Este é um artigo bom. Clique aqui para mais informações.

Tarzanide

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Capa do Pulp All Story (Outubro de 1912), estreia de Tarzan na literatura
Capa de Jo-Jo - Congo King #23 (1949)

Tarzanide é um termo criado pelo francês Francis Lacassin,[1] usado para descrever personagens de histórias em quadrinhos inspiradas em Tarzan.[2] Um tarzanide assemelha-se ao Tarzan em sua desenvoltura física, dentro de uma linha de ação que inclui a vida aventuresca na selva, o dom de compreender e ser compreendido pelos animais, o contacto com civilizações perdidas, a coragem aliada à habilidade em lidar com a natureza. A criação de tais personagens pode ter sido propiciada pelo sucesso que Tarzan alcançara desde o seu surgimento na literatura, em 1912,[3] culminando com o lançamento de tiras diárias em quadrinhos, em 1929, as quais abriram caminho para um gênero que aliava a sedução do ambiente desconhecido, a necessidade das características arquetípicas do herói e a popularidade do acesso.

Os tarzanides seguem a mesma linha de ação de Tarzan, porém englobando heróis diversificados, femininos ou masculinos, adaptados a aventuras ambientadas em um conjunto de elementos que perfazem o estereótipo da selva no imaginário popular, o que inclui, além das selvas africanas, a selva amazônica e até estranhas selvas em regiões polares.[4]


Etimologia e características[editar | editar código-fonte]

O termo "Tarzanide" foi cunhado pelo crítico literário francês Francis Lacassin, autor de três livros sobre o Homem-Macaco: Tarzan: mythe triomphant, mythe humilié (1963),[1] "Tarzan" ou le Chevalier crispé (1971)[5] e La Legendé de Tarzan (2000).[1] Tal qual Tarzan, um tarzanide é geralmente considerado "o rei da floresta" ou "o rei da selva". Pode falar com os animais e até mesmo lidera-los[6] e é respeitado pela maioria das tribos vizinhas e frequentemente encontra civilizações perdidas.[7][3] A grafia "Tarzanidi" também é aplicável,[8] assim como a variante em português "Tarzânico".[9]

Enquanto os termos "Tarzanide" e "Tarzanidi" são adotados para personagens originados em publicações de Banda desenhada franco-belga[10] e italianas,[2] para publicações norte-americanas o termo Tarzanesque é bastante utilizado.[11] Segundo o dicionário online The Free Dictionary, Tarzanesque é um vocábulo usado para ironizar homens fortes e habilidosos.[12]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Primeiras manifestações[editar | editar código-fonte]

Embora Sheena (acima) não tenha sido a primeira "garota das selvas", trouxe no visual - um biquíni de pele de leopardo - uma característica inédita que seria bastante replicada.

O sucesso das tiras de Tarzan surgidas em 1928,[13][3] impulsionou a criação de diversos "Reis" e "Garotas das Selvas"[14][15][16] (também chamadas de "Mulheres das Selvas",[17] "Tarzanas").[18] Algumas dessas manifestações eram independentes - em 1931, o escritor Jerry Siegel, que eventualmente se tornaria um dos criadores de Superman, mas à época ainda estava no ensino médio, criou uma paródia de Tarzan para o jornal estudantil The Torch do Glenville High School[19] - enquanto outras eram elaboradas com fins profissionais. Em 1933, os filipinos Francisco Reyes (desenhista) e Pedrito Reyes (roteirista), criam uma primeiras cópias de Tarzan, Kulafu, considerada a tira das Filipinas.[20] Em 1934, Alex Raymond criou as tiras Flash Gordon e Jim das Selvas para concorrerem, respectivamente, com Buck Rogers e Tarzan.[21] Jim, entretanto, não era um "Rei das Selvas", mas um caçador[22] que vivia aventuras em selvas asiáticas.[23]

Em 1936, a Timely Comics (atual Marvel Comics) publicou a primeira edição da revista pulp "Ka-Zar", estrelada pelo personagem título, um jovem chamado David Rand que fora criado no Congo belga ao lado do leão Zar.[7] No mesmo ano, William L. Chester, lança o personagem Kioga da série de livros, o personagem vive suas aventuras no Estreito de Bering,[24] em 1938, Kioga ganhou o seriado Hawk of the Wilderness, interpretado por Herman Brix,[25] que também havia interpretado Tarzan em um seriado lançado em 1935[26]

Kaanga na capa de John Celardo para a revista Jungle Comics #99 da editora Fiction House, Março de 1948

Em 1937, Will Eisner e Jerry Iger criaram Sheena, a Rainha das Selvas, uma das mais conhecidas "garotas da selva". Apesar de bastante conhecida,[27][28] a personagem não fora a primeira a se enquadrar nesse arquétipo: em 1904 havia surgido "Rima" uma personagem do livro Green Mansions: A Romance of the Tropical Forest, escrito por W. H. Hudson[4][29] - oito anos antes do próprio Tarzan.[30]


Sheena apresentava traços inéditos: foi a primeira "garota das selvas" a usar um biquíni de pele de leopardo, que logo se tornaria um clichê,[31][32] e foi também a primeira heróina a ganhar uma revista própria, publicada pela Fiction House entre 1942 e 1953[4][31] - Rima só teria sua primeira versão em quadrinhos em 1952, no número 90 da revista Classics Illustrated, desenhada por Alex Blum[33] e uma série regular em1974, pela DC Comics, e chegou a participar de três episódios do desenho animado Superamigos.[29]

Em 1939, Ka-Zar faz sua estréia nos quadrinhos, publicado na revista Marvel Comics # 1, primeira publicação do gênero da editora, a primeira escrita por Ben Thompson, foi adaptada do conto "King of Fang and Claw" de Bob Byrd, publicada inicialmente na revista pulp do herói, além do Congo belga, Ka-Zar viveria aventuras em Somalilândia (uma região da Somália), Etiópia, Quênia, Inglaterra e Estados Unidos e enfrentava os mais vários vilões: caçadores, contrabandistas, fascistas, nazistas entre outros. Em 1941, o herói participou de uma história do andróide Tocha Humana, Ka-Zar foi publicado pela editora até 1942.[34]

Revista em quadrinhos Nyoka the Jungle Girl #6 (Abril de 1946), Fawcett Comics, a personagem criado para um seriado da Republic Pictures em 1941.

Em 1940, a Fiction House começou a publicar as histórias de "Kaanga, o rei das selvas" - que no Brasil foi publicado pela EBAL, editora que publicava Tarzan[3] e Sheena, com o nome de "Kionga".[35] Além de Kaanga e Sheena, a Fiction House já havia publicado na revista pulp Jungle Stories, o personagem "Ki-Gor".[16] Também pela Fiction House foram publicados "Camilla, Queen of the Lost Empire" e "Tabu, the Jungle Wizard".[36]

Em 1941, a produtora Republic Pictures lançou o seriado Jungle Girl, sobre a jovem Nyoka Meredith (Frances Gifford), criada pelo pai na Africa pelo pai, o estúdio usou um título de um romance de Edgar Rice Burroughs, porém, a história e a personagem foram criadas pelo estúdio, no ano seguinte, lançou um novo seriado, Perils of Nyoka, desta vez, Nyoka teve o sobrenome mudado para Gordon e foi interpretada Kay Aldridge,[25] no mesmo ano, ganhou histórias em quadrinhosa publicadas pela Fawcett Comics.[37] Em 1944, Linda Stirling estrela um outro seriado do estúdio, The Tiger Woman, dessa vez, ambientado na América do Sul.[38]

Em 1949, o ator Steve Reeves estrelou o episódio piloto da série de TV Kimbar of the Jungle, contudo, o projeto não aprovado.[39]

Ná década de 1950, dois artistas que desenharam heróis tarzanides da Fiction House, trabalhariam nas tiras de Tarzan: John Celardo (que ilustrou histórias protagonizadas por Kaanga)[40] e Bob Lubbers (que ilustrou histórias de Camilla).[41]

Tarzanides negros[editar | editar código-fonte]

All-Negro Comics 1.jpgLion Man page 300px.jpg
Capa e página de All Negro Comics


Em 1947, incomodado com a retratação dos negros nas histórias em quadrinhos (principalmente em histórias de heróis ambientadas na África),[42] o jornalista afro-americano Orrin C. Evans elaborou a revista All-Negro Comics, produzida e direcionada ao público negro (algo parecido com os chamados race films[25][nota 1] entre as décadas de 1910 e 1950 e o cinema blaxploitation na década de 1970),[44] nessa revista o irmão de Orrin, George J. Evans Jr. criou o herói Lion Man, um cientista afro-americano a serviço da ONU, que ao ser enviado para a Costa do Ouro na África, se depara com um mina de urânio, temendo que a mina caísse em mãos erradas, ele resolve protegê-la e se torna uma espécia de Tarzanide negro, apesar dos esforços a revista durou apenas uma edição.[45] Essa não foi a primeira tentativa de um Tarzanide negro, o também afro-americano Matt Baker,[33] criou em 1945, Voodah,[46] para a terceira edição da revista Crown Comics da Editora Golfing/McCombs,[47] na capa da quinta edição Voodah aparece como um caucasiano (embora ainda fosse negro nas páginas internas), na edição seguinte Voodah passou a ser branco também nas páginas internas.[48]

Na década de 1950[editar | editar código-fonte]

Roberto Renzi co-criador de Akim
Capa de Thun'da, King of Congo #3 (1952) - Arte de Bob Powell


Em 1950, surgiu Akim na revista italiana Albo Gioello, uma revista em formato talão de cheque, criação do roteirista Roberto Renzi e do desenhador Augusto Pedrazza, Akim não viva aventuras apenas nas selvas, também combatia crimonosos comuns no chamado "mundo civilizado", para isso até usava roupas comuns utilizadas nas grandes metrópoles, o personagem foi publicado até 1991.[4]

Em 1952, Frank Frazetta criou Thun'da, King of Congo para a Magazine Enterprises, o personagem chegou a ter um seriado, King of the Congo no mesmo ano estrelado por Buster Crabbe[49](ator que já havia interpretado Tarzan no seriado Tarzan the Fearless de 1933).[50] Thun'da (cujo verdadeiro nome é Robert Drum) é um aviador da Força Aérea Americana que se perde no Congo, nos quadrinhos Drum enfrentava dinossauros e seres pré-históricos[nota 2], porém por cortes de orçamentos, esse elementos não estiveram presentes no seriado,[52] Na década de 60, Frazetta ilustrou capas de versões de bolso dos contos de Tarzan publicados pela Ace Books.[53]

Em 1953, Joe Kubert lançou Tor,[54] a diferença entre Tor e Tarzan é que as histórias de Tor eram ambientadas na pré-história (mais precisamente no ano 1 milhão antes de Cristo, correspondente Periódo Quaternário, periódo apontado por paleontólogos onde surgiram os primeiros humanos,[55] apesar disso, o autor também usou licença poética e incluiu dinossauros nas histórias de Tor),[56] anos mais tarde Kubert também desenharia os quadrinhos de Tarzan.[57] No mesmo ano a Atlas Comics (nome usado pela Marvel durante a década de 1950) lançou a a revista Lorna the Jungle Queen, protagonizada por um garota das selvas loira, após cinco edições a revista mudou o nome para Lorna the Jungle Girl.[31] Entre 1954 e 1955, publicou duas revistas que possuiam as selvas como cenário: Jungle Action[58] e Jungle Tales.[15] Em Jungle Action foram publicados dois personagens típicamente inspirados em Tarzan: Lo-Zar (o personagem teve o nome alterado para Tharn e teve a cor do cabelo mudada de loiro para ruivo em republicados nos anos 70 para não ser confundido com Ka-Zar)[34] e Jungle Boy,[59] A garota das selvas, Jann of the Jungle também surgiu em Jungle Action #1, a partir da edição 8, a revista passou a se chamar Jann of the Jungle[58][nota 3] e durou mais 9 edições, em Jungle Tales #1, foi publicada a história de Waku, Prince of Bantu, um nova tentativa de um herói negro ambientado nas selvas africanas, criada por autores desconhecidos, a história mostrava um principe africano,[45] o personagem antecedeu alguns conceitos que estariam presente no Pantera Negra (outro personagem da Marvel, criado por Stan Lee e Jack Kirby em Fantastic Four #52 de Julho de 1966).[61] Em 1972, já como Marvel Comics, a editora lançou uma nova revista chamada Jungle Action, as quatro primeiras edições trazia republicações de histórias publicadas na revista original (Tharn e Jann)[62] e algumas histórias de Lorna,[63] já o quinto número publicado em 1973, passou trazer histórias do Pantera Negra.[44][64] Também em 1955, a Republic Pictures lançou o seriado Panther Girl of the Kongo, o seriado guardava semelhanças com Jungle Girl, tendo até mesmo usado cenas de arquivos do mesmo,[65][66] no Japão, é lançado o filme Buruuba, nitidamente inspirado pelos filmes estrelados por Johnny Weissmuller.[67]

Na década de 1960[editar | editar código-fonte]

Selvas brasileiras também serviram de cenários para as aventuras dos Tarzanides.

Em meados dos anos 60, aproveitando o sucesso do gênero, outras editoras brasileiros criaram seus próprio tarzanides, um deles foi Targo da Editora Outubro (depois renomeada para Taika), Targo era um orfão que sobreviveu de um acidente de avião na Floresta Amazônica (mais precisamente na fronteira do Estado do Amazonas com o Peru, embora também tivesse histórias ambientadas no Planalto Central[68]) e foi criado por índios apocajés, o personagem teve histórias produzidas por artistas como Helena Fonseca, Jayme Cortez, Gedeone Malagola, Nico Rosso, Rodolfo Zalla, Moacir Rodrigues Soares[68][31] assim como Tarzan e Thun'da, Targo também convivia com criaturas pre-históricas consideradas extintas,[68] a idéia de uma amazônia habitada por seres pré-históricos já havia sido retratada no livro O Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle publicado em 1912.[69] Assim como Tarzan, Targo também tinha seu próprio núcleo familiar, composto por sua esposa Arimá, o irmão dela Aurici e uma onça-pintada (ou Jaguaretê).[68] Sob orientação de Jayme Cortez, o personagem foi criação conjunta de editores e quadrinistas da Editora Outubro, coube a Gedeone Malagola dar nome ao herói, segundo ele o nome veio de um amigo policial que possuía o sobrenome "Targa", Gedeone costumava brincar com o nome do amigo comparando-o ao Tarzan dos macacos[70], coincidentemente, Targa também foi o nome usado um em tarzanide francês[10] publicado na década de 1940.[71] O próprio Gedeone também havia criado outro personagem inspirado em Tarzan, "Tambu",[72] um outro exemplo foi Tarun de Paulo Fukue, lançado na Revista "Magia Verde" da EDREL,[31][73] Assim como Thun'da, Tarun também não se enquadrava nos arquétipos de criança selvagem/bom selvagem, o personagem era um homem que tentava voltar a civilização, como Targo, Tarun vivia aventuras numa região perdida da Amazônia, a "Região Fantástica".[31] Pela editora de origem mexicana Editormex,[74] o quadrinista Edmundo Rodrigues desenhou uma história de Antar (um anagrama de Tarzan),[75] Antar era uma revista de fotonovelas de filmes de Tarzan, Jim das Selvas entre outros.[76]

Pôster do filme Tarzan Finds a Son! (1939)

Em 1963, surgiu o francês Zembla, criado por Marcel Navarro para concorrer como Akim, Zembla surgiu na revista Spécial Kiwi, chegou a ter histórias desenhadas pelo co-criador de Akim, Augsto Pedraza, as histórias de Zembla eram mais próximas das paródias, criado por leões e usando uma tira de pele de leopardo, Zembla tinha como aliados um leão, um gato-selvagem, um canguru, um pigmeu e um mágico (nitidamente inspirado em Mandrake de Lee Falk)[77] o personagem foi publicado até 1994,[4] na França, tanto Akim quanto, Zembla foram publicados em formatinho.[78] Outra criação francesa foi Yataca, nascido na Selva amazônica, o herói viveu aventuras nas Américas por vinte edições, depois disso, inexplicavelmente suas histórias passaram a ter a África como cenário.[4]

Entre 1967 e 1968, a DC Comics publicou a revista Bomba, the Jungle Boy,[79] Bomba é um personagem surgido em uma série de livros inciada em 1926 e terminada em 1938, tal qual Tarzan, Bomba também foi adaptado para os cinemas entre 1949 e 1955, suas histórias eram ambientadas em selvas da América do Sul,[80] Bomba foi interpretado por Johnny Sheffield que havia interpretado Boy, o filho adotivo de Tarzan e Jane no filme Tarzan Finds a Son! de 1939,[81] Boy substituiu Korak, o filho legítimo de Tarzan nos livros,[82] na série de filmes de Bomba, a América do Sul foi trocada pela África, os produtores reaproveitaram cenas do documentário Africa Speaks! de 1930.[25] Suas história seriam republicadas pela editora na década de 1970 em revistas estreladas por Tarzan, produzidas por Joe Kubert, para não violar os direitos autorais, Bomba foi renomeado para Simba.[83]

Ka-Zar e Shanna[editar | editar código-fonte]

Uma nova versão de Ka-Zar foi feita em 1965 por Stan Lee e Jack Kirby, inspirado em Tarzan e Tor de Joe Kubert,[34] o novo Ka-Zar surge como um personagem secundário na revista dos Uncanny X-Men, o Congo belga foi trocado pela fictícia Terra Selvagem (uma zona tropical curiosamente localizada no Círculo Polar Antártico,[4] também habitada por seres pré-históricos aparentemente extintos, muito semelhante a Pellucidar, a terra oca criada por Burroughs[24]),[84] o leão Zar pelo tigre dente de sabre Zabu e David Rand por Kevin Plunder,[7] Ka-Zar foi o mais bem sucessido tarzanide; teve diversas revistas próprias, mini-séries e graphic novels.[85][86] Em 1973, a Marvel lançou uma outra garota das selvas, Shanna, surgiu em revista própria, porém a revista só durou cinco edições, porém continuou tendo histórias publicadas nas revistas de Ka-Zar (com que viria a se casar),[31] Demolidor e Hulk.[14]

Tarzanides na atualidade[editar | editar código-fonte]

O quadrinista Frank Cho e sua "Jungle Girl" ao fundo.

Em 2000, a Rede Globo lançou a telenovela Uga-Uga de Carlos Lombardi, onde o ator Cláudio Heinrich interpretava um jovem criado por índios[87] e que se parecia com Tarzan.[88][89]

Vários dos tarzanides criados para o mercado norte-americano, encontram-se em domínio público no país,[90] isso se deve ao fato de que com a implantação do Comics Code Authority em meados da década de 1950, várias editoras foram fechadas[91][92] e não renovaram os direitos de seus personagens, como fizeram os herdeiros de Edgar Rice Burroughs e empresas como a Walt Disney Company.[93]

Tarzan também entrou em domínio público em 2001,[94] mas antes disso alguns autores já o utilizavam em histórias: Entre meados da década de 1990 e início da década de 2000, o personagem participou de crossovers oficiais publicados com os personagens Batman,[95] Superman[96] e Predador.[97] Em 1999, o roteirista Warren Ellis e o desenhista John Cassaday criaram vários personagens inspirado em pulps para a série Planetary, Kevin Sack, o Lorde Blackstock (uma alusão ao título Lorde Greystone, que Tarzan herdou do pai[3]) é nitidamente inspirado em Tarzan[98][99][100] e em 2000, Alan Moore utilizou uma versão de Tarzan na sua obra The League of Extraordinary Gentlemen, sem, entretanto, que ele tivesse seu nome revelado na série.[101]

Em 2005, Shanna teve uma minissérie produzida pelo quadrinista Frank Cho, que também criou sua própria garota das selvas Jana publicada na mini-série Jungle Girl publicada pela Dynamite Entertainment[17](conhecida por publicar inúmeros projetos com personagens em domínio público).[102] Em 2006, a Marvel Comics reconhece o Ka-Zar original como integrante do Universo Marvel na sexta edição de "All-New Official Handbook of the Marvel Universe A to Z,[34] o guia oficial da editora,[103] o personagem porém não apareceu em nenhuma nova história[34] (tal como aconteceu com o Tocha Humana original por exemplo).[104]

Em 2007, a Sheena, a rainha das selvas, teve uma minisérie em cinco edições publicada pela Devil's Due Digital, roteirizada por Steven E. de Souza (roteirista de cinema, mais conhecido pelo roteiro do filme Duro de Matar, estrelado por Bruce Willis), desenhos de Matt Merhoff e capas desenhadas por Joe Jusko, Nicola Scott, Khary Randolph e Tim Seeley.[105] No início de 2010, Devil's Due Digital começou a distribuir material digitalizado de Sheena.[106]


Em 2011, a Dynamite Entertainment lançou a revista Lord of the Jungle, embora esteja em domínio público, o nome Tarzan não pode ser usado nos títulos sem autorização.[94] no animada seguinte, a editora anunciou que iria publicar um nova série de Thun'da, na primeira edição, a editora optou por republicar a origem do personagem desenhada pelo criador, Frank Frazetta junto das novas histórias produzidas por Robert Place Napton (roteiros), com Cliff Richards (desenhos) e capa de Jae Lee (capa).[107] Em 2015, a Dynamite anunciou um crossover de Tarzan e Sheena,[108] lançado em 2016 com o título Lords of thr Jungle. Dynamite Entertainment anunciou uma nova série da Sheena para 2017 pelas roteiristas Marguerite Bennett e Christina Trujillo e o desenhista Moritat. A história é definida na Amazônia, em vez de África.[109]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A palavra race era usada em um sentido pejorativo, na década de 1950, os termos race music e race records foram substituídos por rhythm and blues ou R&B.[43]
  2. Elementos que também existiam nas histórias de Tarzan, mais precisamente no mundo perdido de Pal-ul-don e em Pellucidar, uma outra série de livros criada por Edgar Rice Burroughs, criador de Tarzan[51]
  3. Pratica comum em revistas em quadrinhos americanas)[60]

Referências

  1. a b c Association pour la diffusion de la pensée française, France. Direction générale des relations culturelles (2001). Bulletin critique du livre français, Edições 628-630. [S.l.]: Association pour la diffusion de la pensée française 
  2. a b Roberto Chiavini, Andrea Lazzetti, Luca Somigli, Michel Tetro (2006). Il cinema dei fumetti. Dalle origini a Superman Returns. [S.l.]: Gremese Editore. 29 páginas. 9788884404428 
  3. a b c d e Marcelo Naranjo. «Os Especiais de Tarzan». Universo HQ 
  4. a b c d e f g Pedro Cleto (de 10 de Fevereiro de 2010). Jornal de Notícias.
  5. Gale Research Company (1991). Something about the author, Volume 63. [S.l.]: Gale Research. 1986 páginas. 9780805774597 
  6. Maurice Horn (1999). The world encyclopedia of comics, Volume 1. [S.l.]: Chelsea House. pp. 84 e 85. 9780791048573 
  7. a b c Gilberto M. M. Santos. «Ka-Zar #1». Universo HQ 
  8. Letture, Volume 59,Edições 603-606. [S.l.: s.n.] 2004. 31 páginas 
  9. GOIDA, p. 24
  10. a b Harry Morgan (2003). Principes des littératures dessinées. [S.l.]: editions de l'An 2 
  11. Luis Antonio Vivanco,Robert J. Gordon. Tarzan was an eco-tourist--: and other tales in the anthropology of adventure. [S.l.: s.n.] 114 páginas 
  12. «Tarzanesque». The Free Dictionary 
  13. Sérgio Codespoti (10 de julho de 2014). «Pesquisar quadrinhos: uma tarefa ingrata e desanimadora». Universo HQ 
  14. a b Sérgio Codespoti (3 de outubro de 2006). «Marvel revive personagens dos anos 70 - Shanna». Universo HQ 
  15. a b Shirrel Rhoades (2008). A complete history of American comic books. [S.l.]: Peter Lang. 51 páginas. 9781433101076 
  16. a b Don Markstein. «Tarzan of The Apes». Don Markstein's Toonopedia™ Home Page 
  17. a b Andréa Pereira (19 de setembro de 2007). «Jungle Girl finalmente é lançada nos EUA». HQ Maniacs 
  18. «Musas de Papel». Revista Crash. 5. Editora Escala. Junho de 2007. ISSN 1980-8739  |coautores= requer |autor= (ajuda)
  19. Gerard Jones (2006). Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. [S.l.]: Conrad Editora. 85-7616-160-5 
  20. Patajo-Legasto (2008) Philippine Studies: Have We Gone Beyond St. Louis? UP Press ISBN 9789711550974
  21. Maria Beatriz Furtado Rahde (2000). Imagem: estética moderna & pós-moderna - Volume 7 de Coleção Comunicação. [S.l.]: EDIPUCRS. 54 páginas. 9788574301426 
  22. Marcelo Naranjo. «Jim das Selvas (Ebal)». Universo HQ 
  23. Anthony L. Fletcher (2009). Don't Dare Miss the Next Thrilling Chapter. [S.l.]: Hillcrest Publishing Group. 42 páginas. 9781936107186 
  24. a b Richard A. Lupoff (2005). Master of adventure: the worlds of Edgar Rice Burroughs. [S.l.]: University of Nebraska Press. 9780803280304 
  25. a b c d Mattos, A. C. Gomes de. A Outra Face de Hollywood: Filme B. [S.l.]: Rio de Janeiro: Rocco. ISBN 85-325-1496-0
  26. Jonathan Etter (2003). Quinn Martin, Producer: A Behind-The-Scenes History of Qm Productions and Its Founder. [S.l.]: McFarland. 9780786415014 
  27. Sérgio Codespoti (4 de junho de 2007). «Sheena vira revista mensal». Universo HQ 
  28. Sidney Gusman e Sérgio Codespoti. «Morreu Will Eisner, o mestre». Universo HQ 
  29. a b Sérgio Codespoti (8 de maio de 2009). «DC relançará Doc Savage». Universo HQ 
  30. «Tarzan: a Volta do Rei das Selvas e Outras Histórias». Devir Livraria 
  31. a b c d e f g Roberto Guedes (2003). «Os Varios sósias de Tarzan». Opera Graphica. Stripmania (2). ISSN 1677-0862 
  32. Mike Madrid (2009). The supergirls: fashion, feminism, fantasy, and the history of comic book heroines. [S.l.]: Exterminating Angel Press. 9781935259039 
  33. a b William B. Jones (2011). Classics Illustrated:A Cultural History. [S.l.]: McFarland. 9780786438402 
  34. a b c d e Sérgio Codespoti (25 de janeiro de 2013). «Ka-Zar, um dos personagens mais antigos da Marvel». Universo HQ 
  35. Toni Rodrigues (31 de março de 2005). «Ebal 60 anos: uma celebração». Universo HQ 
  36. Ivy Press (2006). Heritage Comics Dallas Signature Auction Catalog #820. [S.l.]: Heritage Capital Corporation. 214 páginas. 9781599670447 
  37. Denis Gifford. The international book of comics. [S.l.]: Crescent Books, 1984. 102 p. 9780517439272
  38. Mattos, A. C. Gomes de. (6 de maio de 2010). «As Rainhas da Selva». Histórias de Cinema 
  39. Vincent Terrace (2002). Crime Fighting Heroes of Television: Over 10,000 Facts from 151 Shows, 1949-2001. [S.l.]: McFarland. pp. 98 e 99. ISBN 9780786413959 
  40. Sérgio Codespoti (15 de junho de 2010). «Morreu Al Williamson, um dos grandes mestres dos quadrinhos». Universo HQ 
  41. Paul Gravett (9 de agosto de 2009). «Bob Lubbers: 15 Minutes Of Fame». Paulgravett.com 
  42. Alexandre de Maio (2010). «Influência nos quadrinhos». Revista Raça #140 
  43. Black Pau: A soul music no Brasil nos anos 1970
  44. a b Cláudio Roberto Basílio (12 de abril de 2005). «Os Negros nas Histórias em Quadrinhos - Parte 3». HQManiacs 
  45. a b Cláudio Roberto Basílio (3 de março de 2005). «Os Negros nas Histórias em Quadrinhos - Parte 1». HQManiacs 
  46. William W. Savage (1990). Commies, cowboys, and jungle queens: comic books and America, 1945-1954. [S.l.]: Wesleyan University Press. pp. 135 e 136 
  47. «Crown Comics #3». Grand Comics Database! 
  48. «Golden Age (1938-1955)». Heritage Austin 
  49. Sérgio Codespoti (10 de fevereiro de 2010). «Dark Horse lançará coleção com material raro de Frank Frazetta». Universo HQ 
  50. Jim Harmon, Donald F. Glut (1973). Great Movie Serials. [S.l.]: Routledge. 34 páginas. 9780713000979 
  51. Allen A. Debus (2009). Prehistoric monsters: the real and imagined creatures of the past that we love to fear McFarland [S.l.] p. 275. ISBN 9780786442812
  52. Jim Harmon, Donald F. Glut (1973). Great Movie Serials. [S.l.]: Routledge. pp. 137 e 138. 9780713000979 
  53. Gary Valentine Lachman (2003). Turn Off Your Mind: The Mystic Sixties and the Dark Side of the Age of Aquarius. [S.l.]: The Disinformation Company. 66 páginas. ISBN 9780971394230 
  54. Bill Schelly (2008). Man of rock: a biography of Joe Kubert. [S.l.]: Fantagraphics. 9781560979289 
  55. Tim Fridtjof Flannery (2005). Os senhores do clima. [S.l.]: Editora Record. 71 páginas. 9788501075048 
  56. Roy Thomas (2001). Alter ego, the comic book artist collection. [S.l.]: TwoMorrows Publishing. 60 páginas. 9781893905061 
  57. Sérgio Cariello e Equipe UHQ. «Um mito do mundo dos quadrinhos». Universo HQ 
  58. a b House Of Collectibles, Robert M Overstreet (1987). Comic Book-17ed. [S.l.]: Random House Information Group. 211 páginas. 9780876377468 
  59. Denis Gifford (1984). The international book of comics. [S.l.]: Crescent Books. 102 páginas. 9780517439272 
  60. Nano Souza (19 de maio de 2009). «A Complicada numeração das revistas americanas». HQManiacs 
  61. Cláudio Roberto Basílio (16 de março de 2005). «Os Negros nas Histórias em Quadrinhos - Parte 2». HQManiacs 
  62. Don Markstein. «Jann of the Jungle». Don Markstein's Toonopedia™ Home Page 
  63. Robert M. Overstreet (1988). Comic Bks Overs 18. [S.l.]: Random House, Incorporated. 9780876377611 
  64. Ron Goulart (2001). Great American comic books. [S.l.]: Publications International. 168 páginas. 9780785355908 
  65. Stedman, Raymond William. «5. Shazam and Good-by». Serials: Suspense and Drama By Installment. [S.l.]: University of Oklahoma Press. p. 141. ISBN 978-0-8061-0927-5 
  66. Harmon, Jim; Donald F. Glut. «1. The Girls "Who Is That Girl in the Buzz Saw?"». The Great Movie Serials: Their Sound and Fury. [S.l.]: Routledge. p. 17. ISBN 978-0-7130-0097-9 
  67. Alexander Jacoby (2003). A Critical Handbook of Japanese Film Directors: From the Silent Era to the Present Day. [S.l.]: Stone Bridge Press. 2003 páginas. ISBN 9781611725315 
  68. a b c d José Salles (20 de abril de 2006). «Targo, o Tarzan brasileiro». Bigorna.net 
  69. Jerome Clark (1999). Unexplained!: strange sightings, incredible occurrences & puzzling physical phenomena. [S.l.]: Visible Ink Press. 9781578590704 
  70. Levi Trindade (2008). «Homenagem a Gedeone Malagola, uma lenda dos gibis brasileiros». Panini Comics. Wizmania (6): 56 a 59. ISSN 1679-5598 
  71. Thierry Crépin (2001). Haro sur le gangster!: la moralisation de la presse enfantine, 1934-1954. [S.l.]: CNRS. 9782271059529 
  72. Oscar C. Kern (1981). «Historieta #5 - Entrevista Gedeone Malagola». Independente (fanzine) 
  73. José Salles (17 de março de 2006). «Pabeyma: como o futuro era visto no passado». Bigorna.net 
  74. Gonçalo Junior (15/08/2008). Especial: Para Celebrar Eugênio Colonnese. HQManiacs.
  75. Toni Rodrigues e Sidney Gusman (13 de setembro de 2012). «HQ nacional de luto: morreram Naumim Aizen e Edmundo Rodrigues». Universo HQ 
  76. Antar
  77. Yann Moix (2004). Partouz: Roman. [S.l.]: Grasset. 221 páginas. 9782246660910 
  78. Christophe Quillien (2003). La bande dessinée à Paris - Paris est à nous. [S.l.]: Parigramme. 24 páginas 
  79. Hubert H. Crawford (1978). Crawford's Encyclopedia of comic books. [S.l.]: Jonathan David Publishers. 9780824602215 
  80. Kenneth B. Kidd (2004). Making American boys: boyology and the feral tale. [S.l.: s.n.] 106 páginas. 9780816642953 
  81. Michael Ferguson (2004). Idol worship: a shameless celebration of male beauty in the movies. [S.l.]: STARbooks Press. 96 páginas. 9781891855481 
  82. Toni Rodrigues. «Tarzan Especial em Cores #1». Universo HQ 
  83. Craig Shutt (2003). Baby Boomer Comics: The Wild, Wacky, Wonderful Comic Books of the 1960s!. [S.l.]: Krause Publications. 158 páginas. 9780873496681 
  84. Jeffery Klaehn (2007). Inside the World of Comic Books. [S.l.]: Black Rose Books. 9781551642963 
  85. Frank Plowright (2003). The slings & arrows comic guide. [S.l.]: Slings & Arrows. 39 páginas. 9780954458904 
  86. Sérgio Codespoti (6 de junho de 2011). «Marvel Comics lançará nova revista de Ka-Zar». Universo HQ 
  87. [memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/uga-uga.htm Uga Uga - Memória Globo
  88. Uga Uga sube rating de Red TV
  89. Uga Uga fez história ao vencer outras duas estreias há 17 anos
  90. Roy Thomas (2005). Alter Ego: The Graphic Novel. [S.l.]: Heroic Publishing Inc. 9780929729022 
  91. Leandro Luigi Del Manto. «Esbarrando na Era de Bronze». Devir Livraria 
  92. Sérgio Codespoti (11 de julho de 2008). «Black Terror ganhará minissérie». Universo HQ 
  93. Marcus Ramone e Sérgio Codespoti (6 de maio de 2008). «Super-Homem na Marvel: sonho ou realidade?». Universo HQ 
  94. a b Leandro Damasceno (22 de setembro de 2011). «Dynamite lança novo título do senhor das selvas». HQManiacs 
  95. Comics Values Annual 2008:The Comic Book Price Guide. [S.l.]: Krause Publications. 2008. 9780896896055 
  96. Alex G. Malloy, Robert J. Sodaro. «Superman/Tarzan: Sons of the Jungle». Dark Horse Comics 
  97. «Tarzan vs Predator At the-Earth's Core». Dark Horse Comics 
  98. Humberto Yashima (2 de outubro de 2006). «Devir lança Jenny Sparks». Bigorna.net 
  99. Warren Ellis, John Cassaday. Planetary #1 (1999) Wildstorm
  100. Sérgio Codespoti (24 de outubro de 2006). «Penúltimo número de Planetary será lançado esta semana». Universo HQ 
  101. Christopher Knowles, Joseph Michael Linsner (2007). Our Gods Wear Spandex: The Secret History of Comic Book Heroes. [S.l.]: Weiser Books. 75 páginas. 9781578634064 
  102. Rogério Vieira (8 de abril de 2008). «Dynamite em junho». HQManiacs 
  103. Sérgio Codespoti (20 de outubro de 2005). «Novas minisséries da Marvel». Universo HQ 
  104. Sérgio Codespoti (17 de agosto de 2009). «O Tocha Humana original está de volta». Universo HQ 
  105. http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/n04042007_02.cfm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  106. Sheena quadrinhos digitais de Devil's Due Digital.
  107. Samir Naliato (18 de maio de 2012). «Dynamite publicará nova série de Thun'da, criação de Frank Frazetta». Universo HQ 
  108. SDCC: Dynamite to Launch Sheena, Queen of the Jungle With Tarzan Team-Up
  109. Dynamite Announces New Sheena, Moneypenny & Turok Comics
Bibliografia
Web



Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Commons Categoria no Commons