Messias de Mello

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Manoel Messias de Mello (Maceió, 16 de agosto de 1904 - São Paulo, 18 de outubro de 1994) foi um quadrinhista brasileiro. Era irmão do poeta e jornalista Judas Isgorogota.[1]

Messias de Mello, tal como ficou conhecido, era filho de Severiano Rodrigues de Mello e de Tereza da Rocha Mello -ele neto de portugueses e ela descendente de indígenas de Palmeira dos índios, Alagoas.

Em 1927,seu irmão Agnelo, que ficaria conhecido como o poeta Judas Isgorogota e que havia conseguido um emprego como redator no jornal “A Gazeta” convida-o a vir trabalhar em São Paulo. Messias consegue apenas realizar pequenos trabalhos esporádicos em algumas grandes lojas de departamentos da cidade, como a Casa Capital e a Casa Alemã.[2]

Em 1931 retorna para a sua Maceió para casar-se com a estudante de escultura Eurídice Araújo Sampaio com quem teria quatro filhos. Volta o ano seguinte para São Paulo e reinicia o trabalho de cartazista e vitrinista fazendo pequenos bicos, ajudado pela esposa. Quando eclode a revolução constitucionalista de 1932, para sobreviver desenha a bandeira da cidade nos capacetes dos soldados paulistas enquanto ela completa a pintura.[3]

Iniciou a carreira de ilustrador trabalhando para a Gazeta Juvenil, suplemento infantil do jornal paulista A Gazeta. Nas páginas da Gazetinha, entre 1936 e 1939, criou diversos personagens, entre eles Pão Duro, Gibimba e Audaz, o Demolidor. Além de criar histórias em quadrinhos, ilustrou adaptações de clássicos da literatura, como Os Três Mosqueteiros, O Máscara de Ferro, Robinson Crusoe, Os Miseráveis e O Conde de Monte Cristo.

Ao lado do escritor Armando Brussolo , realizou, de 1936 a 1939, diversas histórias em quadrinhos de aventura publicadas em capítulos, como Capitão Blood, Sherlock Holmes, o Homem Elétrico, A conquista das esmeraldas, na qual narrou a saga do bandeirante Fernão Dias.[4]

A sua criação Audaz, o demolidor consiste em um autômato gigante e surgiu inicialmente no ano de 1939, em uma edição da revista A Gazetinha . O heróico Audaz era operado por três personagens humanos: o Doutor Blum , o garoto-prodígio Jaques Ennes, e o galã Greggor. A partir de 1949 a série passou a ser editada na então recém fundada revista Gazeta Juvenil .[5]

Também ilustrou O Raio da Morte, Bascomb – o Terror de Ferney, À Roda da Lua baseada nos romances Da Terra à Lua (1865) e sua sequência À Roda Da Lua (1869) de Júlio Verne,[nota 1] O enigma do espectro de James Hull,[nota 2] entre outros trabalhos feitos para esse suplemento.[4][7]

Também colaborou com o jornal Gazeta Esportiva, criando mascotes para os clubes de futebol de São Paulo, como o "Santo Paulo" (São Paulo FC), o "Periquito" (Palmeiras), a "Macaca" (AA Ponte Preta), o "Menino Travesso" (CA Juventus) e o "Mosqueteiro" (Corinthians).

Na década de 1950, produziu para a La Selva, HQs baseadas no nos palhaços “Arrelia e Pimentinha” e nos atores “Oscarito e Grande Otelo[8]


Em 1951, realizou as ilustrações e a capa do livro " O íncola e o bandeirante na história de São Paulo", de autoria do coronel Pedro Dias de Campos e editado pela Livraria Francisco Alves.

Paralelamente ao trabalho nos jornais, fazia pintura a óleo e tinta acrílica.

Entre 1964 e 1968, quadrinizou seis contos psicografados por Chico Xavier e Waldo Vieira. As histórias foram publicadas no Anuário Espírita do Instituto de Difusão Espírita, e mais tarde reunidas no livro Messias de Mello e o Espiritismo da Marca de Fantasia (2011)[9][10].

Recebeu o prêmio de Mestre do Quadrinho Nacional na primeira edição do Prêmio Angelo Agostini, em 1985. Seu filho, Daniel Messias tornou-se um conhecido animador, trabalhando para várias empresas de animação [11].

Suas obras mais conhecidas nos quadrinhos são: [10].[12]

Para a Gazetinha
  • Pão Duro
  • Capitão Blood
  • Serie “O descobrimento”
  • Sherlock Holmes
  • À roda da lua
  • Bascomb
  • O homem eléctrico
  • O raio da morte
  • Os três Mosqueteiros
  • Chinatown
  • As aventuras de Monte Christo
  • A conquista das esmeraldas
  • Audaz , o demolidor
  • Fernão Dias e as esmeraldas
  • O enigma do espectro de James Hull
  • Luke Harry no planeta Zinder
  • História do Brasil
  • Dick Peter, os adoradores do sol
  • Perdidos no igapó
  • O pássaro de prata
Para a Editora La Selva
  • Arrelia e Pimentinha
  • Oscarito e Grande Otelo
Para o Instituto de difusão Espírita
  • Anuário espírita
Para a Editora do Brasil S.A
  • Robinson Crusoe
  • Histórias da nossa história (Volumes I,II e III).

Notas

  1. Embora sejam dois romances, também são comercializados em um único livro com o título Viagem ao redor da Lua
  2. Roteirizado por Francisco Armond, o mesmo roteirista de A Garra Cinzenta[6]

Referências

  1. O desenhista mais produtivo de sua época
  2. [1]
  3. [2]
  4. a b Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos (2014). «A revista Gibi e a consolidação do mercado editorial de quadrinhos no Brasil» (PDF). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. MATRIZes. 8 (2) 
  5. [3]
  6. Marco Aurélio Lucchetti e Franco de Rosa (org.). Fantasma – Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos. 83 p. Opera Graphica, 2009.
  7. SILVA, Diamantino da. Quadrinhos dourados: a história dos suplementos no Brasil. São Paulo, SP: Opera Graphica, 42 p. 2003. ISBN 8589961109
  8. «Biografia». Messias de Mello.com.br 
  9. Messias de Mello e o Espiritismo. Marca de Fantasia
  10. a b Messias de Mello e o Espiritismo traz HQs baseadas na obra de Chico Xavier. Universo HQ, 12 de julho de 2011
  11. «Daniel Messias». Bigorna.net. 3 de julho de 2005 
  12. [4]

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