Bandeira europeia

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Bandeira europeia
Bandeira europeia
Aplicação
FIAV 111011.svgFIAV normal.svg
Proporção 2:3
Adoção 8 de Dezembro de 1955 (CdE)
26 de Maio de 1986 (UE)
Cores
  Azul
Ouro
Tipo Bandeira nacional e insígnia estatal e naval
Notas
Concebida por Arsène Heitz e Paul Michel Gabriel Lévy

A bandeira europeia consiste num círculo com doze estrelas douradas num fundo azul. Apesar de a bandeira estar normalmente associada à União Europeia (UE), foi inicialmente usada pelo Conselho da Europa, e pensada para representar a Europa como um todo.

Design[editar | editar código-fonte]

Especificações técnicas

O emblema é constituído de um retângulo azul cuja mosca é uma vez e meia o comprimento da talha. Doze estrelas de ouro alinham-se regularmente ao longo de um círculo não aparente, cujo centro está situado no ponto de interseção das diagonais do retângulo. O raio do círculo é igual ao terço da altura da talha. Cada uma das estrelas com cinco pontas é construída num círculo não aparente, cujo raio é igual a um décimo oitavo da altura da talha. Todas as estrelas estão dispostas verticlamente, ou seja com uma ponta dirigida para cima e duas pontas inclinadas sobre uma linha não aparente, perpendicular à fuste.

As estrelas estão dispostas como as horas numa discagem de um relógio. O número é invariável.

Cores[editar | editar código-fonte]

PMS RGB Hexadecimal CMYK
vermelho verde azul ciano magenta amarelo preto
     Azul Reflex blue 0 51 153 003399 100 % 91 % 6 % 1 %
     Ouro Yellow 255 204 0 FFCC00 1 % 19 % 100 % 0 %

A cor de base da bandeira é um azul escuro (azul reflex, uma mistura de ciano e magenta), enquanto que as estrelas de ouro são representadas em amarelo. As cores são regulamentadas em função da carta de cor Pantone (Pantone Matching System).

História[editar | editar código-fonte]

Concurso[editar | editar código-fonte]

A eleição da bandeira ocorreu mediante um concurso promovido em 1950 pelo Conselho da Europa com a intenção de utilizar-la como veículo de integração e promoção de uma unidade européia.

O autor, Arsene Heitz, católico, francês natural de Estrasburgo, inspirou-se na coroa de estrelas citada no texto bíblico de Ap 12,1[1] em que os católicos costumam ler nas festas dedicada à Maria. A Mãe de Jesus é tradicionalmente ornada pela iconografia cristã com a coroa de doze estrelas.[2]

Oficialização[editar | editar código-fonte]

A sua adoção oficial pelo Conselho da Europa realizou-se a 8 de Dezembro de 1955, dia que coincide com a solenidade da Imaculada Conceição na liturgia católica. Apesar da rejeição formal de referências bíblicas, a 21 de outubro 1956, o Conselho da Europa presenteou a cidade de Estrasburgo, a sua sede oficial, com um vitral para Catedral de Estrasburgo pelo mestre parisiense Max Ingrand. Ele mostra uma Virgem Imaculada coroada de um círculo de 12 estrelas sobre fundo azul escuro.

A Comunidade Europeia (CE) adoptou-a a 26 de Maio de 1986. A UE, que se estabeleceu pelo Tratado de Maastricht na década de 1990 e que veio a substituir a CE e as suas funções, também escolheu esta bandeira. Desde então, o uso da bandeira tem sido conjuntamente controlado quer pelo Conselho da Europa quer pela União Europeia.

A bandeira aparece na face de todas as notas de euro e as estrelas em todas as moedas de euro.

Adoção pelo Conselho da Europa[editar | editar código-fonte]

A 25 de outubro, a Assembleia parlamentar escolhe por unanimidade um emblema de azul com uma coro de doze estrelas de ouro. O Comité dos Ministros do Conselho da Europa adota definitivamente esta proposição durante a reunião a 9 de dezembro de 1955 enquanto que o texto com a adoção é assinada a 8 de dezembro de 1955.

O ministro irlandês dos Negocios Estrangeiros, Liam Cosgrave, então presidente do Comité dos ministros, inaugura solenemente a bandeira do Castelo de la Muette, em Passy, perante os outros quatorze outros ministros, a 13 de dezembro do mesmo ano.[3]

Adoção pelas instituições das Comunidades Europeias[editar | editar código-fonte]

O Conselho da Europa convida em seguida as outras instituições europeias a adotar a mesma bandeira.

Em 1989, o Parlamento europeu, eleito em sufrágio universal direto em 1979, optou por este emblema por si mesmo numa resolução não restringido e propõem que se torne bandeira da Comunidade. Deve dizer-se que o Parlamento estava sentado, para as suas sessões ordinárias, num prédio alugado no Conselho da Europa em Estrasburgo que exibia essa mesma bandeira. Finalmente em junho de 1985, a bandeira do Conselho da Europa é adotado por todos os chefes de Estado e o governo das Comunidades, como emblema oficial das instituições europeias que nesta época tinha como nome de Comunidades europeias, para entrar em vigor a 1 de janeiro de 1986, data onde a Comunidade europeia comportava doze Estados-membros, com a entrada de Espanha e de Portugal. Desde o início do ano 1986, a bandeira serve de símbolo a todas as instituições europeias. Isto é cada vez mais utilizado pelos Estados-membros, adjacente ou associado às bandeiras nacionais (edifícios públicos, paradas). A bandeira europeia é o emblema único da Comissão europeia, o executivo da União Europeia☂[4].

Conselho da Europa: uma bandeira e um logótipo distintos[editar | editar código-fonte]

Desde então, o Conselho da Europa adotou como logótipo e bandeira europeia modificada pela adjacente de um "e" prateado, em cursiva, para marcar a sua particularidade. Ao contrario da bandeira e do huno, que tornaram-se símbolos da União Europeia, este logo é um sinal distinto, próprio do Conselho da Europa.

A organização dotou-se deste logótipo na ocasião do seu 50° aniversario, em maio de 1999. A sua presença foi aprovada por uma resolução do Comité de Ministros em 2000. A sua utilização está sujeita a autorização.

Comunidades Europeias[editar | editar código-fonte]

1958–1972
1973–1980
1981–1985
1986–2002
FIAV historical.svg As seguintes bandeiras já não existem e faziam parte da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço

Após a Expo 58 em Bruxelas, a bandeira europeia se impôs e o Conselho da Europa fez pressão para que outras organizações europeias adotem a bandeira em sinal de unidade europeia. O Parlamento europeu tomou a iniciativa de pedir a adoção de uma bandeira para as Comunidades europeias. Pouco tempo depois das eleições diretas de 1979, um projeto de resolução foi apresentado sobre a questão. A resolução propunha que a bandeira da Comunidades seja a mesma que o Conselho da Europa e é adotada pelo Parlamento a 11 de abril de 1983.

O pico do Conselho Europeu de junho de 1984 em Fontainebleau sublinhou a importância de promover uma imagem e uma identidade europeias perto dos cidadãos e do mundo. No ano seguinte, durante a reunião em Milão, o Conselho Europeu de 28 e 29 de junho, aprova uma proposta da Comissão da Europa dos cidadãos (Comité Adonnino) a favor da bandeira e adota-a. Depois da autorização do Conselho da Europa, as Comunidades começaram a utilizar a partir de 1986, levantando pela primeira vez à frente do edifício Berlaymont (sede da Comissão Europeia) a 29 de maio de 1986.

Significação vexilológica[editar | editar código-fonte]

O número de estrelas na bandeira está fixado em doze e não está relacionado com o número de estados membros da UE. Em 1953, o Conselho da Europa tinha 15 membros; foi proposto que uma bandeira futura tivesse uma estrela para cada membro, e que não se alteraria com a entrada de futuros membros. A Alemanha Ocidental discordou já que um dos membros era a área disputada de Saarland e que ter a sua própria estrela implicaria ser uma região soberana. Nesta mesma base, a França também discordou que fossem 14 estrelas já que isso implicaria a absorção de Saarland na Alemanha. Treze está tradicionalmente relacionado com o azar em várias culturas europeias, e com o facto de as primeiras bandeiras dos Estados Unidos da América terem esse número de estrelas. Doze foi o número escolhido, já que não tinha conotações políticas e era um símbolo de perfeição e de algo completo.[carece de fontes?]

Possível interpretação religiosa[editar | editar código-fonte]

A bandeira foi apresentada pelo Presidente do Conselho da Europa Liam Cosgrave em 13 de dezembro de 1955 sob o lema de que "esta bandeira não representa nem países, nem estados, nem raças" e que nem as estrelas nem o fundo azul são propriamente símbolos religiosos,embora haja pessoas que defendem a presença de um simbolismo católico nela. Isto se deve a que o próprio autor do desenho, Arsène Heitz, tem declarado em 2004 na revista Lourdes Magazine ter se inspirado na leitura da passagem bíblica do Livro do Apocalipse que diz: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas". (Apocalipse, capítulo 12, versículo 1). Esta simbologia de uma coroa de doze estrelas se encontra, não raro, em representações de arte sacra referentes à Maria, mãe de Jesus, além do fato que a bandeira foi aprovada num dia 8 de dezembro, dia estabelecido pela Igreja como o dia da Imaculada Conceição (Ainda que tenha sido apresentada à imprensa três dias depois) e que posteriormente o Conselho da Europa inaugurou um vitral para la catedral de Estrasburgo em que aparecem as doze estrelas do emblema europeu. Paul Lévy, que havia ajudado no desenho da bandeira afirmou que não havia nenhuma intenção religiosa ao escolher o círculo de doze estrelas.[carece de fontes]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.economist.com/node/3332056/print?Story_ID=3332056
  2. Bichet 1985.
  3. Groupe de liaison des historiens auprès des Communautés, ed. (1993). Historiens de l'Europe contemporaine : lettre d'information du Groupe de liaison des historiens auprès des communautés. [S.l.: s.n.] p. 71 .
  4. Van Middelaar 2012, p. 358.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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