Messias de Mello

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Messias de Mello
Manoel Messias de Mello
Messias de Mello.jpg

Retrato de Messias de Mello
Nascimento 16 de agosto de 1904
Morte 18 de outubro de 1994 (90 anos)
Nacionalidade brasileiro
Área(s) de atuação ilustrador, quadrinista, chargista, pintor.
Trabalhos de destaque Audaz, o demolidor; Pão Duro e Gibimba; Histórias da nossa história; Perdidos no Igapó; Dick Peter; Capitão Blood; Bascomb, o enigma do espectro de James Hull. Mascotes para os times: Corinthians, AA Ponte Preta, CA Juventus, São Paulo FC e SE Palmeiras.
Prêmios Angelo Agostini, mestre do quadrinho nacional.

Manoel Messias de Mello (Maceió, 16 de agosto de 1904 - São Paulo, 18 de outubro de 1994) foi um quadrinhista brasileiro. Era irmão do poeta e jornalista Judas Isgorogota.[1]

Messias de Mello, tal como ficou conhecido, era filho de Severiano Rodrigues de Mello e de Tereza da Rocha Mello -ele neto de portugueses e ela descendente de indígenas de Palmeira dos índios, Alagoas.

Em 1927,seu irmão Agnelo, que ficaria conhecido como o poeta Judas Isgorogota e que havia conseguido um emprego como redator no jornal “A Gazeta” convida-o a vir trabalhar em São Paulo. Messias consegue apenas realizar pequenos trabalhos esporádicos em algumas grandes lojas de departamentos da cidade, como a Casa Capital e a Casa Alemã.[2]

Em 1931 retorna para a sua Maceió para casar-se com a estudante de escultura Eurídice Araújo Sampaio com quem teria quatro filhos. Volta o ano seguinte para São Paulo e reinicia o trabalho de cartazista e vitrinista fazendo pequenos bicos, ajudado pela esposa. Quando eclode a revolução constitucionalista de 1932, para sobreviver desenha a bandeira da cidade nos capacetes dos soldados paulistas enquanto ela completa a pintura.[3]

Iniciou a carreira de ilustrador trabalhando para a Gazeta Juvenil, suplemento infantil do jornal paulista A Gazeta. Nas páginas da Gazetinha, entre 1936 e 1939, criou diversos personagens, entre eles Pão Duro, Gibimba e Audaz, o Demolidor. Além de criar histórias em quadrinhos, ilustrou adaptações de clássicos da literatura, como Os Três Mosqueteiros, O Máscara de Ferro, Robinson Crusoe, Os Miseráveis e O Conde de Monte Cristo.

Ao lado do escritor Armando Brussolo , realizou, de 1936 a 1939, diversas histórias em quadrinhos de aventura publicadas em capítulos, como Capitão Blood, Sherlock Holmes, o Homem Elétrico, A conquista das esmeraldas, na qual narrou a saga do bandeirante Fernão Dias.[4]

A sua criação Audaz, o demolidor consiste em um autômato gigante e surgiu inicialmente no ano de 1939, em uma edição da revista A Gazetinha . O heróico Audaz era operado por três personagens humanos: o Doutor Blum , o garoto-prodígio Jaques Ennes, e o galã Greggor. A partir de 1949 a série passou a ser editada na então recém fundada revista Gazeta Juvenil .[5]

Também ilustrou O Raio da Morte, Bascomb – o Terror de Ferney, À Roda da Lua baseada nos romances Da Terra à Lua (1865) e sua sequência À Roda Da Lua (1869) de Júlio Verne,[nota 1] O enigma do espectro de James Hull,[nota 2] entre outros trabalhos feitos para esse suplemento.[4][7]

Também colaborou com o jornal Gazeta Esportiva, criando mascotes para os clubes de futebol de São Paulo, como o "Santo Paulo" (São Paulo FC), o "Periquito" (Palmeiras), a "Macaca" (AA Ponte Preta), o "Menino Travesso" (CA Juventus) e o "Mosqueteiro" (Corinthians).

Na década de 1950, produziu para a La Selva, HQs baseadas no nos palhaços “Arrelia e Pimentinha” e nos atores “Oscarito e Grande Otelo[8]


Em 1951, realizou as ilustrações e a capa do livro " O íncola e o bandeirante na história de São Paulo", de autoria do coronel Pedro Dias de Campos e editado pela Livraria Francisco Alves.

Paralelamente ao trabalho nos jornais, fazia pintura a óleo e tinta acrílica.

Entre 1964 e 1968, quadrinizou seis contos psicografados por Chico Xavier e Waldo Vieira. As histórias foram publicadas no Anuário Espírita do Instituto de Difusão Espírita, e mais tarde reunidas no livro Messias de Mello e o Espiritismo da Marca de Fantasia (2011)[9][10].

Recebeu o prêmio de Mestre do Quadrinho Nacional na primeira edição do Prêmio Angelo Agostini, em 1985. Seu filho, Daniel Messias tornou-se um conhecido animador, trabalhando para várias empresas de animação [11].

Suas obras mais conhecidas nos quadrinhos são: [10].[12]

Para a Gazetinha
  • Pão Duro
  • Capitão Blood
  • Serie “O descobrimento”
  • Sherlock Holmes
  • À roda da lua
  • Bascomb
  • O homem eléctrico
  • O raio da morte
  • Os três Mosqueteiros
  • Chinatown
  • As aventuras de Monte Christo
  • A conquista das esmeraldas
  • Audaz , o demolidor
  • Fernão Dias e as esmeraldas
  • O enigma do espectro de James Hull
  • Luke Harry no planeta Zinder
  • História do Brasil
  • Dick Peter, os adoradores do sol
  • Perdidos no igapó
  • O pássaro de prata
Para a Editora La Selva
  • Arrelia e Pimentinha
  • Oscarito e Grande Otelo
Para o Instituto de difusão Espírita
  • Anuário espírita
Para a Editora do Brasil S.A
  • Robinson Crusoe
  • Histórias da nossa história (Volumes I,II e III).

Notas

  1. Embora sejam dois romances, também são comercializados em um único livro com o título Viagem ao redor da Lua
  2. Roteirizado por Francisco Armond, o mesmo roteirista de A Garra Cinzenta[6]

Referências

  1. O desenhista mais produtivo de sua época
  2. [1]
  3. [2]
  4. a b Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos (2014). «A revista Gibi e a consolidação do mercado editorial de quadrinhos no Brasil» (PDF). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. MATRIZes. 8 (2) 
  5. [3]
  6. Marco Aurélio Lucchetti e Franco de Rosa (org.). Fantasma – Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos. 83 p. Opera Graphica, 2009.
  7. SILVA, Diamantino da. Quadrinhos dourados: a história dos suplementos no Brasil. São Paulo, SP: Opera Graphica, 42 p. 2003. ISBN 8589961109
  8. «Biografia». Messias de Mello.com.br 
  9. Messias de Mello e o Espiritismo. Marca de Fantasia
  10. a b Messias de Mello e o Espiritismo traz HQs baseadas na obra de Chico Xavier. Universo HQ, 12 de julho de 2011
  11. «Daniel Messias». Bigorna.net. 3 de julho de 2005 
  12. [4]

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