Ufologia

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Fotografia de um suposto OVNI registrada em 31 de julho de 1952, Nova Jérsei, Estados Unidos.

Ufologia (português brasileiro) ou Ovnilogia (português europeu) é o estudo de relatos, registros visuais, evidências físicas e demais fenômenos relacionados aos objetos voadores não identificados (OVNI)[1] . O termo "ufologia" deriva da sigla em inglês UFO (acrônimo de: Unidentified Flying Object) e da palavra λογία (lo-gía), que no grego antigo quer dizer estudo, razão. Devido às dificuldades de obtenção de dados confiáveis e de fácil acesso para pesquisadores, não constitui um campo de pesquisa científica reconhecido, constituindo-se num ramo de investigação especulativo e que não faz uso do método científico.[2] A ufologia tem sido caracterizada como uma pseudociência,[3] [4] o que muitos ufologistas rejeitam.[5] [6]

Não há qualquer evidência amplamente aceita que corrobore a existência de vida extraterrestre; no entanto, várias reivindicações controversas já foram feitas.[7] A crença de que alguns objetos voadores não identificados (OVNIs) podem ter origem extraterrestre[8] e alegações de abdução alienígena[9] são rejeitadas pela maior parte da comunidade científica. A grande maioria dos relatos de OVNIs podem ser explicados por avistamentos de aeronaves humanas, fenômenos atmosféricos ou objetos astronômicos conhecidos; ou são apenas hoaxes.[10]

Após o Caso Roswell, ocorrido em 1947 na localidade de Roswell, no Novo México, Estados Unidos, várias teorias conspiratórias sobre a presença de seres extraterrestres no planeta Terra se tornaram um fenômeno cultural generalizado no país durante a década de 1940 e no início da era espacial na década de 1950, o que foi acompanhado por uma onda de relatos de avistamentos de OVNIs.[11] A sigla "OVNI" foi criada em 1952, no contexto da enorme popularidade do conceito de "discos voadores", logo após o avistamento de um OVNI pelo piloto Kenneth Arnold em 1947, em Washington. Os documentos Majestic 12, publicados em 1982, sugerem que houve um interesse genuíno em teorias da conspiração envolvendo OVNIs dentro do governo dos Estados Unidos durante os anos 1940.[12]

No Brasil, casos envolvendo OVNIs ou supostas aparições de seres extraterrestres também tornaram-se mais frequentes depois de Roswell. Um dos casos mais famosos foi o da "Operação Prato", o nome dado a uma operação realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 1977 e 1978, através do Comando Aéreo Regional em Belém, para verificar a ocorrência de fenômenos desconhecidos que envolviam luzes que supostamente tinham um comportamento hostil e que eram relatadas pela população do município de Colares, no norte do estado do Pará.[13] [14] Outro caso bastante conhecido no país é o do Incidente de Varginha, em 1996, quando moradores do município de Varginha, Minas Gerais, alegaram terem visto os corpos de três seres alienígenas. Três jovens da cidade ainda mantêm a versão de que teriam visto um dos seres ainda com vida.[15]


OVNIs no Brasil[editar | editar código-fonte]

Forças Armadas[editar | editar código-fonte]

Ver também: Operação Prato
Sindicância EMAER

No dia 24 de outubro de 1954, entre 13 h e 16 h, foram observados corpos estranhos sobre a Base Aérea de Porto Alegre[nota 1] , sendo noticiado na imprensa gaúcha e também na imprensa da capital federal, na época, a cidade do Rio de Janeiro. O chefe do Estado Maior da Aeronáutica (EMAER), brigadeiro Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, autorizou o comandante da Base, a proceder "(...) as investigações necessárias, mantendo o Estado-Maior informado de tudo." [16]

Em 16 de novembro de 1954, o próprio brigadeiro Gervásio Duncan, concedeu entrevista coletiva a jornalistas e radialistas, apresentando cinco relatórios, de um total de dezesseis, contendo depoimentos do pessoal da Base sobre os eventos de 24 de outubro, contando sobre a movimentação de um objeto arredondado de cor prateada fosca a grande altitude, com um dos depoimentos citando dois objetos. Enfatizou se tratar de depoimentos idôneos e declara: "Não duvido que tenham visto o que relatam. Mas não posso assegurar que se trate de discos voadores.". Também declara que não havia em curso nenhuma investigação oficial da Aeronáutica sobre discos voadores.[17]

Palestra ESG

Em 2 de dezembro de 1954, o chefe do Serviço de Informações do Estado Maior da Aeronáutica, coronel João Adil Oliveira[18] proferiu na Escola Superior de Guerra - ESG, a pedido do brigadeiro Antônio Guedes Muniz, uma palestra sobre discos voadores voltada para a Defesa, com a presença de altas patentes das Forças Armadas, inclusive o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, além de jornalistas, técnicos e civis[19] . Durante a palestra declarou: "O problema dos Discos Voadores tem polarizado a atenção do mundo inteiro, é sério e merece ser tratado com seriedade. Quase todos os governos das grandes potências se interessam por ele e o tratam com seriedade e reserva, dado seu interêsse (sic) militar.". [20]

O coronel Adil de Oliveira não consultou a comunidade científica sobre o assunto, nem analisou os casos apresentados durante a palestra de um ponto de vista técnico. Utilizou largamente citações de livros de Donald Keyhoe e Hugo Rocha (escritor), defensores da hipótese extraterrestre. Sua abordagem foi claramente a favor dessa hipótese. No mês seguinte, a revista Ciência Popular criticou duramente a palestra, seu conteúdo, o despreparo do Serviço de Informações, além do crédito dado pela Aeronáutica, na figura do coronel Adil, a uma reconhecida fraude fotográfica de 1952 perpetrada por O Cruzeiro (revista), conhecido como Caso Barra da Tijuca, [21] .

SIOANI
Documentos SIOANI, entregues pelo pesquisador Edison Boaventura à CBU.

O SIOANI, acrônimo de Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, foi uma estrutura organizacional criada pelo Comando da 4ª Zona Aérea da FAB, para investigação e pesquisa científica do OANI - Objeto Aéreo Não Identificado [22] , entre os anos de 1969 e 1972. Foi patrocinado pelo brigadeiro José Vaz da Silva, comandante da 4ª Zona Aérea e coordenado pelo major Gilberto Zani de Mello. [23] . Sua área de atuação foi principalmente o Estado de São Paulo, mas investigou casos em vários outros [24] .

Em 31 de outubro de 2008, o Arquivo Nacional recebeu do CENDOC - Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica, um conjunto de publicações do período 1952-1969, relativo a OVNIs, entre eles, documentos identificados do SIOANI. Em 23 de abril de 2009, novas publicações oficiais, dessa vez do período 1970-1979, foram entregues ao Arquivo Nacional pelo CENDOC, entre elas, novos documentos do SIOANI, cobrindo os anos de 1970 a 1972 [25] .

Um conjunto de documentos elaborados pela 4ª Zona Aérea, constituído de relatórios, boletins, croquis, fotos, slides, foi obtido pelo pesquisador ufológico Edison Boaventura Júnior,[nota 2] de um investigador civil do SIOANI, o sociólogo Acassil José de Oliveira Camargo [26] . Essa documentação, num total de mais de 1.300 páginas, foi entregue a Comissão Brasileira de Ufólogos e pode ser acessada por sítio mantido pela Revista UFO. O Arquivo Nacional recebeu do pesquisador em 2009 o mesmo material, mas não foi catalogado eletronicamente e disponibilizado pela instituição.

O núcleo operacional eram a chefia da Central de Investigação, o CIOANI e os Núcleos de Investigação, NIOANIs, incluindo também a parte científica, o laboratório do ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Era composto por investigadores militares e civis. Se presume em 100 (cem) o número total de casos. Muitos casos passaram por avaliação psiquiátrica pelo tenente médico João Edney Carvalho Ribeiro [26] .

No geral, os relatórios de investigação apresentaram conclusões incipientes e inconsistentes. Casos inexplicados não chegaram a 5% do total, mas a elucidação da grande maioria dos casos tranquilizou os orgãos de segurança da Aeronáutica. [23] O SIOANI encerrou suas atividades em 1972. Atribui-se a troca de comando da 4ª Zona Aérea a causa do encerramento.

Hipóteses[editar | editar código-fonte]

Para interpretar os mais diversos fenômenos relacionados à ufologia, uma listagem de teorias mais aceitas. Nelas existem diferentes correntes de pensamento, desde as de caráter cético, julgando todo o fenômeno como má-interpretação ou fraude, até as de carácter místicos.[27]

Hipótese Extraterrestre[editar | editar código-fonte]

A hipótese extraterrestre (HET) teoriza que alguns avistamentos de OVNI são espaçonaves alienígenas.[28]

Hipótese do Zoológico[editar | editar código-fonte]

A Hipótese do Zoológico é uma das diversas conjecturas que surgiram em resposta ao Paradoxo de Fermi, relacionado à aparente falta de evidências que possam confirmar a existência de civilizações extraterrestres avançadas. Foi desenvolvida pelo astrônomo John A. Ball, em 1973. De acordo com esta hipótese, os extraterrestres, tecnologicamente avançados o suficiente para se comunicar com os terráqueos, já teriam encontrado a Terra, todavia, apenas observam a Terra e a humanidade remotamente, sem tentar interagir, como os pesquisadores observam animais primitivos à distância, evitando o contato direto para não perturbá-los[29] .

Hipótese interdimensional[editar | editar código-fonte]

Segundo a Hipótese interdimensional, os OVNIs e os fenômenos a eles associados, como abduções, procedem de outros Universos que compõem o Multiverso. A origem desses fenômenos não necessariamente procede de algum local do tecido do espaço a nossa volta, podendo estar coabitando conosco o próprio planeta Terra, transcendendo tanto o tempo como o espaço. Além disso, seriam manifestações modernas de antigos mitos ao longo da história, interpretados anteriormente como entidades mitológicas ou sobrenaturais, como fadas, duendes, súcubos e íncubos. Trataria-se de um sistema de controle que atua sobre os seres humanos, através do uso de símbolos para interação em nível psíquico. Os fenômenos podem também se manifestar fisicamente[30] .

Hipótese psicossocial[editar | editar código-fonte]

Esta é a teoria de que alguns avistamentos OVNI são alucinações, sugestões hipnóticas ou fantasias e são causadas pelo mesmo mecanismo que muitas experiências ocultas, paranormais, sobrenaturais ou religiosas (comparar com supostos avistamentos da Virgem Maria. Ver a entrada Hipótese Psicossocial. São considerados distúrbios.[31]

O comportamento destas fantasias pode ser influenciado pelo ambiente em que a suposta testemunha foi criada: contos de fadas ou religião, ficção científica, etc: por exemplo, uma suposta testemunha pode ver fadas enquanto outra achará ver Greys.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Atual Base Aérea de Canoas: até 1947 chamada Base Aérea de Porto Alegre, também chamada de Base de Gravataí, cidade da qual Canoas era distrito à época. Nas várias notícias dos jornais sobre os eventos de 24/10/54 se usou BA de Porto Alegre ou BA de Gravataí
  2. Edison Boaventura Júnior é fundador do Grupo Ufológico do Guarujá - GUG e Diretor de Pesquisas de Campo da Rede Brasileira de Pesquisas Ufológicas.

Referências

  1. Ovniologie, em Le grand dictionnaire terminologique, do Office québécois de la langue française, do governo de Quebec (em francês)
  2. Markovsky B., "UFOs", in The Skeptic's Encyclopedia of Pseudoscience, edited by Michael Shermer, 2002 Skeptics Society, p260
  3. Feist, Gregory J. (2006). The psychology of science and the origins of the scientific mind Yale University Press [S.l.] p. 219. ISBN 0-300-11074-X. 
  4. Restivo, Sal P. (2005). Science, technology, and society: an encyclopedia Oxford University Press USA [S.l.] p. 176. ISBN 0-19-514193-8. 
  5. Friedman, Stanton T. (2009-05-30). «Pseudo-Science of Anti-Ufology» The UFO Chronicles [S.l.] Consultado em 2010-05-03. 
  6. Tuomela, Raimo (1985). Science, action, and reality Springer [S.l.] p. 234. ISBN 90-277-2098-3. 
  7. «Top 10: Controversial pieces of evidence for extraterrestrial life». New Scientist [S.l.: s.n.] 4 de setembro de 2006. Consultado em 18 de fevereiro de 2011.  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)
  8. Cross, Anne (2004). «The Flexibility of Scientific Rhetoric: A Case Study of UFO Researchers». Qualitiative Sociology [S.l.: s.n.] 27 (1): 3–34. doi:10.1023/B:QUAS.0000015542.28438.41. 
  9. Clancy, Susan A. (2005). Abducted: how people come to believe they were kidnapped by aliens Harvard University Press [S.l.] pp. 4–6. ISBN 067402401X. 
  10. Ailleris, Philippe (Janeiro-Fevereiro de 2011). «The lure of local SETI: Fifty years of field experiments». Acta Astronautica [S.l.: s.n.] 68 (1–2): 2–15. Bibcode:2011AcAau..68....2A. doi:10.1016/j.actaastro.2009.12.011. 
  11. «New Mexico 'Disc' Declared Weather Balloon and Kite». Los Angeles Examiner [S.l.: s.n.] Associated Press. 9 de julho de 1947. p. 1. Consultado em 5 de fevereiro de 2013. 
  12. Allan, Christopher D. "Wilbert Smith and MJ-12." UFO Brigantia 44&45 (Julho/Setembro de 1990): 32-38.
  13. Portal Terra, : (10 de agosto de 2010). «FAB cria normas para pilotos em caso de contato com ovnis». Consultado em 24 de agosto de 2014. 
  14. IstoÉ, : (22 de julho de 2009). «A história oficial dos ÓVNIS no Brasil». Consultado em 24 de agosto de 2014. 
  15. Istoé, : (15 de outubro de 2010). «A história oficial do ET de Varginha.». Consultado em 24 de agosto de 2014. 
  16. redação jornal A Noite. «Batida nos céus gauchos: à procura dos discos voadores». jornal A Noite de 27/10/1954, páginas 1 e 6. Consultado em 27 de dezembro de 2015. 
  17. redação jornal Tribuna da Imprensa. «Nenhuma investigação oficial sôbre o caso dos discos voadores». jornal Tribuna da Imprensa de 17/11/1954, páginas 1 e 8. Consultado em 27 de dezembro de 2015. 
  18. redação Correio da Manhã. «Os discos voadores poderiam ser naves interplanetarias». jornal Correio da Manhã 03/12/1954, primeiro caderno , página 3. Consultado em 26 de Dezembro de 2015. 
  19. Antonio Celente Videira. «Apreciação de Sinais Inteligentes – O Novo Sistema de Investigação de Objetos Voadores Anômalos» (PDF). Idéias em Destaque maio/agosto de 2009-Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. Consultado em 25 de Dezembro de 2015. 
  20. «Discos Voadores». revista O Cruzeiro de 11/12/1954, encarte extra. Consultado em 25 de Dezembro de 2015. 
  21. Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos. «A invenção dos discos voadores. Guerra Fria, imprensa e ciência no Brasil (1947-1958)». Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2009. Consultado em 27 de Dezembro de 2015. 
  22. Quarta Zona Aérea. «Boletim Sioani – 1, código referência Arquivo Nacional: BR DFANBSB ARX.0.0.58». Sioani, 6 março de 1969. Consultado em 30 de dezembro de 2015. 
  23. a b Antonio Celente Videira. «Apreciação de Sinais Inteligentes – O Novo Sistema de Investigação de Objetos Voadores Anômalos» (PDF). Idéias em Destaque maio/agosto de 2009-Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. Consultado em 25 de Dezembro de 2015. 
  24. Quarta Zona Aérea. «Boletim Sioani – 2, código referência Arquivo Nacional: BR DFANBSB ARX.0.0.59». Sioani, agosto de 1969. Consultado em 05 de janeiro de 2016. 
  25. Coordenação Regional do Arquivo Nacional do Distrito Federal - COREG. «Especificação da história arquivística». SIAN. Consultado em 05 de janeiro de 2016. 
  26. a b Edison Boaventura Júnior. «Novos fatos sobre o Sioani». Revista UFO, abril 2012. Consultado em 17 de janeiro de 2016. 
  27. «Sobre as origens». fenomenum. Consultado em 20 de janeiro de 2016. 
  28. «Explicações sobre a "hipótese extraterrestre"». atahtiamat.com.br. 31 de outubro de 2011. Consultado em 20 de janeiro de 2016. 
  29. ULMSCHENEIDER, Peter. Intelligent life in the universe: principles and requirements behind its emergence. Springer-Verlag Berlin and Heidelberg GmbH & Co. K, 2006 (ISBN 978-3540328360)
  30. Daniel Rebisso Giese. «Jacques Vallée: Os UFOs não são extraterrestres». Revista UFO. Consultado em 28 de novembro de 2015. 
  31. ABRIL (Junho de 2015). «Ufologia é ciência?». Super Interessante. Consultado em 20 de janeiro de 2016. 
  32. Jackson Luiz Camargo. «Sobre as origens - Hipótese Psicossocial». fenomenum. Consultado em 20 de janeiro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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