Eleição presidencial no Brasil em 1998

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Eleição presidencial no Brasil em 1998
  1994 ← Flag of Brazil.svg → 2002
4 de outubro de 1998
Fhc-color.jpg Luís Inácio Lula da Silva 03102008.jpg Cirogomes2006.jpg
Candidato Fernando Henrique Cardoso Luiz Inácio Lula da Silva Ciro Gomes
Partido PSDB PT PPS
Natural de Rio de Janeiro Pernambuco São Paulo
Companheiro de chapa Marco Maciel
(PFL)
Leonel Brizola
(PDT)
Roberto Freire
(PPS)
Vencedor em 23 estados + DF 2 estados 1 estado
Votos 35 936 540 21 475 218 7 426 190
Porcentagem 53,06% 31,71% 10,97%
1998 Brazilian presidential election map (Round 1).svg


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1998 foi a terceira realizada após a promulgação da Constituição de 1988. Pouco antes desse pleito foi aprovado um projeto de emenda constitucional permitindo a reeleição aos ocupantes de cargos no Poder Executivo. Muito se discutiu sobre a constitucionalidade deste projeto[1] e, posteriormente, parlamentares da base aliada do governo admitiram ter vendido seus votos pela aprovação da emenda.[2][3]

Controvérsias a parte, o presidente Fernando Henrique Cardoso, amparado por uma coligação que incluía os três maiores partidos da época – o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o Partido da Frente Liberal (PFL) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que ofereceu seu apoio informal ao PSDB – foi reeleito em primeiro turno com cerca de 53% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou Luiz Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT) com quase 32% dos votos. Ciro Gomes, então membro do Partido Popular Socialista (PPS), veio em terceiro lugar, com mais de 7 milhões de votos (quase 11% do total). Esta eleição trouxe o uso das urnas eletrônicas, que seriam utilizadas em todos os municípios no pleito seguinte.

A disputa pela presidência em 1998 contou com doze candidatos, o maior número da história do país desde a eleição de 1989, quando mais do que o dobro de candidaturas foram lançadas. O número de concorrentes poderia subir para quinze, caso a candidatura do ex-presidente cassado Fernando Collor de Mello (PRN, PRTB, PST)[4] não fosse revogada pela Justiça Eleitoral e se Oswaldo Souza Oliveira (PRP)[5] e João Olivar Farias (PAN)[carece de fontes?] não tivessem desistido. Com a desistência deste último, o PAN decidiu apoiar Ciro Gomes. Esta eleição também ficou marcada por trazer a segunda mulher candidata ao cargo máximo da República: Thereza Ruiz, do Partido Trabalhista Nacional (PTN), que substituiu Dorival Masci de Abreu.[6]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Fernando Henrique Cardoso havia assumido a presidência da República em 1 de janeiro de 1995, após derrotar Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal concorrente, no primeiro turno com mais de 30 milhões de votos.[7] FHC havia fundamentado sua primeira campanha presidencial no então recém-lançado Plano Real e na promessa de estabilizar a economia do país. De fato, o plano surtiu efeito, conseguindo debelar os exorbitantes índices de inflação, estabilizando o câmbio e aumentando o poder aquisitivo da população, sem choques nem congelamento de preços.[7]

Resultados do 1º Turno das Eleições Presidenciais Brasileiras - 1998
Porcentagem(%)
FHC
  
53,06%
Lula
  
31,71%
Ciro
  
10,97%
Enéas
  
2,14%
Ivan Frota
  
0,37%
Sirkis
  
0,31%
João de Deus
  
0,29%
Eymael
  
0,25%
Thereza Ruiz
  
0,25%
Sergio Bueno
  
0,18%
Vasco Azevedo
  
0,16%

No primeiro dia de seu governo entrou em vigor o Tratado de Assunção, assinado ainda no governo Collor, que visava à implementação do Mercosul, uma área de livre comércio entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.[7] Além disso, o primeiro governo FHC foi marcado por reformas políticas e econômicas, como a quebra dos monopólios estatais do petróleo e das telecomunicações, a reforma da Previdência Social e a alteração no conceito de empresa nacional.[7] Embora aprovadas, as reformas governistas encontraram grande resistência por parte da oposição, que criticou ferozmente a privatização de empresas como a Vale do Rio Doce e a emenda constitucional que possibilitou a reeleição dos ocupantes de cargos no Poder Executivo.[7]

Apesar das vitórias políticas, o governo precisou impor medidas para desquecer a demanda interna e equilibrar a balança comercial, o que acabou por fazer o desemprego crescer e a economia dar sinais de recessão.[7] As áreas da saúde, educação e reforma agrária também sofreram grandes crises.[7] Com isso, a campanha de reeleição de FHC baseou-se na idéia de que a continuidade do governo era fundamental para que a estabilização atingisse outros setores, estabelecendo metas para as áreas de saúde, agricultura, emprego, educação e segurança.[7]

Campanha[editar | editar código-fonte]

A candidatura de Fernando Henrique foi apoiada por uma coligação de partidos de centro-direita.[8] Além do PSDB, PFL, PPB e PTB, contou com o apoio informal da maior parte dos membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).[9] Desta forma, a coligação foi formada pelos principais partidos surgidos da Aliança Renovadora Nacional (PFL e PPB), bem como os grupos mais fortes saídos do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB e PSDB), formando a maior coligação eleitoral da história moderna brasileira.[9]

FHC recusou-se a participar dos debates televisionados com os demais candidatos, alegando que sua atenção estava voltada para a crise internacional.[8][10] A eleição acabou não tendo nenhum debate entre os candidatos, assim como ocorreu na eleição anterior.[11]

Candidatos[editar | editar código-fonte]

Candidato a presidente Candidato a vice-presidente Partido ou coligação Número eleitoral Cargo político anterior
Luís Inácio Lula da Silva 03102008.jpg Lula da Silva
(PT)
Brizola.jpg Leonel Brizola
(PDT)
União do Povo Muda Brasil
(PT, PDT, PSB, PCdoB, PCB)
13 Deputado federal por São Paulo
(1987–1991)
(2015-06-04) 2º Congresso Nacional da CSP-Conlutas Dia1 152 Romerito Pontes (18687750336).jpg José Maria de Almeida Replace this image male.png José Galvão de Lima Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado 16
Replace this image female.svg Thereza Ruiz Replace this image male.png Eduardo Gomes Partido Trabalhista Nacional 19
Replace this image male.png Sergio Bueno Replace this image male.png Ronald Abrahão Azaro Partido Social Cristão 20
Cirogomes2006.jpg Ciro Gomes
(PPS)
Roberto Freire.jpeg Roberto Freire
(PPS)
Brasil Real e Justo
(PPS, PL, PAN)
23 Ministro da Fazenda do Brasil
(1994–1995)
José Maria Eymael (4764807212).jpg José Maria Eymael Replace this image male.png Josmar Oliveira Alderete Partido Social Democrata Cristão 27 Deputado federal por São Paulo
(1986–1995)
Replace this image male.png Vasco Azevedo Neto Replace this image male.png Alexandre José dos Santos Partido da Solidariedade Nacional 31 Deputado federal pela Bahia
(1970–1986)
Replace this image male.png Ivan Frota Replace this image male.png João Ferreira da Silva Partido da Mobilização Nacional 33
Alfredo sirkis.JPG Alfredo Sirkis Replace this image female.svg Carla Piranda Rabello Partido Verde 43 Secretário Municipal de
Meio Ambiente do Rio de Janeiro
(1994–1996)
Fhc-color.jpg Fernando Henrique Cardoso
(PSDB)
Marco maciel 2010.jpg Marco Maciel
(PFL)
União, Trabalho e Progresso
(PSDB, PFL, PPB, PTB, PSD)
45 Presidente do Brasil
(1995–2003)
Carneiro cropped.jpg Enéas Carneiro Replace this image male.png Irapuan Teixeira Partido de Reedificação
da Ordem Nacional
56
Replace this image male.png João de Deus Barbosa de Jesus Replace this image male.png Nanci Pilar Partido Trabalhista do Brasil 70

Resultado[editar | editar código-fonte]

Candidato(a) Vice Primeiro turno
4 de outubro de 1998
Votação
Fonte: TSE
Total Percentagem
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Marco Maciel (PFL) 35 936 540 53,06%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Leonel Brizola (PDT) 21 475 218 31,71%
Ciro Gomes (PPS) Roberto Freire (PPS) 7 426 190 10,97%
Enéas Carneiro (PRONA) Irapuan Teixeira (PRONA) 1 447 090 2,14%
Ivan Frota (PMN) João Ferreira da Silva (PMN) 251 337 0,37%
Alfredo Sirkis (PV) Carla Piranda Rabello (PV) 212 984 0,31%
José Maria de Almeida (PSTU) José Galvão de Lima (PSTU) 202 659 0,30%
João de Deus Barbosa de Jesus (PTdoB) Nanci Pilar (PTdoB) 198 916 0,19%
José Maria Eymael (PSDC) Irapuan Teixeira (PSDC) 171 831 0,25%
Thereza Ruiz (PTN) Eduardo Gomes (PTN) 166 138 0,25%
Sergio Bueno (PSC) Ronald Abrahão Azaro (PSC) 124 659 0,18%
Vasco Azevedo Neto (PSN) Alexandre José dos Santos (PSN) 109 003 0,16%
Total de votos válidos 67 722 565 81,30%
→ Votos em branco 6 688 403 8,03%
→ Votos nulos 8 886 895 10,67%
Total 83 297 863 78,51%
Abstenções 22 773 983 21,49%
Total de inscritos 106 101 067 100,00%
  Eleito

Resultados por estados[editar | editar código-fonte]

  Estados onde FHC obteve maior votação
  Estados onde Lula obteve maior votação
  Estado onde Ciro obteve maior votação
Estados/distritos vencidos por Fernando Henrique Cardoso
Estados/distritos vencidos por Luiz Inácio Lula da Silva
Estados/distritos vencidos por Ciro Gomes
Fernando Henrique Cardoso
PSDB
Luiz Inácio Lula da Silva
PT
Ciro Gomes
PPS
Outros
vários
Margem Total
State #  % #  % #  % #  % #  % #
Acre 90.363 46,80% 59.690 30,91% 26.909 13,93% 16.119 8,30% 33.673 15,89% 193.081
Alagoas 394.873 54,79% 161.584 22,42% 146.729 20,36% 17.467 2,39% 233.289 32,37% 720.653
Amazonas 452.076 54,67% 211.507 25,58% 128.811 15,57% 34.416 4,13% 240.569 29,09% 826.810
Amapá 68.277 42,32% 62.394 28,67% 25.349 15,71% 5.298 3,25% 5.883 3,65% 161.318
Bahia 1.977.643 50,91% 1.372.790 35,34% 327.920 8,44% 205.655 5,26% 604.853 15,57% 3.884.008
Ceará 804.969 30,30% 872.290 32,84% 909.402 34,23% 37.112 1,39% 69.442 2,57% 2.623.773
Distrito Federal 391.201 40,44% 287.579 29,73% 265.838 27,48% 22.524 2,30% 103.622 10,71% 967.142
Espírito Santo 814.535 64,74% 263.636 20,95% 134.675 10,70% 45.165 3,54% 550.899 43,79% 1.258.011
Goiás 1.247.510 65,95% 371.175 19,62% 195.851 10,35% 76.865 4,02% 876.335 46,33% 1.891.401
Maranhão 736.042 48,62% 444.912 29,39% 246.268 16,26% 86.487 5,67% 291.130 19,23% 1.513.709
Minas Gerais 4.225.240 55,67% 2.129.100 28,05% 883.377 11,64% 351.080 4,58% 2.096.140 27,62% 7.588.797
Mato Grosso 663.773 73,09% 149.462 16,46% 67.668 7,45% 27.150 2,95% 514.311 56,63% 908.053
Mato Grosso do Sul 520.471 61,25% 210.120 24,73% 89.951 10,58% 29.128 3,39% 310.351 36,52% 849.670
Pará 1.020.868 56,81% 530.722 29,53% 165.670 9,22% 79.578 4,39% 490.146 27,28% 1.796.838
Paraíba 541.067 45,25% 402.293 33,65% 191.878 16,05% 60.242 5% 138.774 11,60% 1.195.480
Pernambuco 1.637.394 57,22% 890.971 31,13% 212.168 7,41% 120.819 4,19% 746.424 26,09% 2.861.352
Piauí 482.649 48,09% 270.465 26,94% 185.997 18,53% 64.523 6,39% 212.184 21,15% 1.003.634
Paraná 2.492.531 59,24% 1.168.853 27,78% 400.966 9,53% 144.558 3,41% 1.323.678 31,46% 4.206.908
Rio de Janeiro 2.848.277 42,27% 2.851.274 42,32% 708.279 10,51% 329.558 4,85% 2.997 0,05% 6.737.388
Rio Grande do Norte 525.842 50,71% 267.883 25,83% 193.496 18,33% 49.560 4,75% 257.959 24,88% 1.036.781
Rio Grande do Sul 2.036.805 40,59% 2.460.551 49,04% 277.866 5,53% 241.684 4,77% 423.746 8,45% 5.016.906
Rondônia 323.743 66,40% 103.927 21,31% 39.398 8,08% 20.461 4,15% 219.816 45,09% 487.529
Roraima 71.768 61,92% 20.601 17,77% 20.138 17,37% 3.389 2,89% 51.167 44,15% 115.896
Santa Catarina 1.255.253 49,42% 929.698 36,60% 252.659 9,94% 101.982 3,98% 325.555 12,82% 2.539.592
Sergipe 297.243 47,37% 221.565 35,31% 71.233 11,35% 37.448 5,93% 75.678 12,06% 627.489
São Paulo 9.736.728 59,88% 4.688.677 28,83% 1.208.718 7,43% 624.695 3,79% 5.048.051 31,05% 16.258.818
Tocantins 265.393 66,67% 66.607 16,73% 47.566 11,95% 18.454 4,60% 198.786 49,94% 398.020

Fonte: Resultado da eleição de 1998, Tribunal Superior Eleitoral.

Estados vencidos com menor diferença[editar | editar código-fonte]

Em azul são os estados vencidos por Fernando Henrique Cardoso, em vermelho são os estados vencidos por Luís Inácio Lula da Silva e em amarelo são os estados vencidos por Ciro Gomes.

Estados onde a margem de vitória foi por menos de 5%:

  1. Rio de Janeiro 0,05%
  2. Ceará 2,57%
  3. Amapá 3,65%

Estados vencidos com maior diferença[editar | editar código-fonte]

Estados onde a margem de vitória foi por mais de 30%:

  1. Mato Grosso 56,63%
  2. Tocantins 49,94%
  3. Goiás 46,33%
  4. Rondônia 45,09%
  5. Roraima 44,15%
  6. Espírito Santo 43,79%
  7. Mato Grosso do Sul 36,52%
  8. Alagoas 32,37%
  9. Paraná 31,46%
  10. São Paulo 31,05%

Referências

  1. MACHADO, Ivan. "Inconstitucionalidade da emenda da reeleição". Jus Navigandi. Teresina, ano 2, n. 21, nov. 1997. Acesso em: 28 de junho de 2010.
  2. RODRIGUES, Fernando. "Deputado diz que vendeu seu voto a favor da reeleição por R$ 200 mil". Folha de S.Paulo. 13 de maio de 1997. Acesso em: 28 de junho de 2010.
  3. Capa da Folha de S.Paulo de 13/05/1997. Acesso em: 17 de outubro de 2012.
  4. "O Caso Collor - A tentativa de retorno". Tribunal Superior Eleitoral. 19 de dezembro de 2008. Acesso em: 28 de junho de 2010.
  5. MENEZES, Ana Cláudia. "Candidatos passam o Dia dos Pais com as famílias". A Notícia. 10 de agosto de 1998. Acesso em: 28 de junho de 2010.
  6. LARANJEIRA, Leandro. "Mulheres podem fazer história nas eleições de 2010". Diário do Grande ABC. 10 de agosto de 2009. Acesso em: 28 de junho de 2010.
  7. a b c d e f g h MASON, Anthony. Memórias do Século XX - Vol. 6: Tempos Modernos, 1970-1999. Tradução de Maria Clara de Mello Motta. Rio de Janeiro: Reader's Digest, 2004. ISBN 85-7645-016-X
  8. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Crise_de_1998
  9. a b Alan Marques (17 de setembro de 2002). «Coalizão de FHC começou e terminou com o Plano Real». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de janeiro de 2015. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2015 
  10. «Eleições presidenciais - 1998: porque não houve debate». Memória Globo. Consultado em 7 de janeiro de 2015. Cópia arquivada em 8 de janeiro de 2015 
  11. Fábio Vasconcellos. «Debates presidenciais na TV como dispositivos complementares de informação política no Brasil: Características e estratégias» (PDF). Escola Superior de Propaganda e Marketing. Consultado em 7 de janeiro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]