Belém (Pará)

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Belém
  Município do Brasil  
Do topo, em sentido horário: Catedral Metropolitana de Belém; Mercado Ver-o-Peso; plantas vitória-régia no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade; Forte do Presépio e Teatro da Paz.
Do topo, em sentido horário: Catedral Metropolitana de Belém; Mercado Ver-o-Peso; plantas vitória-régia no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade; Forte do Presépio e Teatro da Paz.
Símbolos
Bandeira de Belém
Bandeira
Brasão de armas de Belém
Brasão de armas
Hino
Lema Significados em latim:
  • 1º: Vereat aeternum tutius latent
    "Eterna Primavera/Escondida é mais segura"
  • 2º: Rectionr cum retrogradus
    "É mais reta se olharmos o passado"
  • 3º: Nequaquam minima est
    "De modo algum és a menor"
Apelido(s) "Cidade Morena"[1]
"Cidade das Mangueiras"[2]
"Metrópole da Amazônia"
Gentílico belenense[3]
Localização
Localização de Belém no Pará
Localização de Belém no Pará
Mapa de Belém
Coordenadas 1° 27' 21" S 48° 30' 14" O
País Brasil
Unidade federativa Pará
Região intermediária[4] Belém
Região imediata[4] Belém
Região metropolitana Belém
Municípios limítrofes
Distância até a capital 2 140 km[5]
História
Fundação 12 de janeiro de 1616 (404 anos)
Emancipação 12 de janeiro de 1616 (404 anos)
Aniversário 12 de janeiro
Administração
Distritos
Prefeito(a) Zenaldo Coutinho (PSDB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [6] 1 059,458 km²
População total (estatísticas IBGE/2020[7]) 1 492 745 hab.
 • Posição PA: 1º; BR: 11°
Densidade 1 409 hab./km²
Clima Equatorial (Af)
Altitude 10 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[8]) 0,746 alto
 • Posição PA: 1º
PIB (IBGE/2016[9]) R$ 29 426 953,03 mil
 • Posição BR: 21º; PA: 1º
PIB per capita (IBGE/2016[9]) R$ 20 350,00
Outras informações
Padroeiro(a) Santa Maria de Belém
Sítio belem.pa.gov.br (Prefeitura)
cmb.pa.gov.br (Câmara)

Belém (inicialmente Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará e frequentemente chamada de Belém do Pará)[10] é um município brasileiro e capital do estado do Pará,[11] situado na região Norte do país, a uma latitude 01º27'21" sul e longitude 48º30'16" oeste,[12] fundado em 12 de janeiro de 1616 pelos portugueses, às margens da baía Guajará .[13] É uma cidade histórica e portuária, localizada na Amazônia Oriental,[14] ao extremo nordeste da maior floresta tropical do mundo, sendo a capital mais chuvosa do Brasil devido a seu clima equatorial,[15][16] influenciada diretamente pela Amazônia.[17] Belém possui uma área de 1 059,458 km² e uma altitude de dez metros ao nível médio do mar, estando a cerca de 2 140 km da capital federal, Brasília.

É o município mais populoso do Pará e o segundo da região Norte com uma população de 1 492 745 habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2020,[18] e o 12º município mais populoso do Brasil. Ocupa a 22ª posição no ranking de IDH por capital (0,746, alto)[19] e a sexta posição na lista de maiores IDH da região Norte – 3º maior IDH por capital por região.

Em seus 400 anos de história, Belém vivenciou momentos de plenitude, entre os quais o período áureo da borracha, no início do século XX, quando recebeu inúmeras famílias europeias, que influenciaram a arquitetura local, sendo conhecida na época como Paris n'América. Atualmente, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões e das igrejas do período colonial.[20] Nas últimas duas décadas, passou por um forte movimento de verticalização, devido a novas tendências na construção civil local e ao plano de valorização do espaço da cidade originada na década de 40 na Avenida Presidente Vargas.[21]

A cidade exerce significativa influência como metrópole regional, influenciando mais de oito milhões de pessoas nos estados do Pará, Amapá e parte do Maranhão, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político.[22] Conta com importantes fortificações, igrejas, monumentos, parques e museus, como o Theatro da Paz, o museu Emílio Goeldi, o parque Mangal das Garças, o mercado do Ver-o-Peso e, eventos culturais e religiosos de grande repercussão, como o Círio de Nazaré.[23]

História

Ver artigo principal: História de Belém do Pará

Etimologia

O topônimo Belém tem origem em hebraico: בית לחם; romaniz.: Beit Lehem, lit. "Casa do Pão".

Inicialmente o município foi denominado em 1616 de "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará" (Maria, mãe de Jesus), a mando de Filipe II de Espanha,[13][24] em referência ao dia de natal; quando o capitão Francisco Caldeira Castelo Branco (antigo Capitão-Mor do Rio Grande do Norte) partiu em 1615 da cidade de São Luís rumo a Conquista do Pará.[25]

Primórdios e colonização europeia

A região onde encontra-se Belém do Pará (denominação desde a época do reinado de Filipe II em Portugal)[10] foi, em meados do século XVIII, um lugarejo conhecido por Mairi, moradia dos índios Tupinambás e Pacajás (cacique Guaimiaba).[13][24]

Em 1580, ocorreu a implantação do núcleo colonial da atual Belém em Mairi, com o capitão Castelo Branco, a mando do rei da União Ibérica/Dinastia Filipina Dom Manuel,[13] foi enviado para defender a Amazônia da entrada de estrangeiros que disputavam o território das drogas do sertão (marcando a conquista da foz do rio Amazonas e início da ocupação militar) e,[24] para colonizar a Conquista do Pará/Império das Amazonas (homologado por Alexandre de Moura).[26] Fundando assim em 12 de janeiro de 1616, na área do igarapé do Piry um fortim de madeira denominado Forte do Presépio (atual Forte do Castelo),[24][27][28] contendo a capela Nossa Senhora da Graça consagrada a padroeira Nossa Senhora de Belém[13], dando origem ao povoado então denominado Feliz Lusitânia (atual Belém),[24][29] onde surgiu ao lado do Forte a primeira rua da cidade, então denominada Rua Norte (atual rua Siqueira Mendes)[30] onde se encontram prédios coloniais históricos com azulejos portugueses, tombados como patrimônio pelo IPHAN.[31]

A conquista do Amazonas, por Antônio Parreiras, Museu Histórico do Pará.
Forte do Presépio, construído em 1616.
Planta Geral da cidade de Belém, 1791, segundo Alexandre Rodrigues Ferreira.

Houve um período de batalhas contra aos holandeses, ingleses e, franceses, e também contra as tribos indígenas locais no processo de colonização e escravização.[13][24] Com a vitória ainda em 1616, o povoado foi elevado à categoria de município, com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará, a mando de Felipe da Espanha.[13][24][32] Posteriormente foi denominada por: Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão Pará; até à atual Belém.[33]

Em 1621, para assegurar a posse do território o Rei Filipe II de Portugal transformou a Conquista do Pará em Capitania do Grão-Pará e,[26] também criou o Estado do Maranhão com sede em São Luiz (formado pelas seguintes Capitanias: Grão-Pará, Maranhão e, Ceará)[34][35] - renomeado em 1654 para Estado do Maranhão e Grão-Pará (devido aumento na importância econômica de Belém),[36][36] e em 1751 para Estado do Grão-Pará e Maranhão, o qual foi dividido em 1772.

Em 1625, na área do igarapé do Piri (no atual Mercado Ver-o-Peso), os portugueses instalaram um posto fiscal comercial, denominado "Casa de Haver o Peso" ou "Lugar de Ver o Peso",[10][37] para controle e arrecadação de tributos dos gêneros trazidos para a sede da Capitania do Grão-Pará.[38] Devido sua posição estratégica litorânea - na desembocadura do Amazonas via rio Guamá - tornou-se o maior entreposto da região e, ponto de entrada e saída de embarcações, com produtos extraídos da região amazônica (drogas do sertão) com destino aos mercados locais e internacionais, de carne com preço baixo dos rebanhos na Ilha do Marajó,[39] e ponto de chegada dos produtos europeus.[37]

Em 1627, a importância do entreposto aumentou com a concessão da primeira légua patrimonial pelo Governador do Maranhão e Grão Pará Francisco Coelho de Carvalho, por meio da carta de sesmaria,[40] à Câmara de Belém,[10] Mas, faltavam recursos para o desenvolvimento dos serviços públicos administrados pela câmara. Afim de solucionar, em julho de 1687 os parlamentares endereçaram uma representação ao rei Filipe II, solicitando a concessão dos tributos do haver-o-peso. Então, em março de 1688 houve o consentimento real dos mesmos.[10]

A Primeira Légua Patrimonial é uma porção de terra com tamanho de um arco de légua (4 110 hectares ou 41 100 m²) a contar do marco de fundação da cidade - das margens do Rio Pará em direção ao sul e, do rio Guamá em direção ao norte -[40] arco formado nas atuais Avenidas Doutor Freitas e Perimetral e a Avenida Arthur Bernardes, com marco demarcatório desse limite na confluência da Avenidas Doutor Freitas com a Almirante Barroso (originando o bairro do Marco da Légua).[41] Assim em 1655 a importância econômica e a população da região continuaram a crescer,[36] em direção ao interior, avançando sobre a mata, em sentido contrário ao litoral.[13]

Em 1751, Belém alcançou o auge comercial, quando em 1772 o nome do Estado mudou para Estado do Grão Pará e Maranhão,[42][43] com sede transferida para Belém, tornando a primeira capital da Amazônia.[13][27][33]

Século XIX

Em 1803, no governo de Dom Marcos de Noronha e Brito, Conde dos Arcos, o igarapé do Piri foi aterrado para atender aos avanços urbanísticos. A foz foi transformada na doca do Ver-o-Peso, mantendo-se ali as atividades financeiras da Casa de Haver o Peso.

Devido a distancia da região aos núcleos decisórios da região Sudeste do Brasil e, devido ainda ser fortemente ligada a Portugal, Belém reconheceu a Independência do Brasil em relação a Portugal apenas em 15 de agosto de 1823, quase um ano após a sua proclamação na cidade de São Paulo.[44][45][46] Gerando uma revolta popular na região, chamada de Cabanagem (ou Guerra dos Cabanos).

Igreja de Nossa Senhora das Mercês, construída no século XVIII, destacando-se no contexto da Cabanagem, na batalha do "Trem de Guerra".
Catedral de Belém no século XIX.

A revolta da Cabanagem foi um movimento em Belém, influenciado pela Revolução Francesa, na Província do Grão-Pará entre os anos de 1835 a 1840 (comandada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula) e,[27][47][48] motivados pela extrema pobreza e surtos de doenças na região; devido: o processo de independência do Brasil não ocorrer de imediato no estado do Pará; a irrelevância política à qual a província foi relegada pelo príncipe regente Pedro I, que manteve sobre forte influência portuguesa a pedido da elite local.[27] [49]

Indignados, os índios e mestiços, na maioria e integrantes da classe média uniram-se contra o governo regencial, com objetivo de aumentar a importância política da Província no governo central brasileiro e enfrentar a questão da pobreza local, cuja maior parte morava em cabanas de barro (origem do nome da revolta).[49] Assim em 1835, os cabanos, comandados por Antônio Vinagre, invadiram o palácio do governo de Belém e executaram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, junto com as demais autoridades.[47][50]

Com o extermínio do governo local, os cabanos iniciaram o seu primeiro governo, colocando no poder o militar Clemente Malcher. O novo governo traiu o movimento demonstrando sua fidelidade ao Imperador português, reprimindo a revolta que o levou ao poder, ameaçando deportar Eduardo Angelim e Vicente Ferreira.[47][48] Então, revoltados os cabanos mataram Malcher e, colocaram no poderio Francisco Vinagre.[47][50] Repetindo o que aconteceu no primeiro governo cabano, o novo líder também traiu o movimento. Disposto a negociar com o governo central, Vinagre demonstrou um interesse em ceder seu poder a alguém indicado pelos portugueses. Descontentes, Vinagre foi deposto dando lugar ao terceiro presidente cabano, Eduardo Angelim (jornalista), mas acabou enfraquecido sem o apoio das elites locais.[47]

Em 1836, o governo central do Pará, comandado pelo Barão de Caçapava (subordinado ao Império), fez um bombardeio nos esconderijos cabanos e efetuou a prisão de Eduardo Angelim.[47] Então os cabanos se esconderam nas matas de Belém, para novamente tomar o poder através de táticas de guerrilha.[47] Após cinco anos de combate, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta na capital, devido a fraqueza política e ausência de um líder experiente.[47] No início da guerra, a província do Grão-Pará era habitada por cerca de 100 mil moradores e estima-se a população foi reduzida para 60 mil moradores, havendo aproximadamente 40 mil mortos.[50] A revolta dos cabanos terminou sem alcançar seus objetivos. Então, grupos de negros foram para o interior formar comunidades de quilombolas e, grupos indígenas iniciaram a atividade de agricultura de subsistência, ou integraram a atividade de extração do látex da seringueira, que iniciava na região, com o objetivo de produzir a borracha após o crescimento da indústria automotiva.[27][51]

Belém no século XIX
Arco Triunfal para a visita de D. Pedro II a Belém. Fotografia de F. A. Fidanza (1867)

Em 1866, foi permitida a abertura dos rios Amazonas, Tocantins, Tapajós, Madeira e Negro para a navegação dos navios mercantes estrangeiros, contribuindo para o desenvolvimento da capital paraense.[52] Para consolidar este ato e firmar a presença imperial após a Cabanagem, foi anunciado que D. Pedro II viria a cidade oficializar a abertura dos rios.[53] Sendo assim, foi construído um Arco Triunfal pela Companhia do Amazonas para recepção do mesmo.[53] Mas o Arco não foi preservado, pois tratava-se apenas de um recurso cenográfico da Companhia e não uma edificação.[53] Nesse período a fotografia passou a ter maior presença e difusão em Belém, com contribuição do fotografo português Felipe Augusto Fidanza e com a chegada do Imperador D. Pedro II em 1867, um grande incentivador desta arte.[53]

Em 1870, ocorreu novo aumento da importância comercial da cidade, principalmente para o cenário internacional (europeia e norte-americana) com a exportação do látex, ao passo que a demanda pela borracha brasileira aumentou vertiginosamente, devido monopolizar este mercado, iniciando assim o Ciclo da Borracha.[51] Levando a cidade Belém foi considerada uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, não apenas por uma posição estratégica, porque também sediava um maior número de casas bancárias, residências dos Barões da Borracha (seringalistas), tecnologias estrangeiras e, outras importantes instituições.[54]

O apogeu deste ciclo foi entre 1890 e 1920, quando a cidade contava com tecnologias que as cidades da regiões sul e sudeste brasileiros ainda não possuíam,[55] como por exemplo: Cinema Olympia - o mais antigo do Brasil em funcionamento - um dos mais luxuosos e modernos da época (inaugurado em abril de 1912 auge do cinema mudo);[56][57] Teatro da Paz, um dos mais belos do Brasil, inspirado no Teatro Scala de Milão;[57] Mercado Ver-o-Peso[nota 1] (candidato a uma das 7 Maravilhas do Brasil)[58] a maior feira livre da América Latina;[59][60][61][62] Palácio Antônio Lemos;[57] Praça Batista Campos;[57][63] Estrada de Ferro de Bragança,[64] pois na época, a Zona Bragantina era formada por uma vasta área despovoada que necessitava urgentemente de ocupação.[65] Assim, foram atraídas nesse período, levas de imigrantes estrangeiros, como portugueses, franceses, japoneses, espanhóis e outros grupos menores, a fim de desenvolverem a agricultura e a colonização na região.[65]

Embora a cidade estivesse abalada pela revolta popular da Cabanagem (1835 - 1840), a Casa de Haver o Peso funcionou até 1839,[66] quando em outubro, o presidente Bernardo de Souza Franco extinguiu a repartição fiscal e, a Casa foi arrendada destinada à venda de peixe fresco até o ano de 1847,[66] quando terminou o contrato de arrendamento e a Casa de Haver o Peso foi demolida.[10][67]

No final do século XIX, o discurso de progresso e controle social baseado na ciência e no saneamento (política de combate aos cortiços ou bairros pobres perto dos centros) estimulado pelo receio das elites republicanas em relação à massa de trabalhadores (livres e escravos) que se aglomerava nas cidades e se organizavam politicamente, mas sendo interpretada como “selvagem”.[68] A aplicação da limpeza da cidade, expulsando os setores populares dos centros e forçando a segregação em novos bairros periféricos. Na tentativa dos republicanos construírem um “novo homem”, trabalhador submisso mas ao mesmo tempo produtivo.[68]

A população negra que estava concentrada no bairro do Umarizal, não deixava de ganhar ganhando destaque por sua força cultural, com destaque em 1848, para a primeira festa de 15 dias do Divino Espírito Santo (por Mestre Martinho, natural de Óbidos) com bastantes atrativos como danças, bailes e outras recreações, dando origem também aos cordões de bumbá, pastorinhas e encontros de samba noturno.[68] Ao passar pelo processo de negação da cultura afro-brasileira no plano de urbanização e modernização durante o republicanismo de Antônio Lemos, os moradores do bairro (a população negra) foram forçados a se transferir para os bairros periféricos da cidade: Pedreira, Guamá, Jurunas, Cremação, Sacramenta.[68] Essa dispersão dos moradores do Umarizal, tornou o bairro da Pedreira um centro de batuques e sambas e nos demais bairros permaneceram os terreiros:[68] de macumba modernizado e sincretizado, de antigo batuque, de babaçuê, de candomblé da Bahia, de umbanda carioca e, traços da pajelança cabocla. A negação da cultura afro-brasileira, afetou o ritmo carimbó ao longo de toda primeira metade do século XX.[68] Este sempre sofreu repressão por séculos devido a origem indígena com influência negra,[69] mas em 1880, chegou inclusive a sofrer proibição explicita governamental em Belém através no “Código de Posturas de Belém”, no capítulo intitulado “Das bulhas e vozeiras”:[70] "É proibido(...) fazer batuques ou samba, tocar tambor, carimbó, ou qualquer outro instrumento que perturbe o sossego durante a noite, etc.".[70] Nessa época, o indígena teve participação direta na economia local, mas conquistou áreas reservadas afastadas dos centros urbanos, para praticar sua cultura após diversos conflitos com os colonizadores. Crescendo assim, em contrapartida, o comércio de escravos, trazidos para os trabalhos gerais, surgindo a figura do caboclo que se desenvolvia com a miscigenação.[29]

Neste período foram construídas grandes edifícios e obras de infraestrutura na cidade. Em 1868, foi iniciada a construção do Palácio Antônio Lemos (1873), para ser o Palácio Municipal, que foi inaugurado em 1883, durante o governo de Rufino Enéas Gustavo Galvão, atualmente usado como sede da prefeitura municipal.[71] Em 1869, Calandrine de Chermont iniciou a construção do Theatro da Paz (1874), com a influência da arquitetura neoclássica e, inaugurado em 1878, durante o governo de João Capistrano Bandeira de Melo Filho, sendo inaugurado com a companhia de Vicente Pontes de Oliveira, encenando o drama As duas órfãs de Adolphe d'Ennery.[72] É um dos mais luxuosos do Brasil e um dos teatros-monumentos do país.[72]

Em 1883, o Governo Provincial de Rufino Enéas Gustavo Galvão (1882-1884), o visconde de Maracaju, iniciou a construção da ferrovia ou Estrada de Ferro de Bragança (1984-1964), para transportar a produção agrícola razoável da região (seguindo o traçado do Caminho do Maranhão[nota 2],que ligava Belém ao Maranhão,[64] criado pelos índios Tupinambás e efetivado por Pedro Teixeira (militar), com missão de criar a melhor caminho terrestre-fluvial até Maranhão e,[74] uma via para as transações comerciais entre Belém e Bragança, que antes ocorria somente via rio Caeté, necessitando assim, de outras vias para efetivar a economia, posteriormente também servindo também para condução do gado vindo do Piauí)[75] sendo inaugurada em 1884, o trecho inicial de 29 quilômetros, entre o bairro de São Brás (em Belém) e a colônia de Benevides.[76][77][78] Em 1885, ganhou outros 29 quilômetros. Mas, as obras de construção ficariam paralisadas até 1901, retornando somente em 1908, quando alcançou sua extensão máxima.[76]

Em 1899, após a demolição da Casa de Haver o Peso,[10][67] foi iniciado em seu local a construção do Mercado Municipal de Peixe (ou Mercado Ver-o-Peso ou Mercado de Ferro),[79] por La Rocque Pinto & Cia seguindo a estética francesa de art nouveau,[80][81][81] na antiga Praça do Pelourinho onde existia uma feira de gêneros horti-fruti,[10] próximo ao Mercado Municipal da Carne (1867).[79] Sendo inaugurado em 1901 durante o governo de Augusto Montenegro,[66][67][82] sito na Avenida Boulevard Castilhos Franca.

Século XX

O dinheiro gerado com a comercialização da borracha foi importante para a reestruturação urbana de Belém com referência em Paris,[83] a partir de 1897, que marcou o início do governo do intendente Antônio Lemos (1897-1911), modernizando a capital, no início da República, promovendo uma renovação estética e higienista da cidade no período "Belle Époque de Belém" ou período "Áureo da Borracha",[83] com o projeto de construção da Paris n'América (do francês: Petit Paris) com a influência da arquitetura art déco e da belle époque européia. Atendendo ao novo gosto da elite do látex (em destaque aos seringalistas Barões da Borracha) e também demonstrar aos investidores estrangeiros que Belém era segura e salubre para transformar a capital em centro: financeiro, luxo, divertimento e de consumo. Ressalta-se, que a maior parte da população era pobre, não possuía dinheiro sequer para comprar peixe, enquanto tentavam adotar hábitos europeus.[84]

Em 1902 completou seu projeto, que incluiu construção de diversos palacetes, bolsa de valores, grandes teatros, igrejas, necrotério, grandes praças com lagos e chafarizes, infra-estrutura sanitária, alargamento de vias, calçamento de quilômetros de vias com pedras importadas da Europa, construção da malha de esgoto nos principais bairros, aterramento de rios e córregos, arborização com a plantação de centenas de mudas de mangueira indianas nas novas avenidas e boulevards, a fim de construir túneis sombreados, tudo ao estilo francês. O desafio foi delegado a um grupo de engenheiros europeias, incluindo os responsáveis pela reforma urbanística de Paris.[84]

Neste momento, a fotografia aparece como elemento significativo registrando as transformações urbanas do senador intendente Antônio Lemos, servindo de propaganda política das realizações de seu governo.[85] Estes registros resultaram no "Álbum de Belém", com capa em baixo relevo, produzido em 1902 em Paris, sob direção de Felipe Augusto Fidanza e texto de Henrique Santa Rosa.[86][87] Construindo uma imagem idealizada, reinventando um imaginário social e cultural à moda parisiense e lenista.[85]

Belém, anos 1910. Arquivo Nacional.

Com destaque para: o Cine Olympia (1912), o cinema mais antigo em funcionamento no País,[56][88] inaugurado durante o governo de João Antônio

Luís Coelho,[88] pelos empresários Carlos Teixeira e Antonio Martins, donos do Grande Hotel e do Palace Theatre (atual hotel Princesa Louçã, frente ao Bar do Parque).[89] Em 1911, a divisão administrativa do município de Belém é constituído de 3 distritos: Belém (sede), Santa Isabel do Pará (até 1931 quando elevado à categoria de município) e, Castanhal (até 1932 quando elevado à categoria de município).[90]

Em 1930, a divisão administrativa do município é constituído de 5 distritos: Belém (sede), Santa Isabel do Pará, Acará, Castanhal e, Conceição do Araguaia (até 1935 quando elevado à categoria de município).[90] Em 1936, a divisão administrativa do município aparece constituído de 11 distritos: Belém (sede), Aicaraú, Barcarena, Caratateua, Conde, Genipauba, Ilha da Onças, Itupanema, Mosqueiro, Pinheiro e, Val de Cães.[90] Em 1938, a

divisão administrativa do município aparece constituído de 11 distritos: Belém (sede, Ilha das Onças e Genipauba), Aicaraú, Ananindeua, Barcarena (Itupanema), Benfica, Murucupi (ex-Conde), Engenho Araci (ex-Araci), Mosqueiro, Pinheiro (Caratateua), Santa Isabel do Pará e, Val de Cães.☃☃nema), Benfica, Murucupi (ex-Conde), Engenho Araci (ex-Araci), Mosqueiro, Pinheiro (Caratateua), Santa Isabel do Pará e, Val de Cães.☃☃(ex-Conde), Engenho Araci (ex-Araci), Mosqueiro, Pinheiro (Caratateua), Santa Isabel do Pará e, Val de Cães.☃☃nema), Benfica, Murucupi (ex-Conde), Engenho Araci (ex-Araci), Mosqueiro, Pinheiro (Caratateua), Santa Isabel do Pará e, Val de Cães.[90]

Apesar da intensa modernização dos bairros centrais através da borracha, alguns como o Umarizal, ainda apresentavam formas antigas de ocupação do espaço, como por

exemplo: vilas estreitas, cabanas cobertos com palha ou lona, vacarias portuguesas, revelando a origem social humilde dos habitantes.[91] Nas vacarias - estábulos precários anti-higiênicos localizados em zonas alagadas “na baixa” - localizadas atrás das residências os capinzais serviam de alimento para o gado, que fornecia leite in natura para a população e, onde também cultivavam flores com objetivo de ornamento de caixões (estética da morte).[91] Latifúndios urbanos que davam aspecto rural ao ambiente (presente nas ruas Domingos Marreiros, Alcindo Cacela, Mundurucus, Diogo Moía).[91]

A partir da década de 1940, o município passou por outras duas grandes mudanças urbanísticas, devido novas tendências na construção civil local e o plano de valorização do espaço da cidade, nas áreas alagadiças as vacarias foram loteados, originando passagens com residências de alvenaria,[91] e nas áreas mais altas e valorizadas iniciou-se o processo de verticalização, a partir da Avenida Presidente Vargas.[21] Verificou-se: o aumento das densidades construídas e a elevação acentuada da altura dos edifícios; novas modalidades de seletividade social, caracterizadas por arrojados projetos arquitetônicos; a incorporação de sofisticados equipamentos de lazer na área condominial; os altos preços dos imóveis. Criando à segregação sócio-espacial para segmentos sociais de alta e de média classe.[21] Em 1948. a divisão administrativa do município é constituído de 4 distritos: Belém, Icoraci (ex-Pinheiro), Mosqueiro e, Val-de-Cãs.[90]

Na década de 1950 os bairros localizados na na zona norte e da zona sul apresentavam índices de crescimento demográfico muito expressivos, o da Marambaia alcançou um índice de 112,04%, Sacramenta 210,69%, e; Sousa 201,22%.[92] Estes chamados de bairros populares, em contraste com os velhos bairros, como o: Comércio com diminuição de 15,57%; Reduto 23, 21%, e; a Cidade Velha um crescimento de 23,25%.[92] Na década de 1960 continuaram sendo os bairros mais populosos de Belém, com cerca de 280 mil pessoas.[93] Devido serem ocupadas por uma população considerada pobre e bastante prolífera, residentes em pequenas moradias precárias, em ocupações de estrutura desordenada, caracterizada por ruas tortuosas com matos, nas margens lodosas de igarapés e arruamentos.[93] Enquanto a área central se esvaziava, devido invasão do comércio e da elite local, os bairros iniciais da zona leste se estabilizam em amplos quarteirões com largas avenidas.[93]

Neste período os terrenos sem alagamentos da Primeira Légua Patrimonial de Belém estavam ocupados. Com o avanço da rodovia Belém-Brasília, iniciada na década de 1950 com o presidente Juscelino Kubitschek e o inicio da construção da rodovia de acesso ao distrito de Icoaraci[94] e Outeiro seguindo o traçado da antiga ferrovia Belém-Bragança, que inicialmente fora ocupada por fazendas, alavancaram o crescimento urbano e a expansão imobiliária (de modo não planejada e carente de boa infraestrutura porém progressivamente valorizada) nas áreas de várzea (área de expansão), através da construção de conjuntos habitacionais e assentamentos populacionais com amplos quarteirões e largas avenidas.[93][95] destinados aos remanejados das obras de infraestrutura realizadas no centro e,[95] com a invasão do comércio e da elite local,[93] nos eixos viários das Rodovias BR-316 e Augusto Montenegro, conhecida como “Nova Belém” na "Segunda Légua Patrimonial de Belém" (em 1899 devido a Lei de Terras, que doou as terras para a Intendência Municipal) como a Cidade Nova e a Nova Marambaia.[94][96][97] Mas essa expansão inicialmente não teve muito êxito, devido a infraestrutura de mobilidade não ter acompanhado, aumentando dos custos de deslocamento até o centro.[94]

Em 1960 ocorreu a criação do campus principal da Universidade Federal do Pará em Belém, conhecido como campus universitário do Guamá.[98] Neste mesmo ano iniciou a desativação da ferrovia Belém-Bragança, devido queda no faturamento com o avanço das rodovias. Então em 1965 o Ministro da Aviação Juarez Távora (do governo de Humberto de Alencar Castelo Branco) ordena a destruição das locomotivas e das principais estações ferroviárias do estado, sob a justificativa de déficit anual,[99] demolindo assim, a Estação Ferroviária de São Brás e construindo a Estação Rodoviária de Belém, através do interventor Alacid Nunes, disfarçando a vingança pelo fato ocorrido em 1930, quando foi pressionado por políticos e militares do Pará a nomear Magalhães Barata interventor do Pará.[99]

A partir da década de 1990, houve a segunda expansão na área da Nova Belém, com construções de condomínios de alta renda na rodovia Augusto Montenegro,.[95]

Panorama dos edifícios do bairro Umarizal em 2015.

Geografia

Vista da região central da cidade.
Baía do Guajará (Paraná-Guaçu).
Vista aérea a partir do Rio Guamá.

Belém conta com uma área de 1 059,458 km²,[6] sendo a décima terceira maior capital brasileira em área territorial. A distribuição territorial divide-se em duas partes: área Continental com 176,5658 km² e, a área Insular com 329,9361 km², composta de quarenta e duas ilhas,[16] situadas na Baía do Guajará (Paraná-Guaçu), Na Baía do Marajó e no Rio Guamá com destaque para a ilha de Mosqueiro.(211,7923 km²) - a mais extensa destas - e as ilhas de Caratateua (31,4491 km²), Cotijuba (15,8071 km²) e Combu (14,9360 km²). Belém limita-se com os municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Barcarena, além das baías do Marajó e Guajará.[16][100]

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE,[101] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Belém.[4] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Belém, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belém.[102][103][104][105]

Geologia

Belém apresenta um solo com características de textura média e indiscriminadas, cercada por terrenos alagadiços e igarapés, além de grande atuação intempérica com concrecionários lateríticos,[106] as mesmas vistas na região Bragantina. A topografia é baixa e pouco variável, com seu ponto de altitude máxima alcançando os 25 metros, na ilha de Mosqueiro. Boa parte da área urbana de Belém encontra-se entre 3 e 4 metros, fazendo com que a cidade receba influência notável das marés altas.[16]

As unidades litoestratigráficas (camadas rochosas) da cidade são o grupo Barreiras (composto por 8 fácies litológicas), os sedimentos Pós-Barreiras e, a Unidade Cobertura Detrítica-Laterítica[106]. Onde: o primeiro é formado por 8 litológicas, porém são observados argilitos, siltitos e intercalações de lentes de arenitos. Os lateritos imaturos de ampla distribuição se formaram a partir de suas litologias; a segunda consiste de sedimentos (solos) de cor amarelada, inconsolidados formados por grãos de quartzo arredondados e de granulação muito fina, sobrepostos às rochas do Grupo Barreiras, mas lateritizadas, e; a terceira ocorre geralmente recoberta por latossolos amarelados.[106]

Cerca de 54,73% da cobertura vegetal de Belém encontra-se alterada, o que é considerado alarmante pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - instituto de pesquisa responsável pela captura de imagens espaciais dos municípios brasileiros. Os principais motivos que levam a essa elevada alteração no espaço natural de Belém, é a ocupação urbana de determinadas áreas, associadas ao desmatamento. Levando em conta sua área territorial, o município é classificado como um dos de maior índice de desmatamento no país.[16]

Hidrografia

Os rios que passam por Belém são o rio Maguari, que banha a Região Metropolitana de Belém; e o rio Guamá, localizado no nordeste do Pará, cuja bacia hidrográfica drena uma área de 87 389,54 km². A Baía do Guajará banha diversas cidades do estado do Pará, inclusive sua capital. É formada pelo encontro da foz do rio Guamá com a foz do rio Acará.[107][108]

A rede de abastecimento chega a 80% das residências, mas somente 6,5% da descarga domiciliar está conectada à rede coletora de resíduos, o que provoca o descarte inadequado dos dejetos em 14 bacias que abastecem a cidade, 11 delas ligadas ao rio Guamá.[109]

Clima

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas
registrados em Belém por meses (INMET)[110]
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 118,2 mm 10/01/1971 Julho 111 mm 13/07/1974
Fevereiro 161,2 mm 13/02/2013 Agosto 80,4 mm 11/08/1969
Março 195,6 mm 09/03/2020 Setembro 67,4 mm 23/09/1964
Abril 200,8 mm 25/04/2005 Outubro 74,4 mm 07/10/2005
Maio 103,5 mm 07/05/1974 Novembro 67 mm 01/11/1995
Junho 99,7 mm 20/06/1996 Dezembro 121,4 mm 21/12/1989
Período: 01/01/1961 a 30/09/1964 e 01/01/1967-presente

Belém é a capital mais chuvosa do Brasil,[15] devido a seu clima equatorial (Af i, classificação climática de Köppen-Geiger)[16] influenciado diretamente pela presença da floresta amazônica.[17] A amplitude térmica é baixa, com temperatura média compensada anual de 26,5 °C, chegando a 32 °C em alguns períodos.[111] De 1961 a 1964 e a partir de 1967, a menor temperatura registrada em Belém foi de 18,5 °C em 26 de agosto de 1984,[112] e a maior atingiu 37,3 °C nos dias 20 de março de 1982 e 12 de dezembro de 2003.[113]

As precipitações são abundantes, sem a ocorrência de uma estação seca, e acontecem na maioria dos dias do ano, principalmente sob a forma de chuva,[114] podendo virem acompanhadas de raios.[115] Em alguns casos, com episódios de ventania, cujas rajadas podem ultrapassar 50 km/h.[116] O índice pluviométrico anual é superior a 3 000 milímetros (mm), concentrados entre os meses de dezembro a maio, sendo março e abril os meses de maior precipitação.[111] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 200,8 mm em 25 de abril de 2005.[110] O mês de maior precipitação foi março de 2020, com 931,1 mm acumulados, superando o antigo recorde de 776,2 mm em fevereiro de 1980.[117]

Com mais de 2 200 horas de sol por ano, a umidade relativa do ar é elevada durante todo o ano, com médias mensais entre 85% e 95%.[111] O menor índice de umidade relativa do ar (URA) registrado foi de 43%, na tarde de 19 de julho de 2003.[118]

Dados climatológicos para Belém
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 36,8 35,1 37,3 35 35,2 35,1 35,6 37,1 36,1 35,6 36,4 37,3 37,3
Temperatura máxima média (°C) 31,1 30,8 30,7 31,1 31,7 31,9 32 32,5 32,6 32,6 32,7 32,2 31,8
Temperatura média compensada (°C) 26,1 25,8 26 26,2 26,5 26,5 26,3 26,7 26,8 26,9 27,1 26,7 26,5
Temperatura mínima média (°C) 22,7 22,8 23 23,2 23,1 22,8 22,5 22,5 22,4 22,4 22,7 22,8 22,7
Temperatura mínima recorde (°C) 19,4 18,8 19,8 19,2 20 19,8 19 18,5 18,8 18,9 18,6 19 18,5
Precipitação (mm) 384,5 399,5 450,3 424,3 298,4 185,3 153,8 134,8 128,2 129,2 127,4 268,3 3 084
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 24 24 25 25 23 16 15 12 13 13 13 19 222
Umidade relativa compensada (%) 88,3 89,9 89,8 89,8 87,1 83,7 82,5 81,4 80,8 80,1 80,7 84,2 84,9
Horas de sol 130,3 103,1 111,1 132,8 186,7 228,7 250,8 266,4 242,4 231,8 191,7 159,1 2 234,9
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[111] recordes de temperatura de 1961 a 1964 e 1967-presente)[113][112]

Meio ambiente e ecologia

O Bosque Rodrigues Alves, uma área de preservação ambiental construída em 1883 durante o governo Antônio Lemos, , localizada na Zona Leste do município, no bairro Marco, um dos símbolos do embelezamento da capital da Borracha na época, reproduzindo os amplos boulervards franceses,[119] conservando até hoje estruturas originais do período em que foi erguido.[120] Contém uma área de 150 mil metros quadrados, que preserva parte da natureza originária daquela área, antes da expansão de Belém na década de 1950. Este recebe em média mais 20 mil visitantes por mês.[121] Em 2002, o Bosque integrou a rede de espaços de preservação natural e histórica Botanic Gardens Conservation Internacional (BGCI).[122]

Em 1993, foi criada a "Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém" - APA Belém (conforme Decreto Estadual 1 551), uma unidade de conservação de uso sustentável, que abrange os municípios de Belém e Ananindeua, cujo objetivos são: Assegurar a potabilidade da água dos mananciais (lagos Água Preta e Bolonha, do rio Aurá e respectivas bacias hidrográficas); Ordenar o uso do solo; Promover o saneamento ambiental e a urbanização das áreas ocupadas; Promover a recuperação das áreas degradadas, incluindo reflorestamento; Preservar e recuperar a biodiversidade das florestas de várzea, igapó e terra firme; Preservar o Sítio Histórico do Engenho do Murutucu. Possibilitar o tratamento e reciclagem dos resíduos sólidos; Implementar a educação ambiental comunitária; Garantir a continuidade das pesquisas científicas desenvolvidas pelas entidades; Propiciar o desenvolvimento de atividades educativas e turísticas em espaços demarcados.[123]

Em 2005, foi criado o Sistema de Meio Ambiente do Município De Belém (conforme Lei 8 489), que fará a gestão pública do patrimônio ambiental municipal dos recursos naturais, visando o planejamento e a execução dos processos de construção, preservação e restauração do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.[124]

Estima-se que a população local produza, em média, mil toneladas de lixo por dia.[125] Desse montante, apenas 8 toneladas passam por processo de reciclagem, via serviço de coleta seletiva municipal e, também através das treze cooperativas de reciclagem e a associação de catadores de Belém,[126] que desenvolvem o processo de tratamento dos materiais, que podem ser reciclados ou reaproveitados, para serem enviados a empresas do ramo.[125]

Requalificação e sustentabilidade

A partir de 1995, iniciou o Movimento Orla Livre, que debate sobre a ocupação irregular das margens do rio Guamá e da Baia do Guajará, que possui 30 quilômetros de extensão, foi sendo apropriada por inúmeros portos, estancias e, palafitas desde o ciclo da borracha.[127] lutando para o usufruto por parte da população com projetos urbanísticos de espaços de lazer e cultura, da valorização do patrimônio histórico, do turismo e habitação com sustentabilidade, requalificando o ambiente urbano e modernização portuária no território próximo à água (Plano de Gestão Integrada da Orla de Belém, Plano Diretor Urbano, Zonas Especiais de Interesse Social - ZEIS. Áreas de Preservação Permanente - APP).[128][129]

Neste sentido foram construídos, inicialmente: o complexo Ver-o-Rio - na antiga desembocadura do Igarapé das Almas[130] - que alia contemplação da natureza com contribuição econômica e amostra da cultura gastronômica.[131] a Praça Princesa Isabel e; a Vila da Barca, em um processo de valorização e apropriação de áreas na orla da cidade, seguindo a determinação do Estatuto da Cidade (lei federal 10 257/2001) e Plano Diretor Urbano que determinam a criação de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS).[132]

A atuação do Orla Livre intensificou-se durante os anos de 2012 a 2014, combatendo a implantação de vários projetos imobiliários residenciais às margens do rio Guamá e da Baía do Guajará, que são Áreas de Preservação Permanente (APP).[128]

No ano de 2000 outras iniciativas ganharam destaques, como: a Estação das Docas, quatro armazéns de ferro do antigo porto, construídos em 1902 e administrado pela Companhia Docas do Pará (CDP), foram transformados em espaço de turismo e lazer,[127] integrando restaurantes, lojas, teatro, exposições e, um porto turístico (adicionando mais 540 metros de orla livre para a cidade), seguindo a tendência urbanística das cidades de Nova York e Buenos Aires;[127] o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, resultado de uma intervenção urbanística concluída em janeiro de 2005 próximo ao centro histórico do município, uma antiga área alagadiça com extenso aningal de cerca de 40 mil metros quadrados às margens do Rio Guamá,[133] onde atualmente são registradas mais de 300 mil visitas ao ano, no espaço com restaurante, viveiro de aningas e borboletas e,[134] as macrorregiões florísticas do Pará; Portal da Amazônia.[133] cuja execução iniciou-se em dezembro de 2006, com intervenção territorial de 6 km de extensão ao longo do rio Guamá na periferia do município.[129]

Demografia

Crescimento populacional
Censo Pop.
187261 997
189050 064-19,2%
190096 56092,9%
1920236 402144,8%
1940206 331-12,7%
1950254 94923,6%
1960402 17057,7%
1970642 51459,8%
1980949 54547,8%
19911 244 68831,1%
20001 279 8612,8%
20101 393 3998,9%
Fonte: IBGE[135]

A população de Belém é de 1 485 732 habitantes, com uma densidade de aproximadamente 1 371 hab/km²,[6] segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018,[18][136] fazendo do município o mais populoso do Pará e 12ª cidade mais populosa do Brasil (2º maior da região Norte do país).[136][137]

De acordo com o censo demográfico de 2010, 734.391 habitantes eram mulheres (equivalendo a 50,78% da população), e 659.008 homens (representando 45,57% da população); Com a maior parte da população (67,83%) com idade entre 15 e 64 anos (980.878 habitantes),[nota 3][138] e expectativa de vida de 74 anos.[139] Comparando 2010 à atualmente, houve um crescimento populacional de 3,64%. Possuindo assim, a 2ª segunda maior densidade demográfica desta macrorregião (1 315 hab/km²),[140] onde 1 380 836 vivem em zona urbana, enquanto que apenas 11 195 vivem em zona rural.[141] Em 2008, 97,63% de sua população era alfabetizada.[139][142]

Sua região metropolitana (RMB) é a segunda mais populosa da Amazônia (2 402 437 hab), a 14.ª mais populosa do país[nota 4][137] e a 178ª do mundo. É classificada como uma das capitais com melhor qualidade de vida do Norte brasileiro.[143][144]

De acordo com um estudo genético de 2013, a ancestralidade da população de Belém é composta por: 53,70% de contribuição europeia, 29,50% de contribuição indígena e 16,8% de contribuição africana.[145]

Região Metropolitana

Ver artigo principal: Região Metropolitana de Belém


Criada por lei complementar federal em 1973 alterada em 1995, 2010 e em 2011, a Região Metropolitana de Belém (RMB), com 2 381 661 habitantes IBGE/2014, compreende os municípios de Ananindeua, Belém, Benevides, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Castanhal. Devido ao intenso processo de conurbação, hoje a Região Metropolitana de Belém é um dos maiores aglomerados urbanos da Região Norte. É a 177ª maior área metropolitana do mundo e 11ª do Brasil.[137][146]

Cidades próximas como Abaetetuba e Barcarena encontram-se sob influência direta de Belém, sendo que as duas já ultrapassaram a marca de cem mil habitantes. A região do "Entorno de Belém", compreende municípios em um raio de até 60 quilômetros a partir da cidade, apresentando integração contínua, com uma população que se aproxima de 3 milhões de pessoas.[147]

Religião

Manto de Nossa Senhora de Nazaré na basílica homônima. O Círio de Nazaré é uma das maiores celebrações religiosas do mundo.
Igreja Presbiteriana de Belém.

O catoçocismo é a religião predominante no estado e o município de Belém, porém é possível encontrar pessoas adeptas das mais diversas crenças, as principais são: espiritismo, protestantismo, judaísmo, neopaganismo, islamismo e também estão muito presentes as religiões afro-brasileiras (tambor de mina e babaçuê) trazidas da África pelos escravizados. Cerca de 72,10% da população de Belém é católica, 18,30% são protestantes, 1,53% são de orientação Espírita, 0,19% são seguidores de religiões de origem africana e 0,1% são judeus.[148][149]

Belém sedia o evento religioso Círio de Nazaré, que acontece anualmente no segundo domingo de outubro desde 1793.[150], reunindo cerca de dois milhões de devotos de Nossa Senhora de Nazaré,[149] sendo assim, a maior festa cristã do Brasil.[149][151] Atualmente, as manifestações de devoções religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se: romaria fluvial, romaria rodoviária, moto-romaria, transladação, procissão do Círio, o Círio propriamente dito e o recírio.[152] A capital paraense possui inúmeras igrejas, capelas e santuários, das quais se destacam a Catedral Metropolitana de Belém, a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré (1909) - única basílica da Amazônia Brasileira - elevada em 2006 à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano (em processo de tombamento como patrimônio histórico iniciado em 1992)[153] e, a Igreja de Santo Alexandre (atualmente Museu de Arte Sacra),[154] Santuário de Nossa Senhora de Fátima,[155] Igreja Nossa Senhora das Mêrces, Igreja Nossa Senhora do Carmo, entre outras.[156]

No início do século XX, a Igreja Batista da cidade recebeu dois missionários batistas suecos oriundos dos Estados Unidos: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Missionários vieram para o Brasil embalados pelo trabalho missionário nos EUA, sob a autorização do reverendo Nelson ficavam à frente do trabalho enquanto esse ia aos EUA em busca de fundos para a obra. Enquanto fora, os missionários aproveitavam a oportunidade para pregar o pentecostalismo ao qual tinha se convertido ainda nos Estados Unidos. Devido às dissensões, acabaram sendo convidados a se retirarem em 1910, formando sua própria congregação em Belém, com o grupo que concordava com os novos ensinos,[157] que mais tarde seria chamada de Assembleia de Deus.[158] Tornando-se a primeira e a maior comunidade evangélica fundada no brasil,[159] levando Belém a ser o berço da doutrina pentecostal evangélica.[160]

A maioria dos judeus em Belém chegaram à cidade no século XIX, oriundos do Marrocos, descendentes dos refugiados da Inquisição na Espanha e em Portugal (1496). Os judeus se dirigiram para a região com intuito de poder praticar sua fé com liberdade e enriquecer com o crescente extrativismo da região, facilitados por ser uma cidade portuária atingida pela carta régia, que abriu os portos do país para nações amigas. Muitos migraram diretamente para Belém, fundando a primeira Comunidade Judaica da Amazônia e do Brasil República, alguns se espalharam no interior ao longo do Rio Amazonas, depois migrando para a capital devido fortalecimento da comunidade.[161][162]

Em 1824, foi inaugurada a primeira sinagoga do Brasil Império, a "Eshel Abraham",[163][164] devido ser uma cidade portuária, preservando a religião e a cultura sefaradi-marroquina dos imigrantes.[165] Em 1889, com a proclamação da república e a separação da Igreja do Estado, esse fluxo foi intensificado, aliado ao Ciclo da Borracha, que estava vivendo seu apogeu nesse período.[166][167] Belém sedia a Congregação Israelita do Pará, com mais duas sinagogas: Shaar Hashamaim (1889) e uma unidade Beit Chabad (1842) — a primeiro necrópole israelita do país, e uma Hebraica campestre.[163][164][165]

Segundo Censo, a capital paraense é o domicílio de 1 346 judeus - concentrando quase 70% dos judeus do estado - sendo a quinta cidade com o maior concentração no país e a primeira no Norte.[168] A comunidade é predominantemente sefaradita. A cidade também possui uma comunidade muçulmana,[164] a maioria descendentes de imigrantes, principalmente libaneses. Belém possui uma mesquita, que integra o Centro Islâmico Cultural do Pará.[164] Há também uma pequena comunidade Hare Krishna, que mantém um centro cultural que realiza festivais aos sábados, além de outros eventos como palestras.[169][164]

Em 1860, o reverendo escocês Richard Holden desembarcou em Belém, enviado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos, onde conduziu a menos fracassada das missões, permanecendo no país por doze anos.[170] Este escolheu Belém devido à existência de um posto de distribuição de bíblias na cidade, e junto à expectativa de que o Rio Amazonas fosse aberto à navegação internacional, onde tentou criar uma comunidade anglicana, mas sem sucesso, pois usou a imprensa local para difundir a religião, escrevendo artigos em jornais que provocaram a ira do então bispo católico da cidade, Dom Antônio de Macedo Costa.[170]

Em 1975, Edir Macedo, decidiu fundar sua instituição religiosa, chamada inicialmente de "A Cruzada do Caminho Eterno", que depois mudou para "Casa da Benção", até a escolha do nome em definitivo "Igreja Universal Do Reino de Deus".[160]

Depois do catolicismo, a evangélica é a segunda religião mais praticada na cidade e possui um grande números de casas de oração, dentre as quais as principais são: Assembleia de Deus (tendo sua fundação nacional primeiramente em Belém), Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja Batista.[171]

Governo e política

Belém nasceu com foros de cidade, porém, a data e o ato de criação deste, perderam-se na deficiência da documentação e arquivamento, como, também, perderam os nomes do primeiro Presidente e demais autoridades que integraram a fase inicial da administração municipal.[172] Contudo, conforme Palma Muniz, há indícios da existência de um Senado da Câmara, a partir de 1625, que teria adotado decisões sobre o problema dos índios, como por exemplo, a forma de administração das aldeias indígenas.[172]

O ano de 1655, provavelmente fora a data da elevação do município à categoria de cidade (conforme Ofício de 1733), existente no Arquivo Público do Pará, quando os oficiais da Câmara, comunicaram ao Governo da Capitania que o Rei os deixou a mercê durante setenta e oito anos (1655), e solicitaram ter os mesmos privilégios da cidade do Porto.[172] A mais antiga vereação da Câmara conhecida, é de 1661, constituída pelos vereadores: Bernardino de Carvalho, Manoel Álvares da Cunha, Gaspar da Rocha Porto Carneiro, Braz da Silva e Manoel Braz.[172]

Em 1673 iniciou uma série de mudanças da capital, o governador Pedro César de Menezes transferiu a sede da capitania do Grão-Pará e Maranhão (unificadas em um só Estado desde 1623), da cidade de São Luis para Belém neste mesmo ano.[172] Em 1688, o Rei determinou que a capital voltasse a ser em São Luis; mas em 1737 a sede governamental retornou a Belém. Finalmente em 1815, as Capitanias Gerais brasileiras foram transformadas em Províncias; ficando Belém como Capital da Província do Grão-Pará.[172]

Em virtude da Proclamação da República, em 1889, a Câmara Municipal de Belém foi extinta em 1889 (conforme Lei nº 3), substituída pelo Conselho Municipal.[172] Com a Lei Orgânica dos Municípios criada em 1891, os municípios passaram a ser governados por um Intendente Municipal, com funções executivas e um Conselho Municipal, com funções deliberativas.[172] Em conseqüência a esta lei, ocorreram as primeiras eleições municipais republicanas meste mesmo ano, cujo mandato compreendeu o triênio de 1891 a 1894, empossando o eleito D. Gama Abreu (Barão de Marajó), como Intendente.[172]

O período de 1897 à 1911, administrado por Intendente Antônio José de Lemos, é considerado a fase áurea do município de Belém, quando ocorreu o projeto de embelezamento e desenvolvimento do perímetro urbano da cidade, com melhorias como: calçamentos de granito; construção do Mercado de Ferro; Quartel dos Bombeiros; Asilo de Mendicidade; Necrotério Público; rede de esgotos; praças ajardinadas; suntuosos prédios; expansão do bairro do Marco; iluminação pública com rede elétrica; bondes elétricos; surgimentos dos grandes jornais diários “A Província do Pará” e a “Folha do Norte”. Porém, a derrocada do ciclo da borracha e a Primeira Guerra Mundial estancaram o crescimento da grande metrópole da Amazônia.[172]

A Reforma da Constituição do Estado de 1914, mudou a administração do município, pois ficou composta por um Conselho Municipal de 12 membros, eleito diretamente, e por um Intendente municipal, nomeado pelo Governador do Estado. O primeiro nomeado foi Antônio Martins Pinheiro, que tomou posse em 14 de setembro de 1914, e o Presidente eleito para o Conselho Municipal foi Dionísio Auzier Bentes.[172]

Após a da Revolução de 1930, o primeiro Intendente de Belém foi Ismael de Castro. Após a reconstitucionalização de 1945, os municípios voltarem a ter o direito de eleger seus prefeitos (conforme ei Federal 1 645 de 1952,) tendo ocorrido a primeira eleição em Belém, em 27 de setembro de 1953, quando venceu Celso Carneiro da Gama Malcher.[172] Com o processo de redemocratização nacional iniciado em 1985, após o golpe de 1964, Belém elegeu, nesse mesmo ano, Fernando Coutinho Jorge como prefeito da capital paraense.[172]

Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura.

Símbolos municipais

Ver artigos principais: Bandeira, brasão e hino de Belém

O brasão do município foi criado em 1626, no início da colonização, quando o então capitão-mor da Capitania do Grão Pará, Bento Maciel Parente, junto com Pedro Teixeira, Aires de Souza Chichorro e Baião de Abreu, instituíram um escudo para ser colocado no Forte do Castelo, simbolizando a coragem, a tradição e, o pioneirismo dos portugueses.[173]

A bandeira foi instituída em 3 de janeiro de 1971 (conforme decreto 6 855), que consiste de um retângulo azul sobre o qual pousa o brasão de Belém, que foi criado por iniciativa do segundo capitão-mor do Pará, Bento Maciel Parente, com provimento de D. Luís de Sousa.[174]

O hino foi apresentado oficialmente na solenidade especial em homenagem aos 391 anos de Belém. A prefeitura criou um concurso livre e aberto a participação de todos, desde que apresentasse letra e melodia inéditas sobre a capital do Pará. Os vencedores foram Eduardo Neves (letra) e Luiz Pardal (música).[175]

Cidades-irmãs

O município de Belém possui ao todo, sete cidades-irmãs,[176] a saber:

Subdivisões

Mapa de Belém e seus bairros.

Bairros

O município possui um total de 71 bairros oficiais, distribuídos em 8 Distritos Administrativos, a saber:[177] de Belém (DABEL), do Benguí (DABEN), do Entroncamento (DAENT), do Guamá (DAGUA), de Icoaraci (DAICO), de Mosqueiro (DAMOS), de Outeiro (DAOUT) e, da Sacramenta (DASAC).[178][179]

Distritos administrativos Nº de bairros Bairros
Centro (DABEL) 8 Batista CamposCampinaCidade VelhaMarcoNazaréRedutoSão BrásUmarizal
Benguí (DABEN) 8 Benguí • Cabanagem • Coqueiro • Parque VerdePratinha • São Clemente • Tapanã • Una
Entroncamento (DAENT) 10 Águas Lindas • Aurá • Castanheira • Curió-Utinga • Guanabara • MangueirãoMarambaiaSouza • Universitário • Val-de-Cans
Guamá (DAGUA) 6 CanudosCondorCremaçãoGuamáJurunasMontese (Terra Firme)
Icoaraci (DAICO) 9 Águas NegrasAgulhaCampina de IcoaraciCruzeiroMaracacueiraParacuriParque GuajaráPonta GrossaTenoné
Mosqueiro (DAMOS) 19 Aeroporto • Ariramba • Baía do Sol • Bomfim • Carananduba • Caruará • Chapéu Virado • Farol • Mangueiras • Maracajá • Marahú • Murubira • Natal do Murubira • Paraíso • Porto Arthur • Praia Grande • São Francisco • Sucurijuquara • Vila
Outeiro (DAOUT) 4 Água Boa • Brasília • Itaiteua • São João do Outeiro
Sacramenta (DASAC) 7 Barreiro • Fátima • Maracangalha • Miramar • Pedreira • Sacramenta • Telegráfo
Total 71

Economia

Atividades Econômicas em Belém - (2012)[180]

Na época colonial, semelhantes a outros núcleos portugueses do litoral atlântico, a atividade econômica, na Amazônia, se iniciou com a lavoura da cana-de-açúcar, que não progrediu devido às dificuldades naturais da mata e dos rios. Mesmo assim, alguns engenhos reais foram construídos, localizados no atual bairro da Cidade Velha (antes chamado de Cidade), ao norte do então Igarapé do Pyri (do Arsenal da Marinha até ao Ver-o-Peso, desembocando na Baía do Guajará). A partir de 1823. devido escassez de mão-de-obra, os engenhos foram levados, a fabricar aguardente devido seu maior consumo e valor mais elevado, e se transferir para pequenos engenhos, denominados de molinetes, instalados do outro lado do Igarapé do Piri, devido proibição de serem instalados junto aos engenhos reais do bairro. Formando-se ao sul do igarapé, contornando a Baía do Guajará, o bairro da Campina (cuja divisa era a Travessa São Mateus, atual Padre Eutíquio).[181]

Com o fechamento das lavouras da cana-de-açúcar, os portugueses, especialmente os religiosos, com a ajuda dos índios domestificados, iniciaram a coleta das "drogas do sertão” (plantas medicinais e aromáticas) que se estendeu até o século XIX, utilizando os rios como vias de acesso, em cujas margens surgiram os primeiros povoados e vilas da região, a partir das missões, quartéis e fortalezas.[181]

Atualmente a economia belenense baseia-se primordialmente nas atividades do comércio, serviços e turismo, embora seja também desenvolvida a atividade industrial com grande número de indústrias alimentícias, navais, metalúrgicas, pesqueiras, químicas e madeireiras.[182]

Também no distrito de Icoaraci, distante cerca de 20 km de Belém, a economia fortaleceu a cultura, abrigando o maior polo de produção artesanato em cerâmica marajoaras e tapajônicas país, resguardando outra característica da região.[183] A Feira do Paracuri, localizado na orla do distrito em plena margem da baía do Guajará.[184][185]

Os maiores centros comerciais da cidade por área bruta locável (ABL) são: Shopping Bosque Grão Pará (44.682 m² de ABL),[186] Castanheira Shopping Center (42,5 mil m²),[187] Boulevard Shopping (40 mil m²),[186][188] o Shopping Pátio-Belém (37.179 m²) e,[186] Parque Shopping Belém (31.275 mil m²).[186]

Entre os principais mercados municipais, está o pioneiro Mercado do Ver-o-Peso (1688) (tradicionalmente chamado de Verópa), à beira da baía do Guajará, além de ser um centro comercial, é também o símbolo da cidade, eleito em votação popular (a maior atração turística),[189][190] visitado por 50 mil pessoas, que movimenta 1 milhão de reais diariamente.[190] Localizado no bairro da Cidade Velha, às margens da baía do Guajará,[190] abastece a cidade com produtos alimentícios do interior paraense, fornecidos principalmente por via fluvial. Inicialmente era um entreposto fiscal criado em 1625,[37] onde era arrecadado os impostos das mercadorias que saiam ou chegavam à Amazônia,[191] O projeto alia contemplação da natureza com o comércio e a infraestrutura urbana. Composto pela Feira do Açaí, as praças do Relógio (relógio inglês),[192] do Pescador e, dos Velames, o Solar da Beira e os mercados de Ferro (como era conhecido o Ver-o-Peso) ou de peixe e, o Bolonha ou de carne, importado da Inglaterra e eleito uma das 7 maravilhas do Brasil. Outro ponto importante é o Mercado de São Brás, onde comercializam artesanato, produtos agrícolas, domésticos e vestuário.[193] Localizado na Praça Floriano Peixoto, próximo à antiga estação da Ferrovia Intermunicipal Belém Bragança.[193] Construído em 1911, em estilo arquitetônico art nouveau e neoclássico, em função da grande movimentação comercial gerada pela ferrovia e pela política, do então intendente Antônio Lemos, de descentralização do abastecimento da cidade expandindo aos bairros, antes centralizada no Ver-o-Peso.[193]

Porto com o Mercado Ver-o-Peso ao fundo.
Porto de Belém.

As produções da agricultura urbana centram-se no cultivo de produtos tradicionais (típicos/culturais), como espécies frutíferas, sendo eles: Açaí (45,2%), Macaxera (41,9%), Cupuaçu (35,5%) e Maxixe (25,8%), em algumas casos temperos e hortas.[194] Embora com destaque a estes quatro produtos, outros também são relevantes no contexto do município: Carirú, Côco e Cheiro Verde.[194] Diante desta perspectiva, a agroindústria parece ser uma possibilidade promissora, mas em vários pequenas unidades de produção, devido a mão de obra local não ser abundante e as áreas terem limitações ambientais (Áreas de Proteção Ambiental - APA e Refúgio de Vida Silvestre - Revis).[194]

Baseado nesta possibilidade, em 2016 o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) através da Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB/Ideflor) iniciou o Projeto Agrovárzea, afim de incentivar a agricultura familiar e o turismo rural em comunidades de populações tradicionais nas Áreas de Proteção, nos Refúgios Silvestre e, na região insular da capital (Combú, Sítio Bom Jesus, Abacatal, Santo Amaro e, Ponta Negra).[195]

O Agrovárzea cria Unidades de Referência Tecnológica (URT), com atividades teóricas e práticas referentes ao manejo adequado de sistemas agroflorestais, priorizando a diversificação da produção, porém focado nas espécies nativas, junto à conservação da biodiversidade com geração de renda através da venda direta, principalmente na ilha do Combu e no refúgio Metrópole da Amazônia.[195] Também, promove aos participantes outras atividades, como intercâmbios de métodos, vivências rurais, feiras em instituições e capacitações abordando temas como elaboração de roteiro turístico e hospitalidade.[195]

Em 2016, em paralelo ao projeto Agrovárzea, a Prefeitura de Belém iniciou um convênio de cooperação com a Agência de Inovação Tecnológica (Universitec) da Universidade Federal do Pará (UFPA), levando para as ilhas do estuário de Belém, capacitação tecnológica para o incentivo da cadeia produtiva agrícola do açaí e do cacau, aproveitando os conhecimentos tradicionais na ilha do Combu, onde se produz chocolates selvagens tipicamente amazônico e licores,[196] nas várzeas orgânicas de cacau.[197] Um desenvolvimento sustentável dos ribeirinhos que trabalham com produtos da biodiversidade local, que ganham espaços no mercado internacional.[197]

Outra frente nas ilhas foram desenvolvidas para beneficiar toda a cadeia produtiva da agricultura familiar, em um ciclo que vai desde o processo de produção até a comercialização: desenvolvimento das agriculturas familiares, da produtos orgânicos e do frango verde, (sem antibióticos, fortalecedores, ou quimioterápicos); Financiamento para unidades habitacionais e melhorias das instalações, compatíveis com as atividades de produção; Projeto Polo Gastronômico da Amazônia, que dá concessão de incentivos fiscais para que empresários do ramo de alimentação comprarem produtos oriundos das ilhas; Indicação nos cardápios a localização do produtor para passeios no plantio, que inclui café da manhã e observação de plantas nativas como a andiroba, a pupunha, o cupuaçu e a gigantesca samaumeira;[196] Produzir as merendas escolares da rede municipal de ensino com os produtos das ilhas.[197]

Na ilha de Jussara, no furo do Maracujá na região insular, a extração do açaí é a principal atividade econômica da agricultura familiar com o projeto de Colheita Comunitária dos Açaizais.[198][199] A comunidade adotou a exploração racional dos açaizeiros (cultura do manejo): com uso de intervenções técnicas nas áreas de plantio; uso de forma programada seguindo os princípios agroecológicos; destinando à comercialização do palmito apenas as árvores que não frutificam com qualidade; redução de perdas com descarte adequado conservando espécies nativas que proporcionam a alimentação dos animais.[199] Assim garantindo a renda familiar durante todo o ano e,[198] um ganho de quase 80%.[199] Antes da aplicação da cultura do manejo, na entresafra o preço da rasa do açaí (28 quilos) ultrapassava R$ 250 e, nos períodos de colheita, uma unidade de plantio pode render lucros de cerca de R$ 1.500 por semana.[200]

Mas o destaque é a ampla participação feminina no processo,[198][199][200][201] iniciado a partir de 1990 com o "Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém" (MMIB) e a nova ruralidade.[202] Este abrange as ilhas: de Cotijuba, Nova, Jutuba, Paquetá, de Tatuoca, Urubuoca e adjacentes no entorno de Belém.[203] Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) as mulheres locais são as representantes junto às instituições assistenciais e agentes financeiros, onde aproximadamente 50% do crédito rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foi formalizada por elas, devido terem importante poder de administração familiar.[198]

Complementando a renda, o Movimento de Mulheres realiza: produção e venda de priprioca (erva aromática e medicinal com perfume amadeirado) para a empresa Natura; confecção de biojoias com conchinha, palha da costa, folha de ajirú e semente de açaí, e; Turismo de Base Comunitária (TBC). Algumas das frentes de atuação para promover o desenvolvimento social e econômico da região.[204] A confecção das biojóias foi através do projeto profissionalizante “Escola Ribeirinha de Cotijuba”, em parceria com o Instituto Peabiru, Instituto Lojas Renner, designer Tita Maria e, fotógrafo Rafael Araújo.[205]

Em 2002, um antigo presídio da capital de 1749 deu lugar ao Espaço São José Liberto,[206] onde atualmente abriga o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro, a Casa do Artesão. Local de referência para o mercado joalheiro regional, por conta das joias em ouro e gemas produzidas por ourives e designers paraenses.

Em 2007, devido o crescimento populacional da região metropolitana e carência de um centro público de convenções e exposições de grande porte e equipado com recursos de tecnologia, foi construído o Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, com uma área de 24 mil metros quadrados de área construído,[207] aproveitando a estrutura de um antigo hangar de aeronaves, com amplo espaço (grandes vãos livres e pé direito monumental).[208]

Turismo

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém
NHo Garnier Sampaio (H-37) liderando a romaria fluvial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em 2005.

A capital paraense desponta como grande roteiro turístico do Brasil, sendo a segunda cidade mais visitada da Amazônia, rica em construções históricas e importantes fortificações, tudo isso aliado com a natureza.[209] Proporciona diversas opções de cultura e lazer, tanto em eventos culturais como religiosos de grande repercussão, como: o Círio de Nazaré, a bi-centenária e maior procissão cristã do país, reunindo mais de 2 milhões de pessoas[149] No período há aquecimento na produção industrial, no comércio, no setor de serviços e no turismo.[23][149] A cidade começa a explorar o mercado da moda, com os eventos Belém Fashion Days e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia).

Por ser um dos municípios mais antigo da Amazônia e, ter boas condições infraestruturais, como: o Aeroporto Internacional, Estádio Olímpico com arena poliesportiva e centros de convenções (Hangar e Centur), Belém é palco de grandes eventos.[210] Estando entre as 10 cidades brasileiras mais citadas para a realização deste tipo de negócios, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE/FBC&VB (2002), possuindo, além da gastronomia, diversas atrações de lazer e turismo na Região Metropolitana.[211]

A capital possui eventos fixos de grande dimensões, como por exemplo: o Círio de Nazaré, a maior procissão cristã do planeta, que movimenta a economia da cidade;[23][149] a Feira Pan-amazônica do Livro (a quarta maior brasileira do gênero - anual); Feira Supernorte (maior evento empresarial do Norte do país com 45 mil participantes - anual); FITA - Feira Internacional de Turismo da Amazônia (18 mil participantes), Belém Fashion Days (está entre os 5 maiores eventos de moda do País) e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia), dentre outros.[212]

Além dos pontos turísticos mais conhecidos, existem tranquilas e pouco exploradas opções de lazer nas 18 ilhas que cercam a capital, lar de ribeirinhos e de uma natureza ainda preservada, onde pequenas canoas carregam frutos e peixes para a cidade.[196] Ao atravessar o rio Guamá em cerca de 20 minutos, a transição entre cidade e natureza é evidente: os barulhos e luzes da grande cidade vão ficando para trás, dando lugar ao silêncio e aos sons da floresta acompanhados por uma temperatura mais baixa.[196]

As ilhas mais próximas, são frequentadas no fim de semana no horário do almoço até o entardecer onde tomam banho de rio e degustam pratos típicos da culinária em cerca de 12 restaurantes. Destacando-se a Ilha do Combu e a Ilha dos Papagaios, onde ocorre uma revoada de aves ao amanhecer (milhares de papagaios da espécie Amazona amazonica).[196] Para os que dispõem de mais tempo, existe as ilhas de Mosqueiro (com 17 km de praias de água doce com movimento de maré - “o rio com ondas”)[213] e Outeiro, mais distantes e com maior infra-estutura.[196]

Infraestrutura

Plano Diretor Urbano

Em 1993, o processo de democratização instituiu o Plano Diretor Urbano de Belém (Lei 7 603/1993), baseado na Constituição Federal, no conceito da Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e nos planos de desenvolvimentos urbanos e,[214] no artigo 250 da Lei Orgânica Municípal,[215] que instituí uma política mais democrática de desenvolvimento e de expansão urbana, ampliando os poderes do Município e a participação da sociedade civil na gestão da cidade.[214] Estabelece as seguintes funções: distribuição dos ônus das obras públicos de valorização imobiliária; regular o mercado imobiliário; execução da política de desenvolvimento municipal; guiar a atuação urbanística;[215] ordenamento territorial através de zoneamento.[98] Em 2008, o plano configurou o espaço urbano da cidade em sete Zonas ou Distritos Administrativos, como unidades básicas de planejamento, a saber:[98] Guamá (DAGUA), Belém (DABEL), Sacramenta (DASAC), Entroncamento (DAENT), Icoaraci (DAICO), Outeiro (DAOUT) e Mosqueiro (DAMOS). Ocorreu também o mapeamento das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS).

As zonas também foram classificadas, de acordo com a infra-estrutura dos sistemas viário básico e de transportes, em dois modos: zonas de adensamento até o coeficiente básico (ZACB) e, zonas adensáveis acima do coeficiente básico potencial (ZAOO). Identificou-se que, as regiões adjacentes ao bairro Universitário (iniciado em 1960 com a implantação do campus universitário da UFPa no Guamá), localizado no Distrito Administrativo do Entroncamento (bairros: Jurunas, Condor, Cremação, Guamá, Canudos e Montese), são integrantes de duas zonas: Zona Especial de Interesse Social (ZEIS),[98] que devem receber tratamento para viabilizar ações de urbanização e regularização fundiária, e; Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA), vetado para fins habitacionais, destinadas ao uso de instituições de ensino e pesquisa.[98]

Panorama da cidade de Belém a partir da Praça da República.

O bairro Universitário, se estabeleceu com a expansão urbana da cidade em direção à periferia, desde as primeiras ocupações na década de 1950,[98] onde se encontram importantes instituições, como: Universidade Federal do Pará; Universidade Federal Rural da Amazônia; Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA); Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT-GUAMÁ).[98] Em 2013, para o entorno do bairro foram planejadas ações de melhoria do ordenamento do espaço e da mobilidade urbana, junto com os prolongamentos das avenidas Independência e da João Paulo II, a duplicação da avenida Perimetral da Ciência (Programa Proinveste),[216] importância via de transporte de passageiros e de cargas do centro da cidade com a zona sul e municípios do interior, contando a integração com a via Estrada Nova,[98] junto com a construção de um terminal de passageiros de transporte urbano, no portão III da Cidade Universitária da UFPA.[98] no período que antecede o Fórum Social Mundial, em 2009.

Transportes e telecomunicações

Em 2018, Belém possuía uma frota de 451 776 veículos no total, sendo 231 131 automóveis, 120 936 motocicletas, 18 800 motonetas, 29 167 camionetes, 18 342 camionetas, 8 859 caminhões, 3 814 ônibus, 2 097 micro-ônibus e 1 101 caminhões-trator, além de 10 440 outros tipos de veículos.[217]

O Aeroporto Internacional de Belém, fica a 12 km do centro da cidade e o sítio aeroportuário possui área de 5 615 783,22 metros quadrados. Atualmente denominado de Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, opera com a capacidade de atender a demanda de 2,7 milhões de passageiros por ano, em 2007 teve um movimento operacional de 2 119 552 passageiros. Sendo responsável pelo incremento do turismo na região, escoamento da produção e captação de novos investimentos. Conta com uma arquitetura futurista, projetada para aproveitar a iluminação natural do local e tem seu interior ornamentado com plantas da região amazônica que se encontram em uma fonte capaz de imitar o barulho das chuvas, que caem todos os dias na região. Possui estacionamento para aeronaves com 11 posições e 700 vagas para veículos.[218]

A Rede Metrobel - Rede Metropolitana de Educação e Pesquisa de Belém, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, foi criada com a finalidade de integrar em alta velocidade as instituições públicas e privadas de pesquisa e educação superior em Belém e mais recentemente, o Governo do Estado do Pará por meio da PRODEPA.[219]

Saúde

O município possuía, em 2009, 380 estabelecimentos de saúde, entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 280 deles privados e 100 públicos - com 73 destes sendo municipais, 19 estaduais e 8 federais.[220] Neles havia 3 686 leitos para internação.[220] Em 2013, 94,6% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia.[221] Em 2013, foram registrados 21 878 nascidos vivos, ao mesmo tempo que o índice de mortalidade infantil foi de 20,1 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos vivos.[221]

Educação

Biblioteca Central Clodoaldo Beckmann, da Universidade Federal do Pará (UFPA)

O estudo mais recente expondo o nível da educação na cidade foi publicado pela revista Exame (elaborado pela consultoria Macroplan), aponta Belém como a quarta pior capital do Brasil, a partir da análise de índices, como o nacional Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o internacional Programme for International Student Assessment (Pisa), que mede a habilidade dos alunos em matemática, ciências e leitura.[222] Entre as vinte e seis capitais avaliadas, a paraense aparece em 23º lugar, com índice em educação de 0,369, ficando à frente de Macapá, Porto Velho (Acre) e Maceió (Alagoas).[222] Curitiba, capital do Paraná, foi considerada a melhor capital.[222] Em 2009, a rede municipal de educação de Belém era oficialmente composta de 169 unidades, sendo 61 Escolas, 69 anexos e 35 unidades exclusivas de educação infantil[223]

Em relação ao ensino superior, a Universidade Federal do Pará (UFPA) é considerada a melhor universidade do estado e a melhor da região Norte, segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) de 2013 - indicador criado por Ministério da Educação para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior do país.[224][225] Há seis universidades e faculdades públicas sediadas em Belém ou com campus na cidade, a saber: Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA),[226] Instituto Federal do Pará (IFPA),Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Universidade de Taubaté (UNITAU).[227] Entre as instituições de nível superior de caráter privado, destacam-se as seguintes: Faculdade Educacional da Lapa (FAEL),Faculdade Pan Amazônica (FAPAN), Centro de Educação da Amazônia (CEAMA), Centro Universitário do Pará (CESUPA), Escola Superior da Amazônia (ESAMAZ), Faculdade de Belém (FABEL), Faculdades Integradas Ipiranga, Faculdade Teológica Batista Equatorial (FATEBE), Faculdade do Pará (FAP), Faculdade de Estudos Avançados do Pará (FEAPA), Faculdade Ideal (FACI), Faculdade Integrada Brasil-Amazônia (FIBRA), Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM), Associação Proativa do Pará (APPA), Universidade da Amazônia (UNAMA), Universidade Paulista (UNIP) e UNIBRASM - Sustentável dos municípios.

Belém possui algumas bibliotecas públicas, a saber: Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará, Biblioteca Clara Galvão, Biblioteca Irmãos Guimarães, Biblioteca do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Biblioteca Municipal Avertano Rocha e Biblioteca Pública Arthur Vianna.[228]

Comunicação

Atual sede do jornal O Liberal, localizado no bairro do Marco.

O setor de comunicação em Belém e no Pará é um oligopólio/duopólio, onde duas empresas familiares controlam mais de 90% do que é veiculado para a população. A família Maiorana, proprietária das Organizações Rômulo Maiorana (de ligação política com o diretório local do PSDB),[229] da TV Liberal (retransmissora local da Rede Globo), rádios Liberal AM e FM, e dos jornais impressos O Liberal e Amazônia; A família Barbalho, dos políticos Jader Barbalho, Elcione Barbalho e Helder Barbalho, proprietária da RBA TV (retransmissora local da Rede Bandeirantes), das rádios Clube, 99FM e Diário FM e do jornal impresso Diário do Pará.[230]

Outros veículos de comunicação em Belém são emissoras de TV, Rádios e jornais impressos de menor tiragem e circulação. A televisão Paraense é composta por várias emissoras, algumas são afiliadas das grandes redes de TV, enquanto outras atuam apenas como retransmissoras de TV, sem a inserção de programação local. Os canais abertos disponíveis são: Rede Cultura do Pará (TV Cultura), Boas Novas Belém (Boas Novas), SBT Pará (SBT), RecordTV Belém (RecordTV), TV Grão Pará (TV Gazeta), TV Metropolitana (Rede Brasil), Rede Vida, Record News, TV Ideal, TV Aparecida, TV Nazaré, TV Canção Nova, RIT, Rede Mundial, RedeTV! Belém (RedeTV!) e TV Novo Tempo. As transmissões digitais iniciaram no dia 26 de julho de 2009, a emissora pioneira a testar essa tecnologia na região foi a RBA TV (no padrão ISDB-TB com serviços de HDTV e one-seg).[231]

Também há outros jornais em menor circulação na cidade, entre eles o já descontinuado Província do Pará e o ainda existente, e independente Jornal Pessoal, do jornalista Lúcio Flávio Pinto.[232][232][233][234]

Segurança e criminalidade

Em 2018, Belém foi a capital brasileira com mais assassinatos violentos do país, obtendo uma taxa de 77 casos para cada cem mil habitantes, segundo estudo sobre os níveis de violência nos municípios brasileiros com mais de cem mil habitantes, utilizando informações de homicídios contabilizados no Ministério da Saúde.[235]

Segue a evolução das taxas de homicídios estimadas na capital paraense no período de 2007 à 2017, conforme tabela:[236]

Taxa estimada de homicídios das capitais brasileiras (2017)
Taxa estimada de homicídios Variação %
2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2007 a 2017 2012 a 2017 2016 a 2017
37,0 52,7 49,4 65,3 49,8 56,4 60,2 59,0 61,5 76,7 74,3 101,1 31,8 -3,1

Cultura

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém

Música e dança

Banda Calypso durante o "Show da Emancipação", em 2009.

Os ritmos mais populares são o calypso, brega paraense, tecno brega, carimbó e, a guitarrada.[237]

Até o final da década de 1950, o carimbó era visto apenas como uma manifestação do folclore, sendo que nesse mesmo período boa parte dos criadores de carimbó estavam nas cidades do interior paraense.[238] Na década de 1960, artistas independentes iniciaram o envolvimento no processo de experimentação estética e artística da “moderna música popular brasileira”, inaugurado com o aparecimento da Bossa Nova no Brasil e movimentos anti golpe de 1964,[58] Em Belém, foram realizados vários eventos de música seguindo essa tendência até a década de 1970, como por exemplo: em 1967 o primeiro Festival de Música Popular Paraense; os festivais da Casa de Juventude Católica (CAJU); e em 1968/1969 uma série de festivais universitários.[58]

Inicialmente, de apenas uma reunião de festejo entre amigos e familiares, o fazer carimbó transformou-se em um autêntico gênero e ritmo musical "amazônida parauara" (chamado também por “samba de roda do Marajó” e “baião típico de Marajó”)[239] Após um período de proibição governamental no município de Belém (lei nº 1 028)[240][241] devido ter origem indígena e negra.[69] o carimbó ressurgiu como estilo regional e como uma das principais fontes rítmicas (matriz) de gêneros contemporâneos, como lambada e tecnobrega.[239] O processo de popularização do gênero ocorreu do interesse de setores estudantis e de classe média politizada, por esse gênero,[242] envolvidos nos debates de experimentação estética e artística das décadas de 1960 e 1970, inaugurado com o aparecimento da Bossa Nova e o golpe de 1964,[242] gerando grupos folclóricos e bandas de baile, tornou-se também comum nas rádios.

Nas décadas de 1970 e 1980, era comum as rádios populares de Belém conseguissem captar sinais de países como Suriname, Guianas e Bolívia, difundindo a cúmbia, merengue, salsa, zouk, unificando tudo no gênero musical da lambada.[243] Assim o carimbó sofreu influências desses ritmos, passando de uma dança tradicional para um ritmo moderno, com a adição de instrumentos elétricos (como a guitarra),[244] entrando assim no circuito cultural mais amplo da indústria regional. Quando gravações em long play explodiram, assim como as apresentações na televisão e nas rádios, transformando um ritmo popular do interior do estado, criado no século XVII,[245] em sucessos radiofônicos,[246] a exemplo dos músicos compositores: Lucindo[247], Pinduca, Arraial do Pavulagem, Cupijó e, Verequete.[248] Levando alguns artistas a terem reconhecimento no cenário nacional e em carreira internacional,[242][249]

Na década de 1990 a lambada deu lugar a outros ritmos mais vendáveis nacionalmente, surgindo o brega pop (criação dos radialistas Jorge Reis, Rosenildo Franco e Marquinho Pinheiro para diferenciar o brega paraense ao de outras regiões).[243] Nomes como compositores Tonny Brasil, Kim Marques, Adilson Ribeiro, Alberto Moreno, Edílson Moreno, Wanderley Andrade e Nelsinho Rodrigues tornaram-se figuras conhecidas nas rádios.[243] Nessa época, produtores nas periferias da cidade passaram a gravar os ritmos populares como o brega e a lambada, com batidas e melodias eletrônicas, impulsionados pela venda em camelôs, de CDs caseiros, ritmos como o tecnobrega, o brega pop e o calypso viraram sucesso no Norte e no Nordeste brasileiro.[250]

Em 2014, o ritmo carimbó tornou-se patrimônio Cultural Imaterial brasileiro, aprovado por unanimidade pelo conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[251][252][253] Esta expressão cultural espalhou-se também pela Região nordeste do Brasil[248] nas últimas décadas.

O dia 26 de agosto, anualmente é celebrado o Dia Municipal do Carimbó, instituído em 2004,[254] e o centenário do Verequete, um dos mais importantes mestres do ritmo no estado, devido sua contribuição com composição no estilo tradicional, denominado “pau e corda”.

Atrações e eventos

O início do carnaval paraense datam do período compreendido entre 1695 e 1844, marcados pela celebração do entrudo trazido pelos colonizadores portugueses, o carnaval pós-entrudo de 1844 a 1934 (como baile de máscaras, batalha de confetes e, corso carnavalesco) e o carnaval da era do samba que se inicia a partir de 1934.[255]

Ao contrário dos grandes centros urbanos do Brasil, Belém não possui uma tradição carnavalesca com desfile de agremiações com várias als. Ao chegar o carnaval, a cidade esvazia, devido a maior parte da população se deslocar ao interior do estado do Pará para curtir os blocos carnavalescos,[256] com destaque para os municípios de Abaetetuba, Cametá, Colares, Curuçá, Vigia e, Tucuruí; de acordo com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRBS-PA).[257] A fim de, não coincidir com os grandes carnavais da Região Sudeste do país, os desfiles das agremiações carnavalescas passaram a ser realizados antes da data oficial nacional, na Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel, semelhante aos Carnavais de Vitória e Santos.[258]

Mas em contrapartida, o festejo do carnaval inicia na primeira semana de janeiro, com o Pré-carnaval da Cidade Velha,[259] uma realização da Liga dos Blocos da Cidade Velha (LBCV),[260] com o circuito dos blocos guiados por trios elétricos concentrados na Avenida Almirante Tamandaré.[259]

Em 2020, seis produtoras locais se uniram para realizar o Circuito Mangueirosa, projeto de entretenimento cujo objetivo é fortalecer o Pré-Carnaval da Cidade Velha e resgatar o Carnaval paraense e,[256] divulgar a diversidade musical da regioão,[261] que conta com uma expectativa de público de 60 mil pessoas.[256] Pois nem todos possuem condições financeiras de viajar a fim de passar o carnaval nas praias ou nas cidades do interior do estado.[261] Esta programação inclui 50 atrações, divididas em três etapas diárias: para iniciar a programação, a etapa Pitiú com atrações no palco aberto; seguido de um cortejo guia por um trio elétrico, chamado Revoada, e; para finalizar o dia, o Banzeiro, um festejo indoor com cobrança de entrada.[256]

Patrimônio arquitetônico e cultural

Casarões coloniais da rua Marquês de Pombal, na Cidade Velha.

Em 1940, ocorreram os primeiros tombamentos de valor histórico-cultural realizados via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reconhecendo a Coleção Arqueológica e Etnográfica, do Museu Paraense Emílio Goeldi,[153] que possui aspectos sobre a ocupação pré-colonial da Amazônia Oriental.[262]

Em 1941, seguido a proposta modernista de construção de uma identidade nacional, onde foram escolhidos os períodos colonial e o barroco brasileiro como representes da autentica arte e arquitetura brasileira, foram assim tombados as seguintes edificações: igreja da Sé, igreja do Carmo, igreja de São João Batista, Igreja dos Mercedários e, a Igreja de Santo Alexandre.[153][262]

Nas décadas de 1970 e 1980, os tombamentos irão completar alguns conjuntos arquitetônico do final do século XIX e início do século XX, como: o Palacete Pinho; as avenidas José Malcher e Nazaré,[153] formado por sobrados azulejados, que representam uma forma de morar mais modesta;[262] o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-peso e áreas adjacentes, que inclui os mercados municipais e as praças Pedro II e, do Relógio (ou Praça Siqueira Campos),[263][264] onde localiza-se um relógio inglês com 12 metros de altura inaugurado em 1930, por ordem do Intendente Antonio Faciola, para homenagear Antonio de Silveira Campos (herói revolucionário do Forte de Copacabana).[265]

Em 1981 foi tombado o Engenho Murutucu,[153] ruínas de um próspero engenho de cana-de-açúcar, construído no século XVII.[266][267] Sendo considerado na época uma obra de engenharia rural amazônida, contando com o inovador sistema de força através da maré represada.[268] Destaca-se no local, a Capela de Nossa Senhora da Conceição de 1711 dos frades Carmelitas,[267][269] cuja reforma foi realizada por Antônio Landi, que incorporou traços neoclássicos.[270][271] Atualmente o Murutucu é de responsabilidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa.[266]

A partir do ano 2000, o Instituto do Patrimônio ira proteger algumas das principais manifestações culturais e/ou religiosas do estado,[262] como: o Círio de Nazaré (também reconhecido como patrimônio da humanidade na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO) e, o ritmo e dança do Carimbó.[262]

Em 2012, foi a vez do conjunto arquitetônico urbano-paisagístico dos bairros Cidade Velha e Campina e,[153][262] do Largo das Mercês e sua área de entorno, conhecido por Centro Histórico de Belém, formado por cerca de 2 800 edificações protegidas, entre palacetes, palácios, sobrados e casas comerciais.[263] Reconhecendo a importância e a dimensão do conjunto com toda a sua trajetória e transformações ao longo dos séculos XVII ao XXI.[262]

O Complexo Feliz Lusitânia, localizado no bairro da Cidade Velha, faz parte do centro histórico revitalizado. O complexo contempla: a Catedral Metropolitana de Belém, igreja das Mercês, sede da prefeitura, praça Frei Caetano, Casa das Onze Janelas, Corveta Museu Solimões e o complexo de Santo Alexandre (onde encontra-se a Igreja e o Museu de Arte Sacra do Pará, considerado um dos mais belos do Brasil).Cidade Velha e Feliz Lusitânia: Cenários do patrimônio cultural em Belém (PDF) (PDF). Belém: Universidade Federal do Pará - UFPa. 2006  Parâmetro desconhecido |CDD= ignorado (ajuda); |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)

Igreja de Santo Alexandre na Cidade Velha
Interior do Theatro da Paz

Essa trajetória de Belém, representada nacionalmente pelos monumentos tombados, que extrapolam os marcos edificados e monumentais espalhados pela cidade, também marcados nos saberes e fazeres da população.[262] Existem outras atrações turísticas em Belém, como:[272][273] a Basílica de Nazaré (1909), o bonde elétrico, Ver-o-Peso, Ver-o-Rio,[131][274] Palácio Antônio Lemos (1883); Museu estadual Palácio Lauro Sodré (1883);[275] Planetário Sebastião Sodré da Gama (1999); Praça Batista Campos (1904); Theatro da Paz (1878).[276]

Museus

Há diversos museus no município. Alguns destes são: Corveta Museu Solimões, Museu das Onze Janelas (artistas brasileiros do século XX), Museu da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, Museu da Santa Casa de Misericórdia, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu de Gemas do Pará, Museu de Artes de Belém, Museu de Arte do CCBEU, Museu de Artes Populares, Museu de Arte Sacra, Museu do Círio, Museu do Estado do Pará. localizado no Palácio Lauro Sodré desde 1994;[275] Museu do Forte do Presépio, Museu do Judiciário, Museu Naval da Amazônia, Museu da Navegação e Museu do Porto de Belém.[154] O Museu Paraense Emílio Goeldi foi criado em 6 de outubro de 1866, é a mais antiga instituição de pesquisas da região Amazônica e referência mundial na Amazônia.[277] O Parque Zoobotânico está situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,2 hectares. É o mais antigo do Brasil no seu gênero.[278]

Modernismo

Na década de 1950, iniciou o movimento regional e popular parauara "raio-que-o-parta" - predominantemente nos município de Belém, Cametá, e Soure - objetivando trazer a região as novidades da arquitetura modernista que ocorrerá no sudeste do Brasil.[279] Os estilos Art Nouveau e Art Déco foram os antecedentes da arquitetura moderna local. Com a criação de mosaicos feitos com cacos de azulejos, formando painéis figurativos nas fachadas das residências (principalmente nas platibandas, elevação superior da fachada), os mestres de obra e engenheiros civis tentavam modernizar as construções das residências burguesas ou edifícios públicos.[279]

O uso do azulejo era um material comum nas construções, entretanto era um material de valor elevado, utilizado por pessoas com um bom poder aquisitivo. Em contrapartida os cacos de azulejos rejeitados nas obras, passaram a ser usado pela população carente, demonstrando ser possível alcançar a modernidade com baixo custo e criatividade.[279] Na maioria das obras, os mosaicos formavam figuras geométricas com linhas retas e quebradas semelhantes à raios, em referência às formas modernistas. O movimento "raio-que-o-parta" fez parte de uma produção considerada não oficial que caracterizava a maioria das metrópoles do terceiro mundo, sendo assim tachado de modismo e não erudito.[279]

O modismo modernista também se manifestou por meio de outros elementos estéticos, como molduras de janelas com laterais inclinadas; pestanas protegendo portas e janelas; telhado inclinado para dentro do terreno; painéis em combongós cimentados ou esmaltados em cores fortes; apoio de marquises e coberturas com colunas em forma de "V"; em muretas e em contornos de jardineiras.[279] Além das figuras geométricas, também foram feitas imagens de elementos da natureza, formas onduladas, símbolos religiosos, personagens de histórias infantis e letras formando palavras com o uso de cores vibrantes.[279]

Pintura

Uma tradição familiar tipicamente ribeirinha enriquece a cultura e embeleza os barcos da região, através dos artistas pintores chamados “abridores de letras”, que batizam as embarcações pintando com pincel os nomes com uso de letras coloridas e decoradas nos cascos.[280] As letras são muito coloridas e enfeitadas, para justamente chamar a atenção dos clientes.[281]

Em 2014, foi criado o projeto “Letras que Flutuam” na Universidade Federal do Pará e aprovado no edital Amazônia Cultural. Uma expedição que identificou quarenta e um pintores nos municípios de Belém, Barcarena, Abaetetuba, e Igarapé-Miri;[281][282] com o objetivo de conscientizar a nova geração a preservar e expandir para outras áreas essa tradição que está enfraquecida.[282]

A origem dessa arte tipográfica ocorreu em um intercâmbio gráfico, através de visualizações da arte nas embarcações entre os municípios ribeirinhos, onde o abridor de letras era influenciado ao ver a pintura de outros artistas durante as navegações.[282]

Culinária

Ver artigo principal: Culinária do Pará
A culinária da capital possui diversas comidas típicas regionais. Dentre elas, o tacacá (esquerda), que caracteriza-se como uma iguaria típica da cozinha amazônica, assim como a fruta do açaí (direita).

A Belém gastronômica é um interessante caldeirão de misturas étnicas. A comida indígena paraense – única, verdadeiramente brasileira, segundo o filósofo José Arthur Gianotti - tem sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos. Os povos que chegaram à capital se encantaram com a cozinha nativa e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes.[283]

A forte influência indígena, criou pratos típicos como: pato no tucupi, tacacá, maniçoba, tucunaré cozido, caruru, normalmente acompanhados com jambu e farinha dágua,[13] entre outras delícias como o açaí. Há quem diga que o sabor dos peixes e das frutas é realmente diferente. Os elementos encontrados na região formam a base de seus pratos. Com mais de uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas no Ver-o-Peso, feiras livres, mercados e supermercados do município; elas são responsáveis diretas pelo sabor das sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.[284][285][286] Aproveitando essas peculiaridades, a região faz grande divulgação da culinária, sediando o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense e o Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia.[196]

O mais representativo prato típico do estado é degustar o vinho do açaí (a versão mais pura da fruta) em uma cumbuca/tigela, com pouco açúcar (para não virar sobremesa), acompanhado de farinha d´água ou farinha de tapioca acompanhado de alguma proteína ou comidas salgadas, como camarão, charque frito, peixe assado (principalmente).[287][288] Este último muito encontrado nas barracas do Mercado Ver-o-Peso.[288] foi escolhido símbolo da culinária através de voto popular em um concurso durante o aniversário de 400 anos do município, promovido na TV Liberal.[289]

Na cidade existe o restaurante Remanso do Bosque, um dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Seu sucesso é devido um cardápio baseado em ingredientes típicos da Amazônia.[290][291]

Esportes

Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão), durante o clássico jogo Re-Pa, com capacidade de 45 mil pessoas, sendo inaugurado em 1978.
Arena Guilherme Paraense (Mangueirinho), é uma arena inaugurada em 2016, com capacidade para 12 mil pessoas.

Em Belém estão sediados os três principais clubes de futebol do Pará: Paysandu, Remo e Tuna Luso.[292] Os principais clubes de futebol são Clube do Remo e Paysandu Sport Club, conhecidos por sua rivalidade. Outro tradicional clube de futebol do Pará é a Tuna Luso, fundada pela comunidade portuguesa de Belém. Contabilizando Belém tem 6 títulos nacionais, sendo com o Paysandu Sport Club 2 títulos do Campeonato Brasileiro - Série B e 1 título da Copa dos Campeões de 2002,[293] com o Clube do Remo 1 Campeonato Brasileiro - Série C e com a Tuna Luso Brasileira 1 Campeonato Brasileiro - Série B e 1 Campeonato Brasileiro - Série C e mais 6 títulos regionais com o Paysandu Sport Club que detém o título da Copa Norte, da Copa Verde e o Clube do Remo que detém três títulos da Copa norte e um título do Campeonato Nacional Norte-Nordeste.[294][295]

O Estádio Olímpico do Pará (conhecido por Mangueirão) projetado pelo arquiteto Alcyr Meira, por pedido do então governador Alacid Nunes, foi inaugurado em 1978 e reformado em 2002,[296][297][298] com capacidade para 35 000 torcedores,[296] recebeu quatro jogos da seleção brasileira (1990, 1997, 2005 e 2011). Tendo um público recorde de 65 000 pessoas, em 11 de Julho de 1999, no jogo dos times Clube do Remo e Paysandu Sport Club (final do Campeonato Paraense), antes da reforma.[299][300][301]

Desde 2002, é realizado no Estádio Mangueirão o Grande Prêmio Caixa de Atletismo. Quando em 2004, reuniu cerca mais de 42 mil pessoas no Estádio, durante a apresentação dos atletas Maurren Maggi e Leonard Byrd, batendo o recorde de público em competições de atletismo na América do Sul.[302][303][304]

Entre os atletas que estiveram em Belém destacam-se: Jadel Gregório, um dos melhores do mundo no salto triplo; Maurren Higga Maggi, estrela nacional do salto em distância; Fabiana Meurer, uma das revelações do salto com vara no circuito internacional; os fundistas Hudson de Souza e Fabiano Peçanha; e Sandro Viana, Vicente Lenilson, André Domingos e Sabine Heitling, que competem nos 3 mil metros com obstáculos.[302] Jadel Gregório é campeão pan-americano, vice-campeão mundial e dono da melhor marca mundial entre os triplistas em atividade, com 17,90 metros. Maurren foi medalha de prata no Mundial Indoor de Valência, em março, e é recordista sul-americana da prova, com 7,26 metros e entre os atletas internacionais, os norte-americanos, J. J. Johnson (100 m e 200 m) e Joel Broen (110 m com barreiras); o queniano Julius Nyamu (3 000 m com obstáculos); o cubano Osniel Tosca (salto triplo); os jamaicanos Maurice Wignall (110 m com barreiras); e Sheri-Ann Brooks (100 m e 200 m). Alguns dos principais destaques são a norte-americana Sheena Tosta, número dois do mundo em 2007 nos 400 m com barreira, e a cubana Yumisleidi Cumba, atual campeã olímpica do arremesso de peso.[305]

Anualmente Belém recebe o Rallye Iles du Soleil ou Rallye Transamazone, uma das mais importantes regatas do iatismo mundial.[306][307] Sendo um evento anual para exibir o potencial turístico das cidades inlcuídas no percusso.[308] O rallye também destaca outros municípios paraenses: Luis Correa; Soure (Na Ilha do Marajó); Belém; São Sebastião da Boa Vista; Breves; Porto de Moz; Almeirim; Monte Alegre; Alter do Chão; Santarém, e; Afuá.[309][310]

Em 2002, Belém foi uma das quatro sedes brasileiras que receberam competições dos Jogos Sul-Americanos de 2002. A cidade sediou as disputas de Atletismo, natação, boxe e luta. Os locais de competição foram o Ginásio da Escola Superior de Educação Física e o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão.[311]

Feriados municipais

Os feriados municipais de Belém incluem as seguintes datas: dia 2 de novembro, que celebra a Sexta-feira Santa, e; dia 8 de dezembro, como a consagração ao Corpo de Deus e celebração a padroeira Nossa Senhora da Conceição (conforme Lei 6 306 de 1967).[312] Além dos feriados, também o ponto facultativo, folga aos servidores que trabalham em órgãos públicos municipais, no dia 12 de janeiro, que celebra o aniversário de fundação do município (conforme portaria 58 de 2016).[313]

Ver também

Notas

  1. Por ter sua estrutura de ferro, o Mercado Ver-o-Peso era inicialmente conhecido como "Mercado de Ferro"
  2. Citado na segunda seção “Maranhão Taboa Segunda” do "Pequeno Atlas do Maranhão e Grão-Pará" do cartógrafo João Teixeira Albernaz I por volta de 1630. Também chamado de Caminho dos Tupinambás, posteriormente recebera outros nomes: Estrada de Bragança, avenida Tito Franco e atualmente avenida Almirante Barroso.[73]
  3. Faixa etária da população de Belém, de acordo com o IBGE: 19.853 habitantes (1,37%) tinham menos de 1 ano de idade; 185.363 habitantes (12,81%) tinham entre 1 a 9 anos; 119.561 habitantes (8,26%) tinham de 10 a 14 anos; 980.878 habitantes (67,83%) tinham entre as idades de 15 a 64 anos; 87.543 habitantes (6,05%) tinham entre as idades de 65 a 99; e 201 habitantes (0,01%) de 100 anos ou mais.
  4. Estimativa populacional da Região Metropolitana de Belém (RMB), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 1950 - 242 000; 1955 - 303 000; 1960 - 378 000; 1965 - 477 000; 1970 - 601 000; 1975 - 726 000; 1980 - 827 000; 1985 - 966 000; 1990 - 1 129 000; 1995 - 1 393 000; 2000 - 1 748 000; 2010 - 2 335 000.

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