Pedra do Ingá
Pedra do Ingá | |
|---|---|
| Tipo | sítio arqueológico, petróglifo, património cultural |
| Geografia | |
| Coordenadas | |
| Localização | Ingá - Brasil |
| Patrimônio | Património Mundial Provisório |
A Pedra do Ingá é um monumento arqueológico, identificado como "itacoatiara", constituído por um terreno rochoso que possui inscrições rupestres entalhadas na rocha, localizado no município brasileiro de Ingá no estado da Paraíba.[1]
A formação rochosa em gnaisse cobre uma área de cerca de 250 m². No seu conjunto principal, um paredão vertical de 50 metros de comprimento por 3 metros de altura, e nas áreas adjacentes, há inúmeras inscrições cujos significados ainda são desconhecidos. Neste conjunto estão entalhadas figuras diversas, que sugerem a representação de animais, frutas, humanos e constelações como a de Órion.
O sítio arqueológico fica a 109 km de João Pessoa e a 38 km de Campina Grande. O acesso ao local se dá pela BR 230, onde há uma entrada para a PB 90, na qual após percorrer 4,5 km chega-se ao núcleo urbano de Ingá. Atravessando a avenida principal da cidade, percorrem-se mais 5 km por estrada asfaltada até se chegar ao Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá. No local há um prédio de apoio aos visitantes e as instalações de um museu de História Natural, com vários fósseis e utensílios líticos encontrados na região onde hoje fica a cidade.
O sítio arqueológico está numa área, outrora privada, que foi doada ao Governo Federal brasileiro e posteriormente tombada[2] como Monumento Nacional pelo extinto Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN), a 30 de novembro de 1944.
Etimologia
[editar | editar código]O termo "itacoatiara" vem da língua tupi: itá ("pedra") e kûatiara ("riscada" ou "pintada").[3] De acordo com a tradição, quando os indígenas potiguaras, que habitavam a região, foram indagados pelos colonizadores europeus sobre o que significavam os sinais inscritos na rocha, usaram esse termo para se referir a eles.[carece de fontes]
Características
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Costuma-se associar as imagens das inscrições rupestres da Pedra do Ingá apenas ao paredão vertical. Porém todo o terreno rochoso possui inscrições das mais diversas formas, onde foram empregadas variadas técnicas de gravura em pedra. As diferentes partes foram denominadas de painéis pelos professores Thomas Bruno Oliveira e Vanderley de Brito, para fins de pesquisa e referências acadêmicas. São elas:
- Painel Vertical - É o mais conhecido e estudado do conjunto; da área de 46 metros de extensão por 3,8 m de altura da rocha, 15 metros de extensão por 2,3 m de altura estão quase completamente tomados por inscrições. A maioria delas está abaixo de uma linha horizontal, ligeiramente ondulada de 112 incisões capsulares. Essas inscrições são bastante caprichadas, apresentando sulcos largos (chegando a até 5 cm), relativamente profundos (atingindo até 8 mm) e bem polidos.
- Painel Inferior - Está sobre o piso do lajedo em frente ao painel vertical. Cobre uma área de 2,5 m² com várias inscrições arredondadas das quais saem riscos, lembrando estrelas. Os professores acima citados e o pesquisador Dennis Mota propõem que ali estaria representada a constelação de Órion ou as Plêiades, pois são as constelações que podem ser vistas ao se olhar para o céu noturno estando naquela localização.
- Painel Superior - Localiza-se acima do Painel Vertical, no topo da rocha, a 3,8 metros de altura. É composto por sinais dispersos de menos profundidade e largura e também feitos com menos esmero do que os que estão logo abaixo. A inscrição que mais chama a atenção nesse painel é um grande círculo em forma de espiral, atravessado por uma inscrição em forma de seta que aponta para o poente.
- Há também as chamadas Inscrições Marginais, que estão dispersas pela área do conjunto rochoso e são de aparência mais rústica, se comparadas às outras inscrições. Muitas delas são apenas raspadas na superfície da rocha. A razão pela qual essas inscrições se diferenciam das demais, por sua simplicidade, é mais um dilema entre os pesquisadores. Vanderley de Brito propõe que poderiam ter sido produzidas por culturas anteriores à que produziu as inscrições principais. Dennis Mota já dá outra explicação: a de que as inscrições marginais poderiam ter servido de esboço para as inscrições dos painéis, mais elaboradas.
Arqueoastronomia
[editar | editar código]Há uma hipótese que fornece aos petróglifos do Ingá uma importância excepcional do ponto de vista arqueoastronômico. Em 1976, o engenheiro espanhol Francisco Pavía Alemany começou um estudo matemático do monumento arqueológico, cujos primeiros resultados foram publicados em 1986 pelo Instituto de Arqueologia Brasileira.[4] Este autor identificou, no Ingá, o registro arqueológico mais extraordinário conhecido da variação do orto solar durante o ano inteiro, materializou por uma série de "capsulars" e outras pinturas rupestres gravadas na superfície vertical, que como um limbo graduado forma um "calendário solar", no qual um gnomon lançaria a sombra dos primeiros raios do sol de cada dia. A Associação Astronômica de Safor publicou em 2005 uma síntese desse trabalho no seu boletim oficial Huygens nº 53.[5]
Mais tarde, Pavía continuou com o estudo de Ingá, focando desta vez sobre o registro de uma série de gravuras sobre a superfície rochosa do próprio piso do lajedo, onde são observadas muitas "estrelas" que podem ser agrupados para formar "constelações". Tanto o registro de "capsular", como as "constelações" em si, fornecem grande valor a Ingá, mas a coexistência de ambos no mesmo campo dá a Ingá uma importância arqueoastronômica excepcional.
Em 2006, o arqueoastrônomo e egiptólogo José Lull coordenou a publicação de um livro intitulado Trabajos de arqueoastronomía : ejemplos de Africa, América, Europa y Oceanía, compêndio de treze artigos escritos por arqueoastrônomos de prestígio. Entre estes artigos está incluído "El Conjunto arqueoastronómico de Ingá", onde está exposto o estudo desses dois grupos e as razões para qualificar Ingá como um monumento arqueoastronômico excepcional, sem par no mundo.[6]
Galeria
[editar | editar código]- Utensílios líticos no Museu de História Natural do Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá
- Detalhe da Pedra do Ingá
- Imagem obtida a partir do molde em composto de silicone das inscrições da Pedra do Ingá
- Detalhe das inscrições da Pedra do Ingá
Cultura popular
[editar | editar código]Na graphic novel, Piteco: Ingá, releitura do personagem Piteco de Mauricio de Sousa, o quadrinhista paraibano Shiko presta uma homenagem à Pedra do Ingá, estabelecendo uma origem brasileira do homem das cavernas.[7]
Leituras adicionais
[editar | editar código]- BRITO, Vanderley de. A Pedra do Ingá - Itacoatiaras na Paraíba. 4ª edição. Campina Grande: Universidade Federal de Campina Grande. 2011
Referências
- ↑ Kawabe, Elaine. «Pedra do Ingá, na Paraíba, guarda enigmas sobre os primeiros habitantes do Brasil». Portal UOL. Consultado em 14 de Fevereiro de 2013
- ↑ Itacoatiaras do Rio Ingá (PB). IPHAN.
- ↑ NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil 1.ª ed. São Paulo: Global. p. 571. 624 páginas. ISBN 9788526019331
- ↑ PAVÍA ALEMANY, Francisco (1986) “El Calendario solar da pedra de Ingá. Una hipótesis de trabajo”. Boletim série ensayos nov/86. Instituto de Arqueología Brasileira. Río de Janeiro.
- ↑ PAVÍA ALEMANY, Francisco (2005) La "itacoatiara" de Ingá. Un registro astronómico. Por Francisco Pavía Alemany. Huygens nº 53. Agrupación Astronómica de la Safor.
- ↑ LULL, José (ed.). (2006) Trabajos de Arqueoastronomía. Ejemplos de África, América, Europa y Oceanía. Valencia: Agrupación Astronómica de La Safor - Sección de Arqueoastronomía, 2006, p.229.
- ↑ «Piteco - Ingá». 29 de novembro de 2013
Ligações externas
[editar | editar código]- Pedra do Ingá, blog mantido por Dennis Mota, com informações, fotos e vídeos sobre a Pedra
- Blog da Sociedade Paraibana de Arqueologia


