Quadrinhos para adultos

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A expressão quadrinhos para adultos (no Brasil) ou banda desenhada para adultos (em Portugal, Angola e Cabo Verde) faz referência a publicações de histórias em quadrinhos que abordam temas considerados impróprios para jovens e crianças, sendo eles, portanto, próprios apenas para o público adulto. São considerados temas para adultos: sexo e erotismo, morte e violência, assim como questões psicológicas e existenciais.[1][2] Dentre as principais publicações do gênero, encontram-se aquelas sob os selos Vertigo, Opera Erótica, MAX Comics e Image Comics, além de séries independentes como a erótica Druuna.

Conceito e gêneros dos quadrinhos para adultos[editar | editar código-fonte]

Não foi alcançado consenso na literatura especializada sobre o conceito de quadrinhos para adultos, isto é, em relação ao que seria quadrinhos para adultos. Neste artigo, entretanto, o conceito será utilizado da forma mais ampla possível, evitando, assim, a adoção de uma corrente em prol de outra e permitindo o mais amplo acesso aquilo que, mesmo sem consenso, é considerado quadrinhos para adultos. Garante-se, assim, a imparcialidade e o caráter enciclopédico do presente artigo. Isto significa que serão considerados quadrinhos para adultos tanto aqueles quadrinhos que foram intitulados como tal por seus editores - seja porque utilizam meios próprios para quadrinhos para adultos, como a publicação dos quadrinhos em formato de graphic novels, seja porque estão sob algum selo exclusivo para adultos, como o selo Vertigo da DC Comics -, como aqueles quadrinhos com gênero exclusivo para adultos - tal como o erótico-, ou ainda aqueles quadrinhos que foram aclamados pela crítica como quadrinhos para adultos.[3]

Todos os gêneros literários - excetuado o gênero infantil - servem para histórias em quadrinhos para adultos, sendo que apenas alguns gêneros se dirigem exclusivamente a adultos, como é o caso da literatura erótica e do terror. O normal é que os gêneros literários se destinem à adultos, sendo exceção a literatura infantil, porém, nos quadrinhos, por uma questão histórica (ver A censura: o Código dos Quadrinhos abaixo), a situação é oposta: os quadrinhos foram utilizados, em grande parte, para vincular histórias do gênero infantil, e é por isso que, neste caso, o gênero quadrinhos para adultos tornou-se a exceção.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Muitos são os termos usados para designar aquilo que aqui chamamos de histórias em quadrinhos, aos quais a adição da preposição para e do substantivo adulto delimitam o objeto hora em tela, a saber: quadrinhos, HQ, gibi, revistinha, tirinha, historieta, histórias aos quadradinhos, banda desenhada, BD, arte sequencial, literatura desenhada, etc. Alguns termos, entretanto, - na maior parte das vezes cunhados artificialmente - visam destacar as histórias em quadrinhos para adultos do conceito mais abrangente de história em quadrinhos: este é o caso do termo graphic novel, popularizado por Will Eisner no final da década de 70 para definir suas obras com temas para adultos.[4]

Em algumas línguas, a terminologia é ainda mais complexa e precisa, como é o caso do japonês. Em 1957, o japonês Yoshihiro Tatsumi cunhou o termo gekigá (劇画? lit. figuras dramáticas) para definir mangás de temáticas adultas.[5] Atualmente, entretanto, os mangás destinados a adultos são geralmente divididos em seinen (青年 漫画, quadrinhos para os homens?)[6] e josei (女性 漫画, quadrinhos para as mulheres?).[7] Quadrinhos eróticos destinadas a homens são referidos como seijin-muke mangá (成人 向 け 漫画?) ou ero mangá (エロ漫画?)[nota 1] e os que visam as mulheres são chamadas de ladies comics (レーディーズ・コミック?) .[9]

História dos quadrinhos para adultos por região[editar | editar código-fonte]

História dos quadrinhos para adultos nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Era de ouro da banda desenhada
Exemplo de tijuana bible.
Arte de Joe Shuster para a revista Nights of Horror.

Apesar de Roger Sabin traçar a história dos quadrinhos para adultos de volta às publicações em formato standard no século 19,[10] foi com as chamadas tijuana bibles, estreadas por volta de 1930, que algo mais próximo daquilo que entendemos hoje como histórias em quadrinhos puderam ser encontradas nos EUA: as tijuana bibles eram quadrinhos para adultos publicados clandestinamente e cuja impressão consistia em oito páginas retangulares baratas em preto e branco.[11] Sua qualidade artística variava de excelente para absolutamente bruta e às vezes até mesmo racista: negros foram caricaturados com grandes lábios e olhos saltados para fora. As histórias consistiam em escapadas sexuais explícitas, normalmente com personagens bem conhecidos de desenhos animados, figuras políticas ou estrelas de cinema (sem a devida permissão).[12] Às escondidas - em lugares como lojas de tabaco - foram vendidas milhões de tijuana bibles no auge de sua popularidade na década de 30. A publicação entrou em acentuado declínio após a Segunda Guerra Mundial: em meados da década de 50, apenas uma pequena quantidade de novos produtos ainda estavam aparecendo no mercado, nesta época, só era possível encontrar impressões e desenhos de má qualidade e as histórias eram vendidas por dez centavos cada.

Já as revistas pulp como Spicy Detective de Harry Donenfeld apresentavam história, nas quais heroínas tinham muita dificuldade em permanecerem vestidas, é o caso da tira Sally the Sleuth (1934) de Adolphe Barreaux. Muitos dos primeiros editores de quadrinhos iniciaram suas carreiras nestas revistas, como Harry Donenfeld, que chegaria a fundar a DC Comics.[13]

De maneira semelhante, a Fiction House começou como uma editora de revistas pulp, lançando em 1938 a revista Sheena, Queen of the Jungle, a primeira de muitas tarzanide seminuas.[13] As revistas da Fiction House rotineiramente mostravam mulheres atraentes nas capas - tendência que mais tarde se tornaria conhecida como good girl art-.

Em 1941, a Quality Comics apresentou ao público histórias policiais com a Lady Fantasma, uma combatente do crime seminua que viria mais tarde a ser publicada pela Fox Feature Syndicate, quando ela passou a ser desenhada por Matt Baker, um dos mais famosos artistas das good girl art. Matt Baker também é apontado como o primeiro a ilustrar uma graphic novel, a It Rhymes with Lust (1950), escrita pela dupla Arnold Drake e Leslie Waller.[14] [15]

Em 1943, Milton Caniff começou a produzir Male Call[16] e Bill Ward iniciou em 1944 a publicação de suas heroínas sensuais em Torchy.

As revistas pulp também eram conhecidos por sua violência: The Shadow carregava duas armas para matar criminosos e até mesmo Batman empunhava uma arma de 1939 a 1944. Historias dos gêneros policial e terror eram populares no final dos anos de 1940 e início dos anos de 1950, com títulos como: Crime Does Not Pay, Crime SuspenStories e The Vault of Horror.

Em 1953, Joe Shuster, co-criador do Superman, ilustrou quadrinhos eróticos para a revista Nights of Horror.[17][18]

Ainda na década de 1950, diversos quadrinistas produziram girlies cartoons (cartoon eróticos) para a editora Humorama de Martin Goodman, dentre os artistas estavam Jack Cole, Dan DeCarlo.[19]

A censura: o Código dos Quadrinhos[editar | editar código-fonte]

Em 1954 o psicólogo Dr. Fredric Wertham publicou o livro Seduction of the Innocent, onde alegou que a delinquência juvenil que estava sendo noticiada teria sido alimentada pelas histórias em quadrinhos. Ele alegou que Batman e Robin foram encorajadores da homossexualidade e lamentou o bondage visto na revista da Mulher-Maravilha. A EC Comics foi criticada pela violência gráfica vista em seus quadrinhos de crimes e terror ao ponto de seu editor William Gaines ter se prontificado a depor na comissão do Senado dos Estados Unidos da América, onde se colocou na defensiva afirmando que já estava censurando as passagens mais extremas de suas publicações.[20] Em parte, a fim de evitar que o governo impusesse uma solução, as outras grandes editoras se uniram para formar a Comics Code Authority, a qual deveria censurar os quadrinhos antes destes irem para o prelo e só permitir que suas marcas aparecessem, se as histórias passassem por seus padrões de censura.[13]

O padrão imposto foi alarmantemente rigoroso: ele proibiu editores de usarem as palavras "crime", "horror" ou "terror" em seus títulos, forçando assim, a EC Comics a abandonar alguns dos seus títulos mais populares. Os agentes da polícia não poderiam ser retratados em uma luz negativa e se um vilão cometesse assassinato, ele teria de ser pego e punido ao final da história. Menções sobre vampiros, lobisomens ou zumbis foram proibidas. Anos mais tarde, quando a Marvel Comics introduziu zumbis em suas revistas, eles tinham que chamá-los de zuvembies, a fim de passar pela censura. Em geral, a DC e a Marvel Comics eram favoráveis ao padrão de censura, mas a EC Comics sofreu para se adaptar às novas regras, acabando por abandonar a maior parte de seus títulos e se concentrar na Mad Magazine, que, por ter mudado para o formato magazine, não precisava passar pela censura da Comics Code Authority.[21] Este também continha disposições contra as ilustrações sugestivas ou obscenas, exigindo que as mulheres fossem desenhadas de forma realista e sem exposição indevida.

Editoras como a Dell Comics, Gilberton e Gold Key Comics (selo da Western Publishing) não se submeteram ao código, se valendo da reputação de suas publicações.[22] A Gilberton publicava quadrinizações de obras literárias na revista Classics Illustrated e as editoras Dell e Gold Key publicavam quadrinhos licenciados baseados em séries de televisão, filmes entre outros, como não eram associadas ao Comics Magazine Association of America, essas editoras eventualmente publicavam títulos de terror.[23]

Revistas para adultos[editar | editar código-fonte]

Nesta altura, já não era apenas o tamanho das revista em quadrinhos norte-americanas (algo como 17 x 26 cm) que as diferenciavam das [24] Magazines, as quais eram quase sempre maiores, mas, principalmente, o selo de adequação para crianças que acompanhava apenas as revistas em quadrinhos, fato que levou as magazines a se tornarem um dos formatos mais comuns de quadrinhos para adultos. O formato grande das magazines e a ausência do selo de adequação para crianças, significava que elas poderiam ser vendidas junto com outras revistas destinadas à adultos, ao invés de exibidas em estantes infantis.[25][26]

Uma destas magazines que continham quadrinhos para adultos era a revista Playboy, publicada pela primeira vez em 1953. Ela continha tiras de artistas individuais como: Alberto Vargas, Dan DeCarlo, Jack Cole e, mais tarde, de Olivia De Berardinis e Dean Yeagle com sua Mandy. Em meados dos anos de 1960 a revista Playboy passou a incluir mais que tiras, passou a incluir quadrinhos para adultos contendo várias páginas. Uma destas história presentes na Playboy era a Little Annie Fanny,[11] desenhada e escrita pelos membros da EC Comics Harvey Kurtzman e Will Elder, com auxilio ocasional do artista Frank Frazetta.[27] Annie, a personagem principal dos quadrinhos da Playboy desta época, teve problemas em manter suas roupas no lugar, tendência também observada em quadrinhos como: Phoebe Zeit-Geist,[11] Sally Forth de Wally Wood e Oh, Wicked Wanda! publicado pela Penthouse e escrito e desenhado por Ron Embleton.

A Penthouse iria lançar, mais tarde, os seguintes títulos de revistas de história em quadrinhos para adultos como, entre outras, a: Penthouse Comix com contribuições de Adam Hughes.

A partir de 1965 a Warren Publishing começou a publicar duas revistas em preto e branco: Creepy e Eerie, apoiando o trabalho dos artistas que tinham trabalhado na linha de horror da EC Comics. A Warren acrescentou Vampirella em 1969 ao seu catálogo e depois a revista de ficção científica intitulada 1984 - denominada mais tarde, a partir do ano 1978, de 1994 -.

Os editores da revista de humor americana National Lampoon descobriram a revista francesa adulta Métal Hurlant e em 1977 começaram a publicar a Heavy Metal, traduzindo as obras de Jean-Claude Forest, Jean Giraud, Guido Crepax, Milo Manara e Vittorio Giardino para o público norte-americano. Heavy Metal também forneceu um fórum para o trabalho de criadores americanos como Richard Corben e Howard Chaykin.

Em 1983, Warren foi à falência, mas, mais recentemente, a Dark Horse Comics passou a publicar edições encadernadas de algumas das antigas histórias da Warren, e reavivou as revistas Creepy e Eerie.

Underground comix[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Era de Prata da banda desenhada e Fanzine

Os quadrinhos para adultos em seu formato original - e não aqueles publicados em magazines - continuaram a serem vendidos na década de 60, apoiados pelo movimento underground comix,[11] o qual era encabeçado por artistas como Art Spiegelman, Robert Crumb, Harvey Pekar, Kim Deitch e Spain Rodriguez. [28] [29] [30] Crumb chegou a colaborar com fanzines inspirados na revista Mad.[31]

Larry Welz produziu, na década de 80, o quadrinho Cherry, uma paródia erótica dos quadrinhos para adolescentes publicados pela Archie Comics. Estes títulos eram vendidos, muitas vezes, em lojas de produtos de contracultura,[32][33][34] porém estes estabelecimentos entravam constantemente em conflito com a polícia, dificultando a distribuição das revistas em quadrinhos.

Editores independentes[editar | editar código-fonte]

Por editores independentes, entende-se aqueles editores que são os próprios autores de suas obras ou aqueles editores que, apesar de publicarem obras de outros artistas, mantêm os direitos autorais nas mãos destes últimos (modelo designado como creator-owned em inglês).[35]

Em 1966, Wally Wood teve a ideia de publicar sua própria revista em quadrinhos - a Witzend - e vendê-la através das lojas especializadas. Para isso recrutou, entre seus amigos, artistas famosos como Jack Kirby, Steve Ditko, Frank Frazetta, Gil Kane e Art Spiegelman, publicando os mais variados temas.[36]

A Pacific Comics dos irmãos Bill e Steve Schanes abriu sua primeira loja em 1974, publicando a Rocketeer de Dave Stevens. Mais tarde esta pequena loja se tornaria uma imensa distribuidora de quadrinhos da costa pacífica dos EUA, que passou a ser uma opção de publicação para artistas independentes.[37]

Em 1976 a Fantagraphics Books começou a publicar o The Comics Journal e mais tarde o Amazing Heroes com artigos sobre quadrinhos, sendo que só a partir de 1982 eles passaram a publicar as próprias histórias em quadrinhos com a publicação de Love and Rockets de Gilbert Hernandez e Jaime Hernandez. Foi, entretanto, em 1990 que a Fantagraphics Books chegou a estabelecer seu selo Eros Comix, a qual era constituída de reimpressão de títulos criados por Wally Wood e Frank Thorne, bem como a Birdland de Gilbert Hernandez.[38]

O canadense Dave Sim começou a publicar a Cerebus em 1977.[39] No mesmo ano, Wendy e Richard Pini passaram a escrever a Elfquest, publicada através de editora própria, a WaRP Graphics. Por sua vez, a Antarctic Press foi fundada em 1984 e publicou mangás americanos, assim como material de artistas independentes.[40] Em 1986 seria a vez de Dark Horse Comics ser fundada, a qual publicou Sin City de Frank Miller.[41] Em 1996 a Avatar Press forneceria espaço para as obras de Alan Moore e Al Rio e finamente em 1997 a Top Shelf Productions foi fundada e viria a publicar títulos adultos como o quadrinho erótico Lost Girls de Alan Moore e Melinda Gebbie.[42][43]

As grandes editoras[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Era de Bronze da banda desenhada

Martin Goodman, editor da Marvel Comics na década de 60, foi também editor de algumas revistas do gênero Men's adventure. [44][45] Esta conexão com a Marvel Comics o possibilitou trazer alguns dos artistas de quadrinhos para desenharem e escreverem tiras para adultos em suas revistas, tiras que depois eram recolhidas e lançadas separadamente como revista one-shot sob o título de The Adventures of Pussycat pela Magazine Management Company, um braço da Marvel Comics. A The Adventures of Pussycat era escrita e desenhada por Wally Wood, Bill Ward e Jim Mooney e apesar de haver no seu interior referência à Marvel, não havia qualquer logotipo seu na capa e nem qualquer selo da Comics Code. A falta deste último selo era um sutil sinal de que se encontraria conteúdo adulto nestes quadrinhos.[46][47]

Alguns anos depois, a Marvel Comics lançaria diversos títulos no ramo, como: Savage Tales (1971-75) [48], The Tomb of Dracula (1972-79)[49] e Savage Sword of Conan (1974-95)[50]. Não obstante isso, o sucesso da Heavy Metal - com sua ficção científica e fantasia - não passou despercebida e em 1982 a Marvel lançou o selo Epic Comics, sob o qual passou a publicar diversos quadrinhos para adultos. Em 1986, porém, o selo foi cancelado e apenas a publicação da Savage Sword of Conan foi, até o ano de 1995, mantida.[51][52]

Na década de 80 houve uma tendência crescente para o anti-heroísmo sombrio, assim como o aumento da violência nos quadrinhos. O Punisher da Marvel Comics recebeu seu próprio título em 1985. Já em 1986 Alan Moore publicaria, pela DC Comics, a minissérie Watchmen e Frank Miller o título The Dark Knight Returns.[53]

Ambas, a Marvel e a DC Comics, começaram, na década de 80, a publicar quadrinhos com avisos especiais em suas capas, tais como: "para leitores maduros" ou "sugeridos para leitores maduros". Entre os títulos portadores destes selos estavam: The Shadow (1986), The Question (a partir do nº 8 de 1987), Slash Maraud (1987), Monstro do Pântano (a partir do nº 57 de 1987), Vigilante (a partir do nº 44 de 1987), Wasteland (1987), Batman: A Piada Mortal (1988), Green Arrow (do nº 1 ao nº 62 – de 1988 a 1992), Haywire (1988), Hellblazer (1988), Tailgunner Jo (1988), V de Vingança (1988), Blackhawk (1989), Gilgamesh II (1989), Sandman (1989), Shade the Changing Man (1990), Twilight (1990), World Without End (1990), Mister E (1991) e Homem Animal (1992).[54] [55]

Em 1993, a DC Comics inicia publicações sob seu hoje famoso selo de quadrinhos para adultos, o selo Vertigo, o qual permitia conteúdo adulto explícito nos títulos selecionados. Títulos notáveis da Vertigo, incluem os vencedores Eisner Award: Fables, 100 Balas, Preacher e Sandman, assim como várias revistas em quadrinhos que foram adaptados para o cinema, como: Hellblazer, Stardust e V de Vingança.[56]

Em 2001 a Marvel Comics decidiu retirar-se do Comics Code Authority e criar seu próprio sistema de classificação de conteúdos, além de um selo orientado para adultos, o selo MAX Comics.[57][58] Em janeiro de 2011 a DC anunciou que também estavam se retirando do Comics Code e o único membro remanescente, a Archie Comics, retirou-se um dia depois, levando o Comics Code Authority ao seu fim.

História dos quadrinhos para adultos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História em quadrinhos no Brasil

Na década de 1950, Carlos Zéfiro desenhava os chamados catecismos,[nota 2] quadrinhos eróticos vendidos clandestinamente. Zéfiro se inspirava em quadrinhos românticos mexicanos[59] publicados pela editora Editormex (cujas histórias possuíam apenas dois quadros por página)[12] e em fotonovelas pornográficas de origem sueca.[59]

Com a implementação do Comics Code nos Estados Unidos, a demanda por quadrinhos de terror aumentou no Brasil, antes disso, em 1951, a editora La Selva que publicava a revista O Terror Negro com o super-herói de mesmo nome, chegou a a transformar a revista em um título de terror com histórias da revista americana The Beyond.[60]

Quando o material norte-americano acabou, os editores se viraram para autores locais:[61] a revista pulp X-9 da Rio Gráfica Editora, publicou a série Assombrações, baseada em lendas urbanas e ilustradas por Flavio Colin, Walmir Amaral, Gutemberg Monteiro e Manoel Victor Filho; [62]nas décadas de 1960 e 70, destacam-se os quadrinhos publicados pelas editoras Outubro[63][64] e Jotaesse, nessa última, Eugênio Colonnese criou a sensual vampira Mirza[65] As principais editoras do país: EBAL, Abril, O Cruzeiro e Rio Gráfica Editora criaram uma versão brasileira do Comics Code, o Código de Ética dos Quadrinhos, mas ele não teve tanto impacto como o código original.[61][66]

Na EDREL de Minami Keizi, Claudio Seto se inspirou nos quadrinhos japoneses (mangás), trazendo influências do movimento gekigá na revista O Samurai[67] e nos ecchis com a personagem Maria Erótica.[68] Por conta do conteúdo das revistas, a editora foi alvo de censura pela Ditadura Militar e fechada em 1972.[69] Em 1978, Claudio Seto resgata a personagem Maria Erótica na editora Grafipar de Curitiba[70][71], além de criar a Katy Apache, uma cowgirl inspirada na personagem Hannie Caulder do filme de mesmo nome, estrelado pela atriz Raquel Welch. Tal como Caulder, Katy veste apenas um poncho.[72]

Em 1981, o estúdio D-Arte de Eugênio Colonnese e Rodolfo Zalla se torna uma editora, entre os títulos da editora estavam as revistas de terror Calafrio e Mestres do Terror.[63]

História dos quadrinhos para adultos na Europa[editar | editar código-fonte]

França[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Banda desenhada franco-belga

O patrocinador da corrente de quadrinhos para adultos na França foi o editor Eric Losfeld, o qual começou, no início dos anos 60, a publicar quadrinhos em formato de luxo com protagonistas femininas como Barbarella (1962) de Jean-Claude Forest.[73]

A antologia de quadrinhos franceses Pilote foi publicada entre 1959 e 1989 e contou com o trabalhos orientados para adultos de criadores como Jean Giraud (Moebius), Guido Crepax, Jean-Michel Charlier, Caza e o norte-americano Robert Crumb. Moebius publicou dois faroestes nas revistas Blueberry e Fort Navajo (roteirizado por Charlier).[74]

Em 1974, Jean Giraud e alguns de seus companheiros estavam insatisfeitos com a Pilote e fundaram a revista a Métal Hurlant, que publicou quadrinhos adultos de ficção científica e fantasia.[74][75]

Inglaterra[editar | editar código-fonte]

Em 1932, Norman Pett desenhou para o jornal britânico Daily Mirror uma série de tira chamada Jane.[11] Nas histórias destas tiras, a heroína encontrava-se, muitas vezes, em situações embaraçosas que a levava a perder sua roupa. A tirinha foi escrita - em certa medida - para elevar a moral das tropas militares longe de casa, chegando Winston Churchill a dizer que Jane era a "arma secreta" da Grã-Bretanha.[76]

Em 1977, surge a antologia britânica 2000 AD [77], a qual contou com o trabalho de muitos escritores e artistas que estavam a tornar-se influentes no mercado de quadrinhos para adultos dos Estados unidos, como Alan Moore[78] e Dave Gibbons[79], o quais criaram Watchmen, assim como Neil Gaiman, o qual passou para trabalhar em The Sandman. Outra popular revista britânica é a Viz, a qual parodia antologias de quadrinhos britânicos com uma injeção de sexo incongruente ou de violência. Enquanto 2000 AD é focada em aventura, a Viz é focados em humor.

Raymond Briggs tentou publicar quadrinhos britânicos com um tom mais sério em obras como When the Wind Blows, obra que trata de um casal de idosos tentando "chegar a um acordo" com as consequências de um ataque nuclear.

Itália[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fumetti

Em 1965 surge, na Itália, o Diabolik, criado pelas irmãs Angela e Luciana Giussani.[80] A série, a qual conta a história de um ladrão astuto e calculista,[81] foi publicada em formato de bolso (12 x 17 cm) e [80][82] inaugurou o gênero fumetti neri.[83] Em 1965, Guido Crepax criou a personagem Valentina, como coadjuvante da série Neutron, publicada na revista italiana Linus,[84] a personagem se tornaria, logo depois, a protagonista de um dos quadrinhos eróticos mais famosos da Itália.[85]

O Italiano Paolo Eleuteri Serpieri - ou apenas Serpieri - por sua vez, publica de 1985 até 2003 sua personagem erótica Druuna, a qual foi desenhada em um realismo artístico incrível[86] e habita um mundo de ficção científica em um cenário apocalíptico. Entre várias outras versões, Druuna foi lançada na revista Heavy Metal em inglês, pela editora Alessandro em italiano e pela Bagheera em francês. As últimas edições em francês foram publicadas pela editora Glénat.

Situação atual dos quadrinhos para adultos[editar | editar código-fonte]

Escritoras e desenhistas femininas[editar | editar código-fonte]

Embora a maioria dos escritores e artistas de quadrinhos para adultos tenham sido homens, também houve mulheres neste universo artístico. Olivia De Berardinis contribui com ilustrações para a revista Playboy. Elaine Lee, uma escritora que trabalhou tanto para DC quanto para a Marvel, colaborou com o artista Michael Kaluta para produzir "Skin Tight Orbit", uma coleção de contos adultos publicados pela "NBM" para a seu selo "Amerotica". Wendy Pini também trabalhou para a Marvel, mas é mais conhecida por sua série Elfquest, a qual produziu com seu marido Richard. Amanda Conner trabalhou na "Codename:Knockout" da Vertigo e finalmente Melinda Gebbie trabalou com Alan Moore na Lost Girls.

Lista de títulos de quadrinhos para adultos[editar | editar código-fonte]

Galeria de imágens[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Ver também o artigo hentai, termo usado no Ocidente para mangás eróticos)[8]
  2. Para o jornalista Gonçalo Junior, os catecismos de Zéfiro não possuem nenhuma relação com os tijuana bibles[12]
  3. Tradução livre de Super heroes and the madcap humor that accompanied them would be excised completely.

Referências

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  2. Quadrinhos não são feitos para crianças?
  3. http://super.abril.com.br/10-quadrinhos-essenciais-para-adultos
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  5. John A. Lent. Popular Press 1, : . Themes and issues in Asian cartooning: cute, cheap, mad, and sexy. 31 de Dezembro de 1999 [S.l.: s.n.] p. 114. ISBN 978-0879727796. 
  6. Robin E. Brenner. Understanding manga and anime. [S.l.]: Libraries Unlimited, 2007. ISBN 9781591583325
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  9. Frederik L. Schodt (2014). Dreamland Japan: Writings on Modern Manga Stone Bridge Press, Inc. [S.l.] p. 124. ISBN 9781611725537. 
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  16. Terry e os piratas
  17. Secret Identity: The Fetish Art Of Joe Shuster
  18. Livro revela desenhos eróticos de co-criador do Superman
  19. The Pin-Up Art of Humorama
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