Alvise Cadamosto

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Disambig grey.svg Nota: Cadamosto redireciona para este artigo. Para o palácio em Veneza, veja Ca' da Mosto.
Alvise Cadamosto
Nascimento 1429
Veneza
Morte 16 de julho de 1483 (54 anos)
Veneza
Cidadania República de Veneza
Ocupação explorador

Alvise Cadamosto (Veneza, 1432 — Veneza, 18 de julho de 1488), também conhecido por Alvide da Ca' da Mosto e na literatura lusófona por Luís Cadamosto ou Luiz Cadamosto, foi um navegador veneziano e explorador que esteve durante alguns anos ao serviço do Infante D. Henrique, tendo conhecido um dos seus homens no Cabo de São Vicente. Ao serviço da coroa portuguesa explorou a costa ocidental da África, sendo-lhe creditado o descobrimento de algumas das ilhas de Cabo Verde e a exploração da foz do rio Gâmbia e costa adjacente, incluindo o arquipélago dos Bijagós. Escreveu um relato das suas viagens de exploração e do seu amigo Pedro de Cintra, este relato foi escrito aproximadamente dez anos após sua segunda e última viagem.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Alvise Cadamosto nasceu por volta de 1432, no palácio de Ca' da Mosto, uma grande residência burguesa situada nas margens do Canal Grande de Veneza, propriedade do seu pai, o mercador Giovanni da Mosto, e da qual tomou o nome. Seguindo a actividade da família, desde muito jovem que se dedicou ao comércio marítimo, participando em múltiplas viagens pelo Mediterrâneo e costa europeia do Atlântico, visitando portos no norte de África, no sul da Europa, na Flandres e na Inglaterra, o trabalho com a navegação era comuns entre os jovens dessa época que buscavam prestígio e riquezas, além é claro que como narrado por Alvise Cadamosto, aventuras.

Cadamosto viu-se privado da sua herança familiar dada a condenação do pai ao exílio, na sequência de actividades ilícitas. Tal facto levou-o a aventurar-se no comércio internacional ainda muito jovem. Em 1445, teria feito a sua primeira viagem. Foi à Barbaria, em ligação comercial com a empresa de Andrea Barbagio. No ano seguinte, navegava até Creta. Em 1451, embarcou na esquadra comandada por Alvise Contariro que se dirigia para Alexandria. No regresso, partiu para a Flandres, de onde voltou em 1453.no palácio de Ca' da Mosto, uma grande residência burguesa situada nas margens do Canal Grande de Veneza, propriedade do seu pai, o mercador Giovanni da Mosto, e da qual tomou o nome. Seguindo a atividade da família, desde muito jovem que se dedicou ao comércio marítimo, participando em múltiplas viagens pelo Mediterrâneo e costa europeia do Atlântico, visitando portos no norte de África, no sul da Europa, na Flandres e na Inglaterra. Em 1454, no decurso de uma destas viagens, foi obrigado por ventos fortes contrários a arribar à costa do Algarve, onde os navios em que viajavam foram visitados por um emissário do Infante D. Henrique, então em Sagres. Tomando conhecimento de que a coroa portuguesa concedia licenças e apoiava a exploração da costa de África por navegadores estrangeiros, resolveu permanecer em Portugal e iniciar a sua própria carreira como explorador e mercador nas novas terras para sul.

A 22 de Março de 1455 partiu de Lisboa para a sua primeira expedição de exploração e comércio ao longo da costa atlântica da África. Nesta viagem visitou a ilha da Madeira e o arquipélago das Canárias, partido depois para a costa africana, onde visitou a região da foz do rio Senegal e estabeleceu contactos pacíficos com os habitantes da região. A intenção da viagem era ultrapassar o Cabo Verde e explorar a região da foz do rio Gâmbia, encontrando em viagem outra expedição portuguesa, comandada por Antoniotto Usodimare. Conjuntamente percorreram a costa das imediações do Cabo Verde (hoje região de Dacar) até à foz do rio Gambia, que tentaram subir, mas foram obrigados a desistir porque as tripulações se recusaram a continuar viagem e forçaram o regresso.

Em 1456, novamente na companhia de Usodimare, retomou a sua intenção de explorar a região do rio Gambia, voltando àquela região. Nesta viagem descobriu algumas das ilhas do arquipélago de Cabo Verde, sendo a sua expedição provavelmente o primeiro contacto europeu com aquelas ilhas.[1] Os nomes atribuídos a algumas das ilhas, nomeadamente Boavista e Santiago, parecem ter sido por ele atribuídos. Nesta viagem, a expedição capitaneada por Cadamosto atingiu a foz do Rio Grande e o arquipélago dos Bijagós, tendo explorado novamente a foz do Gambia, rio que subiu até cerca de 100 km da desembocadura, tendo de retirar dada a hostilidade dos povos ribeirinhos.

Regressado a Portugal, terá permanecido em Lisboa, ocupado no comércio marítimo, até 1462, ano em que regressou a Veneza.

Após a sua morte, foi publicada uma relação das suas viagens à costa de África, um relato escrito na década de 1460 e publicado em Milão nos anos de 1507 ou 1508, conjuntamente com a obra de Antonio Montalboddo Fracanzano intitulada Itinerarium Portugallensium e Lusitania in Indiam et Inde in Occidentem et Demum ad Aquilonem.[2] A obra foi reeditada pela Hakluyt Society em 1937.[3]

A sua narrativa teve grande importância para a História marítima, servindo de orientação para aqueles que se adentraram nas navegações no período, serviu também como forma d aprender sobre as outras culturas, tendo o livro sido publicado e traduzido, circulando pela a Europa do século XV e XVI, e na contemporaneidade como fonte histórica para se analisar como era a mentalidade da pequena nobreza da época e entender e descobrir como foram os primeiros contatos entre os povos europeus e os grupos africanos.

Referências

  1. A maioria das fontes historiográficas atribui contudo a descoberta do arquipélago a uma expedição capitaneada por Antonio da Noli e Diogo Afonso, em 1462.
  2. no catálogo da colecção William Reese 250.
  3. G. R. Crone (editor), The Voyages of Cadamosto, Series II, Vol. LXXX, Hakluyt Society, Londres,1937.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]