Belém (Pará)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Belém (desambiguação).
Município de Belém
"Cidade das Mangueiras"
"Metrópole da Amazônia"
Pontos turísticos e características da cidade. Do topo, em sentido horário: Teatro da Paz; plantas vitória-régia, no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade a partir da Baía do Guajará; Mercado Ver-o-Peso; e Catedral Metropolitana de Belém.

Pontos turísticos e características da cidade. Do topo, em sentido horário: Teatro da Paz; plantas vitória-régia, no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade a partir da Baía do Guajará; Mercado Ver-o-Peso; e Catedral Metropolitana de Belém.
Bandeira de Belém
Brasão de Belém
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de janeiro
Fundação 12 de janeiro de 1616 (402 anos)
Emancipação 12 de janeiro de 1616 (402 anos)
Gentílico belenense[1]
Lema Significados em latim:
  • 1º: Vereat aeternum tutius latent
    "Eterna Primavera/Escondida é mais segura"
  • 2º: Rectionr cum retrogradus
    "É mais reta se olharmos o passado"
  • 3º: Nequaquam minima est
    "De modo algum és a menor"
Padroeiro(a) Nossa Senhora de Nazaré
Prefeito(a) Zenaldo Coutinho (PSDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Belém
Localização de Belém no Pará
Belém está localizado em: Brasil
Belém
Localização de Belém no Brasil
01° 27' 21" S 48° 30' 14" O01° 27' 21" S 48° 30' 14" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Metropolitana de Belém[2][3][4] IBGE/1973[2][4]
Região
intermediária

Belém IBGE/2017[5]

Região
imediata

Belém IBGE/2017[5]

Região metropolitana Belém
Municípios limítrofes
Distância até a capital 2 140 km[6]
Características geográficas
Área 1 059,458 km² [7]
Distritos Belém (sede), Icoaraci, Mosqueiro, Outeiro[8][9]
População 1 452 275 hab. (PA: 1º) –  estatísticas IBGE/2017[10]
Densidade 1 370,77 hab./km²
Altitude 10 m
Clima Equatorial Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,746 (PA: 1º) – elevado PNUD/2010[11]
PIB R$ Aumento 29 280 972,30 mil (BR: 21º; PA: 1º) – IBGE/2015[12][13]
PIB per capita R$ 20 340,21 IBGE/2015[13]
Página oficial
Prefeitura belem.pa.gov.br
Câmara cmb.pa.gov.br

Belém (inicialmente Santa Maria de Belém do Pará e frequentemente chamada de Belém do Pará)[14] é um município brasileiro e capital do estado do Pará, situado na região Norte do país. A cidade foi fundada em 12 de janeiro de 1616 pelos portugueses, desenvolvendo-se às margens da baía Guajará (Paraná-Guaçu)[15]. É uma cidade histórica e portuária, localizada ao extremo nordeste da maior floresta tropical do mundo, sendo a capital mais chuvosa do Brasil devido a seu clima equatorial,[16][17] influenciada diretamente pela Amazônia.[18] Belém possui uma áera de 1 059,458 km² e uma altitude de dez metros ao nível médio do mar, estando a cerca de 2 140 km da capital federal, Brasília.

É o município mais populoso do Pará e o segundo da região Norte com uma população de 1 452 275 habitantes, segundo estimativa do IBGE, em 2017,[19] e o 12º município mais populoso do Brasil. Ocupa a 22ª posição no ranking de IDH por capital (0,746, alto)[20] e a sexta posição na lista de maiores IDH da região Norte – 3º maior IDH por capital por região.

Em seus 400 anos de história, Belém vivenciou momentos de plenitude, entre os quais o período áureo da borracha, no início do século XX, quando recebeu inúmeras famílias europeias, que influenciaram a arquitetura local, sendo conhecida na época como Paris n'América. Atualmente, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões e das igrejas do período colonial.[21] Nas últimas duas décadas, passou por um forte movimento de verticalização, devido novas tendências na construção civil local e o plano de valorização do espaço da cidade originada na década de 40 na Avenida Presidente Vargas.[22]

A cidade exerce significativa influência como metrópole regional, influenciando mais de oito milhões de pessoas nos estados do Pará, Amapá e Tocantins, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político.[23] Conta com importantes fortificações, igrejas, monumentos, parques e museus, como o Theatro da Paz, o museu Emílio Goeldi, o parque Mangal das Garças, o mercado do Ver-o-Peso e, eventos culturais e religiosos de grande repercussão, como o Círio de Nazaré.[24]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História de Belém do Pará

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo Belém tem origem em hebraico: בית לחם; transl.: Beit Lehem, lit. "Casa do Pão".

Inicialmente o município foi denominado em 1616 de "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará", a mando de Filipe II de Espanha,[15][25] em referência ao dia de natal; quando o capitão Francisco Caldeira Castelo Branco partiu em 1615 da cidade de São Luís rumo a Conquista do Pará.[26]

Primórdios e colonização europeia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Feliz Lusitânia

A região onde se encontra a cidade de Belém do Pará (assim chamada desde a época do reinado de Filipe II em Portugal)[14] foi, em meados do século XVIII, um pequeno lugarejo conhecido por Mairi, moradia dos índios Tupinambás e Pacajás, comandados pelo cacique Guaimiaba (que posteriormente virariam escravos durante a colonização).[15][25] Em 1580, a implantação do núcleo do atual município em Mairi ocorreu com o capitão Castelo Branco, a mando do rei da União Ibérica Dom Manuel,[15] na época da conquista da foz do rio Amazonas (marcando o início da ocupação militar da União Ibérica ou Dinastia Filipina na região) para defesa luso-espanholas da entrada na Amazônia de estrangeiros - que disputavam o domínio do território das drogas do sertão - e colonização do Império das Amazonas,[25] ou Rio das Amazonas, ou Conquista do Pará (homologado por Alexandre de Moura).[27] Onde o capitão Castelo Branco, antigo Capitão-Mor do Rio Grande do Norte, em 12 de janeiro de 1616, fundou no igarapé do Piry um fortim de madeira chamado Forte do Presépio,[25][28][29] contendo a capela Nossa Senhora da Graça, dando origem ao povoado denominado Feliz Lusitânia,[25][30] consagrada a padroeira Nossa Senhora de Belém.[15]

A conquista do Amazonas, por Antônio Parreiras, Museu Histórico do Pará.
Forte do Presépio, construído em 1616.

Em seguida, iniciou-se um período de batalhas contra a invasão de estrangeiros (holandeses, ingleses e franceses) no vale amazônico e também contra as tribos indígenas no processo de colonização e escravização (Tupinambás e Pacajás).[15][25] Com a vitória ainda em 1616, o povoado foi elevado à categoria de município e também capitania, com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará, a mando de Felipe da Espanha.[15][25][31] Posteriormente foi denominada por: Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão Pará; até à atual Belém.[32]

Em 1621, para assegurar a posse do território o Rei Filipe II de Portugal transformou a Conquista do Pará em Capitania do Grão-Pará e,[27] também criou o Estado do Maranhão com sede em São Luiz (formado pelas: Capitania do Grão-Pará, Capitania do Maranhão e, Capitania do Ceará)[33][34] - renomeado em 1654 para Estado do Maranhão e Grão-Pará (devido aumento na importância econômica de Belém),[35][36] e em 1751 para Estado do Grão-Pará e Maranhão, o qual foi dividido em 1772.

Em 1625, na área do igarapé do Piri (no atual Mercado Ver-o-Peso), os portugueses instalaram o posto fiscal comercial "Casa de Haver o Peso" ou "Lugar de Ver o Peso",[14][37] para controle do peso e, arrecadação de tributos dos gêneros trazidos para a sede da Capitania do Grão-Pará (Estado do Maranhão e Grão Pará),[38] Devido sua posição estratégica na desembocadura do Amazonas, pelo rio Guamá, tornou-se o maior entreposto comercial da região. Ponto de entrada e saída de embarcações, pelos rios Amazonas e Guamá, com produtos extraídos da região amazônica (drogas do sertão) com destino aos mercados locais e internacionais, de carne com preço baixo dos rebanhos na Ilha do Marajó,[39] e ponto de chegada dos produtos europeus.[37]

Em 1627, a importância do entreposto se estabeleceu com a concessão da primeira légua patrimonial pelo Governador e Capitão General do Maranhão e Grão Pará Francisco Coelho de Carvalho, por meio da carta de sesmaria,[40] à Câmara de Belém,[14] demarcada oficialmente em 1703.[40] Mas, faltavam recursos para o desenvolvimento dos serviços públicos administrados pela câmara. Afim de solucionar, em julho de 1687 os membros da Câmara endereçaram ao Filipe II, Rei de Portugal, uma representação pedindo a concessão do tributo do haver-o-peso. Então, em março de 1688 houve a liberação real concedendo a renda da Casa a Câmara de Belém.[14] A Primeira Légua Patrimonial é uma porção de terra com tamanho de um arco de légua (4 110 hectares ou 41 100 m²) a contar do marco de fundação da cidade - das margens do Rio Pará em direção ao sul e do rio Guamá em direção ao norte -[40] arco formado nas atuais Avenidas Doutor Freitas e Perimetral e a Avenida Arthur Bernadres, com marco demarcatório desse limite na confluência da Avenidas Doutor Freitas com a Almirante Barroso (originando o bairro do Marco da Légua).[41] Em 1655, devido aumento na importância econômica de Belém,[35] a cidade começou a crescer em direção ao interior, avançando sobre a mata, em sentido contrário ao litoral.[15]

Em 1751, Belém era considerada o maior entreposto comercial da região de produtos destinos aos mercados locais e internacionais e ponto de chegada dos produtos europeus.[37] Assim, em 1772 o nome do Estado mudou para Estado do Grão Pará e Maranhão,[42][43] com sede transferida para Belém, tornando a primeira capital da Amazônia.[15][28][32]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Em 1803, no governo de Dom Marcos de Noronha e Brito, Conde dos Arcos, o igarapé do Piri (antigo pântano Juçara) foi aterrado para atender aos avanços urbanísticos da Belém.[44] A foz foi transformada na doca do Ver-o-Peso, mantendo-se ali as atividades da Casa de Haver o Peso.[44] Em 1823, devido a distancia dos núcleos decisórios das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil e fortemente ligada a Portugal, Belém reconheceu a Independência do Brasil apenas em 15 de agosto de 1823, quase um ano após a sua proclamação.[45]

Cabanagem[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cabanagem
Igreja de Nossa Senhora das Mercês, construída no século XVIII, destacando-se no contexto da Cabanagem, na batalha do "Trem de Guerra".
Catedral de Belém no século XIX.

A Cabanagem (também conhecida como Guerra dos Cabanos) foi uma revolta popular e social ocorrida no período regencial brasileiro, influenciado com a revolução Francesa, na antiga Província do Grão-Pará (abrangia os atuais estado do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia) entre os anos de 1835 a 1840, comandada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula.[28][46][47] Devido a extrema pobreza, fome e doenças, que marcou o início desse período; o processo de independência do Brasil (1822) que não ocorreu de imediato no Pará, e; a à irrelevância política à qual a província foi relegada pelo príncipe regente Pedro I, após a Independência, mantendo a forte influência portuguesa.[28][48] Os índios e mestiços, na maioria e integrantes da classe média (cabanos) uniram-se contra o governo regencial nesta revolta, com objetivo de aumentar a importância do Pará no governo central brasileiro e enfrentar a questão da pobreza do povo da região, cuja maior parte morava em cabanas de barro (de onde originou o nome da revolta).[48]

Na capital da província do Grão-Pará, cidade de Belém, por onde eram exportados os produtos explorados, a elite local era extremamente ligada aos portugueses, e pelo fato da província não ter sofrido mudanças significantes após a declaração de independência, resultou em uma grande dependência de Portugal. Em 1835, os cabanos, comandados por Antônio Vinagre, invadiram o palácio do governo de Belém e executaram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, junto com as demais autoridades.[46][49]

Com o extermínio do governo local, os cabanos iniciaram o seu primeiro governo, colocando o poder ao militar Clemente Malcher. O novo governo traiu o movimento demonstrando sua fidelidade ao governo português (Imperador), inclusive reprimindo a revolta que o levou ao poder, ameaçando deportar Eduardo Angelim e Vicente Ferreira (lavrador).[46][47] Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no poderio, Francisco Vinagre.[46][49] Repetindo o que aconteceu no primeiro governo cabano, o novo líder também traiu o movimento. Disposto a negociar com o governo central, Vinagre demonstrou um interesse em ceder seu poder a alguém indicado pelos portugueses. Descontentes, Vinagre foi deposto dando lugar ao terceiro presidente cabano, Eduardo Angelim (jornalista), mas acabou enfraquecido com a diminuição do apoio das elites locais.[46]

Em 1836, o governo central do Pará, comandado por brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréa (subordinado ao Império), fez um bombardeio nos esconderijos cabanos e a prisão de Eduardo Angelim.[46] Então os cabanos se esconderam nas matas de Belém, para tentar novamente tomar o poder através de táticas de guerrilha.[46] Após cinco anos de combate, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta na capital, devido a fraqueza política do movimento e a ausência de um líder experiente.[46] No início da guerra, a província do Grão-Pará era habitada por cerca de 100 mil moradores e estima-se a população foi reduzida para 60 mil moradores, havendo aproximadamente 40 mil mortos.[49] A revolta dos cabanos terminou sem que conseguissem atingir seus objetivos. Então, grupos negros foram para o interior formar comunidades de quilombolas e, grupos indígenas iniciaram a atividade de agricultura de subsistência ou integraram a atividade de extração da borracha.[28]

Ciclo da borracha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ciclo da borracha
Belém no século XIX
Arco Triunfal para a visita de D. Pedro II a Belém. Fotografia de F. A. Fidanza (1867)

Em 1866, foi permitida a abertura dos rios: Amazonas, Tocantins, Tapajós, Madeira e, Negro para a navegação dos navios mercantes de todas as nações, contribuindo para o desenvolvimento da capital paraense.[50] Para consolidar este ato e firmar a presença imperial no norte após a Cabanagem, foi anunciado que D. Pedro II viria cidade anunciar oficialmente a abertura dos rio Amazonas.[51] Sendo assim, construído um Arco Triunfal pela Companhia do Amazonas para recepção do imperador.[51] Mas o Arco não foi preservado, pois tratava-se de um recurso cenográfico da Companhia do Amazonas e, não uma edificação arquitetônica de fato.[51] Nesse período a fotografia passou a ter maior presença e difusão em Belém com contribuição do fotografo português Felipe Augusto Fidanza e com a chegada do Imperador D. Pedro II em 1867, um grande incentivador desta arte.[51]

Durante o ciclo da borracha (1879 - 1912), houve o aumento da importância comercial de Belém, principalmente para o cenário internacional com a borracha. Sendo considerada uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, não só por sua posição estratégica - litorânea - mas também porque sediava um maior número de casas bancárias, residências de seringalistas (Barões da Borracha) e outras importantes instituições.[52]

O apogeu do ciclo foi entre 1890 e 1920, quando a cidade contava com tecnologias que as cidades da regiões sul e sudeste brasileiros ainda não possuíam,[53] como por exemplo: Cinema Olympia - o mais antigo do Brasil em funcionamento - um dos mais luxuosos e modernos da época (inaugurado em abril de 1912 auge do cinema mudo);[54][55] Teatro da Paz, um dos mais belos do Brasil, inspirado no Teatro Scala de Milão;[55] Mercado Ver-o-Peso[nota 1] (candidato a uma das 7 Maravilhas do Brasil)[56] a maior feira livre da América Latina;[57][58][59][60] Palácio Antônio Lemos;[55] Praça Batista Campos;[61][55] Estrada de Ferro de Bragança.[62] Assim, foram atraídas nesse período, levas de imigrantes estrangeiros, como portugueses, franceses, japoneses, espanhóis e outros grupos menores, a fim de desenvolverem a agricultura nas terras da Zona Bragantina.[carece de fontes?]

Embora a cidade estivesse abalada pela revolta popular da Cabanagem (1835 - 1840), a Casa de Haver o Peso funcionou até 1839,[63] quando em outubro, o presidente Bernardo de Souza Franco extinguiu a repartição fiscal e, a Casa foi arrendada destinada à venda de peixe fresco até o ano de 1847,[63] quando terminou o contrato de arrendamento e a Casa de Haver o Peso foi demolida.[64][14]

No final do século XIX, o discurso de progresso e controle social baseado na ciência e no saneamento (política de combate aos cortiços ou bairros pobres perto dos centros) estimulado pelo receio das elites republicanas em relação à massa de trabalhadores (livres e escravos) que se aglomerava nas cidades e se organizavam politicamente, mas sendo interpretada como “selvagem”.[65] A aplicação da limpeza da cidade, expulsando os setores populares dos centros e forçando a segregação em novos bairros periféricos. Na tentativa dos republicanos construirem um “novo homem”, trabalhador submisso mas ao mesmo tempo produtivo.[65]

A população negra que estava concentrada no bairro do Umarizal, não deixava de ganhar ganhando destaque por sua força cultural, com destaque em 1848, para a primeira festa de 15 dias do Divino Espírito Santo (por Mestre Martinho, natural de Óbidos) com bastantes atrativos como danças, bailes e outras recreações, dando origem também aos cordões de bumbá, pastorinhas e encontros de samba noturno.[65] Ao passar pelo processo de negação da cultura afro-brasileira no plano de urbanização e modernização durante o republicanismo de Antônio Lemos, os moradores do bairro (a população negra) foram forçados a se transferir para os bairros periféricos da cidade: Pedreira, Guamá, Jurunas, Cremação, Sacramenta.[65] Essa dispersão dos moradores do Umarizal, tornou o bairro da Pedreira um centro de batuques e sambas e nos demais bairros permaneceram os terreiros:[65] de macumba modernizado e sincretizado, de antigo batuque, de babaçuê, de candomblé da Bahia, de umbanda carioca e, traços da pajelança cabocla. A negação da cultura afro-brasileira, afetou o ritmo carimbó ao longo de toda primeira metade do século XX.[65] Este sempre sofreu repressão por séculos devido a origem indígena com influência negra,[66] mas em 1880, chegou inclusive a sofrer proibição explicita governamental em Belém através no “Código de Posturas de Belém”, no capítulo intitulado “Das bulhas e vozeiras”:[67] "É proibido(...) fazer batuques ou samba, tocar tambor, carimbó, ou qualquer outro instrumento que perturbe o sossego durante a noite, etc.".[67] Nessa época, o indígena teve participação direta na economia local, mas conquistou áreas reservadas afastadas dos centros urbanos, para praticar sua cultura após diversos conflitos com os colonizadores. Crescendo assim, em contrapartida, o comércio de escravos, trazidos para os trabalhos gerais, surgindo a figura do caboclo que se desenvolvia com a miscigenação.[30]

Neste período foram construídas grandes edifícios e obras de infraestrutura na cidade. Em 1868, foi iniciada a construção do Palácio Antônio Lemos (1873), para ser o Palácio Municipal, que foi inaugurado em 1883, durante o governo de Rufino Enéas Gustavo Galvão. Em 1869, Calandrine de Chermont iniciou a construção do Theatro da Paz (1874), com a influência da arquitetura neoclássica e, inaugurado em 1878, durante o governo de João Capistrano Bandeira de Melo Filho, sendo inaugurado com a companhia de Vicente Pontes de Oliveira, encenando o drama As duas órfãs de Adolphe d'Ennery.[68] É um dos mais luxuosos do Brasil e um dos teatros-monumentos do país.[68]

Em 1883, o Governo Provincial de Rufino Enéas Gustavo Galvão (1882-1884), o visconde de Maracaju, iniciou a construção da ferrovia ou Estrada de Ferro de Bragança (1984-1964), para transportar a produção agrícola razoável da região (seguindo o traçado do Caminho do Maranhão[nota 2],que ligava Belém ao Maranhão,[62] criado pelos índios Tupinambás e efetivado por Pedro Teixeira (militar), com missão de criar a melhor caminho terrestre-fluvial até Maranhão e,[70] uma via para as transações comerciais entre Belém e Bragança, que antes ocorria somente via rio Caeté, necessitando assim, de outras vias para efetivar a economia, posteriormente também servindo também para condução do gado vindo do Piauí)[71] sendo inaugurada em 1884, o trecho inicial de 29 quilômetros, entre o bairro de São Brás (em Belém) e a colônia de Benevides.[72][73][74] Em 1885, ganhou outros 29 quilômetros. Mas, as obras de construção ficariam paralisadas até 1901, retornando somente em 1908, quando alcançou sua extensão máxima.[72]

Em 1899, após a demolição da Casa de Haver o Peso,[64][14] foi iniciado em seu local a construção do Mercado Municipal de Peixe (ou Mercado Ver-o-Peso ou Mercado de Ferro),[75] por La Rocque Pinto & Cia seguindo a estética francesa de art nouveau,[76][77][78] na antiga Praça do Pelourinho onde existia uma feira de gêneros horti-fruti,[14] próximo ao Mercado Municipal da Carne (1867).[75] Sendo inaugurado em 1901 durante o governo de Augusto Montenegro,[79][64][63] sito na Avenida Boulevard Castilhos Franca.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Paris n'América

O dinheiro gerado com a comercialização da borracha foi importante para a reestruturação urbana de Belém com referência em París,[80] a partir de 1897, que marcou o início do governo do intendente Antônio Lemos (1897-1911), modernizando a capital, no início da República, promovendo uma renovação estética e higienista da cidade no período "Belle Époque de Belém" ou período "Áureo da Borracha",[80] com o projeto de construção da Paris n'América (do francês: Petit Paris) com a influência da arquitetura art déco e da belle époque européia. Atendendo ao novo gosto da elite do látex (em destaque aos seringalistas Barões da Borracha) e também demonstrar aos investidores estrangeiros que Belém era segura e salubre para transformar a capital em centro: financeiro, luxo, divertimento e de consumo. Ressalta-se, que a maior parte da população era pobre, não possuía dinheiro sequer para comprar peixe, enquanto tentavam adotar hábitos europeus.[81]

Em 1902 completou seu projeto, que incluiu construção de diversos palacetes, bolsa de valores, grandes teatros, igrejas, necrotério, grandes praças com lagos e chafarizes, infra-estrutura sanitária, alargamento de vias, calçamento de quilômetros de vias com pedras importadas da Europa, construção da malha de esgoto nos principais bairros, aterramento de rios e córregos, arborização com a plantação de centenas de mudas de mangueira indianas nas novas avenidas e boulevards, a fim de construir túneis sombreados, tudo ao estilo francês. O desafio foi delegado a um grupo de engenheiros europeias, incluindo os responsáveis pela reforma urbanística de Paris.[81]

Neste momento, a fotografia aparece como elemento significativo registrando as transformações urbanas do senador intendente Antônio Lemos, servindo de propaganda política das realizações de seu governo.[82] Estes registros resultaram no "Álbum de Belém", com capa em baixo relevo, produzido em 1902 em Paris, sob direção de Felipe Augusto Fidanza e texto de Henrique Santa Rosa.[83][84] Construindo uma imagem idealizada, reinventando um imaginário social e cultural à moda parisiense e lenista.[82]

Com destaque para: o Cine Olympia (1912), o cinema mais antigo em funcionamento no País,[85][54] inaugurado durante o governo de João Antônio Luís Coelho,[85] pelos empresários Carlos Teixeira e Antonio Martins, donos do Grande Hotel e do Palace Theatre (atual hotel Princesa Louçã, frente ao Bar do Parque).[86]

Belém, anos 1910. Arquivo Nacional.

Em 1911, a divisão administrativa do município de Belém é constituído de 3 distritos: Belém (sede), Santa Isabel do Pará (até 1931 quando elevado à categoria de município) e, Castanhal (até 1932 quando elevado à categoria de município).[87]

Em 1930, a divisão administrativa do município é constituído de 5 distritos: Belém (sede), Santa Isabel do Pará, Acará, Castanhal e, Conceição do Araguaia (até 1935 quando elevado à categoria de município).[87] Em 1936, a divisão administrativa do município aparece constituído de 11 distritos: Belém (sede), Aicaraú, Barcarena, Caratateua, Conde, Genipauba, Ilha da Onças, Itupanema, Mosqueiro, Pinheiro e, Val de Cães.[87] Em 1938, a divisão administrativa do município aparece constituído de 11 distritos: Belém (sede, Ilha das Onças e Genipauba), Aicaraú, Ananindeua, Barcarena (Itupanema), Benfica, Murucupi (ex-Conde), Engenho Araci (ex-Araci), Mosqueiro, Pinheiro (Caratateua), Santa Isabel do Pará e, Val de Cães.[87]

A partir da década de 1940, o município passou por uma grande verticalização, a partir das áreas mais altas e mais valorizadas, devido novas tendências na construção civil local e o plano de valorização do espaço da cidade originada na década de 1940, iniciado na Avenida Presidente Vargas. Verificou-se: o aumento das densidades construídas e a elevação acentuada da altura dos edifícios; novas modalidades de seletividade social, caracterizadas por arrojados projetos arquitetônicos; a incorporação de sofisticados equipamentos de lazer na área condominial; os altos preços dos imóveis. Criando à segregação sócio-espacial para segmentos sociais de alta e de média classe.[22] Em 1948. a divisão administrativa do município é constituído de 4 distritos: Belém, Icoraci (ex-Pinheiro), Mosqueiro e, Val-de-Cãs.[87]

Na década de 1950 os bairros localizados na na zona norte e da zona sul apresentavam índices de crescimento muito expressivos, o da Marambaia alcançou um índice de 112,04%, Sacramenta 210,69%, e; Sousa 201,22%. Eram considerados os bairros de maior crescimento demográfico, chamados de bairros populares, em contraste com os velhos bairros, do Comércio com diminuição de 15,57%; Reduto 23, 21%, e; Cidade Velha um crescimento de 23,25%.[88] Na década de 1960 continuaram sendo os bairros mais populosos de Belém, com cerca de 280 mil pessoas.[89] Fato devido serem ocupadas por uma população considerada pobre e bastante prolífera, que residia em pequenas residências precárias, em ocupações de estrutura desordenada caracterizada por ruas tortuosas com matos e nas margens lodosas de igarapés e arruamentos. Enquanto a área central se esvaziava, devido invasão do comércio e da elite local. Os bairros iniciais da zona leste se estabilizam em amplos quarteirões com largas avenidas.[89] No período de 1960 a 2ª Légua Patrimonial de Belém, foi estruturada ao longo da Avenida Augusto Montenegro, que originalmente foi ocupada por fazendas e, a partir dos anos 1960 recebeu os conjuntos habitacionais destinados a princípio aos remanejados das obras de infraestrutura realizadas no centro, seguidos nos anos 1980 por ocupações informais, e por condomínios de alta renda a partir dos anos 1990.[90]

Em 1960 ocorreu a criação do campus principal da Universidade Federal do Pará em Belém, o campus universitário do Guamá.[91] Neste mesmo ano iniciou a desativação da ferrovia Belém-Bragança, devido queda no faturamento com o avanço das rodovias. Então em 1965 o Ministro da Aviação Juarez Távora (do governo de Humberto de Alencar Castelo Branco) ordena a destruição das locomotivas e das principais estações ferroviárias do estado e da história, sob a justificativa de déficit anual,[92] demolindo assim, a Estação Ferroviária de São Brás e construindo a Estação Rodoviária de Belém, através do interventor Alacid Nunes. Esta justificativa disfarçou a vingança pelo fato ocorrido em 1930, quando foi pressionado por políticos e os militares do Pará a nomear Magalhães Barata interventor do Pará.[92]

Neste período os terrenos sem alagamentos da Primeira Légua Patrimonial de Belém estavam ocupados. Com o avanço da rodovia Belém-Brasília, iniciada na década de 1950 com o presidente Juscelino Kubitschek e o inicio da construção da rodovia de acesso ao distrito de Icoaraci[93] e Outeiro seguindo o traçado da antiga ferrovia Belém-Bragança, alavancaram o crescimento urbano e a expansão imobiliária (de modo não planejada e carente de boa infraestrutura porém progressivamente valorizada) nas áreas de várzea (área de expansão), através da construção de conjuntos habitacionais e assentamentos populacionais nos eixos viários das Rodovias BR-316 e Augusto Montenegro, conhecida como “Nova Belém” na "Segunda Légua Patrimonial de Belém" (doada em 1899 depois da Lei de Terras do estado do Pará para a Intendência Municipal) como a Cidade Nova e a Nova Marambaia.[93][94][95] Formando um novo modelo de tecido urbano, contrapondo ao encontrado na área central da cidade, com a ocupação de modo não planejada do espaço e de diferentes tipologias de assentamentos habitacionais.[carece de fontes?]

A partir de 1995, iniciou o Movimento Orla Livre, que debate sobre a ocupação irregular das margens do rio Guamá e da Baia do Guajará, lutando para o usufruto por parte da população através de espaços de lazer, cultura e esporte, da valorização do patrimônio histórico, do turismo e habitação, também busca a criação do Plano de Gestão Integrada da Orla de Belém, para a requalificação urbana da orla.[96] Preocupado com este anseio, o então prefeito Edmilson Rodrigues (1996 - 2004) implementou o projeto “Janelas para o Rio”, que tem como objetivo: criar espaços públicos na orla para que a sociedade civil pudesse utilizá-los para lazer e outros fins sociais; preservar a identidade ribeirinha do caboclo amazônida; combater à especulação imobiliária e a apropriação privada desigual dos investimentos públicos em áreas de processo de segregação sócio-espacial.[97]

Neste sentido foram construídos, inicialmente, o complexo Ver-o-Rio, a Praça Princesa Isabel e, a Vila da Barca, em um processo de valorização e apropriação de áreas na orla da cidade, seguindo a determinação do Estatuto da Cidade (lei federal 10 257/2001) e Plano Diretor Urbano que determinam a criação de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS).[97][98] Tais áreas, por muito tempo desprezadas pelo Poder Público, tornando-se facilmente ocupada de forma desordenada por empresas privadas, como: portos, palafitas, estâncias, lojas, marcenarias e outras modalidades do tipo econômico.[97] A atuação do Orla Livre intensificou-se durante os anos de 2012 a 2014, com a necessidade de combater a implantação de vários projetos imobiliários residenciais nas margens do rio Guamá e da Baía do Guajará, que são Áreas de Preservação Permanente (APP).[96]

Panorama dos edifícios do bairro Umarizal em 2015.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista da região central da cidade.

Belém conta com uma área de 1 059,458 km² e uma densidade de aproximadamente 1 371 hab./km²,[7] sendo a décima-terceira maior capital brasileira em área territorial. A distribuição territorial divide-se em duas partes: área Continental com 176,5658 km² e, a área Insular com 329,9361 km², composta de quarenta e duas ilhas,[17] situadas no Oceano Atlântico, com destaque para a ilha de Mosqueiro (211,7923 km²) - a mais extensa destas - e as ilhas de Caratateua (31,4491 km²), Cotijuba (15,8071 km²) e Combu (14,9360 km²). Belém limita-se com os municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Barcarena, além das baías do Marajó e Guajará.[17][99]

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017,[100] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Belém.[5] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Belém, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belém.[101]

O solo da região apresenta características de textura média e indiscriminadas, além de concrecionários lateríticos, as mesmas vistas na região Bragantina. A topografia é baixa e pouco variável, com seu ponto de altitude máxima alcançando os 25 metros, na ilha de Mosqueiro. Boa parte da área urbana de Belém encontra-se entre 3 e 4 metros, fazendo com que a cidade receba influência notável das marés altas.[17]

Cerca de 54,73% da cobertura vegetal de Belém encontra-se alterada, o que é considerado alarmante pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - instituto de pesquisa responsável pela captura de imagens espaciais dos municípios brasileiros. Os principais motivos que levam a essa elevada alteração no espaço natural de Belém, é a ocupação urbana de determinadas áreas, associadas ao desmatamento. Levando em conta sua área territorial, o município é classificado como um dos de maior índice de desmatamento no país.[17]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Os rios que passam por Belém são o rio Maguari, que banha a Região Metropolitana de Belém; e o rio Guamá, localizado no nordeste do Pará, cuja bacia hidrográfica drena uma área de 87 389,54 km². A Baía do Guajará banha diversas cidades do estado do Pará, inclusive sua capital. É formada pelo encontro da foz do rio Guamá com a foz do rio Acará.[102][103]

A rede de abastecimento chega a 80% das residências, mas somente 6,5% da descarga domiciliar está conectada à rede coletora de resíduos, o que provoca o descarte inadequado dos dejetos em 14 bacias que abastecem a cidade, 11 delas ligadas ao rio Guamá.[104]

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados
em Belém por meses (INMET, 1961-1964 e 1967-presente)[105]
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 118,2 mm 10/01/1971 Julho 111 mm 13/07/1974
Fevereiro 161,2 mm 13/02/2013 Agosto 80,4 mm 11/08/1969
Março 136,9 mm 23/03/1985 Setembro 67,4 mm 23/09/1964
Abril 200,8 mm 25/04/2005 Outubro 74,4 mm 07/10/2005
Maio 103,5 mm 07/05/1974 Novembro 67 mm 01/11/1995
Junho 99,7 mm 20/06/1996 Dezembro 121,4 mm 21/12/1989

Belém é a capital mais chuvosa do Brasil,[16] devido a seu clima equatorial (Af i, classificação climática de Köppen-Geiger)[17] influenciado diretamente pela presença da floresta amazônica.[18] A amplitude térmica é baixa (1,1 °C), com temperatura média compensada anual de 26,5 °C, chegando a 32 °C em alguns períodos.[106] A partir de 1967, a menor temperatura registrada em Belém foi de 18,5 °C em 26 de agosto de 1984,[107] e a maior atingiu 37,3 °C nos dias 20 de março de 1982 e 12 de dezembro de 2003.[108]

As precipitações são abundantes e acontecem na maioria dos dias do ano, principalmente sob a forma de chuva,[109] podendo virem acompanhadas de raios.[110] Em alguns casos, com episódios de ventania, cujas rajadas podem ultrapassar 50 km/h.[111] O índice pluviométrico é de 2 922 mm/ano, sem a ocorrência de uma estação seca real, concentrados entre os meses de dezembro a maio, sendo março e abril os meses de maior precipitação.[106] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 200,8 mm (milímetros) em 25 de abril de 2005,[105] enquanto em um mês o recorde é de 776,2 mm, registrados em fevereiro de 1980.[112]

Com mais de 2 000 horas de sol por ano, a umidade relativa do ar é elevada durante todo o ano, com médias mensais entre 85% e 95%.[106] O menor índice de umidade relativa do ar (URA) registrado foi de 43%, em 19 de julho de 2003.[113]

Dados climatológicos para Belém
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 35,9 34,8 37,3 35 35,2 35 35,3 36,7 35,4 35,4 36,4 37,3 37,3
Temperatura máxima média (°C) 31,1 30,8 30,7 31,1 31,7 31,9 32 32,5 32,6 32,6 32,7 32,2 31,8
Temperatura média (°C) 26,1 25,8 26 26,2 26,5 26,5 26,3 26,7 26,8 26,9 27,1 26,7 26,5
Temperatura mínima média (°C) 22,7 22,8 23 23,2 23,1 22,8 22,5 22,5 22,4 22,4 22,7 22,8 22,7
Temperatura mínima recorde (°C) 19,4 18,8 19,8 19,2 20 19,8 19 18,5 18,8 18,9 18,6 19 18,5
Precipitação (mm) 384,5 399,5 450,3 424,3 298,4 185,3 153,8 134,8 128,2 129,2 127,4 268,3 3 084
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 24 24 25 25 23 16 15 12 13 13 13 19 222
Umidade relativa (%) 88,3 89,9 89,8 89,8 87,1 83,7 82,5 81,4 80,8 80,1 80,7 84,2 84,9
Horas de sol 130,3 103,1 111,1 132,8 186,7 228,7 250,8 266,4 242,4 231,8 191,7 159,1 2 234,9
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[106] recordes de temperatura de 1961 a 1964 e 1967-presente).[108][107]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
187261 997
189050 064-19,2%
190096 56092,9%
1920236 402144,8%
1940206 331-12,7%
1950254 94923,6%
1960402 17057,7%
1970642 51459,8%
1980949 54547,8%
19911 244 68831,1%
20001 279 8612,8%
20101 393 3998,9%
Fonte: IBGE[114]

A população de Belém é de 1 452.275 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017,[19][115] fazendo do município o mais populoso do Pará e 12ª cidade mais populosa do Brasil (2º maior da região Norte do país).[115][116]

De acordo com o censo demográfico de 2010, 734.391 habitantes eram mulheres (equivalendo a 50,78% da população), e 659.008 homens (representando 45,57% da população); Com a maior parte da população (67,83%) com idade entre 15 e 64 anos (980.878 habitantes),[nota 3][117] e expectativa de vida de 74 anos.[118] Comparando 2010 à atualmente, houve um crescimento populacional de 3,64%. Possuindo assim, a 2ª segunda maior densidade demográfica desta macrorregião (1.315 hab/km²),[119] onde 1 380.836 vivem em zona urbana, enquanto que apenas 11 195 vivem em zona rural.[120] Em 2008, 97,63% de sua população era alfabetizada.[118][121]

Sua região metropolitana (RMB) é a segunda mais populosa da Amazônia (2 402.437 hab), a 14.ª mais populosa do país[nota 4][116] e a 178ª do mundo. É classificada como uma das capitais com melhor qualidade de vida do Norte brasileiro.[122][123]

De acordo com um estudo genético de 2013, a ancestralidade da população de Belém é composta por: 53,70% de contribuição europeia, 29,50% de contribuição indígena e 16,8% de contribuição africana.[124]

Região Metropolitana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Região Metropolitana de Belém

Criada por lei complementar federal em 1973 alterada em 1995, 2010 e em 2011, a Região Metropolitana de Belém (RMB), com 2 381 661 habitantes IBGE/2014, compreende os municípios de Ananindeua, Belém, Benevides, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Castanhal. Devido ao intenso processo de conurbação, hoje a Região Metropolitana de Belém é um dos maiores aglomerados urbanos da Região Norte. É a 177ª maior área metropolitana do mundo e 11ª do Brasil.[116][125]

Cidades próximas como Abaetetuba e Barcarena encontram-se sob influência direta de Belém, sendo que as duas já ultrapassaram a marca de cem mil habitantes. A região do "Entorno de Belém", compreende municípios em um raio de até 60 quilômetros a partir da cidade, apresentando integração contínua, com uma população que se aproxima de 3 milhões de pessoas.[126]

Religião[editar | editar código-fonte]

Manto de Nossa Senhora de Nazaré na basílica homônima. O Círio de Nazaré é uma das maiores celebrações religiosas do mundo.
Igreja Presbiteriana de Belém.

A maior parte da população na cidade é católica, porém é possível encontrar pessoas adeptas das mais diversas religiões, as principais são: espiritismo, protestantismo, judaísmo, neopaganismo, islamismo e também estão muito presentes as religiões afro-brasileiras trazidas da África pelos escravizados. Cerca de 72,10% da população de Belém é católica, 18,30% são protestantes, 1,53% são de orientação Espírita, 0,19% são seguidores de religiões de origem africana e 0,1% são judeus.[127][128]

Religião predominante no estado e o município de Belém, sedia o evento religioso Círio de Nazaré, que acontece anualmente no segundo domingo de outubro, reunindo cerca de dois milhões de fiéis. O Círio,[129] em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, é a maior festa cristã do país e a maior procissão católica do mundo, sendo celebrada desde 1793, em Belém.[130] Atualmente, as manifestações de devoções religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se: romaria fluvial, romaria rodoviária, moto-romaria, transladação, procissão do Círio, o Círio propriamente dito e o recírio.[131] A capital paraense possui inúmeras igrejas, capelas e santuários, das quais se destacam a Catedral Metropolitana de Belém, a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré e a Igreja de Santo Alexandre (atualmente Museu de Arte Sacra),[132] Santuário de Nossa Senhora de Fátima,[133] Igreja Nossa Senhora das Mêrces, Igreja Nossa Senhora do Carmo, entre outras.[134]

No início do século XX, a Igreja Batista da cidade recebeu dois missionários batistas suecos oriundos dos Estados Unidos: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Missionários vieram para o Brasil embalados pelo trabalho missionário nos EUA, sob a autorização do reverendo Nelson ficavam à frente do trabalho enquanto esse ia aos EUA em busca de fundos para a obra. Enquanto fora, os missionários aproveitavam a oportunidade para pregar o pentecostalismo ao qual tinha se convertido ainda nos Estados Unidos. Devido às dissensões, acabaram sendo convidados a se retirarem em 1910, formando sua própria congregação com o grupo que concordava com os novos ensinos.[135] Mais tarde essa congregação seria chamada Igreja Evangélica Assembleia de Deus,[136] a maior igreja evangélica do Brasil e a maior igreja pentecostal do mundo. Assim Belém se tornou o berço da doutrina pentecostal evangélica.[137] e já foi palco de grandes eventos religiosos. Depois do catolicismo, a evangélica é a segunda religião mais praticada na cidade e possui um grande números de casas de oração, dentre as quais as principais são: Assembleia de Deus (tendo sua fundação nacional primeiramente em Belém), Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja Batista.[138] Outras denominações evangélicas presentes na cidade: Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Anglicana, Igreja Adventista do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová.

A maioria dos judeus em Belém chegaram à cidade no século XIX, oriundos do Marrocos, descendentes dos refugiados da Inquisição na Espanha e em Portugal (1496). Os judeus se dirigiram para a região com intuito de poder praticar sua fé com liberdade e enriquecer com o crescente extrativismo da região, facilitados por ser uma cidade portuária atingida pela carta régia, que abriu os portos do país para nações amigas. Muitos migraram diretamente para Belém, fundando a primeira Comunidade Judaica da Amazônia e do Brasil República, alguns se espalharam no interior ao longo do Rio Amazonas, depois migrando para a capital devido fortalecimento da comunidade .[139][140]

Em 1824, foi inaugurada a primeira sinagoga do Brasil Império, a "Eshel Abraham", e o primeiro cemitério judaico do país em 1842. Com a proclamação da república e a separação da Igreja do Estado, em 1889, esse fluxo foi intensificado, aliado ao Ciclo da Borracha, que estava vivendo seu apogeu nesse período.[141][142] Belém sedia a Congregação Israelita do Pará, com três sinagogas — Eshel Abraham (1824), Shaar Hashamaim (1889) e uma unidade Beit Chabad — uma necrópole israelita, um cemitério judeu e uma Hebraica campestre. Todos as cinco construções citadas inicialmente estão situadas no centro urbano da capital, na tríplice divisa dos bairros da Campina, Batista Campos e Nazaré.[carece de fontes?] Segundo Censo, a capital paraense é o domicílio de 1.346 judeus - o município concentra quase 70% dos judeus do estado - sendo a quinta cidade com o maior concentração no país e a primeira no Norte.[143] A comunidade é predominantemente sefaradita. A cidade também possui uma comunidade muçulmana, a maioria descendentes de imigrantes, principalmente libaneses. Belém possui uma mesquita, que integra o Centro Islâmico Cultural do Pará. Há também uma pequena comunidade Hare Krishna, que mantém um Centro Cultural que realiza festivais aos sábados, além de outros eventos como palestras.[144]

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura.

Símbolos municipais[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Bandeira, brasão e hino de Belém

A bandeira foi instituída pelo decreto nº 6.855, de 3 de janeiro de 1971. Ela consiste de um retângulo azul sobre o qual pousa o brasão de Belém, que foi criado por iniciativa do segundo Capitão-Mor do Pará, Bento Maciel Parente, com provimento de D. Luís de Sousa.[145] O brasão foi criado em 1626, logo no início da colonização. Naquele tempo o capitão-mor da Capitania do Grão - Pará, Bento Maciel Parente, ao lado de Pedro Teixeira Ayres Chicorro e Baião de Abreu, teve a ideia de instituir um escudo para ser colocado no Forte do Castelo. Esse brasão simbolizaria a coragem, a tradição e o pioneirismo dos portugueses.[146] O hino foi apresentado oficialmente pela primeira vez na solenidade especial em homenagem aos 391 anos de Belém. A prefeitura criou um concurso onde qualquer um podia participar desde que apresentasse letra e melodia inéditas sobre a capital do Pará. Os vencedores foram Eduardo Neves (letra) e Luiz Pardal (música).[147]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

O município de Belém possui ao todo, sete cidades-irmãs,[148] a saber:

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Mapa de Belém e seus bairros.

Bairros[editar | editar código-fonte]

O município possui um total de 71 bairros oficiais, distribuídos em 8 distritos administrativos, a saber:[149] Distrito Administrativo de Centro (DABEL), Distrito Administrativo do Benguí (DABEN), Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT), Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA), Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO), Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS), Distrito Administrativo de Outeiro (DAOUT) e Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC).[150]

Distritos administrativos Nº de bairros Bairros
Centro (DABEL) 8 Batista CamposCampinaCidade VelhaMarcoNazaréRedutoSão BrásUmarizal
Benguí (DABEN) 8 Benguí • Cabanagem • Coqueiro • Parque VerdePratinha • São Clemente • Tapanã • Una
Entroncamento (DAENT) 10 Águas Lindas • Aurá • Castanheira • Curió-Utinga • Guanabara • MangueirãoMarambaiaSouza • Universitário • Val-de-Cans
Guamá (DAGUA) 6 Canudos • Condor • CremaçãoGuamáJurunasMontese (Terra Firme)
Icoaraci (DAICO) 9 Águas NegrasAgulhaCampina de IcoaraciCruzeiroMaracacueiraParacuriParque GuajaráPonta GrossaTenoné
Mosqueiro (DAMOS) 19 Aeroporto • Ariramba • Baía do Sol • Bomfim • Carananduba • Caruará • Chapéu Virado • Farol • Mangueiras • Maracajá • Marahú • Murubira • Natal do Murubira • Paraíso • Porto Arthur • Praia Grande • São Francisco • Sucurijuquara • Vila
Outeiro (DAOUT) 4 Água Boa • Brasília • Itaiteua • São João do Outeiro
Sacramenta (DASAC) 7 Barreiro • Fátima • Maracangalha • Miramar • Pedreira • Sacramenta • Telegráfo
Total 71

Economia[editar | editar código-fonte]

Atividades Econômicas em Belém - (2012)[151]

A economia belenense baseia-se primordialmente nas atividades do comércio, serviços e turismo, embora seja também desenvolvida a atividade industrial com grande número de indústrias alimentícias, navais, metalúrgicas, pesqueiras, químicas e madeireiras.[152]

A Grande Belém localiza-se na região mais dinâmica do estado e juntamente com o município de Barcarena, integra o segundo maior parque industrial da Amazônia. A cidade conta com os portos brasileiros mais próximos da Europa e dos Estados Unidos (Belém, Miramar e Outeiro), sendo que o Porto de Belém é o segundo maior movimentador de contêineres da Amazônia. Com a revitalização dos distritos industriais de Icoaraci (um dos oito distritos da capital) e de Ananindeua, a implantação da Hidrovia do Tocantins e com a chegada da Ferrovia Norte-Sul, a cidade aguarda um novo ciclo de desenvolvimento.[152]

Porto com o Mercado Ver-o-Peso ao fundo.

Também em Icoaraci, a economia fortaleceu a cultura, abrigando o maior polo de produção de cerâmica marajoara do país, resguardando outra característica da região.[153]

Os maiores centros comerciais da cidade por área bruta locável (ABL) são: Shopping Metrópole Ananindeua (51 mil m² de ABL),[154] Shopping Bosque Grão Pará (44.682 m² de ABL),[155] Castanheira Shopping Center (42,5 mil m²),[156] Boulevard Shopping (40 mil m²),[157] o Shopping Pátio-Belém (37.179 m²)[158] e, Parque Shopping Belém (31.275 mil m²).[159]

Entre os principais mercados municipais estão o Mercado do Ver-o-Peso (1688) (tradicionalmente chamado de Verópa), é muito mais que apenas um centro comercial, é também o símbolo de Belém e maior atração turística,[160] visitado por 50 mil pessoas, que movimenta 1 milhão de reais diariamente .[160] Localizado no bairro da Cidade Velha, às margens da baía do Guajará,[160] abastece a cidade com produtos alimentícios do interior paraense, fornecidos principalmente por via fluvial. Inicialmente era um entreposto fiscal criado em 1625 no Porto do Piri,[37] denominado Casa de Haver o Peso,[14][37] onde era arrecadado os impostos das mercadorias que saiam ou chegavam à Amazônia,[161] dando origem ao nome do Mercado Ver-o-Peso (1899).[75]

No Mercado de São Brás funcionam lojas de artesanato, produtos agrícolas, domésticos e vestuário.[162] Localizado na Praça Floriano Peixoto, próximo à antiga "Estação de Ferro de Bragança", este foi construído em 1911 em função de: grande movimentação comercial gerada pela ferrovia intermunicipal, e; política do então intendente Antônio Lemos de descentralização do abastecimento da cidade expandido para os bairros.[162]

As produções da agricultura urbana centram-se no cultivo de produtos tradicionais (típicos/culturais), como espécies frutíferas, sendo eles: Açaí (45,2%), Macaxera (41,9%), Cupuaçu (35,5%) e Maxixe (25,8%), em algumas casos temperos e hortas.[163] Embora com destaque a estes quatro produtos, outros também são relevantes no contexto do município: Carirú, Côco e Cheiro Verde.[163] Diante desta perspectiva, a agroindústria parece ser uma possibilidade promissora, mas em vários pequenas unidades de produção, devido a mão de obra local não ser abundante e as áreas terem limitações ambientais (Áreas de Proteção Ambiental - APA e Refúgio de Vida Silvestre - Revis).[163]

Baseado nesta possibilidade, em 2016 o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) através da Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB/Ideflor) iniciou o Projeto Agrovárzea, afim de incentivar a agricultura familiar e o turismo rural em comunidades de populações tradicionais nas Áreas de Proteção, nos Refúgios Silvestre e, na região insular da capital (Combú, Sítio Bom Jesus, Abacatal, Santo Amaro e, Ponta Negra).[164]

O Agrovárzea cria Unidades de Referência Tecnológica (URT), com atividades teóricas e práticas referentes ao manejo adequado de sistemas agroflorestais, priorizando a diversificação da produção, porém focado nas espécies nativas, junto à conservação da biodiversidade com geração de renda através da venda direta, principalmente na ilha do Combu e no refúgio Metrópole da Amazônia.[164] Também, promove aos participantes outras atividades, como intercâmbios de métodos, vivências rurais, feiras em instituições e capacitações abordando temas como elaboração de roteiro turístico e hospitalidade.[164]

Em 2016, em paralelo ao projeto Agrovárzea, a Prefeitura de Belém iniciou um convênio de cooperação com a Agência de Inovação Tecnológica (Universitec) da Universidade Federal do Pará (UFPA), levando para as ilhas do estuário de Belém, capacitação tecnológica para o incentivo da cadeia produtiva agrícola do açaí e do cacau, aproveitando os conhecimentos tradicionais na ilha do Combu, onde se produz chocolates selvagens tipicamente amazônico e licores,[165] nas várzeas orgânicas de cacau.[166] Um desenvolvimento sustentável dos ribeirinhos que trabalham com produtos da biodiversidade local, que ganham espaços no mercado internacional.[166]

Outra frente nas ilhas foram desenvolvidas para beneficiar toda a cadeia produtiva da agricultura familiar, em um ciclo que vai desde o processo de produção até a comercialização: desenvolvimento das agriculturas familiares, da produtos orgânicos e do frango verde, (sem antibióticos, fortalecedores, ou quimioterápicos); Financiamento para unidades habitacionais e melhorias das instalações, compatíveis com as atividades de produção; Projeto Polo Gastronômico da Amazônia, que dá concessão de incentivos fiscais para que empresários do ramo de alimentação comprarem produtos oriundos das ilhas; Indicação nos cardápios a localização do produtor para passeios no plantio, que inclui café da manhã e observação de plantas nativas como a andiroba, a pupunha, o cupuaçu e a gigantesca samaumeira;[165] Produzir as merendas escolares da rede municipal de ensino com os produtos das ilhas.[166]

Na ilha de Jussara, no furo do Maracujá na região insular, a extração do açaí é a principal atividade econômica da agricultura familiar com o projeto de Colheita Comunitária dos Açaizais.[167][168] A comunidade adotou a exploração racional dos açaizeiros (cultura do manejo): com uso de intervenções técnicas nas áreas de plantio; uso de forma programada seguindo os princípios agroecológicos; destinando à comercialização do palmito apenas as árvores que não frutificam com qualidade; redução de perdas com descarte adequado conservando espécies nativas que proporcionam a alimentação dos animais.[168] Assim garantindo a renda familiar durante todo o ano e,[167] um ganho de quase 80%.[168] Antes da aplicação da cultura do manejo, na entresafra o preço da rasa do açaí (28 quilos) ultrapassava R$ 250 e, nos períodos de colheita, uma unidade de plantio pode render lucros de cerca de R$ 1.500 por semana.[169]

Mas o destaque é a ampla participação feminina no processo,[167][168][170][169] iniciado a partir de 1990 com o "Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém" (MMIB) e a nova ruralidade.[171]

A atuação do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém abrange as ilhas: de Cotijuba, Nova, Jutuba, Paquetá, de Tatuoca, Urubuoca e adjacentes no entorno de Belém.[172] Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) as mulheres locais são as representantes junto às instituições assistenciais e agentes financeiros, onde aproximadamente 50% do crédito rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foi formalizada por elas, devido terem importante poder de administração familiar.[167]

Complementando a renda, o Movimento de Mulheres realiza: produção e venda de priprioca (erva aromática e medicinal com perfume amadeirado) para a empresa Natura; confecção de biojoias com conchinha, palha da costa, folha de ajirú e semente de açaí, e; Turismo de Base Comunitária (TBC). Algumas das frentes de atuação para promover o desenvolvimento social e econômico da região.[173] A confecção das biojóias foi através do projeto profissionalizante “Escola Ribeirinha de Cotijuba”, em parceria com o Instituto Peabiru, Instituto Lojas Renner, designer Tita Maria e, fotógrafo Rafael Araújo.[174]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém

A capital paraense desponta como grande roteiro turístico do Brasil, sendo a segunda cidade mais visitada da Amazônia.[175] Proporciona diversas possibilidades de cultura e lazer tanto em eventos culturais e religiosos de grande repercussão quanto em pontos turísticos, sendo rica em construções históricas e importantes fortificações, igrejas, parques e museus.[152]

NHo Garnier Sampaio (H-37) liderando a romaria fluvial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em 2005.

O Círio de Nazaré, a bi-centenária e maior procissão cristã do planeta,[128] movimenta a economia da Cidade. No período há aquecimento na produção industrial, no comércio, no setor de serviços e no turismo.[24][128] A cidade começa a explorar o mercado da moda, com os eventos Belém Fashion Days (está entre os 5 maiores eventos de moda do País) e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia).

Por ser o município mais antigo da Amazônia e com todas as condições infraestruturais, como o Aeroporto Internacional, Estádio Olímpico com arena poliesportiva e centro de convenções Hangar e Centur, Belém é palco de grandes eventos.[176] Estando entre as 10 cidades brasileiras mais citadas para a realização de grandes eventos, de acordo com pesquisa nacional feita por SEBRAE/FBC&VB (2002), possuindo, além da gastronomia, diversas atrações de lazer e turismo na Região Metropolitana.[177]

A capital possui eventos fixos de grande dimensões, como por exemplo: o Círio de Nazaré, a maior procissão cristã do planeta, que movimenta a economia da cidade;[24][128] a Feira Pan-amazônica do Livro (a quarta maior brasileira do gênero - anual); Feira Supernorte (maior evento empresarial do Norte do país com 45 mil participantes - anual); FITA - Feira Internacional de Turismo da Amazônia (18 mil participantes), Belém Fashion Days (está entre os 5 maiores eventos de moda do País) e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia), dentre outros.[178]

Além dos pontos turísticos mais conhecidos, existem tranquilas e pouco exploradas opções de lazer nas 18 ilhas que cercam a capital, lar de ribeirinhos e de uma natureza ainda preservada, onde pequenas canoas carregam frutos e peixes para a cidade.[165] Ao atravessar o rio Guamá em cerca de 20 minutos, a transição entre cidade e natureza é evidente: os barulhos e luzes da grande cidade vão ficando para trás, dando lugar ao silêncio e aos sons da floresta acompanhados por uma temperatura mais baixa.[165]

As ilhas mais próximas, são frequentadas no fim de semana no horário do almoço até o entardecer onde tomam banho de rio e degustam pratos típicos da culinária em cerca de 12 restaurantes. Destacando-se a Ilha do Combu e a Ilha dos Papagaios, onde ocorre uma revoada de aves ao amanhecer (milhares de papagaios da espécie Amazona amazonica).[165] Para os que dispõem de mais tempo, existe as ilhas de Mosqueiro (com 17 km de praias de água doce com movimento de maré - “o rio com ondas”)[179] e Outeiro, mais distantes e com maior infra-estutura.[165]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Plano Diretor Urbano[editar | editar código-fonte]

Em 1993, devido o processo de democratização foi instituído o Plano Diretor Urbano do Município de Belém (Lei Municipal 7 603/1993), previsto na Constituição Federal de 1988 e no conceito da Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) com a extinção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU) e os plano de desenvolvimentos urbanos.[180]

Em Belém a criação do Plano foi a partir da cobrança do Poder Legislativo Municipal, fundamentado no artigo 250 da Lei Orgânica do Município.[181] Instituí um guia básico de uma política mais democrática de desenvolvimento e de expansão urbana, ampliando os poderes do Município e a participação da sociedade civil no planejamento e gestão das cidades.[180] Estabelece as seguintes funções: distribuição dos ônus das obras públicos de valorização imobiliária; regular o mercado imobiliário; execução da política de desenvolvimento municipal; guiar a atuação urbanística;[181] ordenamento territorial da através de zoneamento.[91] Em 2008, foi realizado a revisão do Plano Diretor da capital (Lei Municipal 8 655/2008) baseado no Estatuto da Cidade (Lei Federal 10 257/2001), em duas etapas: elaboração de estudos e diagnósticos através de consultores técnicos e do levantamento de informações nos órgãos da administração municipal, e; Processo de discussão com diversos segmentos sociais, por meio de seminários e audiências públicas.[181]

O plano configurou o zoneamento, estabelecendo os distritos como unidade básica de planejamento, totalizando sete zonas:[91] Guamá (DAGUA), Belém (DABEL), Sacramenta (DASAC), Entroncamento (DAENT), Icoaraci (DAICO), Outeiro (DAOUT) e Mosqueiro (DAMOS). Ocorreu também o mapeamento das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), em especial o bairro Universitário, desde a implantação do campus universitário do Guamá, em 1960. Localizado no Distrito Administrativo do Entroncamento, formado pelos bairros: Jurunas, Condor, Cremação, Guamá, Canudos e Montese (Terra-Firme).[91]

As zonas também foram classificadas, de acordo com a infra-estrutura existente de sistemas viário básico e de transportes, em dois modos: zonas de adensamento até o coeficiente básico (ZACB) e, zonas adensáveis acima do coeficiente básico potencial (ZAOO).

Panorama da cidade de Belém a partir da Praça da República.

Identificou-se que, os bairros adjacentes ao bairro Universitário são integrantes de uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS),[91] ou seja, regiões que devem receber tratamento diferenciado, para viabilizar ações de urbanização, regularização fundiária e habitação, enquanto o bairro Universitário está inserido na Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA),[91] vetado para fins habitacionais, destinadas ao uso de instituições ensino, pesquisa e extensão. O bairro Universitário foi se estabelecendo juntamente com a expansão urbana da cidade em direção à periferia, com a crescente demanda da sociedade, desde as primeiras ocupações nos anos cinquenta até o presente momento.[91] Onde encontram-se importantes instituições, como: Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia, Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA), Eletrobrás/Eletronorte, Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCTT-GUAMÁ).[91]

Para o entorno do bairro Universitário foram planejadas ações de intervenção afim de ordenar o uso do espaço, como a duplicação da Avenida Perimetral da Ciência, importância via de transporte de passageiros e de cargas do centro da cidade com o bairro Universitário e ligação com a zona sul da cidade e municípios do interior, através do acesso à Estrada Nova.[91] Mas a duplicação é uma obra que se arrasta por vários governos, tendo apenas uma parte concluída no mandato da Governadora Ana Júlia Carepa (2007-2010), junto com a construção de um terminal de passageiros de transporte urbano, no portão III da Cidade Universitária da UFPA.[91] no período que antecede o Fórum Social Mundial, em 2009. Assim, o bairro Universitário encontra-se em fase de estruturação, porém ainda de espaços de convivência, equipamentos públicos de prestação de serviços, vias de circulação integradas.[91]

Em 2013, o governo do Estado iniciou uma das mais importantes obras para melhoria da mobilidade urbana da cidade, junto com os prolongamentos das avenidas Independência e João Paulo II, a duplicação da Avenida Perimetral (Programa Proinveste),[182] afim de ser mais um corredor alternativo para melhorar o fluxo do trânsito em Belém. A ser executada em duas etapas: a primeira com 3,1 quilômetros, no perímetro a partir da Avenida João Paulo II até a entrada do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Pará (UFPA); a segunda fase com 1.440 metros de extensão, no trecho entre o Parque e o terminal de ônibus da UFPA. Sob responsabilidade do consórcio Montese (empresas Terraplena e Estacon Engenharia).[182] A conclusão da primeira ocorreu em 2016.[183]

Transportes e telecomunicações[editar | editar código-fonte]

Em 2015, Belém possuía uma frota de 414 678 veículos no total, sendo 218.981 automóveis, 103.915 motocicletas, 26.983 camionetes, 17.426 camionetas, 9.033 caminhões, 15.334 motonetas, 3.806 ônibus, 2.086 micro-ônibus e 1.123 caminhões-trator, além de 10.440 outros tipos de veículos.[184]

O Aeroporto Internacional de Belém, fica a 12 km do centro da cidade e o sítio aeroportuário possui área de 5 615 783,22 metros quadrados . Atualmente denominado de Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, opera com a capacidade de atender a demanda de 2,7 milhões de passageiros por ano, em 2007 teve um movimento operacional de 2 119 552 passageiros. Sendo responsável pelo incremento do turismo na região, escoamento da produção e captação de novos investimentos. Conta com uma arquitetura futurista, projetada para aproveitar a iluminação natural do local e tem seu interior ornamentado com plantas da região amazônica que se encontram em uma fonte capaz de imitar o barulho das chuvas, que caem todos os dias na região. Possui estacionamento para aeronaves com 11 posições e 700 vagas para veículos.[185]

A Rede Metrobel - Rede Metropolitana de Educação e Pesquisa de Belém, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, foi criada com a finalidade de integrar em alta velocidade as instituições públicas e privadas de pesquisa e educação superior em Belém e mais recentemente, o Governo do Estado do Pará por meio da PRODEPA.[186]

Saúde e educação[editar | editar código-fonte]

O município possuía, em 2009, 380 estabelecimentos de saúde, entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 280 deles privados e 100 públicos - com 73 destes sendo municipais, 19 estaduais e 8 federais.[187] Neles havia 3 686 leitos para internação.[187] Em 2013, 94,6% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia.[188] Em 2013, foram registrados 21 878 nascidos vivos, ao mesmo tempo que o índice de mortalidade infantil foi de 20,1 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos vivos.[188]

Biblioteca Central Clodoaldo Beckmann, da Universidade Federal do Pará (UFPA)

O estudo mais recente expondo o nível da educação na cidade foi publicado pela revista Exame, elaborado pela consultoria Macroplan, aponta Belém como a quarta pior capital do Brasil, a partir da análise de índices como o nacional Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o internacional Pisa, que mede a habilidade dos alunos em matemática, Ciências e Leitura. Entre 26 capitais avaliadas, a paraense aparece em 23º lugar nestas áreas. O índice da capital em educação é de 0,369. A capital do Amapá, Macapá, ficou com um índice de 0,434 e é apontada como a pior capital do País. Curitiba, capital do Paraná, foi considerada a melhor capital. Belém só fica à frente de Macapá, Porto Velho (Acre) e Maceió (Alagoas).[189] Em 2009, a rede municipal de educação de Belém era oficialmente composta de 169 unidades, sendo 61 Escolas, 69 anexos e 35 unidades exclusivas de educação infantil[190]

A Universidade Federal do Pará (UFPA) é considerada a melhor universidade do estado e a melhor da região Norte, segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) de 2013 - indicador criado por Ministério da Educação para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior do país.[191][192] Há seis universidades e faculdades públicas sediadas em Belém ou com campus na cidade, a saber: Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), Instituto Federal do Pará (IFPA),Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Universidade de Taubaté (UNITAU). Entre as instituições de nível superior de caráter privado, destacam-se as seguintes: Faculdade Educacional da Lapa (FAEL),Faculdade Pan Amazônica (FAPAN), Centro de Educação da Amazônia (CEAMA), Centro Universitário do Pará (CESUPA), Escola Superior da Amazônia (ESAMAZ), Faculdade de Belém (FABEL), Faculdades Integradas Ipiranga, Faculdade Teológica Batista Equatorial (FATEBE), Faculdade do Pará (FAP), Faculdade de Estudos Avançados do Pará (FEAPA), Faculdade Ideal (FACI), Faculdade Integrada Brasil-Amazônia (FIBRA), Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM), Associação Proativa do Pará (APPA), Universidade da Amazônia (UNAMA), Universidade Paulista (UNIP) e UNIBRASM - Sustentável dos municípios.[193]

Belém possui algumas bibliotecas públicas, a saber: Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará, Biblioteca Clara Galvão, Biblioteca Irmãos Guimarães, Biblioteca do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Biblioteca Municipal Avertano Rocha e Biblioteca Pública Arthur Vianna.[194]

Comunicação[editar | editar código-fonte]

Atual sede do jornal O Liberal, localizado no bairro do Marco.

O setor de comunicação em Belém e no Pará é um oligopólio ou duopólio, onde duas empresas familiares controlam mais de 90% do que é veiculado para a população. A família Maiorana, controladora da ORM (Organizações Rômulo Maiorana), retransmissora local da rede Globo e de ligação política com o diretório local do PSDB,[195] é proprietária da TV Liberal (Rede Globo), rádios Liberal AM e FM, e dos jornais impressos O Liberal e Amazônia Jornal. A família Barbalho, do PMDB dos políticos Jáder Barbalho, Elcione Barbalho e Helder Barbalho é a proprietária da RBA TV (Rede Bandeirantes), rádios Rádio Clube do Pará, 99FM e Diário FM e do jornal impresso Diário do Pará.[196][197]

Outros veículos de comunicação em Belém são emissoras de TV, Rádios e jornais impressos de menor tiragem e circulação. A televisão Paraense é composta por várias emissoras, algumas são afiliadas das grandes redes de TV, enquanto outras atuam apenas como retransmissoras de TV, sem a inserção de programação local. Os canais abertos disponíveis são: TV Cultura do Pará (TV Cultura), TV Boas Novas Belém (Boas Novas), SBT Pará (SBT), TV Record Belém (Rede Record), , TV Grão Pará (Rede Gazeta), TV Metropolitana (Rede Brasil), Rede Vida, Record News, TV Ideal, TV Aparecida, TV Nazaré, TV Canção Nova, RIT, Rede Mundial, Rede TV Belém (Rede TV!) e TV Novo Tempo. As transmissões digitais no Estado do Pará iniciaram no dia 26 de julho de 2009, a emissora pioneira na implantação dessa tecnologia foi a RBA TV.[196]

Também há outros jornais em menor circulação na cidade, entre eles o já descontinuado Província do Pará e o ainda existente, e independente Jornal Pessoal, do jornalista Lúcio Flávio Pinto.[198][199][200][198]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém

Música e dança[editar | editar código-fonte]

Banda Calypso durante o "Show da Emancipação", em 2009.

Os ritmos mais populares são o brega paraense, tecno brega, carimbó, lundu e, marujada.[201] Nas década de 1960, artistas independentes iniciaram o envolvimento no processo de experimentação estética e artística da “moderna música popular brasileira”, inaugurado com o aparecimento da Bossa Nova no Brasil e movimentos anti golpe de 1964,[56] Em Belém, foram realizados vários eventos de música seguindo essa tendência até a década de 1970, como por exemplo: em 1967 o primeiro Festival de Música Popular Paraense; os festivais da Casa de Juventude Católica (CAJU); entre os anos de 1968 e 1969 uma série de festivais universitários.[56]

Inicialmente, apenas uma reunião de festejo entre amigos e familiares, o fazer carimbó modificou-se, transformando-se em um autêntico gênero e ritmo musical amazônida parauara (chamado também por “samba de roda do Marajó” e “baião típico de Marajó”)[202] Este ritmo foi difundido principalmente por Mestre Verequete e Mestre Pinduca, responsáveis por popularizar no estado e também nacionalmente no período de 1970 e 1980.[203] Músicos compositores de geração que ousou transformar os ritmos populares do interior do estado em sucessos radiofônicos,[204]

A expressão cultural espalhou-se também pela Região nordeste do Brasil[205] Nas últimas décadas, após proibição governamental no município de Belém devido origem indígena e negra,[66] o carimbó ressurgiu como estilo regional e como uma das principais fontes rítmicas (matriz) de gêneros contemporâneos, como lambada e tecnobrega.[202] O processo de popularização do gênero ocorreu do interesse de setores estudantis e de classe média politizada, por esse gênero,[206] envolvidos nos debates de experimentação estética e artística das décadas de 1960 e 1970, inaugurado com o aparecimento da Bossa Nova e o golpe de 1964.[206] Gerando grupos folclóricos e bandas de baile, com a popularização nas décadas de 1960 e 1970. Tornou-se comum nas rádios e nos bailes. Diversos artistas gravaram discos LP, a exemplo de: Lucindo[207], Pinduca, Arraial do Pavulagem, Cupijó e Verequete.[205] No período de 1971 à 1976, este gênero entrou no circuito cultural mais amplo da indústria regional. As gravações em long play explodiram, assim como as apresentações na televisão e nas rádios. Alguns artistas conseguiram aparecer no cenário nacional e em carreira internacional.[206] Tornou-se patrimônio Cultural Imaterial brasileiro em setembro de 2014, aprovado por unanimidade pelo conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[208][209][210] No dia 26 de agosto, anualmente é celebrado o centenário do Verequete, um dos mais importantes mestres do ritmo no estado, devido sua trajetória na composição de músicas no estilo tradicional “pau e corda”. Em homenagem, a data foi intitulada como o Dia Municipal do Carimbó, instituído em 2004.[211]

Patrimônio arquitetônico e cultural[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cidade Velha (Belém)
Casarões coloniais da rua Marquês de Pombal, na Cidade Velha.

Os primeiros tombamentos realizados via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ocorreram em 1940, reconhecendo a Coleção Arqueológica e Etnográfica, do Museu Paraense Emílio Goeldi,[212] incluindo também a ocupação pré-colonial dessa parte da Amazônia.[213]

Seguido em 1941, seguindo uma proposta modernista na construção da identidade nacional, onde foram escolhidos os períodos colonial e o barroco brasileiro como representes da autentica arte e arquitetura brasileira, foram assim protegidos as seguintes igrejas: da Sé, do Carmo, de São João Batista e,[213] o primeiro conjunto arquitetônico, urbano-paisagístico tombado: a Igreja de Santo Alexandre e antigo colégio/convento dos Jesuítas.[212] O segundo conjunto foi tombado em 1964: do Cemitério de Nossa Senhora da Soledade e, da Praça Frei Caetano Brandão (antigo Largo da Sé) e o antigo Hospital Militar.[212]

Os tombamentos das décadas de 1970 e 1980 irão proteger alguns conjuntos arquitetônico do século XIX e início do século XX, como: o Palacete Pinho; os conjuntos das avenidas Governador José Malcher e Nazaré,[212] formado por sobrados azulejados, que representam uma forma de morar menos luxuosa;[213] o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-peso e áreas adjacentes, que inclui os mercados municipais e as praças Pedro II e, do Relógio (ou Praça Siqueira Campos),[214][215] onde localiza-se um relógio inglês com 12 metros de altura inaugurado em 1930, por ordem do Intendente Antonio Faciola, para homenagear Antonio de Silveira Campos (herói revolucionário do Forte de Copacabana).[216]

Mapa da cidade no período de 1600.

Em 1981 foi tombado o Engenho Murutucu,[212] ruínas de um próspero engenho de cana-de-açúcar, construído no século XVII.[217][218] Sendo considerado na época uma obra de engenharia rural amazônida, contando com o inovador sistema de força através da maré represada.[219] Em 1850, o engenho encerrou suas funções,[220] abandonado com o desaparecimento dos "senhores de engenho". Destaca-se no local, a Capela de Nossa Senhora da Conceição de 1711 dos frades Carmelitas,[221][222] cuja reforma foi realizada por Antônio Landi, que incorporou traços neoclássicos.[223][224] Atualmente o Murutucu pertence a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).[225]

A partir do ano 2000, o Instituto do Patrimônio ira proteger algumas das principais manifestações culturais e/ou religiosas do estado,[213] como: o Círio de Nazaré (também reconhecido como patrimônio da humanidade na UNESCO) e, o ritmo e dança do Carimbó.[213]

Em 2012, foi a vez do conjunto arquitetônico urbano-paisagístico dos bairros Cidade Velha e Campina e,[212][213] do Largo das Mercês e sua área de entorno, conhecido por Centro Histórico de Belém, formado por cerca de 2 800 edificações protegidas, entre palacetes, palácios, sobrados e casas comerciais.[226] Reconhecendo a importância e a dimensão do conjunto com toda a sua trajetória e transformações ao longo dos séculos XVII ao XXI.[213]

O Centro Histórico, tem como característica principal a herança arquitetônica do período Brasil Colônia. Sendo uma das maiores referenciais do patrimônio histórico e cultural do estado - núcleo colonial da capital, que nasceu com a construção do Forte do Presépio (Forte do Castelo) a mando da Coroa portuguesa no início do século XVI para proteção dos invasores estrangeiros. Na Cidade Velha surgiu a primeira rua da cidade, a Rua Norte (Rua Siqueira Mendes),[227] que liga a Feira do Açaí ao Largo da Sé e onde se encontram bares e restaurantes simples antigos e prédios coloniais históricos, com azulejos portugueses, tombados IPHAN.[228] O Complexo Feliz Lusitânia, localizado no bairro da Cidade Velha, faz parte do centro histórico revitalizado. O complexo contempla: Catedral Metropolitana de Belém, igreja das Mercês, sede da prefeitura,[229] praça Frei Caetano, Casa das Onze Janelas, Corveta Museu Solimões e o complexo de Santo Alexandre (onde encontra-se a Igreja e o Museu de Arte Sacra do Pará, considerado um dos mais belos do Brasil).

Igreja de Santo Alexandre na Cidade Velha
Interior do Theatro da Paz

Essa trajetória de Belém, representada nacionalmente pelos monumentos tombados nesses anos, que extrapolam os marcos edificados e monumentais espalhados pela cidade, também marcados nos saberes e fazeres da população.[213] Mas que não findam aqui, existem outras atrações turísticas em Belém, como:

  • Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré (1909) - A Basílica de Nazaré é a única basílica da Amazônia Brasileira - sua história e simbolismo exercem uma profunda influência no imaginário religioso paraense - elevada em 2006 à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano, passou a denominar-se Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. Possui um processo de tombamento iniciado em 1992.[212]
  • Bioparque Amazônia (1989) – Crocodilo Safari.[230]
  • Bondinho de Belém.[231]
  • Complexo Ver-o-Peso (1625) - A beira da baía do Guajará, o projeto alia contemplação da natureza com o comércio e a infraestrutura urbana. Composto pela Feira do Açaí, as praças do Relógio (relógio inglês), do Pescador e, dos Velames, o Solar da Beira e os mercados de Ferro (como era conhecido o Ver-o-Peso) ou de peixe e, o Bolonha ou de carne, importado da Inglaterra e eleito uma das 7 maravilhas do Brasil.
  • Complexo do Ver-o-Rio: Um complexo inaugurado na década de 1990, que alia contemplação da natureza com contribuição econômica e amostra da cultura típica, localizado na antiga desembocadura do Igarapé das Almas,[232] no bairro Umarizal, às margens da baía do Guajará.[233][234]
  • Estação das Docas (2000) – É um complexo de arte, lazer e gastronomia. A Estação, como é conhecida, possui um moderno terminal fluvial, o Amazon River, com ancoradouro flutuante, capaz de aportar até 4 embarcações de 70 pés. Diariamente são realizados diversos passeios fluviais pela orla e ilhas de Belém.
  • Espaço São José Liberto (1749) [235] – Era um antigo presídio da capital. Em 2002 deu lugar ao Espaço, que abriga o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro, a Casa do Artesão e uma capela. Hoje, o local é referência para o mercado joalheiro paraense por conta das joias em ouro e gemas produzidas pelo talento dos ourives e designers paraenses.
  • Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia (2007) - Com uma área total de 64 000 metros quadrados e 25 000 metros quadrados de área construída totalmente integrada ao ambiente amazônico, o Hangar está equipado com recursos de última tecnologia e preparado para qualquer tipo de evento, como feiras, congressos, convenções, encontros, seminários, simpósios e exposições.
  • Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves (1883)[236][237]
  • Mercado de São Brás (1911) - Mercado em estilo arquitetônico art nouveau e neoclássico, sito na Praça Floriano Peixoto, próximo à antiga "Estação de Ferro de Bragança" da Estrada de Ferro Belém Bragança, foi construído em função da grande movimentação comercial gerada pela ferrovia.[162] Na mesma época, o intendente Antônio Lemos estabeleceu a política de descentralização do abastecimento da cidade, até então somente no Ver-o-Peso. Sendo expandido para os bairros. Em suas dependências, funcionam lojas de artesanato, produtos agrícolas, domésticos e vestuário.[162]
  • Mangal das Garças (2005) - Localizado às margens do rio Guamá, em pleno centro histórico, o parque é resultado da revitalização de uma área de 40 000 metros quadrados, no entorno do Arsenal da Marinha.
  • Orla de Icoaraci – Situada no Distrito de Icoaraci, distante aproximadamente 20 km do centro de Belém, contém bares e restaurantes, áreas de lazer e feiras de artesanato. O distrito destaca-se como importante polo de artesanato em cerâmica.
  • Palácio Antônio Lemos (1883) - Atualmente usado como sede da prefeitura.
  • Palácio Lauro Sodré (1883) - Sede do Museu do Estado do Pará desde 1994[238]
  • Parque da Residência - Residência oficial dos governadores do estado, agora é a sede da Secretaria Executiva de Cultura (SECULT) do estado do Pará.
  • Planetário Sebastião Sodré da Gama (1999) - O primeiro planetário do norte, considerado um dos mais modernos do país.
  • Praça Batista Campos (1904) - Considerada a praça mais charmosa da cidade.
  • Theatro da Paz (1878) – Inspirado no Teatro alla Scala de Milão, é o maior e mais antigo da Amazônia, construído em 1878 com recursos auferidos da exportação de látex, no Ciclo da Borracha. É considerado um dos mais luxuosos do Brasil.

Museus[editar | editar código-fonte]

Há diversos museus no município. Alguns destes são: Corveta Museu Solimões, Museu das Onze Janelas (artistas brasileiros do século XX), Museu da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, Museu da Santa Casa de Misericórdia, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu de Gemas do Pará, Museu de Artes de Belém, Museu de Arte do CCBEU, Museu de Artes Populares, Museu de Arte Sacra, Museu do Círio, Museu do Estado do Pará, Museu do Forte do Presépio, Museu do Judiciário, Museu Naval da Amazônia, Museu da Navegação e Museu do Porto de Belém.[132] O Museu Paraense Emílio Goeldi foi criado em 6 de outubro de 1866, é a mais antiga instituição de pesquisas da região Amazônica e referência mundial na Amazônia.[239] O Parque Zoobotânico está situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,2 hectares. É o mais antigo do Brasil no seu gênero.[240]

Modernismo[editar | editar código-fonte]

Na década de 1950, iniciou o movimento regional e popular parauara "raio-que-o-parta" - predominantemente nos município de Belém, Cametá, e Soure - objetivando trazer a região as novidades da arquitetura modernista que ocorrerá no sudeste do Brasil.[241] Os estilos Art Nouveau e Art Déco foram os antecedentes da arquitetura moderna local. Com a criação de mosaicos feitos com cacos de azulejos, formando painéis figurativos nas fachadas das residências (principalmente nas platibandas, elevação superior da fachada), os mestres de obra e engenheiros civis tentavam modernizar as construções das residências burguesas ou edifícios públicos.[241]

O uso do azulejo era um material comum nas construções, entretanto era um material de valor elevado, utilizado por pessoas com um bom poder aquisitivo. Em contrapartida os cacos de azulejos rejeitados nas obras, passaram a ser usado pela população carente, demonstrando ser possível alcançar a modernidade com baixo custo e criatividade.[241] Na maioria das obras, os mosaicos formavam figuras geométricas com linhas retas e quebradas semelhantes à raios, em referência às formas modernistas. O movimento "raio-que-o-parta" fez parte de uma produção considerada não oficial que caracterizava a maioria das metrópoles do terceiro mundo, sendo assim tachado de modismo e não erudito.[241]

O modismo modernista também se manifestou por meio de outros elementos estéticos, como molduras de janelas com laterais inclinadas; pestanas protegendo portas e janelas; telhado inclinado para dentro do terreno; painéis em combongós cimentados ou esmaltados em cores fortes; apoio de marquises e coberturas com colunas em forma de "V"; em muretas e em contornos de jardineiras.[241] Além das figuras geométricas, também foram feitas imagens de elementos da natureza, formas onduladas, símbolos religiosos, personagens de histórias infantis e letras formando palavras com o uso de cores vibrantes.[241]

Pintura[editar | editar código-fonte]

Uma tradição familiar tipicamente ribeirinha enriquece a cultura e embeleza os barcos da região, através dos artistas pintores chamados “abridores de letras”, que batizam as embarcações pintando com pincel os nomes com uso de letras coloridas e decoradas nos cascos.[242] As letras são muito coloridas e enfeitadas, para justamente chamar a atenção dos clientes.[243]

Em 2014, foi criado o projeto “Letras que Flutuam” na Universidade Federal do Pará e aprovado no edital Amazônia Cultural. Uma expedição que identificou quarenta e um pintores nos municípios de Belém, Barcarena, Abaetetuba, e Igarapé-Miri;[243][244] com o objetivo de conscientizar a nova geração a preservar e expandir para outras áreas essa tradição que está enfraquecida.[244]

A origem dessa arte tipográfica ocorreu em um intercâmbio gráfico, através de visualizações da arte nas embarcações entre os municípios ribeirinhos, onde o abridor de letras era influenciado ao ver a pintura de outros artistas durante as navegações.[244]

Culinária[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Culinária do Pará
A culinária da capital possui diversas comidas típicas regionais. Dentre elas, o tacacá (esquerda), que caracteriza-se como uma iguaria típica da cozinha amazônica, assim como a fruta do açaí (direita).

A Belém gastronômica é um interessante caldeirão de misturas étnicas. A comida indígena paraense – única, verdadeiramente brasileira, segundo o filósofo José Arthur Gianotti - tem sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos. Os povos que chegaram à capital se encantaram com a cozinha nativa e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes.[245]

A forte influência indígena, criou pratos típicos como: pato no tucupi, tacacá, maniçoba, tucunaré cozido, caruru, normalmente acompanhados com jambu e farinha dágua,[15] entre outras delícias como o açaí. Há quem diga que o sabor dos peixes e das frutas é realmente diferente. Os elementos encontrados na região formam a base de seus pratos. Com mais de uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas no Ver-o-Peso, feiras livres, mercados e supermercados do município; elas são responsáveis diretas pelo sabor das sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.[246] Aproveitando essas peculiaridades, a região faz grande divugação da culinária, sediando o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense e o Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia.[165]

O mais representativo prato típico do estado é degustar o vinho do açaí (a versão mais pura da fruta) em uma cumbuca/tigela, com pouco açúcar (para não virar sobremesa), acompanhado de farinha d´água ou farinha de tapioca acompanhado de alguma proteína ou comidas salgadas, como camarão, charque frito, peixe assado (principalmente).[247][248] Este último muito encontrado nas barracas do Mercado Ver-o-Peso.[248] foi escolhido símbolo da culinária através de voto popular em um concurso durante o aniversário de 400 anos do município, promovido na TV Liberal.[249]

Na cidade existe o restaurante Remanso do Bosque, um dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Seu sucesso é devido um cardápio baseado em ingredientes típicos da Amazônia.[250][251]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão), durante o clássico jogo Re-Pa, com capacidade de 45 mil pessoas, sendo inaugurado em 1978.
Arena Guilherme Paraense (Mangueirinho), é uma arena inaugurada em 2016, com capacidade para 12 mil pessoas.

Em Belém estão sediados os três principais clubes de futebol do Pará: Paysandu, Remo e Tuna Luso.[252] Os principais clubes de futebol são Clube do Remo e Paysandu Sport Club, conhecidos por sua rivalidade. Outro tradicional clube de futebol do Pará é a Tuna Luso, fundada pela comunidade portuguesa de Belém. Contabilizando Belém tem 6 títulos nacionais, sendo com o Paysandu Sport Club 2 títulos do Campeonato Brasileiro - Série B e 1 título da Copa dos Campeões de 2002,[253] com o Clube do Remo 1 Campeonato Brasileiro - Série C e com a Tuna Luso Brasileira 1 Campeonato Brasileiro - Série B e 1 Campeonato Brasileiro - Série C e mais 6 títulos regionais com o Paysandu Sport Club que detém o título da Copa Norte, da Copa Verde e o Clube do Remo que detém três títulos da Copa norte e um título do Campeonato Nacional Norte-Nordeste.[254][255] O Estádio Olímpico do Pará, com capacidade para 50 000 torcedores, foi inaugurado em 1978 e reformado em 2002. Recebeu quatro jogos da seleção brasileira (1990, 1997, 2005 e 2011) e o público recorde foi de 65 000 pessoas (11 de Julho de 1999) no jogo do Clube do Remo e Paysandu Sport Club, antes da reforma. Desde 2002, é realizado no Mangueirão o GP Brasil Caixa de Atletismo, atraindo grande público. Detém o maior público já registrado nesta modalidade na América Latina.[carece de fontes?]

O Grand Prix Brasil de Atletismo é realizado em Belém desde 2002 no Estádio Olímpic. Em 2004, Belém reuniu cerca mais de 42 mil pessoas no Estádio, batendo o recorde de público em competições de atletismo na América do Sul.[256][257]

Entre os atletas que estiveram em Belém destacam-se: Jadel Gregório, um dos melhores do mundo no salto triplo; Maurren Higga Maggi, estrela nacional do salto em distância; Fabiana Meurer, uma das revelações do salto com vara no circuito internacional; os fundistas Hudson de Souza e Fabiano Peçanha; e Sandro Viana, Vicente Lenilson, André Domingos e Sabine Heitling, que competem nos 3 mil metros com obstáculos.[256] Jadel Gregório é campeão pan-americano, vice-campeão mundial e dono da melhor marca mundial entre os triplistas em atividade, com 17,90 metros. Maurren foi medalha de prata no Mundial Indoor de Valência, em março, e é recordista sul-americana da prova, com 7,26 metros e entre os atletas internacionais, os norte-americanos, J. J. Johnson (100 m e 200 m) e Joel Broen (110 m com barreiras); o queniano Julius Nyamu (3000 m com obstáculos); o cubano Osniel Tosca (salto triplo); os jamaicanos Maurice Wignall (110 m com barreiras); e Sheri-Ann Brooks (100 m e 200 m). Alguns dos principais destaques são a norte-americana Sheena Tosta, número dois do mundo em 2007 nos 400 m com barreira, e a cubana Yumisleidi Cumba, atual campeã olímpica do arremesso de peso.[258]

Anualmente Belém recebe o Rallye Iles du Soleil ou Rallye Transamazone, uma das mais importantes regatas do iatismo mundial.[259][260] Sendo um evento anual para exibir o potencial turístico das cidades inlcuídas no percusso.[261] O rallye também destaca outros municípios paraenses: Luis Correa; Soure ( Na Ilha do Marajó); Belém; São Sebastião da Boa Vista; Breves; Porto de Moz; Almeirim; Monte Alegre; Alter do Chão; Santarém, e; Afuá.[262][263]

Em 2002, Belém foi uma das quatro sedes brasileiras que receberam competições dos Jogos Sul-Americanos de 2002. A cidade sediou as disputas de Atletismo, natação, boxe e luta. Os locais de competição foram o Ginásio da Escola Superior de Educação Física e o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão.[264]

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Na tabela a seguir estão os feriados municipais de Belém.[265]

Data Nome
12 de janeiro Aniversário de Belém
06 de setembro Emancipação Política de Belém
08 de dezembro Dia da Padroeira Nossa Senhora da Conceição

Notas

  1. Por ter sua estrutura de ferro, o Mercado Ver-o-Peso era inicialmente conhecido como "Mercado de Ferro"
  2. Citado na segunda seção “Maranhão Taboa Segunda” do "Pequeno Atlas do Maranhão e Grão-Pará" do cartógrafo João Teixeira Albernaz I por volta de 1630. Também chamado de Caminho dos Tupinambás, posteriormente recebera outros nomes: Estrada de Bragança, avenida Tito Franco e atualmente avenida Almirante Barroso.[69]
  3. Faixa etária da população de Belém, de acordo com o IBGE: 19.853 habitantes (1,37%) tinham menos de 1 ano de idade; 185.363 habitantes (12,81%) tinham entre 1 a 9 anos; 119.561 habitantes (8,26%) tinham de 10 a 14 anos; 980.878 habitantes (67,83%) tinham entre as idades de 15 a 64 anos; 87.543 habitantes (6,05%) tinham entre as idades de 65 a 99; e 201 habitantes (0,01%) de 100 anos ou mais.
  4. Estimativa populacional da Região Metropolitana de Belém (RMB), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 1950 - 242 000; 1955 - 303 000; 1960 - 378 000; 1965 - 477 000; 1970 - 601 000; 1975 - 726 000; 1980 - 827 000; 1985 - 966 000; 1990 - 1 129 000; 1995 - 1 393 000; 2000 - 1 748 000; 2010 - 2 335 000.

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