Astrojildo Pereira

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Astrojildo Pereira
Nascimento 8 de novembro de 1890
Rio Bonito, Rio de Janeiro, Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Brasil
Morte 21 de novembro de 1965 (75 anos)
Rio de Janeiro, Guanabara,  Brasil
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Escritor e jornalista

Astrojildo Pereira Duarte Silva (Rio Bonito, 8 de novembro de 1890Rio de Janeiro, 21 de novembro de 1965) foi um ex-anarquista[1] escritor, jornalista, crítico literário e político brasileiro, fundador do Partido Comunista Brasileiro, em 1922.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aos 16 anos abandonou os estudos (no terceiro ano do o curso ginasial no Colégio Anchieta, de Nova Friburgo). Começou nesta época sua militância anarquista, em oposição à fé religiosa difundida pela Igreja e contra o militarismo, estimulado pelas greves operárias de 1906, Sob o impacto da o fracasso da Campanha Civilista de Rui Barbosa e repressão à Revolta da Chibata do marinheiro João Cândido no Rio de Janeiro e pela execução do pedagogo anarquista Francisco Ferrer, na Espanha, Astrojildo fez uma curta viagem a Europa, que serviu para amadurecer as suas convicções de antagonismo à ordem social [2].

Na juventude, como gráfico, fez parte de organizações operárias de orientação anarcossindicalistas, sendo um dos organizadores do segundo Congresso Operário Brasileiro[3], em 1913. Próximo aos principais líderes da Confederação Operária Brasileira, casou-se com a filha do anarquista Everardo Dias.

Iniciou na imprensa operária sua carreira de jornalista, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida.

Em 1918, foi preso por participar da frustrada insurreição anarquista[4], sendo libertado em 1919.

De 1918 a 1921, o anarquismo viveu um período de crise interna. Astrojildo, inicialmente definia-se como “um intransigente libertário”. Ganhou um premio em dinheiro na loteria e fez uma doação de vários contos de réis para o jornal anarquista A Voz do Povo. Pouco a pouco, porém, o anarquista convicto passou a rever as teorias que serviam de base às suas convicções políticas e filosóficas. Sob o impacto mundial das conseqüências da Revolução Bolchevique , fascinado pelo que estava acontecendo no recém-fundado Estado Soviético, acabou aderindo ao socialismo científico.[5]

Funda em 1921 o Grupo Comunista do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em março de 1922, reuniu os vários grupos bolchevistas regionais para criar o Partido Comunista do Brasil, em março de 1922, reconhecido dois anos depois como Seção brasileira da III Internacional.

Sua primeira viagem à União Soviética foi em 1924, na condição de secretário-geral do partido. No ano seguinte, junto com Otávio Brandão, iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, órgão oficial do PCB. Em 1927, viajou à Bolívia para entrar em contato com o líder tenentista refugiado Luís Carlos Prestes, a fim de aproximá-lo do marxismo-leninismo. Em 1928, passou a ser um dos integrantes do Comitê Executivo da III Internacional.

Em torno de meados de 1929, com a colaboração de Octávio Brandão, Paulo de Lacerda e Cristiano Cordeiro, Astrojildo Pereira havia delineado um grupo dirigente do movimento operário, e iniciado a primeira tentativa de esboçar uma teoria da revolução brasileira que vislumbrava no latifúndio e no imperialismo os inimigos principais da classe operária, no campesinato e na pequena burguesia urbana (e seus intelectuais) os seus aliados. A questão agrária e a questão nacional seriam assim o fulcro da revolução democrática no Brasil. Como ficou bem demonstrado no texto Agrarismo e Industrialismo de Octávio Brandão que ele ajudou a escrever [6].

Após viver em Moscou entre fevereiro de 1929 e janeiro de 1930, voltou ao Brasil com a missão de impor a uma dúbia política de proletarização do partido, combatendo as influências anarquistas e substituindo intelectuais por operários. No entanto, essa política de "obreirização" [7] acabou atingindo ele próprio em novembro do mesmo ano, quando foi afastado da secretaria-geral do PCB. No ano seguinte, desligou-se do partido e e passou a colaborar no jornal carioca Diário de Notícias e na revista Diretrizes. Como crítico literário, especializou-se nas obras de Machado de Assis e Lima Barreto.

Quanto a esse tema, foi narrado por Lúcia Miguel-Pereira[8] que Astrojildo Pereira visitou o leito de morte de Machado de Assis.

Em 1945, retornou ao PCB, passando a colaborar com sua imprensa partidária. No entanto, após a cassação do partido, em 1947, a diretriz política sectária ordenada por Prestes até 1956, acabaram o afastando novamente do PCB.

Após a instauração do governo militar, em 1964, foi preso no mês de outubro, por três meses, já em estado de saúde precário. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1965.

Em 2 de agosto de 1982, intelectuais então vinculados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) fundaram o Instituto Astrojildo Pereira (IAP)[9], uma associação civil sem fins lucrativos, com sede em São Paulo e de abrangência nacional. Tendo como referencial a teoria social fundada por Karl Marx, o IAP pretende ser um espaço de convergência de esforços de diferentes setores do mundo intelectual e do espectro político para construção coletiva de referências teóricas e culturais que incidam sobre as lutas democráticas da sociedade brasileira na perspectiva socialista. Em 2000 o Partido Popular Socialista cria a FAP — Fundação Astrojildo Pereira[10], com o objetivo de preservar a memória do fundador do PCB e dos militantes comunistas brasileiros através de estudo e pesquisa.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FEIJÓ, Martin Cézar. Formação política de Astrojildo Pereira (1890–1920). São Paulo, Novos Rumos, 1985.
  • FEIJÓ, Martin César. O revolucionário cordial: Astrojildo Pereira e as origens de uma política cultural. São Paulo, Boitempo Editorial, 2001.
  • KONDER, Leandro. “Astrojildo Pereira: o homem, o militante, o crítico” In: Memória & História, no 1, Ciências Humanas, São Paulo, 1981.
  • LENA JR., Hélio de. Astrojildo Pereira: um intransigente libertário (1917–1922). Vassouras, Universidade Severino Sombra, 1999. Dissertação de mestrado; orientador: Lincoln de Abreu Penna.
  • OLIVEIRA, J. R. Guedes de Oliveira. Viva, Astrojildo Pereira! 4ª capa de Antonio Cândido. São Paulo, Fundação Astrojildo Pereira, 2005. 228 pp.

Referências

  1. Astrojildo Pereira, um camarada histórico, fundador do PCB
  2. segundo 'Marcos Del Roio, Prof. de Ciências Políticas, FFC-Unesp/Marília in Revista Espaço Acadêmico nº 41 de Março de 2004
  3. Aguena, Paulo. «O surgimento do movimento sindical no Brasil». Jornal OPINIÃO SOCIALISTA. 10/5/2006. Consultado em 12 de março de 2012 
  4. Addor, Carlos Augusto. «Ilusões Revolucionárias». Revista de Historia. 17/9/2007. Consultado em 12 de março de 2012 
  5. KONDER, Leandro. “Astrojildo Pereira: o homem, o militante, o crítico” In: Memória & História, no 1, Ciências Humanas, São Paulo, 1981
  6. Rodrigues, Alexandre M. E. (2006). «Octávio Brandão: Uma Leitura Marxista dos Dilemas da Modernização Brasileira» (PDF). Revista Intellectus / Ano 05 Vol. I -. 3 páginas. Consultado em 27 de fevereiro de 2012 
  7. Martorano, Luciano Cavini. «Lênin e a Burocracia». Centro de Documentação e Memória. 01/02/1996. Consultado em 12 de março de 2012 
  8. Euclides da Cunha (30 de setembro de 1908). «Euclides da Cunha sobre Machado de Assis» (PDF). Jornal do Commercio 
  9. http://www.institutoastrojildopereira.org.br/
  10. http://www.fundacaoastrojildo.org.br/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]