Serra do Navio

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Município de Serra do Navio
Brasão indisponível
Bandeira Brasão indisponível
Hino
Fundação 17 de março de 1992 (25 anos)[1]
Gentílico serra-naviense
Prefeito(a) Elson Belo Lobato (PTdoB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Serra do Navio
Localização de Serra do Navio no Amapá
Serra do Navio está localizado em: Brasil
Serra do Navio
Localização de Serra do Navio no Brasil
00° 53' 45" N 52° 00' 07" O00° 53' 45" N 52° 00' 07" O
Unidade federativa  Amapá
Região
intermediária

Oiapoque-Porto Grande IBGE/2017[2]

Região
imediata

Oiapoque IBGE/2017[2]

Municípios limítrofes Oiapoque, Calçoene, Pracuuba, Pedra Branca do Amapari e Ferreira Gomes.
Distância até a capital 141 km
Características geográficas
Área 7 713,046 km² [3]
Distritos Cachaço e Serra do Navio (sede)[1]
População 5 111 hab. estatísticas IBGE/2017[4]
Densidade 0,66 hab./km²
Altitude 148,5 m
Clima equatorial Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,709 elevado PNUD/2010[5]
PIB R$ 58 194 mil IBGE/2014[6]
PIB per capita R$ 11 998,70 IBGE/2014[6]
Página oficial
Prefeitura www.serradonavio.ap.gov.br

Serra do Navio é um município brasileiro no estado do Amapá, Região Norte do país. Sua população estimada em 2017 era de 5 111 habitantes[4] e a área é de 7 713,046 km².

História[editar | editar código-fonte]

O município de Serra do Navio foi criado em 1º de maio de 1992, através da lei n.º 007/92.

Mina de manganês[editar | editar código-fonte]

O primeiro relato da presença de manganês no estado do Amapá veio de um relato do engenheiro Josalfredo Borges, a serviço do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em local indefinido às margens do rio Amapari. Com a criação do território federal, em 1943, a pesquisa despertou o interesse do interventor, o capitão Janary Gentil Nunes, que já em seus primeiros meses de gestão deu ampla publicidade ao relatório de Borges. Para o militar, a mineração seria a base da economia e do desenvolvimento do território, ao invés da pesca e dos produtos tradicionais de extração, como a borracha ou a castanha. Em 1945, ele ofereceu um prêmio em dinheiro para quem fornecesse informações que levassem à identificação de depósitos de minério de ferro. Um comerciante ribeirinho chamado Mário Cruz levou pessoalmente ao interventor algumas pedras escuras e pesadas, que usara como lastro para seu barco, em busca da recompensa prometida. O material foi analisado na sede do DNPM no Rio de Janeiro, pelo engenheiro Glycon de Paiva, que constatou tratar-se de manganês de teor elevado.

O mesmo engenheiro foi à Serra do Navio analisar os depósitos e concluiu haver grande viabilidade comercial, mas recomendou que a exploração fosse feita por uma concessão única, que assim teria mais competitividade no mercado internacional. O interventor aceitou a recomendação de Paiva e convenceu o então presidente Gaspar Dutra a criar, por meio do decreto-lei 9.858/46, uma área de reserva nacional englobando todo o depósito de manganês e conferindo ao território a competência para prospectar e explorar, por meio de concessão. Empresas nacionais e estrangeiras foram convidadas a visitar a região e a apresentarem suas candidaturas à exploração da área. Três empresas responderam o convite: a Companhia Meridional de Mineração (subsidiária brasileira da United States Steel), a Hanna Coal & Ore Corporation, e a Sociedade Brasileira de Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (ICOMI). A brasileira ICOMI, com sede em Belo Horizonte e atuação em Minas Gerais, foi escolhida pelos nacionalistas brasileiros e venceu a concorrência contra as gigantes estadunidenses.[7] Mas depois de ganhar a concorrência, a necessidade de capital para realizar a prospecção fez a ICOMI associar-se a outra grande companhia estadunidense, a Bethlehem Steel, maior consumidora mundial de manganês.[8] O contrato previa que a ICOMI teria de investir no Amapá pelo menos 20% de seu lucro líquido. Ainda assim, sofreu severas críticas de nacionalistas brasileiros, que faziam objeção à participação de uma firma estrangeira no negócio, do financiamento estrangeiro e do caráter exportador da atividade.[9] O contrato assinado em 1947 previa ainda um perímetro máximo de 2.500 hectares, o equivalente a 0,17% do território do Amapá, e o pagamento de 4 a 5% das receitas totais na forma de royalties ao governo do território.

Além da área de exploração, foi concedida à empresa uma área adicional de 2.300 hectares para a construção de instalações industriais e estações ferroviárias, além de uma vila operária, que daria origem à cidade de Serra do Navio[10] e à vila dos trabalhadores do porto e da ferrovia, que começaram a ser construídas em janeiro de 1957 e ficaram prontas em 1959. Cada vila tinha 330 casas, alojamentos coletivos para solteiros , temporários e visitantes, e prédios coletivos (escolas, hospitais, refeitórios), abrigando até 1.500 pessoas, entre trabalhadores e familiares. A Vila de Serra do Navio foi dotada de ruas largas, postes de concreto para a fiação elétrica e telefônica, calçadas, parques, clubes com piscina, quadras esportivas, restaurante e lanchonete, drenagem de águas das chuvas e tratamento de água e esgoto. Todas as casas tinham mais de 90m² e contavam com saneamento e energia elétrica, proveniente de geradores da ICOMI.[11] No entanto, a reserva esgotou antes do tempo previsto e a empresa deixou o local. Com a saída definitiva da ICOMI e após a instalação do município, a sede passou a ser administrada pela prefeitura, e a administração da cidade tornou-se mais eficiente.

A Vila de Serra do Navio foi tombada pelo IPHAN como Patrimônio Histórico nacional em 2012.[12]

Uma curiosidade que pode explicar o nome da cidade é, segundo os antigos moradores, que o rio que passa em frente à cidade, se observado via área, possui a forma de um navio.

Geografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017,[13] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Oiapoque-Porto Grande e Imediata de Porto Grande.[2] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Macapá, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul do Amapá.[14]

Sua fauna é bastante rica. É uma das poucas cidades brasileiras onde ocorre o beija-flor-brilho-de-fogo, uma espécie rara.

Limites[editar | editar código-fonte]

Serra-navienses ilustres[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (2007). «Serra do Navio - Histórico» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 12 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2013 
  2. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 6 de novembro de 2017 
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (15 de janeiro de 2013). «Áreas dos Municípios». Consultado em 6 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2017 
  4. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (30 de agosto de 2017). «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2017» (PDF). Consultado em 6 de novembro de 2017 
  5. Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 9 de setembro de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 8 de julho de 2014 
  6. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2014). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2014». Consultado em 6 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2017 
  7. Drummond 2007, p. 122-126.
  8. Drummond 2007, p. 147.
  9. Drummond 2007, p. 135.
  10. Drummond 2007, p. 127-129.
  11. Drummond 2007, p. 162-170.
  12. [1]
  13. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 6 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2017 
  14. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 29. Consultado em 6 de novembro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 6 de novembro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Drummond, José Augusto; PEREIRA, Mariângela de Araújo (2007). O Amapá nos tempos do manganês. o estudo sobre o desenvolvimento de um estado amazônico - 1943-2000. Rio de Janeiro: Garamond. 498 páginas. ISBN 978857617118-8. Consultado em 27 de agosto de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]