Curdistão iraquiano

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O Curdistão Iraquiano.
Localização do Curdistão iraquiano.

O Curdistão iraquiano, conhecido localmente como Região do Curdistão (em curdo: Herêmî Kurdistanî; em árabe: إقليم كردستان, transl. Iqlīm Kurdistān) ou Curdistão do Sul (curdo: باشووری کوردستان, Başûrî Kurdistan) é uma região federal autônoma[1] do Iraque. Faz fronteira com o Irã a leste, a Turquia a norte, a Síria a oeste e com o resto do Iraque no sul.

Sua capital é a cidade de Arbil (em curdo: Hewlêr). A região é administrada oficialmente pelo Governo Regional do Curdistão.

A população curda no norte do Iraque foi estipulada em 5,5 milhões de pessoas (em 2015).[2]

História[editar | editar código-fonte]

Durante o colapso do Império Otomano, os curdos no Iraque tentaram estabelecer um Estado semi-independente. Em pelo menos uma ocasião, conseguiram e formaram o Reino do Curdistão, em setembro de 1922[3]. O exército do Reino do Curdistão era chamado de Exército Nacional Curdo. Foi derrotado pelos britânicos em julho de 1924, e em janeiro de 1926, a Liga das Nações deu o mandato sobre o território para o Iraque, com a disponibilização pelos direitos especiais para os curdos.

A fundação da Região do Curdistão no Iraque data do acordo de autonomia feito em março de 1970 entre a oposição curda e o governo iraquiano, após anos de combates pesados. Mesmo após o acordo, no entanto, as guerras entre o Curdistão e o Iraque tiraram boa parte da soberania que os curdos gozavam anteriormente.

Revolta de Barzani (1960–1970)[editar | editar código-fonte]

Os curdos liderados por Mustafa Barzani estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um plano de paz contemplando a autonomia curda. O plano seria implementado em quatro anos. No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin.

O acordo de paz não durou, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os curdos. Além disso, em março de 1975, Iraque e Irã assinaram o Pacto de Argel, de acordo com o qual o Irã cortava suprimentos para os curdos iraquianos. O Iraque iniciou outra onda de arabização enviando árabes para os campos de petróleo no Curdistão, particularmente aos arredores de Kirkuk. Entre 1975 e 1978, duzentos mil curdos foram deportados para outras regiões do Iraque.

Guerra Irã-Iraque e Anfal[editar | editar código-fonte]

Durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, o regime implementou políticas anticurdos e uma guerra civil de facto eclodiu. O Iraque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios opressivos que utilizou, tais como assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o centro do Iraque.

A campanha do governo iraquiano contra os curdos em 1988 foi chamada Anfal ("Pilhagem de Guerra"). Os ataques Anfal levaram à destruição duas mil aldeias e entre 50 e 100 mil curdos foram mortos.

Crianças curdas em As-Sulaymaniyah, cidade da região autônoma do Curdistão, no Iraque

Autonomia de facto[editar | editar código-fonte]

Após o levante curdo de 1991 (em curdo: Raperîn) liderado pela União Patriótica do Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram para regiões fronteiriças no Irã e Turquia.

Para suavizar a situação, uma "zona de exclusão aérea" foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU em 1991, o que facilitou o retorno destes refugiados, e o Curdistão obteve uma independência de facto. A região autônoma curda ficou sendo controlada principalmente pelos partidos rivais UPC e PDC, que posteriormente entraram em confronto, o que ocasionou uma guerra civil de três anos (1994-1997).

A invasão do Iraque de 2003 e as mudanças subsequentes no Iraque pós-Saddam levaram à ratificação da nova constituição iraquiana, em 2005, estipulando que o Curdistão iraquiano é uma entidade federal reconhecida pelo Iraque e pelas Nações Unidas. No início de 2006, as duas regiões curdas foram unidas em uma região unificada.

Geografia[editar | editar código-fonte]

As quatro províncias de Duhok, Arbil, Halabja e Sulaymania abrangem um território de cerca de 40.000 quilômetros quadrados e uma população de entre 6 e 7 milhões de habitantes. Ainda existem disputas entre o governo central iraquiano e o governo do Curdistão a respeito de territórios de maioria curda fora das fronteiras atuais do Curdistão iraquiano, principalmente na província de Kirkuk.

Política[editar | editar código-fonte]

O Curdistão é uma democracia parlamentar, com uma assembleia nacional com 111 cadeiras.[4] Seu presidente atual é Massoud Barzani, eleito durante as eleições locais (realizadas a cada quatro anos) de 2005.

Em fevereiro de 2016, Barzani anunciou intenções de realizar um referendo visando a independência do Curdistão[5], que atualmente vive uma crise econômica. No mês de abril, os orgãos do governo passaram a adotar na internet o domínio ".krd", separado do Iraque[6].

Economia[editar | editar código-fonte]

Como uma das principais forças econômicas do Iraque, o Curdistão tem as mais baixas taxas de pobreza e o mais alto padrão de vida do país.[7] É a região mais estável e segura do Iraque, e nenhum soldado estrangeiro estacionado ali foi morto, ferido ou sequestrado desde a invasão do país, em 2003.[8]

O território mantém suas próprias relações estrangeiras, e hospeda consulados e escritórios de representação de diversos países e organizações, entre estes as Nações Unidas, o Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Israel e Turquia.[9]

Esportes[editar | editar código-fonte]

O principal esporte na região é o futebol. Embora os times curdos disputem os campeonatos iraquianos, eles possuem também sua própria liga e copa regionais, que são bastante populares entre os torcedores locais[10]. A Premier League do Curdistão é realizada anualmente pela Associação de Futebol do Curdistão Iraquiano e conta com a participação de 14 clubes[11].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Viviano, Frank (2006). «The Kurds in Control». National Geographic Magazine (Washington, D.C. [s.n.]). Consultado em 5-6-2008. «Since the aftermath of the 1991 gulf war, nearly four million Kurds have enjoyed complete autonomy in the region of Iraqi Kurdistan...» 
  2. [1]
  3. Prince, J. (1993), "A Kurdish State in Iraq" in Current History, January.
  4. http://www.krg.org/uploads/documents/About_Kurdistan_Regional_Government__2008_09_10_h13m52s30.pdf
  5. Iraque pede ao Curdistão para desistir do referendo Pesquisa em 28/02/16
  6. Curdos declaram independência no ciberespaço Acesso em 19/04/16
  7. Nearly 25 percent of Iraqis live in poverty. MSNBC, 20 de maio de 2009 (visitado em 18-3-2010).
  8. The Kurdistan Region in brief. Governo Regional do Curdistão, 23 de abril de 2008 (visitado em 18-3-2010).
  9. Four Security Council member states have Erbil consulates. Iraq Updates, 6 de dezembro de 2007 (visitado em 18-3-2010).
  10. BBC News (em inglês) Pesquisa em 18/11/15
  11. Kurdistan-fa.net (em inglês) Pesquisa em 18/11/15