Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista

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O Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC), também conhecido inicialmente como Partido Comunista do Brasil e posteriormente como Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi um partido político brasileiro, baseado ideologicamente nos princípios do marxismo-leninismo, com expressão nacional e forte penetração nos meios sindicais e estudantis. Fundado em 25 de março 1922, sob a sigla PCB - Partido Comunista do Brasil[1], publicado no Diário Oficial da União em 4 de abril de 1922 sendo Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista - PC-SBIC; Seu símbolo era uma foice e um martelo cruzados, em amarelo, sobre fundo vermelho, representando a união entre os trabalhadores do campo e da cidade.

Também chamado de "Partidão"[2], foi o primeiro partido político brasileiro assumidamente de esquerda. Por diversas vezes, foi colocado na ilegalidade e posteriormente legalizado novamente, razão pela qual sua história permanece em grande processo de disputa. Atualmente, três partidos políticos com registro no TSE afirmam ser seus legítimos sucessores: o Partido Popular Socialista (PPS), cujo número eleitoral é o 23; o Partido Comunista Brasileiro (PCB)[3], cujo número eleitoral é o 21; e o Partido Comunista do Brasil (PC do B), cujo número eleitoral é o 65. Alguns pesquisadores apontam o PCB[4], e outros apontam o PC do B[5][6], como sendo não apenas sucessores, mas sim o velho Partidão, e ambos os partidos apontam sua data de fundação como sendo a data oficial da agremiação fundada na década de 1920, apontando um ao outro como uma dissidência.[3]

História[editar | editar código-fonte]

A foice e martelo, símbolos da união do campesinato com o proletariado urbano, símbolo oficial do PC-SBIC, bem como do Movimento Comunista Internacional.

Foi um partido político brasileiro de esquerda, que ideologicamente baseado em Karl Marx e Friedrich Engels e de organização baseada nas teorias de Lênin. Fundada no dia 25 de março de 1922, na cidade de Niterói-RJ[1], por nove delegados, representando 50 membros. Em 4 de abril de 1922, foi publicado no Diário Oficial da União sua fundação, com o nome de Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). Participaram do congresso de fundação: Abílio de Nequete (barbeiro de origem libanesa), Astrojildo Pereira (jornalista do Rio de Janeiro), Cristiano Cordeiro (contador do Recife), Hermogênio da Silva Fernandes (eletricista da cidade de Cruzeiro), João da Costa Pimenta (gráfico paulista), Joaquim Barbosa (alfaiate do Rio de Janeiro), José Elias da Silva (sapateiro do Rio de Janeiro), Luís Peres (vassoureiro do Rio de Janeiro) e Manuel Cendón (alfaiate espanhol).

O Partido Comunista Brasileiro foi fundado em Niterói, sob o nome de Partido Comunista do Brasil, no dia 25 de março de 1922, por nove delegados, representando cerca de 73 militantes de diferentes regiões do Brasil. Eram eles: Abílio de Nequete (barbeiro de origem libanesa), Astrojildo Pereira (jornalista do Rio de Janeiro), Cristiano Cordeiro (contador do Recife), Hermogênio da Silva Fernandes (eletricista da cidade de Cruzeiro), João da Costa Pimenta, Carlos Henrique (gráfico paulista), Joaquim Barbosa (alfaiate do Rio de Janeiro), José Elias da Silva (sapateiro do Rio de Janeiro), Luís Peres (vassoureiro do Rio de Janeiro) e Manuel Cendón (alfaiate espanhol). O nome de fundação do partido é "Partido Comunista do Brasil", mas seus militantes se referiam à organização como Partido Comunista Brasileiro ou como Partido Comunista do Brasil, indistintamente, conforme atesta a carta de Astrojildo Pereira à Internacional Comunista datada de 9 de agosto de 1922.

A reunião de fundação é considerada como o I Congresso do PCB, durante o qual foi escolhida a primeira Comissão Central Executiva (CCE), composta de dez membros (cinco titulares e cinco suplentes), sendo titulares: Abílio de Nequete (secretário-geral), Astrojildo Pereira (imprensa e propaganda), Antônio Canellas (secretário internacional), Luís Peres (frações sindicais) e Cruz Júnior (tesoureiros); os suplentes eram: Cristiano Cordeiro, Rodolfo Coutinho, Antônio de Carvalho, Joaquim Barbosa e Manuel Cendón. Seguindo a tendência mundial entre os partidos comunistas, em 4 de abril do mesmo ano é publicado no Diário Oficial da União o anúncio da sua fundação, porém com o nome de Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). Um estatuto também foi elaborado com a primeira reunião.

O PCB foi a matriz da qual emergiu uma série de partidos importantes na dinâmica política brasileira: o Partido Popular Socialista (PPS), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8) e o próprio PCB atual, além de todos os grupos de matriz trotskista e stalinista que surgiram e desapareceram desde então.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Luiz Carlos Prestes, o mais famoso militante do PCB e secretário-geral do partido por 37 anos

Já em junho do ano de fundação, o governo de Epitácio Pessoa o coloca na ilegalidade.

Conquista a legalidade em janeiro de 1927, quando elege Azevedo Lima para a Câmara dos Deputados. Em agosto do mesmo ano volta à ilegalidade.

Já com Luís Carlos Prestes – que tornar-se-ia seu dirigente mais conhecido – o PCB participa da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Após esta ser posta na ilegalidade, o partido inicia, em seu nome , a revolta militar de novembro de 1935, conhecida como Levante Comunista ou Intentona Comunista. A insurreição foi derrotada, como resultado de um planejamento pobre e de uma visão construída pela Comintern e muito distante da realidade nacional. Intensifica-se a repressão do governo brasileiro à oposição, processo que irá culminar com a instauração da ditadura do Estado Novo, em 1937. Com a maioria de seus dirigentes presos (inclusive Prestes, desde 1936), o PCB se desarticula completamente, até que, em fins de 1941, grupos isolados do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia iniciam a reorganização do partido, no evento que ficou conhecida como "Conferência da Mantiqueira", uma reunião clandestina que tinha à frente, entre outros, o médico baiano Milton Cayres de Brito.

Realizou-se em 11 de agosto de 1943, Conferência Nacional do Partido (Conferência da Mantiqueira), com delegados do Rio, São Paulo, estado do Rio, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe e Paraíba. A Conferência examinou a situação política e as tarefas do Partido, a política de construção e as tarefas dela decorrentes. Elegeu, ainda, um novo Comitê Central, pois a antiga direção, bem como a organização partidária, estava praticamente esfacelada devido aos vários golpes da polícia. Esta Conferência teve enorme importância na vida partidária. Derrotou as tendências liquidacionistas e firmou a necessidade de reorganizar o Partido, assim como traçou as tarefas dos comunistas na luta contra o nazifascismo e pela declaração de guerra ao Eixo e envio de uma Força Expedicionária para lutar na Europa. Inúmeros comunistas marcharam voluntariamente para o teatro de operações na Itália e foi organizado um amplo movimento em solidariedade à FEB. no dia 1o de agosto de 1950, foi dado a público, o Manifesto de Agosto, do Comitê Central do Partido Comunista. Foi mais uma tentativa da direção de romper com os restos da linha do período da legalidade. Apesar de conter alguns erros esquerdistas (confundia, em certa medida, as duas etapas da revolução brasileira e subestimava o papel da burguesia nacional na revolução), o Manifesto apresentou, no fundamental, uma linha revolucionária, conclamava o povo a derrocar o regime de latifundiários e grandes capitalistas a serviço do imperialismo e constituir, para isso, um Exército Popular.

Em 1945, Prestes e outros dirigentes são anistiados, e o PCB retorna à legalidade, obtendo seu registro eleitoral. Nas eleições presidenciais, realizadas em 2 de dezembro daquele ano, o PCB lança a candidatura de Iedo Fiúza, que não militante do partido e nem era comunista, e obtém cerca de 10% do total de votos, tanto para o candidato apoiado como para a chapa. O PCB elegeu um senador, o próprio Prestes, além de 17 deputados constituintes, incluindo-se o escritor Jorge Amado, e outros.

O PCB teve ótimo resultado nas eleições municipais de 1946, elegendo centenas de vereadores, e uma grande bancada na Câmara Municipal do Distrito Federal (Rio de Janeiro); Em Juiz de Fora (Minas Gerais) o descendente de alemães Lindolfo Hill foi eleito como o primeiro vereador comunista da cidade em documentos revelados sobre Lindolfo e Ziller[7]; Com cerca de duzentos mil filiados em 1947, seu registro é novamente cancelado em abril deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral, no governo do marechal Eurico Gaspar Dutra, com base em texto constitucional que proibia a existência de partidos que fossem contrários ao regime democrático. No ano seguinte, seus parlamentares são cassados.

A foice e martelo, símbolos da união do campesinato com o proletariado urbano, símbolo oficial do PCB, bem como do Movimento Comunista Internacional.
O escritor Jorge Amado (aqui em foto de 1935) foi eleito deputado federal pelo PCB, em 1945

A Declaração de Março e a cisão[editar | editar código-fonte]

Em 1956, sob o impacto do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), instauram-se divergências internas profundas, que fazem o partido perder um número expressivo de militantes, dirigentes e intelectuais. Lança a "Declaração de Março" de 1958, na qual o começa a discutir a questão democrática.

Em setembro de 1960 o PCB decide instituir uma campanha para a conquista da legalidade, o que o faz, inclusive, adequar-se juridicamente, alterando sua denominação de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, mas mantendo a sigla PCB. Decidiu pelo abandono do IV programa e pela aprovação imediata de outro. A antiga nomenclatura seria depois aproveitada pelo dissidente PC do B.

Nesse processo forma-se, no interior do Partido, um grupo de descontentes em relação à nova linha adotada, advogando pela manutenção da ortodoxia estalinista. Fica conhecido como Ala Vermelha que, em 1962, é expulsa por formação de tendência.

Os "Anos de Chumbo" da Ditadura Militar[editar | editar código-fonte]

O regime militar instituído em abril de 1964 impôs ao PCB mais um longo período de clandestinidade. A repressão que se seguiu ao golpe, afetando o conjunto das forças democráticas, atingiu fortemente o PCB. A recusa ao foquismo e às várias formas de intervenção armada propostas por diversos grupos de esquerda desde 1961[8] custou ao PCB a cisão do partido e a perda de importantes dirigentes, entre eles, Carlos Marighella, Mário Alves, Jover Telles e Apolônio de Carvalho.

O jornalista Vladimir Herzog, importante militante do PCB, foi preso e torturado até à morte pela ditadura militar brasileira, em 1975
Túmulo de Manuel Fiel Filho, operário e militante do PCB que, assim como Vladimir Herzog, foi preso e torturado até a morte pela ditadura militar brasileira, em 1976

A primeira dissidência do PCB ocorrera em 1962, com a criação do PC do B, que posteriormente empreenderia a guerrilha do Araguaia. Após o golpe de 1964, uma nova cisão interna do PCB teria início em 1967, ainda em razão de divergências quanto à participação do partido na resistência armada ao regime militar. Quando os militantes favoráveis à luta armada foram voto vencido, formaram a chamada Corrente Revolucionária de Minas Gerais (ou Corrente Brasil). A partir de 1968, vários outros agrupamentos e organizações foram criados por egressos do PCB. Em fevereiro de 1968, Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira criaram o Agrupamento Comunista de São Paulo, que, seis meses depois, daria origem à ALN. No Rio Grande do Sul, o grupo Dissidência Leninista seria a origem do Partido Operário Comunista (POC), que, posteriormente, juntar-se-ia à POLOP, criada em 1961. Outros grupos, baseados no Rio de Janeiro e no Nordeste, formaram o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), liderado por Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Mário Alves. Universitários de Niterói constituiriam o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, cujo nome lembrava a data da morte de Che Guevara.[9]

Os anos que se seguiram à promulgação do Ato Institucional Número Cinco, de 13 de dezembro de 1968, foram de intensificação da repressão. Entre 1973 e 1975 um terço do Comitê Central foi assassinado e centenas de militantes submetidos à tortura, alguns até a morte, dentre os quais o jornalista Vladimir Herzog, o operário Manuel Fiel Filho e o dirigente da Juventude Comunista, José Montenegro. É nesse período que o sindicalismo não comunista se organiza e obtém importantes conquistas na luta contra a ditadura a partir da ação estruturada dos metalúrgicos do ABC e, posteriormente dos bancários de São Paulo, dentre outras categorias. Esse movimento isolou paulatinamente os sindicatos e lideranças ligadas ao PCB e constituiu-se no embrião do futuro Partido dos Trabalhadores, que agregaria vários movimentos populares não polarizados pelo PCB.

A volta à legalidade[editar | editar código-fonte]

Com a anistia em setembro de 1979, retornam dirigentes e militantes que estavam no exterior, mas novas divergências internas – que já estavam se expressando no exterior – culminam com a saída de Luís Carlos Prestes em 1980 e dos militantes que lhe davam apoio (mais tarde organizados no que viria a ser o atual Polo Comunista Luiz Carlos Prestes - PCLCP). Assume então como secretário-geral Giocondo Dias.

Em 1985, com o fim da ditadura militar e o início da Nova República, tanto o PCB como o PCdoB voltam a funcionar como partidos políticos legais. O PCB, defendendo a bandeira da luta pela democracia através da formação de uma "frente ampla" desde 1965, presta apoio à transição democrática e aos primeiros anos do governo de José Sarney.

Segunda Cisão[editar | editar código-fonte]

Nova crise instaura-se a partir de 1989 na esteira dos acontecimentos do Leste Europeu e da crise de representatividade que vinha vivendo o partido – perdendo espaço nas esquerdas e no movimento sindical para o PT e deixando de contar com o aporte político da URSS que se esfacela após a queda do muro de Berlim.

É nesse momento que o PCB se divide a grosso modo em dois grupos: o liderado pelo senador Roberto Freire (do qual fazem parte os jornalistas Rodolfo Konder e Jarbas de Holanda e dirigentes sindicais como Alemão, entre outros), que deseja romper com conceitos de revolução social, abraçar ideias da social-democracia e da chamada "nova esquerda" e se afastar definitivamente da herança soviética após o desastre da invasão do Afeganistão; e o grupo liderado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, cartunista Ziraldo, educador Horácio Macedo, livreiro Raimundo Jinkings, artistas, intelectuais e trabalhadores que buscam manter erguida a bandeira comunista e fazer uma análise marxista da crise no Leste Europeu.

O internacionalmente famoso e respeitado arquiteto Oscar Niemeyer (aqui em foto tirada em 1977) foi um militante histórico do PCB

A partir da realização da V Conferência Nacional Extraordinária do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC), deixou de ser uma seção da Internacional Comunista, oficializando assim seu nome como Partido Comunista Brasileiro (PCB), com os membros remanescentes da seção que apoiavam a legalidade do partido, e o PCdoB - Partido Comunista do Brasil, a cisão que rompia com o alinhamento aos soviéticos.

Carteira de militante do PCB de Carlos Marighella

O PCB continuou existindo até 1992, quando através de uma disputa controversa, que acabou reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, os dirigentes do então PCB declaram sua extinção, e criação, em seu lugar, do Partido Popular Socialista.[10] Membros mais antigos classificaram a ação do grupo ligado ao seu então presidente, Roberto Freire, como um golpe, e decidiram lançar um edital de fundação de um novo partido, que utilizaria então o nome da agremiação ora extinta: Partido Comunista Brasileiro.[10] O PPS, apesar de se considerar um novo partido, se declarava sucessor do velho Partidão, e herdou seu registro eleitoral e patrimônio[10], de forma que o grupo que formou o novo PCB precisou recomeçar sua trajetória eleitoral do zero.

Congressos[editar | editar código-fonte]

I Congresso – Niterói: março de 1922

O primeiro Congresso do PCB, ocorreu nos dias 25, 26 e 27 de março de 1922, na cidade de Niterói - RJ. Nesta reunião de fundação:

  • Foi aprovado o seu primeiro estatuto do PCB (PC-SBIC);
  • Estabeleceu a linha Política do PCB (PC-SBIC) seria o marxismo-leninismo;
  • O PCB seguiria a tendencia do movimento comunista mundial,passando a constituir seção brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC);
  • Estabeleceu a cor vermelha (bandeira) e a foice e martelo como símbolo do PC-SBIC;
  • Foi escolhida a primeira Comissão Central Executiva (CCE): composta de dez membros, assim constituída: os efetivos Abílio de Nequete (secretário-geral), Astrojildo Pereira (imprensa e propaganda), Antônio Canellas (secretário internacional), Luís Peres (frações sindicais) e Cruz Júnior (tesoureiros); e os suplentes, Cristiano Cordeiro, Rodolfo Coutinho, Antônio de Carvalho, Joaquim Barbosa e Manuel.

II Congresso: maio de 1925

O II Congresso do PC-SBIC foi realizado nos dias 16, 17 e 18 de maio de 1925.

  • É criado o jornal A Classe Operaria (órgão central do PCB).

III Congresso: dezembro de 1928/janeiro de 1929

O III Congresso do PC-SBIC ocorreu em dezembro de 1928/janeiro de 1929.

Foi debatido a linha política que orientou o congresso levando em conta, na compreensão da formação do Brasil, debatendo os seguintes elementos:

  • a dominação imperialista;
  • a economia agrária;
  • o problema da terra;
  • a revolução democrático - burguesa.

Ocorre também a primeira cisão no PC-SBIC, a Dissidência Trotskista

IV Congresso: novembro de 1954

O IV Congresso do PC-SBIC ocorreu de 07 a 11 de novembro de 1954.

  • É realizado a reorganização do Partido Comunista depois dos golpes sofridos pelo Estado Novo de Vargas, surgida na Conferência da Mantiqueira, em 1943;
  • Estabeleceu um Programa Socialista para o Brasil;
  • Foi aprovado um novo estatuto do PC-SBIC.

V Congresso: agosto/setembro de 1960

Em 1956, sob o impacto do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), instauram-se divergências internas profundas, que fazem o partido perder um número expressivo de militantes, dirigentes e intelectuais. É lançada a "Declaração de Março" de 1958, na qual o começa a discutir a questão democrática.

Em setembro de 1960 o PCB decide instituir uma campanha para a conquista da legalidade, o que o faz, inclusive, adequar-se juridicamente, alterando sua denominação de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, mas mantendo a sigla PCB. Decidiu pelo abandono do IV programa e pela aprovação imediata de outro.

Nesse processo forma-se, no interior do Partido, um grupo de descontentes em relação à nova linha adotada, advogando pela manutenção da ortodoxia stalinista, ligados ao maoismo. Fica conhecido como Ala Vermelha que, em 1962, é expulsa por formação de tendência, construindo então o PCdoB.

Cisões[editar | editar código-fonte]

A primeira cisão - Liga Comunista Internacionalista - LCI (1928)

Em 1928 ocorre a primeira cisão no PC-SBIC. Quando um grupo de intelectuais marxista rompe com as teses políticas do Partido, influenciados pela crítica de Leon Trotsky e da Oposição de Esquerda Internacional ao stalinismo reinante na Internacional Comunista e no Partido Comunista Soviético. A qual ficou conhecida por Dissidência Trotskista, mudando de nome dois anos depois para Liga Comunista Internacionalista.

A segunda cisão - Partido Operário Leninista - POL (1936)

O Partido Operário Leninista - POL, surgiu em 1936 quando Mário Pedrosa, adere ao trotskismo e juntos com outros militantes rompem com o Partido e passam a constituir essa organização.

A terceira cisão - Partido Socialista Revolucionário - PSR (1939)

Em 1939 o Partido Comunista sofre sua segunda cisão, um grupo de militantes liderado por Hermínio Sachetta este sendo redator do órgão oficial do Partido, A Classe Operária rompem com o PC e se aproxima dos trotskistas.

Hermínio Sachetta e mais seis comitês regionais discordam da posição oficial adotada diante as eleições de 1937 (apoio a candidatura de Armando de Salles Oliveira), os quais em 1943 assumem a categoria de seção brasileira da organização trotskistas Norte Americana Socialist Workers Party com o nome de Partido Socialista Revolucionário - PSR , filiado a IV Internacional.

A quarta cisão - Partido Operário Revolucionário - POR (1952)

O Partido Operário Revolucionário - POR, surgiu em 1952 e atuou no Brasil até 1966.

A quinta cisão - Partido Comunista do Brasil (1961)

Em setembro de 1960 o PC decide instituir uma campanha para a conquista da legalidade, o que o faz, inclusive, adequar-se juridicamente, alterando sua denominação de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, mas mantendo a sigla PCB. Decidiu-se na ocasião abandono do IV programa e pela aprovação imediata de outro. Sendo assim, um grupo de influências maoistas, conhecido como a Ala Vermelha (ou Ala Chinesa) é expulso por formações de tendências internas, fundando o PCdoB, sob a alcunha de Partido Comunista do Brasil.

Dirigentes[editar | editar código-fonte]

Secretários-Gerais[editar | editar código-fonte]

Ivan Pinheiro, Secretário-Geral do PCB no período 2005-2016

Presidentes[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato(a) a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos  % Posição
1930 Minervino de Oliveira Gastão Valentim Antunes PCB, Bloco Operário Camponês 720 0,007
1945 Yedo Fiúza não foi registrado sem coligação 569.818 9,71
1989 Roberto Freire Sérgio Arouca sem coligação 769.123 1,06

Militantes Históricos[editar | editar código-fonte]

Olga Benário, militante do PCB e esposa de Luiz Carlos Prestes. Foi executada e martirizada na Alemanha Nazista, em 1942
Além de jornalista esportivo e treinador da Seleção Brasileira de Futebol, João Saldanha foi um militante muito ativo do PCB até a sua morte, em 1990

Militantes do PCB agraciados com o Prêmio Lênin da Paz[editar | editar código-fonte]

Eliza Branco (ao centro, de vestido claro) ao receber o Prêmio Lênin da Paz

Referências

  1. a b CPDOC. «Partido Comunista do Brasil (PCB)». Consultado em 14 de novembro de 2017 
  2. Veja (5 de junho de 2017). «Partidão, Maluf e casal gay: relembre decisões históricas do TSE». Consultado em 14 de novembro de 2017 
  3. a b PCB (26 de março de 2009). «As diferenças entre PCB e PCdoB». Consultado em 06 de setembro de 2016  Parâmetro desconhecido |Autor= ignorado (|autor=) sugerido (ajuda); Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Yuri Brandão (3 de abril de 2017). «A importância do Partido Comunista Brasileiro para a nossa história». Consultado em 14 de novembro de 2017 
  5. bonde.com.br (18 de março de 2010). «PC do B - 1922: nasce um partido comunista no Brasil». Consultado em 14 de novembro de 2017 }
  6. Raíssa Abreu (26 de março de 2012). «Partido nasceu em 1922 como seção da Internacional Comunista». Consultado em 14 de novembro de 2017 
  7. [1]
  8. Cuba apoiou guerrilha já no governo Jânio. Por Mário Magalhães. Folha de S. Paulo, 8 de abril de 2001.
  9. CAMPOS DA PAZ, Mariza. Nieta dos campos da paz. "A história que não foi contada". Rio de Janeiro: Mauad X, 2012. p. 18
  10. a b c Carlos I. S. Azambuja. «A criação do PPS». Consultado em 14 de novembro de 2017 
  11. a b c «ПОСТАНОВЛЕНИЕ ПРЕЗИДИУМА ВС СССР ОТ 11.12.1989 N 905-1 О МЕЖДУНАРОДНОЙ ЛЕНИНСКОЙ ПРЕМИИ МИРА» (em russo). 12 de outubro de 2006 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CASSIN, Marcos. Partido Comunista do Brasil (PC do B): fundação e trajetória. Piracicaba, SP: 1996, mimeo.
  • CHILCOTE, Ronald. O Partido Comunista Brasileiro: conflito e integração (1922-1972). Rio de Janeiro: Graal, 1982.
  • DIÁRIO da guerrilha do Araguaia. São Paulo: Alfa-Ômega, 1979.
  • DÓRIA, P. et al. A guerrilha do Araguaia. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978.
  • JOFFILY, Bernardo. O melhor aniversário para o PC do B. Questão de ordem, São Paulo, n. 114, 15 de março de 1999.
  • LIMA, Haroldo. Itinerário de lutas do Partido Comunista do Brasil (PC do B) de 1922 a 1984. 3. ed. Salvador: * Editora Maria Quitéria, 1984.
  • PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL. A linha política revolucionária do Partido Comunista do Brasil. Lisboa: Maria da Fonte, 1974a.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]