Navio

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MS Freedom of the Seas, o segundo maior navio de passageiros do mundo
O Queen Mary 2, o quarto maior navio de passageiros do mundo

Um navio é uma grande embarcação, geralmente dotada de um ou mais conveses. Um navio tem, geralmente, tamanho para transportar os seus próprios barcos, como botes salva-vidas, botes ou lanchas. Geralmente, a lei local e orgãos de regulamentação irão definir o tamanho ou o número de mastros que um barco deverá ter para ser elevado à categoria de navio. Os submarinos não são referidos como "barcos", exceto os submarinos nucleares, classificados como navios. As empresas sul-coreanas Hyundai, Samsung e Daewoo são as principais construtoras de navios.

Outra definição para 'Navio' é qualquer embarcação que transporte carga com objectivo comercial. Os navios de passageiros transportam 'supercarga' (outra designação para passageiros e pessoas que não trabalham a bordo). Barcos de pesca nunca são considerados 'navios', embora também transportem botes salva-vidas e carga (a pesca do dia). Os Ferries de pequena dimensão também não são considerados 'navios', no entanto a maioria dos ferries em serviço no mundo são navios de passageiros, com capacidade para transportarem também veículos.

A Náutica refere-se aos navios e às práticas de navegação.

História[editar | editar código-fonte]

Pré-História e Antiguidade[editar | editar código-fonte]

A jangada é considerada um dos projetos mais simples de embarcação.

A história dos barcos vive paralelamente às histórias de aventuras dos seres humanos. Os primeiros barcos conhecidos datam do Período Neolítico, à cerca de 10.000 anos atrás. Estes barcos primitivos possuíam funções limitadas: eles conseguiam mover-se sobre a água, conquanto, limitavam-se a isso. Inicialmente foram utilizados para caça e pesca. O barco mais antigo descoberto pelos arqueólogos até então, é uma canoa. Foram construídas com os troncos de árvores coníferas, utilizando Ferramentas de Pedra.

Por volta do século 30 a.C, no Antigo Egito, já se conhecia como montar cascos de embarcações com tábuas de madeira. [1] Eles usavam presilhas de tecido para juntar as tábuas, [1] Cyperus papyrus, folhas compridas, grama para unir e selar as costuras entre as tábuas.[1] [2] Na Grécia Antiga historiadores e geógrafos Agatharchides tinham documentado ship-faring como os primeiros do Antigo Egito: "Durante o período próspero do Reino Antigo/Império Antigo", entre os séculos 30 a.C e 25 a.C, no Rio Nilo rotas foram estabelecidas, e no Antigo Egito há registros que navios navegaram pelo Mar Vermelho até ao país Mirra. [3] Sneferu's antigos navios de madeira cedro Louvor das Duas Terras é a primeira referência registrada (2613 BCE) para navios referenciados por nome. [4]

Na Ásia Oriental, na época da Dinastia Zhou, foram desenvolvidas tecnologias nas embarcações como o leme montado na popa, e da Dinastia Han, foi encontrada uma frota de navios bem conservada, que fora empregada no campo militar. Tecnologia naval avançada foi encontrada no período medieval, onde tais embarcações já possuíam compartimentos estanques para armazenamento de água. Durante o século 15 na Dinastia Ming, uma das maiores e mais poderosas frotas do mundo foi montada para as viagens de diplomacia e projeções do poder de zheng He. Em algumas partes a Coreia, no século 15, foi encontrado o primeiro barco que utilizou-se de ferro. Foi o Navio Tartaruga, este foi desenvolvido com laminados de ferro.

Por volta de 2000 a.C, a Civilização Minoica em Creta tinham evoluído nos exercícios de um controle efetivo da área naval, na parte leste do Mediterrâneo. [5] Sabe-se que a antiga Núbia/Axum negociava com a Índia, e há evidências que navios do Nordeste da Africa podem ter navegado na região frontal e externa entre a Índia/Sri Lanka, fazendo comércio com a Núbia e talvez até com os Persas, Himyar e com a Roma Antiga. [6] O Império Aksumite foi conhecido pela Antiga Grécia por disporem de portos para os navios Gregos e Iêmen. [7] Em outra parte Nordeste da África, o Périplo do Mar da Eritreia relatam que Pessoas da Somália, atráves dos portos do norte como o Zeila e Berbera, estavam negociando incenso e outros itens com habitantes da Península Árabica bem antes da chegada de Islão, com também com o então Império Romano controlado pelo Egito. [8]

Mosaico Romano trireme de Cartago, Museu do Bardo, Tunis.

As Pessoas Suaíli tinham diversos extensos portos comerciais em pontos da costa da África Oriental Medieval e o Grande Zimbabwe tinha grande contato comercial com a África Central, e provavelmente importavam bens trazendo para África atráves da margem comercial do Sudeste Africano Quíloa, atualmente chamada de Tanzânia [9]

É sabido pelos historiadores que no auge do Império Mali foi construído uma grande frota pelo Imperador Mansa Musa no século 13 e início do século 14. [10] Fontes arábicas descrevem que alguns consideram ser os visitantes do Novo Mundo pela frota de Mali em 1311. [11]

Na mesma época, pessoas que viveram próximas a Kongens Lyngby na Dinamarca inventaram o casco segregado, o que permitiu um aumento gradual das embarcações. Logo os barcos passaram a serem desenvolvidos com quilha, semelhante aos barcos atuais de madeira Embarcações de Recreio.

Os primeiros navegadores começaram a usar peles de animais ou tecidos para fabricarem as velas. Fixaram na parte superior do barco um mastro, e assim foi possível a fabricação de embarcações maiores. Essa invenção permitiu ao homem ampliar a exploração, reconhecendo, por exemplo, o termo Oceania, cerca de 3000 anos atrás.


O Antigo Egito já estava construíndo veleiros perfeitamente. Um exemplo notável de sua habilidade de construção foi o Navio Khufu, um navio de 143 pés de comprimento, enterrada ao pé da Grande Pirâmide de Gizé, por volta de 2500 a.C. e achada intacta em 1954. De acordo com Heródoto, os Egípcios fizeram a primeira circum-navegação em torno da África por volta de 600 a.C.

Os Fenícios e a Grécia Antiga gradualmente dominaram a navegação marítima a bordo dos trirremes, explorando e colonizando o Mediterrâneo com suas embarcações. Por volta de 340 a.C, o navegador grego Píteas de Massalia aventurou-se da Grécia para Europa Ocidental e Inglaterra. [12] No decorrer do século 2 a.C, a Roma Antiga começou a destruir Cartago e subjugar os reinos Helenismo do leste do Mediterrâneo, alcançando o completo domínio do mar interno, que eles chamaram de "Mar Nostrum". A monção, sistema de vento do Oceano Índico foi o primeiramente navegado pelo navegador Grego Eudoxo de Cyzicus em 118 aC. [13] Com 300 navios gregos navegando anualmente entre o Império Romano e a Índia, o comércio anual pode ter atingido 300,000 toneladas. [14]

A Batalha de Lepanto, 1571, batalha naval entre as forças aliadas Cristã e a Marinha Otomana.

Antes da introdução da bússola, a navegação espacial foi o principal método para a navegação marítima. Na china, as primeiras versões da bussola magnética estavam sendo desenvolvidas e usadas na navegação entre 1040 e 1117. [15] A verdadeira navegação bússola, usando uma agulha de giro em uma caixa seca, foi inventada na Europa mais tarde, em 1300. [16] [17]

Tipos de navio em uso[editar | editar código-fonte]

Navio de Cruzeiro em Seattle, EUA
O veleiro Amerigo Vespucci, navio escola da Marinha Italiana

Tipos de navios históricos[editar | editar código-fonte]

Classificação dos navios[editar | editar código-fonte]

Oficialmente os navios são classificados pelas sociedades classificadoras, tais como a Lloyd's Register ou o Bureau Veritas, que emitem os certificados de conformidade que garantem às seguradoras e autoridades portuárias que o navio se encontra dentro dos padrões exigidos para o tipo de navegação, carga a transportar e a tripulação é qualificada. Os navios que não estão dentro destes padrões, que na sua maioria navegam com bandeiras de conveniência são designados substandard.

Paralelamente é também frequente classificar os navios pelo tipo de carga que transportam; como exemplo temos os graneleiros (que transportam cargas a granel como cereais ou minério), os petroleiros (que transportam petróleo), os porta-contentores, etc.

Outra forma de classificar os navios, hoje menos usada, era pelo tipo de navegação que faziam; assim temos os navios de cabotagem e os de longo curso.

A principal classificação dos navios é a seguinte: trasportadores de passageiros, cargueiros, exploradores e patrulhadores.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Os navios podem-se agrupar constituindo frotas, flotilhas, esquadras, esquadrilhas ou esquadrões.

Os submarinos (particularmente os U-Boot alemães nos anos 40) podem operar em grupos, chamando-se alcateias (termo derivado de "alcateias de lobos").

Terminologia náutica[editar | editar código-fonte]

Esquema de um navio civil moderno:
1. Proa;
2. Bulbo;
3. Âncora;
4. Casco;
5. Hélice;
6. Popa;
7. Chaminé;
8. Ponte;
9. Convés.

Os navios, em particular os navios de vela, envolvem um rico e variado vocabulário, repleto de termos técnicos. Muitos deles ligam-se a discussões mais alargadas do jargão náutico.

  • Proa - A frente do navio. Comparar com vante. Também conhecido em senso de direção como sendo o rumo momentâneo em que se encontra o navio, geralmente em graus, em relação ao norte.
  • Popa - a traseira do navio. Comparar com .
  • Estibordo - O lado do navio que está à direita quando o observador olha para a proa.
  • Boreste - Termo utilizado no Brasil em substituição de Estibordo.
  • Bombordo - O lado do navio que está à esquerda quando olhando para proa. (Um método mnemônico para distinguir um do outro é que a esquerda possui o mesmo número de letras de bombordo e estibordo se refere ao leste.)
  • Âncora ou Ferro - Instrumento metálico pesado utilizado para fixar temporáriamente a embarcação em local desejado.
  • Ponte de comando - o centro de comando da navegação.
  • Passadiço - Termo usado no Brasil em vez de Ponte de Comando.
  • Superstrutura - Qualquer estrutura acima do convés da embarcação, contendo, geralmente, a ponte e alojamentos.
  • Cabine - Um quarto fechado num deque.
  • Deques - Os "pisos" e diferentes pavimentos do navio. Em alguns navios novos são chamados de "ponte(s)".
  • Casco - A estrutura de flutuação que suporta o navio.
  • Mastro - um poste concebido para a suspensão das velas.

Propulsão[editar | editar código-fonte]

Até à aplicação do motor a vapor, no século XIX, os navios moviam-se através da força do vento nas velas.

Antes da mecanização os navios mercantes sempre usaram velas, mas à medida que a guerra naval tornou-se dependente da aproximação dos navios para a abordagem e invasão ou da luta corpo a corpo, as galeras passaram a dominar os conflitos navais devido a sua manobrabilidade e velocidade. Os navios gregos que lutaram na Guerra do Peloponeso usaram triremos, do mesmo modo que haviam feito os Romanos na Batalha de Actium. A partir do século XVI, o grande número de canhões tornaram a manobrabilidade uma característica secundária comparado ao peso; o que levou a total predominância de navios de guerra a vela.

O desenvolvimento do navio a vapor foi um processo complexo, o primeiro navio comercial de sucesso foi o "North River Steamboat" (também chamado de "Clermont") creditado a Robert Fulton, nos EUA em 1807. Em seguida surgiu na Europa em 1812 o PS Comet de 45 pés de comprimento. A propulsão a vapor progrediu consideravelmente durante o século XIX. Os principais desenvolvimentos foram o condensador, o que reduziu a necessidade de água fresca, e motor de expansão de múltiplos estágios que obteve um acréscimo considerável de rendimento. A roda de pás deu lugar ao bem mais potente propulsor de hélice. Desenvolvimentos posteriores resultaram no desenvolvimento da turbina a vapor marítima por Sir Charles Parsons, que fez a primeira demonstração da tecnologia no navio de 100 pés "Turbinia" em 1897. Isto facilitou o desenvolvimento de uma nova geração de navios de cruzeiro de alta velocidade na primeira metade do século XX. O motor a diesel marítimo foi introduzido por volta de 1912.


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Ward, Cheryl. "World's Oldest Planked Boats," in Archaeology (Volume 54, Number 3, May/June 2001). Archaeological Institute of America. Archaeology.org
  2. Os primeiros barcos Egípcios conhecidos datam de terceiro milénio a.C. e foram encontrados em Abidos, em 1991. Estes foram construídos com tábuas, unidas por cordas, que passam por encaixes talhados na madeira. Barcos semelhantes datam de 2600 a.C e foram achados em 1954 e 1987 nas covas da Grande Piramide de Quéops em Gizé. Em 1894, barcos Egípcios compostos de tábuas unidas por encaixes e cavilhas (pino de madeira) foram encontrados em Dahshur. Veja: ABC.se
  3. Agatharchides, in Wilfred Harvey Schoff (Secretary of the Commercial Museum of Philadelphia) with a foreword by W. P. Wilson, Sc. Director, The Philadelphia Museums. Periplus of the Erythraean Sea: Travel and Trade in the Indian Ocean by a Merchant of the First Century, Translated from the Greek and Annotated (1912). New York, New York: Longmans, Green, and Co., pages 50 (for attribution) and 57 (for quote).
  4. Anzovin, item 5393, page 385 Reference to a ship with a name appears in an inscription of 2613 BCE that recounts the shipbuilding achievements of the fourth-dynasty Egyptian pharaoh Sneferu. He was recorded as the builder of a cedarwood vessel called "Praise of the Two Lands."
  5. "Minoan civilization". Encyclopædia Britannica.
  6. Aksum An African Civilization of Late Antiquity by Stuart Munro-Hay
  7. "Aksum by MSN Encarta".. Encarta.msn.com. Consultado em 2009-04-21. 
  8. Cultures and Customs of Somalia. [S.l.]: Books.google.com, 2001. ISBN 9780313313332 Página visitada em 2009-04-21.
  9. Hall, Martin; Silliman, Stephen W.. In: Martin. Historical Archaeology. [S.l.]: Books.google.com, 2006. ISBN 9781405107518 Página visitada em 2009-04-21.
  10. Texancultures.utsa.edu
  11. Joan Baxter (13 December 2000). Africa's 'greatest explorer'. BBC News. Página visitada em 2008-02-12.
  12. Chisholm, 1911:703.
  13. Greatest emporium in the world, CSI, UNESCO.
  14. "The Origins of Globalization", Ivey Business Journal.
  15. Li Shu-hua, “Origine de la Boussole 11. Aimant et Boussole,” Isis, Vol. 45, No. 2. (Jul., 1954), p.181
  16. Frederic C. Lane, “The Economic Meaning of the Invention of the Compass,” The American Historical Review, Vol. 68, No. 3. (Apr., 1963), p.615ff.
  17. Chisholm, 1911:284.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  • Para uma lista de prefixos utilizados nos nomes dos navios (HMS, USS, etc) consulte prefixos dos navios.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]