Nacional-anarquismo

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Nacional-anarquismo é uma ideologia política radicalmente anticomunista e antiestatista que enfatiza a centralidade da identidade étnica ou tribal.[1] Os Nacional-anarquistas possuem uma visão de implantação de seu sistema econômico sob um prisma escatológico onde comunidades tribais autônomas amparadas por um elo cultural floresceriam.[1]

O termo nacional-anarquismo data de 1920.[1] Porém, foi modificado e reavivado em meados dos anos 1990, por Troy Southgate, que defende uma síntese entre as ideias da Revolução Conservadora, do Perenialismo, da Terceira Posição e da Nouvelle Droite, com várias escolas de pensamento anarquista.[2] Os nacional-anarquistas argumentam que pertencem a uma via política sincrética que estaria além da tradicional dicotomia entre esquerda e direita, argumentando que deveriam ser classificados por um novo paradigma que utilizasse as categorias de "centralizado" e "descentralizado".[3]

O Nacional Anarquismo, de acordo com seu manifesto, defende uma visão alternativa de mundo onde as pessoas criam e mantêm uma identidade étnica (não se pode, neste caso, confundir etnia [que diz respeito ao aspecto cultural] com raça [que se relaciona ao aspecto biológico]). Apesar do "nacional" em seu nome, o nacional anarquismo não é uma forma de nacionalismo, e o mesmo se refere a autonomia das comunidades étnicas.

Preceitos principais[editar | editar código-fonte]

Descentralização[editar | editar código-fonte]

O nacional-anarquismo supõe que seja possível uma descentralização e manutenção da nação sem a existência de um Estado hierárquico. Pregam uma suposta reorganização das relações humanas pautadas em identidades nacionais.

Distributismo[editar | editar código-fonte]

O nacional-anarquismo tende a advogar uma prática económica que pode ser facilmente descrita como uma variedade de distributismo, em que se realçam a propriedade dos meios de produção pelos operários bem como as cooperativas de trabalhadores e o pequeno comércio.

Separatismo racial[editar | editar código-fonte]

O proponentes do nacional-anarquismo afirmam ser possível apoiar o separatismo racial (biológico) e étnico (cultural) e, ao mesmo tempo, condenar o ódio racial e o supremacismo branco. Boa parte dos nacional-anarquistas acredita que o multiculturalismo é maléfico e argumentam que uma vez que as culturas se misturem excessivamente, todas acabarão destruídas.

Relações com outros movimentos[editar | editar código-fonte]

Anarquistas de esquerda não conseguem aceitar a ideia de uma vertente que defenda a expressão de uma identidade étnica pelas pessoas, por isso, afirmam falsamente que o nacional-anarquismo é uma forma de supremacia branca, mesmo os próprios líderes do movimento dizendo que são contra a supremacia branca. Os nacional-anarquistas, por sua vez, distanciam-se tanto dos anarquistas de esquerda como dos supremacistas brancos, considerando ambos os conceitos como ultrapassados e dogmáticos.

O nacional-anarquismo rejeita também o fascismo uma vez que é meramente uma outra forma de estatismo. Mesmo assim, anarquistas de esquerda os acusam de fascistas devido às suas raízes intelectuais parcialmente oriundas da Terceira Via. Para autores como Hayden White, o nacionalismo e o anarquismo cruzam as suas propostas quando no caso do nacionalismo se propõe a buscar uma história genética ao procurar as origens da nação como justificativa de um Estado nacional e no caso do anarquismo quando idealiza uma sociedade pré-estatal.[4]

Sobre o nacional anarquismo[editar | editar código-fonte]

Se diz sempre nacional-anarquismo e nunca "anarco-nacionalismo" pois o nacional anarquismo não é uma vertente do nacionalismo. O nacional anarquismo defende que as pessoas pratiquem agorismo e usem serviços alternativos aos prestados pelo Estado para a queda do mesmo, como por exemplo, usar bitcoins e moedas digitais no lugar da moeda nacional, assim fazendo o Estado perder suas justificativas e ser derrubado pelo povo. O conceito de comunidade étnica do nacional-anarquismo é extremamente próximo ao conceito de propriedade do Anarco-capitalismo, uma vez que as pessoas possam entrar e sair a hora que quiser, e caso não gostem da comunidade em questão, sejam livres para buscar sua felicidade em outras comunidades que estariam em uma competição, basicamente um "livre-mercado" de comunidades, como anarco-capitalistas diriam.

O único meio de fortalecer o intelecto é não ter uma opinião rígida sobre nada – deixar a mente ser uma estrada aberta a todos os pensamentos.” John Keats.

Frase dita na introdução do manifesto Nacional-anarquista

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Macklin 2005.
  2. Troy Southgate; entrevistado na Kinovar magazine, February 2006.
  3. Troy Southgate; interviewed in Alternative Green magazine, 2001.
  4. WHITE, Hayden. Metahistória: a imaginação histórica do século XIX. Introdução da poética da história. EdUsp, ISBN 13: 978-85-314-0053-7. Págs:17-56
Books and journal articles