Guiné

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République de Guinée
República da Guiné
Bandeira da Guiné
Brasão de armas da Guiné
Bandeira Brasão de Armas
Lema: "Travail, Justice, Solidarité" ("Trabalho, Justiça, Solidariedade")
Hino nacional: "Liberté" ("Liberdade")
Gentílico: Guineano(a), guineense[1]

Localização  {{{nome_pt}}}

Capital Conacri
9° 30' N 13° 43' O
Cidade mais populosa Conacri
Língua oficial Francês
Governo República presidencialista
 - Presidente Alpha Condé
 - Primeiro-ministro Mamady Youla
 - Presidente da Assembleia Nacional Naby Touré
Independência da França 
 - Data 2 de outubro de 1958 
Área  
 - Total 245 857 km² (76.º)
 - Água (%) <0,1
 Fronteira Guiné-Bissau (noroeste), Senegal (norte), Mali (norte e nordeste), Costa do Marfim (sudeste), Libéria e Serra Leoa (sul)
População  
 - Estimativa para 2008 9 806 509 hab. (82.º)
 - Densidade 39 hab./km² (137.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 9,741 bilhões (141.º)
 - Per capita US$ : 1074 (160.º)
IDH (2015) 0,414 (183.º) – baixo[2]
Gini (2006) 38,1[3]
Moeda Franco guineense (GNF)
Fuso horário (UTC+0)
Clima Tropical
Org. internacionais ONU, UA (suspensa[4]), Francofonia
Cód. ISO GIN
Cód. Internet .gn
Cód. telef. +224

A Guiné (em francês: Guinée, em fula Gine), oficialmente República da Guiné (também chamada Guiné-Conacri para a distinguir da vizinha Guiné-Bissau) é um país da África Ocidental limitado a norte pela Guiné-Bissau e pelo Senegal, a norte e leste pelo Mali, a leste pela Costa do Marfim, a sul pela Libéria e pela Serra Leoa e a oeste pelo oceano Atlântico. Com 246.000 quilômetros quadrados e dez milhões de habitantes, a Guiné é uma república e a capital, sede do governo e maior cidade é Conacri.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O nome ocorre de duas possíveis hipóteses reais, a primeira: de um império que surgiu na bacia do Níger, no século VIII, era denominado '' Ghinea'', ''Jinné'' e ainda '' Djinnéa''. "Guiné" é, provavelmente, uma referência a "Gana", que era o nome pelo qual os nativos chamavam a área anteriormente ocupada pelo Império do Mali.[5] A pronúncia real como '' Guiné '', aparece com os portugueses em mapas do século XIV e como nome oficial do território durante o domínio total no século XV.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Guiné

A área ocupada hoje pela Guiné fez parte do território de diversos povos africanos, incluindo o império Songai, no período entre os séculos X e XV, quando a região tomou contato pela primeira vez com os comerciantes europeus. A descoberta da Guiné pelos portugueses ocorreu em meados de 1460 pelos navegadores Pedro de SintraAlvise Cadamosto. O que se compreende hoje a Guiné, do século XV até o XIX esteve a região ligada ao tráfico de escravos praticado pelos portugueses que instalaram-se em entrepostos nos litorais.

A povoação inicial da atual Guiné, surgiu através de migrações de povos vindos do Sudão (Atual Mali), Níger e Senegal. A primeira povoação com habitação talvez tenha sido a dos pigmeus, eles foram obrigados a fugir da região ante a invasão de povos vindos do norte. Os Bagas, um povo que ali surgiu, chegaram a se instalar na região de Conacri, mas foram expulsos para as regiões da baixa Guiné, os susu de etnia mandinga fizeram a expulsão. Na região florestal, os Kissi tomaram esse lugar e, mais tarde, os Tenda refugiaram-se na parte apartada do Futa Djalon. Os Malinqués, um povo que viria a fazer parte da história étnica da Guiné, chegaram na parte da Alta Guiné no século XVI, isso após a expansão do Império do Mali. Os Peúles emigraram da região do Futa Toro (Senegal) para o Futa Djalon quase no mesmo tempo.[6]

Um reino Peúle começou a surgir após os pastoreamentos feitos na localidade do Mali. Na África Ocidental, os peúles se converteram ao islamismo no século XVIII, isso passou a marcar os modos característicos daqueles habitantes e da política, pois as diretrizes islâmicas já possuíam virtudes ligadas ao conhecimento e aos valores de seguidores. Fato esse proporcionou uma organização maior dos peúles, eles se organizaram em exército e passaram a jugar autoridade sobre os povos regionais. A data certa de ocupação dos peúles é 1725, eles vieram do Senegal e chegaram na Guiné para proclamar um Imanato no Futa Djalon, que foi idealizado por Alfa Ba, esse convocou uma Jihad (guerra santa) para dominar aquela parte, Ba faleceu antes do início (1726-1727), seu filho Karamoko Alfa teve que fazer a conquista com tal propósito. Karamoko Alfa que morreu em 1751, passou a líder do Imanato que durou de 1725, até a ocupação de Timbo pelos franceses em 3 de Novembro de 1896. O Imanato era divido em 9 estados. Na fase de sucessão após 1751, foi Ibrahim Sori o responsável pela administração do do estado, ele expandiu grande parte do Futa Djalon para a confederação peúle. Com a morte de Sori em 1784, administração do reino passou a ser feita por um Almany, líder de base mulçumana. Em meio da população haviam pessoas das duas famílias peúles aristocráticas: os Alfaya (de Karamoko), e os Soria (de Ibrahim). Possuíam esses a autoridade e dominavam os agricultores dialonqués, porém foi a disputa da hegemonia que gerou situação de calamidade popular, isso que ocasionou a ocupação francesa de Timbo e o fim do Imanato peúle (1896).[7]

No que se refere á respeito de registro da presença francesa, é que nas década de 1830 e 1850 eles estiveram a estabelecer os primeiros contatos com o território. O período colonial da Guiné se iniciou quando tropas francesas penetraram na região em meados do século XIX. Durante esses tempos foram essenciais os acordos feitos pelos francos junto aos líderes de tribos locais, os ingleses foram derrotados na região litorânea, permitindo assim o avanço das forças francesas adentro do território da Guiné. A dominação francesa foi assegurada ao derrotarem as tropas de Samory Touré (1898), guerreiro de etnia malinke, o que deu, aos franceses, o controle do que é, hoje, a Guiné, e de regiões adjacentes.

Samory Touré, foi um líder Mulçumano de um império fundado por ele na década de 1870, o Uassulu. O território inserido ao domínio era toda a atual Guiné Oriental, tendo como vizinhos a Libéria e Serra Leoa (os países de atualmente). Ao leste também com a Costa do Marfim e ao norte limitado pelo rio Níger, próximo a Ségou. Bissandougou foi a cidade escolhida por Touré para ser a capital de Uassulu, lugar esse localizado próximo a Kankan, dentro da atual Guiné. Foi estabelecido pelo imperador um império no qual cada província possuía um governador, esse limitado a um chefe militar e um chefe religioso, chamado de Marabu. Era Samory Touré um almany, que dominou sem fundamentar-se no islamismo, adotou um modo de governo laico mais preocupado com a ocupação francesa e lutando contra o colonialismo.

Foi com as vitórias e os avanços franceses sobre os ingleses que Samory encarou os francos no Sudão (Mali), em 1881. Foi em 1885 que o Império de Samory Touré entrou em guerra com os franceses, isso por razões de domínios territoriais — o controle da margem norte do Níger. As forças de Touré se esgotaram sem mantimentos e cavalos para transporte, o almany teve que aceitar um tratado de paz com os franceses, o Kiniéba-Koura em 1886, Samory Touré como garantia também enviou seu filho como refém a Paris. Foi no tratado de Bissandougou (1887), que o líder parou de realizar suas ações na região sul do Níger, aceitando também a proteção francesa contra os ingleses que ocupavam Serra Leoa. Em época de paz com os colonizadores, tentou se expandir com conquistas ao leste, cercou assim o rei Tiéba de Sikasso. O rei solicitou apoio dos franceses contra Samory, que em 1891 começaram uma luta contra o império que duraria até 1898, se estendeu o conflito pela atual Burkina Faso, Mali, Costa do Marfim e Guiné. Na temporada 1892-1893, os forças coloniais dos francos ocuparam Faranah, local de rota onde eram adquiridos os fuzis por Samory para o seu batalhão. Foi em tal época que a capital do Império de Uassulu foi transferida de Bissandougou para Dabakala (atual Costa do Marfim), o abastecimento e obtenção de armamentos passaram a ser feitos na Costa do Ouro (Gana) e Libéria.

Em 1895, a cidade de Kong, então aliada dos franceses foi destruída pelas forças do almany Samory Touré. Estava ele completamente sozinho na batalha, já havia tido várias conversas para a formação de alianças com reinos semelhantes, como o de Ahmadou (Mali), tal não viu outra saída ao não ser a reconciliação com os franceses, estava a aceitar qualquer condição imposta, exceto a ocupação colonial e a presença de um governador oficial. A França recusou o estado de paz, então Samory Touré tentou reconquistar Bissandougou, não teve sucesso em meio a sua retirada para o sul bloqueada por tribos do norte da Costa do Marfim. Foi em 1898 que os franceses capturaram Samory Touré em Guélémon, Costa do Marfim, esse êxito proporcionou a anexação total da Guiné ao domínio da França, em especial a região a ser ligada do litoral ao interior da África Ocidental.

A França definiu, em fins do século XIX e início do XX, as fronteiras da atual Guiné com os territórios britânico e português que hoje formam, respectivamente, Serra Leoa e Guiné-Bissau. Negociou, ainda, a fronteira com a Libéria. Sob domínio francês, a região passou a ser o "Território da Guiné" dentro da África Ocidental Francesa, administrada por um governador-geral residente em Dakar (atualmente, capital do Senegal). Tenentes-governadores administravam as colônias individuais, incluindo a Guiné.

Liderados por Ahmed Sékou Touré, líder do Partido Democrático da Guiné (PDG), que ganhou 56 das 60 cadeiras nas eleições territoriais de 1957, o povo da Guiné decidiu, em plebiscito, 95,5% da população decidiu rejeitar a proposta de pertencer a uma Comunidade Francesa. Os franceses se retiraram rapidamente e, em 2 de Outubro de 1958, a Guiné se tornou um país independente, com Sékou Touré como presidente.

Sob o governo de Touré, a Guiné se tornou uma ditadura de partido único, com uma economia fechada de caráter socialista, e intolerante a direitos humanos, liberdade de expressão ou oposição política, a qual foi brutalmente suprimida. Antes acreditado por sua defesa de um nacionalismo sem barreiras étnicas, Touré, gradualmente, passou a depender de seu próprio grupo étnico, os malinke, para preencher posições no seu governo. Alegando tentativas de golpe oriundas do exterior e do próprio país, o regime de Touré visou a inimigos reais e imaginários, aprisionando milhares em prisões similares aos gulag soviéticos, onde centenas pereceram. A repressão do regime levou mais de 1 milhão de pessoas ao exílio, e a paranoia de Touré arruinou as relações com países estrangeiros, incluindo países africanos vizinhos, aumentando o isolamento econômico da Guiné e, posteriormente, devastando sua economia.

Sékou Touré morreu a 26 de Março de 1984, e uma junta militar encabeçada pelo coronel Lansana Conté tomou o poder a 3 de Abril de 1984. O país continuou sem eleições democráticas até 1993, quando foram realizadas eleições e Lansana Conté ganhou-as numa disputa apertada. O presidente foi reeleito em 1998. O presidente foi severamente criticado ao prender, em 1999, um importante líder de oposição. As tensões com a vizinha Serra Leoa ainda persistem.

Em 22 de dezembro de 2008, o presidente Conté faleceu, tendo sido substituído por uma junta militar que, aproveitando-se da vacância no poder, anunciou, através do capitão Musa Dadis Camara, um golpe de estado, que suspendeu a constituição e as instituições republicanas do país.

Política[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Política da Guiné

Desde 23 de dezembro de 2008, em virtude da morte do presidente, Lansana Conté, está suspensa a Constituição, assim como toda atividade política e sindical em virtude de golpe de estado aplicado por militares da Guiné.

O porta-voz do Exército anunciou que "o governo e as instituições republicanas foram dissolvidos", e que será formado um "conselho consultivo" integrado "por civis e militares", conforme declarou o capitão Musa Dadis Camara.

Após tais alterações políticas, a Guiné possui seguinte configuração política:

Poder Executivo[editar | editar código-fonte]

Chefe de Estado - Presidente Alpha Condé (presidente do país desde 21 de dezembro de 2010, sucedendo ao presidente interino Sékouba Konaté, que estava no poder desde 15 de janeiro do mesmo ano).

Chefe de Governo - Primeiro-Ministro Kabiné Komara (desde 30 de dezembro de 2008.)

Gabinete - Conselho de Ministros, indicados pelo presidente.

Segundo a constituição da Guiné, atualmente suspensa, o presidente era eleito por voto popular para um mandato de 5 anos. O candidato devia receber a maioria dos votos para se tornar presidente.

Poder Legislativo[editar | editar código-fonte]

Representado pela Assembleia Nacional Popular (Assemblée Nationale Populaire), com 114 cadeiras. Seus membros são eleitos por voto direto popular para um mandato de 5 anos.

Eleições - A última ocorreu em 18 de Abril de 2005.

Poder Judiciário[editar | editar código-fonte]

Corte de Apelação (Cour d'Appel)

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Regiões da Guiné.
Ver artigo principal: Subdivisões da Guiné

A Guiné está dividida em 8 regiões:

  1. Boké
  2. Kindia
  3. Conacri
  4. Mamou
  5. Labé
  6. Faranah
  7. Kankan
  8. Nzérékoré

As regiões da Guiné estão divididas em 33 prefeituras e uma zona especial (Conakry, a capital nacional), capitais entre parênteses:

(1) Zona especial

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia da Guiné

A Guiné situa-se na costa atlântica da África ocidental e tem fronteiras com a Guiné-Bissau, o Senegal, o Mali, a Costa do Marfim, a Libéria e a Serra Leoa. O país divide-se em quatro regiões geográficas: uma faixa costeira estreita (a Baixa Guiné); as terras altas cobertas de pastagens de Fouta Djallon (a Média Guiné); a savana do norte (a Alta Guiné); e uma região de floresta húmida no sueste (a Guiné Florestal). Os rios Níger, Gâmbia e Senegal pertencem ao grupo dos 22 rios da África Ocidental que têm as suas nascentes na Guiné.

A região costeira da Guiné e grande parte do interior têm um clima tropical, com uma estação das chuvas entre Abril e Novembro, temperaturas relativamente elevadas e uniformes, e humidade elevada. A média anual das temperaturas máximas em Conakry é de 29 °C e das mínimas é de 23 °C; a precipitação média anual é de 430 centímetros. A Alta Guiné, que pertence ao Sahel, tem uma estação das chuvas mais curta e maior amplitude térmica diária.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Demografia da Guiné

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia da Guiné

A economia da Guiné é diretamente beneficiada pela grande quantidade de minerais presentes em seu território, possuindo um terço das reservas de bauxita já descobertas no planeta, 1,8 bilhão de toneladas métricas de minério de ferro, grandes depósitos de diamante e de ouro e quantidades ainda indeterminadas de urânio.

A Guiné tem também um potencial de crescimento considerável para setores como agricultura e pesca. A terra, a água e as condições climáticas favorecem a agricultura e a agroindústria em grande escala.


Cultura[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura da Guiné

Referências

  1. «Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos da Guiné» 
  2. «Human Development Report 2016 – "Human Development for Everyone"» (PDF) (em inglês). Human Development Report (Human Development Report Office) - United Nations Development Programme. Consultado em 22 de março de 2017 
  3. «CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini» 
  4. «estadao.com.br, "União Africana suspende Guiné do bloco após golpe"» 
  5. BUENO, E. A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro. Objetiva. 1998. p. 75.
  6. Britannica do Brasil, Encyclopaedia (1986). Verbete Guiné da enciclopédia. Rio de Janeiro: Melhoramentos. 1 páginas 
  7. Britannica do Brasil, Encyclopaedia (1986). Verbete Guiné da Enciclopédia. Rio de Janeiro: Melhoramentos. pp. Página 5607 : Volume 11 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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