Ficção científica

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Livros de ficção científica e fantasia de autores polacos.

Ficção científica é um gênero literário desenvolvido no século XIX, que lida principalmente com o impacto da ciência, tanto verdadeira como imaginada, sobre a sociedade ou os indivíduos. A ação pode girar em torno de um grande leque de possibilidades como: viagem espacial, viagem no tempo, mais rápido que a luz, universos paralelos e vida extraterrestre. Em inglês o termo ficção científica é às vezes abreviado para sci-fi ou SF.[1] Em português, é abreviado para FC.

A ficção científica muitas vezes explora as potenciais consequências de inovações científicas e outras, e tem sido chamado de uma "literatura das ideias".[2]

O que é a ficção científica[editar | editar código-fonte]

Um cenário futurista é comum, mas não é uma característica necessária de ficção científica. Uma linha comum na ficção científica explora as potenciais consequências de inovações científicas e outros na vida das pessoas.

Este tipo de literatura pode consistir numa cuidadosa e bem informada extrapolação sobre fatos e princípios científicos, ou abranger áreas profundamente rebuscadas, que contrariam definitivamente esses factos e princípios. Em qualquer dos casos, o ser de forma plausível baseado na ciência é um requisito indispensável, e assim obras precursoras deste gênero literário, como os romance de Mary Wollstonecraft Shelley, Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818) e O Último Homem (1826),[3] ou a obra de Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro (1886) são considerados ficção científica, enquanto que Drácula, de Bram Stoker (1897), não é.

Há, evidentemente, muitos tipos de ficção científica. Os dois principais tipos são a ficção científica soft como por exemplo as séries televisivas Star Trek (Jornada nas Estrelas), Battlestar Galactica e Doctor Who, e também a ficção científica hard como por exemplo os filmes 2001: Uma Odisséia no Espaço, Blade Runner e Solaris. Há também alguns filmes que se utilizam de temas recorrentes na ficção científica embora tenham mais características do gênero fantasia, como por exemplo a série de filmes Star Wars.

Origens e precursores[editar | editar código-fonte]

Guerre Infernale de Pierre Giffard, ilustrada por Albert Robida.
A palavra scientifiction na capa da revista Amazing Stories (setembro de 1928).

Além da antiquíssima literatura fantástica, que não é considerada para o efeito, o gênero teve precursores notáveis: viagens imaginárias à Lua ou a outros planetas no século XVIII e viagens espaciais no Micromégas de Voltaire (1752), culturas alienígenas n'As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift (1726), e elementos de ficção científica nas histórias de Edgar Allan Poe, Nathaniel Hawthorne e Fitz-James O'Brien, todos do século XIX.

O verdadeiro início da ficção científica, contudo, dá-se durante o século XIX pós-Revolução Industrial, possibilitado pela ascenção da ciência moderna, sobretudo pelas revoluções operadas na astronomia, na física, química e na biologia. Em 1818, a escritora londrina Mary Shelley, inspirada pelas primeiras descobertas no campo da bioeletricidade[4] , publica seu célebre romance Frankenstein, amplamente considerado a obra inaugural deste gênero literário[5] . Posteriormente, os romances científicos de Júlio Verne, cuja ciência se situava ao nível da invenção, bem como com as novelas, cientificamente orientadas, de crítica social de H. G. Wells contribuiriam grandemente para a popularização do estilo.[6] A ficção científica francesa do século 19, também foi representada com artistas como Albert Robida[7] e Jean-Marc Côté.[8]


Há outros precursores ilustres e mais antigos. O astrónomo Johannes Kepler (1571 - 1630) escreveu uma história, a que deu o título de Somnium (O Sonho), em que descreve uma viagem até outro planeta. Em 1656, o francês Savinien Cyrano de Bergerac escreveu Histoire Comique des États et Empires de la Lune, que relata também uma viagem até à Lua e a forma como os Selenitas vêem os terrestres.

O desenvolvimento da ficção científica como género consciente de si próprio data de 1926, quando Hugo Gernsback, que cunhou a palavra combinada scientifiction (que se poderia traduzir para português como cientificção), fundou a revista Amazing Stories, dedicada exclusivamente a histórias de ficção científica.[9]

[10]


Publicadas nesta e noutras revistas pulp com um sucesso grande e crescente, tais histórias não eram vistas pelos sectores literários como literatura, mas sim como sensacionalismo. Com a chegada, em 1937, de um editor exigente, John W. Campbell, da Astounding Science Fiction (fundada em 1930) e com a publicação de contos e novelas por escritores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, a ficção científica emergiu como uma forma de ficção séria.[11] As aproximações ao género por escritores que não se dedicavam exclusivamente à ficção científica, como Aldous Huxley, C. S. Lewis e Kurt Vonnegut, também adicionaram respeitabilidade. Capas de revistas com monstros de olhos esbugalhados e mulheres seminuas preservaram em muitas mentes a imagem de sensacionalismo.


Assistiu-se a um grande incremento na popularidade da ficção científica a seguir à Segunda Guerra Mundial. Alguns trabalhos de ficção científica tornaram-se best-sellers. A crescente sofisticação intelectual do género e a ênfase em assuntos psicológicos e sociais mais latos alargaram de forma significativa o apelo da ficção científica junto do público leitor. Nos países anglo-saxônicos tomou-se consciência de ficção científica escrita noutras línguas, em especial na União Soviética e noutros países da Europa de Leste. É agora comum ver-se crítica séria ao género, e estuda-se ficção científica em instituições de ensino superior de várias partes do mundo, havendo especial interesse nas suas características literárias e na forma como ela se relaciona com a ciência e a sociedade.

Uma das características únicas do género é a sua forte comunidade de fãs, da qual muitos autores também fazem parte. Existem grupos locais de fãs um pouco por todo o mundo que fala inglês, e também no Japão, Europa e noutros locais. É frequente que estes grupos publiquem os seus próprios trabalhos. Existem muitas revistas de fãs (e também algumas profissionais) que se dedicam apenas a informar o fã de ficção científica de todas as vertentes do género. Os principais prémios da ficção científica, os Prémios Hugo, são atribuídos pelos participantes da convenção anual Worldcon, que é organizada quase exclusivamente por fãs voluntários.

A ficção científica também se tem tornado popular na rádio, nas histórias em quadrinhos (banda desenhada em Portugal), na televisão e no cinema.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Géneros e subcategorias[editar | editar código-fonte]

Livros de ficção científica[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Morre Forrest J. Ackerman, lenda da ficção científica». G1. 05/12/2008. 
  2. Marg Gilks, Paula Fleming, and Moira Allen (2003). "Science Fiction: The Literature of Ideas".
  3. Wingrove, Aldriss (2001). Billion Year Spree: The History of Science Fiction (1973) Revised and expanded as Trillion Year Spree (with David Wingrove)(1986). New York: House of Stratus. ISBN 978-0-7551-0068-2.
  4. Ginn, Sherry. «Mary Shelley's Frankenstein: Science, Science Fiction, or Autobiography?». Consultado em 1 de abril de 2016. 
  5. «Science Fiction: The Early History». andromeda.rutgers.edu. Consultado em 2016-04-01. 
  6. Kathia Natalie Gomes. (2005). "Dois continentes, duas culturas". Scientific American Brasil: Exploradores do Futuro - Isaac Asimov (3): 11. Editora Duetto. ISSN 1808-6543.
  7. Viagem extraordinária
  8. (2005) "Future belle époque". Scientific American Brasil Exploradores do Futuro - H. G. Wells (2). Editora Duetto. ISSN 1808-6543.
  9. Gerard Jones. Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. [S.l.]: Conrad Editora, 2006. 85-7616-160-5
  10. Hugo Gernsback. "A New Sort of Magazine", Amazing Stories, Vol. 1, No. 1 (abril de 1926), p. 3.
  11. Kathia Natalie Gomes. (2005). "Ele dominou a fase áurea da FC". Scientific American Brasil: Exploradores do Futuro - Isaac Asimov (3): 37. Editora Duetto. ISSN 1808-6543.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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