Curdistão iraquiano

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Localização do Curdistão iraquiano.
Curdistão iraquiano

O Curdistão iraquiano, conhecido localmente como Região do Curdistão (em curdo: Herêmî Kurdistanî; em árabe: إقليم كردستان, transl. Iqlīm Kurdistān) ou Curdistão do Sul (curdo: باشووری کوردستان, Başûrî Kurdistan) é uma região federal autônoma[1] do Iraque. Faz fronteira com o Irã a leste, a Turquia a norte, a Síria a oeste e com o resto do Iraque no sul.

Sua capital é a cidade de Arbil (em curdo: Hewlêr). A região é administrada oficialmente pelo Governo Regional do Curdistão.

História[editar | editar código-fonte]

Durante o colapso do Império Otomano, os curdos no Iraque tentaram estabelecer um Estado semi-independente. Em pelo menos uma ocasião, conseguiram e formaram o Reino do Curdistão, em setembro de 1922[2]. O exército do Reino do Curdistão era chamado de Exército Nacional Curdo. Foi derrotado pelos britânicos em julho de 1924, e em janeiro de 1926, a Liga das Nações deu o mandato sobre o território para o Iraque, com a disponibilização pelos direitos especiais para os curdos.

A fundação da Região do Curdistão no Iraque data do acordo de autonomia feito em março de 1970 entre a oposição curda e o governo iraquiano, após anos de combates pesados. Mesmo após o acordo, no entanto, as guerras entre o Curdistão e o Iraque tiraram boa parte da soberania que os curdos gozavam anteriormente.

Revolta de Barzani (1960–1970)[editar | editar código-fonte]

Os curdos liderados por Mustafa Barzani estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um plano de paz contemplando a autonomia curda. O plano seria implementado em quatro anos. No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin.

O acordo de paz não durou, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os curdos. Além disso, em março de 1975, Iraque e Irã assinaram o Pacto de Argel, de acordo com o qual o Irã cortava suprimentos para os curdos iraquianos. O Iraque iniciou outra onda de arabização enviando árabes para os campos de petróleo no Curdistão, particularmente aos arredores de Kirkuk. Entre 1975 e 1978, duzentos mil curdos foram deportados para outras regiões do Iraque.

Guerra Irã-Iraque e Anfal[editar | editar código-fonte]

Durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, o regime implementou políticas anticurdos e uma guerra civil de facto eclodiu. O Iraque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios opressivos que utilizou, tais como assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o centro do Iraque.

A campanha do governo iraquiano contra os curdos em 1988 foi chamada Anfal ("Pilhagem de Guerra"). Os ataques Anfal levaram à destruição duas mil aldeias e entre 50 e 100 mil curdos foram mortos.

Crianças curdas em As-Sulaymaniyah, cidade da região autônoma do Curdistão, no Iraque

Autonomia de facto[editar | editar código-fonte]

Após o levante curdo de 1991 (em curdo: Raperîn) liderado pela União Patriótica do Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram para regiões fronteiriças no Irã e Turquia.

Para suavizar a situação, uma "zona de exclusão aérea" foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU em 1991, o que facilitou o retorno destes refugiados, e o Curdistão obteve uma independência de facto. A região autônoma curda ficou sendo controlada principalmente pelos partidos rivais UPC e PDC, que posteriormente entraram em confronto, o que ocasionou uma guerra civil de três anos (1994-1997).

A invasão do Iraque de 2003 e as mudanças subsequentes no Iraque pós-Saddam levaram à ratificação da nova constituição iraquiana, em 2005, estipulando que o Curdistão iraquiano é uma entidade federal reconhecida pelo Iraque e pelas Nações Unidas. No início de 2006, as duas regiões curdas foram unidas em uma região unificada.

Geografia[editar | editar código-fonte]

As quatro províncias de Duhok, Arbil, Halabja e Sulaymania abrangem um território de cerca de 40.000 quilômetros quadrados e uma população de entre 6 e 7 milhões de habitantes. Ainda existem disputas entre o governo central iraquiano e o governo do Curdistão a respeito de territórios de maioria curda fora das fronteiras atuais do Curdistão iraquiano, principalmente na província de Kirkuk.

Política[editar | editar código-fonte]

O Curdistão é uma democracia parlamentar, com uma assembleia nacional com 111 cadeiras.[3] Seu presidente atual é Massoud Barzani, eleito durante as eleições locais (realizadas a cada quatro anos) de 2005.

Em fevereiro de 2016, Barzani anunciou intenções de realizar um referendo visando a independência do Curdistão[4], que atualmente vive uma crise econômica. No mês de abril, os orgãos do governo passaram a adotar na internet o domínio ".krd", separado do Iraque[5].

Economia[editar | editar código-fonte]

Como uma das principais forças econômicas do Iraque, o Curdistão tem as mais baixas taxas de pobreza e o mais alto padrão de vida do país.[6] É a região mais estável e segura do Iraque, e nenhum soldado estrangeiro estacionado ali foi morto, ferido ou sequestrado desde a invasão do país, em 2003.[7]

O território mantém suas próprias relações estrangeiras, e hospeda consulados e escritórios de representação de diversos países e organizações, entre estes as Nações Unidas, o Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Israel e Turquia.[8]

Esportes[editar | editar código-fonte]

O principal esporte na região é o futebol. Embora os times curdos disputem os campeonatos iraquianos, eles possuem também sua própria liga e copa regionais, que são bastante populares entre os torcedores locais[9]. A Premier League do Curdistão é realizada anualmente pela Associação de Futebol do Curdistão Iraquiano e conta com a participação de 14 clubes[10].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Viviano, Frank (2006). «The Kurds in Control». National Geographic Magazine (Washington, D.C. [s.n.]). Consultado em 5-6-2008. «Since the aftermath of the 1991 gulf war, nearly four million Kurds have enjoyed complete autonomy in the region of Iraqi Kurdistan...» 
  2. Prince, J. (1993), "A Kurdish State in Iraq" in Current History, January.
  3. http://www.krg.org/uploads/documents/About_Kurdistan_Regional_Government__2008_09_10_h13m52s30.pdf
  4. Iraque pede ao Curdistão para desistir do referendo Pesquisa em 28/02/16
  5. Curdos declaram independência no ciberespaço Acesso em 19/04/16
  6. Nearly 25 percent of Iraqis live in poverty. MSNBC, 20 de maio de 2009 (visitado em 18-3-2010).
  7. The Kurdistan Region in brief. Governo Regional do Curdistão, 23 de abril de 2008 (visitado em 18-3-2010).
  8. Four Security Council member states have Erbil consulates. Iraq Updates, 6 de dezembro de 2007 (visitado em 18-3-2010).
  9. BBC News (em inglês) Pesquisa em 18/11/15
  10. Kurdistan-fa.net (em inglês) Pesquisa em 18/11/15