Eleição presidencial no Brasil em 1955

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Eleição presidencial no Brasil em 1955
  1950 ← Brasil → 1960
3 de outubro de 1955
Juscelino (cropped).jpg 131038.jpgmaior (cropped).jpg Ademar Pereira de Barros, Governador de São Paulo (cropped).tif
Candidato Juscelino Kubitschek Juarez Távora Adhemar de Barros
Partido PSD UDN PSP
Natural de Minas Gerais Ceará São Paulo
Vencedor em 15 unidades federativas 5 unidades federativas 4 unidades federativas e no Distrito Federal
Votos 3 077 411 2 610 462 2 222 725
Porcentagem 35,68% 30,27% 25,77%
Mapa do Brasil - Eleição presidencial (1955).svg
Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda.


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

Titular
Nereu Ramos
PSD

Eleição vice-presidencial no Brasil em 1955
  1950 ← Brasil → 1960
3 de outubro de 1955
Jango (cropped).jpg Mílton Soares Campos, Ministro da Justiça. (cropped).tif Danton Coelho (cropped).jpg
Candidato João Goulart Milton Campos Danton Coelho
Partido PTB UDN PSP
Natural de Rio Grande do Sul Minas Gerais Rio Grande do Sul
Vencedor em 19 unidades federativas 4 unidades federativase e no DF 1 unidade federativa
Votos 3 591 409 3 384 739 1 140 261
Porcentagem 44,25% 41,70% 14,05%
Mapa do Brasil - Eleição vice-presidencial (1955).svg
Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda.


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

Titular
nenhum
nenhum

A eleição presidencial brasileira de 1955 foi a décima-sexta eleição presidencial e a décima-quarta direta.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O ex-presidente Getúlio Vargas, já septuagenário, retornou à presidência, dessa vez pelas vias democráticas. Este governo foi extremamente conturbado, em razão, principalmente, da ação da oposição, que atuou de todas as maneiras para obstruir o governo de Vargas.

O principal partido de oposição ao seu governo era a direitista União Democrática Nacional (UDN), que apresentava uma oposição ferrenha ao legado político do varguismo. A postura dos políticos udenistas durante o segundo governo de Vargas foi radical, e isso deu margem para uma crise política, que se estendeu durante todo esse governo.

No âmbito econômico, o presidente aproximava-se de uma política econômica em prol do desenvolvimento do país por grupos nacionais, bem como com a interferência do Estado. Essa postura irritava grupos da elite nacional, dos quais muitos membros da UDN faziam parte, que não concordavam com essa postura e consideravam-na um problema para os seus interesses econômicos.

Getúlio procurou aproximar-se dos trabalhadores como forma de garantir sustentação ao seu governo, mas fracassou. A crise política e os ataques da UDN enfraqueceram o governo de Vargas. A classe de trabalhadores também começou a se mobilizar contra o governo por conta do aumento da inflação, que corroía o salário. Além disso, medidas como a nomeação de João Goulart para o Ministério do Trabalho e o aumento do salário mínimo em 100% só reforçaram a oposição ferrenha dos udenistas. João Goulart era filho de um amigo íntimo de Getúlio e somente seguiu carreira na política após ter recebido um convite do próprio Getúlio para ingressar no PTB.

O polêmico reajuste do salário mínimo, em 100%, ocasionou, em fevereiro de 1954, um protesto público, em forma de manifesto à nação, dos militares, (um dos quais foi Golbery do Couto e Silva), contra o governo, seguido da demissão do ministro do trabalho João Goulart.

Este Manifesto dos Coronéis, também dito Memorial dos Coronéis, foi assinado por 79 militares que, na sua grande maioria, eram ex-tenentes de 1930. Os antigos tenentes (que naturalmente subiram de postos na hierarquia militar ao longo dos anos) que participaram do tenentismo ainda estavam presentes na vida pública nacional. Este Manifesto dos Coronéis significou uma redução do apoio ao governo Getúlio, na área militar, e, também, na área trabalhista, por conta da demissão de João Goulart.

Houve no governo de Getúlio uma grande mobilização nacional conhecida como a campanha "O petróleo é nosso" em torno da criação da PETROBRAS. Getúlio tentou, mas não conseguiu, criar a Eletrobras, que só seria criada em 1961. Em 1954, entrou em operação a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso I. Foi iniciada a construção da Rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a Belo Horizonte, e que seria concluída por Juscelino Kubitschek.

Porém também houve uma série de acusações de corrupção a membros do governo e pessoas próximas a Getúlio, o que levou a imprensa golpista a dizer que Getúlio estava sentado em um "mar de lama". A acusação mais grave de corrupção, que jogou grande parte da opinião publicada contra Getúlio, foi a comissão parlamentar de inquérito (CPI) contra o jornal Última Hora, de propriedade de Samuel Wainer. Samuel Wainer era acusado por Carlos Lacerda e outros de receber dinheiro do Banco do Brasil para apoiar Getúlio. O jornal Última Hora era praticamente o único órgão de imprensa a apoiar Getúlio.

Outra medida do governo de Getúlio foi a assinatura, em março de 1952, de um acordo de cooperação e ajuda militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Este acordo vigorou de 1953 até 1977, quando o presidente Ernesto Geisel denunciou o mesmo.

O atentado da Rua Tonelero e o Suicídio de Vargas[editar | editar código-fonte]

No dia 5 de agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, sofre uma tentativa de assassinato e sai com um suspeito ferimento no pé (cujo laudo médico desapareceu), ao contrário do major-aviador Rubens Vaz, que estava junto na ocasião e foi morto.[1][2] As investigações apontaram Gregório Fortunato como o responsável pelo acontecimento.[3] Gregório era chefe da guarda pessoal do então presidente Getúlio Vargas, e logo, a oposição e os militares exigiram que Vargas renunciasse. O Manifesto dos Generais, de 22 de agosto de 1954, pedia a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles, Castelo Branco, Juarez Távora e Henrique Lott.

Getúlio teria dito: "só morto sairei do Catete". Às 8 horas e 30 minutos do dia 24 de agosto de 1954, Getúlio se suicida com um tiro no coração em seus aposentos no Palácio do Catete no Rio de Janeiro.[4][5]

Com a morte de Vargas, assumiu o vice-presidente potiguar João Café Filho, que governou num período de agitação, manipulado pelos políticos da UDN. Em 08 de novembro de 1955, após a eleição ser realizada, Café Filho é afastado do governo após um ataque cardíaco.[6] Assume o Presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, que é deposto três dias depois ao pretender dar um golpe de Estado e evitar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.[7] O Congresso decidiu que o presidente do Senado Nereu Ramos terminaria os dois meses e meio de mandato, e passaria o governo para JK.[8]

Juscelino Kubitschek conta que foi chamado para uma reunião em setembro de 1955 na casa de Nereu Ramos, onde se encontrava o governador de Pernambuco, Etelvino Lins. Etelvino propôs a JK que as eleições fossem adiadas, pois "não havia possibilidade para as eleições, por causa da agitação que havia no país, dos traumas que o país tinha passado." Na União Democrática Nacional, todos estavam de acordo. JK respondeu que não poderia transigir com aquilo.[9]

Constituição de 1946[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Constituição de 1946, o mandato do presidente vigoraria por cinco anos. Assim, Dutra governara até 31 de janeiro de 1951, passando a faixa presidencial para Vargas, eleito em 1950.[10] O direito ao voto foi permitido a todos os brasileiros com mais de dezoito anos de ambos os sexos, mas os analfabetos eram proibidos de votar.[11] Foi determinado, também, que a eleição para presidente e vice-presidente ocorreriam de forma separada.

Candidatos[editar | editar código-fonte]

Primeira cédula eleitoral oficial, com candidatos a presidente e vice.

Presidência da República[editar | editar código-fonte]

PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: A coligação do Partido Social Democrático (PSD), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Republicano (PR), do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Social Trabalhista (PST), e do Partido Republicano Trabalhista (PRT) lançam como candidato o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitschek, do centrista PSD. O slogan da campanha desenvolvimentista era 50 anos de progresso em 5 de governo. O jingle de campanha de JK, era em forma de marchinha de carnaval e ressaltava o nacionalismo e o populismo. O jingle era assim: "Gigante pela própria natureza / há 400 anos a dormir / são 21 estados, são teus / filhos a chamar / agora vem lutar, vamos trabalhar. / Queremos demonstrar ao mundo inteiro / e a todos que nos querem dominar / que o Brasil pertence aos brasileiros, / e um homem vai surgir para trabalhar. / Aparece como estrela radiosa / neste céu azul de anil / o seu nome é uma bandeira gloriosa / pra salvar este Brasil. / Juscelino Kubitschek é o homem / vem de Minas das bateias do sertão / Juscelino, Juscelino é o homem / Que além de patriota é nosso irmão. / Brasil, vamos para as urnas / Povo democrata, gente varonil / Juscelino, Juscelino, Juscelino, / Para presidente do Brasil!"[12]

Para a candidatura de JK, os estados de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não o apoiaram. Em entrevista a 1 de março de 1974 para Maria Victoria Benevides, JK diria: "Uma das maiores dificuldades para articular a aliança com o PTB, era a hostilidade de setores mais conservadores do PSD em relação ao nome de Jango. Mas eu sabia que uma aliança com o PTB era imprescindível; somente uma aliança muito forte poderia enfrentar a oposição e sair vitoriosa; e somente com um candidato que conseguisse a reconciliação entre o voto rural do PSD e o voto urbano do PTB. Foi por isso que insisti no nome de Jango para a vice-presidência; como candidato, tinha que pensar em termos de cálculo político e isto me obrigava a uma aliança com o PTB. No PTB, o nome de Goulart era o que reunia maiores possibilidades."[13]

Na época, o então presidente Café Filho fez fortes críticas a JK na Hora do Brasil. Para poder fortalecer a candidatura, Juscelino deu uma entrevista para o jornal Correio da Manhã, rebatendo as críticas e desmentindo Café.[14] JK conta em entrevista, que no início de 1955, fez várias viagens pelo país, e, em uma cidade do Amazonas, "estava caminhando para a praça para fazer comício, e me disseram: 'A rádio está noticiando que o senhor foi intimado pelos militares a interromper a sua campanha política, e que ou o senhor acede ou será preso'. Respondi: 'Não sei se é verdade, mas vou dizendo que não há força humana que me tire da campanha, a não ser morto. A bandeira que trouxe levarei até o Catete. Eu respeito a democracia e a Constituição'."[15]

Acredita-se que o clima de comoção popular devido à morte de Getúlio, teria facilitado a eleição de Juscelino Kubitschek à presidência da república e de João Goulart (o Jango) à vice-presidência, em 1955, derrotando a UDN, adversária de Getúlio. Juscelino Kubitschek e João Goulart são considerados, por alguns, como dois dos "herdeiros políticos" de Getúlio

PDC/UDN/PL/PSB: A coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Libertador (PL), e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançaram o militar cearense Juarez Távora da conservadora UDN como candidato.

PSP: O social-democrata Partido Social Progressista não fez alianças políticas, e lançou Ademar de Barros como candidato.

PRP: O Partido de Representação Popular não fez alianças políticas, e lançou como candidato o seu fundador, o ex-líder integralista Plínio Salgado.

Vice-presidência da República[editar | editar código-fonte]

PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: Pela mesma coligação de JK, foi lançado o ex-ministro do trabalho João Goulart (Jango) como candidato a vice-presidente.

UDN/PDC/PL/PSB: Pela mesma coligação de Juarez Távora, foi lançado o ex-governador de Minas Gerais Milton Campos como candidato a vice.

PSP: O PSP lançou Danton Coelho como candidato para vice-presidente.

Resultados[editar | editar código-fonte]

Nesta eleição, pela primeira vez no Brasil, se utilizou a cédula eleitoral oficial confeccionada pela Justiça Eleitoral. Antes de 1955 os próprios partidos políticos confeccionavam e distribuíam as cédulas eleitorais.[16]

Presidência da República[editar | editar código-fonte]

Eleição para presidente do Brasil em 1955
Candidato Votos Porcentagem
Juscelino Kubitschek (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT) 3.077.411 35,68%
Juarez Távora (UDN/PDC/PL/PSB) 2.610.462 30,27%
Adhemar de Barros (PSP) 2.222.725 25,77%
Plínio Salgado (PRP) 714.379 8,28%
Votos nominais 8.624.977 (100%)
Votos brancos 161.852 (1,77%)
Votos nulos 310.185 (3,40%)
Votos apurados 9.097.014 (100%)
Fonte:[17][18]

Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.

Estados/Territórios vencidos por Juscelino Kubitschek
Estados/Territórios vencidos por Juarez Távora
Estados/Territórios vencidos por Adhemar de Barros
Estado/Território Juscelino Kubitschek % Juarez Távora % Adhemar de Barros % Plínio Salgado % Votos nominais % Votos brancos % Votos nulos % Votos apurados %
Acre &0000000000003906.0000003 906 45,25% &0000000000002695.0000002 695 31,22% &0000000000001801.0000001 801 20,86% &0000000000000230.000000230 2,66% &0000000000008632.0000008 632 100% &0000000000000222.000000222 2,45% &0000000000000180.000000180 1,99% &0000000000009034.0000009 034 100%
Alagoas &0000000000038775.00000038 775 39,15% &0000000000044126.00000044 126 44,56% &0000000000010218.00000010 218 10,31% &0000000000005907.0000005 907 5,96% &0000000000099026.00000099 026 100% &0000000000002805.0000002 805 2,62% &0000000000005153.0000005 153 4,81% &0000000000106984.000000106 984 100%
Amapá &0000000000004039.0000004 039 82,66% &0000000000000309.000000309 6,32% &0000000000000459.000000459 9,39% &0000000000000079.00000079 1,61% &0000000000004886.0000004 886 100% &0000000000000061.00000061 1,21% &0000000000000069.00000069 1,37% &0000000000005016.0000005 016 100%
Amazonas &0000000000016025.00000016 025 35,41% &0000000000007582.0000007 582 16,75% &0000000000017994.00000017 994 39,76% &0000000000003648.0000003 648 8,06% &0000000000045249.00000045 249 100% &0000000000001957.0000001 957 3,77% &0000000000004674.0000004 674 9,00% &0000000000051880.00000051 880 100%
Bahia &0000000000200213.000000200 213 43,13% &0000000000149771.000000149 771 32,26% &0000000000051061.00000051 061 11,00% &0000000000063136.00000063 136 13,60% &0000000000464181.000000464 181 100% &0000000000007515.0000007 515 1,50% &0000000000026581.00000026 581 5,33% &0000000000498277.000000498 277 100%
Ceará &0000000000135779.000000135 779 38,25% &0000000000175735.000000175 735 49,51% &0000000000029974.00000029 974 8,44% &0000000000013408.00000013 408 3,77% &0000000000354896.000000354 896 100% &0000000000007169.0000007 169 1,87% &0000000000020987.00000020 987 5,47% &0000000000383052.000000383 052 100%
Distrito Federal &0000000000199520.000000199 520 29,51% &0000000000174804.000000174 804 25,85% &0000000000266289.000000266 289 39,38% &0000000000035495.00000035 495 5,24% &0000000000676108.000000676 108 100% &0000000000005841.0000005 841 0,84% &0000000000011387.00000011 387 1,64% &0000000000693336.000000693 336 100%
Espírito Santo &0000000000056650.00000056 650 36,07% &0000000000029721.00000029 721 18,92% &0000000000041126.00000041 126 26,19% &0000000000029531.00000029 531 18,80% &0000000000157028.000000157 028 100% &0000000000002364.0000002 364 1,43% &0000000000004855.0000004 855 2,95% &0000000000164247.000000164 247 100%
Goiás &0000000000065767.00000065 767 43,16% &0000000000026759.00000026 759 17,56% &0000000000056121.00000056 121 36,82% &0000000000003732.0000003 732 2,44% &0000000000152379.000000152 379 100% &0000000000003507.0000003 507 2,14% &0000000000007776.0000007 776 4,75% &0000000000163662.000000163 662 100%
Guaporé &0000000000001739.0000001 739 30,89% &0000000000000298.000000298 5,29% &0000000000003459.0000003 459 61,46% &0000000000000132.000000132 2,34% &0000000000005628.0000005 628 100% &0000000000000043.00000043 0,74% &0000000000000110.000000110 1,90% &0000000000005781.0000005 781 100%
Maranhão &0000000000066508.00000066 508 47,30% &0000000000015764.00000015 764 11,21% &0000000000055725.00000055 725 39,63% &0000000000002599.0000002 599 1,84% &0000000000140596.000000140 596 100% &0000000000005249.0000005 249 3,30% &0000000000012997.00000012 997 8,18% &0000000000158842.000000158 842 100%
Mato Grosso &0000000000045201.00000045 201 46,97% &0000000000033119.00000033 119 34,42% &0000000000016327.00000016 327 16,96% &0000000000001570.0000001 570 1,63% &0000000000096217.00000096 217 100% &0000000000002393.0000002 393 2,31% &0000000000004576.0000004 576 4,43% &0000000000103186.000000103 186 100%
Minas Gerais &0000000000713113.000000713 113 58,35% &0000000000283567.000000283 567 23,20% &0000000000147112.000000147 112 12,03% &0000000000078213.00000078 213 6,40% &0000000001222005.0000001 222 005 100% &0000000000032466.00000032 466 2,48% &0000000000053864.00000053 864 4,11 &0000000001308335.0000001 308 335 100%
Pará &0000000000089344.00000089 344 49,59% &0000000000021406.00000021 406 11,88% &0000000000065176.00000065 176 36,18% &0000000000004213.0000004 213 2,33% &0000000000180139.000000180 139 100% &0000000000004912.0000004 912 2,49% &0000000000012215.00000012 215 6,19% &0000000000197266.000000197 266 100%
Paraíba &0000000000081307.00000081 307 36,60% &0000000000114128.000000114 128 51,37% &0000000000016813.00000016 813 7,56% &0000000000009900.0000009 900 4,45% &0000000000222148.000000222 148 100% &0000000000008182.0000008 182 3,41% &0000000000009433.0000009 433 3,93% &0000000000239763.000000239 763 100%
Paraná &0000000000108031.000000108 031 25,08% &0000000000091540.00000091 540 21,25% &0000000000127758.000000127 758 29,67% &0000000000103256.000000103 256 23,98% &0000000000430585.000000430 585 100% &0000000000010613.00000010 613 2,33% &0000000000012942.00000012 942 2,84% &0000000000454140.000000454 140 100%
Pernambuco &0000000000163919.000000163 919 38,14% &0000000000184847.000000184 847 43,01% &0000000000051739.00000051 739 12,04% &0000000000029200.00000029 200 6,79% &0000000000429705.000000429 705 100% &0000000000012851.00000012 851 2,78% &0000000000018308.00000018 308 3,97% &0000000000460864.000000460 864 100%
Piauí &0000000000067665.00000067 665 53,40% &0000000000043469.00000043 469 34,31% &0000000000013164.00000013 164 10,39% &0000000000002395.0000002 395 1,89% &0000000000126693.000000126 693 100% &0000000000003938.0000003 938 2,92% &0000000000003927.0000003 927 2,91% &0000000000134558.000000134 558 100%
Rio Branco &0000000000001828.0000001 828 69,40% &0000000000000448.000000448 17,00% &0000000000000325.000000325 12,33% &0000000000000033.00000033 1,25% &0000000000002634.0000002 634 100% &0000000000000039.00000039 1,43% &0000000000000044.00000044 1,61% &0000000000002717.0000002 717 100%
Rio de Janeiro &0000000000215456.000000215 456 46,19% &0000000000101186.000000101 186 21,69% &0000000000122101.000000122 101 26,17% &0000000000027683.00000027 683 5,93% &0000000000466426.000000466 426 100% &0000000000005588.0000005 588 1,15% &0000000000013416.00000013 416 2,76% &0000000000485430.000000485 430 100%
Rio Grande do Norte &0000000000057200.00000057 200 40,47% &0000000000045425.00000045 425 32,13% &0000000000024822.00000024 822 17,56% &0000000000013888.00000013 888 9,82% &0000000000141335.000000141 335 100% &0000000000005769.0000005 769 3,72% &0000000000007674.0000007 674 4,95% &0000000000154778.000000154 778 100%
Rio Grande do Sul &0000000000329562.000000329 562 37,73% &0000000000302595.000000302 595 34,64% &0000000000175185.000000175 185 20,05% &0000000000066109.00000066 109 7,56% &0000000000873451.000000873 451 100% &0000000000010705.00000010 705 1,18% &0000000000019252.00000019 252 2,13% &0000000000903408.000000903 408 100%
Santa Catarina &0000000000132739.000000132 739 39,19% &0000000000089187.00000089 187 26,33% &0000000000057561.00000057 561 16,99% &0000000000059162.00000059 162 17,47% &0000000000338649.000000338 649 100% &0000000000004838.0000004 838 1,37% &0000000000007956.0000007 956 2,26% &0000000000351443.000000351 443 100%
São Paulo &0000000000240940.000000240 940 12,72% &0000000000626627.000000626 627 33,08% &0000000000867320.000000867 320 45,79% &0000000000159051.000000159 051 8,39% &0000000001893938.0000001 893 938 100% &0000000000021497.00000021 497 1,09% &0000000000046850.00000046 850 2,38% &0000000001962285.0000001 962 285 100%
Sergipe &0000000000042185.00000042 185 45,63% &0000000000045354.00000045 354 49,06% &0000000000003095.0000003 095 3,34% &0000000000001809.0000001 809 1,95% &0000000000092443.00000092 443 100% &0000000000001328.0000001 328 1,34% &0000000000004959.0000004 959 5,02% &0000000000098730.00000098 730 100%
Total &0000000003077411.0000003 077 411 35,68% &0000000002610462.0000002 610 462 30,26% &0000000002222725.0000002 222 725 25,77% &0000000000714379.000000714 379 8,28% &0000000008624977.0000008 624 977 100% &0000000000161852.000000161 852 1,77% &0000000000310185.000000310 185 3,40% &0000000009097014.0000009 097 014 100%

Vice-presidência da República[editar | editar código-fonte]

Eleição para vice-presidente do Brasil em 1955
Candidato Votos Porcentagem
João Goulart (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT) 3.591.409 44,25%
Milton Campos (UDN/PDC/PL/PSB) 3.384.739 41,70%
Danton Coelho (PSP) 1.140.261 14,05%
Votos nominais 8.116.409
Votos brancos 722.674
Votos nulos 257.931
Votos apurados 9.097.014
Fonte:[17][18]

Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.

Estados/Territórios vencidos por João Goulart
Estados/Territórios vencidos por Milton Campos
Estados/Territórios vencidos por Danton Coelho
Estado/Território João Goulart Milton Campos Danton Coelho Votos nominais Votos brancos Votos nulos Votos apurados
Acre 4.410 2.820 1.071 8.301 662 71 9.034
Alagoas 47.173 43.402 4.190 94.765 7.326 4.893 106.984
Amapá 4.211 252 257 4.720 243 53 5.016
Amazonas 25.568 11.143 4.972 41.683 6.020 4.177 51.880
Bahia 233.115 177.108 26.705 436.928 39.092 22.257 498.277
Ceará 153.524 161.294 26.404 341.222 25.234 16.596 383.052
Distrito Federal 282.335 303.405 81.943 667.683 15.964 9.689 693.336
Espírito Santo 70.464 46.722 21.526 138.712 22.003 3.532 164.247
Goiás 68.023 56.420 18.731 143.174 15.579 4.909 163.662
Guaporé 1.925 339 3.176 5.440 265 76 5.781
Maranhão 69.981 17.449 50.062 137.492 8.996 12.354 158.842
Mato Grosso 47.040 36.969 8.509 92.518 6.895 3.773 103.186
Minas Gerais 618.985 496.728 44.282 1.159.995 101.527 46.813 1.308.335
Pará 97.176 24.452 51.849 173.477 12.613 11.176 197.266
Paraíba 94.912 103.988 9.648 208.548 24.269 6.946 239.763
Paraná 181.666 159.026 45.495 386.187 58.287 9.666 454.140
Pernambuco 189.409 187.678 24.484 401.571 44.354 14.939 460.864
Piauí 69.765 42.845 10.310 122.920 8.953 2.685 134.558
Rio Branco 1.962 426 163 2.551 122 44 2.717
Rio de Janeiro 257.210 154.320 42.131 453.661 20.882 10.887 485.430
Rio Grande do Norte 67.005 56.138 11.804 134.947 13.319 6.512 154.778
Rio Grande do Sul 423.484 382.105 27.376 832.965 53.450 16.993 903.408
Santa Catarina 153.854 149.284 14.751 317.889 27.510 6.044 351.443
São Paulo 384.083 726.069 608.337 1.718.489 205.401 38.395 1.962.285
Sergipe 44.129 44.357 2.085 90.571 3.708 4.451 98.730
Total 3.591.409 3.384.739 1.140.261 8.116.409 722.674 257.931 9.097.014


Movimento de 11 de novembro e a Posse[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Movimento de 11 de novembro

O Movimento de 11 de novembro foi uma reação por parte da oposição política e militar descontente com a vitória da aliança PSD-PTB nas eleições. Após o suicídio de Vargas, o vice-presidente Café Filho assume o poder e busca apoio político entre elementos da UDN.[19] Uma das plataformas da UDN era o jornal Tribuna da Imprensa, do jornalista Carlos Lacerda, que lançava virulentos ataques à Juscelino e contra a sua posse, chegando ao ponto de publicar um editorial defendendo a intervenção das Forças Armadas.[20] Uma das principais vozes opositoras à candidatura e posse Juscelino, o general Canrobert Pereira da Costa, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e conhecido antigetulista,[21] veio a falecer em 31 de outubro de 1955. No seu funeral o então coronel Jurandir Mamede profere um forte discurso que ressoa a fala que o general palestrou em 5 de agosto de 1955 no Clube de Aeronáutica, pelo aniversário da morte do major-aviador Rubens Vaz, acusando o país de viver em uma "mentira democrática" e do regime existir em uma "pseudolegalidade imoral e corrompida".[22] Prontamente o PTB exige a punição do coronel e o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra busca uma solução para apaziguar a situação, porém Café Filho sofre um ataque cardíaco em 3 de novembro de 1955 e se afasta do poder, sem encontrar solução para encerrar a crise.[23] Assume a presidência o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Carlos Luz, membro da PSD contrário a candidatura de Juscelino, que mantém a posição de Café Filho de rejeitar o pedido do general Lott de afastamento do coronel Mamede.[24]

Com a rejeição de Carlos Luz, o general Lott decide pedir demissão do cargo de ministro da Guerra no dia 10 de novembro de 1955, o que desencadeou uma série de reações por parte de comandantes das Forças Armadas, com a ocupação de pontos chaves da então capital federal, forçando o governo a respeitar a disciplina militar. Com medo da reação militar, Carlos Luz embarca, na madrugada do dia 11 de novembro, no cruzador Tamandaré junto de alguns ministros, Carlos Lacerda e do coronel Mamede e rumam para São Paulo, onde junto do brigadeiro Eduardo Gomes, militar e político antigetulista e na época ministro da Aeronáutica, organizariam uma resistência. Porém com a iniciativa de comandantes liderados pelo general Lott e com o apoio de membros da Aeronáutica, a ação de Carlos Luz e do brigadeiro Eduardo Gomes acaba sendo frustrada.[25] O cruzador retorna ao Rio de Janeiro e em sessão extraordinária impede Carlos Luz da presidência e coloca o presidente do Senado, senador Nereu Ramos, no poder, sendo instaurado estado de sítio no país pelo Congresso em 24 de novembro de 1955, durando até 26 de fevereiro de 1956, garantindo a posse de JK.[26]

Em paralelo a estes eventos, a ala da UDN conhecida como "legalista" lutava por vias legais e parlamentares impedir a posse de JK e Jango, tendo apresentado na véspera das eleições uma emenda constitucional transferindo para a Câmara dos Deputados a eleição presidencial no caso de o eleito não conseguir maioria absoluta (50% mais 1 dos votos), sem sucesso na aprovação[27] e a criação de uma cédula única para a votação. O TSE só viria a reconhecer a vitória de JK em 7 de janeiro de 1956, menos de um mês antes da posse, em 31 de janeiro de 1956.[28]

Referências

  1. «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 
  2. «TONELEROS, ATENTADO DA |». CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 
  3. «O atentado da Rua Tonelero», Observatório da Imprensa [ligação inativa]
  4. Por que Getúlio se matou?[ligação inativa] Neto, Lira. (1/8/2004) Aventuras na História, Guia do Estudante. Acessado em 16/11/2011.
  5. «1954: Brazilian president found dead» (em inglês). British Broadcasting Corporation. 24 de agosto de 1954. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 
  6. João Fernandes Campos Café Filho UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.
  7. Carlos Luz UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.
  8. Nereu Ramos UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.
  9. OLIVEIRA, Juscelino Kubitschek de. Juscelino Kubitschek I (depoimento, 1974). Rio de Janeiro, CPDOC, 1979. 15 p. dat. Página 8.
  10. Constituição de 1946 dos Estados Unidos do Brasil/Título I/Capítulo III/Artigo 82 Acessado em 12/11/2011.
  11. Júnior, Alfredo Boulos. História, Sociedade e Cidadania. 9º ano. 1ª edição - São Paulo - 2009.
  12. Jingle da campanha à presidência de JK em 1955 Propagandas antigas. Acessado em 17/11/2011. (Link inativo )
  13. Oliveira, Página 9.
  14. Oliveira, Página 11.
  15. Oliveira, Página 13.
  16. «Cédula eleitoral». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 1 de junho de 2012 
  17. a b Eleição Presidencial - 3 de outubro de 1955 (Domingo).[ligação inativa] (Pós 1945) Acessado em 19/11/2011.
  18. a b Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral (página do IBGE)
  19. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro LAMARÃO, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.
  20. Jornal Tribuna da Imprensa. Rio de Janeiro, ed. 1781, ano 7, 4 de nov. 1955, p.4. Acessado em 04/11/2017 pelo acervo da Biblioteca Nacional Digital
  21. Canrobert Pereira da CostaDicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
  22. Jornal Tribuna da Imprensa. Rio de Janeiro, ed. 1779, ano 7, 1 de nov. 1955, p.4. Acessado em 04/11/2017 pelo acervo da Biblioteca Nacional Digital
  23. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro Lamarão, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.
  24. Carlos Luz Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
  25. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro LAMARÃO, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.
  26. Nereu RamosDicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
  27. JK rumo à presidência: O difícil caminho da candidatura Ferreira, Marieta de Moraes. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017
  28. Juscelino Kubitschek Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.