Arquipélago dos Bijagós

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Arquipélago dos Bijagós
Map of the sectors of the Bolama Region, Guinea-Bissau.png
Ilhas do Arquipélago dos Bijagós
Geografia física
País Guiné Bissau
Localização Oceano Atlântico
Número de ilhas 88 Ilhas ,20 habitadas
Ilhas principais
Área 2,624  km²
Geografia humana
População 32,424 (2009)
Densidade 12,4  hab./km²
Capital Bolama
Maior cidade Bolama
Principais cidades Abu ,Uno ,Bubaque
Satellite image of Guinea-Bissau in January 2003.jpg
Arquipélago dos Bijagós, frente à foz do rio Geba, na Guiné-Bissau, visto de satélite.

O Arquipélago dos Bijagós faz parte da Guiné-Bissau e é constituído por 88 ilhas situadas ao largo da costa africana, compondo uma área protegida, classificadas pela UNESCO em 1996 como reserva da biosfera. Esta reserva conta com uma diversificada fauna na qual se contam, entre outras espécies macacos, hipopótamos, crocodilos, aves pernaltas, tartarugas marinhas e lontras.[1]

O Arquipélago[editar | editar código-fonte]

O arquipélago tem uma área total de 2 624 km²[2] e uma população orçada em cerca de 30.000 habitantes (2006). Apenas 20 das ilhas têm populações significativas, já que a maioria ou são desabitadas ou têm populações muito reduzidas. A população fala maioritariamente o Bijagó e professa religiões animistas: são profundamente crentes e dedicam cerca de cem dias por ano a rituais religiosos. O arquipélago conta com ampla autonomia administrativa.

Entre as 88 ilhas pertencentes ao arquipélago, salientam-se:

História[editar | editar código-fonte]

Na era pré-colonial o arquipélago constituía um importante ponto de passagem das rotas comerciais na costa ocidental Africana. Em 1930-1931 o antropólogo e fotógrafo Austríaco Hugo Bernatzik viveu no arquipélago onde documentou a vida do povo Bidyogo. A ilha de Orango tem uma sociedade matriarcal onde as mulheres escolhem os maridos ao cozinhar-lhes um prato (tradicionalmente peixe) que, sendo aceite e comido pelo pretendido, se torna o selo da união.

População[editar | editar código-fonte]

Os bijagós não são verdadeiramente originários destas ilhas, que lhes serviram de refúgio antes da conquista de Malinké. Terão chegado a estas ilhas depois de terem sido derrotados por outros povos do continente e construído as suas aldeias no centro das ilhas, em plena floresta, para melhor se defenderem.
A maior parte da população do arquipélago pertence à etnia bijagó. Contudo, existem outros grupos étnicos guineenses que coabitam com os bijagós neste meio insular. Por outro lado, os estrangeiros vindos da sub-região estão igualmente presentes no território em conjunto com os Nhomincas do Senegal, os guineenses de Conakri e os habitantes da Serra Leoa.[3]

Organização Social[editar | editar código-fonte]

Cada aldeia que agrupa em média 100 a 200 pessoas, pode ser considerada uma entidade política, económica e religiosa[4].

Divisão Administrativa/Ilhas[editar | editar código-fonte]

Administrativamente o arquipélago pertance a Região de Bolama

Divisão Administrativa

/Ilhas

Sector km²[5] Hab[6].

(2009)

Sector Bolama Bolama 10.206
Ilha Bolama (Cidade 4.819 Hab.)[7] Bolama 98.1 6.024
Sector Bolama (Parte Continental) Bolama 2.549
Ilha Galinhas Bolama 1.633
Sector Bubaque Bubaque 11.204
Ilha Bubaque (Cidade 4.299 Hab)[8] Bubaque 6.427
Ilha de Canhabaque/Roxa Bubaque 110.9 2.478
Ilha de Soga Bubaque 842
Ilha de Orangozinho Bubaque 107.0 706
Ilha de Ganogo Bubaque 458
Ilha de Rubane Bubaque 165
Ilha de Menegue Bubaque 122
Ilha de João Vieira Bubaque 6
Sector Caravela Caravela 5.101
Ilha de Formosa Caravela 140.3 1.873
Ilha de Caravela Caravela 125.7 907
Ilha de Unhocomo Caravela[9] 678
Ilha de Ponta (Nago) Caravela 619
Ilha de Maio (Chediã) Caravela 436
Ilha de Carache Caravela 80.4 428
Ilha de Unhocomozinho Caravela[10] 160
Sector Uno Uno 5.913
Ilha de Uno Uno 104.0 3.324
Ilha de Orango Grande Uno 272.5 1.250
Ilha Uracane Uno 1.181
Ilha de Eguba Uno 158
Total 2.624[2] 32.424

Economia[editar | editar código-fonte]

Reserva da Biosfera ,Parques Nacionais e Áreas Protegidas

O bijagó autóctone é tradicionalmente ligado às actividades agrícolas, pois a economia do arquipélago repousa essencialmente na agricultura . Quanto à pesca, essa constitui uma actividade complementar e de subsistência. As mulheres dedicam-se igualmente à apanha do marisco e bivalves, principal fonte de proteína animal da população bijagó.[11]

O turismo no arquipelago é incipiente, recebendo cerca de 30 mil turistas por ano(2017)[12]. Possui algumas instalações de ecoturismo[13].

Clima[editar | editar código-fonte]

Com um clima tropical, as ilhas teem duas estações bem definidas: a das chuvas, entre Maio e Outubro, e a seca, de Novembro a Abril.. A temperatura é sempre elevada, sendo os meses de Dezembro e Janeiro os mais frescos[13].

A ilha de Orango tem muitos tipos de clima, desde o mais seco nas zonas de pouco pasto, savana, até uma muito húmido, quando se entra no meio da vegetação.

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

Pela importancia da sua Biodiversidade todo o arquipélado está classificado como Reserva Ecológica da Biosfera pela UNESCO[14] Esta reserva ecológica é o abrigo de um sem-número de aves, nomeadamente, abutres, beija-flor de barriga verde, garajau, garça gigante, pelicanos, flamingos e tantos outros. Também podemos encontrar manatins africanos[13], tartarugas marinhas, lontras-do-cabo, tubarões e na ilha de Orango, hipopótamos (únicos do mundo no meio marinho)[1].

Parques Nacionais/Áreas Protegidas[editar | editar código-fonte]

Parques Nacionais[editar | editar código-fonte]

Existem dois Parques Nacionais:O Parque Nacional de Orango e o Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão.

Áreas Protegidas[editar | editar código-fonte]

Existe uma Área Protegida:Área Marinha Protegida Comunitária das Ilhas Formosa, Nago e Tchedia (Urok).[15]

Geologia[editar | editar código-fonte]

As ilhas dos Bijagós são antigo delta transformado em arquipélago depois da subida do nível do mar[4]. É ainda o único arquipélago deltaico da costa ocidental africana e o maior complexo de vasas de Africa[4].

Referências

  1. a b «Jornal Público ,Suplemento Fugas». Jornal Público , Portugal. 31 março 2018 
  2. a b «Instituto Nacional de Estatística Guiné-Bissau». Consultado em 27 abril 2018. 
  3. Nóbrega, Álvaro (2009). A gestão do espaço e da propriedade tradicional no arquipélago dos Bijagós, Instituto Superior em Ciências Sociais e Políticas.
  4. a b c «Trilhas Ecoturisticas ,Arquipelagos dos Bijagos». IBAP ,Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas. 2018. Consultado em 21 maio 2018. 
  5. «UNEP ,ISLAND DIRECTORY». UNEP ,United Nations Environment Programme. 1998. Consultado em 15 maio 2017. 
  6. «Censo 2009» (PDF) 
  7. «Censos 2009» (PDF) 
  8. «Censos 2009» (PDF) 
  9. Ficheiro:Map of the sectors of the Bolama Region, Guinea-Bissau.png
  10. Ficheiro:Map of the sectors of the Bolama Region, Guinea-Bissau.png
  11. Nóbrega, Álvaro (2009). A gestão do espaço e da propriedade tradicional no arquipélago dos Bijagós,Instituto Superior em Ciências Sociais e Políticas.
  12. Antunes, Conceição (29 janeiro 2017). «Semanario EXPRESSO ,Caderno Economia». Semanario EXPRESSO. Consultado em 27 abril 2018. 
  13. a b c Costa, Sandra (9 setembro 2017). «Jornal Público ,Supmento Fugas». Jornal Público ,Portugal. Consultado em 25 abril 2018. 
  14. «Biosphere Reserves,UNESCO». UNESCO. August 2011. Consultado em 25 abril 2018.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  15. Nóbrega, Álvaro (2009). A gestão do espaço e da propriedade tradicional no arquipélago dos Bijagós,Instituto Superior em Ciências Sociais e Políticas.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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