Partido Democrático Trabalhista

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Partido Democrático Trabalhista
Número eleitoral 12
Presidente Carlos Lupi
Fundação 17 de junho de 1979 (38 anos)
Registro 10 de novembro de 1981 (36 anos)[1]
Sede Brasília, DF
Ideologia
Espectro político Esquerda e centro-esquerda
Afiliação internacional Foro de São Paulo
Internacional Socialista
Deputados federais (2014)[2]
20 / 513
Senadores[3]
2 / 81
Deputados Estaduais
72 / 1 060
Vereadores (2016)[4]
3 756 / 56 810
Cores      Azul

     Branco

     Vermelho

Página oficial
www.pdt.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) é um partido político brasileiro. Foi fundado em 1979, logo após o início do processo de abertura política do regime militar, e é alinhado às ideologias trabalhista e social-democrata. Seu número eleitoral é o 12.[5] É o único partido brasileiro a integrar a Internacional Socialista.[6]

Ideologia partidária[editar | editar código-fonte]

O trabalhismo é um conceito que começa a ser estabelecido a partir da Revolução Industrial, quando começa a se organizar um movimento com vista à melhoria da condição de vida dos trabalhadores.

Este movimento começa a crescer e a gerar diferentes ideologias na defesa desse ideal, tendo uma variação de abordagem em relação ao tema. Nesse espectro, se encontram desde as ideologias mais brandas como a democracia-cristã, passando pelo próprio trabalhismo, social-democracia, socialismo e chegando até às mais radicais como o comunismo e o anarquismo.

A ideologia trabalhista tem início na Inglaterra, com a criação de sindicatos de trabalhadores que visam a lutar pela melhoria da qualidade de suas vidas, assim como a busca da regulação da atividade trabalhadora, bem como a busca pelo estabelecimento de direitos e garantias aos trabalhadores, tendo, como exemplo, o fim do trabalho infantil, o direito ao descanso semanal remunerado, um limite na jornada de trabalho etc.

No Brasil, o movimento com vista à melhoria da condição de vida dos trabalhadores só começa a ganhar corpo no início do século XX, na parte final da República Velha, vindo a se fazer mais presente na vida nacional por volta das décadas de 1920 e 1930 (o Partido Comunista Brasileiro – PCB foi fundado em 1922).

A ideologia trabalhista em si ganha força através da ação política do Presidente Getúlio Vargas de estímulo à criação de sindicatos e o exercício de sua influência sobre eles e a classe trabalhadora, que acabará culminando com a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB após o fim do Estado Novo e a redemocratização do país em 1945.

O conceito do trabalhismo, tal como desenvolvido na Inglaterra, sofreu uma certa "abrasileiramento", dando ensejo a uma ideologia tipicamente nacional, e tendo, como um de seus principais ideólogos, o sociólogo e político Alberto Pasqualini, que tinha, como base, os princípios do solidarismo cristão (democracia-cristã).

Definia-se o trabalhismo como expressão equivalente a capitalismo solidarista. De acordo com essa expressão, a ideologia trabalhista reconhece o capitalismo como sistema econômico, não se opondo, portanto, à propriedade privada, mas defendendo uma intervenção do Estado na economia, de modo a corrigir os excessos do sistema capitalista, e atingir uma forma mais moderada e humana do capitalismo, dando ênfase nas políticas públicas com objetivo de melhorar a condição de vida dos trabalhadores, o que seria atingindo baseado na "conciliação de classes".

O trabalhismo sustenta, então, a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a sua convivência harmônica, bem como a superação das diferenças de classe, sem violência, através da melhor distribuição de riqueza e da promoção da justiça social.

Tem-se, então, que o trabalhismo não defende o fim do capitalismo, mas sim o abrandamento de suas consequências, como o faz a democracia-cristã. A diferença entre as duas ideologias é que o trabalhismo é uma ideologia que, dependendo da variante assumida pelo movimento trabalhista, pode ser totalmente laica, não pregando necessariamente a fidelidade aos ensinamentos cristãos.

O trabalhismo do PDT[editar | editar código-fonte]

Leonel Brizola

Com a anistia política e o fim do bipartidarismo no final dos anos 1970, Leonel Brizola, ainda no exílio, resolve reunir políticos e intelectuais progressistas para a refundação do trabalhismo na vida partidária nacional. É nesse sentido que um congresso é realizado na cidade de Lisboa, em Portugal, culminando ao final com a redação de um documento que ficou conhecido como Carta de Lisboa, e que é considerada como sendo o documento da fundação do PDT.

Nesse momento, o trabalhismo que viria a ser adotado pelo PDT sofre uma certa mutação. Tendo maior contato com os ideais socialistas e social-democratas do Estado do bem-estar social dos países europeus durante a segunda metade do século XX, políticos que viriam a formar a liderança do PDT resolvem patrocinar uma evolução no conceito trabalhista, considerando-o como sendo uma forma democrática de se chegar ao socialismo, o que não existia no trabalhismo defendido nas décadas anteriores.

Essa evolução pode ser confirmada pelos seguintes trechos da Carta de Lisboa:

Analisando a conjuntura brasileira, concluímos pela necessidade de assumirmos a responsabilidade que exige o momento histórico e de convocarmos as forças comprometidas com os interesses dos oprimidos, dos marginalizados, de todos os trabalhadores brasileiros, para que nos somemos na tarefa da construção de um Partido Popular, Nacional e Democrático, o nosso PTB. Tarefa que não se improvisa, que não se impõe por decisão de minorias, mas que nasce do encontro do povo organizado com a iniciativa dos líderes identificados com a causa popular.
Nós, Trabalhistas, assumimos a responsabilidade desta convocatória, porque acreditamos que só através de um amplo debate, com a participação de todos, poderemos encontrar nosso caminho para a construção no Brasil de uma sociedade socialista, fraterna e solidária, em Democracia e em Liberdade.

Além disso, o primeiro artigo do Estatuto do PDT assim dispõe:

Art. 1 – O Partido Democrático Trabalhista – PDT – é uma organização política da Nação Brasileira para a defesa de seus interesses, de seu patrimônio, de sua identidade e de sua integridade, e tem, como objetivos principais, lutar, sob a inspiração do nacionalismo e do trabalhismo, pela soberania e pelo desenvolvimento do Brasil, pela dignificação do povo brasileiro e pelos direitos e conquistas do trabalho e do conhecimento, fontes originárias de todos os bens e riquezas, visando à construção de uma sociedade democrática e socialista.

Deve-se, no entanto, frisar que o trabalhismo se diferencia do socialismo na medida em que ele não se posiciona contra o mercado, nem prega a luta de classes, muito menos sua extinção e substituição por uma sociedade sem classes, buscando no entanto superar o capitalismo de forma processual, através de reformas democráticas, na busca por uma sociedade mais justa e equitativa, numa espécie de socialismo de mercado, sendo possível a existência de uma economia mista, onde os meios de produção estratégicos devem ser coletivos, enquanto que, em outras áreas, a existência das práticas capitalistas e da propriedade privada são aceitas, sendo, no entanto, reguladas pelo Estado, com intervenções voltadas para o bem-estar social. Nesse sentido, o trabalhismo foi considerado por Leonel Brizola como o "socialismo moreno", e é por isso que o PDT é o único partido político brasileiro filiado à Internacional Socialista.[6]

História[editar | editar código-fonte]

O PDT é um dos mais tradicionais partidos políticos brasileiros. Foi criado após a abertura política no final do regime militar.

Fundação[editar | editar código-fonte]

A fundação do PDT é considerada a Carta de Lisboa, de 17 de junho de 1979. Com a iminência da assinatura da Lei da Anistia, Leonel Brizola, que, após a morte de João Goulart, se tornara o líder natural do trabalhismo democrático brasileiro, convocou personalidades progressistas que se encontravam no exílio, assim como outros jovens vindos do Brasil, ao "Encontro dos Trabalhistas do Brasil com Trabalhistas no Exílio" realizado na cidade de Lisboa, em Portugal, para um congresso com vistas a reorganizar o movimento trabalhista no Brasil.

Deste Encontro, produziu-se a Carta de Lisboa, documento que continha as bases programáticas do partido político que Brizola pretendia reorganizar no contexto da redemocratização que se anunciava no fim da década de 1970, o Partido Trabalhista Brasileiro – PTB.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, porém, a fundação do partido só ocorreu em maio de 1980 (e seu registro só viria a ser concedido em 1981).

A disputa pela legenda do PTB[editar | editar código-fonte]

Com a Anistia Política concedida em agosto de 1979, e a volta do pluripartidarismo ao sistema eleitoral brasileiro, muitos políticos, ao voltarem do exílio, tentaram recuperar os antigos partidos políticos que existiam antes do início da Ditadura Militar (período pré-1964).

Com a morte de João Goulart durante o período ditatorial, Leonel Brizola surgiu naturalmente como o principal líder do antigo PTB e, após sua chegada ao país, tentou reorganizar a legenda. Porém, foi surpreendido pela ação concorrente de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, que também reivindicou, para si, o controle da legenda PTB.

Após disputas judiciais, o TSE decidiu, finalmente, conceder a legenda ao grupo liderado por Ivete Vargas, que agrupava políticos que não coadunavam com os ideais trabalhistas históricos do partido, sem também possuírem uma história partidária no antigo PTB. Nomes como o de Jânio Quadros (político que se elegeu Presidente da República em 1960 fazendo oposição ao PTB) e Sandra Cavalcanti (secretária de Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional-UDN) encontraram abrigo no novo PTB. Na época, acusou-se Golbery do Couto e Silva de tramar a cessão da sigla para Ivete, a fim de enfraquecer o grupo de Brizola, então um dos políticos mais populares do país, e ferrenho opositor da Ditadura.

Inconformados com tal atitude, considerando que o novo PTB não representava mais os ideais trabalhistas históricos, o grupo liderado por Leonel Brizola foi obrigado a formar um novo partido, o Partido Democrático Trabalhista – PDT.

Um dos fatos mais marcantes da perda da legenda PTB foi a cena em que Leonel Brizola chorou copiosamente e rasgou um papel com a sigla PTB dizendo: "consumou-se o esbulho".

No dia seguinte, a foto desta cena foi publicada no Jornal do Brasil ao lado do seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade:

Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro. Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram mas foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem consequência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva; E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário... Se ela é jogo, como pode ser pura?... Se ela visa ao bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraude? Vi os discursos.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de maio de 1980, Caderno B. p. 1.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Dando sequência ao processo de abertura política no país, o regime militar restabeleceu o pluripartidarismo e convocou as primeiras eleições gerais diretas (com exceção dos cargos de Presidente da República, prefeitos de capitais e prefeitos de cidades designadas como áreas de segurança nacional) em 1982. Com apenas um ano de existência, o PDT saiu das eleições como o terceiro maior partido brasileiro, ficando atrás somente dos partidos tradicionais, PDS (substituto da ARENA) e PMDB (substituto do MDB), e se apresentando como a primeira força de esquerda do país, posição que manteria até meados da década de 1990.

Nas eleições majoritárias (governos estaduais e renovação de 1/3 do Senado Federal), o PDT foi o único dos novos partidos a conseguir vitórias.

O PDS ganhou em 12 estados, concentrando-se mais no Nordeste brasileiro. O PMDB ganhou em 9 estados, e o PDT ganhou no Rio de Janeiro, com Leonel Brizola para o governo estadual e Saturnino Braga para o Senado Federal.

Nas eleições proporcionais, o PDT elegeu 24 deputados federais, ficando atrás somente de PDS (235 deputados) e PMDB (200 deputados), e na frente do PTB (13 deputados) e do PT (8 deputados).

No plano nacional, o partido se posiciona como oposição ao governo do general João Figueiredo.

Pouco tempo depois, Leonel Brizola e o PDT, junto com os outros partidos e lideranças partidárias consideradas progressistas, lideraram a Campanha das Diretas Já! em favor da realização de eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Apesar da grande manifestação popular em favor da aprovação da Emenda Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional em 1984, ela não foi aprovada por uma diferença mínima de apenas 22 votos, sendo as próximas eleições presidenciais realizadas indiretamente através de um colégio eleitoral.

Durante a eleição indireta, o PDT apoiou a eleição do candidato do PMDB, Tancredo Neves, que conseguiu a vitória graças à dissidência da candidatura governista, a chamada Frente Liberal, que, insatisfeita com a escolha do candidato do PDS, Paulo Maluf, apoiou a candidatura de Tancredo Neves.

Com a morte de Tancredo Neves, assumiu, em seu lugar, o vice-presidente de sua chapa, José Sarney, dissidente do PDS/ARENA e integrante da Frente Liberal.

Tendo em vista esse acontecimento, o PDT se posicionou como oposição ao governo José Sarney.

Em 1985, nas primeiras eleições diretas para municípios capitais de estado, o PDT ganhou o controle da cidade do Rio de Janeiro com a eleição de Saturnino Braga, e de Porto Alegre com Alceu Collares.

Em 1986, ano eleitoral, o presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado, criticado abertamente por Brizola. Após o sucesso inicial do plano, com o estancamento da crise econômico-financeira pela qual o país passava, o partido do presidente, o PMDB, elegeu 22 dos 23 governos estaduais.

Apesar da boa avaliação do PDT, o partido não conseguiu eleger o vice-governador fluminense Darcy Ribeiro como sucessor de Brizola, graças ao Plano Cruzado, que beneficiou seu rival do PMDB, Moreira Franco, que Brizola apelidara de "gato angorá". Moreira Franco, ex-PDS, era apoiado por partidos de centro-direita: PFL, PTB, PL e outros. Pouco tempo depois das eleições, o plano se mostrou um fracasso, confirmando as declarações de Brizola, e a crise voltou.

Confirmando sua ascensão, nas eleições municipais de 1988, o PDT elegeu prefeitos de quatro capitais: Marcello Alencar no Rio de Janeiro, Jackson Lago em São Luís, Jaime Lerner em Curitiba, e Wilma de Faria em Natal.

Em 1989, com a primeira eleição direta para o cargo de Presidente da República após o regime militar, o PDT lançou, como seu candidato, Leonel Brizola. Depois de uma campanha acirrada, Brizola chegou em terceiro lugar, perdendo uma vaga no segundo turno por uma diferença de apenas 0,5% dos votos para o segundo colocado, o candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva.

No segundo turno, o PDT apoiou a candidatura de Lula, que perdeu a eleição para o candidato conservador do pequeno PRN, Fernando Collor de Melo, apoiado pelas forças conservadoras e com grande apoio da mídia (um fato notório foi a suposta edição manipulada da cobertura jornalística do último debate presidencial a favor de Collor pela Rede Globo).[7]

Atuação durante a Assembleia Nacional Constituinte[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 1986, o PDT elegeu 24 deputados federais, que viriam a ser constituintes durante esta legislatura. A atuação do PDT durante a Constituinte foi marcada pela defesa dos temas nacionalistas. O partido apoiou o presidencialismo, a jornada semanal de 40 horas, o monopólio estatal do petróleo e se posicionou contra os cinco anos de mandato para o presidente José Sarney.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

As eleições gerais no Brasil em 1990 marcaram o apogeu do PDT, com a eleição de 3 governadores de estado: Leonel Brizola no Rio de Janeiro, Alceu Collares no Rio Grande do Sul, e Albuíno Azeredo no Espírito Santo. Além disso, elegeu 46 deputados federais, a melhor performance eleitoral de toda a sua história. No plano nacional, o partido se posicionou como oposição ao governo Collor. Apesar de as eleições de 1990 terem sido o auge do partido no campo eleitoral, sua situação ao longo da década foi de declínio, acentuado após as eleições de 1994, passando a dividir, com o Partido dos Trabalhadores, a liderança da esquerda no plano nacional, e vindo até mesmo ser ultrapassado por este no fim da década.

Isso se deu em grande parte em razão do criticado desempenho de seus governadores e da demora de tomada de posição a favor das investigações contra o Presidente Collor. É nesse período que figuras importantes do partido começam a criar dissidência e sair do partido, como, por exemplo, César Maia, Marcello Alencar, Saturnino Braga e Jamil Haddad no Rio de Janeiro.

Com as primeiras denúncias de corrupção contra o ex-presidente Fernando Collor, o PDT não apoiou de imediato as pressões para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito, só vindo a mudar de posição pouco tempo depois, com o agravamento das denúncias. A partir daí, o PDT entrou fortemente na luta pelo impeachment do presidente Collor.

Com Collor afastado da presidência pelo Congresso Nacional, Itamar Franco assumiu o poder. Durante seu governo, foi realizado um plebiscito para a escolha do sistema de governo no país, e o PDT foi o único partido que se posicionou desde o início a favor do presidencialismo. Com o não avanço das ideias parlamentaristas, vários partidos começaram a mudar de posição e a defender também o presidencialismo, que saiu vitorioso.

Na mesma época, o PDT se empenhou firmemente no combate à Revisão Constitucional, que fracassou.

Nas eleições gerais no Brasil em 1994, o PDT apresentou, mais uma vez, Leonel Brizola como candidato a presidente, conseguindo, porém, apenas a 5ª colocação.

Na Bahia, o prefeito Humberto Soares Leite é filiado ao partido.

Para os governos estaduais, o PDT conseguiu eleger somente 2 governadores: Jaime Lerner no estado do Paraná, que pouco tempo depois se mudaria para o PFL, e Dante de Oliveira, no Mato Grosso, que mais tarde, engrossaria as fileiras do PSDB, perdendo o PDT o controle de qualquer governo estadual e sofrendo um processo de esvaziamento. O partido elegeu 34 deputados federais e 4 senadores.

Com a vitória do candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso para o cargo de Presidente da República, e a sua consequente reeleição em 1998, o quadro político brasileiro iniciou um período político relativamente estável e sem alteração até o início dos anos 2000. O PDT, considerando o governo de Fernando Henrique neoliberal e destruidor da chamada Era Vargas, se posicionou firmemente junto com o PT como oposição ao governo de Fernando Henrique, chegando até mesmo a fazer campanha pela sua renúncia. Foi a partir deste período que o PDT perdeu a liderança na esquerda brasileira para o PT.

Nas eleições municipais no Brasil em 1996, o PDT conseguiu 9% dos votos nacionais, permanecendo como o quinto maior partido nacional. Nas eleições gerais no Brasil em 1998, o PDT resolveu formar uma coligação política com PT, tendo Leonel Brizola como vice na chapa de Lula. Apesar da união dos dois principais partidos de esquerda, a chapa conseguiu apenas um segundo lugar, conseguindo o presidente Fernando Henrique reeleger. Já para a Câmara Federal, o PDT elegeu uma bancada de 25 deputados.

Em relação aos governos estaduais, o PDT voltou a eleger um governador, Anthony Garotinho no Rio de Janeiro, porém, antes de terminar seu mandato, mais uma vez o PDT viu seus quadros serem diminuídos com a expulsão de Anthony Garotinho e o consequente desligamento de seus correligionários.

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Com seu último grande esvaziamento, o PDT somou apenas 6,6% dos votos nacionais nas eleições municipais de 2000, ficando apenas como o sétimo maior partido nacional, caindo para a classificação de partido de porte médio.

Em 2001, após serem expulsos do PSDB, os irmãos senadores Álvaro Dias e Osmar Dias, do Paraná, ingressam no PDT por convite de Leonel Brizola.

Nas eleições de 2002, o PDT resolveu não lançar candidato a presidente, porém, formou a Frente Trabalhista com o PPS e o PTB, apoiando a candidatura de Ciro Gomes, que não obteve sucesso, conseguindo somente a quarta colocação. No segundo turno, o PDT resolveu apoiar o candidato do PT, Lula, que venceu a eleição contra o candidato da situação, José Serra, do PSDB.

Em relação às eleições estaduais, o partido voltou a eleger um governador, com Waldez Goes pelo estado do Amapá, e uma bancada de apenas 19 deputados federais.

Com a vitória de Lula, o PDT foi convidado para fazer parte do governo através de sua ação no Ministério das Comunicações, tendo, como seu ministro, o então deputado federal Miro Teixeira. Por discordar desse apoio, o senador Álvaro Dias deixou o partido.

Após um ano de governo, entretanto, a primeira experiência governista do PDT chegou ao fim. Discordando da política adotada por Lula, o partido rompeu com o governo, devolveu todos os cargos que ocupava no governo federal, e passou a ser oposição.

Em junho de 2004, vítima de um infarto, o fundador e líder do PDT Leonel Brizola morreu, levando a se crer no fim de sua legenda. Porém, o desempenho do partido nas eleições municipais do mesmo ano deu um novo fôlego ao partido. Mesmo com a morte de Brizola, o partido continuou na oposição. Após a crise do Mensalão, vários políticos migraram para o partido, entre eles o senador e ex-ministro da Educação de Lula, Cristovam Buarque.

Nas eleições de 2006, o PDT resolveu lançar candidato à Presidência da República, com a candidatura de Cristovam Buarque, que obteve apenas a quarta colocação, com 3% dos votos. No entanto, para os cargos legislativos, o partido melhorou seu desempenho, elegendo uma bancada de 24 deputados federais e 5 senadores, obtendo quase 6% dos votos nacionais, e voltando a ser o quinto maior partido brasileiro, atrás apenas de PMDB, PT, PSDB e PFL.

No segundo turno, o PDT apoiou novamente o candidato Lula, que venceu a eleição contra o candidato oposicionista, Geraldo Alckmin, do PSDB.

Com relação às eleições estaduais, o PDT elegeu 2 governadores, Waldez Góes no Amapá e Jackson Lago no Maranhão, pondo fim a 40 anos de predomínio da família Sarney no estado. Mesmo não sendo eleito, o senador Osmar Dias atingiu 49,90% dos votos no segundo turno das eleições para Governador do Paraná.

Devido ao apoio recebido pelo PDT no segundo turno das eleições, o PDT foi novamente chamado a fazer parte do governo. Ao partido, coube colaborar com sua ação através do Ministério do Trabalho, sendo, seu titular, o então presidente do partido, Carlos Lupi.

Nas eleições municipais de 2008, o PDT elegeu somente um prefeito de capital: Roberto Góes, em Macapá.

No cômputo geral, o PDT ficou com a sexta posição entre os partidos brasileiros em número de votos, com 5,96 milhões de votos, atrás de PMDB (18,42 mi), PT (16,48 mi), PSDB (14,45 mi), DEM (9,29 mi) e PP (6,09 mi).

Esse grande número foi traduzido em um crescimento de aproximadamente 15% no número de prefeitos eleitos pelo PDT, que passou de 297 no primeiro turno de 2004 para 344 prefeitos eleitos no primeiro turno de 2008, ficando, porém, apenas na oitava posição, atrás de PMDB (1 194), PSDB (780), PT (548), PP (547), DEM (494), PTB (412) e PR (382) respectivamente.

Situação atual[editar | editar código-fonte]

Dados do Tribunal Superior Eleitoral colocam o PDT na lista dos partidos grandes (mais de 1,2 milhões de filiados), como o quinto maior partido do país. Dentre as novas lideranças do partido, destacam-se José Fortunati, Pompeo de Mattos e Vieira da Cunha, do Rio Grande do Sul; Carlos Lupi e Brizola Neto, do Rio de Janeiro; Netinho de Paula, de São Paulo; Gustavo Fruet, do Paraná; Manato, do Espírito Santo, André Figueiredo, do Ceará, Dagoberto Nogueira Filho em Mato Grosso do Sul e a presença dos irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes.

Os recentes anos do PDT caracterizam-se pela busca de um novo posicionamento político e ideológico após o falecimento de Leonel Brizola, seu principal líder e fundador. Há uma divisão entre os que continuam a defender os princípios trabalhistas e socialistas norteadores da elaboração da Carta de Lisboa (dotados de um posicionamento mais à esquerda que o próprio PT) e os que reivindicam uma visão mais pragmática e conservadora da atividade política. Esses últimos em geral são políticos que já foram filiados a outros partidos.

Após a cassação do mandato de Eduardo Cunha, o partido apoiou Marcelo Castro (PMDB-PI) para a Presidência da Câmara, obtendo 70 votos e ficando em terceiro lugar.[8] Atualmente o PDT faz oposição ao Governo Temer, mesmo tendo fornecido 6 votos favoráveis na Câmara e 3 no Senado à aprovação da PEC 55.

Elegeu 335 prefeitos nas eleições de 2016, 28 a mais que em 2012, se tornando o partido de centro-esquerda com maior número de prefeitos e ocupando o vácuo deixado pelo PT, que elegeu apenas 254.[9] Elegeu 2 prefeitos de capitais: Edivaldo Holanda Júnior (São Luís) e Roberto Claudio (Fortaleza).[10]

Impeachment de Dilma Rousseff[editar | editar código-fonte]

O partido se posicionou oficialmente contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff, mas, na votação da Câmara dos Deputados do Brasil, forneceu 6 votos favoráveis, 12 contrários e 1 abstenção.[11] Foram favoráveis os deputados: Flávia Morais (GO), Giovani Cherini (RS), Hissa Abrahão (AM), Mário Heringer (MG), Sergio Vidigal (ES) e Subtenente Gonzaga (MG). Votaram contra os deputados: Vicente Arruda (CE), Weverton Rocha (MA), Wolney Queiroz (PE), Afonso Motta (RS), Ariosto Holanda (CE), Assis do Couto (PR), Dagoberto (MS), Damião Feliciano (PB), Félix Mendonça Jr. (BA), Leônidas Cristino (CE), Roberto Góes (AP) e Ronaldo Lessa (AL). Se absteve o deputado Pompeo de Mattos (RS).

No Senado Federal do Brasil, todos os três senadores do PDT votaram a favor do impeachment, desrespeitando a orientação partidária: Acir Gurgacz (RO), Lasier Martins (RS) e Telmário Mota (RR).[12]

Ranking da corrupção[editar | editar código-fonte]

  • Desatualizado

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. O PDT ocupa a sexta posição no ranking, com 23 cassações, atrás do DEM, PMDB e PSDB, PP e PTB.[13]

Bancada na Câmara dos Deputados[editar | editar código-fonte]

Composição atual[editar | editar código-fonte]

Deputados AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
19 0 1 1 1 1 3 0 1 1 1 2 1 0 0 1 1 0 1 0 0 0 0 3 0 0 0 0

Bancada eleita para a legislatura[editar | editar código-fonte]

Legislatura Eleitos  % AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO Diferença
54ª (2011-2015)
26 5,07 0 0 0 1 4 1 1 3 1 0 2 0 0 1 1 1 0 0 3 0 0 0 3 0 0 3 1 +2
53ª (2007-2011)
24 4,68 0 1 0 1 3 0 0 2 0 2 2 1 0 1 0 1 0 1 3 0 0 0 3 0 0 3 0 +3
52ª (2003-2007)
21 4,09 0 0 0 2 1 0 0 1 0 3 2 0 0 1 0 0 0 1 3 0 0 2 3 1 0 1 0 -4
51ª (1999-2003)
25 4,87 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 7 0 2 0 4 2 0 4 0

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados - Bancada na Eleição.

Participação do partido nas eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato(a) a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos  % Colocação
2014 Dilma Rousseff (PT) Michel Temer (PMDB) PT, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB 54 495 459 51,64
2010 Dilma Rousseff (PT) Michel Temer (PMDB) PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PCdoB, PSC, PRB, PTC e PTN 55 752 529 56,05
2006 Cristovam Buarque Jefferson Peres sem coligação 2 538 844 2,64
2002 Ciro Gomes (PPS) Paulo Pereira da Silva (PTB) PPS, PTB e PDT 10 170 882 11,97
1998 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Leonel Brizola (PDT) PT, PDT, PSB, PCdoB e PCB 21 475 218 31,71
1994 Leonel Brizola (PDT) Darcy Ribeiro (PDT) PDT e PMN 2 015 836 3,18
1989 Leonel Brizola Fernando Lyra sem coligação 11 168 228 15,45

Cargos importantes ocupados por membros do PDT[editar | editar código-fonte]

O PDT, hoje, governa o estado do Amapá e 335 cidades brasileiras, incluindo 2 capitais.

Membros ilustres[editar | editar código-fonte]

Membros Históricos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


  1. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «TSE - Partidos políticos registrados no TSE». Consultado em 7 de novembro de 2015 
  2. «Bancada da Eleição de 2014 para Deputado Federal (Titulares)». Câmara dos Deputados  Parâmetro desconhecido |acesso_data= ignorado (ajuda)
  3. {http://www25.senado.leg.br/web/senadores/em-exercicio/-/e/por-partido
  4. «PMDB encolhe, PT perde quase metade e PSDB cresce nas câmaras». G1 
  5. Tribunal Superior Eleitoral: Partidos políticos registrados no TSE, acessado em 25 de julho de 2007
  6. a b «Internacional Socialista». PDT. Consultado em 28 DE MARÇO DE 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. Memória Globo. Disponível em http://memoriaglobo.globo.com/erros/debate-collor-x-lula.htm. Acesso em 7 de agosto de 2017.
  8. «Eleição para presidente da Câmara tem Rodrigo Maia e Rogério Rosso no 2º turno». www2.camara.leg.br. Consultado em 25 de dezembro de 2016 
  9. «PSDB conquista 14 prefeituras no 2º turno e PT, nenhuma | Blog Eleição 2016 em Números da Rede Globo». Eleição 2016 em Números 
  10. «Confira os prefeitos eleitos nas capitais brasileiras» 
  11. Estadão. «Placar do Impeachment». Estadão 
  12. Estadão. «Votação final do Impeachment - Estadão». Estadão 
  13. «Desde 2000, 623 políticos foram cassados. DEM lidera ranking». O Globo. Consultado em 11 de julho de 2010