Jaguar (cartunista)
| Jaguar | |
|---|---|
Jaguar em dezembro de 2000 | |
| Nome completo | Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe |
| Nascimento | |
| Morte | 24 de agosto de 2025 (93 anos) Rio de Janeiro, RJ |
| Cônjuge | Olga Savary (c. 1955; div. 1980)[1] |
| Ocupação | cartunista |
Jaguar, pseudônimo de Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe (Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 1932 – Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2025), foi um cartunista brasileiro. Ganhou notoriedade por ser um dos fundadores do jornal satírico O Pasquim a partir de 1969, que se tornou um símbolo de oposição à ditadura militar brasileira.[2] Ele é famoso pela criação do personagem Sig, um ratinho mascote do jornal, e por seu estilo humorístico e irônico que driblava a censura, inspirando outros jornalistas e cartunistas.
Biografia
[editar | editar código]Sérgio Jaguaribe começou sua carreira em 1952 na revista Manchete onde, por influência de Borjalo passou a assinar somente Jaguar. Na mesma época trabalhava no Banco do Brasil subordinado a Sérgio Porto, que o convenceu a não deixar o emprego em favor do humorismo.
No início da década de 1960, passa a ser um dos principais cartunistas da revista Senhor, colaborando também na Revista Civilização Brasileira, na Revista da Semana, no semanário Pif-Paf e nos jornais Última Hora e Tribuna da Imprensa.
Lança sua primeira coleção em 1968, Átila, você é bárbaro. No ano seguinte, funda o jornal O Pasquim com Tarso de Castro e Sérgio Cabral;[2] é o único a permanecer até o fim da publicação, em 1991, quando passa a editar o jornal A Notícia.
Em 1970, foi preso por três meses devido a uma charge considerada ofensiva pelo regime, uma releitura satírica do quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, com a legenda "Eu quero mocotó!", gíria da época para pernas femininas.[3] Foi solto no Réveillon.[4]
Em 2013, com os cinquenta anos da Mônica e os quarenta e nove de Sig, faz uma charge com a Mônica e o Sig.[5] Em 2016, foi demitido do jornal O Dia após 30 anos.[6]
Indenização
[editar | editar código]Em 5 de abril de 2008, Jaguar e outros vinte jornalistas que foram perseguidos durante os anos de chumbo tiveram seus processos de anistia aprovados pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Ele e o cartunista Ziraldo receberam as maiores indenizações: 1 milhão de reais cada um.[7]
Morte
[editar | editar código]Jaguar morreu em 24 de agosto de 2025, aos 93 anos, no Rio de Janeiro. O cartunista estava internado no hospital Copa D'or, com infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais. Ainda segundo a unidade de saúde, nos últimos dias, ele estava sob cuidados paliativos.[8] Foi velado e cremado no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, e teve suas cinzas "espalhadas por bares do Rio e de São Paulo".[9]
Foi casado por cerca de 25 anos com a escritora e fundadora do Pasquim Olga Savary,[10] com quem teve dois filhos, o artista plástico Pedro (1958-1999) e a escritora Flávia Savary (1956).
Jaguar nunca se aposentou, tendo desenhado a última charge um mês antes de sua morte.[11]
Obras publicadas
[editar | editar código]- Átila, você é bárbaro (1968) ISBN 978-8582052877
- Nadie es perfecto (1973, publicado na Argentina e lançado no Brasil em 2008 como Ninguém é perfeito) ISBN 978-8599070369
- É Pau puro! - O Jaguar do Pasquim (1982)
- Ipanema, se não me falha a memória (2000) ISBN 978-8573162363
- Confesso que bebi - Memórias de um Amnésio Alcoólico (2001) ISBN 978-8501060877[12]
Referências
- ↑ Astral Souto e Isadora Batista (21 de maio de 2025). «Nascimento de Olga Savary». Consultado em 25 de agosto de 2025
- ↑ a b «Fundador do 'Pasquim', experiente Jaguar estreia charge na Folha». Folha de S.Paulo. 30 de junho de 2017. Consultado em 19 de abril de 2024
- ↑ Rocha, Valentina (25 de agosto de 2025). «A charge que levou à prisão de Jaguar, fundador do Pasquim, durante a ditadura militar». Veja. Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ Arnaldo Bloch (23 de fevereiro de 2014). «'Humor não serve mais para nada', diz Jaguar, em sua 'última entrevista'.». O Globo. Consultado em 6 de março de 2014
- ↑ {{Citar web |titulo=Cinquentenário da Mônica de Mauricio de Sousa, causa incômodo em Jaguar |data=2013-03-03 |url=http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1238957-cinquentenario-da-monica-de-mauricio-de-sousa-causa-incomodo-em-jaguar.shtml |obra=[[Folha de S.Paulo] |acessodata=2019-11-23 |arquivourl=https://archive.is/1u4lb |arquivodata=2025-08-01 |subscricao=sim}}
- ↑ «Após mais de 30 anos, Jaguar é demitido por e-mail do jornal "O Dia"». Portal IMPRENSA - Notícias, Jornalismo, Comunicação. Consultado em 23 de novembro de 2019
- ↑ «Ziraldo e Jaguar serão indenizados por período militar». Consultado em 7 de abril de 2008. Arquivado do original em 10 de abril de 2008
- ↑ «Morre Jaguar, cartunista aos 93 anos». G1. 24 de agosto de 2025. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ Torres, Bolívar (25 de agosto de 2025). «Cartunista Jaguar terá cinzas jogadas em bares do Rio e de São Paulo; fundador do Pasquim foi cremado nesta segunda-feira (25)». O Globo. Consultado em 28 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2025. (pede subscrição (ajuda))
- ↑ Astral Souto e Isadora Batista (21 de maio de 2025). «Nascimento de Olga Savary». Consultado em 25 de agosto de 2025
- ↑ «Morre o cartunista Jaguar, um dos criadores do Pasquim». Fantástico. G1. 24 de agosto de 2025. Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ Zorzi, André Carlos (24 de agosto de 2025). «Jaguar: relembre os principais livros e obras do cartunista, que morreu aos 93 anos». Estadão. Consultado em 28 de agosto de 2025
