Catalunha

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Espanha Catalunha

Cataluña

Catalunya
Catalonha

 
—  Comunidade autónoma  —
Bandeira de Catalunha
Bandeira
Brasão de armas de Catalunha
Brasão de armas
E.U-Catalonia.png
Hino: Els Segadors
("Os Ceifadores")
Capital Barcelona
41° 23′ N 2° 11′ E
Administração
 - Presidente Carles Puigdemont (PDECAT)
Área
 - Total 32,114 § km²
População (2012)
 - Total 7,565,603
    • Densidade 240/km2 
Gentílico: catalão/catalã
Províncias Barcelona, Girona, Lérida, Tarragona
Idioma oficial Catalão, occitano (aranês) e castelhano
Estatuto de autonomia 9 de Setembro de 1932
18 de Setembro de 1979
20 de Julho de 2006 (reforma)
ISO 3166-2 ES-CT
Congresso
Senado
47 assentos
16 assentos
Sítio Generalidade da Catalunha
§ 6,3% da área total de Espanha
15,96% da população total de Espanha
A Coroa de Aragão no século XV

Catalunha (em catalão Catalunya; em castelhano Cataluña; em occitano Catalonha) é uma comunidade autónoma da Espanha, situada a nordeste da península Ibérica. Ocupa um território de cerca de 32.000 km², limitada a norte pela França e por Andorra, a leste com o Mar Mediterrâneo, a sul com a Comunidade Valenciana e a oeste com Aragão. A capital e área urbana mais populosa da Catalunha é a cidade de Barcelona. A Catalunha é reconhecida como uma nacionalidade no artigo segundo da Constituição Espanhola onde se refere a nacionalidade histórica, reconhecendo e garantindo o direito à sua autonomia. No preâmbulo do seu Estatuto de autonomia, aprovado pelo povo catalão via referendo, a Catalunha é reconhecida como nação.

História

Ver artigo principal: História da Catalunha

O primeiro povoamento do território é datada da época do Paleolítico Médio. Os vestígios mais antigos encontrados correspondem à mandíbula de um pré-Neandertal encontrada em Banyoles, com 25.000 anos.

A colonização na idade antiga deu-se em duas etapas. A primeira etapa deu-se com o início da colonização pelos Gregos e Cartagineses. A segunda etapa corresponde a romanização da Catalunha iniciada em 218 a.C.. O atual território catalão foi primeiro englobado na província chamada Hispânia Citerior, para formar parte desde o ano de 27 a.C. a Tarraconense, cuja capital foi Tarraco (atual Tarragona). Com a crise do século III que afetou o Império Romano, a Catalunha foi afetada gravemente com destruição e abandono das vilas romanas.

Idade Média

Cortes catalãs, séc. XV

No século V com a invasão dos povos germânicos, os Visigodos instalaram-se em Tarraconense e em 475 o rei visigodo Eurico formou o Reino Visigodo de Tolosa. Os Visigodos dominaram a região até ao século VIII. Em 711, os Árabes iniciam a conquista da Península Ibérica, algumas batalhas tomaram conta de região principalmente em Tarragona. No último quarto do século VIII veio a reacção dos carolíngios, que conseguiram o domínio das actuais cidades de Girona e Barcelona. No final do século IX, Carlos II (ou Carlos, "o Calvo") nomeou Vifredo, o Veloso Conde de Barcelona e Gerunda. Somente no século seguinte houve independência em relação ao poder carolíngio.

No século XI desenvolveu-se uma Catalunha feudal. Com o casamento do conde Ramón Berenguer IV (do Condado de Barcelona) com Petronila de Aragão (do Reino de Aragão) formou-se como confederação a Coroa de Aragão, mantendo ambos, reino e condado (mais tarde como o Principado da Catalunha), suas próprias instituições administrativas. A expansão da Coroa de Aragão, teve início com a conquista das cidades de Lérida, Tortosa, Reino de Maiorca (nas Ilhas Baleares), Reino de Valência (que permaneceu com corte própria), Coroa da Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares), Sardenha (ilha italiana). Até às primeiras décadas do século XIV, a coroa teve o seu apogeu, que começou a mudar com o surgimento de catástrofes naturais, crises demográficas, recessão da economia catalã, o surgimento de tensões sociais e crise sucessora (o Rei Martin I não deixou sucessor nomeado). Em 1443, após a conquista do Reino de Nápoles a crise se agravou.

Idade Moderna

Corpus de Sang, um dos eventos iniciais da Guerra dos Segadores

Em 1469, o Rei Fernando II de Aragão casou-se com Isabel I de Castela o que conduziu a uma união dos dois reinos e a formação de uma monarquia espanhola.

Nos séculos XVI e XVII, a Catalunha viveu um período de decadência. Os catalães envolveram-se num conflito, a Guerra dos Segadores, de 1640 até 1652, contra a presença de tropas do resto da Espanha em território catalão, durante a guerra dos trinta anos, o que acarretou a incorporação da Catalunha ao reino francês.

Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701 – 1713/1715), a Catalunha apoiou o pretendente austríaco (tal como Inglaterra, os Países Baixos e Portugal), assinando-se em 1713 a paz com o Tratado de Utrecht, deixando os catalães abandonados ao seu destino. Apesar de conseguirem resistir e inclusive vencer as tropas borbónicas, tal como na Batalha de Talamanca, o avanço do exército real continua. O cerco de Barcelona culminou com a Batalha de 11 de Setembro de 1714. Apesar do heróico combate, acabou quase completamente com a oposição catalã, que se rendeu às tropas do pretendente francês a 18 de Setembro no último castelo a cair, o de Cardona. O novo rei, Filipe V de Espanha (conhecido como Filipe de Anjou, era neto do rei francês Luís XIV), proclamou o Decreto da Nova Planta. Com este Decreto, o principado, assim como todas as outras que apoiaram ao arquiduque Carlos de Áustria, deixou de ter um governo próprio (as Corts (Cortes), a Generalitat (Generalidade), o Consell de Cent (Conselho de Cem) e restantes instituições de autogoverno catalãs foram abolidas).

Idade Contemporânea

Francesc Macià, primeiro presidente da Generalidade da Catalunha (1931-1933)

Nos finais do século XIX nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença", que foi o início das reivindicações do catalanismo político. Os primeiros representantes do catalanismo político foi Valentí Almirall (republicano federal), Enric Prat de la Riba e Francesc Cambó (da Lliga Regionalista).

Em 1914, formou-se a Mancomunitat, primeiro organismo administrativo de Catalunha reconhecido pelo Estado Espanhol desde a Guerra de Sucessão Espanhola. Foi dissolvida pela ditadura de Primo de Rivera no ano de 1923.

Com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se a Comunidade Autónoma da Catalunha, não obstante se ter chegado a proclamar unilateralmente a República Catalã. Depois de prolongadas negociações aprovou-se o seu Estatuto no ano de 1932, tendo sido eleito Presidente da Generalidade Francesc Macià (da Esquerda Republicana da Catalunha).

Com a derrota dos Republicanos na Guerra Civil (1936-1939), a Catalunha perdeu novamente a sua autonomia, todas as instituições de autogoverno catalãs foram banidas, e sofreu uma importante e pesada repressão cultural e linguística (com a abolição e proibição do uso do catalão), por parte do Estado Nacionalista Espanhol, totalitário e de inspiração fascista. Em 1940 o presidente catalão, Lluís Companys, foi fuzilado pelo regime fascista espanhol.

Em 1977, com a morte do ditador Francisco Franco (1975) e o fim da ditadura, recuperou outra vez a sua autonomia.

Atualmente a Generalidade da Catalunha conta com delegações no estrangeiro e tem diversas competências exclusivas como segurança, saúde, cultura e Educação.

Referendo sobre a independência da Catalunha em 2014

Manifestação independentista em Barcelona, 2012

À revelia da Constituição Nacional e do Tribunal Constitucional, o Presidente da Generalitat, Artur Mas (CiU, primeira força política na comunidade), anunciou no dia 12 de Dezembro de 2013[1], que convocará um referendo sobre a independência da Catalunha. Os partidos mais radicais da comunidade manifestaram o seu apoio à decisão. ERC, Esquerda Republicana (segunda força política mais votada), ICV, Iniciativa pela Catalunha (quinta força política), UDC, União Democrática da Catalunha (parceiros de coligação da CiU), EUiA, Esquerda Unida e Alternativa, (parceiros políticos de coligação com ICV), CUP, Candidatura de Unidade Popular, (nona força política), são a favor da consulta. Os partidos PSC, Partido Socialista Catalão, (terceira força politica mais votada), PPC Partido Popular Catalão (quarta força politica mais votada) e C´s, Ciutadans (sexta força politica mais votada) estão contra este referendo. Os partidos favoráveis ao referendo somam 88 deputados dos 135 do Parlamento catalão. O referendo tem um formato binomial: "Quer que a Catalunha seja um Estado?"; "Se sim, quer que este Estado seja independente?".

Com a suspensão do Referendum por parte do tribunal constitucional, o governo catalão convocou um processo de "participação popular".

Sem acesso ao censo, mas conduzida sob as normas democráticas, de acordo com a comissão de observadores internacionais[2], estima-se que a consulta não-oficial, em que o "Sim" ganhou 80,91% dos votos, teve participação de menos de 34% da população apta a votar de acordo com as regras do referendum [3], isto é, toda pessoa residente na Catalunha maior de dezesseis anos.

Geografia

Limites Geográficos

Situada no extremo nordeste da península ibérica, a Catalunha limita a norte com Andorra e França (com a região de Occitânia), ao sul com a Comunidade Valenciana, e a leste com o mar Mediterrâneo e a oeste com Aragón.

Relevo

Vista do maciço de Montserrat
Estany de Banyoles

O território está dividido em três unidades morfo-estruturais gerais:

  • Pirenéus: ao norte, é uma unidade montanhosa, com o Pica d'Estats, de 3.143 metros de altura, o ponto mais elevado da Catalunha.
  • Sistema Mediterrâneo Catalão: alterna terras baixas ou planas e serras ou cordilheiras. Sistema que se estende em todo litoral. As principais montanhas costeiras são: Montnegre, Tibidabo, Montserrat e Montseny.
  • Depressão Central Catalã: derivam da erosão do rio Ebro e seus afluentes.

Bacia Hidrográfica

Principais rios que banham a Catalunha:

Clima

Clima mediterrânico e Clima temperado com altas temperaturas no Verão e invernos húmidos. As zonas montanhosas próximas ao Pirenéus apresentam Invernos com temperaturas abaixo de zero e neve abundante e Verões menos quentes do que no resto da região.

Demografia

De acordo com dados estatísticos oficiais, a população da Catalunha em finais de 2006 era de 7.134.697 habitantes, constituindo 16% do total da população de Espanha.

Em 2012, segundo o Instituto de Estatística da Catalunha (IDESCAT) [4], a população desta comunidade soma 7.570.908 habitantes.

Desde o século XX, a Catalunha é um país de imigração. Os dados do mesmo ano 2012 revelam que 1.443.480 pessoas são imigrantes de outras zonas do estado espanhol (sendo a maioria de Andaluzia), e 1.342.271 são provenientes de outras zonas da Europa e do mundo, sendo os marroquinos, romenos e equadorenhos, por esta ordem de grandeza decrescente, os mais representados.

Economia

La Caixa, na Av. Diagonal, em Barcelona

Território fortemente industrializado, os principais sectores da economia da Catalunha são o turismo, a indústria (de transformação, têxtil, química, agroindustrial) e os serviços. Os principais produtos agrícolas são: azeitonas, vinhos e espumantes (cava), cereais, milho e fruta doce e, na pecuária, o suíno e o bovino.

A Catalunha é o primeiro destino turístico da Espanha. Os principais destinos na Catalunha são: Barcelona (que ganhou grande projecção internacional após sediar os Jogos Olímpicos de 1992), as praias da Costa Brava e Costa Dourada, estações de esqui nos Pirenéus e ainda turismo histórico (em Tarragona, com monumentos romanos classificados Património da Humanidade pela UNESCO em 2000) e turismo cultural (Figueres pelo Teatro-Museu Dalí, Barcelona pelo Museu Pablo Picasso, Fundação Joan Miró e Antoni Tàpies, além do conjunto de obras do arquitecto Antoni Gaudí).

Do ponto de vista financeiro, a Catalunha possui instituições com grande poder, como a La Caixa, ou o Banco Sabadell. Em termos industriais, a Catalunha é a comunidade que tem maior participação no PIB industrial do território espanhol, com 25%.

Política e Administração

Parlamento da Catalunha, situado no Parque da Cidadela, Barcelona
Províncias da Catalunha

O governo autónomo da Catalunha é conhecido como Generalitat de Catalunya (Generalidade da Catalunha) e consiste de um parlamento, um presidente e um conselho executivo.

O Parlamento da Catalunha (em catalão: Parlament de Catalunya[5]) representa o povo e exerce o poder legislativo, aprova os orçamentos e controla e impulsiona a ação política e de governo. É composto por 135 deputados eleitos por um mandato de quatro anos mediante sufrágio direto.

Em 2016, o Presidente da Generalidade da Catalunha era Carles Puigdemont i Casamajó, do Junts pel Si (Juntos pelo Sim), coligação de diversos partidos defensores do independentismo, como o Partido Democrático Europeu Catalão e a Esquerda Republicana da Catalunha. Entre 2010 e 2016, o presidente foi Artur Mas i Gavarró, da CiU; entre 2006 e 2010 foi José Montilla Aguilera, do PSC.

Províncias

Catalunha está dividida administrativamente em quatro províncias:

Comarcas

Possui 41 comarcas que se originaram do decreto da Generalitat de Catalunya de 1936. E 948 municípios.

Transportes

  • Portos: os de maior volume são o de Barcelona e Tarragona, que são também dois dos principais portos do território espanhol e do Mar Mediterrâneo.

Língua

Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento do Catalão (Catalan)
Ver artigo principal: Língua catalã
  • O catalão é uma língua românica falada por cerca de sete milhões e meio de pessoas na Catalunha, Ilhas Baleares e Andorra. De acordo com o Estatuto de Autonomia, o catalão é a língua oficial da Catalunha juntamente com o castelhano, língua oficial do Reino de Espanha. A Generalitat de Catalunya tem desenvolvido legislação que promove e protege o uso social do catalão, de acordo com o defendido pelo Estatuto de Autonomia.

Cultura

Catedral de Santa Eulália de Barcelona
Obra de Gaudí: Casa Batlló em Barcelona
  • Artes Plásticas: os pintores catalães de grande nome internacional são Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Tàpies. O malaguenho Pablo Ruiz Picasso viveu sua juventude na Catalunha onde iniciou o cubismo. Existem na comunidade importantes espaços museológicos como o Teatro-Museu Dalí (em Figueres), e em Barcelona o Museu Picasso, Fundação Joan Miró, Fundação Antoni Tàpies, CaixaFòrum, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC), Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), ou o conjunto arqueológico de Tarragona, considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 2000, são alguns dos mais importantes.
  • Popular: Joan Manuel Serrat, Maria del Mar Bonet, Lluís Llach, Francesc Pi de La Serra. A rumba catalã, outro género popular, foi divulgada na cidade de Barcelona pela mão das comunidades ciganas nos anos 1950. São conhecidos Los Manolos, Els Batak, La Pegatina, Dijous Paella, entre outros.
  • Rock (em catalão): Els Pets, Gossos, Lax'n Busto, Antònia Font, Sopa de Cabra, Glaucs, Brams, são referências.
  • Festivais de música rock, eletrónica e experimental: têm sucesso internacional o Sónar, Primavera Sound e Summercase.
  • Castellers: Torres humanas feitas sobre os ombros uns dos outros, costume que nasceu na zona de Tarragona e se estendeu a toda a Catalunha.
  • Sardana: Dança tradicional da Catalunha, em grupo, onde os participantes formam um círculo de mãos dadas.
  • Dia de Sant Jordi (São Jorge): Celebrado a 23 de Abril, é considerado o patrono da Catalunha. Nesta festividade, também conhecida como o dia dos namorados na Catalunha (em vez de S. Valentim), oferecem-se tradicionalmente rosas e livros.

Ver também

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Referências

Ligações externas


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