, por exemplo, defendem que o Governo de Ocupação Sionista Sueco está importando imigrantes para "diluir o sangue da raça branca".[13] O website Jew Watch acusa várias nações do Ocidente de serem governadas por ZOGs.[14]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Nacionalistas brancos canadenses também utilizam o termo "ZOG".[10]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Berlet, Chip (2004-10-01). «Zog Ate My Brains: Conspiracy theories about Jews abound». New Internationalist (em inglês) (372) [S.l.: s.n.] Consultado em 11 de julho de 2016. 
  2. a b Daniels 1997, p. 45.
  3. Bronner, Stephen Eric (2000), A Rumor About the Jews: Reflections on Antisemitism and "Os Protocolos dos Sábios de Sião", Palgrave Macmillan, p. 136, "O antigo partido dos Estados Unidos National States Rights Party e a editora do estado da Califórnia, Noontide Press, distribuíram o texto Os Protocolos durante a década de 1970, e ele ainda continua sendo aclamado por representantes de milícias de direita: William Luther Pierce, autor do best seller neofascista O Diário de Turner, por exemplo, identifica o Estado norte-americano como um 'Governo de Ocupação Sionista'." 
  4. Brasher, Brenda (2001), Encyclopedia of Fundamentalism, Routledge, p. 305, "Usando-se da teologia racista e antissemita da Identidade Cristã como justificativa, eles culpam o "Anticristo judaico" ou o Governo de Ocupação Sionista (ZOG), que supostamente governa Washington e que recebe ordens de judeus internacionalistas em Israel, da ONU e da Fortune 500. Ao atrair grupos de ódio de longa data, como a Ku Klux Klan, e inspirar outros novos, como a Aryan Nation Alliance (...), as milícias e o movimento patriota tem contribuído para legitimar grupos de ódio racistas e antissemitas (...)" 
  5. Perry, Barbara (2003), Hate and Bias Crime, Routledge, p. 325, "(...) a vívida filosofia da supremacia branca, incluindo a crença de que os Estados Unidos é manipulado por interesses estrangeiros de judeus, conhecido comumente por Governo de Ocupação Sionista (ZOG). Por esta teoria conspiratória, "explica-se" a tensão (ex: os judeus estariam por trás da agenda multicultural), e apresenta-se a solução: crimes de ódio e guerra racial." 
  6. Pilch, Richard F; Zilinskas, Raymond A (2005), Encyclopedia of Bioterrorism Defense, Wiley, p. 114, "A importância da Identidade Cristã (IC) dentro do contexto de bioterrorismo é que ela foi adotada por algumas milícias de direita dos EUA e por células terroristas, cujos membros têm demonstrado interesse em adquirir ou utilizar agentes tóxicos e patogênicos (...) como armas contra seus oponentes, inclusive contra representantes do "Governo de Ocupação Sionista" (ZOG), que acreditam ser controlado por judeus "satânicos"." 
  7. Sauter, Mark; Carafano, James (2005), Homeland Security, McGraw-Hill, p. 122, "A The Order, uma facção do grupo Aryan Nations, atraiu atenção nacional durante a década de 1980. O grupo racista e antissemita fortemente organizado opôs-se ao governo federal, chamando-o de "ZOG" ou Governo de Ocupação Sionista." 
  8. Weitz, Eric; Fenner, Angelica, eds. (2004), Fascism and Neofascism: Critical Writings on the Radical Right in Europe, Studies in European Culture and History, Palgrave Macmillan, p. 208, ISBN 978-1-40396659-9, "(...) os neonazistas proclamavam-se como sendo um movimento de resistência branca/ariana que combatia o Governo de Ocupação Sionista (ZOG) e os traidores da raça." .
  9. Schwarz, Rabbi Sidney (2006), Judaism and Justice: The Jewish Passion to Repair the World, Jewish Lights Publishing, p. 96, ISBN 1-58023-312-0, "Um dos textos antissemitas mais distribuídos da história é Os Protocolos dos Sábios de Sião, um livro escrito no século XIX que contém boatos falsos e retrata os judeus como conspiradores em busca da dominação global. Da mesma maneira, grupos racistas dos Estados Unidos, no decorrer do último século, acusam frequentemente os judeus de controlarem bancos e os servidores públicos." .
  10. Thomson, Eric, Welcome to ZOG-World, FAEM, http://www.faem.com/eric/2000/et047.htm .
  11. King, Wayne (1984-12-27). «Links of Anti-semitic Band Provoke 6-state Parley». The New York Times [S.l.: s.n.] p. 7. «Nacionalistas brancos canadenses utilizam este termo também.» 
  12. Christian Posse Comitatus Newsletter, n.d. quoted in Stern, Kenneth S (1996), A Force upon the Plain: The American Militia Movement and the Politics of Hate, New York: Simon & Schuster, p. 50 .
  13. Pred, Allan (2000), Even in Sweden, University of California Press .
  14. «Jewish Occupied Governments». Jew Watch. Consultado em 2008-01-09. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Daniels, Jessie, White Lies: Race, Class, Gender and Sexuality in White Supremacist Discourse, UK: Routledge, ISBN 0-415-91289-X 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Predefinição:Nacionalismo Branco