Curdistão

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Corduene
Kurdistan
Curdistão
Flag of Kurdistan.svg
Coat of Arms of Kurdistan.svg
Bandeira do Curdistão Iraquiano Brasão do Curdistão Iraquiano
Hino nacional: Ey Reqîb
Gentílico: Curdo

Localização de Curdistão

Zonas de maioria curda (em bege)
Língua oficial Curdo
População  
 - Estimativa de 2014 28 milhões hab. 

Curdistão (em curdo: كوردستان ou Kurdistan[1] [2] ) é uma região cultural e geográfica majoritariamente populada pelos curdos. Com cerca de 500.000 km² concentra-se, em sua maior parte, na Turquia, e o restante distribui-se entre Iraque, Irã, Síria, Armênia e Azerbaijão. Seu nome, de origem persa, significa "terra dos curdos"[3] e foi cunhado em 1150 pelo sultão seljúcida Sanjar para designar a parte do Irã ocidental povoada pelos curdos.[4] [5]

Atualmente os curdos são a mais numerosa nação sem Estado no mundo. São 26 milhões de pessoas, na sua maioria muçulmanos sunitas, que se organizam em clãs e, em algumas regiões, falam o idioma curdo. Suas maiores cidades são Mossul, Irbil, Kirkuk, Saqqez, Hamadã, Erzurum e Diyarbakır.

Possui relevo acidentado, com o máximo nas montanhas da Alta Mesopotâmia, onde está o Monte Ararate (Büyük Agri) com 5165 metros de altitude, na fronteira Turquia/Armênia, suavizando até os planaltos do norte iraquiano. Há também a cadeia de montanhas Antitauro, na Síria/Turquia.

O seu maior lago é o lago Van, no lado turco, com 3.755 km². O Alto Tigre e o Alto Eufrates passam aqui. Somente em 1966 que conquistou autonomia cultural e administrativa pelo Iraque.

Conflitos armados[editar | editar código-fonte]

A direção do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) anuncia, em fevereiro de 2000, o fim da luta armada contra o governo da Turquia, em apoio às posições de seu principal líder, Abdullah Öcalan, condenado à morte pela justiça turca. Mas forças turcas continuam atacando bases do PKK no vizinho Iraque. Cerca de 40 mil pessoas já morreram no Curdistão turco devido ao conflito.

Maior etnia sem Estado do mundo (26,3 milhões de pessoas), os curdos habitam uma vasta região do Oriente Médio que extrapola as fronteiras da Turquia, abrangendo partes do Iraque, do Irão, da Síria e da Armênia. São maioritariamente muçulmanos sunitas, organizam-se em clãs e, em algumas regiões, falam a língua curda. A partir de meados do século XX, ocorrem rebeliões curdas na Turquia e no Iraque. O projeto de um Estado curdo tem opositores dos governos da região, que reprimem com violência os separatistas.

Sob o comando de Öcalan, o PKK iniciou em 1984 a luta armada contra o governo turco que não reconhece a existência da etnia curda e proíbe seu idioma. O PKK matou 30 turcos em 25 anos. Os guerrilheiros contam com o apoio do governo sírio e mantêm bases no Irão e no Iraque. A intensificação das ações do PKK quase provocou uma guerra entre Turquia e Síria, no final de 1998. Para evitar o conflito, os sírios retiram o apoio aos rebeldes e expulsaram Öcalan, que fugiu para a Federação Russa e tentou obter asilo político na Itália, sem êxito. Em fevereiro de 1999, Öcalan foi preso no Quênia, onde se refugiara na embaixada da Grécia.

Julgado na Turquia, Öcalan jurou fidelidade ao Estado turco e anunciou o fim da guerrilha do PKK, mas foi condenado à morte em junho. A sentença foi ratificada pela Suprema Corte de Apelações, em novembro. Há pressões contrárias à aplicação da sentença e a União Europeia (UE) deixou claro que a execução de Öcalan pesará na inclusão ou não da Turquia no bloco, cujos integrantes não adotam a pena capital.

O conflito entre o governo turco e a guerrilha curda estende-se com frequência ao Curdistão iraquiano. Após a Guerra do Golfo (1991) foi criada uma zona de segurança no norte do Iraque para proteger os curdos que se rebelaram contra Saddam Hussein. Forças turcas têm invadido a região com o pretexto de destruir as bases do PKK lá instaladas. A última onda de incursões ocorreu em fevereiro e março de 2000, apesar da decisão do PKK de depor as armas.

O PKK com o YPG (Unidades de Defesa do Povo - ou popular), atualmente está conseguindo vitórias sobre exércitos do Estado Islâmico, principalmente em Kobani (também chamada de Rojava - oeste em curdo), no Curdistão Sírio. Outras sete cidades também fazem parte de Rojava, localizada na fronteira entre Síria e Turquia. Um dos maiores destaques é a brigada de mulheres do YPG, a YPJ (Unidade de Defesa das Mulheres), que conta com cerca de sete mil guerrilheiras. A cada dia, novas combatentes se graduam e ingressam nas unidades do exército guerrilheiro, organizam com outras mulheres comitês de defesa e têm sido essenciais na defesa de Kobani contra a tentativa de invasão do Estado Islâmico. http://www.anovademocracia.com.br/no-140/5648-kobane-rojava-a-luta-das-mulheres-curdas

O Confederalismo Democrático vêm sendo aplicado nessa região pelo YPG. O professor de Antropologia (London School of Economics) David Graeber passou 10 dias em Cizire – um dos acampamentos em Rojava, zona ocupada pelo curdos ao norte da Síria. Junto com estudantes, ativistas e acadêmicos, ele teve a oportunidade de observar a democracia confederalista curda. Em uma entrevista à Pinar Öğünç’s, entre muitas outras perguntas, respondeu:

Qual foi a coisa mais impressionante que testemunhaste em Rojava nos termos práticos desta autonomia democrática?

"Existem tantas coisas impressionantes. Acho que nunca ouvi falar de nenhum outro lado do mundo onde tenha existido uma situação de dualidade de poder, onde as mesmas forças políticas criaram ambos os lados. Existe a “auto-administração democrática”, onde existem todas as formas e armadilhas de um Estado – Parlamento, ministros, e por aí –, mas criada para ser cuidadosamente separada dos meios do poder coercivo. Depois há o TEV-DEM (o Movimento da Sociedade Democrática), raiz das instituições, dirigido via democracia direta. No final – e isto é fulcral – as forças de segurança respondem perante as estruturas que seguem uma abordagem de baixo para cima, e não de cima para baixo. Um dos primeiros locais que visitamos foi a academia de polícia (Asayis). Todos tiveram que frequentar cursos de resolução de conflitos não violenta e de teoria feminista antes de serem autorizados a pegar numa arma. Os co-diretores explicaram-nos que o seu objetivo final é dar seis semanas de treino policial a toda a gente no país, para que em última análise se possa eliminar a polícia."

Veja mais respostas e entenda mais sobre em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/mulheres-que-expulsaram-o-estado-islamico-de-kobani.html

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Edinburgh encyclopaedia, ed. D. Brewster — p. 511, Original da Universidade de Oxford, publ. 1830
  2. Steele, Sir Richard. An Account of the State of Roman-Catholick Religion, publ. 1715
  3. Kurdistan, Encyclopaedia Britannica
  4. Kurdish Globe (visitado 1-3-2010).
  5. Who are the kurds? - Institut Kurde

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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