Adventure Comics

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Adventure Comics
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Editora BR DC Comics
Publicação
Formato de publicação Série semanal
Qte. de edições 1ª versão (1938-1983): 503
2ª versão (2009-2011): 27
Personagens Superman

Adventure Comics é uma revista de histórias em quadrinhos publicada pela editora americana DC Comics. Entre 1935 e 1983 foram publicadas suas primeiras 503 edições, responsáveis por introduzir diversos personagens clássicos da editora[1]. Voltou[2] a ser publicada em agosto de 2009, inicialmente a partir de uma nova[3] primeira edição, e, desde julho ano seguinte, dando continuidade à numeração original.[4]

História[editar | editar código-fonte]

1934-1938: Antecedentes e contexto inicial[editar | editar código-fonte]

Mais informações: História da DC Comics
Início: New Comics e New Adventure Comics
Capa da 1ª edição (dezembro de 1935), por Vin Sullivan
Capa da 12ª ediçao (janeiro de 1937), por Whitney Ellsworth
Publicada originalmente em dezembro de 1935, com o título de New Comics, a revista mudou de nome cerca de um ano depois, quando a 12ª edição foi publicada em janeiro de 1937 sob o novo título New Adventure Comics. Progressivamente, as histórias humorísticas perderiam espaço para as histórias de aventura.

O major Malcolm Wheeler-Nicholson, um ex-militar e um entusiasta de histórias pulp, fundaria entre meados de 1934 e início de 1935 a "National Allied Publications", uma editora dedicada à publicação de histórias em quadrinhos. À época, o formato "revista em quadrinhos" ainda não havia sido sequer inventado - as publicações da época tratavam-se, na formato, de meras republicações de tiras em quadrinhos de jornais da época. Com um orçamento limitado, Wheeler-Nicholson não podia arcar com os custos de licenciamento do material produzido nos jornais, e, por isso, contrataria autores independentes para produzir material inédito para New Fun, a revista que lançou em fevereiro de 1935[5]

À época, Whitney Ellsworth e Vin Sullivan acumulavam as funções de editores, roteiristas e desenhistas nas histórias da editora, e jovens com pouca ou nenhuma experiência no mercadado literário, como Jerry Siegel e Joe Shuster eram contratrados para produzir material inédito sob encomenda[6]. Em dezembro de 1935, a National lançou sua segunda série mensal, sob o título New Comics. Tal qual a revista em formato tabloide New Fun, a revista se dedicava à publicação de histórias cômicas e de aventura[7].

O conceito de "super-herói" ainda não havia sido sequer concebido, e as histórias eram protagonizadas inicialmente por personagens de caráter humorístico[5]. Para a segunda edição, entretanto, Siegel e Shuster foram convidados a elaborar uma história que apresentasse uma versão ficcionalizada dos casos enfretados pelo FBI, uma então recente organização governamental a atuar nos Estados Unidos com considerável popularidade. Nos meses seguintes, a série se tornaria uma das mais populares da revista, e em dezembro de 1936, a editora já planejada expandir sua linha de publicações, anunciando para aquele mês uma terceira revista, intitulada Detective Comics, mas dificuldades financeiras e atrasos editoriais impediriam o lançamento[6].

Em sua décima-segunda edição, publicada em janeiro de 1937, o título foi alterado para New Adventure Comics e assim seguiria até novembro de 1938, quando seu título foi novamente alterado. Nesse ínterim, Wheeler-Nicholson, visando quitar um débito com Harry Donenfeld, um dos donos da distribuidora de revistas Independent News, tornou-se sócio de Jack Liebowitz, contador de Donenfeld, formando a empresa "Detective Comics". A fusão com a Independent possibilitou o lançamento, em março de 1937, de Detective Comics e a continuidade de dois títulos publicados até então pela National[7].

1938-c.1950: "Era de Ouro" dos super-heróis[editar | editar código-fonte]

Adventure Comics e os super-heróis
Capa da 32ª edição (novembro de 1938), por Creig Flessel
Capa da 40ª ediçao (julho de 1939), também por Flessel
A 32ª edição, publicada em novembro de 1938, foi a primeira a apresentar o título definitivo da revista, Adventure Comics. Cada vez mais uma revista dedicada à histórias do gênero "aventura", e menos humorística, as histórias da revista seriam influenciadas pela popularização dos "super-heróis", e logo este gênero também seria incorporado à revista. Na 40ª edição, surgiria "Sandman".

No início de 1938, Donenfeld assumiu o controle da editora e foi sob a sua gestão que fora lançado aquele que se tornaria a mais emblemática série da editora - Action Comics, responsável por lançar em sua primeira edição o personagem Superman.[7]. Superman se tornaria um personagem consideravelmente popular nos anos seguintes, representando um acréscimo sem precedentes nas vendas da editora. Nos meses seguintes ao lançamento da nova revista, influenciada pelo sucesso do personagem, a editora passaria a expandir o seu rol de super-heróis, e em Adventure Comics surgiriam parte desses personagens[8]. O primeiro super-herói a ser incluído na revista foi "Sandman", criado por Gardner Fox e Bert Christman[9].

Ken Fitch e Bernard Baily foram responsáveis pela criação de Rex Tyler, o primeiro herói a adotar a alcunha de "Homem-Hora", em uma história publicada na 48a edição da revista. Na 61a edição, surgiria pela mãos do roteirista Gardner Fox e do desenhista Jack Burnley, Ted Knight, o primeiro "Starman". Ambos os personagens fariam posteriormente parte da Sociedade da Justiça da América, a primeira "super-equipe" da editora[8].

No início de 1942, Joe Simon e Jack Kirby, dois autores muito populares da Timely Comics, que havia desenvolvido para aquela editora o popular "Capitão América", foram contratados pela DC Comics, e começaram a trabalhar em Adventure Comics a partir da 72ª edição, publicada em março daquele ano, assumindo as aventuras de Sandman. Na edição seguinte, assumiriam mais um espaço na revista, com a introdução de um personagem inédito, o "Caçador" - mas, como já havia um personagem com esse nome na revista, criado por outros autores, a editora decidiria meses depois integrar ambas as histórias. Apesar dos percalços, Simon e Kirby atrairiam um considerável público para a revista durante o período de dois anos em que trabalhariam juntos, até que Kirby foi convocado para servir na Segunda Guerra Mundial[10].

A guerra causaria um significativo impacto na editora. Durante o conflito, haviam muitas dificuldades em se adquirir papel, e muitas revistas tiveram que ter sua quantidade de páginas por edição reduzidas. Adventure Comics foi atingida de forma diferente: a revista teve sua periodicidade alterada em 1943[11]. No ano seguinte, a revista acabaria sendo também atingida pela necessidade de ter o número de páginas reduzido[12]. Após o fim da guerra, a editora decidiria reformular sua linha de revistas. A revista New Fun, à época sob o título de More Fun Comics, passou a partir de março de 1946 a apresentar apenas histórias de cunho humorístico, como em seus primórdios. Como resultado, os super-heroís cujas histórias eram publicadas naquela revista precisavam ser "realocados" para uma publicação diferente, e assim, Arqueiro Verde, Aquaman, Johnny Quick e "Superboy" - uma versão adolescente de Superman - passariam a ter suas histórias publicadas em Adventure Comics a partir da 103ª edição[13].

As aventuras de "Superboy" eram as mais populares da revista, e apresentavam um caráter leve e familiar típico do período. Sem extravagâncias narrativas, as histórias apresentavam um foco na vida do jovem Clark Kent ao lado de seus pais em Smallville[14]. A popularidade dos quadrinhos de super-herói diminuiria consideravelmente a partir do final da década de 1940, e nos primeiros anos da década de 1950 a só se agravaria. Pouquíssimos super-heróis continuariam tendo suas histórias publicadas pela DC Comics. Além de Batman e Superman, que estrelavam revistas próprias, e da Mulher-Maravilha, que também tinha histórias publicadas no período, as aventuras de Aquaman, Superboy e Arqueiro Verde publicadas em Adventure Comics eram uma exceção num período cada vez menos propício para o gênero[15][16]

Em 1951, num de seus primeiros trabalhos como artista profissional, Ramona Fradon começaria a trabalhar na revista, ilustrando as histórias de Aquaman. À época, Fradon era uma das únicas mulheres a trabalhar com quadrinhos, mas seu traço diferenciado logo a colocariam em uma posição de destaque. Ao lado de escritores como Otto Binder, Robert Bernstein e Jack Miller, ela produziria uma série de histórias inventivas com o personagem, que, embora não alcançassem a projeção dos outros super-heróis publicados à época, ao menos manteriam Aquaman suficientemente relevante para não ter sua publicação suspensa, como ocorreria com dezenas de outros personagens[15].

1958-1970: "Era de Prata" e a "Legião dos Super-Heróis"[editar | editar código-fonte]

Adventure Comics #247, de 1958, apresentou a primeira história da Legião dos Super-Heróis, grupo de personagens que se tornaria muito popular na revista até seu cancelamento em 1983.

No início da década de 1950, a já decrescente popularidade das histórias em quadrinhos sofreria um novo golpe. As críticas do psiquiatra alemão Fredric Wertham, que protestava contra os efeitos nocivos que as imagens violentas na mídia de massa e revistas em quadrinhos causavam sobre o desenvolvimento das crianças, atingiriam seu ápice com a publicação do livro Seduction of the Innocent, em 1954. As críticas de Wertham ajudaram a desencadear um inquérito no Congresso dos Estados Unidos sobre a indústria dos quadrinhos, para investigar uma possível relação entre o consumo dessa forma de entretenimento e o aumento da criminalidade juvenil. Logo acabaria sendo criado o Comics Code Authority, um órgão cujo "código de conduta" regulava a publicação dos quadrinhos através do fornecimento de um selo de permissão para a publicação - uma forma de censura autoimposta pela indústria como forma de se adequar aos questionamentos.[17][18] Vistas em retrospecto, as histórias desse período são consideradas como pouco significativas - estudiosos chegam a apontá-la como uma "década perdida" para os quadrinhos de Superman, ao menos em seus primeiros anos[19].

A indústria das histórias em quadrinhos começaria a se reinventar a partir de 1956. Apesar do início da década de 1950 ser geralmente ignorado por estudiosos, o término preciso da "Era de Ouro" é motivo de debate, mas considera-se geralmente como marco inicial da "Era de Prata a publicação" da revista Showcase Comics #4, lançada pela DC em 1956. Naquela edição apresentou-se uma nova versão, modernizada, do personagem The Flash — o primeiro de muitos personagens a serem repaginados pela editora nos anos seguintes sob o comando do editor Julius Schwartz[20].

Em 1958, foi publicada aquela que é considerada a mais emblemática edição de toda a história da revista - a edição 247, que marcou o surgimento da Legião dos Super-Heróis.[21] Nesse mesmo ano, Ed Herron e Jack Kirby seriam convidados pela editora para reformular o personagem "Arqueiro Verde". De forma similar ao que fora realizado antes com Flash, Lanterna Verde e Átomo, o super-herói seria apresentado numa versão modernizada, mas, diferentemente destes, não seria um personagem distinto que manteria apenas o mesmo nome da versão clássica, mas o mesmo personagem - Oliver Queen - apresentado com uma história de origem drasticamente diferente: inicialmente, o personagem fora concebido como um arqueólogo que trabalhava como curador de um museu e era especializado nas culturas indígenas da América, mas a história de Herron e Kirby o apresentariam como um milionário que, após se ver preso numa ilha deserta, desenvolveria uma grande habilidade como arqueiro, e que após retornar à civilização, decidiria utilizar as habilidades adquiridas como combatente do crime[22]. Kirby contribuiria com um total de onze histórias curtas protagonizadas pelo personagem e seu sidekick Roy Harper, o "Speedy"[16].

Em 1959, seria a vez de Aquaman passar por uma reformulação. Similarmente ao que ocorrera com o Arqueiro Verde no ano anterior, o personagem manteria a mesma identidade, mas teria uma origem alterada. Aquaman era, em sua identidade secreta, "Arthur Curry", filho de um humano que trabalhava num farol, e de uma princesa atlante, de quem herdara habilidades sobre-humanas, e que se tornava o rei do reino submarino da Atlântida[15]. Em 1961, em Adventure Comics #269, numa história produzida por Robert Bernstein e ilustrada por Ramona Fradon, seria apresentado "Aqualad", o sidekick de Aquaman, e mais detalhes[23]. A popularidade das histórias do personagem o levariam, a partir de 1962, a ter uma revista própria, sem, entretanto, deixar de ter histórias secundárias publicadas em Adventure Comics[15].

No restante da década de 1960, as histórias da Legião dos Super-Heróis ganhariam mais e mais destaque na revista.

1970-1983: Mudanças de formato e cancelamento[editar | editar código-fonte]

2009-2011: Breve retorno[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2009, a primeira edição da reedição de Adventure Comics seria lançada[3] e em julho ano seguinte seria retomada a numeração original, fazendo com que a 13a edição fosse numerada como a 516.[24]

Histórias publicadas[editar | editar código-fonte]

503 edições foram publicadas entre 1941 e 1983, quando a revista teve sua publicação encerrada pela primeira vez. Em 2009, a publicação seria retomada, e 27 edições adicionais foram publicadas até setembro de 2011, quando a revista foi novamente encerrada.

Durante o período conhecido como "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas, destacam-se Adventure Comics #40, com a primeira aparição do Sandman; Adventure Comics #48, com a primeira aparição do Homem-Hora; Adventure Comics #73, com a pimeira aparição do Manhunter (já traduzido como "Caçador", "Predador" ou "Justiceiro"), Adventure Comics #61, com a primeira aparição do Starman e Adventure Comics #103, edição a partir do qual Superboy, Arqueiro Verde, Johnny Quick e Aquaman passaram a ter histórias publicadas na revista[1].

Na década de 1950, período de transição entre a "Era de Ouro" e a "Era de Prata", destacam-se as histórias de Otto Binder com Aquaman[15] e o breve trabalho de Jack Kirby com o Arqueiro Verde. Os dois personagens tinham uma posição apenas secundária na revista, mas continuavam sendo publicadas de forma regular[16]. Durante a "Era de Bronze", a maturidade e os temas adultos típicos do período igualmente seriam percebidos na revista. Death of a Prince foi inicialmente publicada entre a edições 451 e 455 da revista antes de ser concluída na revista Aquaman. A história apresentaria um dos mais dramáticos confrontos entre o herói e seu arqui-inimigo Black Manta, no qual o vilão assassina o jovem filho do rei da Atlântida com sua então esposa Mera, num ato sem precedentes nas histórias em quadrinhos[15].

Referências

  1. a b Sérgio Codespoti (18 de novembro de 2008). «DC voltará a publicar Adventure Comics». Universo HQ. Consultado em 28 de maio de 2011. 
  2. Matt Brady (17 de novembro de 2008). «DiDio Confirms Adventure Comics Returns». Newsrama (em inglês). Consultado em 28 de maio de 2011. 
  3. a b http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=21250
  4. http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=25846
  5. a b DOLAN, "1935", p. 12-13
  6. a b DOLAN, "1936" . 14-15
  7. a b c Antônio Luiz Ribeiro. (Setembro/Outubro de 2010). "Dossiê 75 Anos de DC Comics. Anos 1930: O início de tudo". Revista Mundo dos Super-Heróis (23): 14-15. ISSN 9771980523001.
  8. a b Maurício Muniz. (Setembro/Outubro de 2010). "Dossiê 75 Anos de DC Comics. Anos 1940: Mercado dominado". Revista Mundo dos Super-Heróis (23): 16-20. ISSN 9771980523001.
  9. DOLAN, p.25
  10. DOLAN, "1942", p. 40-41
  11. DOLAN, p. 44
  12. DOLAN, p. 46
  13. DOLAN, p. 50-51
  14. DOLAN, p. 76
  15. a b c d e f Benito Cereno (11 de junho de 2015). «The Evolution of Aquaman: The Best Aquaman Stories by Decade». Comics Alliance (em inglês). 
  16. a b c Benito Cereno (4 de setembro de 2015). «The Evolution of Green Arrow: Best Green Arrow Stories by Decade». Comics Alliance (em inglês). Consultado em 05 de dezembro de 2016. 
  17. Sérgio Codespoti (8 de maio de 2008). «Quando a nomenclatura faz a diferença». Universo HQ. Consultado em 16 de maio de 2010. 
  18. William Christensen e Mark Seifert. (Fevereiro de 1997). "Anos terríveis". Wizard (7). Editora Globo.
  19. Luciano Lino. (Setembro/Outubro de 2009). "Dossiê Superman. Anos 1950: Censura, a supervilã". Revista Mundo dos Super-Heróis (18): 27-29. ISSN 9771980523001.
  20. Pedro Hunter (16 de Fevereiro de 2004). «HQs de luto por Julius Schwartz». Omelete. Consultado em 26 de dezembro de 2014. 
  21. André Morelli. (Setembro/Outubro de 2010). "Dossiê 75 Anos de DC Comics. Anos 1950: Um novo começo". Revista Mundo dos Super-Heróis (23): 21-23. ISSN 9771980523001.
  22. Alan Kistler (03 de dezembro de 2012). «THE HISTORY OF GREEN ARROW FROM GOLDEN AGE TO “ARROW”». CBR.com (em inglês). Consultado em 04 de dezembro de 2016. 
  23. DOLAN, p. 98-101
  24. http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=25846

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas
  • DOLAN, Hannah; WALLACE, Daniel (2010). DC Comics Year By Year A Visual Chronicle Dorling Kindersley [S.l.] ISBN 978-0-7566-6742-9. 
  • DANIELS, Les (1995). DC Comics : Sixty Years of the World's Favorite Comic Book Heroes Bulfinch Press [S.l.] ISBN 0-8212-2076-4. 
  • DANIELS, Les (1998). Superman: The Complete History (Reino Unido: Titan Books). ISBN 1852869887. 
Leitura adicional
  • LEVITZ, Paul (2010). 75 Years of DC Comics The Art of Modern Mythmaking Taschen America [S.l.] ISBN 978-3-8365-1981-6. 
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