Círculos nas plantações

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Círculos em um campo da Suíça

Os círculos nas plantações, também chamado de agrolifos, são formações de tamanho considerável criadas por pessoas através do achatamento de uma cultura, como cereais, colza, cana e capim. Estas marcas em plantações normalmente são belas e complexas e nem sempre apresentam forma circular. Apesar de muitos auto-intitulados especialistas alegarem causas naturais misteriosas ou origem alienígena como explicação para o fenômeno, o consenso científico é de que quase todos os casos são feitos pelo homem, com poucas exceções possivelmente formadas por fenômenos naturais ou meteorológicos.

O conceito de círculos nas plantações surgiu no final da década de 1970 por conta de hoaxes feitos por Doug Bower e Dave Chorley (ver Bower e Chorley, abaixo).[1] [2] [3] [4] [5] Eles disseram que foram inspirados pelo caso de Tully, Queensland, Austrália, onde um fazendeiro encontrou um círculo achatado de juncos no pântano, depois de observar um OVNI, o que posteriormente foi explicado por redemoinho.[2]

Os círculos no Reino Unido, país onde é registrada a maioria dos casos, não estão distribuídos aleatoriamente por toda a paisagem e aparecem perto das estradas, em áreas de densidade populacional média ou alta, próximos a monumentos do patrimônio cultural, tais como Stonehenge ou Avebury, e sempre em áreas de fácil acesso.[6] Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos.

As formações geralmente são criadas durante a noite,[7] embora existam alguns relatos de que surgiram durante o dia.[8] Várias teorias têm sido propostas, desde fenômenos naturais e hoaxes feitos pelo homem até extraterrestres, o paranormal e até mesmo outros animais.[7] Embora não se saiba por completo o processo de formação de todos os círculos em plantações, a explicação mais plausível, como já dito, é que todos, ou quase todos, sejam feitos por pessoas.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Primeiros relatos[editar | editar código-fonte]

Gravura de um jornal de 1678 sobre o "Demônio Ceifador"

Em 1686, o naturalista britânico Robert Plot relatou anéis ou arcos de cogumelos em The Natural History of Stafford-Shire e propôs que algo do céu causou a formação (ver anéis de fadas).[9] [10] Uma carta de 1880 ao editor da revista Nature pelo cientista amador John Rand Capron descreve como uma recente tempestade havia criado vários círculos em um campo.

Era moderna[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1960, houve uma onda ufológica em Wiltshire e rumores de formações na região, mas elas nunca foram fotografadas.[5] Há outros relatórios pré-1970 de formações circulares, especialmente na Austrália e no Canadá, mas eles eram sempre círculos simples, que poderiam ter sido causados ​​por vendavais.[2] David Wood relatou para a revista britânica Fortean Times, em 1940, ele havia feito os círculos nas plantações, com o uso cordas para achatar as plantas, perto de Gloucestershire.[11]

A maioria dos relatos de círculos nas plantações têm aparecido e se popularizado desde o final da década de 1970,[1] quando muitas formações começaram a aparecer em áreas rurais inglesas. Este fenômeno se tornou amplamente conhecido no final de 1980, depois que a imprensa começou a relatar círculos nas plantações de Hampshire e Wiltshire. Em 1991, após a declaração de Bower e Chorley de que eles eram responsáveis ​​por muitos dos desenhos, os círculos começaram a aparecer em todo o mundo.[7] Estima-se que cerca de 10 mil círculos em plantações têm sido relatados em vários países, como em regiões da antiga União Soviética, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá. Os céticos observam uma correlação entre os círculos nas plantações, a intensa cobertura da mídia e a ausência de cercas e/ou legislação anti-invasões.[12]

Embora os agricultores tenham manifestado preocupação com os danos causados ​​a suas colheitas, a resposta local para o aparecimento de círculos em plantações tem sido entusiasta, sendo que os moradores aproveitam o aumento do turismo e de visitas de cientistas, pesquisadores e de indivíduos que procuram experiências espirituais.[4]

Bower e Chorley[editar | editar código-fonte]

Em 1991, os auto-proclamados "brincalhões" Doug Bower e Dave Chorley apareceram nas manchetes por afirmarem que foram eles que começaram o fenômeno em 1978, com o uso de ferramentas simples que consistem em uma prancha de madeira, corda e um boné de beisebol equipado com um laço de arame para ajudá-los a caminhar em linha reta.[13] Para provar a sua alegação eles fizeram um círculo em frente aos jornalistas; o "cerealogista" (um especialista nessas formações), Pat Delgado, analisou o círculo e o declarou autêntico antes de ter sido revelado que era um trote.[13] [14] [15]

Inspirados por relatos de círculos em plantações australianas em 1966, Doug e Dave alegaram serem os responsáveis por todos os círculos feitos antes de 1987 e por mais de 200 círculos em plantações no período entre 1978 e 1991 (sendo que outros 1000 círculos não foram feitos por eles).[7] [16]

Após o seu anúncio, os dois homens demonstraram fazendo um círculo de cultura. Segundo o professor Richard Taylor, "as pictografias que eles criaram inspiraram uma segunda geração de artistas de plantações ... os círculos em plantações evoluíram para um fenômeno internacional, sendo que agora centenas de pictogramas sofisticados aparecem anualmente em todo o mundo".[7]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Formação em Diessenhofen, Suíça

A partir dos anos 2000, o número e a complexidade das formações em plantações aumentaram, alguns com até duas mil diferentes formas[7] e que incorporam algumas características matemáticas e científicas complexas.[17] [18] [19]

Um pesquisador descobriu que os círculos nas plantações no Reino Unido não estão distribuídos aleatoriamente por toda a paisagem. Eles aparecem perto das estradas, em áreas de densidade populacional média ou alta, próximas a monumentos do patrimônio cultural, tais como Stonehenge ou Avebury. E sempre aparecem em áreas que são de fácil acesso. Isto sugere fortemente que os círculos são mais propensos a serem causados pela ação humana intencional do que por qualquer atividade paranormal.[6]

No Brasil, há relatos de agroglifos em plantações de trigo do sul do país desde 2008, especialmente no interior de Santa Catarina. No município de Ipuaçu, relatos sempre ocorrem entre o final do mês de outubro e o início do mês de novembro.[20] Em Prudentópolis,Paraná, houve apenas um relato em outubro de 2015.[21]

Construção[editar | editar código-fonte]

Agrolifo com o logo da Swedish Railways
Círculo em uma plantação de Wiltshire, Reino Unido

O consenso científico sobre os círculos nas plantações é que eles são construídos pelos seres humanos como hoaxes.[22] O método mais amplamente conhecido por uma pessoa ou grupo para construir uma formação em plantações é amarrar uma extremidade de uma corda a um ponto de ancoragem e a outra em uma placa, que é usada para esmagar as plantas e criar o desenho. Os céticos salientam que todas as características dos círculos nas plantações são totalmente compatíveis com a capacidade humana.[23] Físicos têm sugerido que as formações mais complexas podem ser feita com a ajuda de GPS e lasers.[7] Em 2009, uma agrolifo foi feito ao longo de três noites consecutivas e aparentemente foi deixado inacabado, com alguns círculos meia feita.[7]

Em seu livro de 1997, The Demon-Haunted World, Carl Sagan conclui que os círculos nas plantações foram criados por Bower e Chorley e seus imitadores e especula que ufólogos preferem ignorar as evidências de que as formações são feitas por mãos humanas para que eles possam continuar acreditando em uma origem extraterrestre para as formações em plantações.[24] Também já foi comprovado que círculos nas plantações muito complexos podem ser criados por pessoas.[25] A revista Scientific American publicou um artigo de Matt Ridley, que começou a fazer círculos em plantações do norte da Inglaterra em 1991. Ele escreveu sobre como é fácil desenvolver técnicas que usam ferramentas simples 3 que podem facilmente enganar os observadores posteriores. Ele relatou sobre como fontes de "especialistas", como o The Wall Street Journal, tinham sido enganadas e afirmou que as pessoas querem acreditar em explicações sobrenaturais para os fenômenos que ainda não são explicados. Métodos de criação de um agrolifo, inclusive, já estão bem documentados na Internet.[16]

Os defensores da origem não-humano dos círculos dizem que as provas de envolvimento humano são tentativas de desacreditar os fenômenos.[8] Alguns chegam a argumentar que há uma teoria da conspiração, com os governos plantando evidência de boato para confundir as origens dos círculos.[8] [26] Quando o escritor de ciência popular Matt Ridley escreveu artigos negativos na imprensa, ele foi acusado de espalhar "desinformação" e de trabalhar para o MI5, o serviço de inteligência militar do Reino Unido. Ridley respondeu que muitos "cerealogistas" vendem livros e proporcionam passeios turísticos de alto custo em campos de cultivo, sendo que eles têm interesses financeiros em rejeitar o que é de longe a explicação mais provável para os círculos.[16] [27]

Implicações legais[editar | editar código-fonte]

Em 1992, os jovens húngaros Gábor Takács e Róbert Dallos, ambos então com 17 anos, foram as primeiras pessoas a enfrentar uma ação legal por conta da criação de um círculo em uma plantação. Takács e Dallos, alunos de uma escola secundária na Hungria especializado em agricultura, criaram um agrolifo de 36 metros de diâmetro em um campo de trigo perto de Székesfehérvár, 69 km a sudoeste de Budapeste, em 8 de junho de 1992. Em 3 de setembro, a dupla apareceu na TV húngara e expôs que o círculo era uma brincadeira, mostrando fotos do campo antes e depois da formação ter sido feita. Como resultado, a Aranykalász Co., a dona da propriedade, processou os jovens em cerca de 3 mil dólares por danos. O juiz determinou que os alunos eram responsáveis apenas pelos danos causados ​​no próprio círculo, o que fez o valor cair para 30 dólares. O juiz argumentou que 99% dos danos às plantações foram causados pelos milhares de visitantes que afluíram para Székesfehérvár após o agrolifo aparecer na mídia.

Em 2000, Matthew Williams se tornou o primeiro homem no Reino Unido a ser preso por causar danos depois de fazer um agrolifo perto de Devizes, Wiltshire.[28] Em novembro de 2000, ele foi multado em 100 e £ 40 em custos.[29] [30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Peter Jan Margry; Herman Roodenburg (2007). Reframing Dutch Culture: Between Otherness and Authenticity. Progress in European Ethnology illustrated ed. Ashgate Publishing [S.l.] pp. 150–1. ISBN 9780754647058. 
  2. a b c Laurie Eddie (4 de novembro de 2004). "The Skeptics SA Guide to: Crop circles". Skepticssa.org.au. Skeptics SA. Consultado em 1 de janeiro de 2012. 
  3. Carl Sagan (1997). The Demon-Haunted World Headline Publishing Group [S.l.] pp. 72–6. ISBN 0747251568. 
  4. a b Hillary Mayell (2 de agosto de 2002). "Crop circles: Artwork or alien signs". National Geographic [S.l.: s.n.] p. 2. Consultado em 28 de outubro de 2010. 
  5. a b Rob Irving; Peter Brookesmith (15 de dezembro de 2009). "Crop Circles: The Art of the Hoax". Smithsonian.com. 
  6. a b Jeremy Northcote. "Spatial distribution of England's crop circles" (PDF). Geography Online (online journal, without ISSN). Southern Illinois University. 
  7. a b c d e f g h i Richard Taylor (Agosto de 2011). "Coming soon to a field near you" (PDF). Feature: Crop circles. Physics World [S.l.: s.n.] 
  8. a b c Margry & Roodenburg 2007.
  9. John Aubrey. The Natural History of Stafford-Shire [S.l.: s.n.]  at Project Gutenberg
  10. "The Natural History of Staffordshire by Robert Plott; Sciotericum Telescopicum or a new Contrivance of adapting a Telescope to a Horizontall Diall, for observing the moment of time by day or night by Will Molineux". Accounts of Books. Philosophical Transactions (1683–1775) [S.l.: s.n.] 16 (1686-1692): 207–16. JSTOR 101866. 
  11. Eddie 2004 citing: D. Wood (2000). "Pioneer pranksters?". Fortean Times [S.l.: s.n.] 131 (52). 
  12. "Disease brings poor crop of circles". BBC News [S.l.: s.n.] 17 de agosto de 2001. Consultado em 8 de fevereiro de 2007. 
  13. a b Graham Brough (1991). "Men who conned the world". Today (defunct) (UK [s.n.]). 
  14. William E. Schmidt (10 September 1991). "2 'Jovial Con Men' Demystify Those Crop Circles in Britain". New York Times [S.l.: s.n.] 
  15. "Two British artists admit playing `circles' hoax for the past 13 years". Houston Chronicle Star ed. [S.l.: s.n.] Houston Chronicle News Services. 10 de setembro de 1991. p. A2. 
  16. a b c Hola Ridley (15 de julho de 2002). "Crop circle confession". Scientific American [S.l.: s.n.] Consultado em 16 de agosto de 2007. 
  17. Benjamin Radford (8 de junho de 2010). "'Beautiful Math Equation' Found in Crop Circle". LiveScience. Consultado em 1 de janeiro de 2012. 
  18. Marc West (30 de junho de 2008). "Pi appears in crop circle". plus.maths.org. Consultado em 1 de janeiro de 2012. 
  19. "Crop circle season arrives with a mathematical message". This Britain. The Independent [S.l.: s.n.] 26 de maio de 2010. Consultado em 1 de janeiro de 2012. 
  20. G1, : (27 de outubro de 2014). "Marcas misteriosas voltam a aparecer em plantações no Oeste de SC". Consultado em 9 de novembro de 2015. 
  21. G1, : (8 de outubro de 2015). "Figura supostamente feita por ETs em plantação fará parte de documentário". Consultado em 9 de novembro de 2015. 
  22. "Magnetic 'solution' to crop circle puzzle". BBC News. 9 de agosto de 2000. Consultado em 30 de setembro de 2015. 
  23. Joe Nickell (Setembro/Outubro de 2002). "Circular Reasoning: The 'Mystery' of Crop Circles and Their 'Orbs' of Light". Skeptical Inquirer [S.l.: s.n.] 26.5. Arquivado desde o original em 26 de dezembro de 2006. 
  24. Sagan 1997.
  25. Roel Van der Meulen (1994). "Faking UFOs". Roel Van der Meulen. 
  26. Former RAF engineer: MI5 'paid people to fake crop circles' to discredit UFO research - Jon Austin - Express.co.uk - Tue, Sep 22, 2015
  27. Matt Ridley (4 de junho de 2011). "Houdini, crop circles and the need to believe". Wall Street Journal [S.l.: s.n.] 
  28. Cahal Milmo (4 de novembro de 2000). "Police unravel mystery of the crop circle". The Independent (London [s.n.]). 
  29. "Man fined £100 for making crop circle". thisiswiltshire.co.uk (Weybridge [s.n.]). 7 de novembro de 2000. 
  30. "Secrets of crop circles". thisiswiltshire.co.uk (Weybridge [s.n.]). 2 May 2002. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Jim Schnabel (1993). Round in Circles: Physicists, Poltergeists, Pranksters, and the Secret History of the Cropwatchers (Harmondsworth: Penguin). ISBN 0140179526. 
  • Ralph Noyes, : (1990). The Crop Circle Enigma: Grounding the Phenomenon in Science, Culture and Metaphysics (Bath: Gateway Books). ISBN 0946551669. 
  • Michael Glickman (2009). Crop Circles: The Bones of God Frog Books [S.l.] ISBN 978158394-2284. 
  • Suzanne Taylor (2011) (DVD 81-minute feature), What On Earth? Inside the Crop Circle Mystery, UBC, Prod #724101746123 .
  • Richard Taylor (2010). "The crop circle evolves". Nature [S.l.: s.n.] 465 (7299): 693. Bibcode:2010Natur.465..693T. doi:10.1038/465693a. 
  • "Crop Circle Jerks". Skeptoid. Episódio número 62.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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