Urbanização

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Toronto, no Canadá: exemplo de uma região que passou por um intenso processo de urbanização nos últimos séculos

Urbanização é o crescimento das cidades, tanto em população quanto em extensão territorial. É o processo em que o espaço rural transforma-se em espaço urbano, com a consequente migração populacional do tipo campo-cidade que, quando ocorre de forma intensa e acelerada, é chamada de êxodo rural.

Conceito de cidade[editar | editar código-fonte]

A história da cidade pode ser considerada a história da humanidade. Sempre esteve presente nas obras dos grandes filósofos da Antiguidade. Segundo esses filósofos, qualquer desequilíbrio na estrutura das cidade poderia significar perigo para a unidade e organização da sociedade. Para Ratzel, um dos fundadores da geografia, ela representa uma forma de aglomeração durável. Utilizando-se o critério de Ratzel e incorporando o critério das atividades, podemos definir uma cidade da seguinte forma: é todo aglomerado permanente cujas atividades não se caracterizam como agrícolas. A grande concentração das atividades terciárias públicas e privadas do aglomerado e a forma contínua dos seus espaços edificados são atributos que permitem caracterizar melhor a cidade. De forma muito genérica, pode-se dizer que, nestas condições, a aglomeração é importante por ser organizada para o trabalho coletivo em atividades não agrícolas.

Como espaço edificado, representando uma massa composta de habitações, a cidade cria tipos de serviço que somente as formas de organização política são capazes de administrar. Disso, resulta, ser ela o centro da vida política da sociedade. Sua história confunde-se com a do Estado.

O termo "cidade" tem dois tipos de conceito atualmente:

Portanto, cidade é todo aglomerado urbano envolvendo características sociais, econômicas e culturais em um mesmo ambiente. É importante frisar que a cidade é um local de tomada de decisões, é poder. É da cidade que vão sair as ordens que influenciarão todo o território municipal.

História[editar | editar código-fonte]

Algumas das cidades que existem atualmente no mundo chegam a ter 3 mil anos ou mais de idade, como Roma, Atenas e algumas cidades do Egito, Oriente Médio, Turquia, China e Índia.

Europa[editar | editar código-fonte]

Em termos de Europa, a urbanização pode ser dividida nos seguintes períodos:

  1. Antiguidade
  2. A alta Idade Média e a retração urbana: século III d.C- X d.C
  3. O renascimento urbano da Idade Média central dos séculos XI, XII e XIII
  4. As cidades no Renascimento: séculos XIV e XV
  5. As cidades na Idade Moderna: séculos XVI a XVIII
  6. As cidades nos séculos XIX e XX

Por volta do século III, o Império Romano, que já havia tido seu período de glória, passou a se esfacelar tanto no ocidente (Gália, Ibéria, Itália, Bretanha, Germânia e África) como no oriente (Egito, Dácia, Trácia, Grécia, Macedônia, Palestina, Síria e Bizâncio). Porém, na parte ocidental, os impactos foram maiores.

A economia romana de base sobretudo rural-latifundiária-escravista em grandes propriedades rurais no ocidente, tendendo quase para a monocultura, chegou ao seu limite de contradições explícitas por volta já de meados do século III, com:

  • decadência do sistema escravista com o fim das conquistas territoriais;
  • queda do número de escravos e o aumento de custo deles e dos custos produtos por eles gerados, gerando inflação e crise monetária e alimentícia;
  • abandono de cidades e aldeias no ocidente a partir dos séculos II ou III, mas mais intenso no século IV e V;
  • fechamento das estradas que ligavam as principais cidades, por estarem abandonadas;
  • queda do rendimento econômico total no império gerado pela escravidão a partir da Pax Romana no século I;
  • crises de abastecimento de alimentos em todo o império e a capital a partir do século II;
  • processo de "naturalização" da economia com o colonato ou ruralização, pelos quais um colono romano recebia, do proprietário de terras: liberdade semisservil; um pedaço de terra para cultivar; proteção; e parte da produção. Em troca, fornecia pagamentos. Esse processo acabaria redundando no sistema feudal.

No ocidente, as cidades criadas em estilo romano, como Marselha, Londres, Paris, Bruges, Colônia, Dresden, Nápoles e Roma foram inteiramente abandonadas, assim como várias aldeias e cidades médias entraram em retração econômica e demográfica. A taxa de urbanização e o tamanho das maiores cidades no ocidente atingiu seu ponto mais baixo por volta do ano 1000.

Enquanto, no ano de 120, a população na cidade de Roma era de aproximadamente 1,7 milhões, a maior do mundo e do ocidente, em 650 e no ano 1000 chegou a apenas 20 000 pessoas e, entre o fim do século VII e início do XI, ainda menos.

As cidades na Europa Ocidental, durante a Alta Idade Média, com a formação e consolidação do cristianismo no ocidente como religião oficial, a crise do império romano nos séculos III, IV e V e a formação da Igreja Católica como corpo político do cristianismo, tendem a partir já dos séculos VI e VII a ser sedes monásticas ou cidades monásticas com igrejas e monastérios, uma elite extramundana de monges e entesouramento de obras da Antiguidade Clássica, relíquias e dinheiro.

Mesmo assim, há exceções nesse período: com a invasão árabe na Península Ibérica, a Ibéria passa a ser a região mais rica, urbanizada e intelectualizada do ocidente nos séculos VIII, IX e X, com cidades como Toledo, Coimbra, Granada e Medina del Campo.

Milão e Ravena passam a ser importantes centros urbanos nos séculos IV e V e Ravena passa a ser a capital do império no século V.

O conceito de cidades nesse período ou é de um centro de retirada para monges (monastérios) ou de um lugar de pessoas "mundanas", como judeus, banqueiros e mercadores.

América[editar | editar código-fonte]

Diferentemente da colonização portuguesa na América, os espanhóis encontraram culturas altamente urbanizadas. Os astecas no México, os maias na Guatemala e os incas no Peru apresentaram, ao colonizador espanhol, não somente paisagens de grandes monumentos arquitetônicos, com templos e estatuárias, mas também uma elevada concentração populacional em cidades com milhares de habitantes. Característica expressiva da urbanização que marcou a colonização espanhola na América, o traçado em linhas retas das ruas e praças pode ser considerado como uma imposição do plano regular das cidades. Nele, não se percebe nenhuma liberdade de adaptação desse traçado das ruas à sinuosidade do relevo, como também não se verifica nenhuma valorização simbólica dos lugares, a exemplo das cidades gregas e da região do Lácio, que valorizavam os sítios em acrópole. A cidade em formato de tabuleiro de xadrez foi a expressão da necessidade de dominar o território conquistado.

Brasil[editar | editar código-fonte]

A cidade de São Paulo: a política de zoneamento e planejamento da cidade permitiu a formação de áreas verticalizadas e horizontais lado a lado.
Planta com o traçado urbanístico de parte da cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970.

O grande domínio da colonização portuguesa na América, as culturas encontradas no seu território caracterizavam-se por um estágio de desenvolvimento bastante diferente das culturas pré-colombianas da América Espanhola, sem assentamentos humanos permanentes, com os indígenas vivendo organizados em aldeamentos temporários: os índios permaneciam num determinado local até que recursos naturais do local em termos de caça, pesca e terrenos agricultáveis se tornassem escassos. Quando isso acontecia depois de alguns anos, a aldeia era mudada para um novo local, e o ciclo recomeçava. Foi só no século XVI, com o início da colonização portuguesa, que surgiram os primeiros assentamentos humanos permanentes, como São Vicente (1532) e Olinda (1535).

Nos primórdios da ocupação portuguesa, sua economia, baseada na produção agrícola, era orientada para a exportação, daí as planícies e os terraços litorâneos terem sido escolhidos para a implantação dos primeiros núcleos urbanos. Os sítios escolhidos eram os localizados próximos a baías ou enseadas junto dessas planícies. As primeiras grandes cidades brasileiras estiveram intrinsecamente ligadas à função de porto comercial e à função militar. As condições de tais sítios favoreciam não somente a ligação com as áreas de produção agrícola como também o estabelecimento seguro de bases militares para garantir a posse da colônia. Exceções foram as cidades de São Paulo, nesse período, de Curitiba, no século XVII, e as cidades da mineração do século XVIII, que deslocaram o eixo da ocupação de origem portuguesa para o interior do território, como Ouro Preto em Minas Gerais e Goiás Velho em Goiás.

Enquanto as ordens espanholas mandavam evitar fundações de cidades em zonas litorâneas, as portuguesas proibiam que se fundassem cidades no interior sem permissão real, assim como qualquer penetração para o interior do território deveria ser expressamente autorizada pelo rei de Portugal.

Somente com a crise da agricultura em fins do século XVII e do XVIII, quando a mineração do ouro e da prata se expandiu, é que as ordenanças portuguesas se afrouxaram e foram fundadas cidades no interior do território brasileiro, como Vila Boa, hoje cidade de Goiás, no século XVIII, pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva; Vila Rica, hoje Ouro Preto, em Minas Gerais, fundada em 1811; Cuiabá, em Mato Grosso, fundada em 1787; Campinas, em São Paulo, elevada à condição de vila em 1797, também dentro do período do bandeirismo e da mineração do ouro.

Apesar de o século XVIII ter presenciado um grande avanço na fundação de vilas e cidades no interior do território brasileiro, esse processo se fez de forma muito descontínua, motivado tanto pela dependência do povoamento em relação às oscilações do mercado externo como também pelo esgotamento dos recursos ou pela concorrência de um produto com outro (caso da cana-de-açúcar, da mineração e do café).

Foi um fenômeno constante a descontinuidade no crescimento das cidades do período colonial e mesmo durante o Império. Os recursos naturais, à medida que se esgotavam, levavam à estagnação desses centros. As grandes cidades mais bem localizadas sempre tiveram seu crescimento de forma mais contínua, principalmente as portuárias. Estas podiam beneficiar-se de sua posição geográfica como centro de exportação de vários pequenos centros regionais, em que a estagnação de um era compensada pelo dinamismo de outro, e assim o grande centro conseguia, sempre, manter sua função exportadora. A cidade do Rio de Janeiro beneficiou-se da exportação de ouro e, quando este declinou, substituiu-o pela exportação do café, que emergiu logo em seguida como o grande produto brasileiro.

Com a retomada do dinamismo do setor agrário da economia brasileira, no início do século XIX, as antigas cidades litorâneas retomaram seu ritmo de crescimento. A cana-de-açúcar, no Nordeste, permitiu que cidades como Salvador e Recife voltassem a crescer, garantindo-lhes o segundo e o terceiro lugares quanto ao número de habitantes entre as cidades brasileiras. O primeiro lugar passou para o Rio de Janeiro.

A transferência da Corte portuguesa, para essa cidade, em 1808, não somente lhe permitiu o crescimento demográfico como também lhe garantiu uma transformação urbanística que a colocou muito próxima das cidades europeias. Com a implantação da Corte, a criação da Academia Imperial de Belas Artes e a presença da Missão Cultural Francesa, o Brasil começou a viver momentos de transformação no perfil arquitetônico de suas principais cidades. Os edifícios públicos e a residência da Corte passaram a ser construídos segundo os modelos arquitetônicos neoclássicos, isto é, segundo os padrões europeus.

As principais cidades brasileiras, a partir da segunda metade do século XIX, passaram a receber uma enorme quantidade de melhorias técnicas, desde a implantação de sistema hidráulico, de iluminação, de transporte coletivos com tração animal e redes de esgoto até planos urbanísticos de logradouros públicos, praças e vias arborizadas.

Assim, o processo de urbanização no Brasil teve início no século XX, a partir do processo de industrialização, que funcionou como um dos principais fatores para o deslocamento da população da área rural em direção à área urbana. Esse deslocamento, também chamado de êxodo rural, provocou a mudança de um modelo agrário-exportador para um modelo urbano-industrial. Atualmente, mais de 80% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que equivale aos níveis de urbanização dos países desenvolvidos. Até 1950, o Brasil era um país de população predominantemente rural. As principais atividades econômicas estavam associadas à exportação de produtos agrícolas, dentre eles o café. A partir do início do processo industrial, em 1930, começaram a se criar, no país, condições específicas para o aumento do êxodo rural. Além da industrialização, também estiveram associados, a esse deslocamento campo-cidade, dois outros fatoresː a concentração fundiária e a mecanização do campo. Em 1940, apenas 32% da população brasileira vivia em cidades. Foi a partir de 1950 que o processo de urbanização se intensificou, pois, com a industrialização promovida por Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, houve a formação de um mercado interno integrado que atraiu milhares de pessoas para o Sudeste do país, região que possuía a maior infraestrutura e, consequentemente, a que concentrava o maior número de indústrias.

Medição[editar | editar código-fonte]

Taxa de urbanização é a percentagem da população urbana em relação à população total de uma dada região.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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Referências

  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/conceitos.shtm. Acesso em 17 de junho de 2016.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]