Dinastia Tang

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde fevereiro de 2013). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
History of China.png
História da China
História Antiga
Neolítico 8500 AEC – 2070 AEC
Dinastia Xia 2070 AEC – 1600 AEC
Dinastia Shang 1600 AEC – 1046 AEC
Dinastia Zhou 1046 AEC – 256 AEC
 Zhou Ocidental
 Zhou Oriental
   Primaveras e Outonos
   Estados Combatentes
História Imperial
Dinastia Qin 221 AEC – 206 AEC
Dinastia Han 206 AEC – 220 EC
  Han Ocidental
  Dinastia Xin
  Han Oriental
Três Reinos 220–280
  Wei, Shu and Wu
Dinastia Jin 265–420
  Jin Ocidental
  Jin Oriental Dezesseis Reinos
Dinastias do Norte e do Sul
420–589
Dinastia Sui 581–618
Dinastia Tang 618–907
  (Segunda dinastia Zhou 690–705)
Cinco Dinastias
e Dez Reinos

907–960
Dinastia Liao
907–1125
Dinastia Song
960–1279
  Song do Norte Xia Ocidental
  Song do Sul Jin
Dinastia Yuan 1271–1368
Dinastia Ming 1368–1644
Dinastia Qing 1644–1911
História Moderna
República da China 1912–1949
República Popular
da China

1949–presente
República da
China
(Taiwan)

1949–presente

A Dinastia Tang (chinês: 唐朝; 618-906) foi uma dinastia chinesa fundada pelo oficial Sui Li Yuan, pertencente à dinastia que havia reunificado a China entre 581 e 618, após três séculos de fragmentação.

Costuma-se dizer que com a breve dinastia Sui e com a longa dinastia Tang ficaram soldadas as estruturas da formidável burocracia do Império Chinês. Yang Chien, fundador da dinastia Sui, aplicou uma profunda reforma institucional inspirada em Confúcio, que compilou no código Kaihuang. Fundou bibliotecas e universidades para o funcionalismo, centralizou a administração e simplificou a estrutura local, para homogeneizar o serviço civil e facilitar o controle do governo imperial. O período Tang é considerado a época de ouro da China medieval. Houve grande expansão territorial (Oeste: atual Irã, Leste: Coreia), teve a reconstrução de importantes cidades: Chang´na e Luoyang, teve o fortalecimento do exército. O poder era centralizado e o rei governava por meio de decretos.

Início[editar | editar código-fonte]

O último monarca da Dinastia Sui foi assassinado por seus ministros por causa das guerras com a Coreia, as invasões de nômades turcos no território chinês e os excessivos gastos com luxos no palácio.[1]

A familia Li (李) pertencia a aristocracia militar da Dinastia Sui.[2][3] As mães, do imperador Yang da Dinastia Sui e a do fundador da Dinastia Tang, eram irmãs, sendo os dois imperadores primos. [4] Li Yuan, antes de se rebelar contra a Dinastia Sui, era duque de Tang e havia sido governador de Taiyuan.[2][5] Com prestígio e experiência militar, se rebelou, junto com seu filho e sua militante filha, Pingyang (que possuía e comandava suas próprias tropas). Em 617 Li Yuan ocupou Chang'an e se tornou regente do neto do imperador de Sui, relegando o imperador Yang à posição de imperador aposentado. [6]

Com as notícias que o imperador tinha sido aposentado por seu general Yuwen Huaji (f. 619), em 18 de junho de 618, Li Yuan se declarou imperador da nova dinastia, a dinastia Tang.[6][7]

Estabeleceu seu poder sobre a China com a ajuda de tropas nômades comandadas por seu filho Taizong, ou Tai Tsung, que mais tarde se tornaria o segundo imperador Tang.

Consolidação[editar | editar código-fonte]

Mapa dos domínios da Dinastia Tang.

Taizong reorganizou o império, aprofundando a reforma Sui num sistema que o Japão, a Coreia e o Vietname imitaram posteriormente. Alargou o ensino de funcionários com escolas provinciais e consolidou um Estado dividido em províncias, vigiadas por censores imperiais, com suas leis compiladas no Código Tang, revisto de 20 em 20 anos. Tsi Tsung impulsionou uma dinâmica política exterior, que causou o aumento do comércio com a Índia, e o resto da Ásia, atraindo mercadores estrangeiros em cujas colônias nasceram os primeiros bancos chineses. Dominou os turcos, estabeleceu um protetorado na bacia do Tarim, enviou monges e artesãos para o Tibete. A unificação da China, iniciada pelos Sui, foi estendida. Os exércitos chineses penetraram na Ásia central, na Coreia e em Anam. Depois dos dois ilustres governantes, tomou o poder uma sucessão de concubinas e favoritos, que destruíram o poder da aristocracia e isolaram os burocratas ilustrados.

Wu, mulher de Kao Tsung, pretendeu divinizar-se como encarnação de Buda, implantando um reinado de terror. Outra imperatriz foi Wei, mulher de dois imperadores.

Hsuan Tsung restabeleceu a aristocracia e seu hábil ministro Li Linfu aplicou uma reforma fiscal e administrativa que inaugurou um período de grande prosperidade para uma população de já 70 milhões. Seu período marcou o apogeu Tang, com o esplendor cultural e literário estimulado pelo apogeu da arte budista.

A dinastia Tang governou o maior império do mundo até ser abalada, em 751, pelos Árabes, perto do rio Talas, no Turquestão ocidental.

Suas relações de vassalagem estendiam-se até Áden. A imprensa foi inventada e a pólvora fabricada para ser usada em armas de fogo. Tornou-se famosa pela arte, literatura e poesia da época. Os Estados vizinhos, particularmente a Coreia e o Japão, procuraram fazer de suas terras réplicas da China. Com o fim do reinado de Minghuang e com a fracassada Rebelião de An Lushuan, em 755, começou o declínio. As invasões nômades e as revoltas trouxeram ao poder, generais que passaram a controlar exércitos regionais. Quando o último imperador abdicou, veio nova fragmentação, sob o controle de dinastias efêmeras.

A sociedade[editar | editar código-fonte]

Na época dos Tang, o imperador governava por meio de decretos, nomeando e demitindo pessoas conforme sua conveniência; já a nobreza, o grupo mais rico e prestigiado da sociedade, e ocupava importantes cargos do governo, . Muitos desses nobres eram parentes do imperador. A maioria deles morava em residências confortáveis, localizadas no campo, e cultivava o hábito de beber chá, jogar xadrez e enfeitar a casa com flores.

Outro grupo de prestigio na época era o dos mercadores, entre os quais havia muitos estrangeiros, já que os Tang facilitaram a entrada deles no pais. Na época,o comercio entre a China e a Europa era intenso. Os principais produtos chineses de exportação, a seda e a porcelana, seguiam para a Europa pela rota da seda e eram pagos com ouro.

Havia ainda artesãos agrupados em corporações que os protegiam, empregando-os em casas de famílias ricas e arrumando colocação para seus produtos. Além deles, havia os trabalhadores especializados como: babás, guardas, músicos, e os trabalhadores braçais, como os carregadores de água e os que ajudavam a construir casas e estradas.

Já os camponeses formavam a maioria da população chinesa e levavam uma vida muito difícil, trabalhando do nascer ao por do sol nas plantações de arroz, chá,cereais e frutas e tendo poucos minutos para a principal ou única refeição diária, feita ao meio dia.Alimentavam-se basicamente de carne de porco ou de peixe e arroz.

A sociedade chinesa estava assim constituída quando foi fortemente influenciada por uma religião vinda da Índia, o budismo.

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

Em engenharia, a tecnologia durante o período Tang foi construída sobre seus precedentes do passado. Zhang Heng (78-139) e Ma Jun (3º século), que deram inspiração ao engenheiro Tang, astrônomo e monge Yi Xing (683-727)[8] ao inventar o primeiro mecanismo de escapamento[9] de relógio em 725.[10] Isto foi usado junto a uma clepsidra e roda d'água para alimentar uma esfera armilar rotativa em representação da observação astronômica[11]. Seu design foi melhorado c. 610 pelos engenheiros da Sui-dinastia Geng Xun e Yuwen Kai. Eles colocaram uma balança romana[12] que permitia o ajuste sazonal na cabeça de pressão do tanque de compensação e podiam então controlar a taxa de fluxo para diferentes comprimentos de dia e noite[13].

Animação de um mecanismo de escapamento, amplamente utilizado em relógio de pêndulo

Houve muitas outras invenções mecânicas durante a era Tang. Estes incluíam um servidor de vinho mecânico de 91 cm. de altura do início do século VIII que tinha a forma de uma montanha artificial, esculpida em ferro e repousada sobre uma armação de madeira laqueada em forma de tartaruga[14]. No entanto, o uso de um boneco mecânico neste dispositivo de servir vinho não foi exatamente uma invenção nova da dinastia Tang, uma vez que o uso de bonecos mecânicos na China remonta à dinastia Qin (221-207 aC)[15]. Outros dispositivos incluíam um de Wang Ju, cuja "lontra de madeira" que poderia pegar peixes; Needham suspeita uma mola de algum tipo foi empregada no dispositivo[16].

A impressão em xilogravura que se tornou difundida no Tang continuaria sendo o tipo de impressão dominante na China até que a impressora mais avançada da Europa se tornasse amplamente aceita e usada na Ásia Oriental[17]. Ela continuaria sendo o tipo de impressão dominante na China até que as pressas mais avançadas da Europa se tornassem amplamente aceita e usadas na Ásia Oriental[18]. O primeiro uso da carta de baralho durante a dinastia Tang foi uma invenção auxiliar da nova era da impressão[19].

Os chineses da era Tang também estavam muito interessados nos benefícios de classificar oficialmente todos os medicamentos usados na farmacologia. Em 657, o Imperador Gaozong de Tang (r. 649–683) encomendou o projeto literário de publicar uma matéria médica[20] oficial, completa com textos e desenhos ilustrados para 833 substâncias medicinais diferentes tiradas de diferentes pedras, minerais, metais, plantas, ervas, animais, legumes, frutas e cereais[21]. O uso da amálgama dentária, fabricada a partir de estanho e prata, foi introduzida pela primeira vez no texto médico Xinxiu Bencao escrito por Su Gong em 659.[22] Além de compilar as farmacopeias, a dinastia Tang estimulou o aprendizado na medicina, mantendo as faculdades de medicina imperiais, exames estaduais para médicos e editando manuais forenses para médicos[23]. Os autores da medicina Tang incluem Zhen Chuan (d. 643) e Sun Simiao (581-682)[24]
, o primeiro foi o que primeiro identificou por escrito que os pacientes com diabetes tinham um excesso de açúcar na urina, e o segundo que foi o primeiro a reconhecer que os pacientes diabéticos devem evitar consumir álcool e alimentos ricos em amido[25].

Cientistas chineses do período Tang empregaram fórmulas químicas complexas para uma série de diferentes propósitos, frequentemente encontrados em experimentos de alquimia. Estes incluíam um creme ou verniz impermeável e repelente à poeira para roupas e armas, argamassa à prova de fogo para artigos de vidro e porcelana, um creme à prova d'água aplicado a roupas de seda de mergulhadores, um creme designado para polir espelhos de bronze e muitas outras fórmulas úteis[26]. O inventor Ding Huan (fl. 180 dC)[27] da dinastia Han inventou um ventilador rotativo para ar condicionado, com sete rodas de 3 m (10 pés) de diâmetro e alimentado manualmente[28]. Em 747, o Imperador Xuanzong construiu um "Salão Fresco" no palácio imperial, que o Tang Yulin (唐語林)[29] descreve como tendo rodas de ventilador movidas a água para ar condicionadar o salão, assim como fontes de água de fontes[30]. Durante a dinastia Song subsequente, fontes mencionaram o ventilador rotativo de ar condicionado como ainda mais amplamente utilizado[31].

Além da pólvora, os chineses também desenvolveram sistemas de libertação aprimorados para a arma bizantina do fogo grego, Meng Huo You[32] e Pen Huo Qi[33] usados pela primeira vez na China, circa 900.[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «China medieval: Dinastias Sui e Tang: reunificação e esplendor do império». UOL Educação. 17 de março de 2007. Consultado em 5 de janeiro de 2013. 
  2. a b Ebrey, Walthall & Palais 2006, pp. 90–91.
  3. Adshead 2004, pp. 40–41.
  4. Ebrey, Walthall & Palais 2006, p. 91.
  5. Graff 2000, pp. 78, 93.
  6. a b Adshead 2004, p. 40.
  7. Graff 2000, p. 78.
  8. Hsu, 98.
  9. Derek J. de Solla Price, On the Origin of Clockwork, Perpetual Motion Devices, and the Compass, p.86
  10. Needham (1986a), p. 319
  11. Needham 1986b, pp. 473–475.
  12. Simon, Emily (11 de outubro de 2007). «Even Without Math, Ancients Engineered Sophisticated Machines». Faculty of Arts & Science, Harvard University. Arquivado do original em 11 de outubro de 2007 
  13. Needham 1986b, p. 480.
  14. Benn 2002, p. 144.
  15. Needham 1986b, p. 158.
  16. Needham 1986b, p. 163.
  17. Pan 1997, pp. 979–980.
  18. Needham 1986d, p. 227.
  19. Needham 1986d, pp. 131–132.
  20. Huff, Toby (2003). The Rise of Early Modern Science: Islam, China, and the West. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 218. ISBN 0-521-52994-8. OCLC 50730734 
  21. Benn 2002, p. 235.
  22. Czarnetzki, A.; Ehrhardt S. (1990). «Re-dating the Chinese amalgam-filling of teeth in Europe». Revista Internacional de Antropologia. 5 (4): 325–332 
  23. Adshead 2004, p. 83.
  24. Sun Simiao, King of Medicine, Cultural China
  25. Temple 1986, pp. 132–133.
  26. Needham 1986e, p. 452.
  27. Day, Lance (1998). «Ding Huan (Ting Huan)». In: Day, Lance; McNeil, Ian. Biographical Dictionary of the History of Technology. [S.l.]: Routledge. p. 366. ISBN 978-1-134-65020-0 
  28. Needham 1986b, pp. 99, 151, 233.
  29. Jowett, Phillip (2005). Rays of the Rising Sun: Japan's Asian Allies 1931–1945 Volume 1: China and Manchukuo. [S.l.]: Helion and Company Ltd. ISBN 1-874622-21-3 
  30. Needham 1986b, pp. 134, 151.
  31. Needham 1986b, p. 151.
  32. (chinês) 最早的火焰喷射器--猛火油柜 Website do museu militar chinês que ilustra os primeiros lança-chamas.
  33. «War Time Inventions». History of Chinese Inventions. Consultado em 7 de agosto de 2018. 
  34. Turnbull, p. 43

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Adshead, S. A. M. (2004), T'ang China: The Rise of the East in World History, New York: Palgrave Macmillan, ISBN 1-4039-3456-8 (hardback).
  • Ebrey, Patricia Buckley (1999), The Cambridge Illustrated History of China, Cambridge: Cambridge University Press, ISBN 0-521-66991-X (paperback).
  • Graff, David Andrew (2000), "Dou Jiande's dilemma: Logistics, strategy, and state", in van de Ven, Hans, Warfare in Chinese History, Leiden: Koninklijke Brill, pp. 77–105, ISBN 90-04-11774-1
  • Roberts, John A. G., History of China (título original), Palgrave MacMillan, 1999 (primeira edição), 2006 (segunda edição), ISBN 978-989-8285-39-3, págs - 80-105, Alfredo Boulos Júnior, História Sociedade & Cidadania

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Conteúdo relacionado com Tang Dynasty no Wikimedia Commons
Ícone de esboço Este artigo sobre História da China é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.