Bissau

From Wikipédia
Jump to navigation Jump to search
Disambig grey.svg Nota: Para a montanha da Ilha de São Nicolau, em Cabo Verde, veja Monte Bissau.
Guiné-Bissau Bissau 
  Cidade  
Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria
Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria
Símbolos
Bandeira de Bissau
Bandeira
Gentílico bissauense
bissanense[1]
Localização
Bissau está localizado em: Guiné-Bissau
Bissau
Localização de Bissau na Guiné-Bissau
Coordenadas 11° 51' N 15° 34' 39" O
País Guiné-Bissau
Região Setor Autônomo de Bissau
História
Fundação 15 de março de 1692
Construção da fortaleza 1696
Fundação como cidade 1766
Elevação a vila 1859
Fundador Império Português
Administração
Tipo Câmara Municipal
Presidente Luís Silva de Melo(2018)[2]
Características geográficas
Área total [3] 118 km²
População total (2015) [4] 492 004 hab.
Densidade 4 169,5 hab./km²
Altitude [5] 39 m
Fuso horário UTC (UTC+0)
Website www.cmbissau.com

Bissau, oficialmente denominada Sector Autónomo de Bissau, é um sector autónomo e a cidade capital da Guiné-Bissau, localizada no estuário do Rio Geba, na costa atlântica. É a maior cidade do país, com o maior porto, constituído como o centro administrativo e militar do país.

História[edit | edit source]

A história de Bissau iniciou-se ainda em 1687, quando o rei daquela região concordou, junto a Portugal, em construir ali uma fortificação, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição.[6] Bissau foi fundada, então, em 15 de março de 1692[3] e, de facto, em 1696, foi iniciada a edificação da fortaleza pela Companhia de Cacheu e Cabo Verde, sob o comando do capitão-mor José Pinheiro da câmara Em 1703, no entanto, a companhia responsável pela construção não teve seu contrato de exploração de escravos renovado pela Coroa portuguesa, o que conduziu ao acúmulo de prejuízos e ao abandono da Capitania-Mor de Bissau, em Dezembro de 1707.[7] Neste ano, já no governo do rei Dão. João V, o forte foi destruído.[8]

Apesar de o entreposto ter sido reocupado em Novembro de 1753, somente em 1766, com a final construção da Fortaleza da Amura (na época chamada de "Praça de S. José" em homenagem ao rei que a mandou construir), teve início a evolução de Bissau na condição de cidade. A partir de então, cumpriu importante papel histórico na região, como centro de comércio e porto fortificado. Embora a Guiné Portuguesa fosse administrativamente dependente de Cabo Verde, a cidade exerceu por duas vezes o papel de sua capital, em 1836 e 1915.[8]

Em 1855, foi criada em Bissau uma comissão municipal, e a pequena cidade veio a ser elevada ao estatuto de vila a 29 de Abril de 1858.[9] Isso, no entanto, não contribuiu para o seu desenvolvimento urbano, já que os efeitos destas ações consistiram apenas em reafirmar sua importância econômica. Outro fator que colaborou para isto foi a separação administrativa entre Cabo Verde e a Guiné Portuguesa em 1879, quando a capital foi transferida para Bolama. Somente em 9 de dezembro de 1941, pela terceira vez, Bissau voltaria a ser a capital de sua colônia.[8]

Pela primeira vez, em 1914, Bissau recebeu um plano de urbanização, uma vez que se tornara cidade. E em 6 de fevereiro de 1948, já como capital da Guiné Portuguesa, a cidade alcançou a mais alta distinção, tendo sido elevada a Câmara Municipal. Já em setembro de 1974, com o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, tornou-se capital desse país independente.[3]

Geografia[edit | edit source]

Imagem de satélite da Guiné-Bissau destacando, ao centro, o rio Geba. O ponto vermelho representa a cidade de Bissau.

Bissau está situada na costa oeste da Guiné-Bissau, às margens do estuário do rio Geba, próximo ao Oceano Atlântico, com uma altitude de 39 metros.[5] As terras adjacentes à cidade são de altitudes muito baixas, o que também permite que o rio seja acessível a grandes navios, muito embora esta capacidade se dê somente até cerca de 80 quilômetros além da cidade.[nota 1]

Clima[edit | edit source]

O clima de Bissau pode ser classificado como clima de savana com temperaturas estáveis (média de 26 °C[5]), já que não apresenta umidade suficiente para caracterizar um clima de monções. No entanto, é um clima mais úmido que muitos outros de seu tipo. Não chove muito nos meses de novembro a maio, permanecendo o maior volume de precipitações concentrado nos meses restantes. No total anual, Bissau recebe o equivalente a pouco mais de 2 020 mm de chuva. Nos meses de junho a outubro, período mais chuvoso, e até mesmo nos três meses anteriores, a alta umidade provoca um calor considerado extremamente desconfortável.[10]

Dados climatológicos para Bissau
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 36,7 38,3 38,9 41,1 39,4 35,6 33,3 32,8 33,9 34,4 35,0 35,6 41,1
Temperatura máxima média (°C) 31,1 32,8 33,9 33,3 32,8 31,1 29,4 30,0 30,0 31,1 31,7 30,6 31,5
Temperatura mínima média (°C) 17,8 18,3 19,4 20,6 22,2 22,8 22,8 22,8 22,8 22,8 22,2 18,9 21,1
Temperatura mínima recorde (°C) 12,2 13,3 15,6 16,7 17,2 19,4 19,4 19,4 19,4 20,0 15,0 12,8 12,2
Precipitação (mm) 0,5 0,8 0,5 0,8 17,3 174,8 472,5 682,5 434,9 194,8 41,4 2,0 2 022,8
Horas de sol 248 226 279 270 248 210 186 155 180 217 240 248 2 707
Fonte: Sistema de Clasificación Bioclimática Mundial[5]

Demografia[edit | edit source]

Bissau tem, segundo o censo 2009, uma população de 384 960 habitantes.[4] Considerando-se uma área de 77 quilômetros quadrados, isso corresponde a uma densidade de 4 187 habitantes por quilômetro quadrados. Compreende 25,19% da população total e mais de 64% da população urbana do país.[11]

Evolução demográfica de Bissau[nota 2][4]

Os balantas (20,5%), fulas (18,0%), papeis (15,7%) e mandingas representam as etnias com maior expressão.

Religião[edit | edit source]

A maioria da população bissauense é cristã (40,2%), com os muçulmanos correspondendo a 34,2% e os animistas a 7,9%.[12]

Entre os lugares de culto, existem principalmente igrejas e templos cristãos (Católicos Romanos (sob coordenação da Diocese de Bissau), Igreja Batista, Igreja Adventista do Sétimo Dia[13] e Igreja Universal do Reino de Deus. Existem também inúmeras mesquitas muçulmanas.[14]

Política[edit | edit source]

Palácio Colinas de Boé, sede da Assembleia Nacional Popular

A cidade de Bissau é localmente administrada por uma Câmara Municipal, com o apoio do Ministro da Administração Territorial. Através de seus diversos órgãos (consultivos, deliberativo, de concepção, apoio e coordenação e operativos), a Câmara administra a área dentro da jurisdição da cidade e do setor autônomo.[15]

Atualmente, o presidente da Câmara é Luís Silva de Melo, ao qual estão diretamente subordinados o seu gabinete, o Conselho Diretivo, a polícia municipal e outros dois gabinetes. O vice-presidente é o arquiteto Fernando Arlete, ao qual se submetem o Conselho Técnico e três direções. E há, ainda, uma secretária geral, responsável diretamente por outras três direções.[16][17]

O governo da Guiné-Bissau também localiza-se em Bissau, já que esta é a capital do país.[18] Na cidade, há a sede da Presidência da República, do Primeiro-ministro e os outros ministérios e da Assembleia Nacional Popular.

Relações exteriores[edit | edit source]

Através de acordos feitos pela Câmara Municipal, Bissau é cidade-irmã das seguintes cidades:

Além disso, a cidade de Bissau participa da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), que une capitais de vários países de língua portuguesa, e prepara mais acordos com cidades do Brasil, Angola, Gâmbia, França e Senegal.[19]

Por ser a capital da Guiné-Bissau, em Bissau encontram-se as embaixadas de diversos países que mantém relações diplomáticas com o país. São elas:

Existia também em Bissau a embaixada dos Estados Unidos, no entanto, esta suspendeu suas atividades em 14 de junho de 1998. A partir de então, o embaixador dos Estados Unidos na Guiné-Bissau passou a residir em Dakar, no Senegal.[28]

Economia[edit | edit source]

Desde quando foi oficialmente fundada como cidade pelos portugueses, em 1766, passou a ser um porto fortificado e centro de comércio. Amendoim, localmente chamado de mancarra, madeira, coco, óleo de palmeira e borracha são, atualmente, os principais produtos produzidos em Bissau.

As indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, e materiais de construção, metalurgia, cigarros, e sapatos.

Turismo[edit | edit source]

A cidade é conhecida pelo seu Carnaval anual. Outras atrações incluem a Fortaleza d’Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), o monumento do Memorial Pidjiguiti para os pescadores e barqueiros mortos na Greve das Docas da Guiné-Bissau em 3 de Agosto de 1959, o Instituto Nacional de Artes da Guiné-Bissau e também o edifício da antiga Câmara de Comércio de Bissau de autoria do arquitecto português Jorge Ferreira Chaves[29] (hoje sede do PAIGC). Encontram-se também o Novo Estádio da Guiné-Bissau e várias praias de grande beleza mais afastadas. Vários dos seus edifícios foram arruinados durante a guerra civil, incluindo o Palácio Presidencial e o Centro de Cultura Francesa da Guiné-Bissau. A cidade começou, nos últimos anos, a experimentar novas infraestruturas modernas, como a nova assembleia do povo, a nova ponte Amilcar Cabral, a nova sede de Banco dos Estados da África de Oeste, bem entre outros.

Infraestrutura[edit | edit source]

Transportes[edit | edit source]

O mais vital porto guinéu-bissauense é o Porto de Geba-Bissau, no grande estuário do Geba; o estuário permite a formação de um porto natural, que serve principalmente como ponta para exportações de café, borracha, madeira, algodão e açúcar.[30]

Bissau possui o Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, o maior e mais movimentado aeroporto do país, sendo também o único que recebe voos internacionais.[31]

Educação[edit | edit source]

Na educação superior, a cidade sedia a Universidade Amílcar Cabral, fundada em 2003, com reitoria localizada no Complexo Escolar 14 de Novembro, no Bairro de Ajuda. Outras instituições de ensino superior importantes incluem a Universidade Colinas de Boé, a Universidade Católica da Guiné-Bissau e a Universidade Lusófona da Guiné.[32]

Ver também[edit | edit source]

Notas e referências

Notas

  1. Este trecho foi produzido a partir do texto obtido na tradução do artigo «Bissau» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  2. Os dados de 2012 são estimados.

Referências

  1. Bissauense. Dicionário Priberam. 2019.
  2. http://www.odemocratagb.com/?p=16907
  3. a b c Câmara Municipal de Bissau. «DESTAQUES». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  4. a b c World Gazetteer. «Bissau» (em espanhol). Consultado em 26 de fevereiro de 2012 
  5. a b c d Sistema de Classificação Bioclimática Mundial. «GUINEA-BISSAU - BISSAU» (em espanhol). Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  6. Roman Adrian Cybriwsky, Capital Cities around the World: An Encyclopedia of Geography, History, and Culture, ABC-CLIO, USA, 2013, p. 53
  7. Veríssimo Serrão. História de Portugal, v. V, p. 284 e segs.
  8. a b c Câmara Municipal de Bissau. «HISTÓRIA». Consultado em 26 de fevereiro de 2012 
  9. "História da Guiné-Bissau em Datas", Américo Campos, p. 25
  10. Cite error: Invalid <ref> tag; no text was provided for refs named Tradução
  11. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). www.stat-guinebissau.com 
  12. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). www.stat-guinebissau.com 
  13. Voluntários fazem diferença em projeto em Guiné-Bissau. Notícias Adventistas. 22 de julho de 2016.
  14. Britannica, Guinea-Bissau, britannica.com, USA, acessado em 12 de janeiro de 2020
  15. Câmara Municipal de Bissau. «ORGÂNICA». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  16. Câmara Municipal de Bissau. «APRESENTAÇÃO - GABINETE DO PRESIDENTE». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  17. Câmara Municipal de Bissau. «ORGANIGRAMA E RESPONSÁVEIS». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  18. Assembleia Nacional Popular (27 de novembro de 1996). «CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU» (PDF). 8 páginas. Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  19. a b c d Câmara Municipal de Bissau. «COOPERAÇÃO». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  20. Câmara Municipal de Lisboa. «Município - Relações Internacionais». Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  21. Lusa (25 de fevereiro de 2011). «Geminação com Bissau e Gabu é "reforço para lusofonia" - UCCLA» (PDF). Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  22. Conselho Municipal de Taipei. «CIDADES-IRMÃS INTERNACIONAIS» (em inglês). Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  23. Ministério das Relações Exteriores. «EMBAIXADA DO BRASIL EM BISSAU». Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  24. Embaixada da República Popular da China na República da Guiné-Bissau (2 de agosto de 2011). «INFORMAÇÕES DA EMBAIXADA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA NA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU» (em chinês e português). Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  25. Ministério de Relações Exteriores da República de Cuba. «Embaixada de Cuba na Guiné Bissau» (em espanhol e inglês). Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  26. Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação da Espanha. «Embaixada da Espanha em Bissau» (em espanhol). Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  27. Portal das Comunidades Portuguesas. «Seção Consular da Embaixada de Portugal - Bissau - Contatos do Consulado». Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  28. Departamento de Estado dos Estados Unidos da América. «Presença Virtual dos Estados Unidos na Guiné Bissau» (em inglês). Consultado em 28 de fevereiro de 2012 
  29. Ana Vaz Milheiro, Eduardo Costa Dias. «Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974)» (PDF). PDF. Consultado em 13 de maio de 2010 
  30. Group, Global Media (12 de julho de 2017). «Economia - Duas empresas concorrem à concessão do principal Porto comercial da Guiné-Bissau». DN 
  31. Apresentação. Aeroporto Internacional de Bissau. 2019.
  32. I Colóquio de Integração Institucional: Que Universidades para que Conhecimentos no Século XXI? Plataforma 9. 24 de julho de 2019.

Ligações externas[edit | edit source]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Bissau