Uga Uga
Uga Uga
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|---|---|
| Informações gerais | |
| Formato | Telenovela |
| Gênero | comédia de ação |
| Criação | Carlos Lombardi |
| Roteiristas | Margareth Boury Tiago Santiago |
| Direção | Wolf Maya |
| Elenco | |
| Tema de abertura | "Kotahitanga", Hinewehi Mohi |
| País de origem | Brasil |
| Idioma original | português |
| Episódios | 221 |
| Produção | |
| Duração | 40 minutos |
| Distribuição | TV Globo |
| Formato | |
| Câmera | multicâmera |
| Formato de imagem | 480i (SDTV) |
| Exibição original | |
| Emissora | TV Globo |
| Transmissão | 8 de maio de 2000 – 19 de janeiro de 2001 |
Uga Uga é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 8 de maio de 2000 a 19 de janeiro de 2001, em 221 capítulos.[2] Substituiu Vila Madalena e foi substituída por Um Anjo Caiu do Céu, sendo a 60ª "novela das sete" exibida pela emissora.
Escrita por Carlos Lombardi, com a colaboração de Margareth Boury e Tiago Santiago, teve direção de João Camargo e Ary Coslov. A direção geral foi de Alexandre Avancini e Wolf Maya, também diretor de núcleo.[2]
Contou com as atuações de Cláudio Heinrich, Humberto Martins, Vivianne Pasmanter, Lima Duarte, Marcello Novaes, Betty Lago, Nair Bello, Marcos Pasquim e Mariana Ximenes.[1]
Enredo
[editar | editar código]Esta sinopse não cita fontes confiáveis. (dezembro de 2022) |

Os biólogos Nikos Junior (Marcos Frota) e Mag (Denise Fraga) são assassinados por índios rebeldes durante uma expedição na Amazônia, deixando o pequeno Adriano (Cláudio Heinrich) – com apenas três anos – sozinho na selva, sendo salvo e cuidado pelo Pajé Anru (Roberto Bomfim) de uma pacífica tribo. Passados vinte anos, agora sob o nome nativo de Tatuapú, o rapaz se tornou um legítimo índio, nem fazendo ideia que seu avô, Nikos (Lima Duarte), nunca deixou de procurá-lo e que ele é herdeiro único da poderosa fábrica de brinquedos Tróia. Nikos tem como homem de confiança seu mordomo Anísio(Tato Gabus Mendes), que se faz de bobo afim de confundir os interesseiros que querem passar a perna em seu patrão, mas se aproveita disto afim de observar as más intenções das pessoas ao seu redor. A insistência de Nikos em encontrar o neto é um estorvo para a ambiciosa Santa (Vera Holtz), cunhada de Nikos, que deseja que o filho Rolando (Heitor Martinez) seja o herdeiro por hierarquia e ordena que este voe até o local onde Adriano desapareceu para simular interesse nas buscas. Ironicamente o avião de Rolando cai na selva e ele é salvo exatamente por Tatuapú. Em meio a esse acidente ainda estava Bernardo Baldochi (Humberto Martins), um ex-sargento que precisou forjar a própria morte anos antes, para fugir do bandido Turco (Luiz Guilherme), que ele havia ajudado a enviar para a cadeia, e que fugiu para se vingar.
Enquanto tenta se esconder, Baldochi se refugia numa cidade do interior próxima a Amazônia onde finge ser Bento, seu alter-ego criado por ele mesmo, sendo um professor tímido e franzino de personalidade completamente diferente da própria, que se casa com a viúva Rosa(Maria Ceiça), mae do pequeno Zeca(George Bezerra), garoto a quem o ex-militar cria como se fose seu filho e ensina tudo o que sabe ao garoto. Neste interim, ele conhece Tatuapú, de quem se torna muito amigo, chegando até a conhecer a tribo deste onde eventualmente é refugiado afim de se proteger de Turco quando este intersifica suas perseguições. O ex-militar ainda tenta proteger Tatuapú das ameaças dos cidadãos locais e mais tarde também de Rolando e Santa, que insistem em engambelar o índio, mas são enrolados pelo próprio Baldochi, que em meio a isso tudo, descobre que Tatuapú é Adriano e o leva para sua família no Rio de Janeiro, tornando-se seu mentor na cidade grande.
Ao contar a todos que está vivo, Baldochi tem que lidar com sua mãe Pierina(Nair Bello), uma senhora mal humorada e desbocada bastante amargurada e envelhecida pelo tempo graças á suposta morte de seu primogênito, visto que é uma mãe bastante zelosa, tanto que educa ás redeas curtas seu outro filho Casemiro(Marcos Pasquim), conhecido como Van Damme, que mesmo já adulto, ainda é tratado como uma criança de sete anos pela mãe, de quem vive apanhando por qualquer motivo. O rapaz tem seu irmão mais velho como um exemplo e se mostra bastante desacreditado ao ver que este se encontra vivo, mas mesmo assim, ainda decide apoiar o irmão, inclusive o protegendo de traidores como seu primo Mutuca(Jorde Pontual), que no passado entregou Baldochi a seus inimigos e continua se mostrando alguém indigno da confiança dele e de Van Damme.
Outra que ele terá de encarar é Maria João (Vivianne Pasmanter), ex-noiva que ele deixou no altar no dia do casamento para fugir de Turco e que agora o odeia. Decidido a reconquistá-la, ele passa a disputar a amada com seu novo namorado, o malandro Beterraba (Marcello Novaes), embora nem imagine que o irmão dela, Dinho (Alexandre Lemos), é na verdade filho dos dois(filho de Maria João com Baldochi, no caso). Com a desilusão da aparente morte do então noivo, Maria João, traumatizada, se fechou para o mundo adotou comportamento e estilo de vestuário pouco femininos, trabalhando como mecânica de caminhões e desenvolvendo uma personalidade marrenta e encrenqueira, apenas liberando mais de sua feminilidade quando lê os livros de romance e ação escritos pelo suposto Professor Bento, a quem sequer desconfia que se trata de seu suposto falecido noivo Baldochi. A moça ainda tem de lidar com seu pai Queribim(Oswaldo Loureiro), um vagabundo beberrão com quem vive entrando em atrito, já que devido á irresposabilidade deste, ela tem que trabalhar em dobro afim de sustentar a casa.
Já Tatuapú, além de uma nova vida que ele jamais imaginou que existia, enfrenta o dilema em estar dividido entre o amor puro de Guinevére (Nívea Stelmann) - filha de Anísio que é apaixonada pelo índio - e as aventuras com Bionda - por quem Tatuapú desenvolve um amor platônico á primeira vista - (Mariana Ximenes), moça doidivanas, que fugiu diversas vezes de casamentos arranjados pelos pais, Felipe (Wolf Maya) e Vitória (Sílvia Pfeiffer), exatamente no altar, fazendo a família sempre ser alvo de humilhação pública. Vitória foi o amor do passado de Nikos, que ainda cultiva uma paixão por ela e tenta fazer uso da paixão de seu neto por Bionda afim de se reaproximar de sua velha amada, que apesar da notável diferença de idade entre eles, também cultiva esse amor, já que vive um casamento fracassado com Felipe, que se gaba de ser um playboy semi-aposentado, mas no fundo é um fracassado que acredita ter sido enrolado por Nikos, a quem odeia e de quem já foi sócio no passado. Outra filha do casal é a ambiciosa Bruna (Joana Limaverde), que só pensa em dinheiro e colocar as mãos na fortuna dos pais. Ao contrário da irmã mais nova, Bruna é muito esperta e calculista e tenta manipular pessoas ao seu redor, como é o caso de PP(Luciano Szafir), marido de Bruna que é constantemente explorado por ela e envolvido em seus esquemas. Ele eventualmente morre num descuido da esposa, enquanto Vitória chega a se separar de Felipe afim de se reaproximar de Nikos e nisso, acaba se envolvendo com Baldochi e sendo perseguida pelo ex-marido.
Bionda e Bruna são primas da atrapalhada Tati (Danielle Winitis), que possui idade entre as duas primas. Pobretona da parte falida da família, Tati é a típica ´´loura burra´´ que adora esbanjar o que não possui e apesar de se julgar esperta, é ingênua demais e facilmente enganada por todos, inclusive pelo namorado, Rolando, que não tem paciência com ela e a está apenas explorando. Ela encontra o verdadeiro amor nos braços do mulherengo Van Damme, com quem tem uma fogosa relação. Já Bionda se divide entre três amores: o excêntrico de Tatuapú, que nutre por ela inicialmente um amor platônico; o atrapalhado detetive Salomão (Ângelo Paes Leme), com quem vive uma cômica relação de amor e ódio; e o policial Amon (Marcelo Faria), bastante sedutor. Este último suspeita que Baldochi é um falsário e o investiga e persegue. Já Stella (Rita Guedes) é uma operária da fábrica de brinquedos que ignora os sentimentos de Ary (Mateus Rocha) por querer um homem rico, embora ele seja disputado por Shiva (Juliana Baroni) - uma hippie exotérica irmã de Amon - e Santa. Ainda há a irmã de Stella, Brigitte (Betty Lago), ex-aeromoça demitida quando descobrem que ela contrabandeava produtos no avião e que se torna tutora de Tatuapú.
Elenco
[editar | editar código]| Intérprete | Personagem[1] |
|---|---|
| Humberto Martins | Bernardo Baldocchi |
| Vivianne Pasmanter | Maria João Portela |
| Marcello Novaes | Darcy dos Santos (Beterraba) |
| Cláudio Heinrich | Tatuapú / Adriano Karabastos |
| Lima Duarte | Nikos Karabastos |
| Vera Holtz | Santa Karabastos |
| Danielle Winits | Tatiana da Silva Prado (Tati) |
| Marcos Pasquim | Casemiro Baldocchi (Van Damme) |
| Mariana Ximenes | Bionda Arruda Prado |
| Nívea Stelmann | Guinevére Oliveira |
| Nair Bello | Pierina Baldocchi |
| Betty Lago | Brigitte Limeira |
| Sílvia Pfeifer | Victória Arruda Prado |
| Wolf Maya | Filipe Arruda Prado |
| Marcelo Faria | Detetive Amon Guerra |
| Ângelo Paes Leme | Detetive Salomão Pomeranz |
| Heitor Martinez | Rolando Karabastos |
| Tato Gabus Mendes | Anísio Oliveira |
| Françoise Forton | Larissa Pomeranz Guerra |
| Mário Gomes | Ladislau Pomeranz |
| Stepan Nercessian | João Guerra |
| Oswaldo Loureiro | Querubim Portela |
| Geórgia Gomide | Srª. Gherda Herrera |
| John Herbert | Veludo Herrera |
| Helena Fernandes | Alice Herrera |
| Delano Avelar | Argel Goulart |
| Roberto Bonfim | Pajé Anrú |
| Lúcia Veríssimo | Maria Louca |
| Maria Ceiça | Rosa Fontes |
| Luiz Guilherme | Turco |
| Jorge Pontual | Mutuca |
| Joana Limaverde | Bruna Arruda Prado |
| Juliana Baroni | Shiva Pomeranz |
| Tatyane Goulart | Lilith Pomeranz |
| Alexandre Schumacher | Zen Pomeranz |
| Mateus Rocha | Ary Torres |
| Rita Guedes | Stella |
| Beth Lamas | Madá |
| Hayrton Júnior | Yvone |
| Vanessa Nunes | Penélope |
| Mônica Moura | Tânia |
| Hugo Gross | Batista |
| Sílvia Waiãpi | Crocoká |
| Emanuelle Soncini | Patuapá |
| Rachel Nunnes | Tuiuiú |
| Sokram Sommar | Tupã |
| Daniel Trindade | Ilorilá |
| Alexandre Lemos | Bernardo Portela Baldocchi (Dinho) |
| George Bezerra | José Carlos Fontes (Zeca) |
Participações especiais
[editar | editar código]| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Marcos Frota | Nikos Karabastos Júnior |
| Denise Fraga | Magnólia Karabastos (Mag) |
| Luiz Fernando Guimarães | Comandante Varella |
| Lolita Rodrigues | Carmem Louise |
| Taís Araújo | Emilinha |
| Gabriel Braga Nunes | Otacílio |
| Daniele Suzuki | Sarah |
| Bianca Castanho | Ametista |
| Luciano Szafir | P.P. |
| Nelson Freitas | Nilo |
| Isadora Ribeiro | Marlene |
| Cássia Linhares | Lulu |
| Paula Burlamaqui | Kate |
| Sérgio Loroza | Pimpão |
| Miriam Pires | Madame Cecília |
| Elias Gleizer | Ceguinho |
| Bemvindo Sequeira | Maurício |
| Ricardo Petraglia | Investigador Roberto |
| Inês Galvão | Investigadora Mendonça |
| Jardel Mello | Delegado Cunha |
| Edwin Luisi | Gerárd France |
| Cláudio Mamberti | Paulão |
| Walter Breda | Braz |
| Marcos Breda | Gumercindo |
| Carlos Bonow | Xavier |
| Cláudia Lira | Suzy |
| Cláudia Liz | Priscila |
| João Camargo | Padre Euclides |
| Oswaldo Louzada | Dr. Moretti |
| Norma Geraldy | Norma |
| Roney Villela | Sardinha |
| Carlos Machado | Alexandre |
| Betty Erthal | Violeta |
| Vic Militello | Dominatrix |
| Regina Restelli | Josefina |
| Roberto Lopes | Leão |
| João Carlos Barroso | Pereirinha |
| Alexandre Zacchia | Jambo |
| Clarice Niskier | Amélia |
| Osvaldo Mil | Geraldão |
| Tetê Vasconcelos | Ruivão |
| Augusto Vargas | Beto |
| Pia Manfroni | Penha |
| Louise Ladvocat | Teca |
| Marcela Raffea | Dóris |
Produção
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Originalmente a novela estrearia na faixa das 18h como substituta Força de um Desejo. No entanto, Carlos Lombardi nunca entregou o número de capítulos prévios suficientes para que a história inicial fosse avaliada e aprovada dentro do prazo limite – até setembro de 1999 – e Esplendor, de Ana Maria Moretzsohn, acabou ficando com a vaga para o horário.[3] O autor foi informado que teria mais cinco meses de prazo, uma vez que seu projeto foi promovido para "novela das sete" e estrearia em maio de 2000, substituindo Vila Madalena e em uma tentativa de inserir comédia para tentar salvar o horário.[4]
As gravações começaram em setembro de 1999.[4] As cenas iniciais de Baldochi, ambientadas na Costa Rica, foram gravadas em Vassouras, interior do Rio de Janeiro, cuja arquitetura cinquentista estava bem preservada.[1] As cachoeiras de Lumiar, também no Rio de Janeiro foram utilizadas para as sequências iniciais de Tatuapú, enquanto a reserva natural de Xerém serviram de cenário para a floresta que o personagem morava, onde a equipe também gravou diversas cenas de vista aéreas para dar veracidade às cenas da tribo, que eram de estúdio. Outras gravações ocorreram em Angra dos Reis e Miguel Pereira. Os cenógrafos Mário Monteiro e Maurício Rohlfs ficam responsáveis pela criação da cidade cenográfica que foi construída nos Estúdios Globo, sendo dividida em dois espaços principais: o primeiro era uma réplica do bairro carioca de Santa Teresa, onde a maior parte dos personagens morava, enquanto o segundo era a tribo de Tatuapú – a qual teve todo o cenário reaproveitado da tribo utilizada na minissérie A Muralha.[2]
A novela foi uma das que menos utilizaram os estúdios da emissora, tendo 30% de cenas de estúdio e 70% de externas.[5] Cada capítulo foi orçado em R$ 180 mil.[5] Inicialmente Uga Uga foi planejada para ter 160 capítulos porém a emissora pediu que ela fosse expandida para 250 capítulos, devido ao sucesso. O autor recusou, alegando que a história perderia fôlego com tanto tempo no ar, fechando um acordo para escrever mais 61 capítulos, totalizando 221, mais dois meses e meio no ar.[6]
Referências
[editar | editar código]Carlos teve a ideia de escrever a novela após ler uma notícia nos jornais ocorrida em Belém, no Pará, sobre um fazendeiro que pedia ajuda para encontrar seu filho perdido desde a infância, quando indígenas que incendiaram seu sítio, mataram parte de sua família e levaram a criança.[7] Para evitar controvérsias, a história foi contrabalanceada com outro povo indígena que salva o protagonista.[7] Outra inspiração veio das diversas lendas que vinham desde o século XIX sobre crianças criadas sozinhas na natureza que retornaram com dificuldade à civilização e chegavam a atacar outros humanos, além da história verdadeira de Jean-Claude Auger.[8] O autor também citou como referências os personagens Tarzan e Mogli, presentes nos livros Tarzan, O Filho das Selvas, publicado pelo estadunidense Edgar Rice Burroughs em 1912, e O Livro da Selva, do britânico Rudyard Kipling em 1894, além do filme O Enigma de Kaspar Hauser, de 1974, sobre a real história da criança-fera Kaspar Hauser.[8]
Pela criação do personagem, Tatuapú classifica-se como um tarzanide, termo criado pelo crítico literário francês Francis Lacassin para definir personagens similares ao homem-macaco.[9] Além disso Carlos fez uma referência a personagem Tiazinha, interpretada por Suzana Alves no Programa H, da Band, ao escrever as cenas onde a personagem Santa saia pelas noites buscando rapazes novos para levar para a cama usando uma máscara e um chicote.[10] Já a abertura foi criada pelo diretor Gustavo Garnier e referencia a cultura das histórias em quadrinhos para atrair o público jovem, sendo que também a cada final de capítulo o gibi era "fechado" de forma animada.[2]
Escolha do elenco
[editar | editar código]Susana Vieira foi convidada para interpretar a antagonista Santa, porém a atriz recusou apenas por achar o nome da novela de mau gosto.[11][12] Originalmente Murilo Benício foi convidado para interpretar Beterraba, porém o ator já estava escalado como protagonista de Esplendor.[13] Marcos Palmeira chegou a aceitar o papel, porém foi deslocado antes do início das gravações para Porto dos Milagres, passando o personagem enfim para Marcello Novaes.[13] Carlos Lombardi queria um ator loiro para interpretar o protagonista para que o público não pudesse achar que em algum momento o personagem fosse indígena, deixando clara a intenção de ser um órfão perdido criado por povos originários, optando especialmente por Cláudio Heinrich, com quem o autor já havia trabalhado em Malhação.[14] O elenco contou com alguns nomes escolhidos pessoalmente pelo autor e já tradicionais em suas novelas, como Humberto Martins, Betty Lago, Françoise Forton, Mário Gomes, Marcelo Novaes e Tatyane Goulart.[15]
Para se preparar para o personagem, Cláudio Heinrich passou a fazer aulas intensivas de musculação para conquistar um corpo definido, além de passar por sessões de bronzeamento artificial para ficar com o bronzeado similar a alguém que nunca usou protetor.[16] O ator também passou uma semana no Parque Indígena do Xingu convivendo com indígenas Uailapiti e descendentes de indígenas, tendo também aulas de línguas tupi-guaranis para criar a língua própria do povo fictício da história.[16]
"Descamisados"
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A tradição dos personagens seminus na maioria do tempo e cenas altamente sensuais em trabalhos de Carlos Lombardi também esteve presente em Uga Uga.[17] A revista Isto É avaliou que o público era atraído para a trama pelas cenas de Danielle Winits com trajes molhados e transparentes e Cláudio Heinrich usando apenas uma tanga.[17] Marcos Pasquim tornou-se um dos maiores símbolos sexuais da época, pelo corpo torneado e com pelos naturais – o protótipo da virilidade masculina na época – o que intensificou suas cenas usando apenas cueca e se relacionando com diversas mulheres ao longo da história.[17] O autor declarou que a sexualização da história era intencional: "No outono/inverno, o telespectador é atraído pelos cenários iluminados".[17] Tamanho foi o sucesso que a revista Isto É Gente realizou uma matéria especial falando sobre os "descamisados", trazendo Marcello Novaes, Mateus Rocha, Cláudio Heinrich, Humberto Martins e Marcos Pasquim sem camisa na capa.[18]
A imprensa tratou a repercussão como a invasão do "homem-objeto", alegando que a televisão estava repleta de mulheres seminuas há anos e que Uga Uga trouxe o homem como objeto também para o desejo das mulheres.[19] Cláudio Heinrich teve que parar uma das gravações na praia após um acumulo excessivo de pessoas em volta dele, que chegaram a cercar o carro de uma reportagem acreditando que o ator estivesse dentro.[19] Mateus Rocha chegou a ter seu órgão genital apalpado por mulheres e recebeu propostas em dinheiro para trocar favores sexuais, enquanto Marcello Novaes foi cercado por mulheres durante um desfile que fazia em Fortaleza, que furaram o cordão de segurança e atrapalharam o trabalho para assediá-lo.[19] Marcos Pasquim recebeu diversos convites para posar nu, mas não aceitou.[20] Apesar de interpretarem policiais, Ângelo Paes Leme e Marcelo Faria passaram a fazer cenas sem roupa e apareceram em nu traseiro.[21][21]
Para agradar o público masculino o autor também intensificou as cenas em que Danielle Winits e Joana Limaverde apareciam com amplos decotes ou de roupas íntimas, além de incorporar Mariana Ximenes e Nívea Stelmann em cenas na tribo de Tatuapú com trajes indígenas reveladores.[22] Porém, o excessivo apelo sexual da trama recebeu críticas da imprensa, como do jornal Folha de S.Paulo, que alegou que a novela deveria se chamar Sexo Sexo e que "...não importa a história. Tudo é motivo para estimular a libido dos telespectadores".[22] A novela chegou a ser notificada pelo Ministério da Justiça pelo excesso de sensualidade, ameaçando reclassifica-la para 12 anos, o que impediria sua exibição antes das 20h, porém isso não chegou a acontecer mesmo com o autor mantendo o teor das cenas.[23]
Conteúdo transmídia
[editar | editar código]Em setembro de 2000, devido ao sucesso da personagem Bionda com as crianças, a emissora fechou uma parceria com a empresa fabricante de brinquedos Estrela para lançar uma versão da boneca Susi com os traços e roupas do papel de Mariana Ximenes, com uma produção de cem mil unidades, além de relançar o tradicional boneco da década de 1980 Sapo Chulé, personagem criado pelo quadrinhista Paulo José,[24] que seria aromatizado com essência de queijo gorgonzola, e que na novela representaria o índio Tatuapú.[25][26] Os tererês metalizados utilizados também por Bionda também se tornaram um item comercial, apesar de não pelas empresas Globo, tendo sido vendido em lojas e bancas de camelô de forma informal.[2]
Exibição
[editar | editar código]Outras Mídias
[editar | editar código]Nunca reprisada, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay em 27 de fevereiro de 2023, como parte do Projeto Resgate.[27][28]
Trilha sonora
[editar | editar código]Nacional
[editar | editar código]| Uga Uga: Nacional | |
|---|---|
| Trilha sonora de vários intérpretes | |
| Lançamento | 12 de setembro de 2000 |
| Gênero(s) | |
| Duração | 57:48 |
| Formato(s) | CD |
| Gravadora(s) | Som Livre |
A primeira trilha sonora da telenovela foi lançada em 12 de setembro de 2000 pela Som Livre. A capa do álbum teve caricaturas presentes na abertura da novela.[1]
- Lista de faixas
| N.º | Título | Música | Personagem tema | Duração | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. | "Viralata de Raça (Ao Vivo)" | Ney Matogrosso | Rolando | 3:28 | |
| 2. | "Metamorfose Ambulante" | Primo Johnny | Bionda | 3:11 | |
| 3. | "Kotahitanga (Union)" | Hinewehi Mohi | Abertura | 4:00 | |
| 4. | "Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim" | Ivete Sangalo | Maria João e Baldochi | 4:09 | |
| 5. | "Aquela" | Raimundos | Beterraba | 3:22 | |
| 6. | "Fogueira" | Sandra de Sá | Maria João e Beterraba | 3:53 | |
| 7. | "Tô Sem Grana" | Elétrika | Baldochi | 4:06 | |
| 8. | "Vem" | Patrícia Coelho | Tema Geral | 3:52 | |
| 9. | "Deixa o Amor Acontecer (Betcha by Golly Wow)" | Roupa Nova | Tatuapú e Gui | 3:45 | |
| 10. | "Não Tô Entendendo" | P.O.Box | Tatiana | 4:02 | |
| 11. | "Uma Antiga Manhã" | Marina Lima | Vitória | 2:53 | |
| 12. | "Feelings" | Morris Albert | Nikos | 3:34 | |
| 13. | "Killing Me Softly (With His Song)" | Milton Nascimento | Vitória | 4:59 | |
| 14. | "Minha Timidez" | Fat Family | Salomão e Bionda | 5:02 | |
| 15. | "Amar, Amar (True Love)" | João Bosco | Brigite | 3:24 | |
Duração total: |
57:48 | ||||
Internacional
[editar | editar código]| Uga Uga: Internacional | |
|---|---|
| Trilha sonora de vários intérpretes | |
| Lançamento | 12 de setembro de 2000 |
| Gênero(s) | |
| Duração | 64:21 |
| Formato(s) | CD |
| Gravadora(s) | Som Livre |
A segunda trilha sonora da telenovela foi lançada em 12 de setembro de 2000 pela Som Livre, compilando canções internacionais. Cláudio Heinrich ilustrou a capa do álbum.[1]
- Lista de faixas
| N.º | Título | Música | Personagem tema | Duração | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. | "I Turn to You" | Christina Aguilera | Maria João e Baldochi | 4:04 | |
| 2. | "You Sang to Me" | Marc Anthony | Vitória | 5:46 | |
| 3. | "Hold Me Tight" | Michael Allen | Geral | 3:35 | |
| 4. | "Kayomani" | Kundalini Rising | Tatuapú | 3:42 | |
| 5. | "I Try" | Macy Gray | Brigite | 3:52 | |
| 6. | "Back At One" | Brian McKnight | Van Damme e Tati | 4:21 | |
| 7. | "Lovin' You" | Fernanda | Tatuapú e Gui | 3:48 | |
| 8. | "Are You Still Having Fun?" | Eagle-Eye Cherry | Geral | 3:06 | |
| 9. | "Northern Star" | Melanie C | Ary | 4:39 | |
| 10. | "Thank You For Loving Me" | Bon Jovi | Amon | 5:07 | |
| 11. | "I'll Be Holding On" | Romeo | Gui | 3:33 | |
| 12. | "Breathless" | The Corrs | Bionda | 3:25 | |
| 13. | "I Wanna Be With You" | Mandy Moore | Tatuapú e Bionda | 4:12 | |
| 14. | "Back For Good" | Giselle Haller | Bruna | 3:48 | |
| 15. | "Where Are You?" | Bosson | Tatuapú | 3:39 | |
| 16. | "Anything You Want" | Bengaloo | Beterraba | 3:38 | |
Duração total: |
64:21 | ||||
Audiência
[editar | editar código]Uga Uga estreou com 42 pontos de média e picos de 47, representando um aumento de dez pontos em relação a estreia da anterior, Vila Madalena, tornando-se também a maior audiência da emissora naquele dia, empatada com a "novela das oito" Terra Nostra.[29]
A média da primeira semana fechou em 37 pontos, a melhor em três anos.[17] Durante os dois primeiros meses os índices se mantiveram positivos entre 35 e 36 pontos, um aumento de três pontos em relação a antecessora e seis a Andando nas Nuvens.[30] Em 23 de agosto a trama bateu seu recorde com 51 pontos.[31]
O último capítulo marcou 40 pontos, com picos de 51. Uga Uga teve média geral de 38 pontos, acima do esperado pela emissora – a meta para o horário na época era de 30 – sendo a melhor audiência das "novelas das sete" desde Cara & Coroa, em 1995.[32]
Apesar do grande sucesso de audiência na época e dos pedidos de exibição por parte dos telespectadores, a novela nunca foi reprisada.[33]
Controvérsias
[editar | editar código]A personagem de Betty Lago foi alvo de protestos por parte do Sindicato Nacional dos Aeronautas, que reclamaram do comportamento pouco ortodoxo da aeromoça.[34]
O estereótipo criado na novela causou imensa revolta entre indígenas, que afirmavam que a novela estava incentivando a sexualização de povos nativos, além de serem retratados como "animais de atração em um circo, usados para chamar a atenção".[35]
Prêmios
[editar | editar código]- Prêmio Millenium
Melhor Atriz: Mariana Ximenes
Atriz Revelação: Mariana Ximenes
- Prêmio Magnífico
Melhor Atriz: Mariana Ximenes
Melhor Personagem: Mariana Ximenes
Melhor Atriz: Mariana Ximenes
Referências
- ↑ a b c d e f «Teledramaturgia». Teledramaturgia. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b c d e Memória Globo. «Uga Uga». Consultado em 19 de janeiro de 2001
- ↑ «Pressa é a palavra de ordem em "Esplendor"». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b «Na selva». Jornal Virtual. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b «Confira o que vai acontecer na novela Uga Uga». Terra. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ Daniel Castro (9 de setembro de 2000). «"Uga Uga" é espichada e vai vender bonecos». Folha de S Paulo. Consultado em 3 de dezembro de 2017
- ↑ a b «Uga Uga, a novela que surgiu a partir de uma notícia de jornal». Junior de astro. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b «Uga Uga fez história ao vencer outras duas estreias há 17 anos». Observatório da Televisão. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ Association pour la diffusion de la pensée française, France. Direction générale des relations culturelles (2001). Bulletin critique du livre français, Edições 628-630. [S.l.]: Association pour la diffusion de la pensée française
- ↑ «Vera Holtz encarna uma "tiazona" na novela das sete da Globo». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Susana Vieira diz que recusou papel em 'Uga Uga' por achar feio o nome da novela». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Durante "Vídeo Show", Susana Vieira revela que recusou papel em "Uga Uga" por um motivo muito curioso». Revista Veja. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b «Novela traz tipos "repetidos"». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Estética jovem, diálogos palpitantes e divertidas caricaturas devem repetir sucesso de Lombardi». Terra. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Os "queridinhos" dos autores». Revista Época. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b «Mim galã, você índio». Terra. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b c d e «Carlos Lombardi transforma a novela global das sete Uga uga num sucesso de audiência graças ao festival de bíceps e seios de seus atores». Revista Isto É. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Isto É Gente Magazine [Brazil] (2 October 2000)». Famous Fix. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ a b c «Elas querem descamisados». Terra. Consultado em 30 de março de 2018
- ↑ «Assédio à flor da pele». Terra. Consultado em 30 de março de 2018
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