Eugênio Colonnese

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Eugênio Colonnese
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Nascimento 3 de setembro de 1929
Local Fuscaldo,  Itália
Morte 8 de agosto de 2008 (78 anos)
Local Santo André,  São Paulo
Nacionalidade italo-brasileiro
Área(s) de atuação desenhista, roteirista e editor
Trabalhos de destaque Mirza
Mylar
X-Man

Eugênio Colonnese (Fuscaldo, Itália, 3 de Setembro de 1929Santo André, São Paulo, 8 de Agosto de 2008) foi um desenhista, roteirista e editor de histórias em quadrinhos italiano naturalizado brasileiro, radicado no país, filho de mãe brasileira e pai italiano.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Fuscaldo, na Itália, em 3 de setembro de 1929, aos dois anos de idade veio para o Brasil com os pais[2], em busca de maiores oportunidades de emprego e renda. Já no país, eles se estabeleceram na cidade de Santo André, em São Paulo, e alguns anos depois se mudaram para Montevidéu, no Uruguai. Na adolescência Eugênio se mudou para Buenos Aires, na Argentina. Em 1948 venceu um concurso de histórias em quadrinhos no Clube Social de La Boca[2]. Iniciou sua carreira quadrinística em 1949 na revista "El Tony", na capital argentina, uma quadrinização da novela de Robert Louis Stevenson, "La Resaca",[3][4] logo em seguida ilustrou uma quadrinização de "La Estrella de la Araucania" de Emilio Salgari, na revista Fantasia.[3]


Em 1955, conheceu o roteirista e desenhista argentino Osvaldo Talo, formaram uma parceira em diversas histórias publicadas entre 1955 e 1963, a dupla dividiu o pseudônimo "Cota" (Colonnese-Talo) em trabalhos publicados. Em 1957, em visita à mãe em Santo André, Eugênio aproveita a viagem para apresentar seus trabalhos para EBAL de Adolfo Aizen, encomenda a ele uma quadriniação de Navio Negreiro de Castro Alves, a história foi publicada na revista Álbum Gigante em Julho de 1957[5]. Em 1961, colaborou com a editora inglesa Fleetway Publication (responsável pela revista 2000 AD) na revista Tide War[5]. Mudou-se para o Brasil em 1964 e fixou-se em São Paulo. Já morando no país, iniciou seus trabalhos com quadrinhos românticos pela Ediex (Editormex), editora de origem mexicana[3]. Nesse mesmo ano volta a trabalhar o parceiro argentino Osvaldo Talo, que havia decidido morar no Brasil. Na época o gênero mais popular de quadrinhos no Brasil eram as histórias de terror (seguindo uma tendência mundial, já que as histórias de terror, que eram importadas dos Estados Unidos, pararam de ser produzidas após a criação do Comics Code Authority).[6] Por isso seu primeiro personagem de sucesso foi Mirza, a mulher vampiro, criada em 1967 criada para editora Jotaesse[7]. No mesmo ano e na mesma revista criou o Morto do Pântano, que mais tarde dividiria histórias com Mirza.

Além do gênero terror, Colonnese criou os super-heróis X-Man, Superargo, Pele de Cobra, Gato e Mylar[8] e ilustrou histórias de de faroeste como Juvêncio, o justiceiro do sertão[9] e Beto Carrero[4]. Em meados da década de 1960, ao lado do argentino Rodolfo Zalla (que também conheceu enquanto morava na Argentina).[3] fundou o Estúdio D-Arte, que, em 1981, o Estúdio se tornou uma editora, entre os títulos da editora estavam as revistas Calafrio e Mestres do Terror.

Entre 1967 e 1968, ao lado de Rodolfo Zalla, produziu histórias de guerra para publicar na versão brasileira da revista Blazing Combat da Warren Publishing, contudo, o projeto foi cancelado.[10][11][12] Em 2011 foi publicado "War - Histórias de Guerra" pela Kalaco Editorial trazendo as histórias produzidas por Zalla.[12]2001, quatro de suas histórias foram publicadas no álbum "O Espírito da Guerra".[10] O título haviam sido usado em 2003 em um álbum desenhando por Colonnese com histórias roteirizadas por Gian Danton, baseadas em histórias escritas originalmente por Luiz Meri[13], um outro que publicou histórias escritas por Garth Ennis para o selo Vertigo da DC Comics,[14] As histórias originais da revista também seriam publicadas no país em 2011 na edição encadernada Combate Inglório pela Gal Editora.[15]


Na década de 1970, deixou de produzir histórias en quadrinhos, se tornou diretor de arte de editoras como Saraiva e Ática, onde trabalhou até o final da década de 1990.[5][16]

Em 1970, desenhou a "Chamada Geral - Epopéia", nessa história escrita por Pedro Anísio, Colonnese desenha vários personagens publicados pela em EBAL durante seus 25 anos de existência, como O Judoka, Superman, Tarzan, Mickey Mouse entre outros, um desconhecido garoto presente chamado Otacílio d'Assunção, que mais tarde seria conhecido como o jornalista e quadrinista Ota, [17] e que começou a trabalhar naquele ano na editora[18]. Ao lado do amigo Rodolfo Zalla, foi um dos responsáveis pela utilização de elementos de histórias em quadrinhos em livros didáticos[4][16]

Cartaz do filme Volúpia de Mulher (1984).

Fez diversos cartazes de filmes brasileiros[19], dentre eles o de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966) e Volúpia de Mulher (1984)[20]


Nos anos 80, voltou a produzir revistas em quadrinhos, também ficou conhecido por produzir propagandas no formato de histórias em quadrinhos do Instituto Universal Brasileiro, publicado em diversos formatinhos da Editora Abril.

No início da década de 1990, foi um dos desenhista da série Mestre Kim da Bloch Editores, baseadas no mestre de Taekwondo, Yong Min Kim, sul-coreano naturalizado brasileiro que ajudou a popularizar a arte marcial no país[21][22].

Em 2001, o editor e quadrinista Franco de Rosa, convence Colonnese a produzir novas histórias, pela editora Opera Graphica (editora onde Rosa era sócio)[23][24], Talo e Rosa escrevem novos roteiros para Mirza, também pela Opera Graphica lança o livro "A Arte Exuberante de Desenhar Mulheres"[2].

Em 2004, Eugênio Colonnese, desenhou o álbum Cangaceiros - Homens de Couro #1, com roteiro de Wilson Vieira e capa de Mozart Couto, uma publicação CLUQ (Clube de Quadrinhos)[25].

No mesmo ano publicou pela Editora Escala em co-autoria com o quadrinista Mozart Couto, a coleção "Eugênio Colonnese - Curso Completo de Desenho", composta de 5 revista, a série se propõe a ensinar técnica de desenho artístico[26] e pela Opera Graphica "Bruuna X", uma paródia erótica a Druuna de Paolo Eleuteri Serpieri[27].

Em 2005, Colonnese desenhou o personagem Mister No para a Sergio Bonelli Editore.[4] Nesse mesmo ano foi publicado um álbum com histórias do Morto do Pântano. No ano seguinte desenhou uma história da Tianinha para a revista "Total"[28], uma revista spin-off da revista Sexy em formatinho[29]. Em 2007, desenhou a última história protagonizada pela vampira Mirza, a partir de uma idéia de Franco de Rosa, Osvaldo Talo escreveu um roteiro para a personagem, a história foi publicada na revista Wizmania #51 (Dezembro de 2007) pela Editora Panini, na história Mirza tem um encontro fictício com seu criador. Em março de 2008 foi publicado um álbum em homenagem aos 40 anos de criação de Mirza pela Mythos Editora[7].

Nos últimos anos, Eugênio Colonnese ministrava aulas de desenho na Escola Estúdio de Artes[4]. Colonnese veio a falecer a 8 de agosto de 2008, em São Paulo, por falência multipla dos órgãos devido a problemas de saúde ocasionado por um AVC que ele teve em junho, decorrente do consumo intenso de cigarros.[30] O autor estava produzindo uma graphic novel sobre o médium Chico Xavier[1], a história escrita por Franco de Rosa só seria publicada em 2010 pela Ediouro, ao invés de trazer desenhos do Colonnese, a HQ foi desenhada pelo amigo Rodolfo Zalla[31].

Publicações póstumas[editar | editar código-fonte]

Em 2009, foi publicado pela Mythos Editora "A Vida de Jesus em Quadrinhos", histórias baseadas no evangelho roteirizada por Osvaldo Talo[32].

Em Maio de 2010, a Editora Escala publicou o álbum "A hora do terror: Drácula de Bram Stoker", trata-se de um compilação de histórias do Drácula publicadas originalmente em preto e branco pela Editora Taika no final da década de 1960.[33].

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Ganhou dois Prêmios Angelo Agostini, um 1985 e outros em 1994 na categoria Mestre dos Quadrinhos[32]. Em 1995 foi a vez do Troféu HQ Mix de Mestre do Quadrinho Brasileiro, em Outubro de 2008 recebeu o póstumo Troféu Bigorna na categoria "Uma Vida dedicada aos Quadrinhos", Rodolfo Zalla e Gedeone Malagola (que também faleceu Outubro de 2008) também foram premiados nesse mesmo ano[34]. Também foi nomeado comendador pelo Circolo Italiano de São Paulo. Em 2001, Watson Portela desenhou o álbum "A Última Missão" publicado pela Opera Graphica, o álbum apresenta um crossover de vários personagens criados por Colonnese[35]. Em 2009, Mirza serviu de modelo para o 21º Troféu HQ Mix[36] No mesmo ano, o cineasta Cláudio Ellovitch anunciou a produção de um curta-metragem de animação do Morto do Pântano[37]. O artista foi homenageado em São Bernardo do Campo, onde uma gibiteca municipal, recebeu o nome de Eugênio Colonnese[38].

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. a b Érico Assis (12 de Agosto de 2008). «Morre o quadrinista Eugênio Colonnese». Omelete 
  2. a b c «As mulheres de colonnese - E tem gente que não gosta!..». O Estado do Paraná. 23 de março de 2003 
  3. a b c d Gonçalo Junior (15 de agosto de 2008). «Especial: Para Celebrar Eugênio Colonnese». HQManiacs 
  4. a b c d e [http://www.texbr.com/portrasdopano/desenhistas/eugenio_colonnese.htm Dossiê TexBR - Eugênio Colonnese]
  5. a b c Roberto Guedes (31 de agosto de 2005). «Eugênio Colonnese: A Trajetória de um Mestre». Bigorna.net 
  6. Marcus Ramone (9 de janeiro de 2004). «A trajetória das HQs de terror no Brasil». Universo HQ. Consultado em 5 de maio de 2010 
  7. a b Paulo Ramos (8 de agosto de 2008). «Morre Eugênio Colonnese, o criador de Mirza». UOL 
  8. «Coleção Opera Brasil Volume 1 -A Última Missão». Opera Graphica 
  9. João Antonio Buhrer de Almeida (6 de setembro de 2010). «Arquivos Incríveis: Juvêncio, O Justiceiro: O Cowboy Mascarado do Brasil». Bigorna.net 
  10. a b press release (8 de novembro de 2001). «Opera Graphica lança O Espírito da Guerra». Universo HQ 
  11. Roberto Guedes. «Entrevista - Rodolfo Zalla». OperaGraphica.com.br 
  12. a b Carlos Costa sobre release (9 de junho de 2011). «HQs de guerra de Rodofo Zalla ganham álbum». HQManiacs 
  13. press release (3 de novembro de 2003). «Histórias de Guerra traz o talento de Eugênio Colonnese». Universo HQ 
  14. Opera lança segundo volume da Brigada Rifle
  15. Review - Combate inglório
  16. a b Arquivos Incríveis: Colonnese e Zalla desenham quadrinhos para o livro de história: História do Brasil para Estudos Sociais
  17. Gilberto M. M. Santos. «Chamada Geral -Epopéia». Universo HQ 
  18. Ota (17 de janeiro de 2011). «Série Memória das Editoras: Editora Brasil-América Limitada - Ebal». Bigorna.net 
  19. Andréa Pereira sobre release (2 de outubro de 2007). «Mostra de cinema em São Bernardo do Campo». HQManiacs 
  20. «Cartazes de Filmes». Banco de Conteúdos Culturais 
  21. Cláudio Roberto Basílio (30 de novembro de 2006). «As Artes Marcias nas HQs - Parte 4». HQManiacs 
  22. Cássio Peixoto. «Mestre Kim #7». Universo HQ 
  23. Marcus Ramone (2 de junho de 2009). «Opera Graphica lança biografia oficial do Fantasma». Universo HQ 
  24. Carlos Costa sobre release (17 de agosto de 2010). «Flash Gordon chega ao Brasil por nova editora». HQManiacs 
  25. Marcelo Naranjo, sobre o press release (26 de agosto de 2004). «Homens de Couro é o novo álbum do CLUQ». Universo HQ 
  26. Marcelo Naranjo, sobre o Press release (13 de julho de 2004). «Curso de desenho com Eugênio Colonnese, nas bancas». Universo HQ 
  27. Marcelo Naranjo, sobre o Press Release (24 de maio de 2004). «Opera Graphica apresenta Bruuna X, com arte de Eugênio Colonnese». Universo HQ 
  28. Carlos Costa sobre release (5 de abril de 2006). «Tianinha no traço de Eugênio Colonnese». HQManiacs 
  29. Eloyr Pacheco (1 de julho de 2005). «Entrevista: Laudo Ferreira Junior». Bigorna.net 
  30. [http://oglobo.globo.com/cultura/eugenio-colonnese-criador-de-mirza-morreu-nesta-sexta-feira-3607571 Eugenio Colonnese, criador de Mirza, morreu nesta sexta-feira Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/eugenio-colonnese-criador-de-mirza-morreu-nesta-sexta-feira-3607571#ixzz4DTy8y9FV © 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. ]
  31. Eliane Lobato (26 de fevereiro de 2010). «Chico Xavier superstar - Parte 2». IstoÉ Independente 
  32. a b Carlos Costa (23 de abril de 2009). «Mythos lança obra de Eugênio Colonnese». HQManiacs 
  33. Alexandre Callari. «A hora do terror: Drácula de Bram Stoker». Universo HQ 
  34. Carlos Costa sobre release (13 de outubro de 2008). «Troféu Bigorna 2008: conheça os vencedores». HQManiacs 
  35. press release (8 de novembro de 2001). «A Última Missão, outro lançamento da Editora Opera Graphica». Universo HQ 
  36. Marcelo Naranjo sobre o press release (10 de agosto de 2009). «Festa de entrega do Troféu HQ Mix será no dia 21 de agosto». Universo HQ 
  37. Adilson Thieghi (9 de setembro de 2009). «Storyboards da adaptação de O Morto do Pântano». HQManiacs 
  38. Kallyny Melina de Jesus (13 de abril de 2012). «Gibiteca Eugenio Colonnese recebe, no sábado (14), jogadores de RPG». site oficial da Prefeitura de São Bernardo do Campo 
Web
Bibliografia
  • Rafael Albuquerque e Vinícius Schiavini (2008). «Wizmania (2ª versão) #5- O último adeus a Eugênio Colonnese, mestre dos quadrinhos brasileiros». São Paulo: Panini Comics. pp. 16 a 19. ISSN 1679-5598 
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