Memória da água

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Em homeopatia, memória da água refere-se à suposta capacidade da água reter propriedades de substâncias que nela estiveram diluídas, mas não encontram-se mais ali. A teoria foi publicada pelo imunologista Jacques Benveniste na revista científica Nature em 1988.[1] Este suposto efeito seria obtido por meio da dinamização, um processo em que as substâncias diluídas em água são agitadas vigorosamente (sucussão), utilizando técnica descritas em Farmacopeias para transferir a energia das substâncias para a água.[2]

A pesquisa publicada na Nature foi feita utilizando soluções diluídas dos anticorpos IgE e verificando se essas teriam o mesmo efeito de uma solução não diluída dos mesmos anticorpos sobre os basófilos. A equipe de Jacques Benveniste observou os mesmos efeitos,[3] mas tais resultados foram depois contestados pelos editores da revista devido à falta de reprodutibilidade, um princípio básico da ciência.[4]

Funcionamento[editar | editar código-fonte]

Diluir e fazer sucussão formam um análogo a hidratos de clatrato que podem multiplicar-se.[5] Portanto formam-se estruturas chamadas de nano-cristaloides a partir de minerais, vegetais e animais diluídos na água ou álcool.[5] Estes nano-cristaloides emitem sinais eletromagnéticos que podem interagir com as células de um organismo.[5] Uma pequena molécula da tintura original fica retida dentro de uma estrutura chamada de nano-bolha, formada pelas ligações de hidrogênio das moléculas da água.[5] Os movimentos da sucussão fazem estas estruturas colidirem o que forma uma espécie de hiper-próton ou buraco branco onde não existe matéria, mas a capacidade de emitir radiação sim (Trítio tipo β).[5]

Resultados não reproduzíveis[editar | editar código-fonte]

Após a publicação na revista Nature, a mesma mandou uma equipe para verificar se a equipe de Jacques Benveniste poderia reproduzir os resultados publicados. Os resultados foram reproduzidos, mas um dos pesquisadores da revista reparou que a equipe tinha o conhecimento de quais eram as soluções com anticorpos e quais eram as diluídas. Após tomarem medidas para que a equipe não tivesse tal conhecimento, não houve diferença dos resultados entre as soluções diluídas e não diluídas.[6]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. NOGUEIRA, Salvador (10 de março de 2005). «Memória" da água é curta, afirma estudo» Folha Online [S.l.] Consultado em 07/01/2012. 
  2. Farmacopeia Brasileira Terceira edição[fonte confiável?]
  3. Davenas, E.; F. Beauvais, J. Amara, M. Oberbaum, B. Robinzon, A. Miadonnai, A. Tedeschi, B. Pomeranz, P. Fortner, P. Belon, J. Sainte-Laudy, B. Poitevin, J. Benveniste. (1988). "Human basophil degranulation triggered by very dilute antiserum against IgE" (requer pagamento) (em inglês). Nature 333 (6176): 816-818. DOI:10.1038/333816a0.
  4. Langone, John. (1988). "Science: The Water That Lost Its Memory" (requer pagamento) (em inglês). Time. ISSN 0040-718X.
  5. a b c d e Associação Portuguesa de Homeopatia. A ciência na homeopatia. Acesso em 17 de janeiro de 2012[fonte confiável?]
  6. Maddox, John; James Randi, Walter W. Stewart. ""High-dilution" experiments a delusion" (requer pagamento) (em inglês). Nature 334 (6180): 287-290. DOI:10.1038/334287a0.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]