História da Catalunha

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A Catalunha é uma comunidade autónoma localizada no nordeste da península Ibérica formada inicialmente a partir de municípios que formaram a Marca de fronteira do Império Carolíngio e da extensão e completando unidade foi durante toda a Idade Média. Após a união dinástica do Condado de Barcelona e do reino de Aragão, no século XII, os territórios catalães fazia parte integrante da Coroa de Aragão, alcançando um marítima notável e domínio comercial no final do período medieval. Atualmente, a palavra é comummente usada para se referir a Catalunha da comunidade autônoma de mesmo nome, localizada na Espanha, enquanto as duas instituições culturais, como o Instituto de Estudos e Catalão da Universidade de Perpignan[1], Catalão mídia como eles falam catalão[2] Norte para referenciar o Roussillon, região integrada no departamento Pirinéus Orientais de França.

Orígens[editar | editar código-fonte]

Idade da Pedra[editar | editar código-fonte]

Cráneao do Homem de Talteüll.
Ver artigo principal: Homem de Talteüll

Foram encontrados na Catalunha Norte um conjunto de fósseis de hominídeos de há 450.000 anos. Constituem o ponto de partida da história da Catalunha. Situados no Rosilhão, atualmente na França, o Museu do Homem de Talteüll, nome com que se conhece o primeiro género homo aparecido na Catalunha, é um dos mais importantes da Europa, pois os fósseis expostos são um dos mais velhos conhecidos. Foi encontrado pelo arqueólogo Henry de Lumley que resolveu começar a pesquisar a zona em 1964. A partir desse momento foram-se descobrindo fósseis de homo neandertais, alguns dos quais têm apresentado grande debate. Por exemplo, foi difícil para os arqueólogos estabelecer o verdadeiro género do Homem de Talteüll. O debate está por volta de considerá-lo Homo Heidelbergensis, Homo Erectures ou Homo Neandertal. Paralelamente também se encontrou uma mandíbula de um hominídeo em Banyoles e vários utensílios líticos, datados de 70.000 a 39.000 anos, no Abrigo Rochoso de Capelles, certificando desta maneira a presença importante de Homo Neandertais na Catalunha, assim como a utilização do território como zona de passagem para a Península Ibérica. Outras pesquisas realizadas em Serinyà-l’Arbreda, Puig d’en Roca, Pla de l’Estany, etc. deram resultados menos frutíferos mas importantes no seu conjunto. Por exemplo, encontraram-se restos de ossos de Mamutes recentemente no sul da Catalunha.[3][4][5][6][7][8][9]

Existem amostras de pinturas rupestres em Ull de Cona, declaradas junto das pinturas rupestres do Terme de Montblanc, património material de humanidade pela UNESCO no ano 1998. As Pinturas Rupetres de Ull de Cona são na realidade 13 abrigos rochosos onde se encontrou cerca de 400 figuras desenhadas com temática enfocada a caça. As Pinturas do Terme de Montblanc, por sua vez, são um conjunto de 11 elementos pictóricos, também com a caça como figuras temáticas.[8][9] Existem, também, outros abrigos rochosos, porém, sem pinturas rupestres, no resto dos Países Catalães, como no caso da Andorra: la Balma de la Margineda, um abrigo que serviu de proteção para caçadores-coletores durante as épocas de verão principalmente.[10]

O Neolítico catalão espalhou a agricultura por toda a Catalunha e com isso a indústria de minaria foi-se incorporando progressivamente nos primeiros povos neolíticos. Em Can Tintorer foram encontrados vários restos que demonstram uma mutação do modo de vida nômade para sedentário, mas também uma presença importante desta indústria. No mesmo sítio encontraram-se restos que veem provar a crença nalguma religião primitiva por parte dos primeiros povos. Destaca-se a Deusa de Gavà (em catalão, Deesa de Gavà), uma figura de Vênus, típica do período, encontrada em Can Tintorer. Por outra parte, existem megalíticos médios espanholados por toda a Catalunha. Os mais destacados são o da Cova d'en Daina, Creu d'en Cobertella o na Costa dels Garrics.[9][8][11]

A cultura Ibérica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Iberos
Alfabeto ibero encontrado em Ullastret (Baix Empordà).

Durante o Bronze a cultura dos campos de incineração, uma prática vinda da Europa Central, assim como a aparição do bronze permitem o desenvolvimento dos primeiros povos, ofícios, certa organização hierárquica e, sobretudo, uma primeira amostra de povoamento urbanizado. Exemplo disso a grande quantidade de objetos e outros elementos encontrados no Llavorsí (Pallars Sobirà, Catalunha) e no Barranc de Gàfols (no Baix Ebre). Também durante o Bronze chegam às primeiras migrações, neste caso, celta que aportam novos materiais.[9][8][12]

No entanto, a migração mais importante e evento mais destacado durante o Bronze e o Ferro foram à chegada dos gregos e fenícios na Península Ibérica. No século VI aC diferentes embarcações trouxeram para a Catalunha o comércio e, com eles, uma transformação do modo de vida local. Gregos e fenícios pretendiam estabelecer colónias na Península. No caso da nação catalã, eles estabeleceram uma colónia nas Ilhas Baleares (Ebusim, hoje Ibiza) e outra na Catalunha, Emporium (Empúries, na atualidade). A primeira foi estabelecida pelos fenícios que transformaram-na no porto de Ebusim. Pretendiam ter certo controlo sobre o mediterrâneo, o que trouxe produtos do Sul da Itália atual e do Norte da África para a Catalunha. Empúries, construída por volta de 575 aC a 550 aC, transformou-se num grande porto aberto ao mediterrâneo.[9][8][13]

A presença de gregos e fenícios deu origem à chamada cultura ibérica. Os iberos, nome com que romanos e gregos designavam a população local, desenvolveram uma cultura rica e avançada. Exemplo disso, a planificação urbanística das povoações, algumas com centros militares e políticos. O povo ibero introduziu a sua própria moeda e alfabeto. Também foi encontrado grande material de guerra, inspirado dos celtas. E acredita-se, devido aos restos encontrados, que o povo ibero fosse um conjunto de povos com uma certa cultura conjunta, que compartia uma religião politeísta, com deuses gregos adaptados a vida local e que praticavam o sacrifício de animais. Destaca-se o jacimento do Poblet d’Ullastret (no Baix Emportdà), descoberto pela primeira vez em 1931. Também se destaca a Dama d’Elx, uma das diferentes deusas iberas, cuja escultura (do século V) foi encontrada no País Valenciano (Países Catalães).[9][8][14][15]

Idade Antiga[editar | editar código-fonte]

Guerras Púnicas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Segunda Guerra Púnica
Estátua de Indíbil e Mandoni, dois guerreiros iberos que, como Viriato, terão defrontado Roma

O inicio da presença romana na Catalunha começa com a Segunda Guerra Púnica. As guerras púnicas foram uma série de confrontos militares que defrontaram romanos contra cartagineses pelo domínio do mediterrâneo, derivando o conflito para a Península Ibérica. A Segunda Guerra Púnica é o mais conhecido dos confrontos bélicos acontecidos no quadro das Guerras Púnicas. A contenda acostuma datar-se desde 218 a.C., data da declaração de guerra de Roma após a destruição de Sagunto, até 201 a.C., em que Aníbal e Cipião Africano acordaram as condições da rendição de Cartago. Aníbal era um general e estadista cartaginês que se destacou lutando contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica. O conflito começa quando Roma não respeita o tratado assinado em 226 aC pelo qual os romanos reconheciam o direito dos cartagineses de se estenderem até o rio Ebro. Aníbal resolve invadir a Itália passando pelos Pirineus com o apoio de elefantes –em qualquer caso isso garantem os escritos romanos.[8][9][16]

Há historiadores que emitem a hipótese que Aníbal terá tentado passar os Pirineus através da Cerdanha (Catalunha). Mas o episódio é, sobretudo, destacado na Catalunha pelo desembarco em 218 aC de Cipião Africano, um general romano que pretendia derrotar Aníbal atacando a contraguarda, situada em Empúries. Estratégia que pagou, pois os vitoriosos romanos tomaram o controle do Mediterrânio ocidental, começando a anexão da península Ibérica.[8][9][17]

No entanto, o processo de conquista romana não foi fácil. Em Portugal, Roma teve de defrontar Viriato, um suposto líder da tribo lusitana ibera, que liderou uma violenta resistência contra Roma na província da Lusitânia. Em Castela o povo da Numáncia também terá resistido a invasão romana, enquanto que na Catalunha destacam-se Indíbil e Mandoni, duas personagens que, como Viriato, terão resistido a Roma, em vão. Uma estátua foi levantada em Lleida (Catalunha) em honor a estes dois iberos da tribo dos ilergetos que, apesar do heroísmo com que a historiografia os retrata, morreram em 205 aC, sem atingir o seu objetivo. Noutros territórios dos Países Catalães existem referências a esta passagem da Aníbal pelos Pirineus. É o caso da Andorra, onde também se conta que as tribos iberas, resistiram a presença de Aníbal nos Pirineus.[8][9][18][19]

Romanização do território catalão[editar | editar código-fonte]

A romanização da Catalunha é visível em várias áreas. Roma construiu a cidade de Tarraco (hoje Tarragona) em 218 aC como base logística para conquistar a península ibérica; Hispânia sob Roma. A partir daqui foi-se construindo uma via terrestre principal –a Via Augusta; pensada para conectar a Península Ibérica, que passou a ser uma província, com a Itália. Por ela passava comércio, língua, leis, arte, urbanização e organização territorial. Num início, em 197 aC, Roma só possuía as costas. O território estava então dividido em Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior. Mas após a 3ª Guerra Civil Romana, a península já estava quase toda sob domínio romano. Em 27 aC a organização do território muda. Sob Augusto a Península passou a estar dividida em Hispânia Tarraconense, Hispânia Lusitana e Hispânia Bética. Neste contexto é que se estabeleceu temporalmente o imperador Augusto em Tarragona, que passou a ser também residência imperial. Augusto mandou desenvolver a cidade de Tarragona. Hoje as marcas da presença de Roma são bem visíveis quer seja em Tarragona como no resto da Catalunha. A Ponte del Diable (Martorell), o aqueducto das Fereres (Tarragona), o Arco de Berà (Tarragona), o fórum de la Colònia (Tarragona), o teatro de Tarragona, etc são alguns exemplos que se podem destacar. Foi também durante a presença imperial em Tarragona que se construiu a futura capital da nação catalã, Barcino: Barcelona. Outros imperadores também se destacam na Catalunha, como Trajano.[9][8][20]

Fim de Roma[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da caída de Roma na Catalunha começam a visibilizar-se com o cristianismo. Perseguidos pelos imperadores, sobretudo sob Nero, a Hispânia é povoada por cristãos que procuram refúgio. Vinham na maioria dos casos do Norte da África. Mesmo assim, na Catalunha eles serão perseguidos por Deocleciano e Valeriano. O martírio de S. Fructuós, bispo de Tarragona, demonstra que na Catalunha havia perseguições. Não foi o único. Terá havido outro martírio em Girona, Sant Cugat, e em Barcelona, Santa Eulália, embora este último não tenha base sólida para ser dado como verídico. As atas de martírio encontradas em Tarragona demostram que o cristianismo conseguiu estabelecer uma organização hierárquica nas cidades catalãs. Os escritos do bispo da Seu d’Urgell, Just, e de Barcelona, Quirze, veem confirmar esta afirmação.[8][9][21]

A entrada do cristianismo na Catalunha veio acompanhada de uma grande crise económica que foi, juntamente à política, a que levou o império ao seu fim. Na Catalunha a cidade de Barcino, futura Barcelona, terá tomado mais importância dentro deste contexto. Barcelona erigiu-se como um ponto estratégico. Por exemplo, Máximo Tirano, mais conhecido em português como Máximo de Hispânia, se autoproclamou imperador. Roma mantou construir fortificações nas vilas fronteiriças com montanhas ou outras zonas que pudessem constituir uma barreira natural. Mas isso não impediu o chefe dos visigodos Ataúlfo estabelecer-se em Barcelona em 415 dC e desestabilizar o império. Roma tentou um pacto de paz com o chefe visigodo. Os visigodos consentiam não atacar a Itália em troca de poder estabelecer-se no império. Um matrimônio arranjado foi proposto. Ataúlfo casou com Gala Placídia, imperatriz-consorte romana do Ocidente, esposa do imperador Constâncio III.[22][8][9] [23]

Mas a expulsão dos visigodos pelos Francos no norte da França atual obrigou estes primeiros a estabelecer-se definitivamente na Península Ibérica onde Toledo foi proclamada capital. Recaredo I, rei visigodo, se terá convertido ao cristianismo e, com isso, convertido também o reino dos Visigodos. Os suevos serão, por sua vez, expulsados pelos visigodos, até estes serem expulsos pelos muçulmanos em 711.[24][8][9][25]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Alta Idade Média[editar | editar código-fonte]

Catalunha Velha e Nova[editar | editar código-fonte]

Em 711, um exército omíada convertidos ao islão liderados por Tárique, desembarcou em Gibraltar após conquistar o norte de África. Aproveitando-se das lutas internas que dividiam os visigodos, venceram a batalha de Guadalete contra o rei visigodo Rodrigo. Rapidamente avançaram até Saragoça, beneficiando do povoamento disperso para conquistar quase toda a península. Ao território ocupado como província do Califado Omíada chamavam Al Andaluz. A historiografia catalã usa as expressões "Catalunha Velha" e "Catalunha Nova" para designar o cenário após a caída do reino Visigodo. A Catalunha Nova é aquela está sob domínio muçulmano, enquanto que a Catalunha Velha é aquela que está sob cristianismo. Enquanto que a sul os muçulmanos tinham conquistado quase toda a península, a norte os francos estavam em processo de conquista dos reinos bárbaros. O termo “nova” é encunhado para referir a parte do território da Catalunha que os francos desejavam conquistar, mas que se encontrava sob domínio árabe. [8][9][26][27]

As populações em território catalão sob domínio árabe puderam permanecer nas suas terras mediante pagamento. Os seus hábitos, cristãos e judeus foram tolerados. Apesar de arabizados, os moçárabes mantiveram um contínuo de dialetos românicos -a língua moçárabe- e rituais cristãos. Os novos ocupantes desenvolveram a agricultura, melhorando os sistemas de rega romanos, etc. [8][9][28][29]

Em 756, Abderramão I, resistindo ao domínio abássida, fundou no al-Andaluz um emirado independente que se tornou o florescente Califado de Córdova. A sua economia assentava no comércio, na agricultura e na indústria artesanal muito desenvolvidos. A capital, Córdova, foi durante o século X uma das maiores cidades do mundo e um centro financeiro, cultural, artístico e comercial com bibliotecas, universidade, uma escola de medicina e de tradutores de grego e hebraico para o árabe. [8][9][30][31]

Em 1035, por causa das lutas internas e da pressão dos reinos cristãos a norte, nomeadamente o reino dos francos, o Califato de Córdova desmembra-se em pequenos núcleos separados: os taifas. Neste contexto é que se formam os Condados Catalães e que os reinos cristãos do norte caminham progressivamente para a chamada Reconquista do sul.[8][9]

Formação dos Condados Catalães[editar | editar código-fonte]

Em 711, Carlo Magno, rei franco da dinastia dos carolíngios, inicia um período de conquistas. Com o apoio da Igreja, expande-se sobre os eslavos, lombardos, saxos e tenta someter os muçulmanos. Esta política expansiva necessitou a criação de marcas militares. A Catalunha Velha, chamada também Marca Hispânica, era uma mais dentro das diferentes marcas existentes e tinha por objetivo defender o reino franco das incursões árabes. Em 800, ano de coroamento de Carlo Magno como Imperador pelo Papado, uma assembleia em Toulouse resolve conquistar Barcelona. Luís I o Piedoso, filho de Carlo Magno, e Guilherme I de Tolosa, dirigem o exército. Um ano depois, em 801, a cidade capitula; é o início da conquista da Catalunha Nova.[8][9]

Entre os séculos IX e XI a Marca Hispânica aumenta de tamanho. Constituída por 6 condados militares (Barcelona, Girona, Roslihão, Empúries, Ribagorça e Urgell; foi no condado de Urgell onde se originou Andorra), a descendência fica em mãos de condes hispano-godos até que finalmente o conde de Carcassona, Vifredo I de Barcelona, recebe por parte do rei franco Carlos II de França, em 807, o condado de Urgell-Cerdanya. Antes de morrer, marca um precedente, designando aos seus três filhos à terras a herdar. Estes continuam a conquista do sul povoando as terras e conseguindo adquirir os outros condados. Os historiadores consideram este facto um precedente porque designando os seus filhos como hereiros, Vifredo I de Barcelona, estava a estabelecer uma nova linagem. Isto faz com que a historiografia tenha feito da personagem um heroi. A ele se atribuiu a criação da bandeira catalã. Neste realce nacionalista, Vifredo teria caido em plena batalha de francos contra vikingos. Ferido, o rei Carlos II de França ofereceu uma recompensa a Vifredo. Este teria pedido um escudo. Carlos teria mulhado quatros dedos da mão de Vifredo num escudo de outro; ou seja, as cores da bandeira catalã.[8][9]

A este precedente, acrescentase outro, que vai consumar a separação entre o rei franco e a Nova Catalunha. No século XI a dinastia Carolíngia está em crise. Lutas internas pelo poder, novas ameaças externas (Vikings assediam o norte da França atual), debilitam o poder carolíngio. Uma nova dinastia toma relevo: os Capetos. Barcelona é assediada pelo chefe militar árabe Almansor. O conde de Borrell, descendente de Vifredo I de Barcelona, pede ajuda ao novo rei, Hugo Capeto, em 988. Este não socorre e Borrell resolve não prestar mais vassalagem, corta com Carcassona e estabelece Vic como sé arquebisbal: nascem os chamados Condados Catalães e Borrell de Barcelona decide encunhar moeda prórpia. Historiadores consideram este episódio como a independência da Catalunha.[8][9]

Baixa Idade Média[editar | editar código-fonte]

Mapa das áreas onde se fala catalão e que constituem os conceito político de Países Catalães. Em vermelho está o único estado que conseguiu a autodeterminação.

A Reconquista Catalã[editar | editar código-fonte]

A primeira fase da Reconquista catalã começa com Berenguer Ramon I, filho de Ramon Borrell. Casado com Ermessenda, da casa dos Carcassona, inicia uma linagem não reconhecida pelos monarcas franceses mas, de facto, uma verdadeira linagem que vai reinar sobre a Catalunha Norte e Sul atuais até 1162. Durante este período os Condados Catalães passam a serem reconhecidos como Catalunha. Acrescetam território, conseguindo Tarragona e parte do território atual, além de viver um verdadeiro crescimento económico que vai impulsar a língua catalã e a arte românica. A Idade Média é considerada como o período de criação e expansão da língua catalã. O catalão é uma língua romana, ou seja, derivada do latim que foi originando-se por volta do século VII, como foi o caso de outras línguas românicas, tais como o português, o romeno ou o italiano. O seu máximo representante, a mesmo título que Luís de Camões para a língua portuguesa, é Raimundo Lúlio, escritor, filósofo e poeta, além de teólogo. Em 1137 a união dinástica entre Raimundo Berengário IV de Barcelona e a rainha Petronila de Aragão, marca o início da expansão do catalão nos territórios que atualmente se incluem nos chamados Países Catalães, além do Reino de Aragão. O texto principal de época medieval escrito em língua catalã são as Homilies d’Organyà. Outro exemplo de texto em língua catalã pode ser os escritos da casa de Caboet que ostentava autoridade sobre Andorra. O termo catalão aparece escrito por primeira vez num juramento de fidelidade de homens de Carcassona a Ramon Berenguer III, cuja data estabelece-se no século XI.[32] A poesia trobadoresca catalã teve especial presença e é também particularmente apreciada na atualidade. Figuras como Guillem de Berguedà, Berenguer de Palol, Ceverí de Mataplana ou Guillem de Cabestany contribuiram com os seus poemas ao prestígio da língua. Junto do românico, a língua e cultura catalãs constituem a base da identidade atual dos Países Catalães. Neste sentido o território catalão possui um vasto património românico. A Igreja de Sant Climent de Taüll seria uma amostra do conjunto amplo de igrejas românicas catalãs. Também é importante destacar a criação da Ordem de São Benet, pois foi a responsável de expandir o românico na Catalunha através dos 150 monestérios que chegou a construir. Além disso, foram responsáveis pela difusão do saber islâmico na Europa. St. Vicenç de Cardona ou a Catedral da Seu d’Urgell, sé do co-principado de Andorra, são outros exemplos mais de românico catalão.[8][9][33][34][35][36][37][38][39]

Ver também: Países Catalães

União catalano-aragonesa[editar | editar código-fonte]

A Coroa de Aragão no século XV

Entretanto outros reinos se tinham formado na Península Ibérica: Navarra, Portugal, Castela e Aragão. O último deles, o Reino de Aragão entrou em crise em 1134. O seu rei, Afonso I de Aragão, morre sem descendência. Castela, que se defrontava contra Portugal, pretendia anexar também Aragão. Para isso aproveitou a situação de debilidade após a morte do rei Afonso I para ocupar o Ebro militarmente. A nobreza aragonesa foi obrigada a nomear o irmão de Afonso I de Aragão, Ramiro I, rei de Aragão. Ramiro I era padre e não parecia ter vontades de reinar. Tanto que resolveu casar, ter uma filha e casá-la com o conde de Barcelona Ramon Berenguer IV em 1137, ou seja, em pouco menos de um ano depois do seu tronamento. As pretensões de Castela sobre Portugal já tinham provocado guerras. Era, por tanto, necessário fazer algum movimento para tirar o reino do bico. A União dinástica entre Berenguer IV e Peronella de Aragão foi benéfica para a Catalunha porque permitiu a expansão do reino até Atenas (Grécia). Com a ajuda dos Templários a Reconquista vai tomar verdadeiramente forma. Jaime I (1213-1276) consegue avançar até Maiorca, conquistando as Ilhas Baleares. Em 1245 conquista Valência e os seus sucessores conseguem ir até a Sicília, conquistando o sul da Itália atual (1282-1409), além de criar os ducados de Atenas e Neopatia (1311-1390). A confederação catalano-aragonesa foi concebida em forma de pacto, isto quer dizer que ambos os reinos, catalão e aragonês, conservavam moeda, leis, instituições e língua. O interesse da União dinástica era permitir o acesso ao mar à coroa aragonesa e dar um contra-país à Catalunha que a reservasse das pretensões francesas e castelhanas sobre o seu território. Até o fim da Idade Média os reinos de Aragão, Catalunha e Valência vão experimentar um desenvolvimento importantíssimo. A Catalunha conseguirá ser pioneira na medicina, alquimia, astronomia, astrologia e cartografia, além de introduzir com grande êxito o gótico, vindo da França. Será, aliás, graças aos conhecimentos e experiência marítima e comercial que a cartografia ajudará aos portugueses na conquista do novo mundo após a queda de Constantinopla.[9][8]

As cruzadas catares[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Catarismo

Mas as pretensões catalãs de conquista não olhavam só para o mar. O pai de Jaime I tentou a aventura no sul da França atual, no mesmo memento que a dinastia Capeto tentava recuperar o poder perdido após a queda dos carolíngios. Na altura, no sul da França, um cismo dualista cristão, o catarismo, preocupava grandemente a Igreja Católica. Concebia o mal no material e o bem no espiritual. Uma filosofia que ameaçava a riqueza que a Igreja possuia. Foi então como o objetivo de erradicá-la que Inocêncio III, Papa de Roma, animou o rei francês a fazer a guerra contra os catares. O rei francês, que pretendia recuperar o sul, não esperou e enviou as suas tropas. O rei catalão não demorou a reagir e também mexeu as suas. O que devia ter sido um simples conflito religioso, transformou-se nalguma coisa mais. Entre 1209 e 1229 as ambições entre Aragão e França defrontam-se no Languedoc.[8][9][40][41]

Neste contexto o condado de Foix (sul da França) e o bispo da Seu d’Urgell (Catalunha) vão aproveitar as cruzadas para guerrear pela posse de Andorra. Em 1278 assinam finalmente as pazes, enquanto que os catares já perderam a guerra. O rei catalão morre e com ele as esperanças de conquista do norte. Jaime I vira-se então para o mar, enquanto que a França reconhece em troca a soberania catalã, abandondo quaisquer pretenção sobre a Catalunha. Andorra, através das Pareagens, argumenta ter obtido a independência (veja mais em História de Andorra). Por outra parte, não tendo acabado definitivamente com o catarismo, a Igreja Católica emite a bula Excommunicamus através da qual cria a Inquisição.[8][9][40][10][42]

O Compromisso de Caps[editar | editar código-fonte]

Cortes catalãs, séc. XV

A conquista do mediterrâneo estruturou-se através do modelo dito "pactista". É com esta expressão que os historiadores qualificam o sistema de Estado adoptado pela coroa de Aragão. Esta construiu-se em forma de Confederação, quer dizer, a coroa de Aragão estava formada por vários estados independentes entre si (Principado da Catalunha, Reino de Aragão e Reino de Valência) que compartilhavam um monarca, mas que mantinham cada uma delas as suas próprias cortes, Leis, moedas, línguas, nobreza, etc. O monarca comum tinha de ser escolhido de acordo com as Cortes da cada reino, por tanto, de acordo com as Leis e nobreza de cada reino. As Cortes estavam representadas pelos chamados “3 braços”, ou seja, Igreja, nobreza e povo. Barcelona era sé das Cortes catalã e desde a União que o trono tinha sido ocupado por reis catalães. Foi, aliás, por iniciativa dum monarca catalão que a Catalunha dotou-se da Diputació del General (hoje, Generalitat de Catalunha, nome do governo catalão) que fazia a função de representante do rei e, por tanto, podia execer de executivo (ex.: podia mandar pagar impostos por ordem do rei).[8][9]

Até o século XIII este sistema complexo deu liberdade a cada Estado para se governar por ele próprio. Ora, em 1410 o rei Martim I o Humano morre sem descendência. Os pretendentes ao trono eram Jaime d'Urgell, bisneto do rei Afonso IV de Aragão, e Fernando de Trastâmara, irmão do rei de Castela que tinha argumentado filiação familiar por ser neto do rei Pedro IV de Aragão. Castela pretendia unir a coroa confederada com a sua.[8][9]

Naquela altura a Igreja Católica encontrava-se em situação de crise pelo Cismo de Ocidente. Jaime d'Urgell era partidário do Papa de Roma, enquanto que Fernando de Trastâmara era partidário do rei de Avignon, por intereses próprios de Castela. Por uma luta de influências e benefícios finalmente Fernando de Trastâmara será escolhido sucessor em 1412 numas Cortes especiais reunidas em Caps onde se tinham apresentado o Reino de Valência, Aragão e Catalunha com três representantes para cada um deles. O resultado final foi 6 votos em favor e 3 em contra. Esta escolha representou o início do período de decadência catalão, pois até aquele momento as Cortes tinham escolhido reis catalães e agora um membro da família real castelhana tinha sido escolhido, o que ameaçava a soberania do Principado da Catalunha.[8][9]

Guerra Civil Catalã[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Civil Catalã

Os novos reis de Trastâma não estavam acostumados ao pactismo e sistema político da confederação catalano-aragonesa. A Catalunha, em concreto, não viveu bem essa situação. Além disso, as constantes guerras pela conquista do mediterrâneo conseguiram fraquejar a economia. A Peste Negra veio reduzir a população. Esta cada vez encontrava-se mais dividida. O comércio já não dava resultados e a economia agrária sofria de desigualdade aprante o comércio. Afonso o Magnàmic de Aragão resolveu conquistar Nápoles, enquanto que os episódios de terramotos não ajudaram a levantar cabeça. O rei Trastâmara tinha dificuldades em respeitar o sistema confederado, pois tentava impor um centralismo que não era bem visto pela nobreza catalã. Toda esta situação foi-se acrescentando até que finalmente rebenta numa guerra civil na Catalunha onde a Diputació de la Generalitat, que exigia ao rei que respeitasse as leis catalãs, defronta-se contra o rei aragonês. A população, por sua vez, dividida, também entra em guerra. A guerra é qualificada de inútil pelos historiadores porque, além de trazer mortes, não resolveu a situação de probresa económica e falta de respeito pela soberania catalã. Tanto que em 1474 o sucessor aragonês Fernando II o Católico casa com Isabel I de Castela, também, a Católica.[8][9][43][44]

Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Na periférie do Império[editar | editar código-fonte]

A 12 de outubro de 1492 o navegador genovês Cristóvão Colombo descobre América sem saber. Pensa que chegou às Índias. A descoberta é comunicada aos Reis Católicos no mês de abril de 1493 em Barcelona. É o início dos Descobrimentos. A Catalunha passa a ser um reino periférico dentro da confederação hispânica que com os descobrimentos e casamentos reais consegue dominar a Europa e o mundo durante os séculos a seguir. A Catalunha, arruinada por tantas guerras, perde protagonismo e os mercenários catalães irão descobrir mundo sob a marca Espanha. Os Bórgia, uma das famílias nobres mais conhecidas do Renascimento, eram valencianos, ou seja, pertenciam aos chamados Países Catalães, mas passam a serem espanhóis dentro deste período. Aliás, trabalharam muitas vezes pelo interesse de Castela. Foi o caso dos tratados que separaram as conquistas hispânicas das portuguesas. No entanto, o catalão foi a língua usada em Roma durante a estadia dos Bórgia.[45][46]

Outro exemplo é Carlos V de Espanha, neto dos reis católicos. Quando foi eleito rei, o mundo estava quase todo aos seus pês. Herdou por parte do pai os Países Baixos, Flandes, Artois, Luxemburgo e a France-Comté. Do seu avo materno, herda Aragão, Catalunha, Valência, Mallorca, Nápoles, Sicília, Sardenha e as fortalezas de Buia e Trípoli. Da sua avó materna, herda Castela, Navarra e as Índias castelhanas. A morte do seu avo paterno recebe o título de arquiduque de Áustria, Estíria e Tirol. Em 1519 é escolhido imperador do Sacro Império Germânico. Contudo, a coroa hispânica acrescentou nos anos a seguir Portugal e as colónias americanas, asiáticas e africanas portuguesas. A coroa castelhana usou o sistema de confederação para manter imenso reino. Assim, cada reino tinha as suas próprias leis, moedas, cortes ou línguas. Mas as tendências absolutistas castelhanas, a política do pacto colonial em favor de Castela, o pouco respeito devido às Cortes, o absenteísmo do monarca ou a imposição do castelhano na península ibérica, deu o inicio do final de tal domínio. Os primeiros a revoltar-se contra a coroa hispânica foram os Países Baixos. Depois vieram a Catalunha e Portugal contra o rei Felipe IV. [8][9]

No caso dos catalães, o matrimónio com a coroa castelhana, impossibilitou-os de comerciar e foram obrigados a virar-se para Lisboa ou Sevilla. Além disso, a língua catalã caiu em decadência, pois os reis tentaram impor o castelhano, fazendo que a própria nobreza catalã se virasse para Madrid. O Século de Oro espanhol contrasta com a Decadência catalã. A pequena burguesia é afastada. Impossibilidade de fazer carreira política, a nobreza catalã é marginalizada. A isto, acrescenta-se o contato dificultoso com os turcos. A crise económica arrastrada do fim da Idade Média não é superada. [8][9]

Colombo, orígens discutidas[editar | editar código-fonte]

Altamente disputado, as orígens de Cirstóvão Colombo têm preocupado grandemente os históriadores que foram propondo várias hipóteses, ainda hoje sem resolver, sobre as suas orígens. Uma delas diz que Cristóvão Colombo era catalão. Luis Ulloa, historiador peruano que residiu em Barcelona vários anos, afirmava que Colombo era de origem catalã e de tradição marítima, baseando-se, entre outros motivos, em que seus escritos, todos em língua castelhana, existem expressões linguísticas próprios do catalão. Esta teoria tem sido seguida, ampliada ou modificada por diversos autores, em sua maioria por historiadores catalães, ainda que existam também, investigadores de outros países como o estadunidense Charles Merrill que tem apoiado esta tese. Quanto a verdadeira origem, historiadores apoiam a ideia de origem italiana, outros castelhana, portuguesa e até judeia.[47][48][49][50]

Piratas e bandidos[editar | editar código-fonte]

Ver também: Batalha de Lepanto

A expansão do império otomano nos Balcãs trouxe o banditismo e pirataria à Catalunha. Os séculos XVI e XVII estão marcados pela delinquência e pobreza. O império otomano pagava corsários para desestabilizar as costas catalãs. Isso fez com que se construíssem barragens nas costas, provocando turbulências no comércio. À delinquência exterior, acrescentou-se a interior. No país havia corrupção entre juízes, administração e comerciantes. Comerciar, aliás, era caminho de perigo, pois o banditismo aproveitava a prata que vinha das Índias para roubá-la e traficar. A coroa hispânica tentava resolver a situação com penas de morte, mas isso não trouxe soluções para uma Catalunha em crise económica e ataques otomanos por mar. Malta, por exemplo, território catalano-aragonês adquirido durante o medievo, foi alvo de assédio em 1565 e de nada serviu a presença de ordens militares cristãs. A personagem de Joan Sala, mais conhecida como Serrallonga, é muito célebre na Catalunha. Serrallonga foi um bandido catalão, que soube fazer nome com as suas ações. Todo este ambiente de violência foi reforçado pela Batalha de Lepanto onde a monarquia das Espanhas se defrontou junto dos Estados Pontifícios, cavaleiros de Malta e a República de Veneza contra o Império Otomano. Em jogo, a expansão deste último nos Balcãs. [51]

Reforma e Contra-refroma[editar | editar código-fonte]

As guerras de Religião na Europa também chegam à Catalunha e os Países Catalães através de conflitos bélicos. O Concílio de Trento traduziu-se na criação de novos seminários para impor um comportamento entregado, militante e exemplificante aos membros da Igreja Católica. A Catalunha não foi uma nação aderida ao protestantismo, mas a presença de protestantes no sul da França fez com que o rei Hasburgo, Filipe II, reforçasse medidas e reprimisse com mais severidade qualquer amostra de diferença dogmática. A Inquisição não encontrou grandes dificuldades pois a hegemonia católica era tão grande que a própria população contribuiu a expulsar os mouriscos. A data de 1610 é a mais relembrada porque foi nesse ano onde as expulsões se praticaram com mais virulência. Representaram uma catástrofe económica e demográfica, principalmente pare Valência. A caça de bruxas tournou-se um episódio normal na Catalunha durante as Guerras de Religião. Quanto a arte, as praças, igrejas e edifícios catalães aderem facilmente ao barroco. Dos artistas a destacar está Francesc Ribalta, e dentro do Renascimento estão, Pere Blai e Damià Forment.[52]

Guerra dos Segadores[editar | editar código-fonte]

Partição da Catalunha em 1659 entre Castela e França

Entre 1640 e 1652 os catalães envolvem-se num conflito, a Guerra dos Segadores, contra o domínio hispânico do rei Felipe IV. Na mesma altura, os Países Baixos e Portugal encontram-se também em guerra contra o rei Felipe IV. No caso português a guerra começa também em 1640 e toma, como no caso catalão, caráter secessionista.[53][54][55][56][57][8][9]

Para compreender a Guerra dos Segadores é necessário perceber dois elementos que se cruzaram em 1640. Na Europa a Guerra dos Trinta Anos levou vários reinos a defrontar-se por questões dogmáticas, inicialmente, mas políticas como se virá a evidenciar pelas alianças entre beligerantes. No caso francês, o monarca Luís XIII de França, entra na guerra do lado protestante, embora católico, para envolver-se contra a casa dos Habsurgo que governava naquela altura Portugal, Catalunha, Países Baixos e a Confederação do Sacro Império. O cardinal Richelieu, ministro do rei francês, achava os Habsburgos muito poderosos e pretendia debilitá-los.[58][59][60][61][62][8][9][63]

Paralelamente, na península ibérica, o conde duque de Olivares pretendia iniciar um processo de centralização total do reino através dos impostos e da constituição de uma armada unificada, para satisfazer a política agressiva e expansionista do monarca Habsburgo; projeto que tem o nome de “Unión de Armas”. A pobreza nos campos e os anos de decadência vividos na Catalunha fazem que em 1626 as Cortes catalãs rejeitem parente Filipe IV o projeto de “Unión de Armas”, além de lhe apresentar uma grande lista de queixas e reivindicações.[64][65][66][67][68]

Mas a guerra na Europa não espera e Richelieu ataca os Habsburgo em território catalão. As Constituições catalãs diziam explicitamente que a Catalunha só defende território nacional, ou seja, catalão. Para provocar uma revolta, Richelieu trás premeditadamente a guerra para a Catalunha. Em 1640 a obrigação de alojar tropas castelhanas, o abuso dos militares e as consequências derivadas da guerra provocam grande enojo entre a população catalã. Em 7 de junho do mesmo ano, durante a festividade do Corpo de Deus, um ceifeiro (em catalão “segador”) é morte, o que a sua vez leva à morte do Conde de Santa Coloma, a maior autoridade da Catalunha nessa altura. Começa a Revolta dos Segadores. Castela exige à Portugal de contribuir militarmente e ajudá-la a sufocar a rebelião. Portugal nega-se e inicia por sua conta uma guerra paralela para restabelecer a sua própria soberania. É a chamada Guerra de Restauração.[69][70][71][72][73][8][9]

O final do confronto é desfavorável para a Catalunha que perde na guerra e vê como a França se apodera do condado do Rosilhão e parte da Cerdanha através do Tratado dos Pirineus. Na Andorra a situação é vivida com receio, a questão da soberania andorrana também está em jogo (veja mais em História de Andorra). Portugal terá de batalhar até 1668 para ver recuperada a sua independência.[74][75][76][77][78][8][9]

A Catalunha e o Tratado de Vestfália[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Paz de Vestfália

Durante a Conferência de Münster, Vestfália, a Catalunha foi representada por Josep Fontanella que tentou defender e, sobretudo, conseguir que alguém ouvisse o ponto de vista catalão sobre a necessidade de desligar a Catalunha da monarquia hispânica. Esta atitude também foi apreciada por outras nações durante a Conferência. Foi o caso dos Países Baixos e de Portugal. Ambas, tal como a Catalunha, estavam integradas a coroa castelhana, mas todas desejavam abandoná-la. Em Portugal está vontade tinha começado a dar visibilidade através da Guerra de Restauração. No caso catalão foi através da Guerra dos Segadores. Tanto a Catalunha, como Portugal e os Países Baixos conseguiram uma representação desligada a Castela graças a França que resolveu acolher as delegações sob sua tutela. Esta estratégia foi aproveitada por catalães, portugueses e holandeses para evitar qualquer resolução, tratado ou trava que viesse prejudicar as suas pretensões.[79]

O caso holandês foi mais fácil de gerir porque os Países Baixos já tinham entrado há mais tempo em guerra contra Castela e durante o processo de paz a guerra nos Países Baixos já se tinha dado por perdida em Castela. Por tanto, Castela preferiu esforçar-se em evitar a secessão portuguesa e catalã. Josep Fontanella teve uma dura missão porque os catalães tinham-se apresentado à conferência de paz divididos e com argumentos menos pensantes que os seus homólogos portugueses. A divisão vinha pela desconfiança que se tinha para com a França. Neste sentido Fontanella tinha a missão de evitar que a França ficasse com a Catalunha, uma pretensão que já tinha chegado a ouvidos catalães. Mas tanto para a Catalunha como para Portugal os esforços de ser ouvidos foram em vão. Portugal terá de esperar até o final da Guerra de Restauração, a Catalunha fica sem o Rosilhão e conetada a Castela.[80]

Guerra da Sucessão Espanhola[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra da Sucessão Espanhola
A Europa no início da Guerra de Sucessão.

Em 1700 Carlos II, monarca da casa de Áustria, morre sem descendência. Dois aspirantes se tinham disputado a coroa: o aqueduque Carlos de Áustria, filho segundo do imperador Leopoldo de Áustria; e Filipe de Borbon, duque de Anjou, neto do rei francês Lluís XIV, conhecido como Rei Sol. Todas as potências europeias estão na espetativa porque seja quem for a assumir o trono, a solução pode significar que a França ou a Áustria acrescentem a seu território as possessões espanholas. A França ou a Áustria podiam se converter em potências supremas e hegemónicas. Carlos II, antes de morrer, manda escrever e reescrever várias vezes o seu testamento. Finalmente escolhe deixar a sua coroa em mãos da França. A decisão não é aceite pela Inglaterra, nem pelos Áustria. A decisão de Carlos II faz entrar a Europa na guerra.[81][82][83][84][85][86][8][9]

A Guerra de Sucessão, que terá lugar entre a Grande Aliança (Inglaterra, Portugal, Áustria, Holanda, Prússia, Hannover e Savoia) e a França e Castela, acontece porque a Grande Aliança não partelhava e via com certo receio que a França ficasse dona das colónias e outros territórios sob a monarquia hispânica. Isso dava um poder de superpotência hegemónica que não era bem visto pelos membros da aliança. A Guerra de Sucessão passa a ser uma conflito internacional, mas com dimensão peninsular, pois a Catalunha vai aproveitar a ocasião para se separar de Castela. Em junho de 1705 os representantes diplomáticos ingleses e catalães assinam o Pacto de Gênova, com o que os catalães se revoltam contra a coroa castelhana, ajudados militarmente pelos ingleses. A monarquia inglesa garante que em nenhum dos casos, a Catalunha virá a perder as suas Constituiões, ou seja, a base legal que fazia da Catalunha um Estado a parte. Os outros territórios dos Países Catalães também aproveitam para se revoltar contra a autoridade central.[87][88][89][90][91][92][8][9]

Durante a guerra Valência e Aragão caem e não resistem às tropas castelhanas, mas a Catalunha consegue resistir até que a morte do imperador de Áustria no 17 de abril de 1711 vira o destino da Catalunha para o torto. Os aliados da Catalunha, a Grande Aliança, começam a redesinhar a situação porque com a morte de José I, a casa de Áustria de Viena representaria uma força hegemónica. Em 1713 os beligerantes fazem as pazes em Utrecht. O neto de Luís XIV, Filipe d'Anjou, é reconhecido monarca da Espanha, com o compromisso de renunciar a coroa de França e ceder os territórios, como Gibraltar e Mallorca aos Ingleses.[93][94][95][96][97][98][8][9]

A guerra toma fim com o tratado de Utrecht a nível internacional, mas na península, ela ainda continua. Os catalães ainda resistem e não vão ceder com facilidade. Até o 11 de setembro de 1714, a Catalunha resiste sozinha à guerra. Traída, pois os ingleses abandonam o pacto de Génova, e deixada à violência dos borbons, a Catalunha tenta devender a utrança a sua soberania até o último momento. A 11 de setembro de 1714 Barcelona não aguenta e cai finalmente em mãos borbónicas. É o final definitivo da Guerra de Sucessão Espanhola, e o início da repressão que terá o principal objetivo de eradicar o Estado catalão.[99][100][101][102][103][104][8][9]

A Europa depois do fim da guerra.

Para isso o novo rei, Felipe V de Espanha, impõe as Leis e marco jurídico castelhanos à Catalunha. A população é reprimida com a armada. Parte do bairro da Ribera é destruído, levando comsigo inumevareis casas, para construir por cima a Ciutadella e Castelo de Montjuïc, uma fortalesa que tem de assegurar a submissão da cidade e povo rebelde. Em 1716 entra em vigor o Decreto do Novo Plano que destroi as Cortes catalãs, persegue a língua catalã, as leis catalães, as instituições catalães e toda amostra de catalanidade. Parente à ameaça, o co-príncipe episcopal andorrano começa a dizer que Andorra é diferente (ver mais em história de Andorra). O 11 de Setembro de 1714 fica marcado na história da Catalunha como o seu dia nacional e é por esse motivo que todos os 11 de Setembro de 1714, catalães saiem numerosos nas ruas a reclamar independência.[105][106][107][108][109][110][8][9][111][112][113]

O Iluminismo na Catalunha[editar | editar código-fonte]

S. XIX[editar | editar código-fonte]

Guerras Napoleónicas[editar | editar código-fonte]

Renascença e Catalanismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Renaixença e Catalanismo
Nos finais do século XIX nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença", que foi o início das reivindicações do catalanismo político.

De acordo com Joan Fuster, Hi ha "catalanistes" perquè hi ha "espanyolistes" e no fato o catalanismo estrutura-se séculos e após a eliminação dos direitos catalães. Esta perda de direitos ocorre de forma gradual, durante o século XVIII, primeiro no norte da Catalunha, com a proibição do catalão em 1700 nos territórios abrangidos pelo Tratado dos Pirenéus na Catalunha e em seguida aplicando os Decretos de Nueva Planta adotados por Filipe V de Castela (oficialmente "de Espanha e Yndias") em 1716. A repressão da língua, cultura e instituições catalãs também continuaram por muito das ditaduras XIX e XX de Primo de Rivera e Francisco Franco.

Historicamente, o catalanismo estrutura-se como um movimento cultural durante a Raenaixença no momento em que tenta recuperar o prestígio da língua e cultura, depois de séculos de diglossia, com iniciativas como a restauração dos Jogos Florais em 1859.

Mais tarde, o catalanismo também estrutura-se como um movimento político, isso ocorre em 1892, quando o programa chamado Bases de Manresa defende a restauração das antigas Constituições da Catalunha, as regras aprovadas pelo Parlamento catalão e concedeu um alto grau de soberania na Catalunha até 1714.

Atualmente, os partidos ou indivíduos que afirmam ser catalanistas consideram que Catalunha ou os Países catalães, são uma nação e, portanto, merecem um alto grau de autonomia. As alternativas, no entanto, diferem com respeito ao contexto no qual Catalunha tem de desempenhar os seus direitos históricos. Assim, enquanto alguns optam por soberania própria do povo catalão através da autodeterminação, outros preferem uma extensão de auto governo no âmbito das autonomias existentes ou optam pela criação de um novo estado federal.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Nos finais do século XIX, nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença" ("Renascença"), que foi o início das reivindicações do catalanismo político. Um representante do catalanismo político foi Francesc Cambó.

Em 1914, formou-se a Mancomunitat (termo catalão que significa "comunidade"),[114] primeiro organismo administrativo de Catalunha reconhecido pelo Estado Espanhol desde a Guerra de Sucessão Espanhola. A Mancomunitat, no entanto, veio a ser dissolvida pela ditadura de Primo de Rivera no ano de 1923.

Com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se a Comunidade Autónoma da Catalunha. Ao mesmo tempo, se proclamou unilateralmente a República da Catalunha. Depois de prolongadas negociações, aprovou-se o seu Estatuto no ano de 1932, sendo eleito Presidente da Generalidade da Catalunha Francesc Macià.

Depois da derrota dos Republicanos na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), a Catalunha perdeu a sua autonomia e sofreu uma importante e pesada repressão cultural e linguística (com a abolição do uso do catalão) por parte do Estado Nacionalista Espanhol.

Em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco e o fim do franquismo, a Catalunha recuperou o direito de usar a sua língua. Em 1978, a Catalunha se tornou uma comunidade autônoma espanhola.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Fila na consulta popular sobre a independência da Catalunha, em 9 de novembro de 2014, na escola Santa Teresa de Lisieux, em Barcelona

Em 9 de novembro de 2014, foi realizada uma consulta popular sobre a independência da Catalunha. 80,76% dos votantes declarou ser favorável a que a Catalunha se torne um Estado independente.[115] Participaram, da consulta, 2,3 milhões dos 6,3 milhões de catalães com direito a voto.[116]


Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre História da Catalunha
Wikilivros
O Wikilivros tem um livro chamado História da Catalunha

Referências

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  2. Por ejemplo, la web de noticias en catalán Vilaweb
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  79. Correspondência de Fabio Chigi, mediador no Congresso de Münster e futuro papa Alexandre VII; informação coletada através de estudo da Universidade de Letras de Girona
  80. Correspondência de Fabio Chigi, mediador no Congresso de Münster e futuro papa Alexandre VII; informação coletada através de estudo da Universidade de Letras de Girona
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