David Cameron

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O Muito Honorável
David Cameron
MP
Primeiro-Ministro do Reino Unido
Período 11 de maio de 2010
a 13 de julho de 2016
Monarca Isabel II
Antecessor(a) Gordon Brown
Sucessor(a) Theresa May
Líder da Oposição
Período 6 de dezembro de 2005
a 11 de maio de 2010
Monarca Isabel II
Antecessor(a) Michael Howard
Sucessor(a) Harriet Harman
Membro do Parlamento por Witney
Período 7 de junho de 2001
a 12 de setembro de 2016
Antecessor(a) Shaun Woodward
Dados pessoais
Nome completo David William Donald Cameron
Nascimento 9 de outubro de 1966 (51 anos)
Londres, Reino Unido
Progenitores Mãe: Mary Mount
Pai: Ian Donald Cameron
Alma mater Eton College
Brasenose College, Oxford
Esposa Samantha Sheffield (1996–presente)
Filhos 4
Partido Conservador
Religião Anglicanismo[1]
Assinatura Assinatura de David Cameron

David William Donald Cameron (Londres, 9 de outubro de 1966) é um político britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido entre 11 de maio de 2010 e 13 de julho de 2016. Também foi líder do Partido Conservador.[2][3][4]

Família[editar | editar código-fonte]

Cameron ( /ˈkæm(ə)rən/) nasceu em Londres, mas passou grande parte de sua vida em Totley, perto de Sheffield. É filho do comerciante Ian Donald Cameron e sua esposa, Mary Fleur Mont, a segunda filha de sir William Malcolm Mount, 2° Baronete. Seu pai nasceu na Blairmore School, perto de Huntly, na Escócia, que foi construída pelo seu tataravô Alexander Geddes, por parte do avô materno Donald Ewen Cameron, que fez fortuna no negócio de grãos em Chicago e havia retornado para a Escócia em 1880. A família Cameron é originária de Inverness, na área das Highlands escocesas. Cameron descende, também, do banqueiro judeu originário da Alemanha, Emile Levita.[5][6]

Sua família paterna tem uma longa história no mundo financeiro: o bisavô de David Cameron, Arthur Francis Levita (irmão de sir Cecil Levita), da agência de corretores de bolsa Panmure Gordon, e seu tataravô Sir Ewen Cameron, diretor do escritório em Londres do Banco de Hong Kong e Shanghai (parte do HSBC Company), assumiram um papel importante nas negociações dirigidas pelos Rothschild com o governador do Banco do Japão, e depois primeiro-ministro japonês, Takahashi Korekiyo, para a venda de bônus durante a guerra russo-japonesa (1904-1905).

Assim como seus antecessores, Tony Blair e Gordon Brown, David Cameron é descendente direto de uma cabeça coroada. No seu caso, é descendente do rei Guilherme IV do Reino Unido e de sua amante Dorothea Jordan, pela linha da avó materna de seu pai, Stephanie Levita, filha de sir Alfred Cooper, que foi pai do também político e escritor Duff Cooper, avô do editor e literato Rupert Hart-Davis e do historiador John Julius Norwich, e bisavô do apresentador de televisão Adam Hart-Davis e do jornalista e escritor Duff Hart-Davis.[carece de fontes?] Sua mãe é prima do escritor e crítico político Ferdinand Mount. Sendo David, portanto, primo da rainha Isabel II.[carece de fontes?]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Cameron estudou Filosofia, Política e Economia (PPE) no Brasenose College, Oxford, ganhando a primeira classe de licenciatura. Ele, então, juntou-se ao Departamento de Investigação Conservadora e tornou-se assessor especial de Norman Lamont, e, em seguida, para Michael Howard. Foi Diretor de Assuntos Corporativos na Carlton Communications por sete anos.

Ele foi derrotado em sua primeira candidatura para o Parlamento em Stafford, em 1997, mas foi eleito em 2001 como membro do Parlamento pelo círculo eleitoral de Witney em Oxfordshire. Ele foi promovido para o banco da frente da oposição, dois anos depois, e subiu rapidamente para se tornar chefe de coordenação política durante a campanha eleitoral de 2005. Com uma imagem pública de um candidato moderado jovem que iria apelar para os eleitores jovens, ele ganhou a eleição para a liderança conservadora em 2005.[7]

Cameron trabalhou no Departamento de Pesquisa do Partido Conservador ao sair de Oxford, tornando-se assessor do ex-primeiro-ministro conservador John Major. Durante sete anos, foi chefe de relações públicas da emissora comercial Carlton, elegendo-se em 2001 para a cadeira dos conservadores por Witney na Casa dos Comuns.[3]

Em 2005, tornou-se líder da oposição [3]. Buscou pôr fim à resistência dos conservadores em relação à integração total do Reino Unido à União Europeia e tentou reposicionar os conservadores como um partido que se importava com o meio ambiente e com o sistema de saúde público britânico. Na medida do possível, trouxe mais candidatos mulheres e de minorias étnicas. Buscou, assim, renovar o partido, retirando as velhas lideranças. Buscou, também, capitalizar os últimos escândalos sobre os gastos de deputados que sacudiu o governo trabalhista de Gordon Brown, criando a imagem de alguém comprometido com a moralidade na política.[3]

Na eleição geral de 2010, realizada no dia 6 de maio, os conservadores ganharam 306 assentos em um parlamento dividido. Após cinco dias de negociação, Cameron formou uma coalizão com os Liberais Democratas (Lib Dems). Ele formou o primeiro governo de coalizão do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial. Aos 43 anos de idade, se tornou o mais jovem primeiro-ministro britânico desde o mandado do Conde de Liverpool em 1812.[8] Também foi o primeiro inglês a ser primeiro-ministro desde John Major.

Com a renúncia de Brown em 11 de maio de 2010, após as eleições, passou a trabalhar na formação do novo gabinete, o primeiro conservador em treze anos[9][10] e o primeiro de coalizão desde 1974 (gabinete de Harold Wilson). Cameron foi o mais jovem primeiro-ministro britânico em quase 200 anos.[11]

Primeiro-ministro[editar | editar código-fonte]

A 11 de maio de 2010, após a renúncia de Gordon Brown do cargo de premier, Elizabeth II convidou Cameron a formar um governo.[12] Com 43 anos, ele se tornou o primeiro-ministro mais jovem desde Robert Jenkinson, que tinha assumido o poder em 1812.[8] Em seu primeiro discurso do lado de fora da 10 Downing Street, ele anunciou que seu partido formaria um governo de coalizão, o primeiro desde a Segunda Guerra Mundial, com os Liberais Democratas, pois nenhum lado conseguiu maioria absoluta no Parlamento nas eleições gerais de 2010.[13]

Cameron em 2012.

Cameron afirmou que sua administração iria "esquecer as diferenças partidárias e trabalhar pelo bem comum e pelo interesse nacional".[8] Em uma das suas primeiras ações oficiais foi apontar Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata, como Vice Primeiro-Ministro em 11 de maio de 2010.[12] Assim, os Conservadores e Liberais passaram a controlar 363 assentos na Câmara dos Comuns, dando-lhes maioria para formar um governo.[14] Sua atuação pela preservação do meio ambiente lhe rendeu reconhecimento internacional.[15]

David pegou uma economia em recessão. Várias medidas econômicas foram adotadas para reverter a estagnação, como a redução de impostos para alguns setores e corte de gastos, mas o crescimento do país foi tímido nos anos seguintes. Contudo, Cameron viu progressos ao longo do caminho, como a redução do desemprego. Após anos de estagnação, o país começou então a apresentar um consistente crescimento econômico (um dos maiores da Europa). Para sanar os problemas financeiros, adotou diversas medidas de austeridade, que afetaram o sistema de saúde, educação e de assistências sociais. Leis para reformar e endurecer o sistema de imigração também foram passadas.[16] Apesar do foco nas políticas internas, seu governo também viu crises no exterior. Em uma das votações mais importantes no que tange relações exteriores, foi sua derrota, a primeira em 100 anos para um primeiro-ministro em relação a política externa, na moção que queria passar, mas foi vetada na Câmara dos Comuns, que visava autorizar uma intervenção armada na Guerra Civil Síria, após o ataque químico em Ghouta que deixou mais de 1 700 mortos. Entre outras questões, também estava sua visão de que o Reino Unido deveria se afastar da União Europeia (UE). Em 2011, Cameron se tornou o primeiro líder britânico a vetar um tratado da UE.[17] Ele também aceitou seguir a diante com o referendo sobre a independência da Escócia de 2014, embora não concordasse com este. David também se tornou o primeiro líder estrangeiro a visitar a cidade de Jaffna após o término da sangrenta Guerra civil do Sri Lanka.[18][19][20] Em 2011, aprovou a participação britânica na intervenção armada da OTAN na Guerra Civil Líbia.[21]

David Cameron anunciando sua renúncia, em 24 de junho de 2016.

Em 2012, Cameron e a liderança escocesa aceitaram a realização de um referendo popular sobre a independência da Escócia. Desde o primeiro dia, o primeiro-ministro havia se mostrado contra a proposta de secessão e teria aceitado com relutância o referendo. Em setembro de 2014, ele, junto com vários políticos britânicos, fizeram apelos para que os escoceses votassem contra a separação. No final, mesmo terminando com o resultado que David queria (o 'não' venceu com 55% dos votos), sua postura durante e logo depois do referendo foi criticada por analistas políticos e por nacionalistas escoceses.[22][23] Ao fim do mesmo mês, o parlamento britânico aprovou uma importante moção que autorizava uma intervenção armada britânica no Iraque, que havia descendido ao caos de uma nova guerra civil três anos depois da retirada das tropas ocidentais do país.[24] No começo de dezembro de 2015, o Parlamento aprovou uma moção do seu governo para expandir os ataques aéreos britânicos para a Síria com o propósito de enfraquecer o grupo Estado Islâmico (EI) na região.[25]

Em 7 de maio de 2015, Cameron liderou o partido conservador a conquistar nas eleições gerais a maioria absoluta no Parlamento do Reino Unido, com 36,9% dos votos (ou 11 334 920 de eleitores), garantindo assim mais cinco anos no cargo de Primeiro-ministro.[26]

Em 23 de junho de 2016, o povo do Reino Unido votou em um referendo pela saída do país da União Europeia. Cameron fez extensa campanha contra a proposta de saída e após fracassar anunciou que renunciaria ao cargo de primeiro-ministro em outubro de 2016, quando acontecera a Conferência do Partido Conservador.[27][28]

Cameron é saudado por revitalizar e modernizar o Partido Conservador britânico e também por estabilizar a economia do país e controlar a dívida pública nacional. Ao mesmo tempo ele também recebeu muitas críticas, de ambos os lados do espectro político, que o acusavam de oportunismo político e elitismo social.[29] Durante seu governo ele apareceu várias vezes entre os dez primeiros colocados na lista da revista Forbes das pessoas mais poderosas do mundo.[30]

Referências

  1. My faith in the Church of England
  2. Brian Wheeler (6 de dezembro de 2005). «The David Cameron story» (em inglês). BBC News. Consultado em 24 de junho de 2016. Cópia arquivada em 13 de julho de 2016 
  3. a b c d «David Cameron se apresentou como "Tony Blair" dos conservadores». BBC Brasil + Folha de S.Paulo. 3 de maio de 2010. Consultado em 24 de junho de 2016. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2012 
  4. «Britânicos votam para sair da UE e Cameron demite-se». Rede Angola. 24 de junho de 2016. Consultado em 24 de junho de 2016. Cópia arquivada em 24 de junho de 2016 
  5. David Cameron ‘could be a direct descendant of Moses’
  6. compiled by William Addams Reitwiesner. «Ancestry of David Cameron». Wargs.com. Consultado em 6 de Abril de 2016 
  7. «Hall of Fame, David Cameron» (em inglês). BBC Wales. Consultado em 19 de outubro de 2013 
  8. a b c Hough, Andrew (11 de maio de 2010). «David Cameron becomes youngest Prime Minister in almost 200 years». The Daily Telegraph. Consultado em 19 de outubro de 2013 
  9. G1, Gordon Brown anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro britânico, 11 de maio de 2010
  10. G1, Rainha aceita saída de Brown e abre caminho para governo conservador, 11 de maio de 2010
  11. David Cameron devient premier ministre du Royaume-Uni, 11 de maio de 2010
  12. a b «David Cameron is UK's new prime minister». BBC News. Consultado em 11 de maio de 2010 
  13. "Novo premier britânico, David Cameron, anuncia coalizão com liberais-democratas". Página acessada em 29 de maio de 2014.
  14. Lyall, Sarah (12 de maio de 2010). «Britain's Improbable New Leaders Promise Big Changes». The New York Times 
  15. Cameron turns blue to prove green credentials
  16. "David Cameron defends economic policies". Página acessada em 29 de abril de 2014.
  17. "PM's EU Treaty Veto: 'I Did It For Britain'". Página acessada em 13 de maio de 2015.
  18. Pagnamenta, Robin. «David Cameron upstages Commonwealth summit with Jaffna trip». The Australian. Sydney. AFP. Consultado em 16 de novembro de 2013 
  19. «Residents in Jaffna have hopes raised with Cameron's visit to the North». The Sunday Times. Colombo. AFP. Consultado em 16 de novembro de 2013 
  20. Mason, Rowena. «David Cameron's car surrounded by Sri Lankan protesters». The Guardian. Londres. Consultado em 16 de novembro de 2013 
  21. "House of Commons - Operations in Libya". Página acessada em 29 de abril de 2014.
  22. "Scottish referendum: Scotland votes 'No' to independence". Página acessada em 29 de setembro de 2014.
  23. "Rainha 'ronronou' com resultado de referendo da Escócia, diz Cameron". Página acessada em 29 de setembro de 2014.
  24. "MPs support UK air strikes against IS in Iraq". Página acessada em 29 de setembro de 2014.
  25. "Britain launches airstrikes hours after Parliament backs ISIS bombings". Página acessada em 28 de dezembro de 2015.
  26. "Cameron consegue maioria absoluta, e líder do partido Trabalhista renuncia". Página acessada em 8 de maio de 2015.
  27. «David Cameron falls on his sword as gamble backfires». CNN. Consultado em 24 de junho de 2016 
  28. «Cameron demite-se depois de os britânicos votarem para sair da UE». DN.pt. Consultado em 24 de junho de 2016 
  29. Taylor, Matthew (12 de agosto de 2006). «Under the Green Oak, an old elite takes root in Tories». The Guardian. Londres. Consultado em 12 de julho de 2016 
  30. «The World's Most Powerful People». Forbes. Novembro de 2015. Consultado em 12 de julho de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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