Círculos nas plantações

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Ficheiro:Crop circles Swirl.jpg
Uma formação de 240 metros na forma de um complexo tríscele formado por 409 círculos em um campo de Milk Hill, Inglaterra, Reino Unido, 2001.

Círculos nas plantações são formações de tamanho considerável criadas por pessoas através do achatamento de uma cultura, como cereais, colza, cana e capim. Estas marcas em plantações normalmente são belas e complexas e nem sempre apresentam forma circular. Apesar de muitos auto-intitulados especialistas alegarem causas naturais misteriosas ou origem alienígena como explicação para o fenômeno, o consenso científico é de que quase todos os casos são são feitos pelo homem, com poucas exceções possivelmente formadas por fenômenos naturais ou meteorológicos.

Em 1991, dois fraudadores, Bower e Chorley, reivindicaram a autoria de muitos dos círculos registrados na Inglaterra. Antes disso, uma das marcas deixadas pelos dois em plantações foi classificada como impossível de ser feita pelo homem por um investigador do fenômeno na frente de jornalistas.[1]

Os casos documentados aumentaram substancialmente a partir da década de 1970. Os círculos no Reino Unido, país onde é registrada a maioria dos casos, não estão distribuídos aleatoriamente por toda a paisagem e aparecem perto das estradas, em áreas de densidade populacional média ou alta, próximos a monumentos do patrimônio cultural, tais como Stonehenge ou Avebury, e sempre em áreas de fácil acesso.[2] Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos.

As formações geralmente são criadas durante a noite,[3] embora existam alguns relatos de que surgiram durante o dia.[4] Várias teorias têm sido propostas, desde fenômenos naturais e hoaxes feitos pelo homem até extraterrestres, o paranormal e até mesmo outros animais.[3] Embora não se saiba por completo o processo de formação de todos os círculos em plantações, a explicação mais plausível, como já dito, é que todos, ou quase todos, sejam feitos por pessoas.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Primeiros relatos[editar | editar código-fonte]

Gravura de um jornal de 1678 sobre o "Demônio Ceifador"

Em 1686, o naturalista britânico Robert Plot relatou anéis ou arcos de cogumelos em The Natural History of Stafford-Shire e propôs que algo do céu causou a formação (ver anéis de fadas).[5] [6] Uma carta de 1880 ao editor da revista Nature pelo cientista amador John Rand Capron descreve como uma recente tempestade havia criado vários círculos em um campo.

O conceito de círculos nas plantações surgiu no final da década de 1970 por conta de hoaxes feitos por Doug Bower e Dave Chorley (ver Bower e Chorley, abaixo).[7] [8] [9] [10] [11] Eles disseram que foram inspirados pelo caso de Tully, Queensland, Austrália, onde um fazendeiro encontrou um círculo achatado de juncos no pântano, depois de observar um OVNI, o que posteriormente foi explicado por redemoinho.[8]

Nos anos 1960, houve uma onda ufológica em Wiltshire e rumores de formações na região, mas elas nunca foram fotografadas.[11] Há outros relatórios pré-1970 de formações circulares, especialmente na Austrália e no Canadá, mas eles eram sempre círculos simples, que poderiam ter sido causados ​​por vendavais.[8] David Wood relatou para a revista britânica Fortean Times, em 1940, ele havia feito os círculos nas plantações, com o uso cordas para achatar as plantas, perto de Gloucestershire.[12]

Desde a década de 1970[editar | editar código-fonte]

A maioria dos relatos de círculos nas plantações têm aparecido e se popularizado desde o final da década de 1970,[7] quando muitas formações começaram a aparecer em áreas rurais inglesas. Este fenômeno se tornou amplamente conhecido no final de 1980, depois que a imprensa começou a relatar círculos nas plantações de Hampshire e Wiltshire. Em 1991, após a declaração de Bower e Chorley de que eles eram responsáveis ​​por muitos dos desenhos, os círculos começaram a aparecer em todo o mundo.[3] Até o momento, cerca de 10 mil círculos em plantações têm sido relatados em vários países, como em regiões da antiga União Soviética, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá. Os céticos observam uma correlação entre os círculos nas plantações, a intensa cobertura da mídia e a ausência de cercas e/ou legislação anti-invasões.[13]

Formação em uma plantação de Diessenhofen, Suíça
Círculos em um campo da Suíça

Embora os agricultores tenham manifestado preocupação com os danos causados ​​a suas colheitas, a resposta local para o aparecimento de círculos em plantações tem sido entusiasta, sendo que os moradores aproveitam o aumento do turismo e de visitas de cientistas, pesquisadores e de indivíduos que procuram experiências espirituais.[10]

A partir dos anos 2000, o número e a complexidade das formações em plantações aumentaram, alguns com até duas mil diferentes formas[3] e que incorporam algumas características matemáticas e científicas complexas.[14] [15] [16]

Um pesquisador descobriu que os círculos nas plantações no Reino Unido não estão distribuídos aleatoriamente por toda a paisagem. Eles aparecem perto das estradas, em áreas de densidade populacional média ou alta, próximas a monumentos do patrimônio cultural, tais como Stonehenge ou Avebury. E sempre aparecem em áreas que são de fácil acesso. Isto sugere fortemente que os círculos são mais propensos a serem causados pela ação humana intencional do que por qualquer atividade paranormal.[2]

Bower e Chorley[editar | editar código-fonte]

Em 1991, os auto-proclamados "brincalhões" Doug Bower e Dave Chorley apareceram nas manchetes por afirmarem que foram eles que começaram o fenômeno em 1978, com o uso de ferramentas simples que consistem em uma prancha de madeira, corda e um boné de beisebol equipado com um laço de arame para ajudá-los a caminhar em linha reta.[17] Para provar a sua alegação eles fizeram um círculo em frente aos jornalistas; o "cerealogista" (um especialista nessas formações), Pat Delgado, analisou o círculo e o declarou autêntico antes de ter sido revelado que era um trote.[17] [1] [18]

Inspirados por relatos de círculos em plantações australianas em 1966, Doug e Dave alegaram serem os responsáveis por todos os círculos feitos antes de 1987 e por mais de 200 círculos em plantações no período entre 1978 e 1991 (sendo que outros 1000 círculos não foram feitos por eles).[3] [19]

Após o seu anúncio, os dois homens demonstraram fazendo um círculo de cultura. Segundo o professor Richard Taylor, "as pictografias que eles criaram inspiraram uma segunda geração de artistas de plantações ... os círculos em plantações evoluíram para um fenômeno internacional, sendo que agora centenas de pictogramas sofisticados aparecem anualmente em todo o mundo".[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b William E. Schmidt. "2 'Jovial Con Men' Demystify Those Crop Circles in Britain", 10 September 1991.
  2. a b Jeremy Northcote. Spatial distribution of England's crop circles Southern Illinois University.
  3. a b c d e f g Richard Taylor. (Agosto de 2011). "Coming soon to a field near you". Physics World.
  4. Margry & Roodenburg 2007.
  5. John Aubrey. The Natural History of Stafford-Shire. [S.l.: s.n.]. at Project Gutenberg
  6. "The Natural History of Staffordshire by Robert Plott; Sciotericum Telescopicum or a new Contrivance of adapting a Telescope to a Horizontall Diall, for observing the moment of time by day or night by Will Molineux". Philosophical Transactions (1683–1775) 16 (1686-1692): 207–16.
  7. a b Reframing Dutch Culture: Between Otherness and Authenticity. illustrated ed. [S.l.]: Ashgate Publishing, 2007. 150–1 p. ISBN 9780754647058
  8. a b c Laurie Eddie (4 de novembro de 2004). The Skeptics SA Guide to: Crop circles Skepticssa.org.au. Skeptics SA. Visitado em 1 de janeiro de 2012.
  9. Carl Sagan. The Demon-Haunted World. [S.l.]: Headline Publishing Group, 1997. 72–6 p. ISBN 0747251568
  10. a b Hillary Mayell. "Crop circles: Artwork or alien signs", 2 de agosto de 2002, p. 2. Página visitada em 28 de outubro de 2010.
  11. a b Crop Circles: The Art of the Hoax Smithsonian.com (15 de dezembro de 2009).
  12. Eddie 2004 citing: D. Wood. (2000). "Pioneer pranksters?". Fortean Times 131 (52).
  13. "Disease brings poor crop of circles", 17 de agosto de 2001. Página visitada em 8 de fevereiro de 2007.
  14. Benjamin Radford (8 de junho de 2010). 'Beautiful Math Equation' Found in Crop Circle LiveScience. Visitado em 1 de janeiro de 2012.
  15. Marc West (30 de junho de 2008). Pi appears in crop circle plus.maths.org.. Visitado em 1 de janeiro de 2012.
  16. "Crop circle season arrives with a mathematical message", 26 de maio de 2010. Página visitada em 1 de janeiro de 2012.
  17. a b Graham Brough. "Men who conned the world".
  18. "Two British artists admit playing `circles' hoax for the past 13 years", 10 de setembro de 1991, p. A2.
  19. Hola Ridley (15 de julho de 2002). "Crop circle confession". Scientific American.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Jim Schnabel. Round in Circles: Physicists, Poltergeists, Pranksters, and the Secret History of the Cropwatchers. Harmondsworth: Penguin, 1993. ISBN 0140179526
  • In: Ralph Noyes. The Crop Circle Enigma: Grounding the Phenomenon in Science, Culture and Metaphysics. Bath: Gateway Books, 1990. ISBN 0946551669
  • Crop Circles: The Bones of God. [S.l.]: Frog Books, 2009. ISBN 978158394-2284
  • Suzanne Taylor (2011) (DVD 81-minute feature), What On Earth? Inside the Crop Circle Mystery, UBC, Prod #724101746123 .
  • Richard Taylor. (2010). "The crop circle evolves". Nature 465 (7299). DOI:10.1038/465693a. Bibcode2010Natur.465..693T.
  • "Crop Circle Jerks". Skeptoid. Episódio número 62.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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