Toque terapêutico

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Toque terapêutico (normalmente abreviado como "TT"), conhecido por alguns como "toque terapêutico sem contato" (TTSC),[1] é um tipo de cura pela fé cujos praticantes alegam promover curas, reduzir dores e ansiedade. "Therapeutic Touch" é uma marca registrada no Canadá com uma "prática de tratamento estruturada e padronizada executada por praticantes treinados para serem sensitivos à recepção do campo energético que circunda o corpo;... o toque corporal não é obrigatório."[2]

Praticantes do toque terapêutico afirmam que ao colocarem suas mãos sobre, ou perto, de um paciente eles são capazes de detectar e manipular as bioenergias desse paciente.[3] Um estudo muito citado, elaborado por Emily Rosa quando ela tinha nove anos de idade e publicado no Journal of the American Medical Association em 1998, descobriu que os praticantes do toque terapêutico não foram capazes de detectar a presença ou ausência de uma mão colocada a poucos centímetros das suas quando seu campo visual era obstruído.[4][5][6] Simon Singh e Edzard Ernst concluíram em seu livro de 2008, Trick or Treatment, que "o campo de energia provavelmente não era nada mais que uma ficção na imaginação dos praticantes".[7] A American Cancer Society afirmou que "a evidência científica disponível não baliza qualquer alegação que TT possa curar câncer ou outras doenças."[8] Uma revisão sistemática da Colaboração Cochrane em 2014 não encontrou nenhuma boa evidência de que a prática ajudaria na cicatrização de ferimentos.[9]

Origem[editar | editar código-fonte]

Dora Kunz, uma promotora da teosofia e ex-presidente (1975–1987) da Theosophical Society in America, e Dolores Krieger, atualmente Professor Emerita of Nursing Science da Universidade de Nova Iorque,[10] desenvolveram o toque terapêutico nos anos 70.[3][11][12][13]

Segundo Krieger, o toque terapêutico tem suas raízes em antigas práticas de cura[14] como a imposição de mãos, apesar de não haver conexão com religião ou com a cura pela fé. Krieger afirma que, "em última análise, é o paciente (cliente) que cura a si mesmo. O curador ou terapeuta, nesta visão, atua como um sistema de suporte energético humano até que o próprio sistema imunológico do paciente esteja forte o suficiente."[15] A cura ocorreria através de um suposto processo físico chamado "ressonância de transferência de elétrons", descrito como "nonsense" pelo físico Alan Sokal.[16]

Investigação científica[editar | editar código-fonte]

Emily Rosa, aos 9 anos de idade, concebeu e executou um estudo sobre o toque terapêutico. Com a ajuda de Stephen Barrett, do Quackwatch, e a assistência de sua mãe, Linda Rosa, uma enfermeira, Emily se tornou a mais jovem membro de um grupo de pesquisa que teve um artigo científico aceito pelo Journal of the American Medical Association (JAMA), pela sua contribuição em um estudo do toque terapêutico, que desmascarou as alegações dos praticantes. Vinte e um praticantes do toque terapêutico participaram do estudo, e eles tentaram detectar a aura de Emily. Os praticantes ficaram de um lado de um anteparo de papelão, enquanto Emily permanecia do outro lado. Os praticantes então colocavam suas mãos através de aberturas no anteparo. Emily usou uma moeda para determinar sobre qual das mãos do praticante ela aproximaria suas mãos (obviamente, sem encostar). Ela então perguntou aos praticantes se eles podiam sentir o campo energético dela, e onde estava sua mão. Apesar de todos os participantes terem afirmado que seriam capazes de fazer isso, os resultados obtidos não apoiaram essas afirmações. Depois de testes com repetições, os praticantes foram capazes de localizar sua mão em proporções que não diferiram daquelas esperadas pelo acaso.[5][6][11][17] Editor do JAMA, o médico George D. Lundberg, recomendou que pacientes e empresas de planos de saúde se recusassem a pagar pelo toque terapêutico ou pelo menos questionassem se o pagamento ou não é correto "até ou ao menos que honesta experimentação adicional demonstre um efeito verdadeiro."[11]

Em 1999 uma revisão sobre a física das terapias alternativas afirmou que a existência de um "bio-campo" ou "campo bio-energético" contradiz diretamente os princípios da física, química e biologia.[18] Uma revisão sistemática da efetividade de várias técnicas de tratamentos à distância concluiu que "As limitações metodológicas dos diversos estudos dificultam a obtenção de conclusões definitivas sobre a eficácia do tratamento à distância. Entretanto... as evidências estão muito distantes do mérito de receberem estudos posteriores."[1]

Uma revisão sistemática Cochrane descobriu que "não existe evidência sólida de que o TT possa curar ferimentos."[19]

A American Cancer Society publicou que a "A evidência científica disponível não suporta qualquer alegação de que o TT possa curar o câncer ou outras doenças."[8]

Toque terapêutico e ensino de enfermagem[editar | editar código-fonte]

Em 2006 Sokal reportou estimativas de mais de 80 cursos secundários e superiores, em mais de 70 países, onde o toque terapêutico é ensinado, assim como em 80 hospitais na América do Norte onde isto é praticado. Ele complementou que "apoiadores e críticos do TT em geral concordam sobre alguns fatos básicos; [...] mesmo assim, essas figuras podem ser vistas como um grão de sal, pois tanto defensores quanto críticos [...] têm interesse de exagerar sua incidência".[16]

Owen Hammer e James Underdown, do Independent Investigations Group, examinaram os padrões de enfermagem na Califórnia, onde um comitê chamado California Board of Registered Nursing (CBRN) pode reconhecer as enfermeiras diplomadas que dão aulas sobre TT como educação continuada, o que necessita de autorizações renovadas pelo comitê. Em 2006 Hammer and Underdown apresentaram ao comitê a evidência científica refutando a validade do toque terapêutico como um tratamento legítimo, mas o comitê não mudou suas diretrizes.[20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Astin, John A.; Elaine Harkness; Edzard Ernst (2000). «The Efficacy of "Distant Healing" A Systematic Review of Randomized Trials» (requer pagamento). Annals of Internal Medicine (em inglês). 132 (11): 903-910. ISSN 0003-4819. doi:10.7326/0003-4819-132-11-200006060-00009 
  2. «Canadian Intellectual Property Office». www.ic.gc.ca (em inglês). 10 de novembro de 2015. Consultado em 14 de novembro de 2015. Structured and standardized healing practice performed by practitioners trained to be sensitive to the receiver's energy field that surrounds the body; there are three progressive levels of advancing depth, training and experience; the practice is conducted in a standard sequence of steps by passing the hands over and around the receiver's body, and by means of compassion and intent attempting to balance and smooth the receiver's energy field; no touching is required. 
  3. a b Bruno, Leonard C. (1999). «Therapeutic touch». Encyclopedia of Medicine. Gale Research. Consultado em 7 de julho de 2007 
  4. Sarner, Larry (2007). «Therapeutic Touch Study Data». www.quackwatch.com (em inglês). QuackWatch. Consultado em 31 de julho de 2016. Cópia arquivada em 31 de julho de 2016 
  5. a b Glazer, Sarah (2000). «Postmodern Nursing». The Public Interest. Consultado em 7 de julho de 2007. Cópia arquivada em 25 de fevereiro de 2007 
  6. a b Rosa, Linda; Rosa, E; Sarner, L; Barrett, S (1 de abril de 1998). «A Close Look at Therapeutic Touch». JAMA. 279 (13): 1005–10. PMID 9533499. doi:10.1001/jama.279.13.1005 
  7. Singh, Simon; Ernst, Edzard (2008). Trick Or Treatment: The Undeniable Facts about Alternative Medicine (em inglês). [S.l.]: W. W. Norton & Company. pp. 267–268. ISBN 9780393066616 
  8. a b «Therapeutic Touch». American Cancer Society. 2011. Consultado em 31 de julho de 2016. Arquivado do original em 6 de maio de 2015 
  9. O'Mathúna, DP; Ashford, RL (Jul 29, 2014). «Therapeutic touch for healing acute wounds.». The Cochrane database of systematic reviews. 7: CD002766. PMID 25069726. doi:10.1002/14651858.CD002766.pub3 
  10. Krieger, Dolores (1999). «Letters to the editor». Journal of Professional Nursing. 15 (3): 200–1. PMID 10377630. doi:10.1016/S8755-7223(99)80043-X 
  11. a b c Barrett, Stephen. «Why Therapeutic Touch Should Be Considered Quackery». www.quackwatch.com. Consultado em 1 de agosto de 2016 
  12. «Theos-Talk Archives (April 2005 Message tt00332)». www.theosophy.com. Consultado em 1 de agosto de 2016 
  13. Denison, B. “Consumer Access to Complementary Therapies Such as Therapeutic Touch (ITT)”. Kansas Nurse 76, n.3 (2001): 12–14.
  14. Krieger, Dolores (1975). «Therapeutic Touch: The Imprimatur of Nursing» (requer pagamento). The American Journal of Nursing (em inglês). 75 (5): 784–787. doi:10.2307/3423456 
  15. Krieger, Dolores (1993). Accepting Your Power to Heal: The Personal Practice of Therapeutic Touch (em inglês). Rochester, Vermont: Inner Traditions / Bear & Co. ISBN 9781879181045 
  16. a b Sokal, Alan (2006). «Pseudoscience and postmodernism: Antagonists or fellow-travelers?» (PDF). In: Garrett G. Fagan. Archaeological Fantasies: How Pseudoarchaeology Misrepresents the Past and Misleads the Public. Routledge. pp. 286–361. Consultado em 1 de agosto de 2016 
  17. Therapeutic touch, on season 8 , episode 2 of Scientific American Frontiers.
  18. Stenger, Victor (1999).
  19. O'Mathúna, Dónal P.; Steven Pryjmachuk, Wayne Spencer, Michael Stanwick, Stephen Matthiesen (30 de junho de 2002). «A critical evaluation of the theory and practice of therapeutic touch». Nursing Philosophy. 3 (2): 163-176. ISSN 1466-769X. doi:10.1046/j.1466-769X.2002.00089.x. Consultado em 31 de julho de 2016 
  20. Hammer, Owen; James Underdown (November–December 2009).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]