Manhua

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Manhua (chinês tradicional: 漫畫, chinês simplificado: 漫画, pinyin: mànhuà), é a palavra chinesa para histórias em quadrinhos produzidas na China. Possivelmente pela existência de uma maior liberdade de expressão artística e ligação internacional mais próxima com o Japão, Hong Kong e Taiwan tem sido até este momento os principais centros de publicação de manhua. Um quadrinhista de manhua é chamado de manhuajia (chinês tradicional 漫画家).[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "manhua", literalmente "desenhos irresponsáveis", é originalmente um termo do século 18 usado na pintura chinesa conhecida como sumi-ê.[2] Tornou-se popular no Japão como mangá no início do século 19. Feng Zikai, publicou uma série de cartuns chamada Zikai Manhua 1925, reintroduziu o termo com o sentido moderno.

História[editar | editar código-fonte]

"The Situation in the Far East" , um manhua de 1899

Os exemplos mais antigos de desenhos chineses são relevos de pedra do século 11 aC e cerâmica 5000-3000 B.C. Outros exemplos incluem desenhos escova simbólica da dinastia Ming, um desenho satírico intitulado "Peacocks" pela primeiro artista da Dinastia Qing, Zhua Da, e um trabalho chamado "Ghosts' Farce Pictures" de cerca de 1771 por Luo Liang-shui. O manhua chinês nasceu no final dos anos 19 e início do século 20, durante os cerca de 1867 anos de 1927.

Exemplo de Lianhuanhua

A introdução de métodos de impressão litográfica derivado do Oriente foi um passo fundamental na expansão da arte no início do século 20. Começando em 1870, desenhos satíricos publicados em jornais e revistas. Na década de 1920 , os lianhuanhuas (连环画), livros de bolso ilustrados, eram bastante populares em Xangai. Eles são considerados os antecessores do manhua dias modernos. [3][4]

Uma das primeiras revistas de caricaturas satíricas veio do Reino Unido, intitulado "The Punch China".[5] A primeira peça elaborada por uma pessoa de nacionalidade chinesa foi "The Situation in the Far East" de Tsan Tse-Tai, em 1899, impressa no Japão. Sun Yat-Sen se estabeleceu na República Popular da China em 1911 usou o manhua de Hong Kong para circular propaganda anti-Qing. Alguns dos manhua que espelhava as lutas iniciais da transição política e períodos de guerra foram "The Record True" e "Renjian Pictorial".[5]

Unfortunate Love, capa de Shanghai Manhua (16 de Junho de 1928) por Ye Qianyu

Até o estabelecimento de "Manhua Hui" na China 1927, todas as obras anteriores eram lianhuanhuas soltos ou coleções de materiais. A primeira revista de manhua em chinês foi "Shanghai Sketch" (ou Shanghai Manhua) de 1928. Entre 1934 e 1937 cerca de 17 revistas de manhua foram publicados em Xangai. Este formato, mais uma vez foi utilizado para fins de propaganda, com a eclosão da Segunda Guerra Sino-Japonesa. No momento em que os japoneses ocuparam Hong Kong, em 1941, todos os manhuas haviam parado. Com a derrota dos japoneses em 1945, o caos político, entre chineses nacionalistas e os comunistas ocorreu. Um dos manhua críticos: "This Is a Cartoon Era" por Renjian Huahui retratou o cenário político da época.[5]

A turbulência na China continuou nos anos 50 e 60. O aumento da imigração chinesa transformou Hong Kong no principal mercado de manhua, especialmente com a geração baby boom. A revista de manhua mais influentes para os adultos foi "Cartoon World" de 1956, que publicou o best-seller Uncle Choi. A disponibilidade dos quadrinhos japoneses e taiwaneses pirateados, vendidosa preços acessíveis, desafiou a indústria local.[5] Manhuas como Old Master Q eram necessários para revitalizar a indústria local.

A chegada da televisão na década de 1970 foi um ponto de mutação, filmes de Bruce Lee se tornaram muito popular e lançou uma nova onda de manhuas de Kung Fu. A violência explícita ajudou a vender quadrinhos, e o Governo de Hong Kong interveio com a Lei de publicação indecente em 1975. Little Rascals era uma das peças que absorveu todas as mudanças sociais.[5] Os materiais também florescem na década de 90 com o trabalho como McMug e três histórias da peça como "Teddy Boy", "Portland Street" e "Red Light District".[5]


Desde 1950, o mercado de manhua em Hong Kong foi separado da China Continental. Em 1997, com transferência de soberania Hong Kong do Reino Unido para a China, significou uma reunificação de ambos os mercados. Dependendo de como materiais culturais devem ser tratados, especialmente através da auto-censura, um público muito maior no continente pode ser benéfico para ambos.


Em 2011, Si lombo et si proche, do quadrinista chinês Xiao Bai, ganhou a medalha de ouro no 4th International Manga Award.[6] Vários outros manhua também ganharam medalhas de prata e bronze na premiação

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Em 1925, Feng Zi-Kai publicou uma coleção intitulada "Zi-Kai Manhua" no "Wenxue Zhoubao" (Literatura Senmanal).[3] Embora o termo "manhua" já existisse, quando foi importado do termo japonês "mangá", esta publicação em particular tomou precedência sobre as muitas outras descrições de que vieram antes dela. Como resultado, o termo "manhua" tornou-se associado com histórias em quadrinhos feitas na China. Os caracteres chineses para manhua são os mesmos utilizados pelas línguas japonesa e coreana para se referir aos mangás japoneses e aos manhwa coreanos.[5]

Características[editar | editar código-fonte]

As características modernas do estilo dos manhua é creditado ao trabalho de Chinese Hero: Tales of the Blood Sword de Ma Wing-shing (1980).[5] Ele tinha, desenhos realistas inovadoras com detalhes que se assemelham a pessoas reais, Ma Wing-shing admite ter sido influenciado pelos mangás de Ryoichi Ikegami.[7] A maioria dos manhuas do século XIX para a década de 1930 continha personagens sérios. A abertura cultural em Hong Kong trouxe a tradução de personagens da Disney, como Mickey Mouse e Pinóquio. o que demonstra a influência ocidental em obras como Little Angeli publicado 1954. O afluxo de mangá japonês traduzido nos anos 60, bem como animes televisionados em Hong Kong e o lançamento de um anime e do mangá de Astro Boy de Osamu Tezuka na China em 1982[8] também tiveram uma contribuição significativa. Ao contrário de mangá, manhuas são totalmente coloridos.

Categorias[editar | editar código-fonte]

Antes da terminologia oficial ser estabelecida, a forma de arte era conhecidas por vários nomes.[5]


Inglês Pinyin Chinês (tradicional/simplificado)
Allegorical Pictures Rúyì Huà 如意畫 / 如意画
Satirical Pictures Fĕngcì Huà 諷刺畫 / 讽刺画
Political Pictures Zhèngzhì Huà 政治畫 / 政治画
Current Pictures Shíshì Huà 時事畫 / 时事画
Reporting Pictures Bàodǎo Huà 報導畫 / 报导画
Recording Pictures Jìlù Huà 紀錄畫 / 纪录画
Amusement Pictures Huáji Huà 滑稽畫 / 滑稽画
Comedy Pictures Xiào Huà 笑畫 / 笑画

Hoje, o Manhua possui quatro categorias.

Português
Manhua político-satírico
Manhua cômico
Manhua de ação
Manhua infantil

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O Tigre e o Dragão de Andy Seto

Entre 1997 e 1998, a Ediouro publicou três obras de autoria do taiwanês Tsai Chih Chung: "Zen em Quadrinhos", "Tao em Quadrinhos"[9] e "Arte da Guerra em Quadrinhos".[10] Em 2001, a Abril Jovem publicou "Quadrinhos Digimon" de Yuen Wong Yu, com periodicidade semanal, a revista trazia histórias eram baseadas na franquia japonesa de vídeo games, curiosamente, no mesmo ano, Daniel HDR adaptou histórias do anime para a editora americana Dark Horse.[11][12] Em 2006, a Panini Comics publica o manhua O Tigre e o Dragão de Andy Seto,[13] baseado no quarto romance de uma série de cinco livros do escritor chinês Wang Du Lu, que em 2000 havia sido adaptado em um filme por Ang Lee,[14] e Batman: Hong Kong, escrita por Doug Moench e ilustrada pelo artistas de Hong Kong,[15] Tony Wong.[16]

Em 2008, a Conrad Editora, editora que publicou na integra o mangá de Dragon Ball, de Akira Toriyama inspirado no romance,[17] anunciou a publicação do romance Jornada ao Oeste de Wu Cheng'en em três tomos, trazendo também adaptações em lianhuanhua,[18] publicadas originalmente em 1962,[19] contudo, apenas os primeiros dois volumes foram publicados. Em 2009, publicou Melodia Infernal de Lu Ming.[20]


Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Christopher Rea, Nicolai Volland (2014). The Business of Culture: Cultural Entrepreneurs in China and Southeast Asia, 1900-65 UBC Press [S.l.] p. 14. 9780774827836. 
  2. Petersen, Robert S. (2011). Comics, Manga, and Graphic Novels: A History of Graphic Narratives. ABC-CLIO. ISBN 978031336330
  3. a b Lent, John A. [2001] (2001) Illustrating Asia: Comics, Humor Magazines, and Picture Books. University of Hawaii Press. ISBN 0824824717
  4. Lianhuanhua: China’s Pulp Comics
  5. a b c d e f g h i Wendy Siuyi Wong. Princeton Architectural Press NY, : . Hong Kong comics: a history of manhua. 1 de Abril de 2002 ISBN 1-56898-269-0 [S.l.: s.n.] 
  6. «Xiao Bai's Si loin et si proche Wins 4th Int'l Manga Award». Anime News Network. 12/01/2011. 
  7. Toni Johnson-Woods (2010). Manga: An Anthology of Global and Cultural Perspectives. Bloomsbury Publishing USA ISBN 9781441155696
  8. Bibe Luyten, Sonia Maria. Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Hedra, (2000 ISBN 85-87328-17-4)
  9. O tao da educação: a filosofia oriental na escola ocidental Editora Agora [S.l.] 2000. p. 219. 9788571837195. 
  10. «Arte da Guerra em Quadrinhos». Ediouro. 
  11. Waldomiro Vergueiro (03 de Junho de 2004). «HQ: Cowboy Bebop». Omelete. 
  12. «Daniel HDR». Anime Pró. 21/02/2006. 
  13. O Tigre e o Dragão pela Panini
  14. Marcelo Hessel (25/01/2013). «O Tigre e o Dragão 2 contrata diretor e terá a volta de Michelle Yeoh». Omelete. 
  15. [https://web.archive.org/web/20100203015048/http://universohq.com/quadrinhos/n01022003_04.cfmArtista de Hong Kong ilustra graphic novel do Batman
  16. Panini: próximas novidades da Top Cow
  17. Andréa Pereira sobre release (02/04/2008). «Conrad retoma coleção definitiva de Dragon Ball». HQManiacs. 
  18. «Resenha: Jornada ao Oeste». Bigorna.net. 01/07/2008. 
  19. 30/06/2010. «Preview - Jornada ao Oeste Vol 1» (PDF). Conrad Editora. 
  20. Carlos Costa sobre release (07/08/2009). «Conrad anuncia Melodia Infernal, de Lu Ming». HQManiacs. 
Web
Bibliografia
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Manhua