Manhua

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Sanmao de Zhang Leping é uma das séries de manhua mais longa e popular. Compilação publicada em 1936.

Manhua (chinês tradicional: 漫畫, chinês simplificado: 漫画, pinyin: mànhuà), é a palavra chinesa para histórias em quadrinhos produzidas na China. Possivelmente pela existência de uma maior liberdade de expressão artística e ligação internacional mais próxima com o Japão, Hong Kong e Taiwan tem sido até este momento os principais centros de publicação de manhua. Um quadrinhista de manhwa é chamado de manhuajia (chinês tradicional 漫画家).[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "manhua", literalmente "desenhos irresponsáveis", é originalmente um termo do século 18 usado na pintura chinesa conhecida como sumi-ê.[2] Tornou-se popular no Japão como mangá no início do século 19. Feng Zikai, publicou uma série de cartuns chamada Zikai Manhua 1925, reintroduziu o termo com o sentido moderno.

História[editar | editar código-fonte]

"The Situation in the Far East" , um manhua de 1899

Os exemplos mais antigos de desenhos chineses são relevos de pedra do século 11 aC e cerâmica 5000-3000 B.C. Outros exemplos incluem desenhos escova simbólica da dinastia Ming, um desenho satírico intitulado "Peacocks" pela primeiro artista da Dinastia Qing, Zhua Da, e um trabalho chamado "Ghosts' Farce Pictures" de cerca de 1771 por Luo Liang-shui. O manhua chinês nasceu no final dos anos 19 e início do século 20, durante os cerca de 1867 anos de 1927.

Exemplo de Lianhuanhua

A introdução de métodos de impressão litográfica derivado do Oriente foi um passo fundamental na expansão da arte no início do século 20. Começando em 1870, desenhos satíricos publicados em jornais e revistas. Na década de 1920 , os lianhuanhuas (连环画), livros de bolso ilustrados, eram bastante populares em Xangai. Eles são considerados os antecessores do manhua dias modernos. [3]

Uma das primeiras revistas de caricaturas satíricas veio do Reino Unido, intitulado "The Punch China".[4] A primeira peça elaborada por uma pessoa de nacionalidade chinesa foi "The Situation in the Far East" de Tsan Tse-Tai, em 1899, impressa no Japão. Sun Yat-Sen se estabeleceu na República Popular da China em 1911 usou o manhua de Hong Kong para circular propaganda anti-Qing. Alguns dos manhua que espelhava as lutas iniciais da transição política e períodos de guerra foram "The Record True" e "Renjian Pictorial".[4]

Unfortunate Love, capa de Shanghai Manhua (16 de Junho de 1928) por Ye Qianyu

Até o estabelecimento de "Manhua Hui" na China 1927, todas as obras anteriores eram lianhuanhuas soltos ou coleções de materiais. A primeira revista de manhua em chinês foi "Shanghai Sketch" (ou Shanghai Manhua) de 1928. Entre 1934 e 1937 cerca de 17 revistas de manhua foram publicados em Xangai. Este formato, mais uma vez foi utilizado para fins de propaganda, com a eclosão da Segunda Guerra Sino-Japonesa. No momento em que os japoneses ocuparam Hong Kong, em 1941, todos os manhuas haviam parado. Com a derrota dos japoneses em 1945, o caos político, entre chineses nacionalistas e os comunistas ocorreu. Um dos manhua críticos: "This Is a Cartoon Era" por Renjian Huahui retratou o cenário político da época.[4]

A turbulência na China continuou nos anos 50 e 60. O aumento da imigração chinesa transformou Hong Kong no principal mercado de manhua, especialmente com a geração baby boom. A revista de manhua mais influentes para os adultos foi "Cartoon World" de 1956, que publicou o best-seller Uncle Choi. A disponibilidade dos quadrinhos japoneses e taiwaneses pirateados, vendidosa preços acessíveis, desafiou a indústria local.[4] Manhuas como Old Master Q eram necessários para revitalizar a indústria local.

A chegada da televisão na década de 1970 foi um ponto de mutação, filmes de Bruce Lee se tornaram muito popular e lançou uma nova onda de manhuas de Kung Fu. A violência explícita ajudou a vender quadrinhos, e o Governo de Hong Kong interveio com a Lei de publicação indecente em 1975. Little Rascals era uma das peças que absorveu todas as mudanças sociais.[4] Os materiais também florescem na década de 90 com o trabalho como McMug e três histórias da peça como "Teddy Boy", "Portland Street" e "Red Light District".[4]


Desde 1950, o mercado de manhua em Hong Kong foi separado da China Continental. Em 1997, com transferência de soberania Hong Kong do Reino Unido para a China, significou uma reunificação de ambos os mercados. Dependendo de como materiais culturais devem ser tratados, especialmente através da auto-censura, um público muito maior no continente pode ser benéfico para ambos.


Em 2011, Si lombo et si proche, do quadrinista chinês Xiao Bai, ganhou a medalha de ouro no 4th International Manga Award.[5] Vários outros manhua também ganharam medalhas de prata e bronze na premiação

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Em 1925, Feng Zi-Kai publicou uma coleção intitulada "Zi-Kai Manhua" no "Wenxue Zhoubao" (Literatura Senmanal).[3] Embora o termo "manhua" já existisse, quando foi importado do termo japonês "mangá", esta publicação em particular tomou precedência sobre as muitas outras descrições de que vieram antes dela. Como resultado, o termo "manhua" tornou-se associado com histórias em quadrinhos feitas na China. Os caracteres chineses para manhua são os mesmos utilizados pelas línguas japonesa e coreana para se referir aos mangás japoneses e aos manhwa coreanos.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

As características modernas do estilo dos manhua é creditado ao trabalho de Chinese Hero: Tales of the Blood Sword de Ma Wing-shing (1980).[4] Ele tinha, desenhos realistas inovadoras com detalhes que se assemelham a pessoas reais, Ma Wing-shing admite ter sido influenciado pelos mangás de Ryoichi Ikegami.[6] A maioria dos manhuas do século XIX para a década de 1930 continha personagens sérios. A abertura cultural em Hong Kong trouxe a tradução de personagens da Disney, como Mickey Mouse e Pinóquio. o que demonstra a influência ocidental em obras como Little Angeli publicado 1954. O afluxo de mangá japonês traduzido nos anos 60, bem como animes televisionados em Hong Kong e o lançamento de um anime e do mangá de Astro Boy de Osamu Tezuka na China em 1982[7] também tiveram uma contribuição significativa. Ao contrário de mangá, manhuas são totalmente coloridos.

Categorias[editar | editar código-fonte]

Antes da terminologia oficial ser estabelecida, a forma de arte era conhecidas por vários nomes.[4]


Inglês Pinyin Chinês (tradicional/simplificado)
Allegorical Pictures Rúyì Huà 如意畫 / 如意画
Satirical Pictures Fĕngcì Huà 諷刺畫 / 讽刺画
Political Pictures Zhèngzhì Huà 政治畫 / 政治画
Current Pictures Shíshì Huà 時事畫 / 时事画
Reporting Pictures Bàodǎo Huà 報導畫 / 报导画
Recording Pictures Jìlù Huà 紀錄畫 / 纪录画
Amusement Pictures Huáji Huà 滑稽畫 / 滑稽画
Comedy Pictures Xiào Huà 笑畫 / 笑画

Hoje, o Manhua possui quatro categorias.

Português
Manhua político-satírico
Manhua cômico
Manhua de ação
Manhua infantil

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O Tigre e o Dragão de Andy Seto

Entre 1997 e 1998, a Ediouro publicou três obras de autoria do taiwanês Tsai Chih Chung: "Zen em Quadrinhos", "Tao em Quadrinhos"[8] e "Arte da Guerra em Quadrinhos".[9] Em 2001, a Abril Jovem publicou "Quadrinhos Digimon" de Yuen Wong Yu, com periodicidade semanal, a revista trazia histórias eram baseadas na franquia japonesa de vídeo games, curiosamente, no mesmo ano, Daniel HDR adaptou histórias do anime para a editora americana Dark Horse.[10] [11] Em 2006, a Panini Comics publica o manhua O Tigre e o Dragão de Andy Seto, baseado no quarto romance de uma série de cinco livros do escritor chinês Wang Du Lu, que em 2000 havia sido adaptado em um filme por Ang Lee.[12]

Em 2008, a Conrad Editora, editora que publicou na integra o mangá de Dragon Ball, de Akira Toriyama inspirado no romance,[13] anunciou a publicação do romance Jornada ao Oeste de Wu Cheng'en em três tomos, trazendo também adaptações em lianhuanhua[14] publicadas originalmente em 1962,[15] contudo, apenas os primeiros dois volumes foram publicados. Em 2009, publicou Melodia Infernal de Lu Ming.[16]


Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Christopher Rea, Nicolai Volland. The Business of Culture: Cultural Entrepreneurs in China and Southeast Asia, 1900-65. [S.l.]: UBC Press, 2014. 14 p. 9780774827836
  2. Petersen, Robert S. (2011). Comics, Manga, and Graphic Novels: A History of Graphic Narratives. ABC-CLIO. ISBN 978031336330
  3. a b Lent, John A. [2001] (2001) Illustrating Asia: Comics, Humor Magazines, and Picture Books. University of Hawaii Press. ISBN 0824824717
  4. a b c d e f g h i Wendy Siuyi Wong. In: Princeton Architectural Press NY. Hong Kong comics: a history of manhua. [S.l.: s.n.].
  5. Xiao Bai's Si loin et si proche Wins 4th Int'l Manga Award.
  6. Toni Johnson-Woods (2010). Manga: An Anthology of Global and Cultural Perspectives. Bloomsbury Publishing USA ISBN 9781441155696
  7. Bibe Luyten, Sonia Maria. Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Hedra, (2000 ISBN 85-87328-17-4)
  8. O tao da educação: a filosofia oriental na escola ocidental. [S.l.]: Editora Agora, 2000. 219 p. 9788571837195
  9. Arte da Guerra em Quadrinhos Ediouro.
  10. Waldomiro Vergueiro (03 de Junho de 2004). HQ: Cowboy Bebop Omelete.
  11. Daniel HDR Anime Pró (21/02/2006).
  12. Marcelo Hessel (25/01/2013). O Tigre e o Dragão 2 contrata diretor e terá a volta de Michelle Yeoh Omelete.
  13. Andréa Pereira sobre release (02/04/2008). Conrad retoma coleção definitiva de Dragon Ball HQManiacs.
  14. Resenha: Jornada ao Oeste Bigorna.net (01/07/2008).
  15. 30/06/2010. Preview - Jornada ao Oeste Vol 1 Conrad Editora.
  16. Carlos Costa sobre release (07/08/2009). Conrad anuncia Melodia Infernal, de Lu Ming HQManiacs.
Web
Bibliografia
  • Wai-ming Ng (2003). "Japanese Elements in Hong Kong Comics: History, Art, and Industry". International Journal of Comic Art. 5 (2):184–193.
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