União Britânica de Fascistas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A União Britânica de Fascistas (British Union of Fascists) foi um partido político da extrema-direita[1][2] do Reino Unido, fundado em 1932 por Oswald Mosley. Em 1936, o grupo mudou seu nome para União Britânica de Fascistas e Nacional-Socialistas e, em 1937, reduziu seu nome apenas para União Britânica. Este partido existiu até 1940, quando foi proscrito. A União Britânica de Fascistas formou-se a partir da união de vários pequenos partidos fascistas britânicos e ficou conhecida por apoiar o regime nazista alemão.[3][1]

União Britânica de Fascistas
British Union of Fascists
Líder Oswald Mosley
Fundação 1 de outubro de 1932
Dissolução 23 de maio de 1940
Sede Londres, Inglaterra
Ideologia Fascismo
Nacionalismo britânico
Sindicalismo nacional
Corporativismo
Monarquismo
Não-intervencionismo
Antissemitismo (apartir de 1936)
Espectro político Extrema-direita
Religião Protestantismo
Força paramilitar Camisas-negras
Membros 40.000 (1934)
Bandeira do partido
Flag of the British Union of Fascists.svg

História[editar | editar código-fonte]

A União Britânica de Fascistas emergiu em 1932 a partir de uma coalizão da extrema-direita Britânica, fraturada após a derrota eleitoral de seu antecessor, o Partido Novo (New Party), nas eleições gerais de 1931. A fundação da UBF foi inicialmente recebida com apoio popular e atraiu um número considerável de seguidores, com o partido reivindicando 50.000 membros em determinado momento. O barão da imprensa, Lorde Rothermere, foi um notável apoiador inicial.[4]

À medida que o partido se tornava cada vez mais radical, porém, o apoio diminuía. O Comício de Olympia de 1934, no qual vários manifestantes antifascistas foram atacados pela ala paramilitar da UBF, (conhecida como a Força de Defesa Fascista), contribuiu para o isolamento do partido de muitos de seus entusiastas iniciais.[5] A adesão do partido ao antissemitismo em 1936, nos moldes do Partido Nazista Alemão, levou a confrontos cada vez mais violentos com anti-fascistas, notavelmente a Batalha de Cable Street em 1936 no East End de Londres.[6] A Lei de Ordem Pública de 1936, que baniu uniformes políticos em resposta ao aumento da violência política, atingiu de forma especial a União Britânica de Fascistas, cujos apoiadores eram conhecidos como "Camisas Negras" por causa da cor dos uniformes que usavam.[7]

As crescentes hostilidades entre o Império Britânico e a Alemanha Nazista (com a qual a imprensa britânica frequentemente associava a UBF), contribuiu ainda mais para o declínio do número de simpatizantes do movimento. A União Britânica foi finalmente banida pelo governo do Reino Unido em 1940, após o início da Segunda Guerra Mundial - em meio à suspeita de que seus apoiadores remanescentes poderiam formar uma "Quinta-coluna" a favor de seus aliados nazistas na Alemanha. Por conta dessa desconfiança, vários membros proeminentes da UBF foram presos ou internados, conforme previa o Regulamento de Defesa 18B, vigente durante a grande guerra.[8]

Legado[editar | editar código-fonte]

Recentemente, um grupo da extrema-direita britânica composto por ex-soldados autointitulados como "21st Century Blackshirts" ("Camisas Negras do Século 21"), se propôs a reviver a União Britânica de Fascistas, elegendo Sir Oswald Mosley como uma espécie de líder espiritual. Dissidentes do Partido Nacional Britânico e do movimento conhecido como English Defence League, estes oficiais do exército criaram, em janeiro de 2013, um novo partido inspirado na União Britânica de Fascistas que, atualmente, atende pelo nome de "Nova União Britânica" (New British Union - NBU).[9][10]

Referências

  1. a b Richard Griffiths, Fellow Travellers of the Right: British Enthusiasts for Nazi Germany. London: Constable, 1980. p.52 (citado em Thomas Norman Keeley Blackshirts Torn: inside the British Union of Fascists, 1932- 1940 p.26) (Acessado em 01 de Junho de 2020)
  2. Gottlieb, Julie V. e Linehan, Thomas P. The Culture of Fascism: Visions of the Far Right in Britain. [S.l.]: I. B. Tauris & Co. 2 páginas 
  3. Carroll Quigley, Tragedy and Hope, 1966. p. 619
  4. (em inglês)Ponsford, Dominic. «Hitler, the Daily Mail and how Lord Rothermere showed he has learned the lessons of history». PressGazette 
  5. Pugh, Martin. «The British Union of Fascists and the Olympia Debate». The Historical Journal - Cambridge University Press 
  6. Madaíl, Fernando (5 de abril de 2008). «O britânico que admirava Mussolini e o amigo Hitler». Diário de Notícias 
  7. «Public Order Act 1936». UK National Archives - Legislation 
  8. (em inglês)Goldman L., Aaron. «Defence Regulation 18B: Emergency Internment of Aliens and Political Dissenters in Great Britain during World War II». Cambridge University Press 
  9. (em inglês)Bassey, Amardeep (7 de julho de 2013). «Right-wing extremists launch bid to revive Fascist party». Birgminham Mail. Consultado em 26 de março de 2017 
  10. (em inglês)Harvey, Oliver (7 de maio de 2013). «Men bringing Blackshirts back to UK». The Sun