Space opera

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Capa da Space Science Fiction Magazine (primavera de 1957), com uma ambientação dramática comum em space operas.

Space opera (também referida como ópera espacial[1] ) é um sub-gênero da ficção especulativa ou ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. O termo não tem nenhuma relação com a música, mas em vez disso é uma brincadeira com o termo "horse opera,, que foi cunhado durante o auge do cinema mudo para indicar clichês e fórmulas de filmes de faroestes. O gênero se tornou muito popular a partir dos anos 1960 e 1970, graças a franquias como Star Trek, Perry Rhodan e Star Wars.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Primeira publicação de Skylark Three, Amazing Stories, agosto de 1930
Contracapa da revista Galaxy # 1, Outubro de 1950

Em 1941, Wilson Tucker cunhou o termo em um artigo publicado em um fanzine e definiu "space opera" como todo tipo de ficção científica aventuresca meio esgotada e eivada de clichês. Um pouco antes, o termo "horse opera", já vinha sendo usado para definir filmes de faroestes.[3] Uma ternura nostálgica pelos melhores exemplares do gênero de história que produziu "space operas" em seu sentido original, levou a uma reavaliação do termo. Ele é agora comumente usado para significar um conto de aventura espacial cuja ênfase está em personagens ousadamente delineados, drama e especialmente, ação. Criadores das primeiras "space operas" neste segundo sentido foram E. E. Smith, com suas séries Skylark e Lensman;[4] Edmond Hamilton; Jack Williamson; e posteriormente Leigh Brackett, conhecida como "A rainha da space opera".[5]

Os primeiros escritores de "space opera" não tinham, de facto, modelos reais ou experiência de vida com o espaço para se inspirar. Suas primeiras histórias, portanto, devem muito às narrativas de aventura existentes e a ficção pulp dos anos 1920-1940; marcadamente, histórias da fronteira do Velho Oeste norte-americano, e histórias com cenários exóticos, como a África e o Oriente. Existiam freqüentemente paralelos entre veleiros e espaçonaves, entre exploradores da África e exploradores espaciais, entre piratas e piratas espaciais.

A revista Galaxy tinha um anúncio em sua quarta capa que dizia, "You'll never see it in Galaxy" ("Você não encontrará isso na Galaxy"), o qual marcou os primórdios de histórias fantásticas que traçavam um paralelo entre o faroeste e as histórias de FC, apresentando um personagem chamado Bat Durston.[6]

Características[editar | editar código-fonte]

Uma "space opera" geralmente se situa no espaço exterior ou num planeta distante. Em muitos casos, para manter a história num passo acelerado, uma espaçonave pode voar distâncias quase ilimitadas num curto espaço de tempo e pode mudar de rumo com imensa facilidade, sem a tediosa necessidade da desaceleração. Os planetas geralmente possuem atmosferas similares à da Terra (a Lua da Terra é uma exceção) e formas de vida exóticas. Os alienígenas geralmente falam inglês, algumas vezes com sotaque. As máquinas em "space operas" frequentemente incluem (além das espaçonaves), armas de raios, robôs e carros voadores.

O plano de fundo de uma "space opera" pode variar consideravelmente em plausibilidade científica. A maioria das "space operas" violam convenientemente as leis conhecidas da física postulando algum tipo de viagem-mais-rápida-que-a-luz. Muitas "space operas" divergem ainda mais da realidade física conhecida, e não raramente invocam forças paranormais, ou vastos poderes capazes de destruir planetas, estrelas e galáxias inteiras.

A profundidade do desenvolvimento de personagens e as descrições podem também variar nas "space operas". Lois McMaster Bujold e Iain M. Banks escrevem "space operas" com um grande quinhão de interesse humano. Alguns críticos e fãs se recusam a usar o termo 'space opera' para um trabalho com caracterização bem desenvolvida. Ambos os lados deste debate têm sido detalhados num fórum da Usenet, em rec.arts.sf.written.

Definições por contraste[editar | editar código-fonte]

Revista Planet Stories n. 1, 1939, Fiction House.

"Space opera" e romance planetário[editar | editar código-fonte]

Alguns críticos diferenciam entre "space opera" e romances planetários. Onde a "space opera" se desenvolve tanto do faroeste quanto das tradições das aventuras no mar, o romance planetário se desenvolve a partir da tradição do mundo ou civilizações perdidas. Ambos apresentam aventuras em cenários exóticos, mas a "space opera" enfatiza a viagem espacial, enquanto os romances planetários se concentram nos mundos alienígenas. Sob este aspecto, os cenários marcianos, venusianos e lunares das histórias de Edgar Rice Burroughs seriam romances planetários (e dos mais antigos), bem como as histórias com Eric John Stark, de Leigh Brackett, sob influência de Burroughs e inicialmente passadas em Marte. Em anos recentes, obras como a série Majipoor de Robert Silverberg tem feito com que o romance planetário tenha se aproximado mais da fantasia do que da ficção científica.

FC Hard e "space opera"[editar | editar código-fonte]

"Space opera" também pode ser colocada em contraste com a "ficção científica Hard", na qual a ênfase está nos efeitos do progresso tecnológico e das invenções, e onde os cenários são cuidadosamente trabalhados para obedecer as leis da ciência. Não há, todavia (de acordo com alguns), uma divisão clara entre a FC "hard" e a verdadeira "space opera". Alguns exemplos são vistos nos trabalhos de Alastair Reynolds.

"Space opera" e FC militar[editar | editar código-fonte]

Um sub-conjunto da "space opera" se sobrepõe à Ficção científica militar, concentrando-se em batalhas espaciais em larga escala com armas futurísticas (exemplo: o romance Tropas Estelares de Robert A. Heinlein). Em tais histórias, o tom militar e a tecnologia do sistema de armas podem ser levados muito a sério. Em um extremo, o gênero é usado para especular sobre guerras futuras envolvendo viagens espaciais, ou os efeitos de tais guerras; em outro, consiste no uso de tramas de ficção militares com alguns adereços superficiais de FC.[7]

O termo "military space opera" é por vezes utilizado para designar este subgênero, como usado por exemplo pela crítica de Sylvia Kelso ao descrever Vorkosigan Saga de Lois McMaster Bujold.[8]

A distinção chave entre space opera e ficção científica militar é que os principais personagens de uma space opera não são militares, mas civis ou paramilitares. Na Ficção científica militar também necessariamente nem sempre incluem o espaço sideral ou a configuração multi-planetária como na space opera.

A nova "space opera"[editar | editar código-fonte]

Começando com The Centauri Device de M. John Harrison em 1975 e seguindo um editorial de 'chamado às armas' na Interzone, certo número de escritores, principalmente britânicos, começaram a reinventar a "space opera". Esta nova "space opera", evoluiu por volta da mesma época que o cyberpunk emergiu e foi influenciada por ele, é muito mais sombria, afasta-se do padrão de 'triunfo da humanidade' da "space opera", envolve tecnologias mais novas e tem uma caracterização mais forte do que a antiga "space opera". Ela o faz, embora conserve a escala interestelar e a grandeza da "space opera" tradicional. A nova "space opera" é, em conseqüência, cientificamente rigosora enquanto ambiciosa em escopo. Entre os praticantes da nova "space opera" estão Iain M. Banks, Alastair Reynolds, Stephen Baxter, Paul McAuley, John Clute, Charles Stross, M. John Harrison, John C. Wright e Ken MacLeod.

Paródias[editar | editar código-fonte]

Em sua história de 1965 Space Opera, Jack Vance parodia o gênero escrevendo sobre uma companhia operística interestelar que leva cultura para mundos desprovidos dela. Harry Harrison e Douglas Adams também parodiaram clichês da "space opera", por exemplo no "The Hitchhiker's Guide to the Galaxy": "...homens eram homens de verdade, mulheres eram mulheres de verdade, e pequenas criaturas peludas de Alpha Centauri eram pequenas criaturas peludas de Alpha Centauri."

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Literatura
Antologias e coleções
  • Space Opera, editada por Brian Aldiss (1974)
  • The Space Opera Renaissance (2006) por David G. Hartwell e Kathryn Cramer
  • The New Space Opera por Gardner Dozois e Jonathan Strahan (2007)
  • The New Space Opera 2 por Gardner Dozois and Jonathan Strahan (2009)
  • Space Opera - Odisseias Fantasticas Além da Fronteira Final (2011) por Hugo Vera e Larissa Caruso
  • Space Opera - Jornadas Inimagináveis em uma Galáxia não Muito Distante (2012) por Hugo Vera e Larissa Caruso
  • Space Opera: Aventuras fabulosas por universos extraordinários (2015) por Hugo Vera e Larissa Caruso
Cinema e televisão

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ebert, Roger. Grandes Filmes. [S.l.]: Ediouro Publicações. ISBN 8500017651, 9788500017650
  2. CAUSO, Roberto de Sousa. Space Opera - A alma de um mundo. Editora Draco, 2012. ISBN 9788509991784
  3. Gary Westfahl. Space and Beyond: The Frontier Theme in Science Fiction. [S.l.]: Greenwood Publishing Group, 2000. 35 e 36 p. 9780313308468
  4. Robert Sabella. Who Shaped Science Fiction?. Kroshka Books, 2000. 22 p. ISBN 9781560725206
  5. Mark Bould, Andrew M. Butler, Adam Roberts, Sherryl Vint, Fifty Key Figures in Science Fiction, Routledge, 31 luglio 2009, 37 p., ISBN 978-0-203-87470-7.
  6. Kathryn Cramer e David G. Hartwell. The Space Opera Renaissance. [S.l.]: Macmillan, 2007. 9781466808256
  7. Erik Drake (02/07/2011). [3:16 Carnificina Entre as Estrelas (resenha) 3:16 Carnificina Entre as Estrelas (resenha)] Rede RPG.
  8. Hartwell e Cramer 2006, Introdução, 251 p.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CAUSO, Roberto de Sousa. Ficção científica, fantasia e horror no Brasil: 1875 a 1950. Editora UFMG, Belo Horizonte (MG), 2003.
  • LANGFORD, Dave. Fun With Senseless Violence in "The Silence of the Langford". NESFA Press, Massachusetts, EUA, 1996. ISBN 0-91536-862-5
  • Locus, Agosto de 2003: Seção especial sobre "The New Space Opera." Artigos por Russell Letson & Gary K. Wolfe, Ken MacLeod, Paul McAuley, Gwyneth Jones, M. John Harrison e Stephen Baxter.
  • SCHOEREDER, Gilberto. Ficção científica. Coleção Mundos da Ficção Científica #39, Livraria Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1986.
  • TAVARES, Bráulio. O que é ficção científica. Coleção Primeiros Passos #169, Editora Brasiliense, São Paulo (SP), 1986.
  • JAMES, Edward & MENDLESOHN, Farah, eds. The Cambridge Companion to Science Fiction. Série "Cambridge Companions to Literature". Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-52181-626-2

Ligações externas[editar | editar código-fonte]