Ficção científica do Brasil

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A ficção científica do Brasil é um segmento literário que nunca demonstrou a popularidade conquistada por outros segmentos, embora possua um público cativo e fiel de aficionados. Foi praticada por diversos autores influenciados por escritores internacionais do gênero, que tem grande popularidade nos Estados Unidos ou Europa. Por outro lado, alguns autores brasileiros consagrados se aventuraram em obras únicas que podem ser consideradas ficção científica, como o romance O Doutor Benignus do português naturalizado brasileiro Augusto Emílio Zaluar e o conto O Imortal de Machado de Assis.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Os primeiros textos do gênero no país (conhecidos como proto-FC)[2] datam do século XIX. São eles: a apocalíptica O Fim do Mundo de Joaquim Manuel de Macedo (1857),[3] a história futura Páginas da história do Brasil, escritas no ano 2000 de Joaquim Felício dos Santos, uma sátira política publicada entre 1868 a 1872 no jornal O Jequitinhonha,[4] e O Doutor Benignus, do português Augusto Emílio Zaluar, inspirado em Júlio Verne e Camille Flammarion[5] e classificado como um "romance cientifico".[6][1] Outro exemplo é Machado de Assis (1839-1908), cujo conto "O Imortal" (1882) apresenta características do gênero.[1][7][8] Em 1899, é lançado o romance Rainha do Ignoto de Emília Freitas, que trata de um mundo perdido.[9]

Entre janeiro e outubro de 1907, a revista infantil O Tico-Tico publicou o romance Viagens maravilhosas do Dr. Alpha ao mundo dos planetas, escrito e ilustrado por Oswaldo Silva.[10][11]

Muitos autores brasileiros clássicos assinaram eventualmente obras que podem ser classificadas como de ficção científica ou algo próximo disso. Lima Barreto (1881-1922) também enveredou pelo gênero nos contos Congresso pamplanetário[12] e A Nova Califórnia.[13]

Em 1923, é lançado o romance A Liga dos Planetas de Albino José Ferreira Coutinho.[14][4]

Outros autores da primeira metade do século XX também incursionaram no gênero, como Gastão Cruls (A Amazônia Misteriosa),[8][7] Afonso Schmidt (Zanzalá),[1] Menotti del Picchia (A República 3000 ou A Filha do Inca), Erico Verissimo, Adalzira Bittencourt (Sua Excia. a Presidente da República no Ano 2500),[4] Guimarães Rosa[15] e Gomes Netto.[2][9][16][17]

Monteiro Lobato, falecido em 1948, produziu todo um universo ficcional infanto-juvenil - o do Sítio do Pica-pau Amarelo - ao qual não faltam elementos de FC, como sugerem mesmo alguns títulos ("A Chave do Tamanho", "A Reforma da Natureza", "Viagem ao Céu"), mas que são basicamente fantasias. Entretanto, ele produziu um romance adulto de FC pura, chamado "O Choque das Raças" (ou "O Presidente Negro"), que, porém, não goza de boa fama por seus aspectos racistas e machistas.[1]

Considera-se que o primeiro autor especializado foi Jerônymo Monteiro,[7][18] a partir do segundo quarto do século XX, contudo, nos anos 30, Berilo Neves publicou três livros de contos de ficção científica.[1] [19][17]

Geração GRD (Primeira Onda)[editar | editar código-fonte]

Capa da revista americana Fantastic

Em 1955, a editora Edigraf lançou a revista Cinelar Fantastic, versão brasileira da revista Fantastic, publicando os autores Jerome Bixby, Fritz Leiber, Ivar Jorgensen, Dean Evans, e Roy Huggins, além autores brasileiros, através de um concurso, a revista circulou até 1961.[20] Em 1958, um ano após o lançamento do satélite Sputnik I, a editora Cultrix lança a antologia "Maravilhas da Ficção Científica", organizada por Fernando Correia da Silva e Wilma Pupo Nogueira Brito e introdução de Mário da Silva Brito, trazendo autores estrangeiros, tais como C. S. Lewis, Robert A. Heinlein, James Blish, John Wyndham e Chad Oliver no mesmo ano, a Livraria Martins publica O Homem que Viu o Disco-Voador de Senbur T. Enovacs (Rubens Teixeira Scavone).[7][2][8]

Um novo impulso à ficção científica escrita por brasileiros veio nos anos 60 e 70, com uma coleção de livros lançada pela Edições G.R.D. de Gumercindo Rocha Dorea, que passou a encomendar trabalhos dentro do gênero a autores já consagrados na literatura mainstream.

Foi na chamada "Geração GRD",[21] a partir do livro Eles herdarão a Terra, de Dinah Silveira de Queiroz -, que apresentou um começo de organização de autores brasileiros neste campo. A época viu a publicação de obras de Fausto Cunha, André Carneiro, Guido Wilmar Sassi, Antonio Olinto, Zora Seljan, Clovis Garcia e vários outros, alguns somente em contos isolados, saídos em antologias, a editora também publica autores estrangeiros como Ray Bradbury, H. P. Lovecraft, Walter M. Miller, Jr. e Fredric Brown.[2]

O principal nome revelado por GRD foi o escritor André Carneiro, considerado, ao lado de Braulio Tavares, um dos melhores prosadores na história da ficção científica brasileira.[carece de fontes?]

Entre 12 e 18 de Setembro de 1965 foi realizada a "1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica", nesse evento foi lançado o primeiro fanzine brasileiro O Cobra (Órgão Interno da 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica), lançado pela recém-fundada Associação Brasileira de Ficção Científica (que também publicaria o Dr. Robô).[1]

Em 1968, surge a revista Galáxia 2000 da Edições O Cruzeiro, versão brasileira da revista americana The Magazine of Fantasy & Science Fiction, a revista brasileira dura apenas seis edições, publicando não só histórias da matriz americana, como as das versões francesa, italiana e argentina, publicando autores como Graham Greene, Isaac Asimov, Brian W. Aldiss, Valentina Zhuravleva, Jorge Luis Borges e Rachel de Queiroz, também com esse título, a editora publicou uma coleção de livros de ficção científica, que durou dezesseis edições,[20] em sua décima quarta edição publicou a série de space opera alemã Perry Rhodan, com o título Operação Astral.[22] Em 1970, a Livraria do Globo, de Porto Alegre publica uma nova versão chamada Magazine de Ficção Científica, editada pelo veterano Jerônymo Monteiro, com consultoria da Associação Brasileira de Ficção Científica, contudo, Monteiro viria a falecer no mesmo ano, Monteiro publicou histórias da revista americana e de autores brasileiros, como as dele próprio, Nilson D. Martello, Dirceu Borges, Walter Martins, Clóvis Garcia, Walmes Nogueira Galvão, Rubens Teixeira Scavone, entre outros, com a morte de Monteiro, a nona edição, publicada em dezembro do mesmo ano, passou a ser editada por sua filha, Therezinha, a revista teve vinte edições e foi encerrada em 1972, de acordo com Therezinha, ela apenas deu continuidade ao material selecionado pelo pai, no mesmo ano, a editora publicou três números da Antologia da Ficção Científica, trazendo material traduzido publicado anteriormente na revista.[20]

Em 1975, Perry Rhodan começa a ser publicado regularmente pela Ediouro no formato de bolso.[22]

As editoras de origem hispânica Monterrey e Cedibra introduziram a literatura pulp de bolso publicado diversos gêneros como faroeste, espionagem, policial, guerra e também ficção científica, a princípio publicando autores espanhóis (que utilizavam pseudônimos anglófonas) e logo depois brasileiros, em Brigitte Montfort da série ZZ7, escrita principalmente por Lou Carrigan (Antonio Vera Ramirez) e os brasileiros Ryoki Inoue (Monterrey) e Rubens Figueiredo[23] e Rubens Francisco Luchetti (Cedibra), Carrigan chegou incluir elementos de ficção científica em pelo menos duas histórias publicadas na série ZZ7: Soldados do Futuro e O homem da Guerra, em 1988, Inoue publicou uma série de FC na Monterrey, "Século XXI", que possuía elementos de ficção científica hard,[1] Inoue chegou a ser reconhecido pelo Guiness Book of Records como escritor mais prolífico do mundo.[24] Rubens Francisco Lucchetti ficou conhecido como "Papa do pulp" ou "Decano dos pulps",[25] por conta de suas histórias de "detetive e mistério" e roteiros de filmes e quadrinhos de terror, sobretudo os do personagem Zé do Caixão, interpretado pelo ator e cineasta José Mojica Marins, Luchetti prefere ser chamado de ficcionista[26] e também tem alguns trabalhos de ficção científica, reescreveu 20 Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne para o livro "Os Extraordinários", publicado em 2003 pela Opera Graphica[27] e o roteiro do filme Um Lobisomem na Amazônia (2005), adaptação de A Amazônia Misteriosa de Gastão Cruls, que originalmente era inspirado em A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells,[28] a adaptação cinematográfica colocou o próprio Moreau na história.[29]

Nos anos 80, surgem fanzines ligados a clubes de astronomia, tais como Star News, da Sociedade Astronômica Star Trek, de São Paulo, e o Boletim Antares, do Clube de Ficção Científica Antares, surgido do Clube de Astronomia Antares, de Porto Alegre.[30]

As edições da Colecção Argonauta da editora portuguesa Livros do Brasil, especializada em ficção científica da chamada Era de Ouro,[31] também chegava ao país, em 1983, R. C. Nascimento publica o livro Quem É Quem na Ficção Científica Volume I: A Coleção Argonauta, na última página, Nascimento propõe a fundação do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC), lançado em 1985[32][33] que lança o fanzine Somnium.[30][nota 1] No mesmo ano, o jornalista Jorge Luiz Calife, depois de conquistar fama como um dos inspiradores do romance "2010: Odyssey Two", de Arthur C. Clarke, publica o primeiro livro de uma trilogia própria, "Padrões de Contato", encerrada em 1991.[34]

Em 1988, surge o primeiro fã-clube de Perry Rhodan dentro do Clube de Leitores de Ficção Científica, formado por Sérgio Roberto L. Costa, Maria Ângela C. Bussolotti, Caio Cardoso Sampaio e Roberto de Sousa Causo, no mesmo ano, publicam o fanzine O Rhodaniano.[35] Surge o Prêmio Nova no fanzine Anuário Brasileiro de Ficção Científica de Roberto de Sousa Causo.[36]

Segunda Onda[editar | editar código-fonte]

É chamada de Segunda Onda a geração de autores brasileiros de ficção científica que sucede a Geração GRD, mas que não são exatamente discípulos da mesma (tida como Primeira Onda). Articulada inicialmente em torno de diversos fanzines e posteriormente surge a revista Isaac Asimov Magazine pela Editora Record[20] (vinte e cinco edições publicadas entre 1990 e 1992), com acolaboração de membros do Clube dos Leitores de Ficção Científica,[20] a revista publicou histórias das revista americanas Asimov's Science Fiction e Analog Science Fiction and Fact e de autores brasileiros como André Carneiro, Ivanir Calado, Jorge Luiz Calife, Gerson Lodi-Ribeiro e Carlos Orsi, além de artigos de Braulio Tavares, a revista chegou a promover o Prêmio Jerônymo Monteiro para autores brasileiros.[31]

Entre 1992 e 1994, o fanzine Megalon de Marcello Branco organiza o Prêmio Tapìrài [36] Em 1993, o Prêmio Nova passa a ser administrado pela Sociedade Brasileira de Arte Fantástica (SBAF)[37]

Em 1995, Marcelo Cassaro lança o romance Espada da Galáxia e ganha o Prêmio Nova na categoria Ficção Longa Nacional.[37]

Destacam-se também as publicações da editora Ano-Luz (1997-2004), além de diversas outras iniciativas, mantém ocupados os editores de fanzines e o pequeno "fandom" literário local.

A produção brasileira de ficção científica também já atraiu interesse acadêmico, tendo gerado escritos do estudioso e autor brasileiro Roberto de Sousa Causo,[8] de Ramiro Giroldo (da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, do historiador Francisco Alberto Skorupa, e do francês Eric Henriett, que aponta a produção brasileira no subgênero da História Alternativa como a mais original dessa vertente. Também foi alvo de estudos da brasilianista norte-americana M. Elizabeth Ginway,[8] autora de Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro (Devir, 2005).

Entre os nomes mais atuantes desta geração encontram-se Octavio Aragão (organizador e criador do Universo Intempol, iniciativa brasileira de gerar uma "franchising" multimídia, como as americanas "Jornada nas Estrelas" ou "Arquivo X"), Carlos Orsi, Fábio Fernandes, o premiado romancista e roteirista Max Mallmann e, talvez o mais bem-sucedido autor brasileiro dentro do gênero - com livros publicados no Brasil e Portugal - Gerson Lodi-Ribeiro.

Em 1997, surge a Sci-Fi News da Meia Sete Editora,[38] mais tarde publicada pela Editora Bella,[39] foi uma revista mensal brasileira especializada em ficção científica, fantasia e horror atuou por mais de 10 anos no mercado brasileiro, abordava filmes, seriados estrangeiros, assim como livros e acontecimentos no mercado nacional. Com uma coluna mensal sobre o mercado de literatura, e recorrente publicação de contos inéditos do escritor Renato Azevedo, o veículo se propunha o ato da leitura a um público mais acostumado ao estímulo visual da TV e da Internet.

A Sci-Fi News teve um spin-off , a Sci-Fi Contos,editada por Fábio Barreto, com assessoria editorial do Clube de Leitores de Ficção Científica,[31] a revista publicou contos e noveletas inéditos e fanfics inspirados por séries e universos conhecidos, porém a iniciativa foi cancelada em sua terceira edição. Revistas como Starlog da Mythos Editora, (versão brasileira da revista americana),[40] Dimensão X da Editora Escala,[41] Quark da MB Editora de Marcelo Baldini, inicialmente um fanzine, que publicava reportagens e contos de autores brasileiras,[31] e Cine Monstro surgiram ao longo dos últimos anos, mas também deixaram de ser publicadas.[24]

em 2000,o CLFC cria o Prêmio Argos[42] e 2001, a SFBA cria o Prêmio SBAF.[36]

Terceira Onda[editar | editar código-fonte]

A Terceira Onda é a atual geração de escritores de ficção científica brasileira. Assim como acontece com a segunda onda em relação a primeira, a terceira onda não é propriamente discípula da segunda. É a geração de começa com a transição dos fanzines para os meios eletrônicos como blogs na Internet e revistas eletrônicas (como a Scarium), mas que passa primeiro por um período nebuloso de publicações em pequenas editoras sem tradição no gênero. É neste período que surgem romances como o techno-thriller Quintessência (2004) de Flávio Medeiros Jr., as space operas Véu da Verdade (2005) de J. M. Beraldo e Hegemonia - O Herdeiro de Basten (2007) de Clinton Davisson Fialho e o thriller Síndrome de Cérbero (2007) de Tibor Moricz. Com o surgimento das redes sociais como o Orkut e, posteriormente, o Facebook, a divulgação desse tipo de obra começa ganha espaço.

Alguns poucos escritores da Segunda Onda se reinventaram, mantendo sintonia com os novatos da terceira, prosseguindo com seu ritmo de publicações, onde destacam-se Octavio Aragão, Gerson Lodi-Ribeiro, ambos publicados em 2006 pelo breve selo Unicórnio Azul, da Editora Mercuryo.

É neste período que a Editora Devir, conhecida no Brasil pelo seu trabalho na publicação de RPGs e histórias em quadrinhos, publica seus primeiros romances e antologias de contos de Ficção Científica de autores nacionais, especialmente da Segunda Onda, como Roberto de Sousa Causo e Jorge Luiz Calife, assim como os livros Taikodom: Despertar, escrito por J. M. Beraldo e [Taikodom: Crônicas]], escrito por Gerson Lodi-Ribeiro e baseados no jogo Taikodom e o Anuário de Literatura Fantástica de Cesar Silva e Marcello Simão Branco.[43]

Em 2001, a SSPG incia a publicação da série alemã Perry Rhodan (que havia sido deixada de ser publicada pela Ediouro em 1991),[35] além das novelas originais, publica artigos e contos de autores brasileiros.[31][24]

Com o surgimento de gráficas de impressão a baixo custo e a popularização dos leitores de livros digitais como Kindle e Kobo, a Terceira Onda ganha mais força com o surgimento de diversas editoras de pequeno porte.

Em 2007, Richard Diegues e Gianpaolo Celli fundam a Tarja Editorial, com o intuito de publicar ficção fantástica contemporânea de autores nacionais e internacionais.[44] Ao longo de seus 7 anos de atividade a editora publica dezenas de livros, inclusive coletâneas como Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário, FC do B - Ficção Científica Brasileira, Cyberpunk - Histórias de um Futuro Extraordinário, Retrofuturismo e a série Paradigmas (volumes 1, 2, 3 e 4), revelando novos talentos literários tais como Cristina Lasaitis, Hugo Vera, Camila Fernandes, Romeu Martins e Marcelo Jacinto Ribeiro. Publica também os romances Fome de Tibor Moricz, Dias da Peste de Fábio Fernandes e Casa de Vampiros de Flávio Medeiros Jr.. Ainda em 2007, a Não Editora lança a antologia Ficção de Polpa.[24]

Entre 2008 e 2010, Nelson de Oliveira edita a revista semestral Portal, cada edição foi dedicada a uma obra famosa de ficção científica: Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit 451,[45] como complemento, trazia 150 páginas de histórias de autores brasileiros.[46]

Em 2009, a editora fluminense Multifoco lança a antologia Solarium: Contos de ficção científica com histórias de Danny Marks, Marcus Vinicius da Silva, Delfin, Hugo Vera, entre outros,[47] no mesmo ano, é fundada a Editora Draco, por Erick Santos, cujo foco é exclusivamente na publicação de ficção nacional. A editora lança chamadas a antologias temáticas (space opera, dieselpunk, steampunk, super-herói, kaiju, entre outras), publicando através destas tanto autores da Segunda Onda como novos autores na Terceira Onda. Em menos de 5 anos a editora já conta com dezenas de livros publicados, todos de autores nacionais como Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi, J. M. Beraldo, Hugo Vera e Eric Novello. Em 2011, a editora Argonautas lança a antologia Sagas.[24] Em 2012, Nelson de Oliveira publica a antologia Todos os Portais: Realidades Expandidas pela Terracota Editora.[45]

Outras Mídias[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Em 1954, a TV Record lança a série Capitão 7, estrelado por Ayres Campos, o personagem logo seria transportado para as histórias em quadrinhos pela Editora Continental, onde ganhou superpoderes.[48][49]

Em 1957, a TV Tupi lançou a série de ficção científica brasileira "Lever no Espaço", patrocinado pelas industrias Lever.[50]

Elementos de ficção científica apareceram de forma mais visível como elemento complementar em telenovelas (como O Clone, da autora Glória Perez, Kubanacan de Carlos Lombardi [51] e a Trilogia Caminhos do Coração da TV Record (cujo autor, Tiago Santiago, foi colaborador de Kubanacan).[52]

Filmes brasileiros de ficção científica[editar | editar código-fonte]

Em 1995, o cineasta Allan Bispo, então estreante na computação gráfica, cria o primeiro filme de curta metragem brasileiro a usar composição de imagens reais com imagens geradas por computador e 100% finalizado em computador. Hollywood F/X, é uma paródia aos filmes de efeitos hollywoodianos da época. O filme teve grande repercussão no Anima Mundi edição de 1997 e 98 no Rio e em São Paulo.

Com o surgimento em 2006 da mostra de cinema fantástico, e em 2009, do festival de cinema de terror de São Paulo, abriu-se espaço para exibições de longas e curtas de ficção científica, além do Anima Mundi, em sua 18 edição. Estes festivais estão se atualizando, porém ainda falta um espaço próprio para o gênero ficção científica, mecanismos para fomento e divulgação das produções nacionais.

WebSéries[editar | editar código-fonte]

Em 2010 o conceito de Websérie, onde filmes curtos, dinâmicos, no ritmo do usuário da Internet, são veiculados diretamente na Rede, sem o intermédio da mídia tradicional, fez surgir produções totalmente voltadas à ficção científica, tais como Onda Zero, idealizada e dirigida por Flávio Langoni, e 3%, uma criação de Pedro Aguilera.

Video games[editar | editar código-fonte]

Em 1998 a empresa brasileira Perceptum lança Incidente em Varginha, jogo de tiro em primeira pessoa baseado no evento homônimo. 3 anos mais tarde seria a vez da empresa Continuum Entertainment lançar o jogo de estratégia Outlive. Este foi o primeiro jogo brasileiro a ter grande propagação internacional, sendo publicado pela Take-Two Interactive nos Estados Unidos e Europa.[53]

Em 2004 a catarinense Hoplon Infotainment inicia o desenvolvimento do MMO Taikodom. Com plano de criar um universo ficcional multimídia, contrata o escritor veterano Gerson Lodi-Ribeiro para desenvolver o mundo que serviria de base para o jogo, assim como para escrever contos no mesmo universo. Em 2006 a empresa contrata o game designer J. M. Beraldo para também desenvolver o universo ficcional e criar o conteúdo do jogo. A primeira versão do jogo é lançada em 2008, junto ao primeiro livro da série, Taikodom: Despertar, escrito por Beraldo e publicado pela Editora Devir. Em 2009 é lançado Taikodom: Crônicas, um livro de contos de Lodi-Ribeiro, seguido dos dois volumes da graphic novel Taikodom: Eterno Retorno, de Roctávio de Castro e Eduardo Ferrara. Em 2010 a produtora assina um contrato de publicação internacional com a americana GamersFirst, anunciado durante a E3.[54] Em 2011 o jogo é relançado em novo formato como Taikodom: Living Universe, já sem a participação dos escritores. O lançamento internacional jamais aconteceu, apesar de em 2014 o jogo ser aprovado para publicação no Steam.[55] Em 31 de Maio de 2015 os servidores do jogo foram desligados permanentemente.[56]

Histórias em quadrinhos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História em quadrinhos no Brasil

Em 1937, Francisco Acquarore quadriniza o romance Os Primeiros Homens na Lua de H. G. Wells na revista O Globo Juvenil do jornal O Globo e nas páginas de A Gazetinha do jornal A Gazeta, Messias de Mello ilustrada À Roda da Lua, baseada nos romances Da Terra à Lua (1865) e sua sequencia À Roda Da Lua (1869) de Júlio Verne.[nota 2][58]

Dick Peter, personagem criado por Jerônymo Monteiro para uma série de rádio em 1937, ganhou uma série de livros e adaptações para os quadrinhos, publicados no suplemento A Gazeta Juvenil do jorna A Gazeta,[58][1] ilustrados por Abílio Corrêa e Messias de Mello,[8][59]e na revista Cômico Colegial da editora La Selva, roteirizado por Syllas Roberg e ilustrado por Jayme Cortez.[8][60]

Na década de 1950, a EBAL publica a revista Edição Maravilhosa, inicialmente inspirada nas revistas Classics Illustrated e Classic Comics, a revista também publicou adaptações de romances brasileiros,[61] dentre eles, duas "proto-fc", A Amazônia Misteriosa de Gastão Cruls e A filha do Inca de Menotti del Picchia.[62][63]

Em 1992, Marcelo Cassaro cria a raça alienígena "metaliana" para a revista do heróis japonês Jaspion publicada pela Editora Abril,[64] em 1995, eles reaparecem no romance Espada da Galáxia,[65] em 1997, surge a mini-série U.F.O. Team, ilustrada por Joe Prado[66] com a participação do Capitão Ninja,[67] personagem criado como uma sátira de personagens de vídeo games,[68] e no ano seguinte, o one-shot Predakonn.[69][70] Em 2014, a Jambô Editora publicou Projeto AYLA, escrito por Cassaro e ilustrado por Eduardo Francisco.[71]

Em 2002, surge a webcomic A Mortífera Maldição da Múmia, de 2002, baseada em um conto de Carlos Orsi para a série Intempol, ilustrada pela Calango Produktado,[72] em 2005, foi lançado pela editora Comic Store, a primeiro graphic novel baseada em um conto da série, The Long Yesterday, de Osmarco Valladão, com ilustrações de Manoel Magalhães, no ano seguinte, a revista Wizard Brasil #31 publica uma nova história ambientada em Intempol produzida pela dupla.[73]

Em 2008, a Devir publica a graphic novel Taikodom: Eterno Retorno vol. 1, escrita por Roctavio de Castro e ilustrada por Eduardo Ferrara e cores de Weberson Santiago e outros,[74] a primeira edição trazia um CD-ROM de instalação do jogo.[75] no mesmo ano, é lançada a webcomic[76] do gênero space opera Exploradores do Desconhecido de Gian Danton (roteiro) e Jean Okada (desenhos).[77]

Em 2012, a Draco publica Para Tudo Se Acabar na Quarta-Feira, outra história de Intempol, com roteiro de Octavio Aragão e arte de Manoel Ricardo,[72] no ano seguinte, publicou a antologia Imaginários em Quadrinhos,[78] em 2015, publica a pós-apocalíptica Apagão – Cidade Sem Lei/Luz, de Raphael Fernandes, viabilizada através de uma campanha de financiamento coletivo na Plataforma Catarse.[79]

Em 2012, a Panini Comics publica o primeiro volume da coleção Graphic MSP "Astronauta - Magnetar", protagonizada pelo personagem Astronauta de Mauricio de Sousa, escrita e ilustrada por Danilo Beyruth com cores de Chris Peter,[80] dois anos depois foi lançada uma sequencia Astronauta - Singularidade.[81] Uma terceira história foi anunciada para 2016.[82] A Draco anuncia seleções para antologias de quadrinhos, O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos (baseada nos Mitos de Cthulhu de H. P. Lovecraft), uma dedicada ao gênero space opera[83] e outra dedicada ao gênero cyberpunk.[84] Em 2017, a Panini lança a terceira graphic novel do Astronauta por Danilo Beyruth, Astronauta - Assimetria.[85]

RPGs[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Role-playing game no Brasil

O primeiro role playing game de ficção científica brasileiro foi Millenia,[86] um jogo do gênero space opera militar criado por Paulo Vicente Alves e Ygor Morais Silva e publicado em 1995 pela GSA.[87]

Em 1996, Cassaro adapta o romance Espada da Galáxia para o RPG Invasão!, co-escrito com Marcelo Del Debbio,[88] posteriormente, a HQ U.F.O. Team foi adaptada para o sistema 3D&T, criado por Cassaro.[89] O autor chegou a anunciar um projeto de adaptação para o sitema GURPS publicado no Brasil pela Devir, contudo, o projeto não foi impresso e lançado apenas como um e-book gratuito.[90][91][92]

Houve duas tentativas de adaptação do universo Intempol para os sistemas GURPS e Opera, contudo, ambos os projetos foram cancelados.[93] Em 2012, a RedBox lançou o cenário retrô Space Dragon para seu sistema Old Dragon.[94]

J. M. Beraldo adaptou seu romance Véu da Verdade para Pathfinder Roleplaying Game da Paizo Publishing para o mercado americano com o nome Veil of Truth – Space Opera Rules and Setting.[95] O autor não pode lançar em língua portuguesa devido a licença da editora Paizo, que só permitiria caso houvesse alguma publicação oficial no país.[96][nota 3]

Notas

  1. Atualmente um e-zine.
  2. Embora sejam dois romances, também são comercializados em um único livro com o título Viagem ao redor da Lua.[57]
  3. Apenas em 2015, a Devir publicou uma versão em português do jogo.[97]

Referências

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  2. a b c d «A primeira onda de ficção científica brasileira» 
  3. «Ficção científica à moda brasileira» 
  4. a b c «O futuro do presente no pretérito» 
  5. «Resenha: O Doutor Benignus» 
  6. «Ficção científica é a Atlântida da literatura brasileira» 
  7. a b c d Lucchetti, Marco Aurélio (Maio–agosto de 2014). «Um panorama da ficção científica brasileira». Jornal do Cinema 
  8. a b c d e f g Lucchetti, Marco Aurélio (2015). «Conheça obras de ficção científica no Brasil». Editora Escala. Conhecimento Prático Literatura (58) 
  9. a b «Balanço 2009: Primeiros romances de ficção científica». Terra Magazine 
  10. Mendes, Ricardo, ed. (2013). Antologia Brasil, 1890-1930: pensamento crítico em fotografia. [S.l.]: Funarte. 58 páginas 
  11. Cultura, Edições 12-15. [S.l.]: Ministério da Educação e Cultura. 1974. 82 páginas 
  12. Além da Bruzundanga
  13. Entre o gênero e a literatura
  14. Águas de Marte
  15. «No sertão da literatura popular» 
  16. Finotti, Ivan (2 de janeiro de 1999). «De volta para o futuro». Folha de S.Paulo 
  17. a b Neves: referência da FC nacional
  18. Fraia, Emlio (Março de 2005). «Conheça Jeronymo Monteiro, o doutor Frankenstein da ficção científica nacional, e mais quatro escritores do apocalipse». Revista Trip. Trip Editora e Propaganda SA. ISSN 1414-350X. O escritor Jeronymo Monteiro, morto em 1970, inventou a ficção científica no Brasil. 
  19. Braulio Tavares, Romero Cavalcanti. Casa da Palavra, ed. Páginas de sombra: contos fantásticos brasileiros. 2003. [S.l.: s.n.] 40 páginas. ISBN 9788587220677 
  20. a b c d e Revistas brasileiras de ficção científica
  21. «Viagens insólitas». Duetto Editora. EntreLivros (29). Setembro de 2007 
  22. a b Roberto de Sousa Causo (11 de setembro de 2011). «Perry Rhodan 50 anos: o futuro da série». Portal Terra 
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  24. a b c d e de Sousa Causo, Roberto (2014). «Os Pulps Brasileiros e o Estatuto do Escritor de Ficção de Gênero no Brasil». Alambique: Revista académica de ciencia ficción y fantasia. 2 (1) 
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  32. Roberto de Sousa Causo. A leitura faz o leitor. Acessado em 9 de maio de 2007.
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  66. Editoras investem nos quadrinhos nacionais
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  69. Prêmio Angelo Agostini é entregue hoje
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  80. Review Astronauta – Magnetar
  81. «Graphic MSP - Continuação de Astronauta – Magnetar ganha título e sinopse». Omelete 
  82. Graphic MSP | Conheça os álbuns da Turma da Mônica para 2016
  83. Editora Draco abre seleção de histórias para novas antologias
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  85. Astronauta - Assimetria - Nova Graphic MSP terá sessão de autógrafos em São Paulo
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  95. Leve o seu Pathfinder para o espaço!
  96. «Aventura gratuita! No espaço!» 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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