Caso Roswell

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Caso Roswell
O jornal local Roswell Daily Record anunciando a captura de um disco voador, em 8 de julho de 1947.
Outros nomes Incidente em Roswell
Localização Roswell, Novo México
Data julho de 1947
Resultado Caso mais conhecido da história de OVNIs

O Caso Roswell, ou Incidente em Roswell (em inglês: The Roswell Incident) se refere à queda, em julho de 1947, de um objecto num rancho próximo à cidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Estados Unidos, de início identificado como um disco voador, segundo o primeiro comunicado à imprensa feito pela Base Aérea local, que o desmentiu pouco depois, afirmando que teria sido um balão meteorológico.[1][2][3][4]

O interesse sobre o caso era pouco até os anos 70, quando ufólogos começaram a formar variadas teorias da conspiração, afirmando que uma ou mais naves extraterrestres se haviam despenhado, e que os tripulantes alienígenas haviam sido recuperados por militares que depois encobriram a situação e tentaram esconder o que realmente tinha acontecido.

Em 1994, a Força Aérea dos EUA publicou um relatório identificando o objecto despenhado como um balão de vigilância de testes nucleares do Projeto Mogul.[5] Um segundo relatório da Força Aérea, publicado em 1997, concluiu que as histórias de "corpos de extraterrestres" provavelmente resultaram da queda de bonecos de ensaio (crash test dummies) a partir de altitudes elevadas, vários anos depois.[6]

O incidente de Roswell continua a ser do interesse da mídia popular, e persiste a criação de teorias da conspiração em torno deste caso. Roswell foi chamado por Bernard D. Gildenberg "o caso mais conhecido, mais investigado e o mais desmascarado envolvendo OVNIs".[7] Ao invés, para Kevin D. Randle, o caso Roswell é o mais importante de todos os tempos, o primeiro dos encobrimentos, o primeiro intento de informação errada, e um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade.[8]

Incidente[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de julho de 1947, Walter Haut, o porta-voz da Base Aérea de Roswell, na altura comandada pelo coronel William Blanchard, distribuiu o seguinte comunicado de imprensa:[9][2]

"Os diversos boatos relativos ao disco voador tornaram-se ontem uma realidade quando o setor de informação do 509º Grupo de Bombardeio da VIII Força Aérea, Aeroporto Militar de Roswell, teve a sorte de tomar posse de um disco, graças à cooperação de um fazendeiro local e do gabinete do xerife do condado de Chavez.
O objeto voador pousou em uma fazenda das proximidades de Roswell no decorrer da semana passada. Como não tinha telefone, o fazendeiro guardou o disco até poder entrar em contato com o gabinete do xerife, que por sua vez notificou o Major Jesse A. Marcel, do Setor de Informação do 509º Grupo de Bombardeio.
Providenciou-se imediatamente para que o disco fosse recolhido na residência do fazendeiro. Examinado na Base Aérea Militar de Roswell, foi mais tarde confiado pelo Major Marcel às autoridades competentes".

Na localidade de Roswell, Novo México, o jornal Roswell Daily Record logo publicou em primeira página a notícia de que o 509º Grupo de Bombardeiros da então Força Aérea do Exército dos EUA havia tomado posse dos destroços de um disco voador.[10] A notícia causou rebuliço na cidade, mas já no dia seguinte, em Fort Worth, a Força Aérea (e os jornais) desmentiram a história, afirmando que os restos eram apenas de um balão meteorológico.[11]

O artigo do jornal Sacramento Bee de 8 de Julho de 1947, detalhando as declarações da Base Aérea de Roswell.

Os destroços haviam sido encontrados originalmente por um fazendeiro chamado William "Mac" Brazel. Nos primeiros dias de Julho de 1947, (provavelmente a 3) teria havido uma grande tempestade local, e algumas testemunhas afirmam ter ouvido um estrondo , entre os trovões, que não lhes era semelhante. [12] Numa data incerta após a tempestade, W. Brazel, enquanto andava a cavalo com Timothy, de sete anos de idade, um filho de vizinhos seus, deparou-se, a cerca de doze quilómetros do rancho em que vivia, com uma série de destroços. [13] [14]Brazel estava acostumado a encontrar restos de balões meteorológicos, mas este era diferente. Estava espalhado por uma área bastante grande e não tinha as habituais instruções para devolução âs entidades oficiais. Os animais evitavam a área.[15]

Brazel e o jovem Timothy levaram algum desse material, e foram contando do achado a vários vizinhos e conhecidos. A 4 de Julho, fragmentos já passavam de mão em mão em Corona. Durante alguns dias, muitos se deslocaram ao local da descoberta para levar consigo um dos pedaços dos estranhos materiais.[16]   

Localização de Roswell, no Novo México.

Alguns jornais estariam a oferecer até três mil dólares por uma prova dos chamados "discos voadores",[17] assunto que estava causando furor na imprensa devido às declarações do piloto Kenneth Arnold feitas duas semanas antes. Arnold relatou que, ao sobrevoar o Oregon, avistou o que seriam nove aeronaves, sem caudas visíveis, em forma de crescente, e voando em formação a grande velocidade, e descreveu o seu movimento irregular como o de pires deslizando na superfície de um lago. [18][19]A imprensa logo cunhou o tal termo "disco voador", excitando as imaginações, o que estimulou quase mil relatos de avistamentos de naves extraterrestres nas semanas seguintes [20]—hoje alguns sustentam que o que Arnold viu foram, na verdade, pássaros migrando. [21]

No dia 6 de julho de 1947, Brazel dirigiu-se até a delegacia do xerife George Wilcox, no Condado de Chaves, levando alguns dos destroços, e informando-o de que teria talvez encontrado os restos de um disco voador. [22]O xerife telefonou para a base aérea de Roswell, que enviou o major Jesse Marcel, do 509.º Grupo de Bombardeiros, juntamente com o capitão Sheridan Cavitt, para analisarem os destroços.[22] Os destroços teriam sido transportados para a base de Fort Worth. [carece de fontes?] Enquanto isso o comunicado à imprensa da Força Aérea deu origem à manchete do "Roswell Daily Record" do dia 8. No dia seguinte, o exército norte-americano tratou de desmentir a sua versão do disco voador, afirmando que afinal os destroços encontrados eram de um balão meteorológico. Donald R. Schmitt e Thomas J. Carey perguntam-se como foi possível que oficiais altamente treinados e experientes confundissem um instrumento meteorológico convencional com um objecto que eles concluíram ser um verdadeiro "disco voador". Os materiais do balão - borracha , folha reflectora, paus de madeira, fita adesiva, e cordel - seriam facilmente identificáveis.[23]

Crescente interesse (1978–1997)[editar | editar código-fonte]

A história do objeto acidentado caiu no esquecimento até 1978, quando o físico nuclear Stanton Terry Friedman ouviu falar de Jesse Marcel, sobre quem pairavam rumores de já ter tocado um disco voador. [24]Friedman o procurou. Entrevistado em 1979 por Moore e Friedman, falou pela primeira vez dos destroços de Roswell: "Vi muitos destroços mas nenhum maquinismo completo... Os destroços estavam espalhados por uma área de cerca de um quilómetro de comprimento e vários metros de largura." Pedido para descrever os materiais encontrados, disse: "Havia todo o tipo de coisas - pequenos feixes de cerca de três oitavos ou meio centímetros com uma espécie de hieróglifos que ninguém conseguia decifrar. Estes pareciam algo como madeira de balsa, e tinham aproximadamente o mesmo peso, excepto que não eram madeira de todo. Eram muito duros, embora flexíveis, e não se queimavam. Havia uma grande quantidade de uma substância incomum, semelhante a um pergaminho, de cor castanha e extremamente forte, e um grande número de pequenos pedaços de um metal como folha de alumínio, excepto que não era folha de alumínio. (...) Cavitt, penso eu, encontrou uma caixa preta, de aspecto metálico (...) "[25]

Em Fort Worth , o Major Jesse A. Marcel segurando os alegados destroços de Roswell.

Em Novembro de 1979, a primeira entrevista filmada de J. Marcel foi apresentada num documentário intitulado "UFO's Are Real",escrito com a colaboração de Friedman. A 28 de Fevereiro de 1980, o tablóide The National Enquirer chamou a atenção para a história de Marcel. Este afirmava que nunca tinha visto nada como o material encontrado em Roswell, que acreditava ser de origem extraterrestre. Assim, o assunto Roswell voltou às manchetes.[24][26] A 20 de Setembro de 1980, a série de televisão In Search of... transmitiu uma entrevista em que Marcel descreveu a sua participação na conferência de imprensa de 1947, onde se manteve em silêncio.[27]

Baseando-se em relatos de diversas testemunhas descobertas a partir da volta do Caso Roswell às primeiras páginas, pesquisadores publicaram os primeiros livros defendendo a tese de que os destroços de 1947 eram de uma nave alienígena. São exemplos The Roswell Incident (1980), de Charles Berlitz e William L. Moore; UFO crash at Roswell (1991) e The truth about the UFO crash at Roswell (1994), de Kevin Randle e Donald Schmitt e Crash at Corona, de Don Berliner e Stanton Terry Friedman (1997).

Ainda que divergissem em alguns detalhes, as teorias apresentadas nesses livros seguiam a mesma lógica básica. Os destroços encontrados em Roswell seriam de uma nave alienígena que, por algum motivo desconhecido, teria se acidentado. Ao identificarem os destroços, os militares americanos teriam iniciado uma campanha de desinformação para acobertar a verdadeira origem do material, apresentando a versão oficial de que seriam restos de um balão meteorológico. O material teria sido, na verdade, encaminhado para análise em instalações secretas de pesquisa e escondido do público.

Variações encontradas nas teorias incluem os locais onde teriam sido encontrados destroços, o número de naves que teriam se acidentado, a quantidade de destroços encontrados, a existência ou não de corpos de alienígenas e seu número, bem como a descrição dos materiais.

Com o decorrer dos anos, muitos livros foram escritos sobre o assunto, alguns pouco fiáveis, outros bem referenciados em relatos de testemunhas. Como notou Les Carpenter no The Guardian, o meio da investigação OVNI pode ser um mundo vicioso, cheio de investigadores autoproclamados, certos de que podem encontrar provas que outros não encontraram. "Não é preciso um diploma avançado para se ser investigador de OVNIs", diz Kevin Randle, ele próprio um investigador de OVNIs, bem como autor, blogueiro e apresentador de rádio. "Em 10 minutos pode dizer: 'Sou um investigador de OVNIs' e começar a publicar mensagens na Internet".[28] A polémica continua atè aos nossos dias. Tanto do lado dos defensores da versão oficial dos factos, como do dos defensores da versão contrária, são apontadas muitas incongruências por investigadores, cientistas, jornalistas e blogueiros.

Relatórios oficiais (1994–1997)[editar | editar código-fonte]

Em 1994, Steven Schiff, congressista do Novo México, pediu à General Accounting Office (GAO) - Escritório Geral de Auditoria que buscasse a documentação referente ao Caso Roswell. Quando a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) recebeu a petição da GAO, publicou dois relatórios conclusivos sobre o caso: o primeiro, de 25 páginas, intitulado O relatório Roswell: a verdade diante da ficção no deserto do Novo México (The Roswell Report – Fact versus Fiction in the New Mexico Desert) , foi publicado ainda em 1994 e se concentra na origem dos destroços encontrados. Já o segundo, publicado três anos depois e denominado O incidente de Roswell: caso encerrado (The Roswell report : case closed), aborda os relatos de corpos de alienígenas. No primeiro relatório a USAF afirmava que os restos encontrados eram de balões do Projeto Mogul, altamente secreto, projetado para detectar possíveis testes nucleares soviéticos (o primeiro teste nuclear soviético só aconteceria em 1949). Para isso, detectores acústicos de baixa frequência eram colocados em balões lançados a altas altitudes. Outros pesquisadores também chegaram, de forma independente, à relação entre Roswell e o Projeto Mogul: Robert Todd, e Karl Pflock, autor de Roswell: Inconvenient Facts and the Will to Believe.[carece de fontes?] O relatório de 1997 (Case Closed) conclui classificando as alegadas testemunhas em duas categorias: "confusas" ou "tentando perpretar um embuste, acreditando que nenhum esforço sério seria feito para verificar as suas histórias."[29]

Os pesquisadores do Projeto Mogul ainda vivos por ocasião da investigação foram entrevistados, em especial o professor Charles B. Moore, que era o engenheiro-chefe do projeto. Inicialmente baseados na Universidade de Nova Iorque, os pesquisadores se mudaram para a base de Alamogordo, Novo México, de onde os balões eram lançados. O equipamento utilizado para pesquisas era carregado por uma série de balões (inicialmente de neopreno e mais tarde de polietileno) conectados entre si. Pendurado à série de balões, ia um alvo de radar - uma estrutura multifacetada de compensado recoberto com papel-alumínio - utilizada para rastrear os balões após o lançamento.[carece de fontes?]

A partir dos registros ainda disponíveis sobre o projeto, concluiu-se que os destroços encontrados em Roswell seriam provavelmente do quarto voo, ocorrido em 4 de junho de 1947. Este voo consistia em cerca de vinte e um balões meteorológicos de neoprene ligados entre si, um microfone sonda, explosivos para regular a altitude do aparelho, interruptores de pressão, baterias, anéis de lançamento e de alumínio, três pára-quedas de pergaminho reforçado de cor vermelha ou laranja e três alvos refletores de radar de um modelo não normalmente usado no continente dos Estados Unidos.[carece de fontes?]

De acordo com o diário do Dr. Crary, um dos responsáveis do projeto, o voo NYU 4 foi acompanhado pelo radar até que desapareceu a cerca 27 km de distância do Rancho Foster. As cartas meteorológicas da época demonstram, contudo, que de acordo com os ventos prevalecentes de então, os alegados balões podem ter sido levados exatamente para o local onde Mac Brazel os teria encontrado dez dias depois.[carece de fontes?]

Já no relatório de 1997, a Força Aérea dos Estados Unidos afirmou que os estranhos corpos descritos por algumas das testemunhas eram na verdade bonecos de teste do Projeto High Dive,[30] que apenas foi iniciado, no entanto, em Março de 1953.[31] Concluiu a Força Aérea dos EUA que: diversas atividades da Força Aérea ocorridas ao longo de vários anos foram misturadas pelas testemunhas, que as lembraram erroneamente como tendo ocorrido em julho de 1947; [32]os supostos corpos de alienígenas observados no Novo México "provavelmente" eram bonecos de testes carregados por balões de alta altitude, que o próprio relatório informa que só foram usados no Novo México a partir de Maio de 1950 ; [32][33] as atividades militares suspeitas observadas na área eram as operações de lançamento e recuperação dos balões e dos bonecos de testes;[32] e que os relatos envolvendo alienígenas mortos no hospital da base de Roswell em 1947 "provavelmente" se originaram da combinação de dois acidentes, cujos feridos foram para aí transportados (a queda de um avião KC-97 em 1956,( nove anos depois) no qual onze militares morreram, e um incidente com um balão tripulado em 1959 (doze anos depois) em que dois pilotos ficaram feridos). [32]Para explicar a disparidade de datas, a Força Aérea alegou que as testemunhas foram vítimas involuntárias de um fenómeno mental conhecido como "compressão do tempo", em que as recordações de acontecimentos passados se tendem a contrair no tempo à medida que se envelhece.[34]

Atualmente, bonecos de teste são amplamente conhecidos pelo público em geral (principalmente por causa de seu uso em testes de segurança de automóveis), mas na década de 1950 eles eram desconhecidos fora dos círculos da pesquisa científica. No entanto, na década de 1920, a Força Aérea Americana já lançava esses bonecos de aviões como forma de testar modelos de paraquedas.[carece de fontes?] Na década de 1940 eles foram usados para testar assentos de ejeção para caças (que haviam sido inventados pelos alemães). [carece de fontes?]E na década de 1950, eles estavam sendo lançados de balões a alta altitude como parte do desenvolvimento de cápsulas de escape para os futuros veículos espaciais.[carece de fontes?] Os primeiros bonecos de teste (crash test dummies), porèm. teriam sido desenvolvidos apenas a partir de 1949, e tinham o tamanho de um adulto normal.[35]

Entre junho de 1954 (isto é, sete anos após o caso Roswell) e fevereiro de 1959, sessenta e sete bonecos foram lançados de balões na região do Novo México, sendo que a maioria caiu fora dos limites das bases militares. Os bonecos eram transportados em grandes caixas de madeira, semelhantes a caixões, para evitar danos aos sensores montados em seu interior. Pelo mesmo motivo, quando retirados das caixas ou após recuperados no campo, os bonecos eram normalmente transportados dentro de sacos plásticos em macas. Em alguns lançamentos, os bonecos vestiam uma roupa de alumínio que protegia os sensores das baixas temperaturas das altas altitudes. Todos estes fatos, além de sua aparência, provavelmente contribuíram, segundo a Força Aérea, para sua identificação como corpos de alienígenas.[36][30][37]

Desenvolvimentos posteriores[editar | editar código-fonte]

A partir de 1979, após as declarações de Jesse Marcel, a versão oficial dos acontecimentos começou a ser posta em dúvida. A opinião pública também, decorridos mais de trinta anos, tinha menos confiança nos governos. Já se tinham dado os escândalos de Watergate (1974) e o caso Irão- Contras (1987), que contribuiram para o sentimento de muitos cidadãos de que as autoridades costumavam mentir e escondiam fatos.[38]

Publicações e procura de testemunhos[editar | editar código-fonte]

Em 1980, foi publicado o primeiro de centenas de livros sobre o assunto: The Roswell Incident, de William Moore e Charles Berlitz, baseado nos testemunhos de cerca de noventa indivíduos. Berlitz, professor e linguista, já era conhecido na altura como autor de livros sobre mistérios como a Atlântida, o Triângulo das Bermudas e outros.[39]

Os autores alegam encobrimento do episódio logo no seu início, com pressão sobre as testemunhas, essencialmente sobre William Brazel, mantido sob custódia militar por cerca de uma semana, e que não tardaria a arrepender-se de ter sequer falado do assunto. [40] Pela primeira vez são mencionados supostos cadáveres de alienígenas, que contudo Brazel nunca referiu. [41]

Os autores levantam a hipótese de o objecto voador, cerca do dia 2 de Julho de 1947, ter sido atingido por um relâmpago, a norte de Roswell, sofrendo importantes danos, mas continuando no ar até se despenhar por fim num segundo sítio, que pensam ter sido num local conhecido como Plains of San Agustin, onde os corpos dos tripulantes teriam sido descobertos por várias testemunhas, entre elas um grupo de estudantes de arqueologia.[41]

Onze anos depois deste primeiro livro, o militar e escritor Kevin Randle, junto com Donald Schmitt, publicam UFO Crash at Roswell. O livro reune os testemunhos de cerca de duzentos indivíduos, cada um deles com a sua parte no incidente. Apesar de tantos anos decorridos, de acordo com os autores, vários recusaram falar ou invocaram um "voto de silêncio" feito em 1947; outros afirmaram nem sequer terem estado no local dos acontecimentos, apesar de provas em contrário; alguns receavam que lhes fosse retirada a reforma e outros tinham receio do ridículo.[42] Por fim, alguns já tinham falecido.Entre as testemunhas, encontram-se duas altas patentes militares: o Coronel Thomas J. DuBose e o Tenente-Coronel Arthur Exon.

O livro afirma que o caso foi abafado durante anos pelo governo dos EUA (o Senador Davis Chavez alegadamente ordenou à imprensa local que se mantivesse calada sobre o incidente [43]), e os destroços explicados como sendo partes de balões meteorológicos. Aqueles que tinham qualquer informação sobre o evento juraram segredo, e o próprio Brazel teria aceite um novo camião em troca do seu silêncio. [44]

Os relatos das testemunhas reafirmam a existência de um segundo local de impacto, [45]o cerco dos dois locais por um cordão militar, a passagem do solo a pente fino por dezenas de homens[46] e o envio de todo o material recolhido em voos especiais para várias bases militares, entre elas a de Fort Worth.[47] Algumas testemunhas dizem ter observado cadáveres de tripulantes do objecto, descritos como pequenos seres de pouco mais de um metro de altura, cinzentos claros, de cabeças grandes em forma de pera, braços e pernas magros. vestindo fatos metálicos ajustados. Os olhos eram grandes, negros e sem pupilas. e afastados. O nariz era uma ligeira protuberância e a boca era uma fenda. As mãos tinham quatro dedos.[48]

Roswell como mito moderno americano[editar | editar código-fonte]

Em 1997, os antropólogos Benson Saler, Charles Ziegler e o físico, engenheiro e meteorologista Charles Moore publicam UFO Crash at Roswell : the genesis of a modern myth.

Para os dois antropólogos, o "mito de Roswell" não passa de um "motivo folclórico tradicional revestido com trajes modernos". Ziegler desdenha os testemunhos contidos nos vários livros até aí publicados sobre o caso - que deveriam ser classificados pelas bibliotecas como relatos de ficção - e propõe nova terminologia: os testemunhos seriam antes "lendas personalizadas" e as testemunhas seriam "traditores". Explica Ziegler que um traditor é "um portador activo das tradições de um grupo (neste caso, o grupo OVNI) que as pode comunicar verbalmente de uma forma eficaz." Quanto aos autores dos livros sobre Roswell, o seu papel seria similar ao dos folcloristas que registaram os contos folclóricos que a maioria de nós aprendeu quando crianças.[49]

A obra UFO Crash at Roswell também inclui o relato meticuloso de C. Moore sobre como as experiências de 1947 para lançar refletores de radar por meio de balões podem ter levado ao mito dos OVNIs de Roswell.[50]

Majestic 12[editar | editar código-fonte]

Em 1984, Jaime Shandera, ligado aos meios ufologistas, recebeu na caixa do correio um envelope contendo um rolo de película de 35mm a preto e branco que, quando revelado, mostrava imagens de oito páginas de documentos oficiais descrevendo a "Operação Majestic 12". Os documentos supostamente revelavam um comité secreto de 12 indivíduos, autorizado pelo Presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman em 1952, e explicavam como a queda de uma nave espacial alienígena em Roswell em Julho de 1947 tinha sido escondida, como a tecnologia alienígena recuperada poderia ser explorada, e como os Estados Unidos deveriam envolver-se com a vida extraterrestre no futuro.[51][52]

Stanton Friedman publicou mais tarde (2005), no livro Top Secret/Majic, o que seriam evidências documentais da existência do grupo governamental clandestino. Infelizmente para Friedman, investigações do FBI e uma análise independente de Joe Nickell, proeminente investigador cético de fenômenos paranormais, concluiram que os documentos são completamente falsos. [carece de fontes?]Uma das maiores evidências disso é que foi encontrada uma carta original do Presidente Harry Truman, de 1 de outubro de 1947, cuja assinatura foi fotocopiada e reproduzida pelo(s) falsário(s) nos documentos MJ-12[carece de fontes?].

A autenticidade dos documentos é posta em dúvida pela maioria dos ufologistas.[53][54] Carl Sagan nota que o ponto mais suspeito é exactamente a questão da proveniência - as provas miraculosamente postas à porta de casa, como num conto de fadas.[55] Os críticos notaram que o formato das datas não estava em conformidade com o estilo governamental, os documentos não tinham um número de registo , os títulos militares estavam incorretamente anotados, e as assinaturas pareciam ser copiadas para os documentos. Jacques Vallee ficou convencido de que a fonte do MJ-12 funcionou como manipulador de uma fuga de informação artificial e não como uma verdadeira denúncia.[56]

The Vault[editar | editar código-fonte]

Em março de 2011 um documento de 22 de março de 1950, escrito pelo agente Guy Hottel, foi liberado pelo FBI em seu sistema de pesquisa (The Vault). O documento registra apenas o boato de que três discos voadores teriam sido recuperados no Novo Mexico (EUA), e que cada uma das espaçonaves seria ocupada por três corpos de forma humana, mas com apenas 3 pés (cerca de 1 metro) de altura, vestidos com roupa metalica de textura muito fina.[57]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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  57. http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/6162/fbi-confirma-o-caso-roswell-o-memorando-guy-hottel

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Berlitz, Charles (e Moore, William) -(1980) -The Roswell Incident -Crosset & Dunlap
  • Carey, Thomas J., Schmitt, Donald R. - (2007) -Witness to Roswell: unmasking the 60-year cover-up -New Page Books
  • Friedman, Stanton T. (1994)- Crash at Corona : the U.S. military retrieval and cover-up of a UFO - Marlowe & Company
  • Goldberg, Robert Allan (2001) -Enemies Within: The Culture of Conspiracy in Modern America - Yale University Press
  • McAndrew, James & Weaver, Richard L. (1995) - The Roswell Report – Fact versus Fiction in the New Mexico Desert - Headquarters United States Air Force
  • McAndrew, James (1997) - The Roswell report : case closed - Headquarters United States Air Force
  • Olmsted, Kathryn S. (2009) - Real Enemies: Conspiracy Theories and American Democracy, World War I to 9/11 - Oxford University Press
  • Pflock, Karl T. (2001) - Inconvenient Facts and the Will to Believe - Prometheus Books
  • Randle, Kevin ; Schmitt, Donald (1991) - UFO crash at Roswell (1991) -Avon Books
  • Randle, Kevin ; Schmitt, Donald (1994) - The truth about the UFO crash at Roswell -
  • Sagan, Carl (1997) - The Demon-haunted World : Science as a Candle in the Dark - Headline Book Publishing
  • Saler, Benson (e Ziegler,Charles e Moore, Charles ) (1997) - UFO Crash at Roswell : the genesis of a modern myth - Smithsonian Institution Press

Ligações externas[editar | editar código-fonte]