Mecha

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Um mecha (メカ, meka?, abreviatura de mechanical, inglês para mecânico) é um robô gigante (geralmente bípede) controlado por um piloto ou controlador, comuns em algumas obras de ficção científica, mangá e anime[1]. Um mecha geralmente é uma máquina de guerra ou combate com pernas, cujos principais oponentes são monstros gigantes ou outros mechas. Geralmente são construídos em formato antropomórfico (de ser humano) ou de animais.

Existem diferentes sub-gêneros, com diferentes conotações de realismo. O conceito de Super Robot e Real Robot são dois exemplos encontrados em animes japoneses.[2]


O romance La Maison à vapeur (1880) de Júlio Verne apresentou um, elefante pilotado mecânico movido a vapor. Uma das primeiras aparições de tais máquinas na literatura moderna são os tripods no romance The War of the Worlds (1897), de H. G. Wells[3], na qual os marcianos pilotam naves trípedes similares a muitos mechas atuais. O livro Starship Troopers de Robert A. Heinlein mostra soldados das "infantaria móvel" usando exoesqueletos.[4]

O conceito de mecha está intimamente relacionado ao de exoesqueletos na ficção científica, que seriam estruturas vestidas por uma pessoa capazes de ampliar seus movimentos ou conferi-la mais força. A diferença é que um exoesqueleto é "vestido" pelo piloto (em volta do corpo e imitando seus movimentos), enquanto um mecha é pilotado por controles ou mentalmente.

O gênero mecha de anime[editar | editar código-fonte]

No contexto do anime, também se chama de mecha às produções em que mechas e seus pilotos são os principais personagens. Esse gênero também se tornou popular em séries de ficção científica japonesa, conhecidas como tokusatsu, e levou a produção de grandes linhas de brinquedos inspirados nos mechas.

O público-alvo desses animes são jovens e adultos do sexo masculino, mas há uma grande variedade de histórias sobre mecha abrangendo vários gêneros e estilos. Características comuns do gênero são o combate ao mal e os pilotos de idade adolescente.

O gênero iniciou-se com o mangá Tetsujin 28-go de Mitsuteru Yokoyama em 1956,[5], um robô controlado remotamente que foi animado em 1963.[6] O primeiro mecha pilotado por um usuário de dentro de um cockpit foi introduzido no mangá e anime de Mazinger Z por Go Nagai, publicado pela primeira vez em 1972.[7] De acordo com Go Nagai


Mazinger Z mostrava os primeiros robôs gigantes que foram "pilotados por meio de um pequeno carro voador e um centro de comando que encaixado dentro da cabeça."[7] Ele também foi um pioneiro em brinquedos de metal die-cast, como a série Chogokin no Japão e nos Shogun Warriors nos Estados Unidos, que eram (e ainda são) muito populares com crianças e colecionadores.


Considera-se que popularidade dos mecha, no entanto, começou com o surgimento da série Gundam em 1979, que deu origem a vários programas e séries animadas. A partir de Gundam surgem os Real Robots, em oposição aos anteriores, conhecidos como "Super Robots".[8]

Alguns mechas são capazes de se transformar (Macross, Zeta Gundam, Transformers) ou combinar para formar ainda maiores (Beast King GoLion e Tengen Toppa Gurren Lagann). Go Nagai também é creditado frequentemente como inventor do conceito em 1974 com a série de televisão Getter Robo.[8]


Algumas séries de mecha tornaram-se bastante populares por todo o mundo, como Super Sentai.[2]

Nem todos os mechas precisam ser completamente mecânicos. Alguns têm componentes biológicos interagindo com seus pilotos, e alguns são parcialmente biológicos, tais como Neon Genesis Evangelion, Eureka Seven, e Zoids.

Jogos[editar | editar código-fonte]

Vários jogos, tanto em videogames quanto em jogos de computador, contam com a presença de mechas. Considera-se que mechas sejam populares no âmbito dos jogos devido a suas características de força e poder.[9] Alguns jogos de tabuleiro, como Battletech, também giram em torno do universo dos mechas.[10]

Alguns dos principais jogos eletrônicos que incluem mechas são Zone of the Enders (para Playstation 2), Macross, MechWarrior, MechCommander e Earthsiege. Os jogos de RPG Xenogears, Front Mission e os jogos da série Xenosaga têm em suas histórias os mechas, fazendo com que estes jogos lembrem um pouco os animes.

Filmes[editar | editar código-fonte]

Alguns filmes, geralmente versões em longa-metragem de animes do gênero, lidam com mechas em sua história e os têm como personagens.

Os mechas também são citados (como meca) em Inteligência Artificial, um filme de Steven Spielberg, embora em outro contexto: a palavra meca é usada para descrever andróides, em oposição a seres orgânicos (orga).[11]

Mechas específicos na mídia[editar | editar código-fonte]

Aplicações reais[editar | editar código-fonte]

Estátua na cidade de Rotterdam

Apenas recentemente começamos a criar robôs com pernas com mobilidade razoável, e mesmo assim ainda se está muito longe para uma mobilidade equiparável a humana. Portanto, poucos testes sérios foram feitos no sentido de se criar um mecha real, e todos eles lentos ou desajeitados demais para uma aplicação prática eficiente. Portanto apenas a imaginação e suposições podem explicar se mechas são possíveis, em questão de vantagens e ao custo de uso.

Muitas pessoas acreditam que não, pois sempre haverá veículos mais específicos que serão mais baratos e executarão o trabalho igual ou melhor, como por exemplo mechas militares contra tanques e helicópteros, ou mechas de construção contra guindastes.

Porém, deve-se considerar as vantagens da mobilidade de um ser humano (ou uma aranha) contra a mobilidade de veículos de rodas. Um veículo terrestre com pernas certamente alcançaria áreas intransponíveis para outros veículos terrestres. Com isso permitiria a locomoção em áreas de difícil acesso a tanques, ou um movimento mais fácil na superfície pedregosa de Marte, por exemplo.

Além disso, a robótica já beneficia inúmeras áreas com o uso de braços mecânicos, e seu uso na área de construção permitiria um transporte e posicionamento de estruturas melhores do que a de um guindaste.

Tudo isso dependerá apenas de pesquisas futuras na área da robótica, barateamento de custos (materiais, componentes robóticos, etc...) , e de pesquisas e testes quanto a viabilidade de um veículo com pernas.

Atualmente há diversos veículos de pernas, ou braços, na maioria protótipos, que já possuem aplicações práticas:

  • T-52 Enryu: Nome traduzido "Dragão de resgate", é um veículo robótico devenvolvido por Tmsuk. O veículo possui 2 braços que copiam os movimentos dos braços do controlador. Seu propósito é abrir caminho de detritos para equipe de socorro.
  • Walking Harvester: Veículo criado pela Timberjack, subsidiária de John Deere. É um veículo cortador de lenha com seis pernas, construído para acessar terrenos em floresta intransponíveis a veículos de rodas ou esteiras.
  • Walking Truck: veículo quadrúpede criado pela General Eletric em 1968 para o exército americano.
  • Kuratas: veículo mecha comercializado pela Suidobashi Heavy Industry para entretenimento e mobilidade de baixa velocidade, com braços mobilizados e "armas" customizáveis.

Além disso, há diversos robôs atualmente que efetivamente usam pernas para se locomover. Apesar de não serem considerados "mechas", mostram a que nível está a viabilidade de se construir veículos locomovidos com pernas:

  • BigDog: Robô quadrúpede criado pela Boston Dynamics para carregar objetos da mesma forma que uma mula de carga. Promovido como o "robô mais avançado para terrenos difíceis da terra", ele atualmente chega a uma velocidade de 6.4 km/h, carrega até 150 kg,e escala terrenos difíceis de até 35 graus. Projeto foi fundado pela DARPA para criar robôs-mulas de carga para acompanhar soldados em terrenos difíceis e possui como colaboradoras entidades como a NASA e Universidade de Harvard.
  • Diversos robôs bípedes, como QRIO e ASIMO, são capazes de andar com dois pernas. O modelo atual ASIMO (2005) é capaz de até correr a 6 km/h reto e 5 km/h circulando (em um terreno plano).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Robin E. Brenner (2007). Understanding manga and anime Libraries Unlimited [S.l.] p. 300. 1591583322, 9781591583325. 
  2. a b A Historia Dos Super Robôs - Parte 1
  3. Travis S. Taylor, Bob Boan, R. Charles Anding (2006). An introduction to planetary defense: a study of modern warfare applied to extra-terrestrial invasion Universal-Publishers [S.l.] p. 102. 1581124473, 9781581124477. 
  4. Takamuyuki Tatsumi (2014). «Gundam and the future of japanoid art». Mechademia 3: Limits of the Human Univ. of Minnesota Press [S.l.] p. 192. ISBN 9781452914176. 
  5. Anne Allison. Millennial monsters: Japanese toys and the global imagination University of California Press [S.l.] p. 104. 0520245652, 9780520245655. 
  6. Sérgio Peixoto. (2002). "A história dos robõs". Anime EX Special (10). Editora Trama.
  7. a b Mark Gilson, "A Brief History of Japanese Robophilia", Leonardo 31 (5), p. 367–369 [368].
  8. a b Arnaldo Massato Oka. . "Super-Robôs". Henshin Especial (5). Editora JBC. ISSN 1518-3785.
  9. A Historia Dos Super Robôs - Parte 2
  10. Dragão Brasil #43, outubro de 1998
  11. Roger Ebert (2003). Roger Ebert's Movie Yearbook 2004 Andrews McMeel Publishing [S.l.] p. 9. 0740738348, 9780740738340. 
  12. Ollie Barder (10/12/2015). «Shoji Kawamori, The Creator Hollywood Copies But Never Credits». Forbes. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Mecha


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