Podemos (Brasil)

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre partido político brasileiro criado em 1995. Para o partido político criado em 1945 e extinto em 1965, veja Partido Trabalhista Nacional.
Podemos
Número eleitoral 19
Presidente Renata Abreu
Fundação 1 de maio de 1995
Registro 2 de outubro de 1997 (23 anos)[1]
Sede Brasília, DF[2]
Ideologia Atual:
Centrismo[3][4]
Democracia direta[5][6][7]
Social-liberalismo[8][9][10]
Histórica:
(1997 a 2017)
Trabalhismo[3][11]
Nacionalismo[11]
Espectro político Centro à centro-direita[4][12][3]
Ala jovem JPodemos[13]
Membros (2020) 408,761 filiados[14]
Governadores (2020)
0 / 27
Deputados estaduais (2018)[15]
22 / 1 024
Prefeitos (2020)
102 / 5 568
Vereadores (2020)
1 528 / 56 810
Cores      Verde
     Azul
Página oficial
www.podemos.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

Podemos (PODE), originalmente denominado Partido Trabalhista Nacional (PTN), é um partido político brasileiro.[16][3] A legenda tem sido comandada pela família Abreu (Dorival de Abreu, José Masci de Abreu e Renata Abreu) desde sua fundação, em 1995. Em 2016, mudou seu nome para "Podemos" inspirado no slogan da campanha de Barack Obama à presidência dos EUA, "sim, nós podemos" ("yes, we can").[17][18] A homologação da mudança pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, veio apenas em 16 de maio de 2017.[19] Seu código eleitoral é 19.[1] Em outubro de 2020, possuía 408.761 filiados.[14]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Antigo logo do partido.

O PTN foi fundado em maio de 1995, ganhando o registro provisório no mesmo ano. Em 1996, obteve o registro definitivo da legenda, tendo sido dirigido pelo ex-deputado petebista Dorival de Abreu.[11]

A agremiação pretendia recriar o PTN, partido que veio a eleger Jânio Quadros, fundado, na origem, por uma dissidência nacionalista do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) getulhista.[20]

1998 a 2016[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 1998, lançou como candidata à presidência sua secretária geral, Thereza Ruiz, obtendo votação superior a 100 mil votos e ficando em 10° lugar.[21]

Em São Paulo, apresentou o candidato a governador Fred Corrêa nas eleições de 2006 mas foi derrotado ao obter apenas 4.523 votos e ficar em 14° lugar.[22] Entretanto, elegeu 6 deputados estaduais no país.[20]

Entre 2008 e 2012, elegeu 28 prefeitos, 748 vereadores e 6 deputados estaduais.[20]

Após o falecimento de Dorival, seu irmão, o ex-deputado federal José de Abreu, dirigiu a legenda até 2013, sendo substituído pela sua filha, a também deputada federal Renata Abreu.

No pleito de 2014, elegeu 4 deputados federais, sendo eles: João Carlos Bacelar Batista (BA), Christiane Yared (PR), Edson Moreira (MG) e Renata Abreu (SP). Na época, também elegeu 14 deputados estaduais mas manteve um desempenho eleitoral pouco significativo.

Devido sua pouca projeção, gradualmente acomodou seu programa às novas preferências políticas, passando a também agremiar nomes de direita e adotar uma perspectiva liberal. Nesse liame, com a janela partidária no início do ano de 2016, vários parlamentares trocaram de legenda e o destino de alguns deles foi o PTN que, à época, passou a ter 13 deputados federais. Ainda como PTN, oteve o maior crescimento proporcional no número de prefeituras nas eleições de 2016.[18]

Troca de nome e história recente[editar | editar código-fonte]

Logomarca do Partido Podemos atualizada no ano de 2017.

Em maio de 2017, o então "Partido Trabalhista Nacional" foi autorizado a mudar de nome e passou a ser denominado "Podemos".[19] A mudança foi uma tentativa de modernização devido à crise político-econômica de 2014.[23] Baseado em pesquisas e estudos de consultorias, a organização foi renomeada por inspiração no mote "sim, nós podemos" (yes, we can) da campanha de Barack Obama à presidência dos EUA em 2008 e sem qualquer relação com o partido-movimento espanhol Podemos. A essa época, a bancada do partido foi caracterizada como de centro-direita com parlamentares conservadores pelo presidente do diretório estadual na Bahia, João Carlos Bacelar Batista, enquanto que a nova organização buscaria o centrismo, segundo seus dirigentes.[24][18][25][26]

Ainda em 2017, passou a ter representatividade no Senado Federal com a filiação de Alvaro Dias (ex-Partido Verde [PV]) e de Romário, que havia deixado o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em agosto, o partido recebeu a filiação de José Medeiros (ex-Partido Social Democrático [PSD]), senador pelo Mato Grosso.

Em virtude da delação da JBS, em 18 de maio do mesmo ano, foi o primeiro partido a abandonar a base aliada do governo Michel Temer, saindo também do bloco partidário do qual integrava ao lado do Partido Progressista (PP) e do Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB, atual Avante), então declarou-se independente em relação ao governo.[27] Posteriormente, fez o mesmo com os deputados estaduais Chiquinho da Mangueira e Jorge Moreira Teodoro, conhecido como Dica, por votarem para livrar os colegas Jorge Picciani, então presidente da Alerj, Paulo Melo e Edson Albertassi da prisão, sendo estes alvos da Operação Cadeia Velha.[28] Por fim, expulsou o deputado Alexandre Baldy após o mesmo aceitar o cargo de Ministro das Cidades do governo Temer.[29]

Como candidato à presidência nas eleições de 2018, lançou Alvaro Dias.[30] Para acompanhá-lo, Paulo Rabello de Castro, um ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi escolhido como candidato a vice-presidente.[31] No pleito da campanha, foi defendido um pacto social para refundar a República, o aumento de investimentos nos setores de educação, além de uma reforma tributária e política do país.[32]

Em 21 de dezembro de 2018, incorporou o Partido Humanista da Solidariedade (PHS).[33]

Nas eleições municipais de 2020, elegeu 1.524 vereadores e 99 prefeitos, entre os quais, seu primeiro prefeito de uma capital: Eduardo Braide em São Luís, Maranhão.[34]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Segundo sua presidente nacional, Renata Abreu, o Podemos não é de esquerda ou de direita, mas "para a frente", defensor de mais participação popular no processo de tomada de decisões.[12][4][35]

O partido defende mais mecanismos de democracia direta no Brasil, seja através de plebiscitos, referendos (a exemplo da PEC 330/2017, de autoria de Renata Abreu, que propõe que a cada eleição o povo possa votar em mais do que candidatos, mas também em temas importantes de interesse da maioria[36]), veto popular (como defende a PEC 331/2017, também de Renata Abreu, que pretende incluir na constituição o direito do povo de vetar leis já aprovadas[37]) ou direito de revogação (conforme propõem a PEC 37/2016, de Alvaro Dias[38], e a PEC 332/2017, de Renata Abreu[39]).

Na análise clássica das ciências políticas, é definido como centro à centro-direita por englobar, em sua ideologia, a defesa da distribuição de renda[40][41][42], da política verde[43][44], dos direitos da mulher[45][46][47], da liberdade socioeconômica, do fim do foro privilegiado e de políticas de prevenção ao uso de drogas.[48][49][50]

Bancada[editar | editar código-fonte]

A bancada do partido, na presente legislatura, tem a seguinte composição por unidade federativa:

Deputados AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
10 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 3 0
Senadores AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
10 0 0 0 0 0 1 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 1 2 1 1 0 0 1 0 0 0 0

Participação e desempenho eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Imagem Candidato a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação de Partidos Votos % Colocação
1998
Sin foto.svg
Thereza Ruiz (PTN) Eduardo Gomes (PTN) sem coligação 166,138 0,25 10º
2010 Dilma Rousseff fevereiro 2011 3-B.jpg Dilma Rousseff (PT) Michel Temer (PMDB) PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PCdoB, PSC, PRB, PTC e PTN 55,752,529 56,05
2014 Aécio Aécio Neves (PSDB) Aloysio Nunes

(PSDB)

PSDB, PMN, SD, DEM, PEN, PTN, PTB, PTC e PTdoB 51,036,040 48,36
2018 Foto oficial de Álvaro Dias (cropped) (cropped).jpg Alvaro Dias (PODE) Paulo Rabello de Castro (PSC) PODE, PSC, PTC, PRP 859,574 0,80%

Referências

  1. a b «Partidos políticos registrados no TSE». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de novembro de 2015 
  2. «Podemos pelo Brasil». podemos.org.br. Consultado em 1 de janeiro de 2021 
  3. a b c d Gonçalves, Vladimir (30 de junho de 2017). «Novo partido Podemos usa estratégia internacional para se firmar». Exame 
  4. a b c «Qual sua Ideologia?». podemos.org.br. 2 de agosto de 2020. Consultado em 7 de janeiro de 2021 
  5. «Das propostas de democracia direta». podemos.org.br. 2 de agosto de 2017. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  6. «Podemos propõe democracia representativa com povo atuante». podemos.org.br. 29 de maio de 2017. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  7. Abreu, Renata (4 de outubro de 2017). «Aprofundar a democracia». podemos.org.br. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  8. «Roberto de Lucena anucia lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos». podemos.org.br. 8 de dezembro de 2020. Consultado em 7 de janeiro de 2021 
  9. Abreu, Renata (20 de abril de 2020). «Em defesa da democracia, AI-5 nunca mais». renataabreu.com.br. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  10. «'Pauta de costumes é pergumaria', afirma José Nelto». podemos.org.br. 30 de dezembro de 2020. Consultado em 7 de janeiro de 2021 
  11. a b c «História do Podemos». podemos.org.br. Consultado em 28 de novembro de 2020 
  12. a b Ramos, Mariana (7 de julho de 2017). «Podemos: nem de esquerda, nem de direita». folhadelondrina.com.br. Consultado em 18 de janeiro de 2021 
  13. «JPodemos». podemos.org.br 
  14. a b «Estatísticas do eleitorado». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 11 de novembro de 2020 
  15. Matsuki, Edgard (28 de outubro de 2018). «Lista completa dos candidatos eleitos em 2018». EBC. Consultado em 21 de outubro de 2020 
  16. «Página do Podemos no site do TSE». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 18 de maio de 2017 
  17. Camarotti, Gerson (21 de março de 2017). «Deputados articulam novo partido para a disputa de 2018». Blog do Camarotti 
  18. a b c Pitombo, João Pedro (22 de novembro de 2016). «PTN vai mudar de nome para Podemos, inspirado em Obama». Folha de S.Paulo 
  19. a b «TSE autoriza PTN a mudar nome para "Podemos"». Tribunal Superior Eleitoral. 16 de maio de 2017 
  20. a b c «História do PTN / Podemos». podemosparana.org.br. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  21. «Eleições 1998». tucano.org.br. 2 de fevereiro de 2011. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  22. «Apuração - São Paulo - Governador - 1° turno». Folha de S.Paulo. 9 de novembro de 2006. Consultado em 5 janeiro de 2021 
  23. «Em meio à crise política, partidos mudam de nome para atrair eleitor». R7. 15 de agosto de 2019 
  24. «Mudança de nome não deve estancar sangria no PTN». Brasil 247. 27 de novembro de 2016 
  25. Alcântara, Manoela (22 de novembro de 2016). «PTN muda de nome e passa a se chamar Podemos». Metrópoles. Consultado em 27 de novembro de 2016 
  26. Faro, Romulo (24 de novembro de 2016). «PTN muda de nome e vira Podemos». Consultado em 27 de novembro de 2016. Arquivado do original em 27 de novembro de 2016 
  27. Gadelha, Igor (18 de maio de 2017). «Com 13 deputados, PTN anuncia rompimento com governo Temer». Correio. Consultado em 18 de maio de 2017 
  28. Matais, Andreza (18 de novembro de 2017). «Romário expulsa deputados do Podemos que votaram para salvar Picciani». O Estado de S. Paulo 
  29. Pereira, Joelma (20 de novembro de 2017). «Novo ministro das Cidades é desfiliado do Podemos por aceitar ser ministro de Temer; PP será sua nova sigla». Congresso em Foco 
  30. Fonseca, Alana (4 de agosto de 2018). «Podemos confirma Alvaro Dias para disputa da Presidência; candidato defende 'refundar a República'». G1. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  31. Chagas, Paulo Victor (4 de agosto de 2018). «Alvaro Dias é oficializado candidato à Presidência pelo Podemos». Agência Brasil. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  32. Soares, Ingrid; Ferrari, Hamilton (6 de junho de 2018). «Alvaro Dias defende que é preciso um pacto social para refundar a república». Correio Braziliense. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  33. Dantas, Dimitrius (21 de dezembro de 2018). «Podemos incorpora PHS e vira terceira maior bancada do Senado». O Globo. Consultado em 22 de dezembro de 2018 
  34. «Podemos elege 99 prefeiros e 1524 vereadores em todo Brasil». podemos.org.br. 16 de novembro de 2020. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  35. Martins, Fernando (30 de junho de 2017). «Novo partido de Alvaro Dias quer ouvir eleitores para tudo». Gazeta do Povo 
  36. «Renata Abreu propõe plebiscitos e referendos no país». camara.gov.br 
  37. «Renata Abreu propõe projeto que instituir o Veto Popular». camara.gov.br 
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  39. «Projeto de Recall de Renata Abreu». camara.org.br 
  40. «O futuro já chegou - Estamos iniciado o último ano letivo deste mandato». podemos.org.br. 6 de fevereiro de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  41. «Líder do governo critica má distribuição de renda no país e perversidade com aposentados». tucano.org.br. 23 de agosto de 2012. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  42. «Alvaro Dias defende reformas e o fim de privilégios». podemos.org.br. 30 de abril de 2020. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  43. «Nasce o Podemos Trabalhador e o Podemos Verde». podemos.org.br. 12 de julho de 2018. Consultado em 28 de novembro de 2020 
  44. «Projeto Tesouro Verde, de Alvaro Dias, incentiva o investimento na preservação ambiental». podemos.org.br. 11 de outubro de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  45. «Promulgada a 'Lei Renata Abreu' que dá mais segurança às mulheres vítimas de violência». podemos.org.br. 11 de dezembro de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
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  47. «Eduardo Girão propõe a criação do estatuto da gestante». podemos.org.br. 9 de dezembro de 2020. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  48. «Nova política para prevenção do uso de drogas nas escolas é proposta por Styvenson». podemos.org.br. 12 de abril de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  49. «Styvenson defende aprovação de projeto que proíbe propaganda de bebidas alcoólicas na mídia». podemos.org.br. 29 de março de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  50. «José Nelto vai lutar para barrar projeto antidrogas». podemos.org.br. 11 de fevereiro de 2019. Consultado em 6 de janeiro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]