Amapá

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Amapá (desambiguação).
Estado do Amapá
Bandeira do Amapá
Brasão do Amapá
Bandeira Brasão
Lema: Aqui começa o Brasil
Hino: Hino do Amapá
Gentílico: amapaense

Localização do Amapá no Brasil

Localização
 - Região Norte
 - Estados limítrofes França (Guiana Francesa) (NO), Suriname (O) e Pará (SO).
 - Regiões geográficas intermediárias 2
 - Regiões geográficas imediatas 4
 - Municípios 16
Capital Brasão de Macapá.svg Macapá
Governo
 - Governador(a) Waldez Góes (PDT)
 - Vice-governador(a) Jaime Nunes (PROS)
 - Deputados federais 8
 - Deputados estaduais 24
 - Senadores Randolfe Rodrigues (REDE)
Davi Alcolumbre (DEM)
Lucas Barreto (PSD)
Área
 - Total 142 828,521 km² (18º) [1]
População 2018
 - Estimativa 859 494 hab. (26º)[2]
 - Densidade 6,02 hab./km² (22º)
Economia 2017[3]
 - PIB R$ 15.480 bilhões (25º)
 - PIB per capita R$ 19.405,11 (2017) (16º)
Indicadores 2010/2015[4][5]
 - Esper. de vida (2016) 73,8 anos (13º)
 - Mort. infantil (2015) 23,5‰ nasc. ()
 - Alfabetização (2010) 92,1% (12º)
 - IDH (2017[6]) 0,740 (14º) – alto [7]
Fuso horário UTC−03:00
Clima equatorial Af
Cód. ISO 3166-2 BR-AP
Site governamental http://www.amapa.gov.br/ http://www.ap.gov.br/, http://www.amapa.gov.br/

Mapa do Amapá

O Amapá (pronúncia em português: /ɐmɐˈpa/) é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado a nordeste da Região Norte, no Platô das Guianas. O seu território é de 142.828,521 km², o que o torna o 18º maior estado do Brasil. É limitado pelo estado do Pará, a oeste e sul; pela Guiana Francesa, a norte; pelo Oceano Atlântico a nordeste; pela foz do Rio Amazonas, a leste; e pelo Suriname, a noroeste.[8]

O Amapá foi desmembrado do estado do Pará em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá (TFA). Permaneceu nesta condição até 1988, quando a atual Constituição Federal o elevou a estado da Federação. Na bandeira do Brasil, o Amapá é representado pela estrela β de Cão Maior. Macapá, que era a capital do extinto Território Federal do Amapá desde 1944,[9] é a atual capital e maior cidade do estado, sendo sede da Região Metropolitana de Macapá, formada por Macapá, Santana e Mazagão. Outras importantes cidades são Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari e Porto Grande.

De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 829 494 habitantes em 2018. Quanto aos indicadores sociais, o Amapá possui a 14ª menor incidência de pobreza, a 07ª menor taxa de analfabetismo e o 15º maior PIB per capita do país. No entanto, o estado apresentou em 2010, a 3ª maior taxa de mortalidade infantil entre os estados brasileiros.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do nome do estado é controversa. Na língua tupi, o nome "amapá" significaria "o lugar da chuva" (ama, "chuva" e paba, "lugar", "estância", "morada"). Segundo a tradição, porém, o nome teria vindo do nheengatu, significando "terra que acaba" ou "ilha".

Segundo outros, a palavra "amapá" é de origem aruaque[10] e se referiria ao amapazeiro (Hancornia amapa), uma árvore típica da região pertencente à família das Apocináceas. O amapazeiro produz um fruto roxo, saboroso, em formato de maçã; de onde é extraído o "leite de amapá" usado na medicina popular como fortificante, estimulante do apetite e também no tratamento de doenças respiratórias e gastrite. A espécie encontra-se ameaçada, dada a sua exploração predatória para extração da seiva.[11]

Ainda segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, "Amapá" deriva de amapá, termo da língua geral setentrional que designa uma espécie de árvore apocinácea.[12]

O Dicionário Aurélio chama de "amapá" a espécie Parahancornia amapa, da família das apocináceas.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História do Amapá

Primeiros habitantes[editar | editar código-fonte]

Os megálitos do Parque Arqueológico do Solstício, em Calçoene, são atribuídos a antigos povos indígenas da região.

Os primeiros habitantes do atual Amapá eram indígenas das etnias waiãpi, palikur, maracá-cunani e tucuju, incluídos nos troncos linguísticos aruaque e caribe.[14]

Vestígios da ocupação humana pré-colombiana podem ser verificados nos sítios arqueológicos de cerâmicas maracá-cunani e no Parque Arqueológico do Solstício, apelidada "Stonehenge do Amapá", em Calçoene, que data de pelo menos 2000 anos.

Primeiras incursões europeias e disputas fronteiriças[editar | editar código-fonte]

O primeiro europeu a avistar a costa do atual Amapá foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Em 1499, com quatro caravelas, foi o primeiro navegador europeu a subir o Rio Amazonas. Maravilhado com a vastidão de seu leito, deu-lhe o nome de "Santa Maria de la Mar Dulce" (Santa Maria do Mar Doce).[15] Posteriormente, chegou à boca de outro grande curso d'água que ficou conhecido como Rio Vicente Pinzón, hoje identificado como o Rio Oiapoque.

Todo o litoral atlântico ao norte da desembocadura do Rio Amazonas fora posto sob domínio castelhano pelo Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494. No entanto, ambos os países somente viriam a explorar a região do Amapá, entre 1580 a 1640, época em que os reis da Espanha governaram Portugal. Também franceses, ingleses e neerlandeses tiveram interesse pelo território, chamado na época de Costa do Cabo do Norte. Dele foram extraídos madeira, resinas, frutos corantes (como o urucum), e óleos vegetais, bem como os produtos de pesca, como o peixe-boi, guarabá ou manati, que eram temperados com sal e vendidos para a Europa. O atual estado brasileiro do Amapá foi chamado de Guiana Portuguesa até meados do século XX.

Os portugueses, que a esse tempo iniciavam a penetração na Amazônia, inquietavam-se com a competição estrangeira. Em 1637, Bento Maciel Parente obteve de Filipe II a concessão de todo o Cabo do Norte como capitania hereditária, a exemplo das que Dom João III criara cem anos antes. Seu título foi reconhecido, depois da restauração, por Dom João IV, mas nem por isso cessaram as incursões estrangeiras, sobretudo de franceses, que baseavam suas pretensões em cartas-patentes de 1605 com que o Rei Henrique IV fizera Daniel de la Touche, sire de La Ravardière, seu lugar-tenente nas regiões da América "desde o Rio das Amazonas até a ilha da Trindade". Em 1694, o Marquês de Ferrolles, governador de Caiena, pretendeu que a fronteira passasse por uma imaginária "Ilha Oiapoque", na própria foz do Amazonas. Em 1697, houve uma invasão armada. Tais lutas e desinteligências levaram a negociações (1698) e a um tratado provisório (1700), que neutralizava a área contestada até a conclusão de um acordo final. Confirmado pela aliança de 1701 entre Portugal e França (1713-1715), em que Portugal tomou o partido de Inglaterra, Áustria e Países Baixos contra Luís XIV.

Em 1713, acordo fundamental resolveu parcialmente a já problemática questão fronteiriça: o Tratado de Utrecht, que dispôs que o limite entre as possessões francesas e portuguesas seria o Rio Oiapoque (também chamado Rio Vicente Pinzón). O tratado previu ainda a desistência francesa "a qualquer uso" do Rio Amazonas e garantiu a Portugal a posse exclusiva das duas margens do Rio Amazonas. A partir dessa data o esforço diplomático francês foi dirigido no sentido de provar que o Rio Oiapoque não era o Rio Vicente Pinzón e a sugerir rios alternativos, mais ao sul: o Rio Caciporé, o Rio Calçoene, o Rio Cunani, o Rio Carapapóris ou o Rio Araguari.

Adiante, o Tratado de Madri (1750), que admitia como espanholas as terras da bacia do Rio da Prata e como portuguesas as terras da bacia do Rio Amazonas, foi anulado em 1761.

Alguns daqueles falsos limites foram consagrados por instrumentos internacionais. Um tratado de 1797 pôs a fronteira da Guiana no Rio Calçoene, mas não foi ratificado por Portugal. O Tratado de Badajoz (1801) adotou o Rio Araguari. O Tratado de Madrid (1801), o Rio Carapanatuba. Foram anulados pelo manifesto do príncipe regente (1808) e pelo artigo adicional n.º 3 ao Tratado de Paris (1814). O Tratado de Amiens (1802), celebrado por França, Espanha, Reino Unido e Países Baixos, reconheceu, igualmente, a fronteira no Rio Araguari. Não teve, contudo, a adesão de Portugal.

Vista frontal atual da Igreja de São José de Macapá. Construída em estilo neoclássico, é o monumento colonial mais antigo do Amapá, inaugurada em 1761.

Colonização (séculos XVIII-XIX): vilas e fortes[editar | editar código-fonte]

A ocupação portuguesa da região onde hoje é o Estado do Amapá, de fato, começou apenas na segunda metade do século XVIII. À época, a Coroa Portuguesa, na figura de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, iniciou uma série de medidas modernizadoras para assegurar a posse e as fronteiras portuguesas na região amazônica, que não estavam bem definidas na ocasião Dentre essas medidas, destacam-se:

Vista atual do interior da Fortaleza de São José de Macapá.

Foi nesse contexto geopolítico que houve a fundação dos primeiros núcleos de colonização europeia na região: Vila de São José de Macapá (1758), Vila Vistosa da Madre de Deus (1765) e Vila de Nova Mazagão (1770).

A Vila de São José de Macapá, fundada em 04 de fevereiro 1758 na margem esquerda do Rio Amazonas, já abrigava uma comunidade de colonos portugueses de origem açoriana, instalada na região em 1752. A vila foi escolhida também para abrigar a Fortaleza de São José de Macapá, a maior fortificação portuguesa na região. A construção da fortaleza já constava nos planos do Governador Mendonça Furtado desde a criação da povoação de Macapá, em 1751. Integrava, assim, os planos de ampliação e defesa da colônia, especialmente dos franceses instalados na Guiana.

A construção do forte foi iniciada em 1764. Inicialmente, foi erguido o Baluarte de São Pedro. Seu traço e sua construção ficaram sob a responsabilidade de um engenheiro integrante da Comissão Demarcadora de Limites, Henrique Antônio Galúcio. Suas obras se estenderam por dezoito anos, marcados por períodos de forte atividade e por momentos de estagnação. A fortificação foi oficialmente inaugurada em 19 de março de 1782, no dia de São José, orago da fortaleza e padroeiro da cidade de Macapá. Naquela ocasião, a questão da demarcação das terras com a Espanha, praticamente, fora superada. O Tratado de Santo Ildefonso (1777), que legitimou a posse do território pretendido pelos portugueses, demonstrou o acerto da política adotada.[18]

Nos dezoito anos de construção (1764-1782), o erguimento da fortaleza consumiu a mão de obra de cerca de 2.300 negros africanos escravizados (entre escravos permanentes, residentes na vila; e temporários, alugados em outras vilas e então trazidos à Macapá) e 2.500 índios submetidos ao trabalho compulsório assalariado previsto no Diretório dos Índios (oriundos de várias antigas missões de catequese espalhadas pela região amazônica), além da mão de obra especializada portuguesa.[19]

Em 1788, Macapá contava com população fixa de 1.757 habitantes (sem contar índios e negros trazidos de forma temporária para a construção da fortaleza): 1153 livres (entre brancos e índios) e 604 escravos negros.[20]

Mapa da Vila de São José de Macapá desenhado por Gaspar João de Gronfelde, em 1761.

Por sua vez, a Vila de Nova Mazagão foi fundada em 23 de janeiro de 1770, às margens do Rio Mutuacá (ao sul de Macapá), para abrigar 350 famílias portuguesas (cerca de 2000 pessoas) evadidas às pressas da Praça Forte de Mazagão (atual El-Jadida), antiga possessão lusa no norte do Marrocos abandonada em 1769. A partir dessa data, todos os habitantes da povoação africana foram transferidos de navio para Lisboa; e de Lisboa para Belém, onde chegaram em 1770. Enquanto realizavam a travessia atlântica, a vila de destino já estava sendo construída por cerca de cem índios submetidos ao trabalho compulsório assalariado.

De Belém, os mazaganenses foram aos poucos enviados de canoa para Nova Mazagão, onde foram instalados entre 1770 e 1776. Junto com eles, foram levados escravos africanos fornecidos pela coroa. Os africanos deveriam ser direcionados ao cultivo da terra, enquanto os índios permaneceriam com os trabalhos de construção e os serviços domésticos da vila.

Em 1778, Vila de Nova Mazagão (atual distrito de Mazagão Velho) contava com 1775 habitantes, dos quais 1365 eram livres (cerca de 1200 brancos e 100 índios) e 410 eram escravos negros.[17]

Entre Macapá e Mazagão, existiu a desaparecida Vila Vistosa da Madre de Deus, fundada em 1765 às margens do Rio Anauerapucu. Foi inicialmente povoada por funchalenses (portugueses oriundos da Ilha da Madeira) e por uma pequena comunidade de suíços.[19] Em 1773, Vila Vistosa da Madre de Deus contava com 566 moradores: 445 livres (entre brancos e índios) e 121 escravos negros; porém, já no início do século XIX, a vila encontrava-se completamente abandonada.[21][22]

No início do século XIX, as vilas de Macapá e Mazagão foram assoladas por epidemias de cólera e de malária. Em decadência econômica, parte dos portugueses de origem mazaganense abandona Mazagão e se instala em Macapá ou Belém. Em 1833, com a reforma administrativa do Governador Bernardo Lobo de Souza, Mazagão perde o status de vila e é anexado a Macapá, sob o novo nome de "Regeneração". Mazagão somente recobrou seu nome original e sua autonomia administrativa em 1841.[17][23]

Cabanagem (1835-1840)[editar | editar código-fonte]

Monumento em homenagem a Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, situado no Centro Histórico de Macapá. Figura histórica controversa, desde 2017 é comemorado anualmente o Dia de Cabralzinho, em 15 de maio.

Durante a Cabanagem (1835-1840) na então província do Grão-Pará, as vilas de Macapá e Mazagão se aliaram às forças legalistas contra o exército cabano[23], sofrendo depredações e seus rebanhos dizimados.

Contestado Franco-Brasileiro[editar | editar código-fonte]

Em 1808, como represália à ocupação de Portugal por Junot, os portugueses invadiram a Guiana Francesa, que governada durante oito anos pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa, futuro marquês de Queluz. O Tratado de Paris (1814) ordenou a restituição da Guiana à França com as fronteiras de 1792, isto é, no Rio Carapapóris. Portugal não ratificou essa decisão. O ato final do Congresso de Viena (1815) reconheceu a antiga fronteira estabelecida pelo Tratado de Utrecht. Por uma convenção celebrada em Paris (1817), Portugal comprometeu-se a efetuar a devolução em três meses, o que foi feito. Concordou também em que se formasse uma comissão mista para demarcar a fronteira. Tal comissão, porém, jamais se reuniu e a disputa fronteiriça permaneceria durante todo o século XIX.

Em 1836, os franceses estabeleceram um efêmero posto militar na margem do lago Amapá, abandonando graças à intervenção britânica. Em 1841, Brasil e França concordaram em neutralizar a região até a solução da pendência. No entanto, todas as conversações posteriores (1842, 1844, 1855 e 1857) fracassaram. Só vingou uma declaração de 1862 sobre a competência comum para julgar os criminosos do território.

Em 1853, o senador Cândido Mendes de Almeida propôs a criação da Província de Oiapóquia. As populações locais também pleitearam a medida em sucessivos memoriais (1859, 1870), sempre sem resultado. Em 1886 uma república francesa independente foi criada na região do Cunani, entre o Rio Caciporé e o Rio Calçoene. Para seu presidente, elegeu-se o aventureiro Jules Gros, que instalou o governo em seu apartamento em Paris, nomeou o ministério e criou uma ordem honorífica, a Estrela do Cunani, que lhe deu grandes lucros. O próprio governo francês encarregou-se, em 1887, de liquidar essa república, que ressurgiria por breve período em 1901 com o nome de Estado Livre de Cunani, sob a chefia de outro aventureiro, Adolphe Brezet, que também se intitulava duque de Brezet e de Beaufort e Visconde de São João.

Perfil de Trajano Benitez, quilombola aliado dos franceses no litígio franco-brasileiro. Publicado no jornal Província do Pará em 1895.

Com a Proclamação da República a situação na região fronteiriça ficou caótica. Seus habitantes elegeram, então, um triunvirato governativo (1894): Francisco Xavier da Veiga Cabral, ("Cabralzinho"), Cônego Domingos Maltês e Desidério Antônio Coelho. Os franceses nomearam capitão-governador do Amapá o quilombola paraense Trajano Benitez, cuja prisão provocou a intervenção militar da Guiana. A canhoneira Bengali, sob o comando do capitão Lunier, desembarcou um contingente de 300 homens e houve luta. Lunier foi morto com 33 dos seus.

Em 1897, França e Brasil assinaram um tratado de arbitragem: a questão seria decidida pela Suíça.

Em 1898, o Barão do Rio Branco, vitorioso dois anos antes na questão de limites com a Argentina, foi encarregado de defender a posição brasileira perante o conselho federal suíço, escolhido como tribunal arbitral. Em 5 de abril de 1899, Rio Branco entregou sua Memória Apresentada pelos Estados Unidos do Brasil à Confederação Suíça, e em 6 de dezembro do mesmo ano uma segunda memória, em resposta aos argumentos franceses. Como anexo, apresentou o trabalho de Joaquim Caetano da Silva, O Oiapoque e o Amazonas, de 1861, em que se louvara e que constituía valioso subsídio ao estudo da matéria. Reunidos, os documentos formavam cinco volumes e incluíam um atlas com 86 mapas.

A sentença, de 1º de dezembro de 1900, redigida pelo conselheiro federal coronel Eduard Müller, deu a vitória ao Brasil, que incorporou a seu território cerca de 260.000km².

Território Federal do Amapá (1943-1988)[editar | editar código-fonte]

Paisagem urbana da Vila de Serra do Navio em 1965. A company town foi criada em uma região isolada nos anos 1950 para abrigar os trabalhadores das ricas minas de manganês da região, exploradas pela Indústria e Comércio de Minérios S/A - ICOMI. A exploração de manganês foi a base da economia territorial durante décadas.

Resolvido o Contestado Franco-Brasileiro, em 1900, a região norte do então Estado do Pará sofreu com o isolamento político e com a pobreza econômica. A economia da região ainda baseava-se no extrativismo (borracha, castanha, pau-rosa e madeiras); pela exploração clandestina de ouro e, principalmente, por atividades agropastoris de subsistência.[24] Em 1940, Macapá, Mazagão e Amapá somavam apenas 30 mil pessoas.[25]

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo federal autorizou que o exército americano construísse de uma base militar nos arredores de Amapá, próximo ao litoral atlântico, para servir de apoio à força aérea aliada. A Base Aérea do Amapá era utilizada principalmente para o atracamento de dirigíveis que eram utilizados no patrulhamento do litoral a caça de submarinos nazistas e para comboio dos navios mercantes. No litoral amapaense foram afundados dois submarinos inimigos. Após o término da guerra, a base foi devolvida aos brasileiros e caiu em desuso.[26]

Diante do subdesenvolvimento econômico, da diminuta população, da posição estratégica em área fronteiriça e da ocorrência da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas decidiu desmembrar do Pará uma área de cerca de 142 mil km² para constituir uma nova unidade federativa.[24]

O Território Federal do Amapá foi criado em 13 de setembro de 1943 pelo Decreto-Lei nº 5.812/43, juntamente com outros quatro territórios federais: Guaporé, Rio Branco, Iguaçu, Ponta Porã.[27]

Em 27 de dezembro de 1943, Getúlio Vargas designou o capitão Janary Gentil Nunes para assumir o posto de primeiro governador do território. Imediatamente, Janary Nunes visitou os principais núcleos populacionais do Território do Amapá. Naquele momento, imaginou-se como capital do território o município de Amapá, porém, o isolamento geográfico fez com que Janary Nunes decidisse pela instalação da capital em Macapá, mais acessível por via fluvial e com estruturas urbanas mais promissoras. Desse modo, Janary Nunes instalou o primeiro governo territorial na cidade de Macapá em 25 de janeiro de 1944.[24]

Em maio de 1944, o Decreto-Lei nº 6.550/1944 definiu oficialmente Macapá como capital do território federal, além de definir a existência de apenas três municípios (Amapá, Macapá e Mazagão) e retificar sensivelmente os limites geográficos.[28] Em 1945, o desmembramento de parte do município de Amapá passou a constituir o município do Oiapoque. Em 1957, o município de Amapá foi novamente desmembrado para constituir o município de Calçoene.

Os primeiros relatórios governamentais expressavam as condições críticas em que o recém-criado Território Federal do Amapá se encontrava: insuficiente e precário estado das habitações que sequer dispunham de condições de saneamento e higiene; ausência de serviços de água encanada, energia elétrica ou esgotos; a necessidade de olaria ou serraria no território para realização de toda e qualquer construção; a dificuldade de desembarque que ainda afetava o miserável comércio; a carência de mercadorias; ausência de prédios adequados à acomodação dos órgãos públicos e falta de pessoas para a realização de todos os serviços.[29]

Desse modo, os primeiros anos da administração territorial, nas décadas de 1940 e 1950, foram marcados por grandes obras e incentivos públicos de ocupação do território e desenvolvimento econômico, dentre elas: a construção de escolas públicas nas sedes municipais e em algumas vilas, a urbanização da capital, a construção dos edifícios da Administração Pública Territorial e a criação de polos agrícolas.[24][30] O processo de urbanização de Macapá implicou na controversa remoção da população negra do centro histórico da cidade para uma região periférica, onde hoje são os bairros Laguinho e Santa Rita (antigo Bairro da Favela).[30][31][32] O desenvolvimento econômico planejado para o território seria sustentado pela exploração das ricas jazidas de manganês da Serra do Navio, a partir de 1957.[33]

Houve vários projetos instalados no Amapá com o objetivo de desenvolver economicamente o mesmo, um deles foi o Projeto Jari (entre 1967 a 1982) na margem esquerda do rio Amazonas em terras de Monte Dourado e Laranjal do Jari. O empresário Daniel K. Ludwig visava a produção de arroz e criação de gado, além da produção de celulose na região. Com o fim do projeto, milhares de hectares foram destruídos pelas queimadas e plantio da Seringueira.

Estado da Federação[editar | editar código-fonte]

A transformação do território federal em estado foi decidida pela Assembleia Nacional Constituinte em 1988, e em 1º de janeiro de 1991 foi instalado o estado do Amapá, com a posse dos 24 membros da primeira Assembleia Legislativa. Em 1997, na esteira da crise da emissão de precatórios em vários estados, foi liquidado o Banco do Estado do Amapá.

Outros municípios foram surgindo com o passar do tempo, a maioria resultante de desmembramentos de outras cidades, a exemplo, Vitória do Jari. O município foi criado em 8 de setembro de 1994 após ser emancipada de Laranjal do Jari. Já em outros casos, vilas de trabalhadores se transformaram em cidades, a exemplo de Serra do Navio, que obteve seu reconhecimento em 1º de maio de 1992, através da lei n.º 007/92. Na capital do estado, os investimentos do governo federal na construção civil atraíram milhares de pessoas ao estado, aumentando a população em até 3,4% ao ano. Tais investimentos deram ao estado uma das maiores médias nacionais de urbanização do país.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia do Amapá

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A biodiversidade da fauna do estado.
A Floresta Amazônica, a mais rica e biodiversa floresta tropical do mundo.

Como o clima do estado é equatorial (quente e úmido), a cobertura vegetal é bastante diversificada. Apresenta ampla cobertura florestal tropical (Floresta Amazônica), classificadas em floresta de várzea e floresta de terra firme. Possui ainda pântanos, campos e cerrados na sua porção central. Nas áreas próximas ao litoral, a vegetação encontrada é o mangue. Aproximadamente 73% da área estadual é coberta pela Floresta Amazônica e cerca de 72% do território do estado são destinados a unidades de conservação (unidades de conservação, terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo).

Relevo[editar | editar código-fonte]

Localizado no Platô das Guianas (que se estende de leste a oeste desde o Amapá até a Venezuela), o estado do Amapá apresenta basicamente três modalidades de relevo:

O relevo do estado é predominantemente plano com baixas altitudes. Se faz presente nas proximidades da foz do Rio Amazonas, no litoral e na bacia do Rio Oiapoque. Na porção centro-oeste e noroeste apresentam maiores elevações, podendo atingir 500 metros acima do nível do mar, destacando-se a Serra do Tumucumaque, a Serra do Navio e a Serra Lombarda[34]

Aproximadamente 15% do estado são cobertos por solos B latossólicos. Outros 20% são B textual não hidromórficos (comumente ácidos e de baixa fertilidade natural, um dos motivos pelo excesso de alumínio). Embora a estrutura física desses dois tipos de solo seja favorável à agricultura, a pobreza de nutrientes exige rotações de ciclos curto, ou adições constantes de adubos. Solos hidromórficos pouco desenvolvidos cobrem 8% do território do Amapá (esses solos são afetados por erosões frequentes). Cerca de 3% dos solos do estado são concrecionários, adversas à agricultura.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Cachoeira do Desespero, Rio Jari.

Cerca de 39% da bacia hidrográfica do Estado faz parte da bacia do Amazonas. A rede hidrográfica do Amapá é formada por rios que desempenham um grande papel econômico na região desde a atividade pesqueira até o transporte hidroviário. A maioria dos rios do Amapá deságuam no Rio Amazonas ou diretamente no oceano Atlântico. Dessa forma, os principais rios são:]].[35][36]

Clima[editar | editar código-fonte]

O estado do Amapá, em sua totalidade, é influenciado pelo clima equatorial superúmido, isso significa que ocorre uma grande quantidade de calor e umidade que favorece a propagação da biodiversidade. As temperaturas médias que ocorrem no estado variam de 36°C a 20°C, a primeira ocorre principalmente no fim da tarde e o segundo acontece no alvorecer. O clima local apresenta duas estações bem definidas, denominadas de verão e inverno. Os índices pluviométricos ocorrem anualmente em média superior a 2.500 mm.[37]

O estado possui duas regiões climáticas principais. Uma delas é úmida (dois meses secos) e predominante sobre a maior parte do interior do estado - oeste, sul norte e toda a parte central. A outra é úmida (com três meses secos) e é registrada na maior parte do litoral - leste. A precipitação anual média cai significativamente do litoral para o interior. A costa Atlântica, incluindo Macapá, registra uma média de 3.250 mm de chuva anuais, diferente de Serra do Navio, que recebe uma diferença de 1 000 mm anuais. Os ventos no Amapá são, em sua maioria, moderados; a temperatura mínima já registrada foi 16°C e a máxima absoluta já atingida foi de 38°C. A umidade anual gira em torno de 85%.

Unidades de conservação[editar | editar código-fonte]

Dos 14,3 milhões de hectares de superfície, 72% (10,5 milhões de hectares) são destinados a unidades de conservação, terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo, tornando-o o único estado da federação a destinar um percentual tão significativo de suas terras à preservação. O Amapá abriga o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, o maior do país e um dos maiores do mundo, com cerca de 3,9 milhões de hectares. Localizado ao noroeste do território estadual, é de extrema relevância por apresentar um elevado número de espécies endêmicas e abrigar em seu entorno diferentes grupos tradicionais, como indígenas, ribeirinhos e castanheiros.

O estado possui dezenove áreas protegidas por lei que visam a conservação da mata nativa, duas municipais, cinco estaduais e doze federais. As primeiras unidades de conservação criadas foram o Parque Nacional do Cabo Orange e a Reserva Biológica do Lago Piratuba, em 1980. Após estas, vieram a Estação Ecológica Maracá-Jipióca, em 1981; e a Estação Ecológica do Jari, em 1982.[38][39]

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO AMAPÁ[40]
NOME CATEGORIA ÁREA (ha)
Parque Nacional do Cabo Orange (Federal) Proteção Integral 619.000
Reserva Biológica do Lago Piratuba (Federal) Proteção Integral 357.000
Estação Ecológica Maracá-Jipióca (Federal) Proteção Integral 72.000
Estação Ecológica do Jari (Federal) Proteção Integral 227.126
Floresta Nacional do Amapá (Federal) Uso Sustentável 412.000
Reserva Extrativista do Rio Cajari (Federal) Uso Sustentável 501.771
Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque (Federal) Proteção Integral 3.828.923
Reserva Particular do Patrimônio Natural Retiro Paraíso (Federal) Uso Sustentável 46
Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECON (Federal) Uso Sustentável 17
Reserva Particular do Patrimônio Natural Seringal Triunfo (Federal) Uso Sustentável 9.996
Reserva Particular do Patrimônio Natural Retiro Boa Esperança (Federal) Uso Sustentável 43
Reserva Particular do Patrimônio Natural Aldeia Ekinox (Federal) Uso Sustentável 10
Área de Proteção Ambiental da Fazendinha (Estadual) Uso Sustentável 136
Reserva Biológica do Parazinho (Estadual) Proteção Integral 111
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (Estadual) Uso Sustentável 806.184
Área de Proteção Ambiental do Quilombo do Curiaú (Estadual) Uso Sustentável 23.000
Floresta Estadual do Amapá (Estadual) Uso Sustentável 2.369.400
Parque Natural Municipal de Cancão (Municipal) Proteção Integral 370
Reserva Extrativista Municipal Beija-Flor-Brilho-de-Fogo (Municipal) Uso Sustentável 68.524

Demografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Demografia do Amapá

Dados gerais[editar | editar código-fonte]

De acordo com estimativas de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do estado é 782.295 habitantes,[41] sendo o vigésimo sexto estado mais populoso do Brasil, o penúltimo da Região Norte. Macapá concentra sozinha quase 60% da população estadual.[42] Em 2007, a taxa de urbanização do estado era de 89,7%. A densidade demográfica do estado no ano de 2010, era 4,68 habitantes por km².

O estado do Amapá tem apresentado um grande crescimento populacional. Em meados de 1950 sua população somava 37.477 habitantes. Passados trinta anos (1980), essa população chegava a 175.257. Na década de 1990, as pessoas que residiam no estado somavam 289.397. Em pesquisas realizadas no ano de 2010, constatou-se que 74,5% dos habitantes do estado são naturais do mesmo, nascidos em qualquer um de seus dezesseis municípios, outros 25,5% não nasceram no estado porém residem no mesmo e outros 8,8% nasceram no estado mas não moram na sua cidade natal.

Há no estado alguns imigrantes vindo da Guiana Francesa (a maioria no município de Oiapoque) e vários outros oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais destacam-se os mineiros, goianos, paraenses, paranaenses, cearenses e maranhenses. O fluxo migratório tem aumentado nos últimos anos em razão do desenvolvimento dos setores econômicos do estado. O índice de imigração do estado foi de 0.2870 no ano de 2009, de acordo com dados do IBGE.


Evolução demográfica do Amapá


Etnias[editar | editar código-fonte]

Segundo dados referentes a cor/raça obtidos pelo IBGE no Censo de 2010, 65% dos amapaenses são pardos, 24% são brancos, 8,7% são pretos e 1,1% são indígenas. Os 1,2% restantes são amarelos e não declarados.[44]

Religião[editar | editar código-fonte]

Segundo dados obtidos pelo IBGE no Censo de 2010, 64% dos amapaenses são católicos romanos, 28% são evangélicos e 6% não professam nenhuma religião. Os demais credos somados totalizam 2% da população.[45]

Em números absolutos, a Igreja Católica Apostólica Romana possui 425.459 fiéis.

Dentre as igrejas evangélicas, a Assembleia de Deus destaca-se por ser a mais antiga (foi fundada no estado em 1917)[46][47] e por ter o maior número de fiéis (100.821 membros). Em seguida, possuem o maior número de fiéis a Igreja Universal do Reino de Deus (10.101 adeptos), Igreja Adventista do Sétimo Dia (9.461), Igreja Batista (6.679), Igreja do Evangelho Quadrangular (6.468), Igreja Pentecostal Deus é Amor (3.146) e Igreja Presbiteriana (1.585). No Amapá, o Dia Estadual do Evangélico é comemorado anualmente em 30 de novembro.[48]

As comunidades religiosas minoritárias incluem 4.222 católicos apostólicos brasileiros, 4.111 testemunhas de Jeová, 2.781 espíritas, 1.110 afro-religiosos, 779 mórmons, 301 católicos ortodoxos, 217 judeus, 145 budistas e 102 muçulmanos.

Macapá e Santana concentram a maioria dos praticantes de religiões de matriz africana: umbanda, tambor de mina e candomblé (das nações africanas Ketu, Efon e Angola), embora existam comunidades menores em Oiapoque e Mazagão. O Terreiro de Santa Bárbara (onde se pratica o tambor de mina nagô) é o templo de religião de matriz africana mais antigo do estado, fundado em 1962 e dedicado ao orixá Iansã.[49] O Dia Estadual dos Cultos Afro é comemorado anualmente em 08 de maio.[50]

Povos Indígenas[editar | editar código-fonte]

Indígenas das etnias waiãpi e apalai do Parque Indígena do Tumucumaque recepcionaram a comitiva do Ministério da Cultura em visita à Macapá, em 2015.

Segundo dados obtidos pelo IBGE no Censo de 2010, o Estado do Amapá abriga 7.411 pessoas que se declararam como indígenas (1,1% da população estadual).[51]

Do total, 58% dos indígenas se declaram pertencentes a um dos cinco povos indígenas cujo território tradicional se localiza no estado: galibi-maworno (o povo mais numeroso, com 1.862 indivíduos), palikur (1.228 pessoas), waiãpi (945), karipuna (120) e galibi do Oiapoque (110). Os 42% restantes incluem indígenas de outros países (como a Guiana Francesa) ou sem povo declarado. Os palikur, waiãpi e galibi do Oiapoque pertencem aos troncos linguísticos aruaque, tupi-guarani e caribe, respectivamente. Já os galibi-maworno e os karipuna possuem a particularidade de já não mais falarem uma língua ameríndia: sua língua materna é o o crioulo karipuna ou patuá, uma língua crioula de base francesa semelhante os crioulo falado pelos negros da Guiana Francesa. 68% dos indígenas acima de 5 anos falam a língua portuguesa.

O Amapá possui 49 aldeias[52] distribuídas em 5 terras indígenas demarcadas: Uaçá (a mais populosa, com 4.881 habitantes), Waiãpi (874), Galibi (124), Juminá (122) e Parque Indígena do Tumucumaque (nenhum habitante do lado amapaense). 80% dos indígenas amapaenses vivem em terras indígenas.

Os municípios com as maiores populações indígenas são Oiapoque, com 5.569 pessoas (28% da população do município) e Pedra Branca do Amapari (883 pessoas, 8% da população municipal).[53]

Comunidades Remanescente de Quilombo[editar | editar código-fonte]

À esquerda , a Comunidade Quilombola do Curiaú. Localizada no interior de uma área de proteção ambiental, é a mais conhecida e a primeira comunidade remanescente de quilombo titulada no Amapá. À direita , a Comunidade Quilombola Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão.

Segundo o Instituto de Colonização e Reforma Agrária e a Fundação Cultural Palmares, o Amapá possui 40 comunidades remanescentes de quilombo espalhadas por nove municípios. Do total, 4 comunidades são tituladas, ou seja, já possuem o título de propriedade do território tradicionalmente ocupado: Curiaú, Conceição do Macacoari e Mel da Pedreira (Macapá); bem como São Raimundo do Pirativa (Santana). Outras 36 comunidades são apenas certificadas, isto é, são reconhecidas oficialmente como remanescente de quilombo, mas ainda não possem o título de propriedade das terras. 26 das 40 comunidades remanescentes de quilombo se situam em Macapá, 6 em Santana e 4 em Oiapoque. Calçoene, Mazagão, Itaubal, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho e Vitória do Jari possuem uma única comunidade certificada cada.[54][55]

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais no Amapá
Ano PT PSDB
2014 61.45% 227,414 38.55% 142,664
2010 62.66% 198,644 37.34% 118,360
2006 70.40% 191,698 29.60% 80,601
2002 75.51% 171,850 24.48% 55,723
1998 38.67% 62,394 42.32% 68,277
1994 26.79% 34,623 59.11% 76,397
1989* 4.23% 3,695 26.75% 334,440
*O Estado elegeu Fernando Collor de Mello (PRN) com 64,25%, ou 53,780 votos
Ver artigo principal: Política do Amapá

O Amapá é um estado da federação, sendo governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Amapá, e o Judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amapá e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[56]

Atualmente, o governador do Amapá é Waldez Góes, que assumiu em 1º de janeiro de 2015, assumindo o cargo precedido por Camilo Capiberibe que foi derrotado do segundo turno das eleições de 2014 que venceu com 60,58% dos votos.

Palácio do Setentrião, sede do Governo do Amapá.

Macapá é o município com o maior número de eleitores, com 289.811 destes. Em seguida aparecem Santana, com 76.040 eleitores, Laranjal do Jari (28.621 eleitores), Oiapoque (19.013 eleitores) e Mazagão, Porto Grande e Vitória do Jari, com 14,8 mil, 13,3 mil e 9,7 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores é Pracuúba, com 3,2 mil.[57]

Tratando-se sobre partidos políticos, todos os 35 partidos políticos brasileiros possuem representação no estado. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em dados de abril de 2018, o partido político com maior número de filiados no Amapá é o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com 10.583 membros, seguido do Partido Democrático Trabalhista (PDT), com 10.204 membros e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 7.589 filiados.

Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão o Partido dos Trabalhadores (PT), com 7.045 membros; e o Democratas, com 6.547 membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o Partido Novo (NOVO) e o Partido Pátria Livre (PPL) são os partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 17 e 219 filiados, respectivamente.[58]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Divisão das regiões intermediárias (vermelho) e imediatas (cinza).
Legenda:
  Região Imediata de Oiapoque
  Região Imediata de Porto Grande
  Região Imediata de Laranjal do Jari
  Região Imediata de Macapá

Geral[editar | editar código-fonte]

O Amapá é composto por 16 municípios dentre eles destacamos a capital Macapá, juntamente com Santana, Mazagão, Pracuúba, Cutias, Tartarugalzinho, Porto Grande, Serra do Navio, Calçoene, Amapá, Pedra Branca do Amapari, Vitória do Jari, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes, Oiapoque e Itaubal do Piririm.

Regiões Intermediárias e Imediatas[editar | editar código-fonte]

O Amapá é composto por 16 municípios, que estão distribuídos em quatro regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em duas regiões geográficas intermediárias, segundo a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017.

As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões.[59] Na divisão vigente até 2017, os municípios do estado estavam distribuídos em quatro microrregiões e duas mesorregiões, segundo o IBGE.[60]

Região geográfica intermediária[61] Código Número de

municípios

Regiões geográficas imediatas Código Número de

municípios

Macapá 1601 6 Macapá 160001 4
Laranjal do Jari 160002 2
Oiapoque-Porto Grande 1602 10 Oiapoque 160003 6
Porto Grande 160004 4

Economia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia do Amapá
Exportações do estado em 2012[62]

A Balança Comercial que representa a contabilidade de entrada e saída de bens tangíveis, no período de 2003 a 2009 apresentou um desempenho com um superávit de 74,4%. As exportações apresentaram um resultado de US$ 774 milhões e as importações US$ 198 milhões. Os produtos de origem mineral foram os que mais contribuíram com o crescimento das exportações e para as importações estiveram a entradas de bens de capital, tendo em vista a compra de bens de investimentos pelas empresas.

A arrecadação do ICMS, principal componente da arrecadação própria estadual cujo comportamento se relaciona com o desempenho das atividades econômicas, obteve em 2009 um crescimento nominal de R$ 62,2 milhões, correspondendo um incremento de 17,7%, perfazendo uma média anual de 16,9%, nos últimos sete anos.

O Amapá exportou, em 2012, cerca de U$ 447.000.000,00 (quatrocentos e quarenta e sete milhões de dólares), divididos principalmente entre minério de ferro (90,60%), lenha (4,43%), outras frutas processadas (2,87%) e sucos de frutas (1,09%).[62]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

O setor primário é o menos relevante para a economia do estado do Amapá, representando apenas 3,2% da economia amapaense. Dentre os principais produtos produzidos no estado estão: a castanha-do-pará, mandioca e o arroz. Deste último, são produzidas 2.140 toneladas anualmente em uma área correspondente a 2.638 Hectares de terra. De feijão, são produzidas 1.102 toneladas em uma área de 1.450 Hectares. Já a produção de milho, corresponde a 1.792 toneladas anualmente plantadas em uma área de 2.132 Hectares.[63]

Na criação de bovinos, o estado conta com (aproximadamente) 114.773 cabeças de gado (95% destes são para consumo e 5% para a produção de leite e derivados), a maior parte dos bovinos do estado se concentra na capital e na cidade de Amapá (as duas cidades representam juntas 45% de todo o gado do Amapá). A criação de suínos soma 30.055 cabeças, a de bubalinos soma 214.271 cabeças, a de galos, frangas e frangos soma 47.348 cabeças, a de equinos passa dos 5.294 cabeças. A cidade de Amapá tem a maior fonte de pescado artesanal do estado, destaque para: gurijuba, pirarucu, uritinga, pirapema, tucunaré, apaiari e branquinha.

Setor Secundário[editar | editar código-fonte]

Porto de Santana, o mais importante ponto de movimentação de mercadorias via fluvial do estado.

Não há uma verdadeira economia industrial no estado, este setor representa apenas 10% de toda a economia do Amapá. Na cidade de Santana, há um distrito industrial com um número regular de empresas. Na capital e em alguns outros municípios, há serrarias, fábricas de tijolos e a extração mineral e vegetal. Nesta última, destaca-se o município de Amapá como a exploração de cassiterita e a tantalita, o município de Serra do Navio com o manganês e o município de Calçoene com a extração de ouro das minas subterrâneas. A extração de madeira também é forte no estado, porém muitas vezes mascara a extração ilegal.[64][65]

Setor Terciário[editar | editar código-fonte]

Centro comercial de Macapá.

Este é considerado o setor de maior importância para o estado, por representar sozinho 86,8% de toda a riqueza do mesmo. O comércio é uma das maiores fontes de renda para o Amapá, representando quase metade deste setor, mas o serviço público, é a que mais cresce durante as últimas décadas e a que mais tem contribuído para o crescimento e desenvolvimento econômico do Amapá. As empresas privadas são responsáveis por, aproximadamente, 70% dos postos de trabalho, no ano de 2006 surgiram mais de mil empresas e o emprego no segmento industrial cresceu 33%, número superior à média nacional que é de 23%.[66] O turismo também é de grande importância para a economia local, dentre os principais destinos turísticos do estado, podemos destacar: a capital, a cidade de Serra do Navio, Mazagão, Oiapoque, Amapá, Ferreira Gomes e Porto Grande.[67][68]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[70]
Média
31,44 (22º)
36,90
50,00 (15º)
52,08
2007[71]
Média
44,48 (22º)
51,52
55,15 (13º)
55,99
2008[72]
Média
35,23 (23º)
41,69
58,14 (16º)
59,35

A taxa de analfabetismo dos residentes do estado do Amapá com idade de 10 a 14 anos é de 4,9%, já de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos era de 8,4% (segundo o Censo demográfico de 2010). Neste mesmo ano, 74,2% das crianças entre 4 e 6 anos estavam na escola (uma média abaixo da nacional que era de 85%), entre as crianças de 7 a 14 anos, essa porcentagem era de 95,9% (acima da média regional) e as pessoas entre 15 e 17 anos que estavam na escola somavam 83,3% (igual a média brasileira).

Em relação à conclusão do ensino fundamental: 57,3% dos jovens de idade igual ou inferior a 16 anos tinham terminado o 1º grau; uma queda no índice que em 2008 marcava 58,7%. A conclusão do ensino médio dos jovens com idade acimade 19 anos era de 55,6% no ano de 2008 e obteve uma queda drástica para 38,4%. No ano de 2009, foram registradas: 1.958 matrículas em creches, 20.488 na pré-escola, 142.552 no ensino fundamental e 35.648 no ensino médio. Já o tempo médio de permanência no sistema é de 8,4 anos no ensino fundamental e de 3,4 anos no EM, resultando numa média de 10,2, média acima da nacional que é de 9,7 anos.[73]

O IDEB amapaense é 3,1 no ensino médio, de 4,1 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 3,7 nos anos finais do ensino fundamental; em nenhum desses índices a média ficou acima da nacional. A taxa de aprovação no estado durante o EM é de 73,6% e a de reprovação é de 11,1%.[74]

O estado conta com duas instituições de ensino superior públicas, a Universidade Federal do Amapá e a Universidade Estadual do Amapá, ambas com sede em Macapá. Há também o Instituto Federal do Amapá, que foi fundado em 29 de dezembro de 2008. A UNIFAP tem campus nos municípios de Laranjal do Jari, Oiapoque, Santana e Tartarugalzinho, além da capital. Existem várias faculdades particulares, a maioria na capital, são as principais: Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), Faculdade SEAMA, Universidade Paulista (UNIP), IMMES, Universidade Estácio de Sá, IESAP e outras.

Saúde[editar | editar código-fonte]

A situação em que a saúde no estado encontra-se é de insuficiência para atender toda a população. Alguns dos indicadores da saúde encontram-se abaixo ou na média nacional, é o caso da média da mortalidade infantil, que foi de 22,5 por 1.000 nascidos (igual a média brasileira). Tal índice pode ser comparado ao de países como Tunísia e Belize. Os dados de 2009, mostram que o estado conta com 288 estabelecimentos públicos de saúde, foram contabilizados 852 leitos nos hospitais públicos. A maternidade da capital é a Maternidade Mãe Luzia, criada em 13 de setembro de 1953 e que atende aos pacientes de todo o estado e de municípios do Pará, tais como: Afuá, Almerim, Anajás, Chaves, Breves e Gurupá. Na maternidade, estão disponíveis 180 leitos.[75] Em relação a expectativa de vida do povo amapaense, ela é de 67,2 anos entre os homens e de 75,0 anos entre as mulheres.

Segurança Pública[editar | editar código-fonte]

No levantamento realizado pelo Ministério da Justiça no ano de 2008, foi mostrado que a região norte do Brasil representa 8,9% de todos os homicídios dolosos do país. O Amapá é o sexto estado mais violento do país, tendo 38,7 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, isso representa um assassinato a cada 27 horas. Mas, segundo especialistas, a criminalidade está sob controle no estado.[carece de fontes?]

A Polícia Militar do Estado do Amapá (PMAP) tem por função primordial o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Seus integrantes são denominados militares estaduais, assim como os membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá (CBMAP), e ambos estão subordinados ao governador do estado, sendo considerados força auxiliares e reserva do Exército Brasileiro. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amapá é uma Corporação cuja principal missão consiste na execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate a Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos em todo o estado. À Polícia Civil do Estado do Amapá cabe as funções de investigação criminal e de polícia judiciária, por meio da repressão ao crime, após a ocorrência de ilícitos, bem como o auxílio ao Poder Judiciário no cumprimento de mandados de prisão.

Habitação e condições de vida[editar | editar código-fonte]

O Amapá possui aproximadamente 16,2% da sua população habitando em invasões, baixadas, ressacas, favelas ou qualquer outro tipo de aglomerado subumano.[76] Outros estudos realizados mostram que mais de dez mil moradias no estado não possuem serviços básicos, como: energia elétrica, rede de abastecimento de água, lixo coletado e rede coletora de esgoto.[77] Numa visão geral, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (2005) mostraram que existiam 126,32 mil moradias nas áreas urbanas do estado e apenas 9,04 mil nas zonas rurais, contabilizando 135,32 mil domicílios em todo o estado; deficit habitacional do Amapá é de 30 mil moradias.[78]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

BR -156

O estado possui duas rodovias federais: a BR-156 e a BR-210. A BR-156 possui 822,9 km de extensão, passando por Santa Clara, Camaipi, Porto Grande, Tartarugalzinho, Beiradão, Igarapé e Água Branca. Esta estrada faz parte do projeto da Transguianense, isto é, uma estrada de 2.346 quilômetros que vai ligar as capitais dos Estados do Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa e dois países vizinhos, Suriname e Guiana.[79] A rodovia termina na Ponte da Amizade entre Brasil e Guiana Francesa, a cinco quilômetros de Oiapoque.

AP - 010

A BR-210 é a segunda rodovia federal no estado, ela também recebe o nome de Perimetral Norte e é menor em relação a BR-156, tendo um pouco mais de 471 quilômetros de extensão. A estrada passa pelas cidades de Macapá, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio, terminando na divisa do estado com o Pará. Foi projetada durante o regime militar para "cortar" a Amazônia (desde o Amazonas até o Amapá). A obra tem inúmeros trechos que passam por dentro de terras indígenas.[80]

Já as rodovias estaduais são quatro: AP-010, AP-020, AP-030 e a AP-070. As duas primeiras (AP-010 e AP-020) ligam a capital do estado a Santana, a segunda cidade mais populosa. A terceira (AP-030) interliga Macapá ao município de Mazagão, passando pela ponte sobre o Rio Vila Nova e a quarta (AP-070) abrange Curiaú, São Francisco da Casa Grande, Abacate da Pedreira, Santo Antônio da Pedreira, Inajá, Corre Água, São Joaquim do Pacuí, Santa Luzia, Gurupora e Cutias do Araguary.[81]

Foi construída uma ponte binacional sobre o Rio Oiapoque, que liga o estado do Amapá à Guiana Francesa. Localizada a 5 km da cidade de Oiapoque (600 km de Macapá), as obras tiveram início em 13 de julho de 2009 e terminaram no final de 2011 - a um custo aproximado de 71 milhões de reais.[82] A ponte foi finalmente inaugurada e liberada para o tráfego no dia 18 de Março 2017.[83] Também foi construída a ponte sobre o Rio Vila Nova, com 420 metros de comprimento, ligando Macapá (a capital do estado), Santana (município vizinho) a Mazagão, a obra começou no mês de maio de 2009 e terminou no segundo semestre de 2010. O investimento da ponte girou em torno de R$ 30 milhões; um acidente ocorrido em março de 2010, e que deixou cinco mortos, atrasou as obras.[84] Uma segunda ponte, sobre o Rio Matapi, começou a ser construída em dezembro de 2013 ligando por definitivo Macapá a Mazagão. Com um custo de R$ 90 milhões, a edificação foi projetada com 612 metros de comprimento.[85]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Culinária[editar | editar código-fonte]

Os pratos típicos amapaenses compõem a culinária amazônica e possuem similaridade com a culinária de outras regiões do Brasil, em especial, do estado do Pará.

O mais representativo prato típico do estado é o açaí acompanhado de farinha de mandioca e alguma proteína, como peixes, camarão regional, frango ou carne vermelha.[carece de fontes?] A farinha pode ser artesanal (vindas das comunidades ribeirinhas e quilombolas do interior) ou processada, fina ou grossa. Outras combinações populares são o açaí com açúcar, com farinha de tapioca ou mesmo o açaí puro. Um litro de açaí custa de oito a vinte reais, a depender da época do ano e da qualidade. A bacaba, parente do açaí, é tão popular quanto e também é bastante consumida.

Outro prato popular é o camarão no bafo. O camarão é cozido no vapor e temperado apenas com sal, limão, tucupi e pimenta e servido com açaí e uma porção de farofa.

Além do açaí e suas diversas combinações, os amapaenses compartilham com os paraenses pratos como a maniçoba, o pato no tucupi (tradicionais durante as festividades do Círio de Nazaré, em outubro), o tacacá e a pupunha com café.

Talvez pela secular migração nordestina para a região amazônica, receitas como o vatapá e o caruru são comuns no estado e considerados pratos típicos.

É especialmente representativa da cultura amapaense, a gengibirra, bebida alcoólica feita com gengibre, cachaça, água e açúcar, consumida durantes as rodas de marabaixo (dança folclórica afro-amapaense), juntamente com o caldo de carne servido durante a festa.

Festa de São Tiago[editar | editar código-fonte]

Antiga Mazagão africana, de onde sairão os colonos para o Amapá

A Festa de São Tiago é um evento tradicional no município de Mazagão, na área conhecida como Mazagão Velho. Realizada anualmente na segunda quinzena do mês de julho desde 1777, o festejo relembra as batalhas travadas entre mouros e cristãos na então colônia portuguesa de Mazagão Africana, hoje El Jadida, no Marrocos. Segundo a tradição, um soldado anônimo que se acredita ser São Tiago apareceu e conduziu os cristãos à vitória. A tradição chegou na região em com as 163 famílias de colonos portugueses se mudaram para esta área em 1770, fundando a Mazagão Amazônica, a atual vila de Mazagão Velho. A festa de São Tiago inclui missas, novenas, ladainhas, procissões, marabaixo e batuque, mas o ponto alto da festa são as cavalhadas e as encenações teatrais, realizadas pelos próprios moradores, dos eventos ocorridos há trezentos anos na África. Desde 12 de Junho de 2012, o dia 25 de julho é feriado estadual.[86]

Círio de Nazaré[editar | editar código-fonte]

A história do Círio de Nazaré na cidade de Macapá se inicia em no ano de 1934. A então primeira dama da capital, Ester Benoniel Levy, comandou um grupo de senhoras religiosas, que faziam parte da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, na realização do evento. O número de fiéis que compareceu ao evento ultrapassou o número de fiéis que compareceu a festa do padroeiro da cidade, São José. Assim como no estado do Pará, o evento é realizado no segundo domingo do mês de Outubro e segundo os últimos levantamentos da Polícia Militar, mais de 300 mil pessoas participam todo ano da passeata. Atualmente, a saída é da Igreja Nossa Senhora de Fátima com destino à Igreja de São José de Macapá, na rua São José.[87]

Recepção de Juca Ferreira em Macapá com apresentação de Marabaixo no Aeroporto Internacional de Macapá em 2015.

Marabaixo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Marabaixo

O marabaixo é uma manifestação folclórica realizada durante os festejos em louvor ao santo padroeiro das comunidades afro-descendentes do Amapá, hoje considerado um dos maiores símbolos da cultura e identidade amapaenses. Na zona urbana de Macapá ocorre anualmente o chamado "ciclo do marabaixo", que segundo Figueiredo e Smart (2010), "é composto por missas, novenas, procissões, bailes populares, dança e rituais do marabaixo e dura aproximadamente sessenta dias", que homenageiam a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo.

A origem do marabaixo ocorreu em Marrocos, como forma de expressar seus lamentos no mar próximo a terra natal dos escravos africanos, criaram o "mar-a-baixo".[88]

Ao som de caixas (tambores) confeccionadas em madeira cavada, os participantes dançam ao redor dos tocadores respondendo em coro ao "ladrão" tirado por um cantador ou cantadora, onde, às vezes surgem "desafios", com lances de improvisação. A caixa de marabaixo pode ser tocado em diversos tempos e ritmos, denominados "dobrados da caixa", conforme o canto.

Os homens ornam os chapéus com flores e ramos da murta enquanto as mulheres, de saias rodadas e coloridas e toalhas sobre os ombros. Todos dançam sobre si mesmas e ao redor dos tocadores de caixas, de forma ora carregada de tristeza ou alegria.

Durante o ciclo do marabaixo, nos bairros do Laguinho e Santa Rita, em Macapá, além das missas, ladainhas e novenas, ocorre a parte profana dos festejos, como a quebra da murta, a cortação, levantamento e derrubada do mastro, num calendário que começa na Páscoa e termina no primeiro domingo após Corpus Christi.

Atualmente, o marabaixo também está presente nas vilas do Maruanum, Carmo do Macacoari, Mazagão Velho e em diversas outras comunidades espalhadas pelo Estado, como Coração, Lagoa dos Índios, Curiaú e São Francisco do Matapi.

Museus e monumentos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de museus do Amapá

O Marco Zero é um monumento localizado na cidade de Macapá, capital do Amapá, no Brasil. Construído junto ao Estádio Milton Corrêa para marcar a passagem exata da Linha do Equador em Macapá, o Marco Zero tornou-se um dos mais importantes pontos turísticos da capital do meio mundo. O monumento é constituído de uma edificação de 30 metros de altura dotada de um círculo na parte superior, através do qual é possível visualizar o Equinócio ao menos duas vezes por ano.

Esportes[editar | editar código-fonte]

O Amapá tem, aproximadamente, 21 times de futebol. Assim como em todo país, todos os anos é realizado o Campeonato Amapaense de Futebol, onde o Macapá é o grande campeão (com dezessete títulos), seguido pelo Amapá (com 10) e o Ypiranga. Destaca-se também o Trem Desportivo Clube que foi pentacampeão do antigo Copão da Amazônia e possui 4 títulos estaduais.

Macapá possui dois estádios de futebol, o Estádio Municipal Glicério Marques e Estádio Milton de Souza Corrêa, popularmente conhecido como Zerão e o de Santana é o Estádio Municipal de Santana, onde são realizadas as principais partidas esportivas.

O Amapá também, tem times que todos os anos participam da Copa do Brasil de Futebol e neste ano, o Santana Esporte Clube seria seu representante na série D do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2010 porém desistiu passando a vaga ao Cristal Atlético Clube, infelizmente fora eliminado na primeira fase.

Também é possível a prática de Kitesurf no Rio Amazonas, no período de agosto a dezembro, pois o verão proporciona ventos propícios aos velejadores. Existem competições de Kitesurf, dentre elas a Travessia do Rio Amazonas, um enduro race em que os competidores atravessam o Rio Amazonas, num percurso de mais de 25 km.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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