Super-herói

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Captain Future, super-herói da editora Nedor

Um super-herói é um personagem fictício "sem precedentes das proezas físicas dedicadas aos atos em prol do interesse público". Desde a estreia do super-herói Superman em 1938, histórias de gênero, variando de aventuras solo, breves episódios contínos e sagas de grupos com vários personagens, os quadrinhos americanos têm dominado o segmento em revistas e outros meios de comunicação social. As personagens femininas são conhecidas como super-heroínas. A salientar que personagens não têm necessidade de ter superpoderes para serem considerados super-heróis.

Will Eisner, famoso autor de The Spirit, herói mascarado sem superpoderes, ao explicar porque não queria que o personagem fosse super-herói alegou que o conceito era negativo a medida que fora divulgado por Hitler em seu livro Mein Kampf, publicado nos Estados Unidos em 1935. Ele disse

O objetivo dos super-heróis é, geralmente, a defesa do bem, da paz, o combate ao crime, tomando para si a responsabilidade de ser protagonista na luta do bem contra o mal. No entanto, um super-herói também pode ser um personagem real ou fictício que inspira qualquer pessoa a agir melhor.

Primeira aparição[editar | editar código-fonte]

Robin Hood
Revistas pulps foram algumas das inspirações para o surgimento dos super-heróis

Os contos mitológicos e lendárias geralmente retratam os personagens com feitos sobre-humanos: é o caso de alguns deuses ou semideuses como Hércules na mitologia grega-romana, ou Thor da mitologia germânica, que também seriam adaptados como personagens de quadrinhos. O vigilantismo é também um arquétipo das contas lendárias e populares através de personagens conhecidos, como Robin Hood.[2]

O primeiro registro de um herói fantasiado foi na peça de teatro Pimpinela Escarlate (1903). No final do século XIX e início do século XX, os penny dreadfuls, dime novels, revistas pulp, os programas de rádio[3] e os seriados cinematográficos começaram a introduzir personagens como Dr. Syn (1915), [4] Zorro (1919), O Sombra (1930), Lone Ranger (1933), Green Hornet (1936). Todos tendo em comum o altruísmo, os uniformes e as identidades secretas.

Heróis com habilidades acima da média também começavam a aparecer durante esse mesmo período, só que como um elemento dentro de obras de ficção.

Alguns exemplos são John Carter e Tarzan de Edgar Rice Burroughs (1912), Patoruzú de Dante Quinterno (1928), Popeye de E. C. Segar (1929), Hugo Danner, criado por Philip Wylie em 1930 (do livro Gladiator de 1930), 1º personagem geneticamente modificado, usado na série Young All-Stars como pai do super-herói Iron Munro graças ao domínio público), Shadow (1931), Doc Savage (1933) e Spider (1933), no Japão, personagens dos kamishibais, uma espécie de teatro de papel, como Ōgon Bat e Princípe Gamma (em japonês: ガンマ王子), já apresentavam uniformes e superpoderes no início da década de 1930.[5]

Hugo Hercules

O primeiro personagem extremamente forte a aparecer em uma tira de quadrinhos foi Hugo Hercules (1902) do cartunista William HD Koerner, publicado por cinco meses no jornal Chicago Tribune. Tarzan só ganharia uma tira de jornal em 1928.[6]

O Fantasma, um dos primeiros heróis mascarados das histórias em quadrinhos

Outros personagens que forneceram elementos para os super-heróis foram os heróis espaciais Buck Rogers (outro personagem surgido em um pulp e adaptado para as tiras) e Flash Gordon, lançados respectivamente em 1929 e 1934.[7]

Em 1936, são lançados os primeiros heróis mascarados das histórias em quadrinhos: O Fantasma, criado por Lee Falk e publicado em uma tira diária lançada em 17 de fevereiro de 1936[8] e The Clock, criado por George Brenner e publicado pela primeira vez em Funny Pages #6 (Novembro de 1936) da editora Centaur Publications.[9]

Superman e a Era de Ouro[editar | editar código-fonte]

O megalomaníaco Bill Dunn foi o primeiro "Superman" criado por Siegel e Shuster.
Adolf Hitler apanhando de super-heróis

Em 1933, Jerry Siegel publica o conto de ficção científica The Reign of the Superman na terceira edição do fanzine Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, ilustrada por Joe Shuster , a história era protagonizado por um ser humano que havia adquirido superpoderes após entrar em contato com uma rocha extraterrestre e usou a alcunha de Superman. No ano seguinte, o Superman foi remodelado como um herói para as tiras de jornal. A dupla tentou negocia-lo para publicar em jornais e em revistas em quadrinhos, porém, não conseguiram, em 1935, começaram a trabalhar na revista New Fun da National Allied Publications, editora que daria origem a DC Comics.[10]

Em junho de 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster introduziram o Superman na primeira edição da revista Action Comics da National Allied Publications, - a publicação marca o início da "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas.[11] O personagem possuía muitas das características que vieram a definir o super-herói: uma identidade secreta, poderes sobre-humanos e um traje colorido incluindo um símbolo e capa. Os primeiros heróis dos quadrinhos foram, por vezes, também chamado de homens misteriosos ou heróis mascarados.

A "Era de Ouro" compreenderia o material produzido entre o final da década de 1930 e o final da década seguinte, aproximadamente. Alguns dos mais conhecidos super-heróis foram criados nesse período — além de Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão Marvel e Capitão América. Posteriormente, as revistas tornaram-se um divertimento barato, quase descartável, que se tornaria bastante popular entre a população, particularmente com as tropas durante a Segunda Guerra Mundial[12] .

Durante a Segunda Guerra Mundial, os super-heróis se tornaram ainda mais populares, sobrevivendo ao racionamento de papel e a perda de vários talentosos ilustradores que serviram nas forças armadas. A busca de histórias simples de vitórias do bem sobre o mal que poderiam levar a consular ou parcialmente esquecer os horrores da guerra e do momento em que pode explicar a popularidade dos super-heróis em tempo de guerra. Nesta pesquisa dos leitores, os criadores dos quadrinhos responderam com histórias em que os super-heróis de combate as forças do Eixo e introduziram alguns heróis inspirados em temas patrióticos, incluindo o Capitão América da Timely Comics, que, juntamente com o Tocha Humana e Namor, mais de uma vez salvaram o mundo da ameaça do nazismo.[13] .

Após a guerra, os super-heróis perderam popularidade. Um fator foi uma cruzada moral que foi considerada prejudicial para os quadrinhos, que foram acusados de incitar a delinquência juvenil. O movimento foi liderado pelo Dr. Fredric Wertham , que, no livro "Seduction of the Innocent" ( Sedução do Inocente ). Em resposta várias editoras adotaram o Comics Code Authority, um sistema de auto-censura.[14] . Alguns pesquisadores chamam esse período de interregno ou "Era atômica" (1946-1955).[15]

Era de Prata[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Era de Prata da banda desenhada
Revistas da Marvel Comics lançadas nos anos 60.

Em 1956 a DC Comics lançou uma nova versão do Flash, que foi um sucesso imediato. Isso levou a empresa a reviver outros super-heróis como Gavião Negro e Lanterna Verde, que ganharam um enfoque mais próximo da ficção científica - e lançar a equipe de super-heróis da Liga da Justiça da América, o que teria reavivado as glórias do primeiro supergrupo da editora, a Sociedade da Justiça da América. Proponente principal desta renovação foi o editor Julius Schwartz, que teve a ideia de reformular os personagens de histórias em quadrinhos dos anos quarenta e cinquenta[16] . Como principais colaboradores estiveram Gardner Fox, Joe Orlando, John Broome, Curt Swan, Joe Kubert e Carmine Infantino, todos símbolos desse período que ficou conhecido como Era de Prata dos Quadrinhos.

Com o retorno do super-herói da DC, Stan Lee editor da concorrente Atlas Comics (anteriormente conhecida como Timely) de Martin Goodman, e artistas/coautores Jack Kirby e Steve Ditko e outros ilustradores lançaram uma nova linha de super-heróis (a Atlas passou a usar o nome Marvel Comics), começando com o Quarteto Fantástico, equipe criada em 1961 para competir com a Liga da Justiça. Contudo, as novas aventuras enfatizavam conflitos pessoais para o desenvolvimento do caráter, mas também com muita ação e aventura. Esta nova forma de entender os super-heróis teve como consequência que muitos deles diferiam muito dos padrões criados em 1940[17] . Alguns exemplos:

  • O Coisa, um membro do Quarteto Fantástico, é uma criatura muito forte mas monstruosa, com a pele semelhante à rocha e sua aparência muitas vezes o levou a autopiedade.
  • O Homem-Aranha era um jovem que muitas vezes fora forçado a cuidar de si mesmo para sobreviver e manter sua vida social.
  • Hulk viveu como sua alter ego Bruce Banner à maneira de Dr. Jekyll e Mr. Hyde e estava propenso a explosões de raiva com consequências extremas.
  • Os X-Men são mutantes com poderes adquiridos por mudanças genéticas, odiados e temidos pela sociedade.

Em outros países[editar | editar código-fonte]

Kamen Rider

Houve obras de super-heróis de sucesso em outros países a maioria dos quais compartilham as convenções do modelo americano.

Ultraman, Kamen Rider, Super Sentai (a base para Power Rangers), Metal Hero e Kikaider tornaram-se populares em séries japonesas live-action conhecidas como tokusatsus.[18]

Em 1947, o roteirista e desenhista filipino Mars Ravelo introduziu a primeira super-heroína do país, Darna, uma que encontrou um talismã místico de outro planeta que lhe permite se transformar em um mulher guerreira adulta.[19]

Paródias[editar | editar código-fonte]

Super Mouse.

Em 1940 já havia paródias do gênero como Super Mouse.[20] Em 1969, a Mondadori, editora que publicava quadrinhos da Disney na Itália, Pato Donald ganhou outra identidade como Superpato, inicialmente, inspirado em Diabolik, um ladrão dos quadrinhos italianos, anos depois, o Superpato passou a ser retratado como um super-herói.[21] Nos Estados Unidos, Pateta também foi dotado de uma identidade como um super-herói, o Superpateta, adquirindo poderes semelhantes aos de Superman ou Marvelman ao comer um tipo especial de amendoim.

Marcas registradas[editar | editar código-fonte]

Nos EUA, apesar de genericamente utilizado no termo popular, o termo Super Hero e Super Heroes são marcas registradas somente aos personagens da DC Comics e Marvel (U.S. Trademark Serial Nos. 72243225 and 73222079). Outras companhias tem utilizado termos como Superhero ou super-hero (com hífen). America's Best Comics, originalmente parte do selo Wildstorm, usou o termo science hero, cunhado por Alan Moore.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Trecho transcrito de artigo publicado na revista Gibi Especial (4) - Agosto de 1975 - Rio Gráfica e Editora S/A - Rio de Janeiro - Brasil
  2. Packer, Sharon (2009). Superheroes and Superegos: Analyzing the Minds Behind the Masks. Greenwood Publishing Group. 52 p. ISBN 978-0313355363.
  3. M. Thomas Inge e Dennis Hall. The Greenwood guide to American popular culture: Pulps and dime novels through Young adult fiction, Volume 3. [S.l.]: Greenwood Press, 2002. 9780313323706
  4. The Masked Rider
  5. Bradner, Liesl (29 de Novembro de 2009). "The superheroes of Japan who predated Superman and Batman". Los Angeles Times.
  6. Sérgio Codespoti (10 de julho de 2014). «Pesquisar quadrinhos: uma tarefa ingrata e desanimadora». Universo HQ. 
  7. Doug Murray, "Birth of a Legend", in Alex Raymond and Don Moore, Flash Gordon : On the Planet Mongo: Sundays 1934-37. London : Titan Books, 2012.ISBN 9780857681546 (10-15 p.)
  8. Otacílio Costa d'Assunção Barros (2015). «O super-herói da selca». O Fantasma - O Tesouro do Fantasma Ediouro [S.l.] ISBN 9788577487356. 
  9. Charles Hatfield, Jeet Heer e Kent Worcester (2013). The Superhero Reader Univ. Press of Mississippi [S.l.] p. 11. 9781617038068. 
  10. Gerard Jones. Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. [S.l.]: Conrad Editora, 2006. 85-7616-160-5
  11. (Julho 2012) "A cronologia dos super-heróis". Super Interessante (306a).
  12. John Strausbaugh (14 de dezembro de 2003). «ART; 60's Comics: Gloomy, Seedy, and Superior». The New York Times (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2014. 
  13. Jeet Heer,Kent Worcester (2009). A comics studies reader Univ. Press of Mississippi [S.l.] p. 89. ISBN 1604731095, ISBN 9781604731095. 
  14. Marcus Ramone (07/01/2015). «Que Era que era?». Universo HQ. 
  15. George Kovacs, C. W. Marshall (2011). Classics and Comics Oxford University Press [S.l.] p. 10. 9780199792368. 
  16. James Pethokoukis (26 de fevereiro de 2004). «Flash Facts». U.S. News and World Report (em inglês). Consultado em 5 de outubro de 2011. 
  17. Stan Lee, Origins of Marvel Comics (Simon and Schuster/Fireside Books, 1974), p. 16
  18. A Historia Dos Super Robôs
  19. O maravilhoso mundo dos quadrinhos filipinos (parte I)
  20. Supermouse terá longa de animação
  21. Abril lança novo Superpato
  22. «"Super Hero"? Só na Marvel e na DC!». 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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