Amapá

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Estado do Amapá
Bandeira do Amapá
Brasão do Amapá
Bandeira Brasão
Lema: Aqui começa o Brasil
Hino: Hino do Amapá
Gentílico: amapaense

Localização do Amapá no Brasil

Localização
 - Região Norte
 - Estados limítrofes França (Guiana Francesa), Suriname e Pará
 - Mesorregiões 2
 - Microrregiões 4
 - Municípios 16
Capital Brasão de Macapá.svg Macapá
Governo
 - Governador(a) Waldez Góes (PDT)
 - Vice-governador(a) Papaléo Paes (PP)
 - Deputados federais 8
 - Deputados estaduais 24
 - Senadores João Capiberibe (PSB)
Davi Alcolumbre (DEM)
Randolfe Rodrigues (REDE)
Área  
 - Total 142 828,521 km² (18º) [1]
População 2015
 - Estimativa 782 295 hab. (26º)[2]
 - Densidade 5,48 hab./km² (24º)
Economia 2011[3][4]
 - PIB R$ 8.968 bilhões (25º)
 - PIB per capita R$ 13.105,24 (15º)
Indicadores 2010/2015[5][6]
 - Esper. de vida (2015) 73,7 anos (13º)
 - Mort. infantil (2015) 23,5‰ nasc. ()
 - Alfabetização (2010) 92,1% (12º)
 - IDH (2014) 0,747 (12º) – alto [7]
Fuso horário UTC−03:00
Clima equatorial Af
Cód. ISO 3166-2 BR-AP
Site governamental http://www.amapa.gov.br/

Mapa do Amapá

O Amapá é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado a nordeste da Região Norte, no escudo das Guianas. O seu território é de 142 828,521 km², sendo delimitado pelo estado do Pará, a oeste e sul; pela Guiana Francesa, a norte; pelo Oceano Atlântico a nordeste; pela foz do Rio Amazonas, a leste; e pelo Suriname, a noroeste[8].

Macapá, que era a capital do extinto Território Federal do Amapá desde 1944[9], é a atual capital e maior cidade do estado, sendo sede da Região Metropolitana de Macapá, a única do Amapá. Outras importantes cidades são Santana, Laranjal do Jari, Oiapoque e Mazagão. O estado é representado na bandeira do Brasil pela estrela β de Cão Maior.

Nos indicadores sociais, o Amapá possui a 14ª menor incidência de pobreza, a 12ª menor taxa de analfabetismo e o 15º maior PIB per capita do país. No entanto, o estado apresentou em 2010, a 3ª maior taxa de mortalidade infantil entre os estados brasileiros. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 782 mil habitantes em 2016.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do nome do estado é controversa. Na língua tupi, o nome "amapá" significaria "o lugar da chuva" (ama, "chuva" e paba, "lugar", "estância", "morada"). Segundo a tradição, porém, o nome teria vindo do nheengatu, significando "terra que acaba" ou "ilha".

Segundo outros, a palavra "amapá" é de origem nuaruaque ou aruaque[10] e se referiria ao amapazeiro (Hancornia amapa), uma árvore típica da região pertencente à família das Apocináceas. O amapazeiro produz um fruto roxo, saboroso, em formato de maçã; de onde é extraído o "leite de amapá" usado na medicina popular como fortificante, estimulante do apetite e também no tratamento de doenças respiratórias e gastrite. A espécie encontra-se ameaçada, dada a sua exploração predatória para extração da seiva.[11]

Ainda segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, "Amapá" deriva de amapá, termo da língua geral setentrional que designa uma espécie de árvore apocinácea.[12]

O Dicionário Aurélio chama de "amapá" a espécie Parahancornia amapa, da família das apocináceas.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História do Amapá

Primeiros habitantes[editar | editar código-fonte]

Os primeiros habitantes do atual Amapá eram indígenas das etnias waiãpi, palikur, maracá-cunani e tucuju, incluídos nos troncos linguísticos aruaque e caribe.[14] Vestígios da ocupação humana pré-colombiana podem ser verificados nos sítios arqueológicos de cerâmicas maracá-cunani e no Parque Arqueológico do Solstício, a "Stonehenge do Amapá", em Calçoene, que data de pelo menos 2000 anos.

O primeiro europeu a avistar a costa do Amapá foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Com quatro caravelas, passou pela foz do Amazonas, chegando à boca de outro grande curso d'água, daí por diante conhecido como "Rio Vicente Pinzón". No final do século XIX, esse rio foi identificado com o nome de Oiapoque, tendo o Brasil ganhado o litígio dos limites com a Guiana Francesa.

Ocupação e Guiana Portuguesa[editar | editar código-fonte]

O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos: Ferber (1495), Cantino (1502), Oviedo (1545), os peritos de Badajoz (1524), Ribeiro (1519), Pedro Nunes (1537), João Teixeira Albernaz, o velho (1631, 1642) e Costa Miranda (1688).

Todo o litoral atlântico ao norte da desembocadura do rio Amazonas fora posto sob domínio castelhano pelo Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494. No entanto, ambos os países somente viriam a explorar a região do Amapá, entre 1580 a 1640, época em que os reis da Espanha governaram Portugal. Também franceses, ingleses e neerlandeses tiveram interesse pelo território, chamado na época de Costa do Cabo do Norte. Dele foram extraídos madeira, resinas, frutos corantes, como o urucum, e óleos vegetais, bem como os produtos de pesca, como o peixe-boi, guarabá ou manati, que eram temperados com sal e vendidos para a Europa.

No século XVI a região denominada Guiana se estendia da foz do rio Amazonas à do rio Orinoco e era dominada sobretudo por tribos caribes e aruaques. O termo guiana significa "terra de muitas águas" em língua aruaque.[15][16] Assim, os territórios das Guianas foram colonizados no século XVI por Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Espanha. O atual estado brasileiro do Amapá foi chamado de Guiana Portuguesa até meados do século XX. Da mesma forma, a região administrativa da Guayana, na Venezuela atualmente é conhecida como Guiana Espanhola.

Os portugueses, que a esse tempo iniciavam a penetração na Amazônia, inquietavam-se com a competição estrangeira. Em 1637, Bento Maciel Parente obteve de Filipe II a concessão de todo o Cabo do Norte como capitania hereditária, a exemplo das que Dom João III criara cem anos antes. Seu título foi reconhecido, depois da restauração, por Dom João IV, mas nem por isso cessaram as incursões estrangeiras, sobretudo de franceses, que baseavam suas pretensões em cartas-patentes de 1605 com que o rei Henrique IV fizera Daniel de la Touche, sire de La Ravardière, seu lugar-tenente nas regiões da América "desde o rio das Amazonas até a ilha da Trindade. Em 1694, o marquês de Ferrolles, governador de Caiena, pretendeu que a fronteira passasse por uma imaginária "ilha Oiapoque", na própria foz do Amazonas. Em 1697, houve uma invasão armada. Tais lutas e desinteligências levaram a negociações (1698) e a um tratado provisório (1700), que neutralizava a área contestada até a conclusão de um acordo final. Confirmado pela aliança de 1701 entre Portugal e França (1713-1715), em que Portugal tomou o partido de Inglaterra, Áustria e Países Baixos contra Luís XIV.

O primeiro Tratado de Utrecht (1713) dispôs que o limite entre as possessões francesas e portuguesas no norte do Brasil seria o rio Oiapoque ou de Vicente Pinzón; consagrou a desistência francesa "a qualquer uso" do rio Amazonas; e garantiu a Portugal a posse exclusiva das duas margens. A partir dessa data o esforço diplomático francês foi dirigido no sentido de provar que o rio Oiapoque não era o rio de Pinzón e a sugerir rios alternativos, mais para o sul: o Caciporé, o Calçoene, o Cunani, o Carapapóris ou Araguari.

Alguns desses falsos limites foram consagrados por instrumentos internacionais. Um tratado de 1797 pôs a fronteira da Guiana no Calçoene, mas não foi ratificado por Portugal. O Tratado de Badajoz (1801) adotou o rio Araguari. O Tratado de Madrid (1801), o rio Carapanatuba. Foram anulados pelo manifesto do príncipe regente (1808) e pelo artigo adicional n.º 3 ao Tratado de Paris (1814). O Tratado de Amiens (1802), celebrado por França, Espanha, Reino Unido e Países Baixos, reconheceu, igualmente, a fronteira no Araguari. Não teve, contudo, a adesão de Portugal.

Desbravamento[editar | editar código-fonte]

"O Marquês de Pombal expulsando os jesuítas" (Louis-Michel van Loo e Claude-Joseph Vernet, 1766).

Entrementes, os portugueses prosseguiam com a obra de desbravamento das terras e catequese dos índios. Fundaram-se missões franciscanas e jesuíticas. O marquês de Pombal, que muito se ocupou da Amazônia e teria pensado em transferir a capital do reino de Lisboa para Belém,[carece de fontes?] ordenou a construção (1764) da maior fortaleza da colônia em Macapá, um dos principais núcleos da colonização juntamente com Nova Mazagão. Para Macapá foram levados colonos açorianos; para Nova Mazagão, 340 famílias de Mazagão, na costa do Marrocos. O esforço civilizador era então oficial. A capitania se extinguira, por morte do donatário, e revertera à coroa. Foi criado um comando militar para o território, com sede em Macapá, que já contava quase três mil habitantes (ganharia foros de cidade em 1856; Mazagão, em 1889).

A ocupação de Portugal por Junot (1808) levou à trasladação da corte e a represálias contra os franceses no norte do Brasil. A Guiana foi ocupada por um corpo de vanguarda de voluntários paraenses, apoiados por uma pequena força naval, e governada durante oito anos pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa, futuro marquês de Queluz. O Tratado de Paris (1814) ordenou a restituição da Guiana à França com as fronteiras de 1792, isto é, no rio Carapapóris. Portugal não ratificou essa decisão. O ato final do Congresso de Viena (1815) reconheceu a antiga fronteira de Utrecht. Por uma convenção celebrada em Paris (1817), Portugal comprometeu-se a efetuar a devolução em três meses, o que foi feito. Concordou também em que se formasse uma comissão mista para demarcar a fronteira. Tal comissão, porém, jamais se reuniu.

Durante a revolta denominada Cabanagem, que durou cinco anos (1835-1840), na então província do Grão-Pará, o território se opôs aos rebeldes, sofrendo depredações e seus rebanhos dizimados. Constituíam, já, riqueza apreciável e essa prosperidade e a ocorrência de ouro no Calçoene reavivaram a velha ambição francesa.

Litígio com a França[editar | editar código-fonte]

Em 1836, os franceses estabeleceram um efêmero posto militar na margem do lago Amapá, abandonado graças à intervenção britânica. Em 1841, Brasil e França concordaram em neutralizar o Amapá até a solução da pendência. No entanto, todas as conversações posteriores (1842, 1844, 1855, 1857) fracassaram. Só vingou uma declaração de 1862 sobre a competência comum para julgar os criminosos do território.

Primeira bandeira da República de Cunani (1886-1887).
Estados da República em 1889.

Em 1853, o senador Cândido Mendes de Almeida propôs a criação da província de Oiapóquia. As populações locais também pleitearam a medida em sucessivos memoriais (1859, 1870), sempre sem resultado. Em 1886 uma república francesa independente foi criada na região do Cunani, entre o Caciporé e o rio Calçoene. Para seu presidente, elegeu-se o aventureiro Jules Gros, que instalou o governo em seu apartamento em Paris, nomeou o ministério e criou uma ordem honorífica, a Estrela do Cunani, que lhe deu grandes lucros. O próprio governo francês encarregou-se, em 1887, de liquidar essa república, que ressurgiria por breve período em 1901 com o nome de Estado Livre de Cunani, sob a chefia de outro aventureiro, Adolphe Brezet, que também se intitulava duque de Brezet e de Beaufort e visconde de São João.

Com a proclamação da República a situação na região fronteiriça ficou caótica. Seus habitantes elegeram, então, um triunvirato governativo (1894): Francisco Xavier da Veiga Cabral, chamado o "Cabralzinho", cônego Domingos Maltês e Desidério Antônio Coelho. Os franceses nomearam capitão-governador do Amapá o preto velho Trajano, cuja prisão provocou a intervenção militar da Guiana. A canhoneira Bengali, sob o comando do capitão Lunier, desembarcou um contingente de 300 homens e houve luta. Lunier foi morto com 33 dos seus. Em 1897, França e Brasil assinaram um tratado de arbitragem.

O barão do Rio Branco, vitorioso dois anos antes na questão de limites com a Argentina, foi encarregado (1898) de defender a posição brasileira perante o conselho federal suíço, escolhido como tribunal arbitral. Em 5 de abril de 1899, Rio Branco entregou sua Memória apresentada pelos Estados Unidos do Brasil à Confederação Suíça, e em 6 de dezembro do mesmo ano uma segunda memória, em resposta aos argumentos franceses. Como anexo, apresentou o trabalho de Joaquim Caetano da Silva O Oiapoque e o Amazonas, de 1861, em que se louvara e que constituía valioso subsídio ao estudo da matéria. Reunidos, os documentos formavam cinco volumes e incluíam um atlas com 86 mapas. A sentença, de 1º de dezembro de 1900, redigida pelo conselheiro federal coronel Edouard Müller, deu a vitória ao Brasil, que incorporou a seu território 260.000km².

Território Federal do Amapá[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento do Amapá na primeira metade do século XX foi lento. Em 1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13 de setembro, o governo federal criou o Território Federal do Amapá. Em 1945, quando se procedeu à nova divisão territorial, a parte do Amapá ao norte do rio Caciporé passou a constituir o município do Oiapoque, e, em dezembro de 1957, foi mais uma vez desmembrada, para a criação do município de Calçoene, com a cessão de terras ao norte do rio Amapá Grande.

Houve vários projetos instalados no Amapá com o objetivo de desenvolver economicamente o mesmo, um deles foi o Projeto Jarí (entre 1967 a 1982) na margem esquerda do rio Amazonas em terras de Monte Dourado e Laranjal do Jarí. O empresário Daniel K. Ludwig visava a produção de arroz e criação de gado, além da produção de celulose na região. Com o fim do projeto, milhares de hectares foram destruídos pelas queimadas e plantio da Seringueira. Outro projeto de extrema importância foi a ICOMI (Indústria e Comércio de Minérios), que sustentou a economia amapaense entre 1953 e 1997. Este empreendimento gerou muitos benefícios para a vila de Serra do Navio.

Estado da Federação[editar | editar código-fonte]

O Monumento Marco Zero, em Macapá, lembra a linha imaginária do Equador, que divide a Terra em dois hemisférios.

A transformação do território federal em estado foi decidida pela Assembleia Nacional Constituinte em 1988, e em 1º de janeiro de 1991 foi instalado o estado do Amapá, com a posse dos 24 membros da primeira Assembleia Legislativa. Em 1997, na esteira da crise da emissão de precatórios em vários estados, foi liquidado o Banco do Estado do Amapá.

Outros municípios foram surgindo com o passar do tempo, a maioria resultante de desmembramentos de outras cidades, a exemplo, Vitória do Jari. O município foi criado em 8 de setembro de 1994 após ser emancipada de Laranjal do Jari. Já em outros casos, vilas de trabalhadores se transformaram em cidades, a exemplo de Serra do Navio, que obteve seu reconhecimento em 1º de maio de 1992, através da lei n.º 007/92. Na capital do estado, os investimentos do governo federal na construção civil atraíram milhares de pessoas ao estado, aumentando a população em até 3,4% ao ano. Tais investimentos deram ao estado uma das maiores médias nacionais de urbanização do país.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia do Amapá

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Como o clima do Estado é quente e úmido a cobertura vegetal é bastante diversificada e apresenta Florestas, e essas são classificadas em Floresta de Várzea, Floresta de Terra Firme, além de campos e cerrados. Nas áreas próximas ao litoral a vegetação encontrada é o mangue ou manguezal. Aproximadamente 73% da área estadual é coberta pela Floresta Amazônica.

Imagem de satélite parcial do Amapá.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Localizado no Platô das Guianas, o estado do Amapá apresenta basicamente três modalidades de relevo:

O relevo do Estado é predominantemente plano com baixas altitudes. Se faz presente nas proximidades da foz do Rio Amazonas, no litoral e na bacia do Oiapoque. Na porção centro-oeste e noroeste apresentam maiores elevações, podendo atingir 500 metros acima do nível do mar, destacando-se a Serra do Tumucumaque e a Serra Lombarda[17]

Aproximadamente 15% do estado são cobertos por solos B latossólicos. Outros 20% são B textual não-hidromórficos (comumente ácidos e de baixa fertilidade natural, um dos motivos pelo excesso de alumínio). Embora a estrutura física desses dois tipos de solo seja favorável à agricultura, a pobreza de nutrientes exige rotações de ciclos curto, ou adições constantes de adubos. Solos hidromórficos pouco desenvolvidos cobrem 8% do território do Amapá (esses solos são afetados por erosões frequentes). Cerca de 3% dos solos do estado são concrecionários, adversas à agricultura.

A biodiversidade da fauna do estado.
A Floresta Amazônica, a mais rica e biodiversa floresta tropical do mundo.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Cerca de 39% da bacia hidrográfica do Estado faz parte da bacia do Amazonas. A rede hidrográfica do Amapá é formada por rios que desempenham um grande papel econômico na região desde a atividade pesqueira até o transporte hidroviário. A maioria dos rios do Amapá deságuam no oceano Atlântico. Dessa forma, os principais rios são:

Clima[editar | editar código-fonte]

O estado do Amapá, em sua totalidade, é influenciado pelo clima equatorial superúmido, isso significa que ocorre uma grande quantidade de calor e umidade que favorece a propagação da biodiversidade. As temperaturas médias que ocorrem no Estado variam de 36°C a 20°C, a primeira ocorre principalmente no fim da tarde e o segundo acontece no alvorecer. O clima local apresenta duas estações bem definidas, denominadas de verão e inverno. Os índices pluviométricos ocorrem anualmente em média superior a 2.500 mm.[18]

O estado possui duas regiões climáticas principais. Uma delas é úmida (dois meses secos) e predominante sobre a maior parte do interior do estado - oeste, sul norte e toda a parte central. A outra é úmida (com três meses secos) e é registrada na maior parte do litoral - leste. A precipitação anual média cai significativamente do litoral para o interior. A costa Atlântica, incluindo Macapá, registra uma média de 3 250 mm de chuva anuais, diferente de Serra do Navio, que recebe uma diferença de 1 000 mm anuais. Os ventos no Amapá são, em sua maioria, moderados; a temperatura mínima já registrada foi 16°C e a máxima absoluta já atingida foi de 38°C. A umidade anual gira em torno de 85%.

Unidades de conservação[editar | editar código-fonte]

Dos 14,3 milhões de hectares de superfície, 72% (10,5 milhões de hectares) são destinados a unidades de conservação, terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo, tornando-o o único estado da federação a destinar um percentual tão significativo de suas terras à preservação. O Amapá abriga o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, o maior do país e um dos maiores do mundo, com cerca de 3,9 milhões de hectares. Localizado ao noroeste do território estadual, é de extrema relevância por apresentar um elevado número de espécies endêmicas e abrigar em seu entorno diferentes grupos tradicionais, como indígenas, ribeirinhos e castanheiros.

O estado possui dezenove áreas protegidas por lei que visam a conservação da mata nativa, duas municipais, cinco estaduais e doze federais. As primeiras unidades de conservação criadas foram o Parque Nacional do Cabo Orange e a Reserva Biológica do Lago Piratuba, em 1980. Após estas, vieram a Estação Ecológica Maracá-Jipióca, em 1981; e a Estação Ecológica do Jari, em 1982.[19][20]

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO AMAPÁ[21]
NOME CATEGORIA ÁREA (ha)
Parque Nacional do Cabo Orange (Federal) Proteção Integral 619.000
Reserva Biológica do Lago Piratuba (Federal) Proteção Integral 357.000
Estação Ecológica Maracá-Jipióca (Federal) Proteção Integral 72.000
Estação Ecológica do Jari (Federal) Proteção Integral 227.126
Floresta Nacional do Amapá (Federal) Uso Sustentável 412.000
Reserva Extrativista do Rio Cajari (Federal) Uso Sustentável 501.771
Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque (Federal) Proteção Integral 3.828.923
Reserva Particular do Patrimônio Natural Retiro Paraíso (Federal) Uso Sustentável 46
Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECON (Federal) Uso Sustentável 17
Reserva Particular do Patrimônio Natural Seringal Triunfo (Federal) Uso Sustentável 9.996
Reserva Particular do Patrimônio Natural Retiro Boa Esperança (Federal) Uso Sustentável 43
Reserva Particular do Patrimônio Natural Aldeia Ekinox (Federal) Uso Sustentável 10
Área de Proteção Ambiental da Fazendinha (Estadual) Uso Sustentável 136
Reserva Biológica do Parazinho (Estadual) Proteção Integral 111
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (Estadual) Uso Sustentável 806.184
Área de Proteção Ambiental do Quilombo do Curiaú (Estadual) Uso Sustentável 23.000
Floresta Estadual do Amapá (Estadual) Uso Sustentável 2.369.400
Parque Natural Municipal de Cancão (Municipal) Proteção Integral 370
Reserva Extrativista Municipal Beija-Flor-Brilho-de-Fogo (Municipal) Uso Sustentável 68.524

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados gerais[editar | editar código-fonte]

De acordo com estimativas de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do estado é 782.295 habitantes[22], sendo o vigésimo sexto estado mais populoso do Brasil, o penúltimo da Região Norte. Macapá concentra sozinha quase 60% da população estadual.[23] Em 2007, a taxa de urbanização do estado era de 89,7%. A densidade demográfica do estado no ano de 2010, era 4,68 habitantes por km².

O estado do Amapá tem apresentado um grande crescimento populacional. Em meados de 1950 sua população somava 37.477 habitantes. Passados trinta anos (1980), essa população chegava a 175.257. Na década de 1990, as pessoas que residiam no estado somavam 289.397. Em pesquisas realizadas no ano de 2010, constatou-se que 74,5% dos habitantes do estado são naturais do mesmo, nascidos em qualquer um de seus dezesseis municípios, outros 25,5% não nasceram no estado porém residem no mesmo e outros 8,8% nasceram no estado mas não moram na sua cidade natal.

Há no estado alguns imigrantes vindo da Guiana Francesa (a maioria no município de Oiapoque) e vários outros oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais destacam-se os mineiros, goianos, paraenses, paranaenses, cearenses e maranhenses. O fluxo migratório tem aumentado nos últimos anos em razão do desenvolvimento dos setores econômicos do estado. O índice de imigração do estado foi de 0.2870 no ano de 2009, de acordo com dados do IBGE.


Evolução demográfica do Amapá


Etnias[editar | editar código-fonte]

Segundo dados referentes a cor/raça obtidos pelo IBGE no Censo de 2010, 65% da população do Amapá é composta por pessoas de cor parda, 24% branca, 8,7% preta e 2% indígena. Os 0,3% restantes são amarelos e não-declarados.[25]

Religião[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados do censo de 2010, a população do estado é predominante católica (63%). Evangélicos perfazem 28% da população, espíritas 0,4%. Os sem religião são 5% da população.

Entre as igrejas evangélicas, a que conta com o maior número de membros é a Assembleia de Deus (10.821), seguida pela Igreja Universal (10.101), Igreja Adventista do Sétimo Dia (9.461), Igreja do Evangelho Quadrangular (6.468) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (3.146). Está em crescimento o número de adeptos da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecidos como mórmons.

Seguidores de religiões afro-brasileiras somam 2,3% da população do Amapá. Existem inúmeros terreiros de umbanda, candomblé ketu, candomblé angola e tambor de mina, principalmente em Macapá.

Povos Indígenas[editar | editar código-fonte]

Existem hoje no Amapá quarenta e nove aldeias distribuídas em cinco terras indígenas demarcadas:[26][27]

Terra Indígena Estados Municípios Área/ha Povos
Uaçá Amapá Oiapoque 470.164 Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur
Juminá Amapá Oiapoque 41.601 Galibi-Marworno e Karipuna
Galibi Amapá Oiapoque 6.889 Galibi do Oiapoque e Karipuna
Waiãpi Amapá Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari 607.017 Waiãpi
Parque Indígena do Tumucumaque Pará e Amapá Laranjal do Jari (Amapá), Oriximiná, Óbidos, Almeirim, Alenquer e Monte Alegre (Pará) 3.071.067 Aparai, Katxuyana, Tiriyó Waiãpi e Wayana

Comunidades Quilombolas[editar | editar código-fonte]

Os primeiro africanos começaram a chegar no estado no século XVIII, servos das famílias de portugueses que vinham garantir a posse da região conhecida como Capitania do Cabo Norte à Coroa Portuguesa. A entrada de escravos despontou em 1765 com a construção da Fortaleza de São José: em abril daquele ano, o governo do Grão-Pará mantinha 177 negros escravos trabalhando no forte. Em 1770, cada uma das 163 famílias de colonos portugueses vindas do Mazagão Africana, no atual Marrocos, se instalou com escravos africanos às margens do rio Mutuacá, atual vila de Mazagão Velho.

Entrada do Quilombo do Curiaú. Na placa, os dizeres sobre a área de proteção ambiental.

Hoje, afro-descendentes compõem 8% da população amapaense, parte dos quais habitantes de remanescentes de quilombo, sendo o Curiaú a comunidade mais conhecida e a primeira no estado a ser reconhecida, em 1999. Atualmente, são certificadas pela Fundação Cultural Palmares como comunidades remanescentes de quilombo o Curiaú, Carmo do Maruanum, Campina Grande, São Pedro dos Bois, Lagoa dos Índios, Mel da Pedreira (Macapá), Igarapé do Lago, Alto Pirativa, Engenho do Matapi, São Francisco do Matapi (Santana), Igarapé do Palha (Ferreira Gomes), Lagoa do Maracá (Mazagão), São Miguel do Macacoari (Itaubal), dentre outras comunidades.[28]

Política[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o governador do Amapá é Waldez Góes, que assumiu em 1º de janeiro de 2015, assumindo o cargo precedido por Camilo Capiberibe que foi derrotado do 2º turno das eleições de 2014 que venceu com 60,58% dos votos.

Senadores

Representam o Amapá no Senado:[29]

Deputados Federais

Representam o Amapá na Câmara dos Deputados:[30]

Deputados estaduais
Ver artigo principal: Assembleia Legislativa do Amapá

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Geral[editar | editar código-fonte]

O Amapá é composto por 16 municípios dentre eles destacamos a capital Macapá, juntamente com Santana, Mazagão, Pracuúba, Cutias, Tartarugalzinho, Porto Grande, Serra do Navio, Calçoene, Amapá, Pedra Branca do Amapari, Vitória do Jari, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes, Oiapoque e Itaubal do Piririm.

Norte do Amapá[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mesorregião do Norte do Amapá

A mesorregião do Norte do Amapá é uma das duas mesorregiões do estado. É formada por duas microrregiões. No século XVIII, a França reivindicou a posse da área. Abrange uma área de 57.731,752 km² e uma população de 55.300 habitantes.

Sul do Amapá[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mesorregião do Sul do Amapá

A mesorregião do Sul do Amapá é uma mesorregião do estado do Amapá. É formada por duas microrregiões. Abrange uma área de 85.082,833 km² e uma população de 629.001 habitantes.

Municípios do Amapá
Mesorregião Norte do Amapá
Mesorregião Sul do Amapá

Economia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia do Amapá
Exportações do estado em 2012[31]

A Balança Comercial que representa a contabilidade de entrada e saída de bens tangíveis, no período de 2003 a 2009 apresentou um desempenho com um superávit de 74,4%. As exportações apresentaram um resultado de US$ 774 milhões e as importações US$ 198 milhões. Os produtos de origem mineral foram os que mais contribuíram com o crescimento das exportações e para as importações estiveram a entradas de bens de capital, tendo em vista a compra de bens de investimentos pelas empresas.

A arrecadação do ICMS, principal componente da arrecadação própria estadual cujo comportamento se relaciona com o desempenho das atividades econômicas, obteve em 2009 um crescimento nominal de R$ 62,2 milhões, correspondendo um incremento de 17,7%, perfazendo uma média anual de 16,9%, nos últimos sete anos.

O Amapá exportou, em 2012, cerca de U$ 447.000.000,00 (quatrocentos e quarenta e sete milhões de dólares), divididos principalmente entre minério de ferro (90,60%), lenha (4,43%), outras frutas processadas (2,87%) e sucos de frutas (1,09%).[31]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

O setor primário é o menos relevante para a economia do estado do Amapá, representando apenas 3,2% da economia amapaense. Dentre os principais produtos produzidos no estado estão: a castanha-do-pará, mandioca e o arroz. Deste último, são produzidas 2.140 toneladas anualmente em uma área correspondente a 2.638 Hectares de terra. De feijão, são produzidas 1.102 toneladas em uma área de 1.450 Hectares. Já a produção de milho, corresponde a 1.792 toneladas anualmente plantadas em uma área de 2.132 Hectares.[32]

Na criação de bovinos, o estado conta com (aproximadamente) 114.773 cabeças de gado (95% destes são para consumo e 5% para a produção de leite e derivados), a maior parte dos bovinos do estado se concentra na capital e na cidade de Amapá (as duas cidades representam juntas 45% de todo o gado do Amapá). A criação de suínos soma 30.055 cabeças, a de bubalinos soma 214.271 cabeças, a de galos, frangas e frangos soma 47.348 cabeças, a de equinos passa dos 5.294 cabeças. A cidade de Amapá tem a maior fonte de pescado artesanal do estado, destaque para: gurijuba, pirarucu, uritinga, pirapema, tucunaré, apaiari e branquinha.

Setor Secundário[editar | editar código-fonte]

Porto de Santana, o mais importante ponto de movimentação de mercadorias via fluvial do estado.

Não há uma verdadeira economia industrial no estado, este setor representa apenas 10% de toda a economia do Amapá. Na cidade de Santana, há um distrito industrial com um número regular de empresas. Na capital e em alguns outros municípios, há serrarias, fábricas de tijolos e a extração mineral e vegetal. Nesta última, destaca-se o município de Amapá como a exploração de cassiterita e a tantalita, o município de Serra do Navio com o manganês e o município de Calçoene com a extração de ouro das minas subterrâneas. A extração de madeira também é forte no estado, porém muitas vezes mascara a extração ilegal.[33][34]

Setor Terciário[editar | editar código-fonte]

Este é considerado o setor de maior importância para o estado, por representar sozinho 86,8% de toda a riqueza do mesmo. O comércio é uma das maiores fontes de renda para o Amapá, representando quase metade deste setor, mas o serviço público, é a que mais cresce durante as últimas décadas e a que mais tem contribuído para o crescimento e desenvolvimento econômico do Amapá. As empresas privadas são responsáveis por, aproximadamente, 70% dos postos de trabalho, no ano de 2006 surgiram mais de mil empresas e o emprego no segmento industrial cresceu 33%, número superior à média nacional que é de 23%.[35] O turismo também é de grande importância para a economia local, dentre os principais destinos turísticos do estado, podemos destacar: a capital, a cidade de Serra do Navio, Oiapoque, Amapá, Ferreira Gomes e Porto Grande.[36][37]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[39]
Média
31,44 (22º)
36,90
50,00 (15º)
52,08
2007[40]
Média
44,48 (22º)
51,52
55,15 (13º)
55,99
2008[41]
Média
35,23 (23º)
41,69
58,14 (16º)
59,35

A taxa de analfabetismo dos residentes do estado do Amapá com idade de 10 a 14 anos é de 4,9%, já de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos era de 8,4% (segundo o Censo demográfico de 2010). Neste mesmo ano, 74,2% das crianças entre 4 e 6 anos estavam na escola (uma média abaixo da nacional que era de 85%), entre as crianças de 7 a 14 anos, essa porcentagem era de 95,9% (acima da média regional) e as pessoas entre 15 e 17 anos que estavam na escola somavam 83,3% (igual a média brasileira).

Em relação à conclusão do ensino fundamental: 57,3% dos jovens de idade igual ou inferior a 16 anos tinham terminado o 1º grau; uma queda no índice que em 2008 marcava 58,7%. A conclusão do ensino médio dos jovens com idade acimade 19 anos era de 55,6% no ano de 2008 e obteve uma queda drástica para 38,4%. No ano de 2009, foram registradas: 1.958 matrículas em creches, 20.488 na pré-escola, 142.552 no ensino fundamental e 35.648 no ensino médio. Já o tempo médio de permanência no sistema é de 8,4 anos no ensino fundamental e de 3,4 anos no EM, resultando numa média de 10,2, média acima da nacional que é de 9,7 anos.[42]

O IDEB amapaense é 3,1 no ensino médio, de 4,1 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 3,7 nos anos finais do ensino fundamental; em nenhum desses índices a média ficou acima da nacional. A taxa de aprovação no estado durante o EM é de 73,6% e a de reprovação é de 11,1%.[43]

O estado conta com duas instituições de ensino superior públicas, a Universidade Federal do Amapá e a Universidade Estadual do Amapá, ambas com sede em Macapá. Há também o Instituto Federal do Amapá, que foi fundado em 29 de dezembro de 2008. A UNIFAP tem campus nos municípios de Laranjal do Jari, Oiapoque, Santana e Tartarugalzinho, além da capital. Existem várias faculdades particulares, a maioria na capital, são as principais: Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), Faculdade SEAMA, Universidade Paulista (UNIP), IMMES, Universidade Estácio de Sá e outras.

Saúde[editar | editar código-fonte]

A situação em que a saúde no estado encontra-se é de insuficiência para atender toda a população. Alguns dos indicadores da saúde encontram-se abaixo ou na média nacional, é o caso da média da mortalidade infantil, que foi de 22,5 por 1.000 nascidos (igual a média brasileira). Tal índice pode ser comparado ao de países como Tunísia e Belize. Os dados de 2009, mostram que o estado conta com 288 estabelecimentos públicos de saúde, foram contabilizados 852 leitos nos hospitais públicos. A maternidade da capital é a Maternidade Mãe Luzia, criada em 13 de setembro de 1953 e que atende aos pacientes de todo o estado e de municípios do Pará, tais como: Afuá, Almerim, Anajás, Chaves, Breves e Gurupá. Na maternidade, estão disponíveis 180 leitos.[44] Em relação a expectativa de vida do povo amapaense, ela é de 67,2 anos entre os homens e de 75,0 anos entre as mulheres.

Segurança Pública[editar | editar código-fonte]

No levantamento realizado pelo Ministério da Justiça no ano de 2008, foi mostrado que a região norte do Brasil representa 8,9% de todos os homicídios dolosos do país. O Amapá é o sexto estado mais violento do país, tendo 38,7 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, isso representa um assassinato a cada 27 horas. Mas, segundo especialistas, a criminalidade está sob controle no estado.[carece de fontes?]

A Polícia Militar do Estado do Amapá (PMAP) tem por função primordial o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Seus integrantes são denominados militares estaduais, assim como os membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá (CBMAP), e ambos estão subordinados ao governador do estado, sendo considerados força auxiliares e reserva do Exército Brasileiro. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá é uma Corporação cuja principal missão consiste na execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate a Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos em todo o estado. À Polícia Civil do Estado do Amapá cabe as funções de investigação criminal e de polícia judiciária, por meio da repressão ao crime, após a ocorrência de ilícitos, bem como o auxílio ao Poder Judiciário no cumprimento de mandados de prisão.

Habitação e condições de vida[editar | editar código-fonte]

O Amapá possui aproximadamente 16,2% da sua população habitando em invasões, baixadas, ressacas, favelas ou qualquer outro tipo de aglomerado subumano.[45] Outros estudos realizados mostram que mais de dez mil moradias no estado não possuem serviços básicos, como: energia elétrica, rede de abastecimento de água, lixo coletado e rede coletora de esgoto.[46] Numa visão geral, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (2005) mostraram que existiam 126,32 mil moradias nas áreas urbanas do estado e apenas 9,04 mil nas zonas rurais, contabilizando 135,32 mil domicílios em todo o estado; déficit habitacional do Amapá é de 30 mil moradias.[47]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

O estado possui duas rodovias federais: a BR-156 e a BR-210. A BR-156 possui 822,9 km de extensão, passando por Santa Clara, Camaipi, Porto Grande, Tartarugalzinho, Beiradão, Igarapé e Água Branca. Esta estrada faz parte do projeto da Transguianense, isto é, uma estrada de 2.346 quilômetros que vai ligar as capitais dos Estados do Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa e dois países vizinhos, Suriname e Guiana.[48] A rodovia termina na Ponte da Amizade entre Brasil e Guiana Francesa, a cinco quilômetros de Oiapoque.

A BR-210 é a segunda rodovia federal no estado, ela também recebe o nome de Perimetral Norte e é menor em relação a BR-156, tendo um pouco mais de 471 quilômetros de extensão. A estrada passa pelas cidades de Macapá, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio, terminando na divisa do estado com o Pará. Foi projetada durante o regime militar para "cortar" a Amazônia (desde o Amazonas até o Amapá). A obra tem inúmeros trechos que passam por dentro de terras indígenas.[49]

Já as rodovias estaduais são quatro: AP-010, AP-020, AP-030 e a AP-070. As duas primeiras (AP-010 e AP-020) ligam a capital do estado a Santana, a segunda cidade mais populosa. A terceira (AP-030) interliga Macapá ao município de Mazagão, passando pela ponte sobre o Rio Vila Nova e a quarta (AP-070) abrange Curiaú, São Francisco da Casa Grande, Abacate da Pedreira, Santo Antônio da Pedreira, Inajá, Corre Água, São Joaquim do Pacuí, Santa Luzia, Gurupora e Cutias do Araguary.[50]

Foi construída uma ponte binacional sobre o Rio Oiapoque, que liga o estado do Amapá à Guiana Francesa. Localizada a 5 km da cidade de Oiapoque (600 km de Macapá), as obras tiveram início em 13 de julho de 2009 e terminaram no final de 2011 - a um custo aproximado de 71 milhões de reais.[51]. Contudo, a ponte ainda não foi liberada para o tráfego e não há previsão de sua inauguração.[52] Também foi construída a ponte sobre o Rio Vila Nova, com 420 metros de comprimento, ligando Macapá (a capital do estado), Santana (município vizinho) a Mazagão, a obra começou no mês de maio de 2009 e terminou no segundo semestre de 2010. O investimento da ponte girou em torno de R$ 30 milhões; um acidente ocorrido em março de 2010, e que deixou cinco mortos, atrasou as obras.[53] Uma segunda ponte, sobre o Rio Matapi, começou a ser construída em dezembro de 2013 ligando por definitivo Macapá a Mazagão. Com um custo de R$ 90 milhões, a edificação foi projetada com 612 metros de comprimento.[54]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Pratos típicos[editar | editar código-fonte]

Os pratos típicos amapaenses compõem a culinária amazônica e possuem similaridade com a culinária de outras regiões do Brasil, em especial, do estado do Pará.

O mais representativo prato típico do estado é o açaí acompanhado de farinha de mandioca e alguma proteína, como peixes, camarão regional, frango ou carne vermelha. A farinha pode ser artesanal (vindas das comunidades ribeirinhas e quilombolas do interior) ou processada, fina ou grossa. Outras combinações populares são o açaí com açúcar, com farinha de tapioca ou mesmo o açaí puro. Um litro de açaí custa de oito a vinte reais, a depender da época do ano e da qualidade. A bacaba, parente do açaí, não é tão popular mas também é consumida.

Outro prato popular é o camarão no bafo. O camarão é cozido no vapor e temperado apenas com sal, limão, tucupi e pimenta e servido com açaí e uma porção de farofa.

Além do açaí e suas diversas combinações, os amapaenses compartilham com os paraenses pratos como a maniçoba, o pato no tucupi (tradicionais durante as festividades do Círio de Nazaré, em outubro), o tacacá e a pupunha com café.

Talvez pela secular migração nordestina para a região amazônica, receitas como o vatapá e o caruru são comuns no estado e considerados pratos típicos.

É especialmente representativa da cultura amapaense a gengibirra, bebida alcoólica feita de cachaça, água e açúcar, consumida durantes as rodas de marabaixo (dança folclórica afro-amapaense), juntamente com o caldo de carne servido durante a festa.

Festa de São Tiago[editar | editar código-fonte]

A Festa de São Tiago é um evento tradicional no município de Mazagão, na área conhecida como Mazagão Velho. Realizada anualmente na segunda quinzena do mês de julho desde 1777, o festejo relembra as batalhas travadas entre mouros e cristãos na então colônia portuguesa de Mazagão Africana, hoje El Jadida, no Marrocos. Segundo a tradição, um soldado anônimo que se acredita ser São Tiago apareceu e conduziu os cristãos à vitória. A tradição chegou na região em com as 163 famílias de colonos portugueses se mudaram para esta área em 1770, fundando a Mazagão Amazônica, a atual vila de Mazagão Velho. A festa de São Tiago inclui missas, novenas, ladainhas, procissões, marabaixo e batuque, mas o ponto alto da festa são as cavalhadas e as encenações teatrais, realizadas pelos próprios moradores, dos eventos ocorridos há trezentos anos na África. Desde 12 de Junho de 2012, o dia 25 de julho é feriado estadual.[55]

Círio de Nazaré[editar | editar código-fonte]

A história do Círio de Nazaré na cidade de Macapá se inicia em no ano de 1934. A então primeira dama da capital, Ester Benoniel Levy, comandou um grupo de senhoras religiosas, que faziam parte da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, na realização do evento. O número de fiéis que compareceu ao evento ultrapassou o número de fiéis que compareceu a festa do padroeiro da cidade, São José. Assim como no estado do Pará, o evento é realizado no segundo domingo do mês de Outubro e segundo os últimos levantamentos da Polícia Militar, mais de 300 mil pessoas participam todo ano da passeata. Atualmente, a saída é da Igreja Nossa Senhora de Fátima com destino à Igreja de São José de Macapá, na rua São José.[56]

Marabaixo[editar | editar código-fonte]

O marabaixo é uma manifestação folclórica realizada durante os festejos em louvor ao santo padroeiro das comunidades afro-descendentes do Amapá, hoje considerado um dos maiores símbolos da cultura e identidade amapaenses. Na zona urbana de Macapá ocorre anualmente o chamado "ciclo do marabaixo", que segundo Figueiredo e Smart (2010), "é composto por missas, novenas, procissões, bailes populares, dança e rituais do marabaixo e dura aproximadamente sessenta dias", que homenageiam a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo.

Ao som de caixas (tambores) confeccionadas em madeira cavada, os participantes dançam ao redor dos tocadores respondendo em coro ao "ladrão" tirado por um cantador ou cantadora, onde, às vezes surgem "desafios", com lances de improvisação. A caixa de marabaixo pode ser tocado em diversos tempos e ritmos, denominados "dobrados da caixa", conforme o canto.

Os homens ornam os chapéus com flores e ramos da murta enquanto as mulheres, de saias rodadas e coloridas e toalhas sobre os ombros. Todos dançam sobre si mesmas e ao redor dos tocadores de caixas, de forma ora carregada de tristeza ou alegria.

Durante o ciclo do marabaixo, nos bairros do Laguinho e Santa Rita, em Macapá, além das missas, ladainhas e novenas, ocorre a parte profana dos festejos, como a quebra da murta, a cortação, levantamento e derrubada do mastro, num calendário que começa na Páscoa e termina no primeiro domingo após Corpus Christi.

Atualmente, o marabaixo também está presente nas vilas do Maruanum, Carmo do Macacoari, Mazagão Velho e em diversas outras comunidades espalhadas pelo Estado, como Coração, Lagoa dos Índios, Curiaú e São Francisco do Matapi.

Museus e monumentos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de museus do Amapá

O Marco Zero é um monumento localizado na cidade de Macapá, capital do Amapá, no Brasil. Construído junto ao Estádio Milton Corrêa para marcar a passagem exata da Linha do Equador em Macapá, o Marco Zero tornou-se um dos mais importantes pontos turísticos da capital do meio mundo. O monumento é constituído de uma edificação de 30 metros de altura dotada de um círculo na parte superior, através do qual é possível visualizar o Equinócio ao menos duas vezes por ano.

Esportes[editar | editar código-fonte]

O Amapá tem, aproximadamente, 21 times de futebol. Assim como em todo país, todos os anos é realizado o Campeonato Amapaense de Futebol, onde o Macapá é o grande campeão (com dezessete títulos), seguido pelo Amapá (com 10) e o Ypiranga.Destaca-se também o Trem Desportivo Clube que foi pentacampeão do antigo Copão da Amazônia e possui 4 títulos estaduais.

O estádio de futebol de Macapá é o Estádio Municipal Glicério Marques e o de Santana é o Municipal de Santana, onde são realizadas as principais partidas esportivas.

O Amapá também, tem times que todos os anos participam da Copa do Brasil de Futebol e neste ano, o Santana Esporte Clube seria seu representante na série D do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2010 porém desistiu passando a vaga ao Cristal Atlético Clube, infelizmente fora eliminado na primeira fase.

Também é possível a prática de Kitesurf no Rio Amazonas, no período de agosto a dezembro, pois o verão proporciona ventos propícios aos velejadores. Existem competições de Kitesurf, dentre elas a Travessia do Rio Amazonas, um enduro race em que os competidores atravessam o Rio Amazonas, num percurso de mais de 25 km.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • SCHWARCZ, Lilia, As Barbas do Imperador, Companhia das letras, 2ª edição, 1999.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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SARNEY, José e COSTA, Pedro. Fotos de Paulo Uchôa. Amapá: a terra onde o Brasil começa. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 1999. Coleção Brasil 500 Anos.


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