Gás mostarda

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Gás Mostarda
Alerta sobre risco à saúde
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Sulfur-mustard-3D-balls.png
Sulfur-mustard-3D-vdW.png
Nome IUPAC Bis(2-chloroethyl) sulfide
Outros nomes Iprit; Kampfstoff "Lost"; Lost; Mustard gas; Senfgas; Yellow Cross Liquid; Yperite; Distilled Mustard; Mustard T- mixture
Propriedades
Fórmula molecular C4H8Cl2S
Massa molar 159 g/mol
Aparência Incolor quando puro.
Normalmente varia de
amarelo claro a marrom escuro.
Leve odor de alho ou rábano[1]
Densidade 1,27 g/ml, líquido
Ponto de fusão

14,4 °C

Ponto de ebulição

217 °C (decomposes)

Solubilidade em água Desprezível
Riscos associados
MSDS External MSDS
Principais riscos
associados
Vesicante
NFPA 704
NFPA 704.svg
1
4
1
 
Ponto de fulgor 105 °C
Compostos relacionados
Outros aniões/ânions 1-Cloro-2-(2-cloroetoxi)-etano (-O- em vez do -S-)
Compostos relacionados Nitrogen mustard
Sulfeto de dietila
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.
Um soldado canadense após uma leve exposição ao gás mostarda.

Gás Mostarda ou iperita é um agente químico (Cl - CH2 - CH2 - S - CH2 - CH2 - Cl)usado vesicante pelas lesões que causa na pele. Foi produzido pela primeira vez em 1822, na Inglaterra por Despretz. Provoca irritação nos olhos e feridas na pele. Se for inalado, pode matar por asfixia. O gás mostarda é uma substância incolor, líquida, oleosa, muito pouco solúvel em água.

Quando impuro, o gás mostarda apresenta-se com uma coloração amarelada.

À temperatura ambiente (25 °C), pode ser utilizado de maneira perigosa sob a forma de vapor, aerossol ou gotículas líquidas.

Foi muito utilizado nos últimos anos da 1ª Guerra Mundial como arma química tanto pela Tríplice Entente como pela Tríplice Aliança. Atualmente a utilização do gás mostarda está regulada pela Convenção de Armas Químicas (em inglês: CWC Chemical Weapons Convention) como uma substância de Classe 1, ou seja, sem outro uso a não ser Guerra química.

História e Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Substância descrita pela primeira vez a 1822 por César-Mansuète Despretz (1798-1863) e descrita como substância tóxica, pela primeira vez, a 1860 por Albert Niemann (1834-1861). Durante vários anos vários cientistas contribuíram para melhorar a sua caracterização e aperfeiçoar a sua síntese, tornando-a mais eficiente. Destes destacam-se os ingleses Frederick Guthrie e Hans T. Clarke e o alemão Victor Meyer.

Durante a 1ª Grande Guerra e com base no método de síntese Meyer-Clarke, o Levinstein, a Alemanha foi capaz de produzir a mostarda sulfurada em grande escala e usá-la como arma química pela primeira vez.

Ypres, uma cidade belga, foi o primeiro alvo desta nova arma química, na altura denominada de Hun Stoffe (abreviação: HS, ou apenas H). Nesta altura devido ao baixo conhecimento acerca dos efeitos tóxicos desta substância, os soldados alemães eram apenas equipados com máscaras de proteção, ficando a pele desprotegida e somando assim mais de 1,3 milhões de mórbidos, dos quais 90 mil se encontravam num estado muito muito grave.

Posterior ao seu uso na 1ª Guerra Mundial, o gás mostarda, foi também usado noutras situações, somando muitos milhões de mortos e feridos. Destas são exemplo a conquista da Etiópia pela Itália (1935-1936), a conquista da China pelo Japão (1937-1945), a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), desta vez usada pelos países Aliados, a guerra civil de Yemen (Egipto) e ainda o conflito Irão-Iraque (1983-1988).

Após o início da 2ª Grande Guerra, com receio que o gás mostarda voltasse a ser usada pela Alemanha numa nova guerra química, o Departamento de Guerra de Yale criou uma equipa que, em segredo, se dedicasse ao estudo desta substância, a partir de então designada de "Substância X". Nesta equipa, integrava um farmacologista, Alfred Gilman, e um físico e farmacologista, Louis S. Goodman, que juntos deram uma reviravolta na história do gás mostarda. Foi graças aos seus estudos que a substância até então responsável apenas por morte e terror foi associada à terapia do cancro. A inicial substância, uma mostarda sulfurada, foi alvo de uma alteração estrutural. Nesta, o átomo de enxofre (S) foi substituído por um azoto metilado (N-CH3), resultando numa mostarda nitrogenada, designada de Mecloretamina. A descoberta da Mecloretamina provocou uma revolução na área da quimioterapia para o tratamento do cancro dado que esta é o composto Líder a partir do qual foi possível obter diferentes análogos com utilidade na terapêutica anticancerígena. Destes análogos destacam-se o Clorambucilo, o Melfalano, a Ciclofosfamida e a Isofosfamida. Para além destes, os estudos na descoberta de novas estruturas que possam oferecer uma melhor resposta em questões de seletividade e toxicidade para as células tumurais com diminuição dos efeitos secundários encontram-se ainda em desenvolvimento.

Vias de exposição[editar | editar código-fonte]

Via Dérmica: Principal via de exposição ocupacional.

Via Oral: Potencial via de exposição através da ingestão de água contaminada.

Inalação: Potencial via de exposição da população em geral e ainda uma via importante da exposição ocupacional.

Efeitos fisiológicos[editar | editar código-fonte]

  • cegueira
  • abertura dos poros da pele
  • rompimento dos vasos sanguíneos (veias e artérias)
  • morte dolorosa de 3 a 5 minutos se estiver em contato direto com o mesmo.

O Gás Mostarda tem uma ação vesicante poderosa, isto é, forma na pele vesículas ou bolhas com gravidade. Além disso devido às suas propriedades alquilantes (forma ligações com o DNA) é também mutagénico e carcinogénico.

Uma vez que os indivíduos expostos ao Gás Mostarda não mostram sintomas imediatamente e que as áreas contaminadas podem parecer completamente normais, é possível que as vítimas recebam doses altas inadvertidamente.

Em 6 a 24 horas após a exposição as vítimas apresentam comichão e irritação intensa e surgem gradualmente as vesículas na pele, contendo um líquido amarelo. Isto são queimaduras químicas e são muito debilitantes.

Os sintomas provenientes da intoxicação por gás mostarda podem surgir imediatamente após a contaminação, continuando a aparecer até 12 horas após a exposição. E como se não bastasse, a substância ainda pode permanecer ativa por bastante tempo, por isso os soldados que tinham suas roupas e equipamentos contaminados morriam envenenados. Se os olhos do indivíduo tiverem sido expostos ficarão afetados começando com conjuntivite e progredindo para cegueira temporária. Se o Gás mostarda for inalado em concentrações elevadas causa sangramento e formação de vesículas também nas vias respiratórias danificando a mucosa e causando edema pulmonar.

Dependendo do nível de contaminação, as queimaduras com o gás mostarda variam entre primeiro e segundo grau, podendo chegar a ser tão severas e desfigurantes como as de terceiro grau. As queimaduras severas podem ser fatais, ocorrendo a morte alguns dias ou até semanas após exposição.

Uma exposição moderada muito provavelmente não mata, contudo, a vítima necessita de longos períodos de tratamento médico. Os efeitos mutagénicos e carcinogênicos do Gás Mostarda implicam que as vítimas que recuperam das queimaduras químicas têm um risco aumentado de desenvolver câncer.

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Fabricação[editar | editar código-fonte]

O gás mostarda é fabricado pela reação de Etileno e Dicloreto de enxofre a 85 graus Celsius.

Fabricação do gás mostarda.png

Referências

  1. FM 3-8 Chemical Reference handbook; US Army; 1967

2. http://martaamcosta.wixsite.com/gasmostarda

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