Nacional-anarquismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Nacional-anarquismo é uma ideologia política radicalmente anticapitalista, anticomunista e antiestatista que enfatiza a centralidade da identidade étnica ou tribal.[1] Os Nacional-anarquistas possuem uma visão de implantação de seu sistema econômico sob um prisma escatológico onde comunidades tribais autônomas amparadas por um elo cultural floresceriam.[1]

O termo nacional-anarquismo data de 1920.[1] Porém, foi modificado e reavivado em meados dos anos 1990, pelo ideólogo de extrema-direita Troy Southgate, que defende uma síntese entre as ideias da Revolução Conservadora, do Perenialismo, da Terceira Posição e da Nouvelle Droite, com várias escolas de pensamento anarquista.[2] Os nacional-anarquistas argumentam que pertencem a uma via política sincrética que estaria além da tradicional dicotomia entre esquerda e direita, argumentando que deveriam ser classificados por um novo paradigma que utilizasse as categorias de "centralizado" e "descentralizado".[3]

Alguns acadêmicos argumentam que o nacional-anarquismo é uma mutação da extrema-direita nunca antes pensada.[4][5][6]

O nacional-anarquismo despertou hostilidade e crítica tanto da extrema-esquerda como da extrema-direita: os primeiros acusam o nacional-anarquismo de ser um factóide usado por forças anti-igualitárias para transvalorar tanto a crítica anticapitalista, no nivel teórico, como a estética militante do anarquismo de esquerda;[7][8][9] os últimos acusam o nacional-anarquismo de ser uma "doença infantil esquerdista".[10]

Preceitos principais[editar | editar código-fonte]

Descentralização[editar | editar código-fonte]

O nacional-anarquismo supõe que seja possível uma descentralização e manutenção da nação sem a existência de um Estado hierárquico. Pregam uma suposta reorganização das relações humanas pautadas em identidades nacionais.

Distributismo[editar | editar código-fonte]

O nacional-anarquismo tende a advogar uma prática económica que pode ser facilmente descrita como uma variedade de distributismo, em que se realçam a propriedade dos meios de produção pelos operários bem como as cooperativas de trabalhadores e o pequeno comércio, deixando de lado a solidariedade entre povos de diferentes nações, e estimulando a competitividade entre nações pela demarcação de fronteiras e a utilização de recursos.

Separatismo racial[editar | editar código-fonte]

O proponentes do nacional-anarquismo afirmam ser possível apoiar o separatismo racial e, ao mesmo tempo condenar o ódio racial e o supremacismo branco. Boa parte dos nacional-anarquistas acredita que o multiculturalismo é maléfico, argumentam que uma vez que misturando demasiado as culturas isto destruirá as culturas existentes. Os críticos do nacional-anarquismo, ou seja, quase todas as correntes anarquistas existentes, defendem que esta crença é somente uma nova roupagem para o velho ódio racial.

Relações com outros movimentos[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos anarquistas modernos rejeitam o conceito de segregação racial dos nacional-anarquistas como sendo hierárquico ou não-igualitário. Por conseqüência distanciam-se daquilo que julgam ser um movimento supremacista branco em potencial. Os nacional-anarquistas, por sua vez, distanciam-se tanto dos anarquistas normais como dos supremacistas brancos, considerando ambos os conceitos como ultrapassados e dogmáticos.

O nacional-anarquismo rejeita também o fascismo tradicional uma vez que é meramente uma outra forma de estatismo. Mesmo assim tem sido utilizado, por terceiros, o termo pós-fascista para descrever as suas crenças, devido às suas raízes intelectuais parcialmente oriundas da Terceira Via, uma ideologia considerada normalmente como neofascista. Para autores como Hayden White, o nacionalismo e o anarquismo cruzam as suas propostas quando no caso do nacionalismo se propõe a buscar uma história genética ao procurar as origens da nação como justificativa de um Estado nacional e no caso do anarquismo quando idealiza uma sociedade pré-estatal.[11]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Muitos anarquistas consideram o nacional-anarquismo, também chamado de anarco-nacionalismo como um plano de grupos extremistas brancos, principalmente vinculados a figura do músico Troy Southgate, que na Europa buscam diminuir, ou mesmo confundir a juventude em um momento de ampliação dos ideais anarquistas pelo mundo, com a ampliação dos movimentos antiglobalização.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Macklin 2005.
  2. Troy Southgate; entrevistado na Kinovar magazine, February 2006.
  3. Troy Southgate; interviewed in Alternative Green magazine, 2001.
  4. Griffin 2003.
  5. Goodrick-Clarke 2003.
  6. Sykes 2005.
  7. Griffin, Nick (primavera de 2005). «National Anarchism - Trojan Horse for White Nationalism». Consultado em 16 de novembro de 2010 
  8. Sunshine 2008.
  9. Sanchez 2009.
  10. Nationalist Perspective, Nick (primavera de 2012). «National-Anarchism, a Left-Wing Infantile Disorder» 
  11. WHITE, Hayden. Metahistória: a imaginação histórica do século XIX. Introdução da poética da história. EdUsp, ISBN 13: 978-85-314-0053-7. Págs:17-56
Books and journal articles