Império do Mali

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Manden Kurufa
Império do Mali

Império

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1230 – 1546 Mapa shonghai-pt.svg
 
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Localização de Império do Mali
Império Mali em 1350.
Continente África
País Mali, Senegal, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau e Burkina Faso
Capital Niani, mais tarde Kangaba
Língua oficial Mandinga
Religião Culto dos mortos
Islamismo
Governo Monarquia
História
 • 1230 Fundação
 • 1546 Dissolução
Área
 • 1250 100 000 km2
 • 1312 1 294 994 km2
 • 1380 1 100 000 km2
 • 1500 400 000 km2
Moeda Ouro em pó (sal, cobre e búzios também foram comuns no império)

O Império do Mali foi um Estado que existiu na África Ocidental no período de 1230 a 1600 aproximadamente. Também pode ser considerado uma etapa da história do atual Mali, embora as fronteiras do extinto Império do Mali compreendessem, também, regiões onde hoje se encontram outros países da África. O Império do Mali foi descrito pelos viajantes árabes como um Estado rico e suntuoso durante o seu apogeu, e certamente foi um importante centro comercial. Os Mansas do Mali ampliaram seu domínio sobre outros reinos da África, constituindo amplas redes de poder.

História

Origens

Originários da região do rio Senegal e do Alto Níger, os grupos malinqués (malinqué significa "homem do Mali") vivendo nas cidades antigas de Kiri e Dakadyala eram liderados por chefes mágico-caçadores chamados de "simbon" (que significa "mestre-caçador"). O "simbon" era apenas um primus inter pares, ou seja, um "primeiro entre iguais", e não detinha autoridade real sobre os outros membros da sociedade, mas o grande conselho (ghara) constituía um proto-Estado, que decidia sobre a guerra e os impostos.

A sociedade era dividida em grandes unidades familiares, que viviam em campos comunitários chamados de Foroba. As famílias pagavam impostos para o Estado por meio de trabalhos nas terras do simbon. Durante o século XI, esses povos sofreram a interferência cada vez maior do principado do Sosso, cujo príncipe havia tomado o título de mansa (Imperador) nessa época. Também no século XI, contudo, os líderes do Mali se converteram ao islamismo e iniciaram um processo de centralização política acentuado.

Os primeiros anos da monarquia

Reis do antigo Mali são citados pelas crônicas árabes, como, por exemplo, o rei Hamana, o rei Djigui Bilali (1175-1200) e o rei Mussa Keita. Esses reis teriam demonstrado interesse renovado pela fé muçulmana, como Mussa Keita, que teria feito a peregrinação várias vezes. O rei Naré Famaghan (1218-1230) ampliou os domínios do reino malinqué, obtendo a submissão dos povos somonos. Sua esposa, Sogolon Konté (conhecida como Kediugu, "a feia") foi mãe de Sundjata Keita (posteriormente Mari Djata, "o leão do Mali"), um príncipe que não conseguia andar. De acordo com a tradição oral, Sumaoro, o rei do Sosso, teria derrotado militarmente o Mali pela época do reino de Naré Famaghan e de seu filho, Dankaran Tuma, e teria mandado matar muitos malinqués.

Sundjata, contudo, sobreviveu. Resolvido a combater o domínio de Sosso, Sundjata pediu uma barra de ferro para se apoiar, mas ela se curvara sob seu peso, de forma que lhe foi dado o cetro do pai, sobre o qual Sundjata conseguiu se colocar de pé. Esse fenômeno indicou, de acordo com a tradição oral, o papel essencial que teria Sundjata na libertação dos malinqués. Reza a lenda que sua mãe compôs uma canção nesse dia, cujas palavras ressoam no hino nacional do Mali. Em razão de conflitos palacianos, Sundjata se refugiou fora do país, mas retornou com seu exército para salvar seu povo quando Sumaoro retomou os ataques. Quatro anos após a morte de seu pai, Sundjata reuniu, sob sua liderança, um amplo grupo de homens de diferentes etnias, insatisfeitos com o domínio do Sosso, e combateu Sumaoro na batalha de Kirina (na margem oriental do Níger). Sumaoro foi morto, e o Mali se apoderou dos antigos domínios desse Império (Bagana, Uagadu, Bacunu, Cumbi-Salé).

O império

Mansa Musa retratado num atlas catalão de 1375. O texto do mapa diz: "Este senhor negro é chamado Musa Mali, senhor dos negros da Guiné. Tão abundante é o ouro que foi achado no seu país que ele é o mais rico e nobre rei em toda a terra".

Foi no ano de 1240 em Kuru-Kan-Fugha, que se decidiu que Sundjata Keita, rei do Mali, seria o novo Mansa. A corte imperial se estabeleceu em diversas cidades (Djeliba, Kangaba) até se fixar em Niani. Nos anos subsequentes, o Mali se expandiu sobre regiões do Sudão, do Baixo Senegal e do Baixo Gâmbia. Sundjata Keita morreu em 1255 num acidente.

Sociedade

A sociedade foi dividida em trinta grandes clãs, alguns de artesãos, outros de guerreiros, outros de homens livres ("ton dyon") etc. Existia escravidão e servidão no antigo Mali. Os casamentos eram regulados por casta, e os casamentos entre membros de castas diferentes eram proibidos. A guerra era conduzida após a reunião de camponeses-guerreiros, estes organizados em "kelé-bolon" (contingentes) controlados por um "kelé-tigui" (general-chefe). O Mali era um império agrícola. Os malinqués dominavam a cultura do algodão introduzida no país por Sundjata.

Apogeu

Mesquita de Djinger-ber, em Tombuctu, construída pelo Mansa Musa

Após Sundjata Keita, governou seu filho, Mansa Ulé (1255-1270). Mansa Ulé entregou o controle das províncias imperiais a diferentes generais, proporcionando a descentralização do reino. Um escravo do mansa Abubakar I (1270 e 1285), Sakura, foi entronizado como imperador e aumentou os domínios do Mali, fazendo com que mais reis se tornassem vassalos do imperador. Sakura foi assassinado após retornar de uma peregrinação. Abubakar II, o mansa que assumiu o governo em 1303, ficou célebre por conta de sua tentativa sem sucesso de se expandir para o oeste enviando navios navegarem pelo oceano atlântico, na direção da América do Sul. O Mansa Musa, mansa de 1312 a 1332, foi um outro célebre rei malinqué que organizou uma grandiosa peregrinação com cerca de 60 mil servidores e cem dromedários carregados de ouro, impressionando os líderes árabes da época.

Este mansa foi responsável pela construção em Tombuctu da mesquita de Djinger-ber, pela expansão e afirmação do Islã no império e por estabilizar as relações diplomáticas do Mali com os reinos vizinhos. Seu reinado é considerado a Era Dourada da História do Mali. Durante o reino de Maghan (1332-1336), Tombuctu foi saqueada por povos estrangeiros. Mansa Solimão (1341-1360) recuperou a economia do Império, tentou restaurar a sua influência sobre a periferia do Império e conseguiu fazer reconhecer sua soberania sobre os Tuaregues. Os reinados de Mari Djata (1360-1374) e Mussa II (1374-1387) marcaram o início do período de decadência do Império.

Decadência

A queda do Império do Mali está relacionada às lutas internas pela posse do trono, o crescimento do Império de Gao e os levantes dos reinos vassalos. Os Peules iniciaram um movimento de resistência liderados por Djadjé no começo do século XV, ao mesmo tempo em que povos do Tecrur se associaram aos estados uolofes, e as províncias do leste eram anexados por Gao. Em 1490, Gao já havia conquistado Futa Tooro, Bundu e Dyara. Nessa época, o Imperador do Mali tentou formar uma aliança com o rei João II de Portugal, mas as missões diplomáticas não chegaram à Europa. A investida da dinastia ásquia de Gao fez com que o Mali se dissolvesse de vez, quando a capital do Mali foi ocupada em 1545. Em 1599, o domínio de Gao foi substituído pelo controle marroquino, e o Mansa Mamude organizou uma nova resistência se aproveitando da situação, mas seus homens foram derrotados pelas armas de fogo dos marroquinos.

Economia

Por Tombuctu, circulavam sal e ouro das minas do Império do Mali, tecidos, grãos, noz-de-cola, peles, plumas, marfim e instrumentos de metal. Ao longo do século XIV, Tombuctu se transformou num importante centro intelectual do mundo, reunindo cerca de 150 escolas com muitos estudantes oriundos de outras partes do território africano.

Religião

A religião oficial do Império do Mali era o islamismo. Acredita-se que o islã do Mali tenha carregado algumas características das religiões animistas do Mali antigo: os dyeli (sacerdotes) praticavam ritos com os rostos cobertos por máscaras animistas, a população comia carnes consideradas impuras pelo islão etc. Os principais agentes da divulgação do Alcorão no Mali eram os comerciantes saracolês e diúlas.

A religião predominante era o islamismo, que está ligada ao estudo não só do Alcorão mas ao ensino em geral. Embora seja importante fazer um parêntese para notar que havia, na religião, várias influências, especialmente pagãs. As crianças aprendiam o Alcorão, mas ainda havia muito de feitiçaria nas crenças populares.

Política

Caravana berbere chegando em Tombuctu em 1853

A estrutura política do império foi estabelecida pela Carta de Kurukan Fuga.

O Mansa vestia-se com artefatos de ouro e usava uma túnica vermelha (mothanfas). O trono do imperador era o pempi, uma poltrona feita de ébano. O mansa detinha, como funções, ministrar a justiça no reino e comandar a guerra. O Império era governado de duas formas: no centro, o controle direto do rei; na periferia, eram estabelecidos reinos protetorados. O reino central era subdividido em províncias com um governador (dyamani tigui). As menores unidades de uma província eram os kafo e os dugu. Os reis da periferia reconheciam a soberania do imperador, mas não perdiam seu estatuto de reis. Estes, normalmente, pagavam impostos ao imperador.

Mansa Mussa foi o rei que incentivou a cultura, o ensino e a expansão do Islã. Na sua famosa peregrinação a Meca, ele trouxe, para o Mali, mercadores e sábios e divulgou a religião islâmica.

O imperador também trouxe, consigo, um poeta-arquiteto, Abu Ixaque, mais conhecido como Essaheli, ou Ibraim Abu Ixaque Essaheli. Foi ele quem planejou a grande mesquita de Djingareiber: uma joia da arquitetura que começou a ser construída em 1325 e que foi terminada por Candu Musa.

Esse rei também enviou estudiosos para o Marrocos, para estudar na universidade de Fez. Esses sábios voltaram ao Mali e, lá, fundaram seus centros de ensino e estudo corânico. Tombuctu se tornou um centro de difusão de conhecimento para comerciantes e para estudiosos.

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Ver também

Ligações externas

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